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sábado, 4 de novembro de 2017

HELLISH WAR - DEFENDER OF METAL (2001) (RELANÇAMENTO)



               Sabe aqueles álbuns que, quando você olha para a capa, já sabe exatamente o que vai encontrar? Esse é o caso de DEFENDER OF METAL, disco de estréia do HELLISH WAR, um dos principais nomes do metal tradicional brasileiro. Lançado em 2001, o trabalho ganha relançamento. E isso é extremamente relevante, uma vez que os mais novos terão acesso á um álbum que com o passar dos anos, ganhou o status de clássico. E não é pra menos, afinal, o que dizer de um álbum com guitarras e melodias viciantes, refrãos "grudentos", baixo/bateria velozes e pesados e um vocal que se não é o mais técnico, transpira verdade e sentimento em sua interpretação? HEAVY METAL com letras maiúsculas!

                    Formado à época por Roger Hammer (vocal), Vulcano (guitarra), Daniel Job (guitarra), Gabriel Gostautas (baixo) e Jayr Costa (bateria), o grupo apresentou neste álbum de estréia 11 faixas, contando com a  introdução, com uma pegada que mesmo remetendo aos anos 80, não soou datada. Riffs perfeitos, com aquela linha que aproximava a NWOBHM ao metal europeu, o HELLISH WAR soube incorporar sua personalidade, mostrando ao mundo que o Brasil não se restringia apenas aos grupos famosos. Aliás, é bem provável que a abanda goze de muito mais prestígio lá fora do que aqui (tanto é verdade que o quinteto lançou seu trabalho ao vivo, gravado na Alemanha - Live in Germany, 2010). A produção ficou na medida, pois se não soa limpa e cristalina, deixa tudo bem pesado e sujo na medida, como o heavy metal deve ser. E este relançamento é dedicado à memória de Jayr Costa, que gravou a bateria, e que veio a falecer. Bonito gesto do grupo.

                   O álbum abre com a introdução Into The Battle, que nos prepara para a faixa Hellish War, um primor de metal tradicional! Desde os riffs, que traduzem toda a fúria e energia do estilo à velocidade imposta pela bateria, a faixa ganha o fã de metal tradicional, mostrando que o heavy metal corre forte na veia dos músicos. Com um refrão daqueles pra cantar junto de punho cerrado nos shows, a composição já nos preparava para a aula de heavy metal que teríamos dali pra frente. We Are Living For The Metal, como o nome entrega é uma ode ao estilo. Com uma letra auto-explicativa, a melodia nos remete ao que de melhor os grupos europeus (mais precisamente os alemães) fizeram nos anos 80. A dupla Vulcano (um mestre na arte de criar riffs no estilo) e Daniel mostravam perfeita sintonia, como os grandes nomes do cenário. A faixa título possui uma levada que nos lembra o Iron Maiden, principalmente pelos riffs, enquanto vocal de Roger caminha por uma linha mais agressiva, o que deixa tudo com uma cara própria. Assim como The Sign, uma das melhores faixas do cd. Pesada, agressiva e com uma levada "cavalgada", a composição mostra a versatilidade do grupo na hora de compôr, sem se prender à nenhum tipo de amarras, o que por si só, merece destaque. 

                  Gladiator é outra faixa que tem forte influência da NWOBHM. As guitarras novamente guiam a música, que vâ na dupla Gabriel e Jayr (baixo e bateria, respectivamente), uma cozinha técnica e entrosada, deixando tudo pesado na medida certa. Into The Valhalla já começa com cara de clássica. Instrumental, a composição possui momentos variados, cadenciados e pesados. Já Sacred Sword é heavy metal puro, sem invencionices ou concessões. A mais longa faixa do trabalho possui elementos de todas as vertentes, criando uma atmosfera densa e bastante pesada. Com um refrão forte, a faixa tem aquele jeito épico que toda banda "true" sabe como compôr. Memories of a Metal possui momentos que alternam o peso e a melodia (mesmo que isso não seja algo impossível). Mais cadenciada a faixa tem um andamento perfeito praquele "bate-cabeça" e air guitar típicos. Em Feeling of Warriors, temos mais uma composição instrumental, bem variada e com ótimos solos. O encerramento vem com The Law of the Blade, mais um ótimo momento de um álbum linear e homogêneo.

                     Mesmo usando dos clichês do estilo (e qual o problema?), a banda em sua estréia, forjou um dos melhores trabalhos do estilo no Brasil. Obviamente que nenhuma banda entra em estúdio para gravar um clássico. Esse título é conquistado como passar do tempo e relevância. E DEFENDER OF METAL, sem nenhuma dúvida, preenche todos os requisitos. Sim, o HELLISH WAR gravou um dos clássicos do Heavy Metal Brasileiro!





                  Sergiomar Menezes

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