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quinta-feira, 14 de abril de 2016

THE GOTHS - THE DEATH

 

                 Uma das maiores dificuldades que a gente que escreve sobre rock, e mais precisamente sobre heavy metal, tem, é "encaixar" a sonoridade de algumas bandas em determinado estilo. Só que isso também acaba sendo uma das coisas mais legais, pois assim, percebemos que as bandas investem em sua própria personalidade. Claro, não há nada de errado em se focar em um estilo determinado. Muito pelo contrário. Mas é bacana quando nos deparamos com trabalhos como THE DEATH, álbum de estréia da banda THE GOTHS, de Campinas (SP). O grupo traz heavy, thrash, hard e até mesmo passagens mais pop em seu som, mas seu perder sua personalidade.

                 Formada por Felipe Disselli (vocal e guitarra), Felipe Hervoso (guitarra), Will Costa (baixo) e Lucas Disselli (bateria), a banda, nas gravações do álbum, contou com os trabalhos de Fabio Ferrucio no baixo e de Bruno Gusman nas guitarras. Investindo numa sonoridade que traz influências de várias vertentes, mas com uma maior intensidade do metal tradicional, o grupo traz neste seu debut, 8 composições, onde podemos perceber algumas coisas. As guitarras tem muito de Metallica, baixo e bateria possuem a pegada que é comum ás bandas de metal, enquanto muitas melodias encontram no hard rock forte embasamento. O vocal tem bom alcance e consegue transitar entre essa "mistura" sem ficar perdido. Ponto para a banda! Gravado, mixado e masterizado no Soul Mix Studios e com produção de Renato Napty, THE DEATH mostra uma boa banda entrosada e coesa e que pode alçar vôos mais altos.

                Iniciando com a faixa título, The Death, já percebemos a pegada pesada da cozinha, fortemente influenciada pela NWOBHM (Iron Maiden á frente). Um heavy com um ritmo marcado e guitarras com a timbragem correta são a tônica da composição. O vocal de Felipe mostra versatilidade, enquanto o solo, bem estruturado, merece destaque. A pesada Killing Your Fate e traz bons riffs. Seguindo a linha do metal tradicional, pesada e com solos inspirados. Já Kingdom of Sorrow retrata a veia hard do grupo. Tanto na levada da cozinha quanto na "malícia", a faixa tem em sua estrutura aquela cara hard, mas tendendo pro que é praticado na Europa. Exceção feita ás guitarras, que tem no hard americano sua levada. Waiting For Changes é uma balada ( mais uma vez, o grupo mostra a variação em suas composições) que também nos remete ao hard, mas que em seu refrão, ganha um contorno mais pesado, principalmente pelas guitarras.

                Me... My Own Enemy também enverada pelos lados do hard. E o grupo tem a manha, pois a faixa não soa repetitiva, fazendo dentro dela própria uma linha melódica e pesada ao mesmo tempo. E esse peso deve ser creditado as guitarras "metallicas"(!?) que criam bases e solos muito bem estruturados. Strange Way of Living tem um início suave, introspetivo, mas ganha peso nos riffs de guitarra e na dupla de baixo/bateria que, cabe ressaltar, fez um belo trabalho no álbum. Em Nightmares In Your Head, temos uma sonoridade mais atual, moderno, caprichando no peso, mas ao mesmo tempo, utilizando a melodia como aliada durante sua execução. O encerramento vem com Too Late. Pesada, a faixa me lembrou o Metallica pós Black Album (Load/Reload para ser mais preciso). Por ser tratar de uma faixa mais "agressiva", achei o que vocal poderia ter acompanhado essa proposta, mas da forma como ficou, não trouxe demérito algum.

                O THE GOTHS trouxe em seu trabalho de estréia, boas composições. E principalmente, soube dosar e usar de forma correta suas influências. Assim, deu a sua sonoridade uma personalidade própria, com características que passeiam por vários estilos sem se prender á nenhum. THE DEATH é um CD que merece reconhecimento e além disso, respeito!



      Sergiomar Menezes

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