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terça-feira, 20 de dezembro de 2016

VOCIFERATUS - MORTENKULT (2016)



             
              Formada em 2008, a banda carioca VOCIFERATUS lança agora em 2016 seu primeiro full lenght. MORTENKULT, chega para suceder o EP lançado pelo grupo em 2011, intitulado Blessed By The Hands of Flames. E o que temos aqui é metal extremo da mais alta qualidade! Praticando, como o próprio grupo afirma, um Blackened Death Metal muito bem trabalhado, pesado e agressivo, fica ais uma vez comprovada a capacidade das bandas nacionais. Já cansei de dizer mas volto a afirmar: muitas bandas nacionais não devem nada ás bandas de fora. E se você não acredita, basta escutar esse trabalhado com a devida atenção merecida.

              O grupo é formado por Pedrito Hildebrando (vocal), Luiz Mallet (guitarra), Felipe Lima (guitarra), Lucas Zandomingo (baixo) e Augusto Taboransky (bateria) e consegue passar em 9 faixas, uma fúria e agressividade munidas de técnica e muita garra. O que faz com que logo de cara, o grupo se destaque no concorrido cenário nacional. Usando recursos que fogem do lugar comum, quando se trata de death metal, o grupo não tem medo de arriscar, e inclui passagens variadas aliadas a brutalidade do som que pratica. Incursões mais amenas, algumas percussões e até mesmo passagens que nos remetem ao folclore oriental podem ser encontradas em meio ao poderio sonoro apresentado pelo quinteto, sem que isso venha a causar algum tipo de baixa na agressividade da banda. A produção, que ressalta todas as qualidades do grupo, ficou muito boa enquanto a capa, é outra obra prima criada pelo brasileiro Marcelo Vasco, que vem se destacando internacionalmente neste quesito.

                 Eloi, Eloi, Lama Sabachthani é uma introdução que antecede a porrada Blood Runs Over Bayt Lahm, que possui guitarras destruidoras e um trabalho muito bem executado de baixo e bateria. Já o vocal também merece destaque, pois o gutural apresentado por Pedrito não soa reto como o da maioria, pois busca variar sua interpretação sem perder a agressividade, o que consegue de forma consistente. The New Opposition tem um início com clima mais oriental, mas em seguida ganha em peso e violência, pois os riffs ríspidos norteiam a faixa , fazendo com que a brutalidade ganhe forma e se mostra forte e intensa. Em Storms Are Mine há uma boa variação na estrutura da composição, em mais um excelente trabalho da dupla Lucas e Augusto (baixo e bateria, respectivamente), enquanto a dupla Luiz e Felipe mostram um entrosamento perfeito, alternando riffs e  solos de forma perfeita. TCCMDV (Terrível Coisa é Cair nas Mãos do Deus Vivo) é uma faixa instrumental, percussiva, com muita influência do folclore oriental, o que se encaixou muito bem no contexto.

                    Mortenkult é outra paulada, com guitarras na frente, e com um diferencial: há a presença de um vocal feminino, que dá um toque diferente no clima brutal e intenso da faixa. Uma pegada forte e mais sombria, beirando o black metal é o que temos Chaos Legions Battlefront. Percebemos que as guitarras são fortemente inspiradas pelo lado mais sombrio do metal e ganham uma intensidade bem maior nessa composição. Com uma levada mais cadenciada, Where Hopes Dies traz mais uma aula de como deve soar a bateria em uma composição do estilo. Técnica e ao mesmo tempo crua e violenta, a faixa mostra a capacidade criativa do grupo, onde a versatilidade e a disposição de não se prender a rótulos pré-determinados garantem uma personalidade própria à banda. Amenti Mix encerra o play, com a mesma qualidade apresentada ao longo do álbum.

                  Neste trabalho de estréia, o VOCIFERATUS apresenta mais do que apenas composições extremas e brutais. Temos aqui, faixas fortes, intensas e com influências de gêneros de fora do metal, que criam identidade e dão uma cara própria ao grupo. MORTENKULT deve agradar aos fãs da música brutal e agressiva, que não abrem mão da criatividade e da técnica.





           
               Sergiomar Menezes

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