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domingo, 10 de janeiro de 2016

PROJECT BLACK PANTERA - PROJECT BLACK PANTERA



               Um soco na boca do estômago. Um pontapé certeiro na porta. Chame da forma que quiser. Mas não dá pra passar incólume ao petardo do trio mineiro PROJECT BLACK PANTERA que estréia em cd de forma independente, com um álbum de mesmo nome.. Fazendo um mix perfeito entre o punk/hardcore, com pitadas thrash, mas com um groove cheio de malícia e pegada, o grupo de Uberaba consegue criar um estilo próprio, Personalidade, letras ácidas e sem nenhum tipo de concessão, e muita, mas muita garra e raiva. A intensidade do som do grupo soa suja e ao mesmo tempo, bastante técnica e bem trabalhada.

                O grupo é formado por Charles Gama (vocal e guitarra), Chaene Gama (baixo) e Rodrigo (Pancho) (bateria). O cd foi Gravado, mixado e masterizado por Ricardo Barbosa no 106 Studio. O próprio Ricardo se encarregou da produção juntamente com a banda. E soube deixar a sonoridade bem adequada. Os timbres de guitarra ficaram sujos na medida, enquanto o duo baixo/bateria ficou pesado o suficiente, tendo uma perfeita variação entre a velocidade do hardcore e o groove ( o baixo é um dos grandes destaques do trabalho). Os vocais raivosos e rasgados de Charles Gama despejam toda a fúria que as músicas pedem. Esse conjunto, dá ao grupo uma brutalidade e agressividade única. E uma arte gráfica simples mas eficiente fecham o pacote.

               A sintomética Boto Pra Fuder abre o play e já mostra á que veio o grupo. Pesada, suja e veloz, a faixa vem com riffs insanos e uma pegada bem hardcore. Sem papas na língua, o grupo manda ver com uma letra politicamente incorreta. E ficou um arregaço! Ratatatá tem um baixo recheado de groove, mas sem esquecer da velocidade. Aqui o trabalho da cozinha merece destaque, pois enquanto o baixo vem na pegada citada, a bateria faz um excelente trabalho, com variações. Godzila vem na seqüência. Com riffs bem elaborados, a pancadaria corre solta enquanto o nome do famoso monstro é vociferado pelo vocalista. Com um começo meio introspectivo, Eu Sei é um tapa na cara da sociedade hipócrita em que vivemos. Nessa faixa, podemos perceber um pouco da influência do punk na sonoridade da banda. Rede Social é mais cadenciada e possui uma levada mais moderna. Mas que descamba pra pancadaria em seu refrão.

             Abre a Roda e Senta o Pé tem riffs instigantes, enquanto a escola do crossover se mostra grande influência pro grupo. Mesmo com passagens mais trabalhadas ( por vezes os ritmos brasileiros podem ser percebidos), a faixa tem grande destaque no baixo bem "funk" de Chaene Gama. O pau come solto em Execução na Av.38. Hardcore puro! Mas o peso também dá as caras, principalmente, na mudança de ritmo perto do final da faixa. A próxima música, Manifestação, segue o "baile" hardcore do grupo, com vocais variando entre o rasgado e o mais limpo. Uma faixa mais cadenciada é o que encontramos Ressureição. Riffs mais pesados e baixo e bateria sintonizados, mostram o perfeito entrosamento do trio. Escravos, encerra o tracklist regular do álbum. Iniciando com uma narrativa que relata mais um dos tristes fatos que envolvem parte da população brasileira, o hardcore segue como referência, com uma guitarra bastante afiada. O cd possui ainda duas faixas extras. Uma versão de Manifestação, agora cantada em inglês (Manifestation), mas que manteve a mesma pegada e arranjo. E uma versão bem diferente de Execução na Av.38. 

              Um trabalho muito bom e interessante. Uma banda que foge da mesmice e aposta em suas influências pra criar um bom crossover hardcore/thrash, com passagens cheias de groove. Sem se importar com que os outros pensam (principalmente em relação á suas letras), a banda mostra forte personalidade. O PROJECT BLACK PANTERA é mais um bom nome vindo de Minas Gerais pra enriquecer o cenário do metal nacional!




  Sergiomar Menezes
             

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