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segunda-feira, 1 de agosto de 2016

[MAUA] - UNCONSCIENCE



                  Não é raro ouvirmos por aí muitas pessoas dizendo que o Metal nacional anda mal. Sinceramente, eu não sei como alguém pode chegar nessa conclusão. As bandas nacionais estão cada vez mais profissionais, técnicas e não ficam devendo nada pra muita banda lá de fora. São inúmeros os exemplos. E o quinteto sergipano [MAUA], é um desses. Que baita banda! Praticando um Death Metal técnico e brutal, o grupo lança agora, depois de doze anos de atividades, seu primeiro full lenght, o pesado e agressivo UNCONSCIENCE. Muito bem produzido e embalado em um belo digipack, a banda mostra que o Nordeste brasileiro, é um celeiro de grandes bandas. Algo que nem precisa ser dito ou posto á prova, para falar a verdade.

                  A banda é composta por Erico Groman (vocal), André Cabral (guitarra), Adriano Santana (guitarra), Marcel Freitas (baixo) e Afonso Ramalho (bateria). Os músicos demonstram excelente nível técnico, vide a complexidade das composições. Extremamente brutal e pesado, o som do grupo ganha contornos que por vezes nos remete aos bons tempos do thrash metal, principalmente, aquele praticado na Bay Area dos anos 80. Com uma produção, que ficou sob a responsabilidade do próprio grupo e Marcel Menezes, que soube deixar o som do grupo sujo e  agressivo, mas ao menos tempo com todos os instrumentos audíveis e bem timbrados, o [MAUA] passa seu recado de forma muito eficiente. A mixagem e a masterização ficaram por conta de Alex Prado.  A arte gráfica também ficou muito boa. Como dito antes, o álbum vem em um belo digipack, que concentra sua arte em cores neutras, transmitindo de forma clara  a proposta do grupo. Tudo isso, só vem a tornar ainda mais atrativo o trabalho do grupo que, já é sensacional se levarmos em consideração apenas a  sonoridade apresentada.

                  O álbum inicia com a introdução Intro/Dispersed que nos deixa preparados para a porrada Resist. Guitarras agressivas e cheias de peso norteiam a faixa que traz consigo uma dose extra de energia. André e Adriano despejam excelentes riffs, enquanto Marcel e Afonso se encarregam de proporcionar o peso necessário para a fúria do vocal de Erico. E o instrumental variado, alternando "quebradeiras" com velocidade dá uma personalidade forte ao som do grupo. Volatile também traz essas características, onde o vocal acaba se mostrando bem versátil, alternando momentos mais agressivos/brutais e outros mais rasgados. E os riffs... Ríspidos e diretos como a estrutura da composição pede. Em Stay With Me a Little Longer temos um grande trabalho de baixo/bateria. Além de grandes músicos, a duple demonstra grande coesão e entrosamento, sendo um dos grandes destaques de todo o trabalho. Breakthrough tem uma linha introdutória bem introspectiva  que descamba em um golpe seco e direto na boca do estômago. Outra vez, as guitarras mandam ver em bases pesadas. Uma faixa bem trabalhada e estruturada que conta com um grande solo.

                 The Prey traz uma grande variação em sua estrutura. Mudanças de andamento em uma atmosfera bruta, criando um clima de forte agressividade e de muita técnica na hora da execução. Com um andamento mais cadenciado, o peso acaba por se acentuar e faz da faixa um dos grandes destaques do álbum. Em Leave The Coin, Get The Dice, o ritmo se mantém e Erico Groman repassa á composição uma forte densidade na interpretação. A próxima faixa, Warhead, traz outro excepcional trabalho da dupla Marcel e Afonso, que aliam muita técnica e peso á estrutura pesada que a música solicita. Alternando passagens mais quebradas e outra mais insanas, a faixa ressalta o potencial da banda. O encerramento vem com Liar e seus ótimos riffs. muito bem trabalhada, a faixa fecha o excelente trabalho de estréia do grupo. E aqui, fica a prova de que a experiência, faz a diferença.

                 Como escrevi lá no começo da resenha, dizem por aí que o Metal brasileiro não anda muito bem. E isso só pode ser dito por quem é surdo. Só em 2016, temos pelo menos duas dezenas de excelentes trabalhos lançados por aqui. Fora aqueles que ainda estão por vir. E o Nordeste segue muito bem representado. UNCONSCIENCE mostra isso de forma consistente. Que o [MAUA] possa seguir lançando ótimos trabalhos. O que, tendo em vista o que nos é apresentado aqui, não será difícil de acontecer!



                  Sergiomar Menezes


               

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