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sexta-feira, 11 de setembro de 2015

IRON MAIDEN - THE BOOK OF SOULS


                   A maior banda de todos os tempos está de volta! E com um trabalho muito superior aos seus recentes antecessores. The Book of Souls chegou cheio de expectativas (como todo trabalho da Donzela). Desde Brave New World (2000), o grupo não apresentava um trabalho tão consistente como esse. Após o fraco Dance of  Death (2003), o regular A Matter of Life and Death (2006) e o fraquíssimo The Final Frontier (2010), o grupo chega com seu trabalho de maior duração (cerca de 90 minutos), recheado de belos solos (o trio de guitarristas está afiadíssimo, Dave Murray é  a cara da banda, Janick Gears se supera, mas o grande destaque é Adrian Smith), riffs tipicamente “maidenianos”, aquele baixo cavalgado que só mestre Steve Harris pode nos proporcionar, a bateria pegada e certeira de um dos bateristas menos lembrados quando se fala nos melhores, mas que de coadjuvante não tem nada, afinal, Nicko McBrain toca muito e, Bruce Dickinson... Sem  sombra de dúvida está cantando muito! Além de cantar de forma espetacular, Bruce compôs grandes músicas em parceria com Adrian Smith, algo que por si só, já garantiria qualidade suficiente ao trabalho. Mas os arranjos, o peso (tratando-se  de Iron Maiden) nos trazem uma banda que, apesar da passagem do tempo, mostra que tem muita lenha pra queimar. 


                  Muitos dizem que o álbum é uma volta ás origens. Não concordo. O Iron Maiden não precisa disso. Mas quando se compara aos mais recentes trabalhos, podemos afirmar que a velha Donzela de Ferro está de volta! O único ponto que deixa um pouco a desejar é a produção. Kevin Shirley é um renomado produtor e já vem produzindo a banda há algum tempo. Apesar de ter grandes bandas em seu currículo ( Rush, Aerosmith, Journey), a produção não fica á altura da banda. Como eu gostaria de um dia poder ouvir um álbum do Iron produzido por Andy Sneap (Exodus, Kreator, Arch Enemy), que além de produzir bandas mais pesadas, fez um trabalho fantástico com o Accept! Mas de forma alguma esse detalhe retira brilho do trabalho. Uma banda em plena forma e inspirada é o que podemos ouvir nas 11 composições que integram o trabalho.

                 O álbum começa com If  Eternity Should Fail. Uma grande composição. Iniciando com um Bruce inspirado e de forma lenta até a entrada da banda, com uma pegada pesada e cadenciada. Com um belo refrão e guitarras na linha NWOBHM, é um belo início de trabalho. Speed of Light, faixa que foi divulgada como single e teve um clipe sensacional, vem na seqüência. Rápida, com grandes riffs, um refrão pra cantar junto no show de punhos cerrados e um Bruce lembrando os tempos de No Prayer for the Dying (1990), tem tudo para ser uma das composições a integrarem o set list da próxima turnê. Quanto ao vídeo... Bom, a banda teve a perspicácia em unir o mundo dos games e o heavy metal. Mostrando a evolução dos jogos e da discografia do grupo, o clipe, como dito antes, é sensacional!                 




                   The Great Unknow tem como destaque Nicko Mcbrain. Um trabalho de bateria técnico e eficiente. Com um andamento diferente, talvez seja a faixa, onde a veia “prog” da banda tem mais destaque. Com solos muito bem elaborados e tendo em Bruce novamente sua referência, a faixa fica melhor a cada audição. A longa The Red and the Black, nos remete a clássica The Rime of Ancient Mariner. Aqui, as três guitarras da banda trabalham de forma harmoniosa. Refrão forte e a categoria de Bruce complementam a composição. When The Rivers Run Deep é a faixa mais rápida do trabalho. Com aquela veia rocker dos antigos trabalhos, bons riffs e solos inspirados, Adrian Smith mostra que além de grande guitarrista, é um excelente compositor. The Book of Souls, faixa título, também está no rol das faixas longas do álbum. Começando com um dedilhado ao violão, a faixa traz uma grande variação durante sua execução. Por vezes pesada e cadenciada, não percebemos o tempo passar. Bruce Dickinson dando show novamente. Um clima épico com toques progressivos se fazem presentes. Assim, se encerra o CD 1.

                  O CD 2 começa com a fantástica Death or Glory. Que música meus amigos! Direta e pesada, a parceria entre Bruce e Adrian aqui mostra que a dupla quando quer, se supera. Uma faixa sem grande variações mas com aquela pegada característica da Donzela que todos nós tanto curtimos! Wasted Years... Ops... Shadows of The Valley vem na seqüência. E não errei ao escrever não. Escutem a introdução desta música e me digam se não vem a mente a música presente me Somewhere in Time (1986). Apesar disso, mais uma bela composição com grande trabalho de guitarra. Tears of a Clown, que homenageia o falecido ator Robbin Willians, e é a faixa preferida de Bruce Dickinson no álbum. Uma bela melodia e com uma interpretação emocionante do vocalista, a faixa composta por Adrian Smith e Steve Harris é um dos destaques. The Man of Sorrows, começa com Dave Murray dedilhando uma bela melodia. Dá pra imaginar que teremos uma balada, mas há uma mudança de direcionamento e a música ganha um contorno diferente. Empire of the Clouds encerra o álbum com seus 18 minutos. A faixa é a mais longa da carreira da banda. Um piano na introdução e vai crescendo de tal forma que se transforma em um dos destaques do cd. Uma composição com variações, arranjos fantásticos e um show de cada integrante durante sua execução.

                  Já escrevi em uma rede social que apesar da empolgação de muitos fãs, esse álbum não é a oitava maravilha do mundo. Afinal, o Iron já tem em seu currículo as outras sete. Mas é um álbum MUITO BOM. E fica melhor a cada audição. E pelo que andei lendo, em Março de 2016, a banda deve vir ao Brasil e muito provavelmente se apresentará em Porto Alegre. Não perca! A maior banda mundo divulgando um grande álbum merece ser vista por todo aquele que diz ter o rock em suas veias. Lá em 1981, um jovem e rebelde Paul DI’Anno bradava: “ IRON MAIDEN CAN’T BE FOUGHT!”  E essa frase continua atual... UP THE IRONS!



* Publicado originalmente no site da Agência Yaih (www.agenciayaih.com.br)


Sergiomar Menezes

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