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quinta-feira, 7 de abril de 2016

LOST SOCIETY - BRAINDEAD



                Com apenas seis anos de atividades, os finlandeses do LOST SOCIETY chegam de forma bastante rápida ao seu terceiro trabalho. BRAINDEAD chega ao Brasil via Shinigami Records e mostra uma banda que, de certa forma, resolve mexer no "time que estava ganhando". Se nos álbuns Fast Loud Death (2013) e Terror Hungry (2014) o thrash metal focado na escola antiga predominava, aqui temos músicas mais variadas, fugindo um pouco da fórmula que vinha dando certo. Isso prova que a banda não se acomoda ou se prende ás limitações que por vezes acabam sendo impostas, seja pelo estilo praticado, seja pela pressão dos fãs. Mas também, significa que ela resolveu correr riscos, ao "amadurecer" musicalmente. Antes de mais nada, ponto para a banda. Afinal, ninguém melhor do que ela mesma para saber que direção seguir não é mesmo? E BRAINDEAD é um álbum que, se não tem o brilho dos anteriores, não fica muito atrás não.

               Sammy Elbana (vocal), Arttu Lesonen (guitarra), Mirko Lehtinen (baixo) e Ossi Paananen (bateria), apesar da pouca idade, já excursionaram com grandes nomes do cenário. Slayer, Anthrax, Overkill. Nomes fundamentais. Com isso, podemos comprovar o bom nome que a banda goza entre os bangers. O Quarteto finlandês entrou no Sonic Pump Studios, em Helsinque na Finlândia sob o comando do produtor Nino Laurenne (guitarrista do Thunderstone), Tuomas Yli-Jaskari, Miiro Varjus e do próprio baixista Mirko Lehtinen. A mixagem foi feita também por Nino Laurene. Já a masterização, recebeu o trabalho de Svante Forsbäck. Esse time soube dão ao álbum uma boa sonoridade, evidenciando a qualidade dos músicos, com timbragens corretas e uma cara mais atual, sem esquecer o clima "old school".

               Abrindo o trabalho, I Am The Antidote. Uma faixa que de cara, já foge do que comumente é adotado pelas bandas do estilo. Fora do speed metal característico do grupo, a faia possui peso e tem uma levada arrastada cadenciada. A guitarra ganha destaque, pois além dos riffs pesados, manda ver no solo que ficou muito bem encaixado. Sem dúvida, um dos grandes destaques do trabalho. A música também ganhou um video clipe. Na seqüência, Riot, com bons riffs, tem uma levada mais moderna. Os vocais de Sammy aqui, mesmo despejando sua fúria, recebem ares que nos remetem ao hip hop (!?), mas se encaixam bem na levada da música. Cabe ressaltar que o peso continua a ditar o ritmo. Mad Torture tem um belo solo e tem mais  a cara "antiga da banda", com as guitarras é frente. Curta e direta, é um convite ao mosh! Hollow Eyes traz novamente um ritmo mais marcado, cadenciado. Os riffs seguem se destacando, mas o baixista Mirko merece destaque nessa faixa, demonstrando um bom entrosamento com a bateria de Ossi Paananen.

              O thrash metal volta a comer solto em Rage Me Up. Bem como em Hangover Activator. São faixas que resgatam um pouco da sonoridade dos primeiros trabalhos. Enquanto na primeira temos bons riffs e peso, na segunda, a "correria" entra com tudo. Em Only (My) Death is Certainly tem guitarras melódicas. Sim, melodias mais "limpas" são a tônica da faixa. Mesmo com o vocal de Sammy sendo bastante ríspido em sua execução, a faixa possui um refrão com linhas melódicas (para o som da banda, logicamente). A banda encerra o track list regular com P.S.T. 88, cover do Pantera, presente em Power Metal, lançado em 1988. se nao ficou de grande destaque, pelo menos serviu como homenagem ao grande grupo norte americano. Como bônus na versão lançada por aqui, temos Terror Hungry (Californian Easy Listening Version), numa versão competamente diferente, irreconhecível até. E também uma faixa ao vivo, Overdosed Brain, presente em Terror Hungry, segundo trabalho do grupo.

             Mesmo com um novo direcionamento (mas que mantém a essência do som da banda), o LOST SOCIETY fez um bom trabalho em BRAINDEAD. A fúria das guitarras, os vocais irados, a eficiente cozinha, continuam lá, apenas lapidadas. Cabe aos fãs aprovar ou não esta nova fase. Eu, particularmente, curti. Seja pela inovação, seja pela coragem de buscar novos caminhos. Mais um bom trabalhos desses moleques finlandeses.


     Sergiomar Menezes

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