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sábado, 13 de outubro de 2018

PICTURE - LIVE - 40 YEARS HEAVY METAL EARS - 1978-2018 (2018)



                   Uma das primeiras e mais originais bandas de Heavy Metal da Holanda, após uma década de "novas atividades", resolveu lançar um álbum ao vivo para comemorar seus 40 anos de história. E não é qualquer álbum, pois estamos falando da formação clássica do PICTURE! LIVE - 40 YEARS HEAVY METAL YEARS 1978-2018 está sendo lançado pela PURE STEEL RECORDS agora em outubro, numa merecida homenagem à uma das bandas mais clássicas do Hard/Heavy mundial. Gravado nos palcos da Europa, o trabalho apresenta 17 músicas, contando com vários clássicos do hoje quinteto holandês.

           Ronald van Prooijen (vocal), Jan Bechtum (guitarra/Backing vocal), Appie de Gelder (guitarra/backing vocal - que se juntou ao grupo em 2017 para "reforçar" as guitarras), Rinus Vreugdenhil (baixo) e Laurens Bakker (bateria) vem de uma sequência de shows pelo continente europeu no último ano, que culminou com uma grande apresentação do grupo no Sweden Rock Festival. E sejamos sinceros quantas bandas formadas na década de 70 ainda podem executar seus grandes sucessos com sua formação clássica? Priorizando músicas de seus  primeiros e mais fundamentais álbuns, o grupo mostra que em cima do palco, ainda tem muita lenha pra queimar. Aliás, a banda já se encontra em estúdio preparando um novo trabalho que, ao pelo que se pode ouvir pelas redes sociais, promete agradar em cheio os fãs.

                 Dentre as 17 faixas presentes aqui, podemos citar clássicos atemporais como "Heavy Metal Ears", "Spend The Night With You", "Unemployed", "Nighttiger" e "No No No" (faixas de Heavy Metal Ears - 1981), "You're All Alone", "Message From Hell", "Night Hunter", "The Hangman", "Diamond Dreamer" e "Lady Lightning" (presentes no clássico Diamond Dreamer - 1982), "Eternal Dark" (clássico dos clássicos, resgatado de forma sensacional pelo Hammerfall - e que fez uma boa parcela de fãs virem a conhecer a banda holandesa), além de "Old Dogs, New Tricks" e "live By the Sword" (faixas de Old Dogs, New Tricks - 2009), e "Bombers" e "You Can Go" do primeiro álbum, Picture de 1980. Tosas as que compõem o álbum foram tocadas com uma garra e energia que nem parece estramos diante de senhores na faixa etária de 60 anos! O que comprova aquela velha máxima o heavy metal não tem idade!

                LIVE - 40 YEARS HEAVY METAL EARS - 1978-2018 é um registro que deve constar em toda coleção de fã de Heavy Metal. Uma banda clássica, com seu line up clássico executando grandes clássicos. Soa repetitivo. Mas não há outra forma de classificar esse trabalho. Clássico e imperdível!




               Sergiomar Menezes

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

ANTHRAX - THE GREATER OF TWO EVILS - RELANÇAMENTO (2004/2018)



                 Eis que em 2004, cerca de um ano após o lançamento de "We've Come For You All", o ANTHRAX colocava no mercado THE GREATER OF TWO EVILS, um álbum trazendo 14 faixas clássicas do grupo na voz de John Bush. Englobando músicas de "Fistful of Metal" (1984), "Spreading the Disease" (1985), "Among the Living" (1987), "State of Euphoria" (1988) e "Persistence of Time" (1990). Obviamente que as faixas retiradas destes álbuns não são apenas grandes clássicos do grupo, mas do Thrash Metal. E, com todo respeito que Neil Turbin e Joey Belladona mereçam (e eles merecem!), exceção à uma única faixa, TODAS ganharam uma nova cara e ficaram ainda mais sensacionais! Posso até comprar briga com o que vou dizer, mas John bush foi o melhor vocalista a passar lo grupo! E esse fato fica mais do que comprovado ao ouvirmos esse petardo que tem seu relançamento no Brasil através da Shinigami Records.

                   O já citado John Bush (vocal), o mestre dos riffs Scott Ian (guitarra/backing vocal), Rob Caggiano (guitarra), Frank Bello (baixo/backing vocal) e o monstro Charlie Benante (bateria) entraram no estúdio Avatar em Nova Iorque com o tracklist escolhido através de uma votação no site oficial da banda. E se a intenção era apresentar seus antigos clássicos com uma nova roupagem aos velhos e, porque não dizer, novos fãs da banda, pode-se dizer que o tiro acertou a todos em cheio!  Após dois trabalhos contando com a arte de conceituado Alex Ross (o já citado WCFYA e o CD/DVD "Music of Mass Destruction", a banda recrutou para este álbum, Shepard Farey, artista de rua contemporâneo e designer gráfico, responsável por toda a arte presente aqui. Numa tradução livre, THE GREATER OF TWO EVILS pode ser encarado como "DOS MALES, O MAIOR". E com toda a sinceridade, nesse resgate, ficou provada, mais uma vez a importância e relevância do quinteto norte americano para o Heavy Metal mundial.  

                   O álbum abre com "Deathrider", presente em "Fistful of Metal", e que, talvez, seja a faixa que ganhou uma sonoridade um pouco mais diferente da original. Mais pesada e com os vocais bem mais técnicos de Bush, a composição ganhou mais intensidade e energia, com uma cara mais atual. Na sequência, outra maravilha criada pelo grupo:"Metal Thrashing Mad", também presente em Fistful of Metal". mais uma vez, a intensidade apresentada pela banda supera e muito o que foi feito em 1984. Claro que estamos falando de uma produção muito melhor e que também, os músicos estão muito mais técnicos e precisos. Se não tem aquela aura old school, a faixa apresenta uma das melhores performances da banda neste trabalho. "Caught in a Mosh", um dos tantos clássicos presentes no inigualável "Among The Living" vem em seguida pra deixar tudo ainda mais insano. Scott Ian continuava sendo (e ainda continua) uma das melhores mãos direitas do Thrash mundial. Ao seu lado, Rob Caggiano mostrava que a dupla poderia ter rendido muito mais... Buscada em "Spreading the Disease". "A.I.R." ficou bem interessante, da mesma forma que suas antecessoras, igualmente pesada. Mas esta faixa destoou um pouco das demais pois a voz de Belladona tem uma melhor sintonia na sua execução. O mesmo não se pode dizer da fantástica "Among the Living", faixa título do clássico lançado pelo grupo em 1987. A dupla Frank Bello e Charlie Benante mostra que é uma das melhores cozinhas do estilo, aliando peso, técnica e muita garra.

                    É chegado então, o momento que, na opinião deste que vos escreve, faz valer a aquisição do play. "Keep it in the Family", faixa de "Persistence of Time". Se a versão original da música trazia um grupo inspirado e pesado, com uma excelente interpretação por parte de Joey Belladona, aqui a banda tratou de abusar ainda mais das guitarras, fazendo com que John Bush fizesse jus a fama de melhor vocalista que já esteve à frente do grupo. Sem dúvida, o grande destaque do trabalho! "Indians", outro clássico presente em "Among the Living" surge em seguida e, mesmo com a excelente execução e interpretação do grupo, deixa noa r aquela sensação de que falta alguma coisa... Essa é daquelas faixas que tem "dono". E nesse caso, o dono é Belladona. Não adianta. Essa faixa tem que ser cantada por ele! E tome mais peso na sequência com "Madhouse", faixa de "Spreading the Disease". O primeiro álbum do grupo volta à tona com "Panic", onde as guitarras de Scott e Rob mostram um belo entrosamento. E o que dizer de "I am the Law"? Clássico indiscutível que aqui, tem seu destaque na performance de Benante, que senta  amão sem dó nem piedade em seu kit, mas sem esquecer da técnica, que diga-se de passagem, lhe sobra. 

                   "Belly of the Beast" é mais um grande momento em que pode-se afirmar que a versão apresentada aqui supera a original. Muito disso se dá pela performance de Bush que imprime sua personalidade de forma consistente, fazendo com que muitas vezes, possa se pensar que a música sempre contou com seus vocais, tamanha é sua forma de interpretar. "N.F.L.(Efilnikufesin)" vem para destruir tudo à sua volta... A faixa que já era uma das melhoras da carreira do grupo, aqui ganhou uma roupagem mais pesada e atual. Benante conseguiu até, na última parte da música imprimir um pouco do seu gosto por música extrema, arriscando até mesmo alguns blast beats... "Be All End All", faixa de "State of Euphoria" tem também nas guitarras seu destaque. Única faixa do álbum de 1988, a composição tem seu lugar de destaque. O encerramento vem com a arrasa quarteirão "Gung Ho", que fecha de forma brilhante este grande trabalho.

                     Após WCFYA, o Anthrax lançou este ótimo Álbum, com a intenção de apresentar ao mundo seus grandes clássicos revisitados na voz de John Bush. Mas, logo na sequência, Scott Ian resolveu chamar Belladona e o baixonho (apenas na estatura) Dan Spitz, jogando para escanteio Bush e Caggiano e reunião a formação clássica do grupo. De lá pra cá muita coisa aconteceu. Bush provou que poderia cantar qualquer coisa já feita pela Anthrax. Com  a volta de Belladona, a banda limitou-se a explorar apenas músicas de sua época (tanto a  antiga quanto a atual). Se isso isso é bom ou não, é algo que só compete aos fãs e ao grupo analisarem. De minha parte, apenas lamento não ter tido a chance de assistir o grupo com a formação que gravou este álbum. Mas também dizer que THE GREATER OF TWO EVILS tem que estar em toda e qualquer coleção de fã de Heavy Metal! Obrigatório!




            Sergiomar Menezes

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

PANDEMMY - RISE OF A NEW STRIKE (2017)



                Muitas bandas que batalham diariamente pelo seu lugar ao sol acabam falhando, em alguns casos, em não criar sua própria identidade. Obviamente que não há nada de errado em ser influenciado por grandes nomes. Mas que se faz necessário que o grupo tenha uma personalidade própria, independente e livre de estereótipos, todos nós concordamos, não é mesmo? E isso, o grupo pernambucano PANDEMMY tem de sobra! Fazer um Thrash/Death Metal com uma pegada trabalhada e brutal, mas com características próprias é a proposta da banda formada em 2009. E seu objetivo é atingido  de forma mais do que satisfatória em RISE OF A NEW STRIKE, gravado em 2016 e lançado virtualmente no mesmo ano, mas que chegou ao formato físico em 2017, através da parceria Sangue Frio Produções e Burn Distro.

               O grupo é formado hoje por Rayanna Torres (vocal), Pedro Valença (guitarra - fundador da banda), Guilherme Silva (guitarra), Marcelo Santa Fé (baixo) e Arthur Santos (bateria). Mas o álbum contou com os vocais de Vinicius Amorim. O trabalho mostra um sensível evolução do grupo em relação aos seus trabalhos anteriores, à saber "Idiocracy" e "Dialetic" (2011 e 2012, respectivamente), dois EPs que apresentaram o grupo ao underground nacional, e o primeiro full lenght "Reflections & Rebellions" (2013). Com uma produção crua mas ao mesmo tempo dotada de clareza (percebem-se nitidamente todos os instrumentos), o trabalho mostra personalidade por parte do quinteto. Méritos do produtor Júnior Supertramp que contou com a co-produção da dupla de guitarristas Guilherme Silva e Pedro Valença. A versão física do trabalho traz ainda dois covers, o que deixa tudo ainda melhor.

                "One Step... Forward" é uma introdução breve que nos prepara para a primeira pancada "Circus of Tyrannies". Com guitarras bem agressivas e um grande trabalho da cozinha composta por Marcelo e Arthur (baixo e bateria, respectivamente), a faixa deixa explícito o que o grupo realmente quer: mostrar seu Thrash/Death pesado e brutal, sem fazer concessões. Com momentos mais pesados e arrastados, a composição é um dos destaques do trabalho. Pendendo mais para o death metal mais tradicional, "State of War" mostra essa face mais ríspida e direta da banda, o que, diga-se de passagem, está presente durante toda a execução do CD. "7000 Days of Terror (And The New Attempt) é mais cadenciada e bem pesada, trazendo pequenos inserts de melodia em alguns momentos, o que mostra a versatilidade e a "falta" de preocupação do grupo com o que podem pensar ao seu respeito. "Almost Dead" tem, novamente, seu destaque na dupla Marcelo e Arthur, que cria um  base extremamente densa e compacta, enquanto a dupla Pedro e Guilherme, despeja riffs agressivos e por vezes melódicos em seu andamento.

                     "Rise of a New Strike", a faixa título é outro belo exemplo de como uma banda pode soar brutal, insana e ao mesmo tempo "cristalina". E aqui vai mais uma citação à produção do álbum, que soube deixar tudo dentro dos parâmetros estabelecidos pelo grupo fugindo daquele velho estereótipo "pra ser pesado, tem que ser sujo e mal gravado". E tome porrada em "Inferno Is Over", death metal direto, violento e mortal. Ótimas linhas de guitarra e vocais guturais, sem exageros, se destacam durante a execução da faixa. Não se engane com a melodia inicial de "Stars of Decadence", pois o peso impera aqui, fazendo nos lembrar, guardadas as devidas proporções o grande Arch Enemy em alguns momentos. "Against the Perfect Humankind" é rápida e pesada. Já "No Reasons For Losses" tem na coesão da banda seu destaque. Pra encerrar o álbum temos dois ótimos covers. "Ecce Homo" do grupo conterrâneo Decomposed God, ganhou uma roupagem tão brutal quanto sua versão original. Já "Nepenthe", da banda finlandesa Sentenced, presente originalmente em Amok, lançado em 1995. A faixa contou com a participação de Amanda Lins e André Lira, e se mostrou digna de estar presente neste grande álbum dos pernambucanos.

                       RISE OF A NEW STRIKE é um álbum pesado, agressivo, brutal. Um trabalho que mostra o amadurecimento de uma banda que está em constante evolução. Composições que agregam o peso das guitarras à momentos mais melódicos (dentro da proposta do grupo), além de apresentar aos fãs uma excelente cozinha, que não se furta em sentar a mão em bases bem intensas, fazem deste álbum o melhor trabalho lançado pelo PANDEMMY até este momento. E a julgar pela evolução do grupo de um álbum para o outro, só podemos esperar algo ainda mais pesado, agressivo e brutal, como citado no início do parágrafo. Que venha o próximo petardo!




               Sergiomar Menezes



terça-feira, 17 de julho de 2018

SABBATH BRAZIL SABBATH - THE BRAZILIAN TRIBUTE TO BLACK SABBATH (2018)



                    Houve uma época em que os álbuns tributo fervilham no mercado. A cada três meses, saíam os mais variados tributos por diversas gravadoras. Alguns eram excelentes, outros nem tanto. Alguns eram verdadeiros caça-niqueis (alguém por aí lembrou de Nativity in Black II?), porque, ao menos na minha visão, tributo é quando uma banda ou artista resolve homenagear alguém que o influenciou. E isso nem sempre acontecia neste trabalhos lançados lá atrás. Mas, recentemente, a Secret Service Records tomou a iniciativa de reunir bandas brasileiras para homenagear grandes ícones do metal mundial. Tudo começou como tributo ao Motorhead. E agora, a gravadora solta este espetacular SABBATH BRAZIL SABBATH - THE BRAZILIAN TRIBUTE TO BLACK SABBATH, onde grandes bandas nacionais mostram que apesar dos estilos bem diferentes, todas trazem consigo toda a inspiração que Ozzy, Iommi, Butler, Ward, Dio, Martin, Gillan, Hughes (entre outros músicos que passaram pelo grupo), uma vez que todas as fases do BLACK SABBATH foram lembradas aqui. TODAS. Inclusive, o mais recente e último (?) trabalho, o excelente 13 (2013).

                   Como citado logo acima, temos aqui, um verdadeiro quem é quem no metal nacional. Desde nomes lendários e consagrados, até nomes já bem estabelecidos, mas que não possuem ainda uma grande visibilidade por parte dos bangers brasileiros. Soou contraditório o que eu disse? O que posso dizer de bandas que já possuem uma discografia bem consistente mas que acabam não obtendo reconhecimento por parte do público? Bom, mas isso não é assunto para esse momento. SABBATH BRAZIL SABBATH é um trabalho muito bem desenvolvido. Desde a arte gráfica, formato (CD Duplo), passando pela qualidade sonora (que conseguiu algo bastante raro neste tipo de álbum, uma vez que temos 30 gravações realizadas em estúdios diferentes, com produções diferentes), que ficou sob a responsabilidade de Sebástian Carsin , temos aqui, o melhor tributo aos mestres do heavy metal já lançado. E não tenho nenhum receio em dizer isso!

                    O CD 01 abre com a banda cearense Obskure, que consegue imprimir sua personalidade na clássica "The Wizard" (Black Sabbath - 1970). O death metal do grupo surge de forma imponente durante a execução da faixa, mostrando que não precisa fugir de suas características para se fazer uma homenagem digna de nota. Na sequência, uma das lendas do thrash metal nacional, a banda gaúcha Leviaethan, um dos grandes destaques do álbum com outro grande clássico do quarteto inglês. "Children of the Grave" (Master of Reality - 1971) ganhou uma dose extra de peso através da banda. "Heaven in Black" (TYR - 1990), ganhou uma versão correta e cheia de garra do grupo paulista Tailgunners. Já o Genocídio, outra lenda do metal brasileiro mostrou que o Sabbath corre nas veias dos músicos. "Tomorrow's Dream" (Vol.4 -1972) ganhou uma aura soturna, muito próxima da sonoridade que consagrou o grupo brasileiro.  Já os mineiros da Uganga trazem a primeira da fase Dio. "Voodoo" (Mob Rules - 1981) foge das características habituais do grupo, que pratica um thrash/crossover visceral em sua carreira e que aqui, soube transformar toda sua agressividade em passagens carregadas de feeling numa excelente interpretação do vocalista Manu Henriques. "Sabbra Cadabra" (Sabbath Bloody Sabbath - 1973) ganhou uma bela versão das mãos do Ancesttral, uma das melhores bandas brasileiras da atualidade. Se o grupo pratica um thrash meoderno e direto em seu trabalho, aqui o quarteto incorporou a atmosfera do Black Sabbath de forma bem consistente. Os catarinenses do Orquídea Negra honram de forma ímpar "Heaven and Hell" (Heaven and Hell - 1980), que na opinião deste que vos escreve, é o maior clássico do Black Sabbath. Ótima versão!

                    O death metal do grupo paulista Chemical Disaster é substituído pelo doom metal em uma versão pesada e insana de "Iron Man" (Paranoid - 1970). Os paulistas do Hellish War incorporam uma dose generosa de Hard Rock ao seu Heavy metal tradicional e mandam ver em uma versão muito interessante de "Get a Grip" (Forbidden - 1995). A fase Ian Gillan surge com "Digital Bitch" (Born Again - 1983) através do grupo de Minas gerais For Bella Spanka, que eu ainda não conhecia. O Gothic Rock/Metal do grupo foi adicionado à faixa de forma sutil, deixando a versão com um cara bem própria. "Supernaut" (Vol.4 - 1972) foi revisitado de forma sublime pelo grupo paulista King Bird, que "cometeu" uma das melhores versões do tributo. O classic/hard rock do grupo caiu como uma luva em uma das melhores músicas do Sabbath.  A banda carioca Syren, do vocalista Luiz Syren, traz uma versão de "Black Moon" (The Eternal Idol - 1987), cujo destaque é a grande interpretação de Luiz. Então, uma das maiores instituições do metal brasileiro dá as caras com uma versão excepcional de "Neon Knights" (Heaven And Hell - 1980). Dizer o quê sobre o Korzus? Simplesmente destruidor em uma versão cheia de personalidade, peso e paixão pelo metal! A gaúcha Panic traz uma versão completamente diferente de "I" (Dehumanizer - 1992), deixando claro sua identidade thrash metal na execução da clássica composição. O primeiro CD fecha com a banda baiana Malefactor que traz "War Pigs" (Paranois - 1970), que não deixa nada a dever para tantas versões que surgiram por aí...

                        O CD 02 abre com o grupo Silver Mammoth que com seu rock clássico, faz uma bela e pesada versão de "Symptom of the Universe" (Sabotage - 1975). O Taurus, outra lenda do metal nacional, traz uma versão de "Cornucopia" (Vol.4 - 1972), onde a veia thrash do grupo paulista fica bem latente, uma vez que as guitarras acrescentam uma dose generosa de peso na execução da faixa. "Mob Rules" (Mob Rules - 1981), outra pérola da era Dio, ganhou uma versão muito foda nas mãos do veterano grupo paulista de thrash MX. E o bacana em muitas versões aqui é aquilo que escrevi anteriormente. Mesmo que muitas versões tenham ficado semelhantes às originais, as que mais se destacam são aquelas em que as bandas deixaram suas características nortearem o andamento da composição. E esse é um desses casos. "In For The Kill" (Seventh Star - 1986) traz a fase "Black Sabbath Featuring Tony Iommi", na presença do gruo de death metal Vulture, que também traz uma interpretação bem pessoal em sua execução. O grupo baiano Headhunter D.C. apresenta uma versão de "Electric Funeral" (Paranoid - 1970) bastante modificada, completamente inserida dentro de sua sonoridade. Já o Drowned mostra que tem personalidade e coragem ao trazer uma versão da clássica "Sabbath Bloody Sabbath" pesada, com seus vocais tipicamente death metal, até mesmo na parte acústica da faixa. O metal tradicional do grupo catarinense Steel Warrior vem para apresentar "The Shinning" (The Eternal Idol - 1987), uma das melhores faixas da fase Tony Martin. O thrash dos paranaenses do Jailor se faz presente com "After Forever" (Master of  Reality - 1971). Apesar da comparação inevitável com a versão destruidora do Biohazard presente em Nativity in Black (1994), podemos dizer que a versão do gruo brasileiro tem personalidade e aquela pegada que só as bandas de thrash conseguem imprimir em suas composições.

                      O Anthares, outro nome lendário do cenário nacional, comparece com uma bela versão para "Hole in the Sky" (Sabotage - 1975). "TV Crimes" surge através do Voodoopriest. E mais uma vez, temos uma interpretação bem pessoal por parte do grupo, recriando algumas passagens, de forma que se encaixasse em sua sonoridade. Já o grupo Attrachtha agregou o peso de seu heavy metal à sua sonoridade mais Hard n' Heavy e fez de N.I.B. (Black Sabbath - 1970) um outro grande momento deste homogêneo trabalho. E o representante do Symphonic Metal no tributo, o grupo carioca Revengin traz "Headless Cross" (Headless Cross - 1984). E a bela voz da soprano Bruna Rocha deu uma nova cara á composição. E os veteranos mineiros do Sextrash trazem uma das grandes e belas surpresas do álbum. Trata-se  de "Loner"(13 - 2013), faixa do mais recente e último (?) álbum dos mestres supremos do Heavy Metal. Próxima da versão original, aqui a faixa ganhou uma dose extra de "sujeira" deixando a composição com  cara dos mineiros. "Psychophobia" (Cross Purposes - 1994) ganhou uma interpretação raivosa e agressiva por parte do grupo mineiro Aneurose. O encerramento vem com o "clássico dos clássicos". "Paranoid" (Paranoid - 1970) interpretada pelo Demons of Nox ( na verdade, trata-se do grupo Colblood, que por questões judiciais não pôde usar o nome), ganhou vocais guturais que deixaram o clima de encerramento ainda mais agressivo e pesado.

                   SABBATH BRAZIL SABBATH - THE BRAZILIAN TRIBUTE TO BLACK SABBATH cumpre sua proposta de forma grandiosa. Não apenas traz bandas brasileiras homenageando a maior banda de Heavy metal da história, como, na opinião deste que vos escreve, vem a ser o mais completo e elaborado tributo ao Black Sabbath já realizado. parabéns a Secret Service Records que soube valorizar o metal brasileiro de forma respeitosa e exemplar. Que venham mais tributos com essa qualidade!





                      
                   Sergiomar Menezes



domingo, 8 de julho de 2018

ANGRA - OMNI (2018)



             Antes de mais nada uma coisa precisa ficar clara: o último álbum do ANGRA que eu realmente curti foi "Temple of Shadows" (2004). Depois disso, ao menos para mim, a banda se tornou repetitiva e sem aquela pegada característica que sempre norteou sua carreia. Não que seu trabalhos que vieram na sequência fossem álbuns ruins. Em se tratando da banda, isso é algo muito difícil. Mas "Aurora Consurgens"(2006), "Aqua"(2010 - e na opinião deste que vos escreve, o trabalho mais fraco na discografia do grupo) e "Secret Garden" (2014), apesar de alguns bons momentos, não refletiam ou traduziam aquilo que  a banda poderia e pode oferecer. Mas eis que, após a saída de Kiko Loureiro (que foi ara o Megadeth), a banda parece ter "renascido" e traz agora, em 2018, seu mais consistente  e pesado trabalho desde o já citado "Temple of Shadows". OMNI, lançado por aqui pela Shinigami Records é sem dúvidas, um disco para ser ouvido com atenção e, uma vez feito isso, teremos a certeza de que a banda está de volta a um período criativo de enorme qualidade e relevância.

                  Fabio Lione (vocal), Rafael Bittencourt (guitarra e vocal), Marcelo Barbosa (guitarra), Felipe Andreoli (baixo) e Bruno Valverde (bateria) gravaram este ótimo trabalho no Fascination Street Studios na Suécia, sob a produção de Jens Brogen, responsável também pela produção do álbum anterior. Jens também teve sob seu comando a mixagem do trabalho enquanto a masterização foi feita por Tony Lindgren. E, mais uma vez, como em quase todos os álbuns do grupo, tudo ficou milimetricamente no lugar. Se em um primeiro momento isso pode soar artificial, essa afirmação não se confirma, tendo em vista a complexidade das músicas e  arranjos criados pleo grupo. Cristalina e  ao mesmo tempo pesada, a produção soube deixar tudo no lugar certo, dando ao trabalho uma qualidade ainda maior. Já a capa traz a assinatura de Daniel Martin Diaz, sendo que o layout ficou a cargo de Gustavo Sazes. Com relação ao conceito do álbum, em muitas entrevistas Rafael deixou claro que se trata de uma reflexão sobre um sistema de cognição humana chamado OMNI, que mudaria a maneira de pensar e enxergar a realidade, algo na qual o guitarrista vinha trabalhando a cerca de 6 anos. 

                   Logo na primeira faixa, "Light of Transcendence" temos, pelo menos na opinião deste que vos escreve, a volta daquele Angra "clássico", melódico e ao mesmo tempo pesado e intenso. Dona de um refrão "tipicamente Angra", a música traz as características da banda e uma ótima performance de Fabio Lione. O que, diga-se de passagem, não é nenhuma novidade. Mas preciso confessar que ainda é um pouco difícil ouvir sua voz nas músicas antigas do grupo. Mas o experiente e talentoso vocalista mostra que está mais do que adaptado ao estilo da banda e cria linhas vocais muito boas. Já "Travelers of Time" tem aquela inserção de ritmos brasileiros tão inerentes á sonoridade da banda. Surgida de um riff criado pelo guitarrista Marcelo Barbosa. e aqui vai uma constatação: o guitarrista acrescentou muito à banda, pois além de ótimo músico, Marcelo participou da composição de boa parte das faixas, imprimindo sua personalidade d e forma bem consistente. Pesada, a música é um dos inúmeros destaques do álbum. Então, na sequência temos a faixa que, antes de seu lançamento gerou certa polêmica e algumas discussões. "Black Window's Web" traz a participação de Alissa White-Glutz (Arch Enemy) e Sandy. E, longe de todas as discussões (desnecessárias, que fique bem claro), a faixa é uma das melhores, se não a melhor do álbum! A participação de Sandy, pequena e que poderia até mesmo ter sido melhor explorada, não faz muita diferença no resultado final. O destaque fica entre o contraste da voz de Lione  e Alissa, que canta de forma extremamente brutal aqui. Em seguida, "Insania", uma faixa mais próxima dos últimos trabalhos do grupo, mas dona de uma bela melodia e de um refrão grudento como só o grupo sabe fazer dentro do metal melódico. A dupla Felipe e Bruno apresenta aqui um grande trabalho. Pesada e bastante técnica, a dupla é o destaque da composição. "The Bottom of My Soul" tem os vocais de Rafael Bittencourt e é uma das faixas que fogem um pouco do que o grupo apresenta no restante do álbum. Praticamente uma balada, a faixa traz um solo muito inspirado e um linha de teclado muito bem executada por Alessio Lucatti.

                 O peso reina absoluto em "War Horns". Como é bom ouvir o metal melódico do Angra dessa forma, inserindo o peso dentro do contexto, sem soar forçado. A faixa conta ainda com a participação de Kiko Loureiro. Uma das faixas mais rápidas, a música é daquelas que não podem faltar nos shows desta turnê. A modernidade e brasilidade do grupo se aliam na ótima "Caveman". Com algumas partes cantadas em português pelo coral (não tem como não lembrar de "Carolina IV", presente em "Holy Land" - 1996). Já "Magic Mirror" é uma faixa grandiosa. Guitarras fantásticas, pesadas, mas que trazem consigo uma influência de world music, que acaba sendo incorporada na faixa de uma forma tão consistente que chega até mesmo a emocionar quem era (e ainda é) fã da banda. isso mostra mais uma vez que o grupo pode ser versátil sem ser burocrático. faixa para ser ouvida inúmeras vezes, pois seu arranjo é algo que expõe toda a criatividade do grupo ( a faixa leva a assinatura dos cinco integrantes). Lione mostra em "Always More" porque é um dos maiores e melhores vocalistas do metal na atualidade. O italiano consegue cantar de forma suave e limpa de uma maneira cativante, da mesma forma que se impõe na hora de soltar o gogó em favor do heavy metal. E aqui cabe um comentário bem particular: sua entrada na banda abriu uma gama maior de possibilidades ao grupo, uma vez que o vocalista canta músicas de todas as fases da banda sem qualquer tipo de problema. "Omni - Silence Inside" é uma faixa de extremo bom gosto. Poderia ser classificada como uma mistura entre o Angra fez em "Holy Land" e "Temple of Shadows". Dona de complexidade e beleza ímpares, temos peso, variação e um trabalho de guitarras fantástico, mostrando o ótimo entrosamento da dupla Rafael e Marcelo. O encerramento vem com a instrumental "Omni- Infinite Nothing", que contou com a orquestração e arranjos de Ronaldo "cordas" Oliveira.

                   Não tenho nenhuma dúvida nem receio em afirmar aqui que OMNI é um dos principais trabalhos da vitoriosa carreira do ANGRA. Pesado, melódico, bem trabalhado e recheado de ótimas composições, o nono álbum de estúdio do grupo, retoma, de certa forma, a ousadia e criatividade que sempre estiveram presentes nos trabalhos do grupo. Se temos dois álbuns fundamentais da fase André Matos ("Angels Cry" - 1993 e "Holy Land" - 1996), bem como na fase Edu Falaschi ("Rebirth" - 2001 e "Temple of Shadows" - 2004), já podemos dizer que a fase Fabio Lione tem seu álbum pertencente a este círculo. Que o grupo mantenha essa pegada e siga nos presenteando com  mais álbuns fortes e intensos como OMNI. Sem dúvida, um dos discos do ano de 2018.





                     Sergiomar Menezes

sexta-feira, 6 de julho de 2018

THREESOME - KEEP ON NAKED (EP) (2017)



                     Uma interessante mistura entre o Rock n' Roll praticado nas décadas de 60 e 70 e aquele rock mais alternativo, que reinou nas rádios na primeira metade dos anos 90. É mais ou menos dessa forma que podemos classificar a música feita pelo quinteto THREESOME. Após o lançamento de seu trabalho de estréia, GET NAKED (2014), o grupo resolveu colocar sob uma nova perspectiva o álbum, motivados pelo desligamento do antigo vocalista, já pensando assim no futuro da música do grupo. E o resultado é o EP KEEP ON NAKED, lançado em 2017, que traz três faixas, sendo que duas delas estão presentes no trabalho de estréia e uma faixa inédita.

                  Juh Leidl (vocal),  Fred Leidl (guitarra/piano/vocal), Bruno Manfrinato (guitarra), Bob Rocha (baixo) e Henrique Matos (bateria) decidiram gravar o EP de uma forma completamente inversa ao trabalho de estréia. Para isso chamaram Maurício Cajueiro, renomado produtor brasileiro que já trabalhou com nomes como Linkin Park, Gene Simmons, Glenn Hughes, Steve Vai, entre outros, que foi o responsável pela captação, mixagem e masterização das faixas. Gravado no estúdio Cajueiro em Campinas/SP, diretamente na fita de rolo, ao vivo. E isso deixou a sonoridade bem viva, orgânica, que casa muito bem com a música e atitude do grupo. A capa é obra da da vocalista Juh Leidl, que já tinha assinado também a do álbum de estréia. E com relação as letras, o grupo navega pela estética sexual, seja pela seara artística, seja pela perspectiva social.

                    A primeira faixa, "Sweet Anger", é uma regravação de "Why You Are So Angry" e ganhou uma nova roupagem, apesar de manter a mesma letra. E a faixa ficou muito boa pois traz uma pegada pesada e cheia de "malícia", muito pleos vocais de Juh Leidl. Dona de um timbre bem peculiar, a vocalista entrega uma performance ousada e sexy. Interessante também o timbre de guitarra utilizado pela dupla Fred e Bruno. Na sequência, "My Eyes", faixa inédita e que traz nos vocais o guitarrista Fred Leidl. Bem próxima da sonoridade das bandas alternativas dos anos 90 (percebi algo de Hole, Screaming Trees e até mesmo Pixies - que não é dessa turma - no que a banda apresenta aqui. Pra encerrar, "ERW", que também está no primeiro álbum do grupo, endo que lá, a faixa se chamava "Every Real Woman". Com destaque para as guitarras, a composição mostra a versatilidade da banda no momento de compôr, e mostra o bom entrosamento da cozinha composta por Bob e Henrique (baixo e bateria, respectivamente).

                           KEEP ON NAKED mostra uma banda disposta a seguir por um caminho cheio de personalidade. Sem se prender muito á rotulos, o THREESOME tem luz própria e vai ter seu trabalho reconhecido. Basta apenas a galera se ligar que tem muita banda boa pelo Brasil.





                 Sergiomar Menezes

quinta-feira, 5 de julho de 2018

MOFO - EMPIRE OF SELF-REGARD (EP) (2017)



                Sabe aquele Thrash Metal, pegado, bem na linha da Bay Area, mas que agrega uma forte influência de Hardcore? É o que o grupo brasiliense MOFO nos traz em seu EP de estréia, o soco na boca do estômago chamado EMPIRE OF SELF-REGARD, lançado no ano passado. Se entre suas bandas preferidas estão Metallica (antigo), Exodus, Death Angel, Forbiden, Vio-Lence, Testament, entre outras, essa banda é mais do que indicada! Formado em 2010, o quinteto, mesmo que tem sua base nas bandas supracitadas, tem uma pegada bem atual, criando com isso uma identidade rara de se encontrar hoje em dia. E me arrisco a dizer que este EP coloca no bolso muito lançamento de banda "grande" atualmente que se preocupa muito mais me viver do passado do que em fazer música.

                   Emiliano Gomes (vocal), Arthur Colonna (guitarra), Rodrigo Shakal (guitarra - fundador do grupo), Pedro Dinis (baixo) e João Paulo "Mancha" (bateria) - no EP, as baquetas foram gravadas por Gustavo Melhorança - formam hoje o grupo, que sem nenhuma sombra de dúvida, tem um futuro mais do que promissor pela frente. Gravado no Broadband Studio por caio Duarte (Dynahead), que também foi responsável pela mixagem e masterização, o EP ficou com uma sonoridade excepcional, uma vez que o peso e a intensidade das faixas saltam "aos ouvidos". Com todos os instrumentos perfeitos (destaque para a timbragem das guitarras), podemos perceber que a banda além de ótima técnica, tem muito sangue no olho, pois executa as faixas como se dependesse disso pra viver. E talvez por isso, sua música soe tão contagiante e cheia de garra. Aliás, se todas as bandas tocassem dessa maneira...

                     "Mountain of Origin" abre o EP e já deixa nítido que a escola Holt/Hunolt (Exodus) de guitarra foi muito bem estudada pela dupla Arthur  e Rodrigo! Que riffs meus amigos! E a cozinha não fica atrás, pois tanto Pedro (baixista) quanto Gustavo (bateria) criaram linhas excelentes, onde o peso e  a velocidade andam lado a lado. Um solo muito bem construído e encaixado na faixa mostram que a conversa aqui é de nível profissional! "Tartarus" vem na sequência e mantém aquela pegada bem característica, bateria marcada, bate-estaca, enquanto as guitarras deixam aflorara um pouco de outra linha do Thrash, mais precisamente o que Kerry King e Jeff Hannemann (Slayer) faziam na época de Reign in Blood (1986) e South of Heaven (1988). "Eternal Stealing of Souls" é outra faixa que faz um mix entre o passado e o presente do Thrash, pois mesmo que os riffs tragam uma pegada na linha oitentista, com até uma pegada dose de metal tradicional, as excelentes mixagem e masterização, deixaram a sonoridade bem atual e com personalidade. Já "Black Squad" é uma música daquelas que não saem da cabeça. Que riff é esse??? E aqui, ainda de forma mais consistente, podemos perceber que o quinteto não brinca em serviço. Fico imaginando a destruição que essa faixa deve proporcionar ao vivo. Pra encerrar, "We Are Metal". Apesar do nome um tanto quanto clichê e "true", a faixa é outro petardo, onde mais uma vez os riffs comandam o massacre sonoro. Brutal, agressiva e contagiante, a composição é "apenas" mais um dos destaques desse destruidor EP.

                      A única ressalva, se é que pode se dizer assim, é quanto à duração do trabalho, uma vez que temos aqui pouco menos de 20 minutos. Mas a destruição criada por ele é inversamente proporcional ao tempo de execução. Uma pena que eu não tenha ouvido esse EP no ano passado, pois ão tenho dúvidas de que ele entraria na minha lista de melhores de 2017. Que venha logo um trabalho completo para que o grupo venha definitivamente  a se firmar entre os grandes do Thrash nacional. Ou melhor, que apenas confirme isso. Afinal, quem grava um trabalho desse nível, merece estar entre os grandes! THRASH 'TILL DEATH!!!!





              Sergiomar Menezes

quarta-feira, 4 de julho de 2018

HEAVIEST - THE WALL OF CHAOS-T (2018)



                     E um dos discos mais aguardados deste ano chega para confirmar as expectativas criadas. THE WALL OF CHAOS-T, do grupo paulista HEAVIEST vem para estar em todas as listas de melhores do ano da mídia especializada. Duvida? Após escutar o que o quarteto apresenta aqui, pode ter certeza que você irá concordar comigo. Guitarras pesadas, modernas (sem sorem forçadas), groove na medida certa, classe e bom gosto nas composições, produção perfeita e um vocalista que deu à banda uma maior gama de opções na hora de compôr, mostram que, apesar das mudanças de formação, o grupo deu a volta por cima e fez um trabalho ainda mais pesado, intenso e criativo que seu álbum de estréia, NOWHERE, lançado em 2015.

                          A banda hoje é formada por Alax William (vocal), Guto Mantesso (guitarra), Renato Dias (baixo) e Vito Montanaro (bateria). No trabalho anterior, o grupo contava com duas guitarras. Após a  saída de Márcio Eidt, Guto ficou como o único responsável pelas seis cordas. Outra importante alteração se deu nos vocais. A saída de Mário Pastore trouxe ao grupo Alax, que de certa forma, ampliou a gama de possibilidades do grupo em suas composições. Assim, deixando mais explícitas suas influências de Pantera, Adrenaline Mob, Stone Sour, Disturbed e, porque não dizer, Korn, o grupo apresenta aqui 11 excelentes composições. Envolto em uma bela arte gráfica (que ficou sob a responsabilidade de Alax), o álbum foi produzido pelo guitarrista Guto e teve a co-produção da própria banda e Roy Z (Bruce Dickinson, Rob Halford, Rob Rock, Sebastian Bach, entre outros), o que por si só, já era garantia de qualidade, pois o guitarrista e produtor americano, sabe como poucos, tirar das guitarras um som pesado e denso. E para abrilhantar ainda mais o trabalho, o CD contou com as participações especiais de Zak Stevens (vocalista, Circle II Circle, ex-Savatage), Matias Kupiainen (guitarrista, Stratovarius) e Lucas Bittencourt (guitarrista).

                         O álbum abre com a faixa "Like Those Ones", uma música intensa, pesada e dona de uma pegada bem atual. De cara, podemos perceber a versatilidade de Alax, que consegue navegar de forma bem consistente entre o lado mais pesado da música do HEAVIEST e o lado mais climático. Aliado a isso, a guitarra de Guto traz muita influência de nomes como Mike Romeo (Adrenaline Mob) e do saudoso Dimebag Darrel (pantera). A cozinha composta por Renato e Vito esbanja categoria numa base pesada e muito bem trabalhada. A faixa já nasce clássica! Na sequência, temos "Thieves of Life", outra grande composição, dona de um riff "grudento" (no bom sentido) e que também traz consigo um melodia cativante. Mais uma vez, temos outro belo trabalho de guitarra, sem dúvidas, um dos grandes destaques do CD. O clima oriental no início de "Blood" prepara o ouvinte para mais uma aula de peso e bom gosto. Com uma boa variação em seu andamento, a faixa prova que o grupo compõem sem nenhum tipo de marra ou delimitação, sem se preocupar com algo pré-determinado. E isso conta e muito, a favor da banda. "Cant You See" traz a participação do guitarrista Matias Kupiainen (Stratovarius) e possui muito peso. Em alguns momentos, a faixa nos mostra que o Pantera é uma das grandes influências do grupo, que consegue injetar toda sua personalidade na composição. E tome mais peso em "Fire it Up". Alax mostra desenvoltura, alterando sua forma de cantar ao longo da faixa, indo de momentos mais agressivos à passagens mais densas e limpas, criando linhas vocais bastante técnicas.

                      "Hunted" traz uma pegada mais tradicional, mostrando que o heavy metal mais clássico também faz parte da veia artística da banda. A faixa conta com a participação de Zak Stevens que faz um belo dueto com Alax. E a qui cabe também destacar a ótima performance de Vito que senta a mão sem dó na bateria. Já "Kill The King" começa metendo o pé na porta sem piedade. Talvez a faixa mais agressiva do trabalho, a composição apresenta linhas bem atuais em sua forma de  execução, mesmo que traga aquela veia mais metal tradicional presente na faixa anterior. "All of This" traz a participação do guitarrista Lucas Bittencourt. A faixa tem linhas que variam durante sua execução, com algo bem próximo daquilo que vem sendo feito dentro do "metal americano" e outros mais introspectivos. Destaque para o belo solo de Lucas. E o que dizer sobre "The End"? O entrosamento e coesão atingidos pela banda nesta faixa estão perfeitos. A guitarra de Guto tem um timbre  e peso fora do comum aqui (mas vejam bem, dentro da proposta do grupo). Além disso, Renato e Vito mostram enorme sintonia, enquanto Alax entrega aqui sua melhor performance no álbum. Escute com atenção e você entenderá o que quero dizer. O peso reina de forma absoluta em "Wake Up", mais uma aula de como uma banda pode soar moderna, atual e não soar chata ou pretensiosa. O encerramento vem com "E-Crime Suicide", que fecha esse grandioso trabalho de forma magistral.

        THE WALL OF CHAOS-T mostra que a HEAVIEST teve coragem e principalmente,convicção daquilo que queria apresentar neste novo álbum. Olhando para frente e criando faixas carregadas de peso, criatividade e bom gosto, o grupo criou um trabalho digno de figurar em todas a listas de melhores de 2018 no fim deste ano. Que este segundo CD sirva para afirmar a posição do grupo dentro do cenário nacional, uma vez que coloca a banda na linha de frente dos grandes nomes do metal brasileiro. Mesmo que o grupo esteja apenas no início da carreira, já deu mostras mais do que suficientes que é um nome que deve, e muito, ser respeitado pelos bangers brasileiro e de todo o mundo. 





                Sergiomar Menezes

sexta-feira, 4 de maio de 2018

TAKKEN - SEEDS OF ANGER (EP) (2017)



                Impossível ficar indiferente quando se ouve um trabalho como esse! Sabe aquela vontade de sair quebrando tudo ao seu redor? É exatamente isso que sentimos ou colocar pra rodar SEEDS OF ANGER, EP de estréia do grupo TAKKEN! Thrash metal visceral, agressivo, brutal, violento... defina como quiser. Mas o que a banda apresenta em apenas três faixas, coloca muita, mas muita "grande" no bolso. Guitarras primorosas, que trazem consigo riffs perfeitos, são a base de toda a classe e categoria que o quinteto mostra aqui. Aliás, formada em 2015, por nomes conhecidos e reconhecidos dentro do cenário (músicos de bandas como Scars, ChaosFear), a banda se prepara para lançar seu full lenght agora em 2018. E a julgar pelo que ouvimos neste EP, podemos esperar algo de altíssimo nível!

                  Régis F. (vocal), Fernando Boccomino (guitarra), Eduardo Boccomino (guitarra), André Sterzza (baixo) e Billy Houster (bateria) trazem a proposta de fazer um thrash metal que resgata as raízes do estilo, tendo por base a década de 80, mas agrega uma sonoridade bastante atual, criando uma música vibrante e dinâmica. Na época da gravação do EP (realizada no Loud Factory Studios, sob o comando dos produtores Wagner Meirinho e Tiago Assollini), o grupo era um quarteto, pois não contava ainda com as seis cordas de Edu Boccomino. E se com apenas uma guitarra, o poder de destruição do grupo já era devastador, imaginem agora? E também cabe ressaltar que  a produção não ficou menos que sensacional, pois soube valorizar o peso e a agressivdade do grupo de forma bem consistente.

                      "Die By Your Faith" já começa a devastação com os dois pés na porta! Que riff, meu amigo. Que riff! Sabe aquele thrash à moda antiga, mas que não soa datado e nem deslocado do contexto atual? É isso que temos nessa baita música. A cozinha do grupo, composta por André e Billy (baixo e bateria, respectivamente) mostra coesão e entrosamento, caprichando numa base bem sólida e pesada. Já Régis F. possui um vocal bem característico. Quem conheceu o seu grupo anterior, o espetacular Scars, sabe bem o que estou dizendo... "Political Genocide", mostra que não é apenas na esfera musical que o grupo apresenta qualidade. Sua preocupação com as letras também merece destaque, pois a abordagem vai desde o contexto atual da política, religião até as guerras e as grandes transformações que acontecem em nossa sociedade. Mais cadenciada, a faixa mostra a versatilidade da banda em explorar os limites do estilo. "Taken By Hate" também vai por essa linha mais cadenciada, mas nem por isso perde peso e brutalidade. Mais uma vez, as guitarras mostram como devem soar em álbum de thrash metal! 

                      O TAKKEN precisa urgente lançar um álbum completo. Um grupo com a qualidade e sangue no olho como ele não pode ficar restrito à apenas três faixas. Os fãs de um dos estilos mais fodas do planeta aguardam ansiosos pelo full lenght. Que venha o quanto antes. Nossos pescoços agradecem!






                  Sergiomar Menezes

quarta-feira, 2 de maio de 2018

CORRAM PARA AS COLINAS - CORRAM PARA AS COLINAS (EP) (2016)



                  Formada em 2012 em Curitiba/PR, a banda CORRAM PARA AS COLINAS conta em sua formação com músicos importantes da cena underground daquela cidade. Praticando um stoner com uma pegada bem metal (principalmente no que diz respeito as guitarras), o trio lançou seu EP de estréia em 2016 e mostrou, logo de cara, que a classe e o bom gosto nas composições fazem a diferença dentro do estilo proposto pelo grupo.

                     Márcio D'ávila (vocal e guitarra), Gustavo Slomp (vocal e baixo) e André Wlodarczyk (bateria) lançaram em 2014 duas faixas (que surgem como bônus neste EP), deixando claro aquilo que pretendem: fazer um som pesado, sujo e sem concessões. Com uma veia próxima do heavy metal, o trio aposta em um stoner cheio de personalidade, que ganha ainda mais identidade ao ser cantado em português. A produção ficou boa, uma vez que priorizou o peso e "sujo" do grupo, mas que não transformou isso em uma massa sonora e disforme, o que acontece em algumas produções que confundem "sujeira" co  barulho.

                     Sem se preocupar com rótulos, o EP abre com a faixa "Dilúvio", com guitarras pesadas e bem timbradas. Sem muita invencionice, o trio investe forte no peso, com uma levada mais arrastada e uma certa dose de psicodelia na parte do refrão, o que cria um clima bem interessante. Na sequência, Temos "Pedras", com destaque para  a cozinha composta por Gustavo e André, que sentam  a mão, numa base sólida e pesada. Com momentos variados em sua execução, a faixa é um dos bons momentos do trabalho. A distorção comanda "Desalmado", outro belo exemplo de como o gruo consegue impôr sua personalidade dentro de suas composições. Com um andamento mais cadenciado mas que ganha alternância com outros bem acelerados, o trio mostra desenvoltura em sua execução. "Vida Torta" possui boas idéias, mas durante sua execução parece se perder, fugindo um pouco da linha que a composição seguia em seu início. Acaba sendo o ponto mais "fraco" do trabalho. Já " A Marcha" é um "rockão", estilo anos 70, com uma veia hard, cheia de distorção.  Temos ainda as duas faixas bônus, que forma lançadas pelo trio em 2014. "Rival" e "Porco Vesgo", que ficaram um pouco aquém das demais, principalmente pel aprodução, que destoa das presentes no EP.

                     O grupo CORRAM PARA AS COLINAS se mostra uma boa opção para quem curte um rock/metal/stoner pesado e direto, sem influências "modernas". Com personalidade, o trio dá mostras que tem um belo futuro pela frente. Ficamos no aguardo dos próximos trabalhos para que essa expectativa se confirme!





                     Sergiomar Menezes

terça-feira, 1 de maio de 2018

KADAVAR - ROUGH TIMES (2017)



               A banda alemã KADAVAR chega ao seu quarto álbum de estúdio praticando uma música bastante intensa. Calcado naquele hard dos anos setenta e com muita personalidade (e é preciso que fique claro: ter influência e identidade, não é pra qualquer um), ROUGH TIMES, lançado por aqui pela Shinigami Records, mostra um grupo que sabe, como poucos, somar suas influências, criando uma sonoridade bastante significativa. Formada em 2010 e dona de uma performance ao vivo cheia de energia, a banda vem numa constante evolução e apresente neste álbum, seu trabalho mais maduro e consistente.

                Lupus Lindemann (vocal e guitarra), Simon "Dragon" Bouteloup (baixo) e Tiger Bartelt (bateria) gravaram o álbum sob o comando do baterista Tiger e de Richard Behrens no Blue Wall Studio, em Berlin, capital do país natal do trio. A mixagem também ficou por conta do baterista que além de tudo isso, ainda dividiu o trabalho de masterização com Nene Baratto. Ou seja, se tem alguém que sabe como o grupo deve soar é Tiger Bartelt. E podem acreditar que ele sabe! Com uma sonoridade suja e bem pesada, o álbum tem aquela aura setentista, onde a mistura entre o hard e o heavy se completam de forma bem homogênea. Já a capa... Bom... Nem tudo é perfeito, não é mesmo? Apesar de se encaixar na proposta, bem que a arte poderia ser um pouquinho mais trabalhada... Mas isso não atrapalha em nada o resultado final do trabalho.

                   Iniciando com a faixa título, o grupo já dá mostras de sua constante evolução. Pesada, com toques psicodélicos e vocais cheios daquele feeling setentista. Alternando momentos mais acelerados ou outros mais "quebrados", a composição tem uma forte pegada. "Into The Wormhole" começa com aquele baixo "gordo", cheio de distorção e ganha um diferencial pelos vocais de Lupus, que mostram que o vocalista poderia tranquilamente integrar alguma banda da década de ouro da música. Pesada e viajante, "Skeleton Blues" é uma das melhores faixas. Dona de linhas bem interessantes, a música condensa de forma simples e direta toda a sonoridade do trio alemão. Se a faixa anterior possuía mais peso, "Die Baby Die" possui uma levada bem mais próxima do hard, dando destaque para o ótimo trabalho de guitarras de Lupus, que mostra que o rock psicodélico corre livremente em suas veias. "Vampires" também segue essa linha, mas com uma pegada mais "stoner".

                "Tribulation Nation" mantém  apegada anos 70, e aqui, merece destaque a cozinha composta por Simon e Tiger. Simples, mas bem eficiente, a dupla não deixa dúvidas que a cozinha do bom e velho Sabbath é mais do que uma influência  e sim uma referência. E tome riffs na escola Tony Iommi em "Words of Evil". Impossível não fazer essa ligação. "The Lost Child" dá uma quebrada no clima mais pesado, mas nem por isso dispensa a atmosfera setentista que envolve o trabalho. Outro grande momento do álbum é "You Found the Best in Me", com belas passagens melódicas e acústicas, mostrando a versatilidade do grupo na hora de compôr."A L'ombre du Temps" é o ponto mais fraco do trabalho, pois não traz nada que possa ser um diferencial, como todas as outras faixas presentes no CD. A versão nacional se encerra com "Helter Skelter" dos Beatles, o primeiro heavy metal da história. Com personalidade, o grupo soube imprimir sua identidade na releitura, com calsse e bom gosto.

                       O KADAVAR mostrou ROUGH TIMES que mesmo buscando resgatar uma sonoridade setentista, o grupo imprime sua identidade de forma consistente. Sem deixar nenhum tipo de dúvidas quanto á sua qualidade, a banda se destaca com todo o merecimento dentro do cenário da música pesada. Fãs de stoner, psicodelia e porque não dizer, de doom, tem mais uma excelente opção para abrir seus horizontes.




               Sergiomar Menezes


                

terça-feira, 24 de abril de 2018

BLACK PANTERA - AGRESSÃO (2018)



                Seguindo firme em sua proposta de fazer m som pesado e agressivo, praticando uma mistura mais do que interessante de Punk/HC com Metal (princialmente com o Thrash), o grupo mineiro BLACK PANTERA chega a seu segundo trabalho mostrando uma evolução. Mas se você pensa que isso pode ter acarretado em uma "amenizada" na sonoridade do grupo... Ah, meu amigo... De forma alguma! AGRESSÃO soa tão ríspido, violento e insano quanto o trabalho de estréia do trio. Estão presentes aqui toda a fúria e intensidade do grupo, bem como suas letras ácidas e críticas, que se tornaram uma das principais características da banda. Após participar de shows ao lado bandas nacionais de renome no cenário, o grupo este em turnê pela Europa, o que lhe possibilitou uma maior experiência, que acabou se refletindo em um álbum mais maduro, mas ao mesmo tempo dono de uma aura extremamente agressiva.

                       Charles Gama (vocal/guitarra), Chaene Gama (baixo) e Rodrigo Augusto (Pancho) (bateria), formaram o grupo em 2014 e em apenas 4 anos já lançam seu segundo álbum. Pode parecer pouco, mas a banda mostra que tem consciência de seu potencial, trabalhando tudo a seu tempo. E trabalho é o que não tem faltado para o trio, aja visto a quantidade de shows que o trio fez após o lançamento do álbum de estréia. Tendo seu trabalho divulgado de forma profissional fora do país (Europa e América do Norte), o trio apresenta em AGRESSÃO, 11 faixas onde a adrenalina e a fúria do Hardcore recebem a adição do peso e agressividade do Thrash, criando uma música intensa e cativante. Com uma produção suja e pesada, o trabalho mostra que uma banda pode, sim, evoluir sem perder sua identidade.

                   "Prefácio" abre o álbum e já deixa claro que a atitude do grupo segue a mesma: arrebentar as estruturas com aquela pegada típica do HC. Com um começo mais trabalhado e pesado, a faixa ganha velocidade em vários momentos, alternando em passagens mais aceleradas. "Alvo na Mira" já possui na velocidade e agressividade seu destaque. A letra da composição possui uma crítica ao momento atual de nossa sociedade, onde estamos diariamente sendo o "alvo na mira". Interessante perceber que o grupo procura sempre expressar em suas letras sua opinião sem se importar com o que vão pensar a respeito. "Extra" traz riffs ríspidos, com uma pegada quase death metal (sem exageros, apenas fazendo uma comparação com a própria banda), principalmente no início. E se no primeiro álbum tínhamos o chute na cara "Bota pra Fuder", agora temos "Foda-se". Outra porrada que não faz nenhum tipo de concessão, deixando ainda mais claro o posicionamento do trio em relação à hipocrisia da sociedade atual. "O Poder para o Povo" traz mais um momento cheio de raiva e brutalidade, que alterna passagens mais cadenciadas. E aqui cabe um destaque para a cozinha do grupo, pois Chaene E Ricardo mostram um entrosamento muito bom, e além disso, deixam as faixas ainda mais pesadas, mesmo fazendo uso da velocidade.

                  "O Sexto Dia" nada tem haver com a Bíblia ou literatura e sim, àquele fatídico dia do mês em que o salário já era... Bem sacada, a letra mostra a realidade da maioria da população brasileira. Agregado à isso, uma levada pesada e cadenciada deixa tudo na medida. "Onde os Fracos Não Têm Vez" é outro belo momento HC do trabalho. "Seasons", apesar do nome, é cantada em português também, o que mostra a preocupação do grupo em passar sua mensagem, mesmo tendo seu trabalho divulgado lá fora. "Baculejo" é a faixa mais agressiva do CD. Ricardo incorpora várias influências aqui. Punk/HC, Metal, Thrash, Death... E essa "salada" deu muito certo dentro da execução da faixa. A rifferama comanda "Último Homem em Pé", uma faixa digna de entrar no setlist da banda e nunca mais sair. Não tem como ouvir essa faixa e não sentir vontade de quebrar tudo à sua volta. Que porrada! "Granada" encerra o trabalho e é uma faixa instrumental que condensa as influências do grupo em um único local. Thrash, HC e até mesmo aquele "groove" que se mostrou mais tímido durante a execução do play, aparece aqui de forma mais expressiva. Destaque para Chaene que mostra desenvoltura e criatividade no baixo. 

                  Se existe aquele famoso "teste do segundo álbum", podemos dizer que o BLACK PANTERA passou com louvor. AGRESSÃO mostra uma banda que não perdeu sua identidade e que, ainda por cima, amadureceu mostrando evolução em suas composições. Um trabalho que merece  e deve ser apreciado pelos fãs de música pesada, direta e agressiva!




               Sergiomar Menezes

domingo, 22 de abril de 2018

ATTOMICA - THE TRICK (2018)



             Estamos apenas nos primeiros meses de 2018. Mas uma certeza já podemos ter: THE TRICK, álbum lançado pelo ATTOMICA vai figurar em TODAS as listas de Melhores do Ano da mídia especializada. E não tem como ser diferente! Pense num álbum de Thrash Metal que possui tudo aquilo que o estilo pede: riffs violentos, agressivos e pesados, baixo/bateria totalmente entrosados e muito pesados e um vocal que se encaixa perfeitamente na proposta. além disso, as composições presentes em THE TRICK mostram que o grupo, apesar de todos os problemas que enfrentou ao longo desses anos, continua sendo um dos melhores do nosso cenário. Duvida? Escute no volume máximo e deixe seu pescoço responder por você!

                  André Rod (vocal e baixo), Marcelo Souza (guitarra e backing vocal) e Argos Danckas (bateria e teclados) nos apresentam em 08 faixas, um trabalho repleto de garra e energia, como só as verdadeiras bandas de thrash podem fazer. THE TRICK é um álbum homogêneo, mas logo de cara podemos citar dois pontos que s e destacam. O excelente trabalho de guitarra, muito bem timbrada e com uma veia thrash, que resgata uma pagada mais old school, mas que em nenhum momento soa datada (Marcelo Souza possui personalidade) e os vocais de André Rod que lembram bastante os de Dave Mustaine (Megadeth). E isso parece ter dado um novo gás ao grupo, pois se encaixou de forma perfeita nas composições presentes aqui. Vagner Alba foi o responsável pela gravação, produção, mixagem e masterzação. E só há uma plavra pra descrever o resultado obtido aqui: perfeição! Tudo ficou nos eu lugar. Pesado, intenso, sujo e ao mesmo tempo, cristalino, THE TRICK é um trabalho que merce se tornar referência em temos de gravações via internet totalmente pasteurizadas. Já a capa é obra de Fábio Moreira em cima de uma idéia de André Rod. 

                  "Give Me The Gun" abre o álbum e já nos mostra que o poderio destruidor da banda continua intacto. Sabe aquela faixa que você ouve uma vez e quer ouvir de novo logo em seguida? O que dizer dos riffs presentes aqui? Agressivos, diretos e com uma pegada intensa, eles deixam tudo "mais fácil" para a cozinha sentar a mão na velocidade brutal da dupla André e Argos. Sério... Após ouvir a faixa, os riffs te farão apertar o play novamente... Ms não é só isso, pois a composição é bem trabalhado e com mudanças de andamento muito interessantes. Na sequência, "Feeling Bad" mostra a versatilidade do grupo ao alternar riffs mais agressivos com passagens mais trabalhadas. Apostando naquela levada tipicamente thrash, a faixa possui aquele clima característico e pesado, lembrando um pouco o já citado Megadeth (talvez pelos vocais de André), mas com a personalidade e intensidade própria do ATTOMICA. "Kill The Hero" é outro belo exemplo de como uma banda de Thrash pode soar atual e  moderna sem ter que incorporar "barulhinhos" e outras coisas "diferentes" em sua sonoridade para parecer "cool". A guitarra de Marcelo guia a faixa com maestria, algo que só grandes guitarristas podem proporcionar. Já "The Last Samurai"... Bom, o que dizer de uma composição que traz peso, agressividade, quebradeira, porradaria, técnica e muita criatividade, todas na medida certa? Essa com certeza será incorporada ao setlist para nunca mais sair... Que puta faixa sensacional!

                     "The Trick", a faixa título, também traz consigo um belo apanhado das características da  banda. Peso e muita técnica, aliados à linhas de guitarras muito bem exploradas, mostram a qualidade dos músicos sem que se precise cometer nenhum tipo de exagero. Até mesmo um um violão com influências do flamenco surge de forma bem interessante durante a execução da faixa. "Endless Cycle" vem em seguida, e "quebra" o clima mais brutal que vinha acompanhando o CD até aqui. Mas essa "quebra" é no bom sentido, pois estamos falando de uma composição elaborada, com um começo mais leve, que ganha peso e intensidade durante sua execução, mostrando mais uma vez (como se fosse preciso) toda a capacidade criativa e técnica do trio. "Land of Giants" é uma faixa instrumental. Mais cadenciada, a composição tem uma linha um pouco mais melódica. O encerramento vem com "Mistery", faixa gravada em 2014 e que conta com os vocais de Alex Rangel, vocalista da banda, que faleceu de forma trágica. mais do que uma homenagem, a composição fecha o trabalho de forma sublime, pois resgata o trabalho de Alex, mostrando respeito e gratidão. 

                      Sem muito mais a dizer, o ATTOMICA, não satisfeito em ter gravado um dos maiores clássicos do Thrash Metal nacional (DISTURBING THE NOISE, 1991), nos presenteia agora com essa pérola chamada THE TRICK. Um álbum perfeito, digno de reconhecimento não apenas pelos fãs do grupo, mas por todo apreciador de heavy metal. Se você ainda não conhece o trabalho do grupo (algo que, sinceramente, não acredito), corra trás agora e descubra uma das melhores bandas do Thrash Metal brasileiro. Se você já conhece.. bem, não tem nenhuma novidade naquilo que escrevi aqui não é mesmo???




                Sergiomar Menezes


quinta-feira, 12 de abril de 2018

BELPHEGOR - TOTENRITUAL (2017)




                     Para todos aqueles que sempre duvidaram que não haveria um sucessor de peso que compensasse o desempenho pouco satisfatório de "Conjuring The Dead (2014)", a horda austríaca BELPHEGOR de maneira como sempre fez, reorganizou as idéias e delimitou novas premissas e lançou um dos discos mais impressionantes de 2017. TOTENRITUAL, lançado por aqui pela parceria Shinigami Records/Nuclear Blast, é um apanhado de idéias tão intenso e tão coeso que nos arremete à fase "Bonfage Goat Zombie (2008)" em todas as suas particularidades (peso, técnica, brutalidade e cadência). Mas o que esse disco pôde trazer de novidade que os outros não o fizeram?! Vamos à eles:

                   O que todos precisam entender sobre o BELPHEGOR, primeiramente, é que eles NUNCA se repetem! Parece difícil de acreditar, mas é verdade! Os caras são tão focados em uma evolução musical, tanto pela qualidade sonora quanto pelas temáticas abjetas mas presentes (e constantes) do mundo do Underground. Dito isto, em segundo lugar, lhes digo que a horda utiliza de uma constante crescente nas suas faixas onde focam cada vez mais na brutalidade atroz e delimitada por riffs marcantes e blast beats cada vez mais velozes.
                          
                            Sem nenhum segredo, o que mais me impressionou nesse disco é a tamanha técnica utilizada em quase todas as faixas. Eles sabem que se fosse utilizada em todas do disco, ele ficaria enjoativo e com pouca repercussão, visto que é por isso que eles sempre colocam um instrumental bem básico em cada disco para dar essa "quebra". Contando com nove faixas, TOTENRITUAL representa o primor e a versatilidade de uma horda que sempre ousou evoluir sem estagnar. Pode ser difícil de acreditar (e muitos realmente não acreditam), mas quem se propõe a fazer Death/Black Metal como eles, não pode nunca repetir a premissa em todos os discos, ou então, serão apenas "só mais uma horda". O diferencial do BELPHEGOR, particularmente falando, é a força de vontade e honrar o Metal Extremo em todas as suas esferas.

                      Em suma, penso eu que se esse disco já foi uma "porrada" sem fim, imaginem o próximo como poderia ser. Aguardemos ansiosos por esse momento.




                   Aldemar Ferreira

sábado, 31 de março de 2018

H.E.A.T. - INTO THE GREAT UNKNOWN (2017)



           É louvável quando uma banda procura não ficar estagnada, procurando não se tornar apenas um pastiche de si mesma. Afinal, toda banda tem o direito de ser livre e expandir sua criatividade. Mas nem sempre essas tentativas surtem o efeito necessário. Muitas vezes, a banda fica satisfeita com o resultado obtido. Já com relação aos fãs... E é esse o caso que temos um INTO THE GREAT UNKNOWN, novo álbum do grupo H.E.A.T., lançado no ano passado e que teve sua distribuição no brasil feita através da Shinigami Records. O Hard/AOR do grupo recebeu uma dose generosa de "modernidade", algo que acaba soando estranho. Obviamente que a essência da banda continua lá... Mas não parece mais a mesma coisa...

             Erik Grönwall (vocal), Dave "Sky Davids" Dalone (guitarra), Jimmy Jay (baixo), Jona Tee (teclados) e Crash (bateria e percussão) contaram com a produção e mixagem de Tobias Lindell e a masterização Henrik Jonsson. E quanto á isso não há o que se criticar. Tudo muito bem timbrado, nivelado e cristalino. Dentro do estilo ao qual o grupo veio a se "consagrar". O problema do álbum está memso nas composições. Não é, de forma alguma, um álbum ruim. Mas acaba ficando muito aquém daquilo a que nos acostumamos a ouvir vindo dos suecos. A capa acaba sendo um dos destaques, pois além de muito bonita, acaba refletindo um pouco do que acontece durante a audição. Nos sentimos dentro do "grande desconhecido"...

               "Bastard of Society" abre play e traz um pouco do H.E.A.T. de sempre. Guitarras bem timbradas, melodias na medida e um andamento característico. Uma faixa que deixa aquela expectativa de que teremos um bom álbum pela frente. Mas "Redefined" joga um balde de água fria nessa expectativa... Uma faixa comum, até mesmo carente de pegada. Totalmente descartável, a composição mostra o que esse "direcionamento" pode vir a causar na musicalidade da banda. "Shit City" tem um pouco mais de punch, mas mesmo assim, não resgata aquele clima inicial do trabalho. "Time on Your Side" tem uma levada "moderna", mas pelo lado ruim do termo. Ao abrir mão de uma melodia que lhe é característica, o grupo acaba enterrando sua personalidade, mesmo que esteja fazendo isso com coragem. Afinal, é inegável que eles resolveram sair da zona d conforto. Já "Best of Broken" traz de novo o bom trabalho de guitarras. E a faixa acaba soando como um oásis num deserto. Não que seja um faixa sensacional ou espetacular. Mas perto do que ouvimos até aqui, acaba sendo um suspiro de criatividade.

                 "Eye of the Storm" nos devolve a triste realidade do álbum. Faixa "morna", muito fora daquilo que o grupo pode oferecer. Nem merece maior consideração. Mas "Blind Leads the Blind" volta a nos fazer acreditar no potencial d abanda. Guiada pelas guitarras, muito bem timbradas e com aquela pegada tipicamente sueca, no que diz repeito ao hard, essa faixa é, na opinião deste que vos escreve, o grande destaque do álbum! Bem... estava indo bem... "We rule" é mais uma tentativa frustrada da banda em soar épica e moderna ao mesmo tempo. Dispensável. "Do You Want It" é "passável", nada de espetacular, mas dentro do que nos é apresentado, pode ser citada como uma faixa de destaque. O encerramento vem com a faixa título. Alternando momentos mais pesados com outros mais suaves, a faixa também tem bons momentos.

              INTO THE GREAT UNKNOWN é uma aposta do H.E.A.T.. Se essa aposta trará os frutos esperados pelo grupo, só o tempo dirá. caberá aos fãs entenderem isso dentro dessa visão. Claro que estamos falando de arte, e dessa forma, fica aqui minha opinião: independente do que eu ou qualquer outra pessoa pensa a respeito do disco, a banda é dona de seus atos e livre para fazer aquilo que bem entender. Mas também, que temos o direito de entender se isso é bom ou ruim, também é verdade. A minha opinião é esta.




              Sergiomar Menezes