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quarta-feira, 19 de outubro de 2016

MELANIE KLAIN - ANÁLISE DO CAOS (2016)



                   A banda MELANIE KLAIN, formada em 2007, chega ao seu primeiro trabalho. Pesado, intenso e com uma pegada bem atual, o grupo de Mococa (SP), traz em sua sonoridade uma vasta gama de influências. Numa primeira audição, percebemos que a banda não se prende a nenhum tipo de rótulo ou estereótipo, o que lhes garante credibilidade e personalidade. Thrash, New Metal, Groove, Metal tradicional e muito mais é o que encontramos em ANÁLISE DO CAOS, lançado de forma independente e que nos mostra que o quinteto procura em suas letras, passar toda a indignação com a atual situação pela que passamos. E não poderia ser diferente. Um país como o Brasil serve de inspiração para esse tipo de temática, não é mesmo?

                Formada por Duzinho (vocal), Violla (guitarra), Chapolim (guitarra/vocal), Vic Escudero (baixista) e Pedro Bertti (bateria), a banda traz em sua estréia 12 faixas que deixam nítidas as influências do grupo. Podemos ouvir ecos de System of a Down, Slayer, Slipknot, Korn, Sepultura, entre outros. E essa salada deu ao grupo uma cara própria, algo raro nos dias de hoje. O álbum foi gravado no Sete Studio em Guaxupé (MG) e foi produzido pela própria banda em conjunto com Fábio Dias. E o resultado ficou de acordo com a proposta, pois a sujeira das guitarras dão aquele peso extra ás composições. A capa, que reflete bem uma situação diária das grandes ( e por que não dizer, das pequenas também) cidades brasileiras e foi um trabalho de Carol Melo Navarro. 

              A Intro (Desrespeitável Público) faz uma rápida "análise do caos" e nos prepara para a paulada Abençoados por Deus. Pesada, carregada de intensidade e com uma pegada bem atual, a faixa mostra a criatividade do grupo, trazendo um pouco daquilo que System of a Down trouxe para o Metal. O vocal de Duzinho aqui nos remete ao de Serj Tankian, mas é mais agressivo. As guitarras trazem uma sujeira explícita, enquanto a cozinha composta por Vic e Pedro Bertti (baixo e bateria, respectivamente), se encarrega de caprichar no peso. Diálogo traz uma interessante divisão nos vocais entre Duzinho e Chapolim, o que dá uma mostra da versatilidade do grupo na hora de estruturar suas composições. Fé Cega, com uma letra forte, é mais cadenciada e traz a veia mais metal tradicional do grupo, mesmo com passagens mais introspectivas. Guerra possui riffs diretos, cortesia dos guitarristas Chapolim e Violla, que mostram afinidade e entrosamento. Uma coisa que é comum nas músicas do grupo é que ao lado de passagens pesadas e mais rápidas, sempre há momentos mais amenos, por vezes até mesmo sombrios, o que cria um clima denso. Marcas do Abandono é uma prova disso. A faixa é guiada por linha praticamente acústica e ganha peso  do meio pro fim.

                  Lavagem Cerebral tem na bateria seu destaque. Bem trabalhada, a faixa também tem um ótimo trabalho de guitarras, que não deixa dúvidas sobre a qualidade técnica dos músicos do grupo. Peso, velocidade e uma dose extra de agressividade fazem desta, um dos destaques do álbum. Já Cartas de um Suicida traz uma letra, de certa forma triste, expondo a realidade do pensamento de quem pretende tomar este tipo de atitude e que escancara um problema que é bastante comum mas que não é levado muito á sério pela maioria das pessoas. Cólera/Nação tem um clima intimista e me fez lembrar um pouco das bandas de "rock alternativo" do início dos anos 90. Rede Social é uma faixa que, sem medo de dizer, poderia estar em qualquer disco do SOAD, pois as linhas adotadas pela banda aqui tem todas as características do quarteto comandado por Serj Tankian e Daron Malakian. E uma das frases da ácida letra é sensacional: Me adicione e confie em mim! A faixa título é bem direta e possui algo de hardcore em sua estrutura. O encerramento vem com Reflexão, uma espécie de Outro que dá um fechamento bacana ao trabalho.

          Neste seu primeiro trabalho, o quinteto MELANIE KLAIN mostra personalidade e composições fortes, cheias de variações e muito peso. ANÁLISE DO CAOS tem tudo para estabelecer o nome do grupo no disputado cenário do metal nacional, pois traz uma banda que sabe o que quer e busca isso de forma correta. Sem se prender á rótulos, o grupo deve trilhar um caminho onde o reconhecimento virá de forma certeira!





                  
                  
                    Sergiomar Menezes


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