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sábado, 31 de março de 2018

H.E.A.T. - INTO THE GREAT UNKNOWN (2017)



           É louvável quando uma banda procura não ficar estagnada, procurando não se tornar apenas um pastiche de si mesma. Afinal, toda banda tem o direito de ser livre e expandir sua criatividade. Mas nem sempre essas tentativas surtem o efeito necessário. Muitas vezes, a banda fica satisfeita com o resultado obtido. Já com relação aos fãs... E é esse o caso que temos um INTO THE GREAT UNKNOWN, novo álbum do grupo H.E.A.T., lançado no ano passado e que teve sua distribuição no brasil feita através da Shinigami Records. O Hard/AOR do grupo recebeu uma dose generosa de "modernidade", algo que acaba soando estranho. Obviamente que a essência da banda continua lá... Mas não parece mais a mesma coisa...

             Erik Grönwall (vocal), Dave "Sky Davids" Dalone (guitarra), Jimmy Jay (baixo), Jona Tee (teclados) e Crash (bateria e percussão) contaram com a produção e mixagem de Tobias Lindell e a masterização Henrik Jonsson. E quanto á isso não há o que se criticar. Tudo muito bem timbrado, nivelado e cristalino. Dentro do estilo ao qual o grupo veio a se "consagrar". O problema do álbum está memso nas composições. Não é, de forma alguma, um álbum ruim. Mas acaba ficando muito aquém daquilo a que nos acostumamos a ouvir vindo dos suecos. A capa acaba sendo um dos destaques, pois além de muito bonita, acaba refletindo um pouco do que acontece durante a audição. Nos sentimos dentro do "grande desconhecido"...

               "Bastard of Society" abre play e traz um pouco do H.E.A.T. de sempre. Guitarras bem timbradas, melodias na medida e um andamento característico. Uma faixa que deixa aquela expectativa de que teremos um bom álbum pela frente. Mas "Redefined" joga um balde de água fria nessa expectativa... Uma faixa comum, até mesmo carente de pegada. Totalmente descartável, a composição mostra o que esse "direcionamento" pode vir a causar na musicalidade da banda. "Shit City" tem um pouco mais de punch, mas mesmo assim, não resgata aquele clima inicial do trabalho. "Time on Your Side" tem uma levada "moderna", mas pelo lado ruim do termo. Ao abrir mão de uma melodia que lhe é característica, o grupo acaba enterrando sua personalidade, mesmo que esteja fazendo isso com coragem. Afinal, é inegável que eles resolveram sair da zona d conforto. Já "Best of Broken" traz de novo o bom trabalho de guitarras. E a faixa acaba soando como um oásis num deserto. Não que seja um faixa sensacional ou espetacular. Mas perto do que ouvimos até aqui, acaba sendo um suspiro de criatividade.

                 "Eye of the Storm" nos devolve a triste realidade do álbum. Faixa "morna", muito fora daquilo que o grupo pode oferecer. Nem merece maior consideração. Mas "Blind Leads the Blind" volta a nos fazer acreditar no potencial d abanda. Guiada pelas guitarras, muito bem timbradas e com aquela pegada tipicamente sueca, no que diz repeito ao hard, essa faixa é, na opinião deste que vos escreve, o grande destaque do álbum! Bem... estava indo bem... "We rule" é mais uma tentativa frustrada da banda em soar épica e moderna ao mesmo tempo. Dispensável. "Do You Want It" é "passável", nada de espetacular, mas dentro do que nos é apresentado, pode ser citada como uma faixa de destaque. O encerramento vem com a faixa título. Alternando momentos mais pesados com outros mais suaves, a faixa também tem bons momentos.

              INTO THE GREAT UNKNOWN é uma aposta do H.E.A.T.. Se essa aposta trará os frutos esperados pelo grupo, só o tempo dirá. caberá aos fãs entenderem isso dentro dessa visão. Claro que estamos falando de arte, e dessa forma, fica aqui minha opinião: independente do que eu ou qualquer outra pessoa pensa a respeito do disco, a banda é dona de seus atos e livre para fazer aquilo que bem entender. Mas também, que temos o direito de entender se isso é bom ou ruim, também é verdade. A minha opinião é esta.




              Sergiomar Menezes

sexta-feira, 30 de março de 2018

PLEASURE MAKER - DANCIN' WITH DANGER (2018)



               E o Hard Rock brasileiro mostra mais uma vez que não deve nada, mas absolutamente nada ao que vem sendo feito lá fora. Quer mais uma prova? Escute este sensacional DANCIN' WITH DANGER do grupo carioca PLEASURE MAKER! Inspirado em nomes como Def Leppard, Dokken, Winger e Ratt, o grupo fundado em 2001 pelo guitarrista e produtor Alex Meister, lançou dois álbuns - Love On The Rocks, em 2004 e que teve seu relançamento no Japão em 2006, e Twisted Desire, em 2008 - que obtiveram uma boa repercussão tanto na mídia especializada quanto juto aos fãs. Após encerrar suas atividades em 2010 devido aos projetos de seus integrantes, em 2017  o grupo retomou o caminho do hard cheio de malíscia e qualidade e nos brinda com esse grande lançamento!

                Formada por C. Marshall (vocal), pelo já citado Alex Meister (guitarra e backing vocal), Mark Sant'anna (baixo) e Adriano Morais (bateria e backing vocal), a PLEASURE MAKER resgata aquela pegada Hard anos 80, mas sem soar datada, ou seja, agrega suas influências sem que perca sua personalidade. Muito disso se dá pelas composições e pela mente criativa de Alex, que sabe bem aquilo que quer. O trabalho, pode até surpreender em um primeiro momento os fãs mais antigos da banda, pois as guitarras receberam uma atenção especial, chegando a ficar mais "à frente" em alguns momentos. Mas isso só deixou o álbum ainda melhor, pois a melodia, uma das características do grupo, ganhou mais peso e intensidade. Produzido pelo guitarrista Alex e mixado e masterizado por Henrique Canale "Baboom", o trabalho foi lançado pela Animal Records.

                 Abrindo com "Dancin' With Danger", a faixa título, o grupo já mostra que a pegada continua a mesma, apenas com uma certa adição maior de peso na guitarra. Percebe-se que os vocais de C. Marshall possuem um timbre bem peculiar o que possibilita uma maior possibilidade de variações nas composições. Riffs inspirados são muito bem amparados por uma base sólida, à cargo de Mark e Adriano (baixo e bateria, respectivamente). "Chains of Love" possui uma pegada bem 80's, e ganha mais destaque pelos backing vocals muito bem encaixados no refrão, que além disso, possui uma melodia marcante. Já "It Ain't 'Bout Love" tem uma linha mais próxima da fase mais clássica do Dokken, tendo seu diferencial no vocal de C. Marshall. E mais uma vez, a faixa, como as demais do álbum, traz um refrão de fácil assimilação. "On The Other Side of Midnight" é mais cadenciada e apesar desse direcionamento, se mostra uma composição bem executada, deixando à mostra a versatilidade do grupo. Acelerada, "Rock the Night Away" é daquelas faixas perfeitas pra se ouvir bebendo uma cerveja bem gelada! "Flesh and Blood" traz consigo toda a influência que Alex possui de nomes como Warren deMartini e Robin Crosby. 

                    O Hard segue em alta com "Lonely is the Night", faixa tipicamente 80's, e mais uma vez, com uma pegada "Dokken" nas linhas de guitarra. Ou seja, George Linch também está entre as ótimas influências de Alex Meister. "Out There" tem cara de balada, mas possui guitarras mais "pesadas", transformando a faixa numa "power ballad", se é que podemos dizer dessa forma. Apesar da boa composição, a faixa é um dos Pontos (poucos, que fique claro) fracos do álbum. "Never Look Back" traz de volta a aura Hard Rock festivo, tendo como destaque a cozinha, que mantem a levada bem marcada e cadenciada de forma bem trabalhada. "A Matter of Feelings" sim, merece destaque como uma grande balada! Bem estruturada e com uma bonita melodia, a faixa é um dos grandes (entre tantos outros) momentos do CD. O álbum encerra com um "rockão" daqueles: "Runnin' Out of Time", uma faixa totalmente hard! Como bônus da versão japonesa do CD temos a faixa "She's Gone Too Far", que poderia estar na versão regular, o que daria um brilho extra ao trabalho.

                   Não tenho dúvidas que, mesmo estando apenas no mês de março, DANCIN' WITH DANGER estará na minha lista de melhores do ano. Composições melódicas e ao memso tempo fovadas nas guitarras, vocais característicos e aquela pegada Hard que só quem tem a manha sabem como fazer, fazem deste novo álbum do PLEASURE MAKER um dos melhores do ano! Stay Hard!




                Sergiomar Menezes

quinta-feira, 29 de março de 2018

MARENNA - LIVIN' NO REGRETS (2018)



           É impressionante a capacidade que o Brasil tem de não valorizar seus grandes talentos. E a culpa disso também é um pouco nossa. Enquanto bobagens inomináveis ganham espaço na grande mídia, e por consequência, vemos uma parte até considerável de pessoal "cool" defendendo esse tipo de artista, músicos de qualidade muito, mas muito acima da média ainda são "desconhecidos" pelo grande público. Esse é o caso do MARENNA, e que, felizmente parece estar mudando esse quadro. Após seus trabalhos, o EP "My Unconditional Faith" (2015) e o excelente álbum "No Regrets" (2016), o grupo capitaneado por Rodrigo Marenna lança LIVIN' NO REGRETS (2018), um ótimo registro ao vivo de uma banda de qualidade e técnica ímpar!

           Após 18 meses de divulgação da "No Regrets Tour" que incluiu apresentações na Argentina, o grupo formado por Rod Marenna (vocal), Aaron Alves (guitarra e vocal), Arthur Appel (baixo e vocal) e Gionatan Sandi (bateria), registrou uma apresentação realizada em Caxias do Sul (RS) e que contou com as participações especiais de Sasha Z (guitarra solo), Mauricio Pezzi (teclados) e Jonas Godoy (guitarra e vocal). A captação do show foi feita por Juliano Boz (Digital Master Studio), enquanto que a produção, mixagem e masterização ficaram sob a responsabilidade do baixista Arthur Appel no estúdio Broken Glass de Caxias do Sul. E ao final da audição, temos um belo registro de como uma banda Hard/AOR/Melodic Rock deve soar ao vivo: técnica, "pesada" e livre de amarras, totalmente solta e á vontade no palco.

           Contendo 14 faixas (contando com uma pequena introdução) o trabalho traz todas as faixas registradas pelo grupo nos dois trabalhos anteriores. Mesmo sendo um álbum bastante homogêneo, podemos destacar faixas fantásticas como "You Need To Believe" (sem nenhuma dúvida, uma das melhores faixas compostas pelo grupo e que não fica devendo nada para o que grandes medalhões do estilo vem compondo ultimamente), "Can't Let You Go", dona de um alinha de guitarra fantástica e com um refrão que depois da primeira audição, não sai mais da cabeça, "Never Surrender", que traz uma linha um pouco mais pesada (dentro do estilo do grupo), "Reason To Live" , outra faixa com um daqueles refrãos grudentos e dona de uma melodia contagiante, a bela "fall in Love Again", que em estúdio foi produzida pelos irmãos Busic (Dr. Sin) e aqui contou com a participação de Sasha Z no solo, "Keep on Dreaming", que escancara de vez o talento do grupo para criar melodias fantásticas, a bonita levada de "Forever", assim como a de "About Love". Cabe ainda destacar a "balada" "Like An Angel", presente no EP de estréia e o encerramento com "No Regrets".

              LIVIN' NO REGRETS teve seu lançamento digital através da Sony Music, enquanto que a distribuição física no Brasil etá sendo feita pela Voice Music. No restante do mundo, a distribuição será feita pela Rock Company. Este álbum, mais do que um registro ao vivo, é a celebração do talento de uma banda que como poucas sabe como fazer Hard/AOR de qualidade. O MARENNA é um grupo indicado não apenas para os fãs do estilo, mas sim, para todo fã de música bem feita e de qualidade!





               Sergiomar Menezes

segunda-feira, 26 de março de 2018

GAMMA RAY - ALIVE '95 (ANNIVERSARY EDITION) (2017)



                  E chega por aqui mais uma edição comemorativa de aniversário dos trabalhos do GAMMA RAY. Dessa vez, temos o sensacional ALIVE '95, o primeiro trabalho ao vivo do grupo, gravado durante a turnê de Land of the Free (1996) - e que logo mais ganhará sua análise por aqui - e que tem seu lançamento nacional através da parceria Shinigami Records/earMusic. Após 5 trabalhos de estúdio, era chegada a hora de uma das maiores badas de power metal mundial registrar suas performances ao vivo. E assim o fez, gravando um dos melhores ao vivo do estilo! E para deixar esse relançamento ainda mais especial, essa edição é dupla, trazendo um CD bônus ao vivo que pela primeira vez está sendo disponibilizado mundialmente.

                        Durante a turnê onde ocorreu a gravação do álbum, a banda era formada por Kai Hansen (vocal e guitarra), Dirk Schlachter (guitarra/teclado), Jan Rubach (baixo) e Thomas Nack (bateria). E se, quando de seu lançamento original, em 1996, a produção ficou sob os cuidados da dupla Hansen e Schlachter, aqui, como em todos os outros relançamentos do grupo, a remasterização foi feita "requintadamente" por Eike Freese. Com uma nova capa, bem diferente da original que era bastante simples, mas funcional, o trabalho é mais do que um presente aos fãs, pois além de trazer ALIVE '95, temos o CD bônus que traz 06 faixas ao vivo, contando com os vocais de Ralph Scheepeers e que anteriormente havia sido lançado apenas na versão norte americana do álbum.

                  Com um setlist baseado em Land of the Free (afinal, o grupo estava na turnê de divulgação do álbum), no CD 01 temos uma performance bem entrosado por parte do então quarteto. Land of the Free, Man on a Mission, Rebellion in a Dreamland, Space Eater, Tribute to the Past, Heal Me e Lust for Life (só pra citar alguns clássicos), recebem ao seu lao os cover de Ride The Sky e Future World do Helloween, bem como de Heavy Metal Mania do Holocaust, deixando uma apresentação fantástica ainda mais especial. No CD 02, temos 06 faixas com os vocais de Ralph Scheepeers. Changes, Insanity and Genius, Last Before the Storm e Heading For Tomorrow, gravadas em 1993, também foram remasterizadas no ano passado por Eike Freese, e ganharam ainda mais qualidade.

                         ALIVE '95 é um registro histórico de uma banda que estava em um grande momento. Músicos bem entrosados, com um repertório cheio de clássicos e agora, remasterizados, ganham ainda mais força. O GAMMA RAY sabe como presentear seus fãs. Se o aniversário é do álbum, quem faz a festa são os fãs. E nada mais justo, não é mesmo?




                    Sergiomar Menezes

domingo, 25 de março de 2018

BLACKNING - EYES IN THE MIRROR (EP) - (2017)



             É com grande satisfação que tenho a honra de resenhar o terceiro trabalho do BLACKNING. Aqui no REBEL ROCK, tive a oportunidade de resenhar os dois primeiros álbuns - á saber, Order of Chaos (2014) e AlieNation (2016), e agora, este belo EP contendo três grandes faixas. EYES IN THE MIRROR teve tiragem limitada e serviu para fortalecer o nome do grupo antes de embarcar para sua primeira turnê européia. Tendo sido apontada como uma das grandes promessas do Thrash Metal nacional pela mídia especializada, podemos afirmar com toda a certeza que o grupo é muito mais que uma promessa. É sim, uma das grandes bandas do Thrash Metal brasileiro!

          A banda hoje é formada por Cléber Orsioli (vocal e guitarra), Zozi Fernando (guitarra), Ricardo Brigas (baixo/ backing vocal) e Elvis Santos (bateria/ backing vocal). Se existia alguma dúvida se a mudança de formação poderia alterar o poder de fogo do grupo, ela não existe mais. A banda soa bastante coesa e entrosada. Com uma produção na medida pro Thrash visceral e agressivo do grupo, as três faixas provam que a banda continua firme e forte em sua batalha em prol do metal nacional. A capa, segue a mesma linha adotada nos dois trabalhos anteriores, mantendo o logo e com uma boa e interessante mistura de cores.

                Crowd Control abre o EP e já vem com aquele soco na boca do estômago característico do agora quarteto: brutal, agressivo, pesado e empolgante! Agregando influências variadas na faixa, percebemos o cuidado da banda em não abandonar sua identidade, agregando elementos do death e até mesmo do hardcore, criando uma verdadeira aula de porradaria! A segunda faixa, Eyes in The Mirror, que dá nome ao EP é outro belo exemplo de como uma banda de Thrash metal deve soar. Pesada, a composição tem nos vocais de Cléber seu destaque. mais curta, a faixa tem riffs inspirados, além de solos no melhor estilo Bay Area (Exodus à frente). Já a terceira faixa, Mean Machine, é um cover dos mestres do Motörhead e ficou tão boa quanto a original! Com toda a certeza, Deus deve ter ficado feliz, degustando mais uma bela dose de Jack Daniels enquanto comprova que seu trabalho por aqui atingiu o objetivo.

                 Com esse EP, a BLACKNING comprova que não é apenas mais uma promessa no cenário brasileiro. A banda já pode, e deve, ser considerada como um dos grandes nomes da cena metal nacional. EYES IN THE MIRROR mostra que o próximo trabalho virá tão destruidor quanto os anteriores. Nosso pescoço agradece!




               Sergiomar Menezes