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quinta-feira, 10 de novembro de 2016

PERC3PTION - ONCE AND FOR ALL (2016)



              Eu confesso que sempre que me deparo com um abanda que recebe o "rótulo" de Prog Metal, fico com receio. Pois na maioria das vezes, muitas bandas acabam trilhando um caminho perigoso, aquele onde a essência da música (o sentimento) se perde em meio as milhares de notas, quebradeiras, arranjos complexos e vocalizações insuportáveis. Mas felizmente, existem bandas que fogem disso e aliam o que de melhor o estilo tem com uma pegada cheia de garra e carisma. E esse é o caso da banda PERC3PTION, banda de São Paulo que chega ao seu segundo trabalho, o sensacional ONCE AND FOR ALL, que tem seu lançamento via Shinigami Records, e mostra que o prog, agregado ao heavy metal e porque não dizer, ao hard rock, traz resultados muito mais do que satisfatórios.

                   A banda  é composta por Dan Figueiredo (vocal), que entrou na banda em substituição ao antigo vocalista, Luiz Poleto, Glauco Barros (guitarra), Rick Leite (guitarra), Wellington Consoli (baixo) e Peferson Mendes (bateria), e traz nas nove faixas que compõem o álbum, um trabalho primoroso! Composições complexas, mas bem bem estruturadas, linhas vocais excelentes, melodias cheias de passagens envolventes, além de peso, algo primordial quando falamos em heavy metal. E a banda sabe muito bem disso. Talento e qualidade andam lado a lado aqui. A produção, que também não fica atrás no quesito qualidade técnica ficou por conta do guitarrista Glauco Barros e contou com a co-produção de Edu Falaschi (Almah, ex- Angra), enquanto o guitarrista também se encarregou da mixagem e masterização com a parceria de Rodrigo Ninrod. Já a capa e toda a arte gráfica foi um trabalho do baixista Wellington Consoli. Ou seja, tudo "feito em casa". 

                  Persistence Makes The Difference abre o trabalho de forma bem pesada, trazendo as influências do lado mais "heavy" do grupo. Já o lado prog flui com extrema facilidade e de forma correta, criando um belo equilíbrio entre os estilos, fazendo com que a banda seja muito bem sucedida. Excelente trabalho da cozinha que sustenta de forma bem pesada os riffs intensos das guitarras, enquanto o vocalista Dan Figueiredo alterna momentos mais agressivos e outros mais melódicos. Oblivon's Gate também capricha no peso e tem seu destaque no baixista Wellington Consoli, que cria linha de baixo muito interessantes, enquanto as guitarras inserem uma dose forte de agressividade em alguns momentos, mesmo sendo a faixa um pouco mais cadenciada. Um belo solo de guitarra dá um brilho extra á composição. A terceira faixa, Rise, tem a participação de  Edu Falaschi  nos teclados. e possui uma estrutura bem interessante, haja visto os momentos mais melódicos que se alternam com outros mais fortes, principalmente pelos vocais de Dan. Immortality  tem toques de metal moderno, mas nada que venha a alterar o andamento da linha de composição da banda.  Braving The Beast tem mais de dez minutos de duração e faz de certa forma, um apanhado de todas as características do grupo, pois temos a veia prog expressa de forma latente, enquanto o lado mais heavy também surge de forma bem espontânea. E até mesmo, algumas linhas que nos remetem ao hard/AOR surgem em determinados momentos. Grande composição! Em Magnitude 666 temos um peso fantástco, cortesia da dupla Wellington e Peferson (baixo e bateria) que mostram um perfeito entrosamento, criando uma base rítmica perfeita para o clima bem heavy metal da faixa.

                   As três últimas faixas do cd, formam The Apocalypse Trilogy. Welcome To The End é uma composição que começa bastante introspectiva, com uma atmosfera densa, mas ganha peso em sua execução e possui um refrão onde Dan Figueiredo, mais uma vez, expões sua categoria como vocalista. Extinction Level Event é bem pesada (destaque para a dupla baixo/bateria) e tem nas guitarras uma forte influência de metal oitentista (pelo menos foi o que eu percebi) e o vocal rasgado faz a diferença, sendo uma das faixas destaques do trabalho. Se bem, que o cd é muito homogêneo, ficando difícil citar uma ou outra faixa como destaque. O encerramento vem com Through The Invisible Horizons, que fecha o álbum de forma brilhante. Melódica e com linhas que afloram o lado prog do grupo, a faixa nos deixa com a certeza de que a banda sabe muito bem o rumo que quer seguir.

                  O heavy metal nacional seguidamente é questionado sobre o nível de qualidade em que se encontra. Eu sempre digo que muitas bandas daqui, aliás, a grande maioria delas, está no mesmo nível de muitas bandas lá de fora. Não precisa nem mesmo ser um expert no assunto para concordar com isso. O PERC3PTION, com toda a certeza, pertence á essa turma. Composições muito bem estruturadas, priorizando a música e não apenas a técnica, aliados a muita qualidade e talento fazem do grupo um dos grandes destaques desse anos. Podem anotar aí. ONCE AND FOR ALL estará na lista de melhores do ano deste blog. E de muitos outros.

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              Sergiomar Menezes

Um comentário:

  1. Parabéns pela excelente resenha! as bandas de metal brazucas precisam de espaço como este! Valeu!

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