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domingo, 15 de outubro de 2017

HERETIC - LEITOURGIA (2015)



                     Alguns trabalhos que chegam pra gente são extremamente fáceis de resenhar. Seja pelo estilo adotado pela banda seja pelo conhecimento acerca da própria pelo redator. Outros, são completamente o oposto, pois trazem o desafio, não apenas de assimilar e entender o que a banda propõe em sua sonoridade, mas também pelo fato de que, talvez por falha de quem vai realizar o trabalho, há pouca informação à respeito do grupo em questão. E este é o caso da banda goiana HERETIC que em 2015 lançou seu segundo trabalho. LEITOURGIA (nome traduzido) traz um trabalho recheado de referências mas que consegue mostrar que o grupo tem muita personalidade. 

                   Guilherme Aguiar (guitarra), Laysson Mesquita (baixo) e Diogo Sertão (bateria) fazem um som instrumental com influências que vão desde a música oriental (árabe e indiana) passando pelo thrash e pelo prog. Se em um primeiro momento isso pode soar estranho, ao ouvir com atenção, percebe-se que o grupo busca agregar essas influências em uma música instigante. Tentando mostrar um ponto de referência, eu citaria o Orphaned Land, mas o trio brasileiro possui identidade própria. E gosta de  se arriscar, afinal, o que a banda apresenta não é simples. Produzido pelo próprio grupo, o álbum foi mixado e masterizado por Lucão, em Goiânia. E aqui fica uma pequena ressalva: mesmo que não tenha atrapalhado, a sonoridade da banda demanda algo mais cristalino, visto a riqueza dos arranjos presentes.

                   Rajasthan Ritual abre o álbum com um clima bem oriental, com guitarras pesadas e cheias de técnica. O andamento cadenciado cria uma atmosfera ue cresce em intensidade durante  a execução da faixa. Ritmo mais variados se fazem presentes na ótima I Am Shankar, onde as guitarras mostram excelente desenvoltura, buscando contrastar o peso do metal com as melodias orientais que norteiam a composição. Cabe ressaltar também o trabalho muito bem executado pelo baterista Diogo, que cria variações que se encaixam perfeitamente na faixa. As melodias orientais seguem fortemente em Lamashtu, outro bom momento do álbum. O clima indiano no início de Ghost of Ganheesha dá luar ao peso da guitarra, que traz riffs bem agressivos. E os riffs agressivos continuam sua saga em Unleash The Kraken, fortemente influenciada pelo Thrash Metal, mas que possui passagens climáticas.

                       Sensual Sickness tem sua base em um trabalho de guitarra que encontra um meio termo entre a agressividade e a melodia. Alguns corais ao fundo criam um clima denso, enquanto alguns "gemidos" mostram novamente  a coragem do grupo em arriscar. Sonoro possui um trabalho de percussão bem interessante, influenciado pelo clima oriental que dita o ritmo da composição. Assim como Solaris, com o diferencial que esta, tem uma sonoridade bem pesada, enquanto a anterior era acústica. Temos ainda, Solitude, cover do Black Sabbath que caiu como uma luva aqui, pois a banda soube inserir sua personalidade na faixa, sem descaracterizá-la. O fechamento vem com The Hedonist, que condensa todas as influências do grupo em uma única faixa. 

                          LEITOURGIA traz uma banda que não tem medo de arriscar. Com personalidade, o grupo mostra forte disposição em não se deixar levar por modismos, muito menos faz concessões em sua sonoridade, que é bastante peculiar. o HERETIC tem aquilo que muitas bandas procuram e outras tantas esquecem de ter: identidade. E isso faz a diferença!




                   Sergiomar Menezes

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