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terça-feira, 31 de janeiro de 2017

DARK TOWER - EIGHT SPEARS (2016)



              A agressividade que emana de EIGHT SPEARS, segundo álbum da banda DARK TOWER chega a ser absurda! O grupo formado em 2008 no Rio de Janeiro, lançou em 2016, seu segundo trabalho onde conseguiu dosar de forma perfeita a brutalidade, o peso, a técnica, e ainda, a melodia. Sim, há melodia na música extremamente agressiva do grupo. Mas uma melodia que se encaixa perfeitamente na proposta apresentada pela banda. Buscando passar em suas músicas uma mescla entre o black e o death metal, o grupo ainda traz em suas composições, uma forte influência do metal tradicional, o que se percebe ao ouvirmos com atenção as guitarras. 

                     A banda é formada por Flávio Gonçalves (vocal), Raphael Casotto (guitarra), Rafael Morais (guitarra), Rodolfo Pereira (baixo, backing vocal e vocais limpos) e Jean Secca (bateria) e traz neste trabalho, 09 faixas repletas de climas sombrios, pesados, mas ao mesmo tempo, brutais, usando e abusando da técnica dos músicos na hora de compôr. Basta alguns minutos de audição para percebermos a qualidade apresentada pela banda. A produção do álbum ficou por conta da própria banda em conjunto com Fernando Campos e ficou excelente, tendo em vista a complexidade dos arranjos e orquestrações apresentas pelo grupo. A Mixagem ficou sob o comendo de Fernando Campos enquanto a masterização foi feita por George Bokos, na Grécia. Já a arte, tanto de capa quanto do booklet, foi criada pelo baixista Rodolfo Ferreira e se encaixou muito bem na proposta, pois além de bonita ficou densa e soturna. Cabe aqui também um elogio ao formato do cd, pois o digipack deixou tudo com uma cara ainda mais especial.

                     Eight Paths - Initiation é muito mais do que apenas uma introdução. A faixa instrumental traz arranjos complexos e uma linha de baixo e bateria que se destacam, o que deixa evidente logo de cara, a capacidade técnica dos músicos envolvidos. Já em Destroy The House of Ha'shem, que conta com a participação de Felipe Eregion (Unearthly), as guitarras saltam á frente enquanto o vocal de Flávio apresenta uma variação muito interessante pois alterna momentos mais guturais de forma mais brutal e outros mais rasgados. Além disso, o arranjo da faixa tem um clima bastante sombrio. Burn The Pyre apresenta uma variação em sua estrutura, indo de momentos mais agressivos até outros que mostram certa melodia, pondo em prática a versatilidade da banda. The Legion Marches On traz a participação de Guilherme Sevens (Painside), e é uma bela aula de como uma banda pode soar pesada, brutal e ao mesmo tempo técnica e melódica (entendam que quando me refiro á melodia, falo a linha adotada pela banda). Aqui, os vocais limpos criam um contraste bem interessante. 

                        Nameless Servants of Damnation por vezes ganha um andamento mais arrastado, e tem guitarras que em alguns momentos nos remetem ao metal tradicional e ao death mais cru. Enquanto que em On Darkest Wings, ecos de guitarras oriundos do thrash metal se fazem presentes. E um dos destaques aqui, como durante toda a execução do trabalho, é a dupla Rodolfo e Jean (baixo e bateria, respectivamente), que possuem um entrosamento e coesão dignos de nota. Sem contar que são responsáveis por conduzirem os riffs por caminhos pesados e agressivos. A "melódica" Haeretic possui bastante intensidade, haja vista que aqui, os vocais de Flávio ganham contornos mais ríspidos, e nos remetem aos grandes vocalistas do estilo. Eight Spears  conta com a participação de Pedrito Hildebrando (Vociferatus) e é uma faixa muito brutal, com uma dose extra de peso. O fechamento vem com Blood Harvest, que traz Rodrigo Garm (Pagan Throne) como convidado especial. E fecha o álbum num clima totalmente black metal.

                         Sem dúvidas, o DARK TOWER deu um grande passo com o lançamento deste segundo trabalho. EIGHT SPEARS mostra uma banda com uma qualidade técnica acima da média e com grandes composições, arranjos muito bem estruturados e acima disso, uma personalidade forte na hora de executar sua obra. Chego a dizer que este álbum não fica a dever nada á muitos trabalhos lançados por bandas lá de fora. Mais um nome que, com certeza, será (se já não é) destaque entre os nomes do cenário brasileiro.

                       




                 Sergiomar Menezes

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