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segunda-feira, 21 de março de 2016

PSYCHOTIC EYES - I ONLY SMILE BEHIND THE MASK



                      Um death metal violento e agressivo mas que também encontra fortes doses de rock progressivo e jazz (atente á complexidade de algumas passagens) e até mesmo, doses sutis de música brasileira. Complicado de imaginar? Pois bem. Basta colocar pra rodar o álbum I ONLY SMILE BEHIND THE MASK do grupo paulista PSYCHOTIC EYES. Na ativa desde 1999, o segundo trabalho da banda, lançado em 2011, veio a consolidar o que já havia sido feito em PSYCHOTIC EYES (2007), primeiro full lenght do grupo. Passando por algumas mudanças de formação em sua trajetória, o segundo trabalho é considerado pelo próprio grupo como seu sua grande obra.

                      Na gravação do cd, o grupo era formado por Dimitri Brandi (vocal e guitarra), Douglas Gatuso (baixo) e Alexandre Tamarossi (bateria). Hoje o grupo e composto apenas por Dimitri e Douglas e está prestes a lançar seu primeiro álbum de death metal acústico, intitulado OLHOS VERMELHOS. Com uma bela capa, obra do renomado Gustavo Sazes, o cd foi mixado e masterizado por Jean François Dagenais (guitarrista do Kataklism) e a produção foi feita pela própria banda, deixou o som pesado, direto e bastante brutal.Com uma temática um tanto quanto diferente, fugindo dos clichês do etilo, o grupo apresenta letra variadas com um flerte bem interessante com a literatura.

                      Throwing Into Chaos dá ínicio ao death metal técnico e brutal do grupo. Uma música bastante agressiva onde os riffs do guitarrista/vocalista Dimitri encontram-se com flertes de progressivo durante sua execução. Uma amostra do que está por vir, esbanjando brutalidade e técnica. Na seqüência, Welcome Fatality mostra todo talento do baterista Alexandre que forma, juntamente com o baixista Douglas, uma cozinha pesada e virtuose. Destaque também para os riffs forte e diretos de guitarra. Dying Grief, traz um clima denso e peado, aliado a linhas por vezes mais melódicas e até mesmo mais soturnas em certos momentos. A letra narra os sentimentos do vocalista quando do falecimento de  seu pai. Ja Life tem um andamento mais cadenciado, trazendo um pouco de influências do thrash ao som do grupo. Com algumas mudanças de andamento e com um arranjo muito bem trabalhado, a faixa é um dos destaques do álbum.

                      Uma base extremamente técnica e brutal é o que temos na faixa título. I Only Smile Behind the Mask, possui interessantes traços melódicos em sua execução, mas não esquece da agressividade que é expressada em cada nota da composição. A complexidade dita o andamento da faixa seguinte. The Humachine pode resumir, de certa forma, o conceito em torno do Psychotic Eyes. Agressividade e técnica lado a lado em favor do death metal. E o encerramento (uma pena que o cd contenha apenas sete faixas), se dá com The Girl. Desconstruindo uma das mais famosas músicas de Chico Buarque de Hollanda, o grupo consegue transpôr á musica, uma gama muito grande de estilos, variando de forma concisa e coesa sua capacidade.

                      Apesar de concentrar força e basear sua sonoridade na brutalidade e rispidez do death metal, não dá pra resumir o excelente trabalho do PSYCHOTIC EYES apenas dessa forma. I ONLY SMILE BEHIND THE MASK traz muito mais do que isso. Traz uma forte gama de influências, passando com desenvoltura pelo prog, pelo jazz, pelo thrash e como dito lá no início, por pequenos toques de música brasileira. Sem medo de ousar e acreditando naquilo que faz, o grupo nos entrega um grande trabalho e que nos mostra, mais uma vez, que a boa música não enxerga fronteiras em seu horizonte.




     Sergiomar Menezes


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