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terça-feira, 24 de abril de 2018

BLACK PANTERA - AGRESSÃO (2018)



                Seguindo firme em sua proposta de fazer m som pesado e agressivo, praticando uma mistura mais do que interessante de Punk/HC com Metal (princialmente com o Thrash), o grupo mineiro BLACK PANTERA chega a seu segundo trabalho mostrando uma evolução. Mas se você pensa que isso pode ter acarretado em uma "amenizada" na sonoridade do grupo... Ah, meu amigo... De forma alguma! AGRESSÃO soa tão ríspido, violento e insano quanto o trabalho de estréia do trio. Estão presentes aqui toda a fúria e intensidade do grupo, bem como suas letras ácidas e críticas, que se tornaram uma das principais características da banda. Após participar de shows ao lado bandas nacionais de renome no cenário, o grupo este em turnê pela Europa, o que lhe possibilitou uma maior experiência, que acabou se refletindo em um álbum mais maduro, mas ao mesmo tempo dono de uma aura extremamente agressiva.

                       Charles Gama (vocal/guitarra), Chaene Gama (baixo) e Rodrigo Augusto (Pancho) (bateria), formaram o grupo em 2014 e em apenas 4 anos já lançam seu segundo álbum. Pode parecer pouco, mas a banda mostra que tem consciência de seu potencial, trabalhando tudo a seu tempo. E trabalho é o que não tem faltado para o trio, aja visto a quantidade de shows que o trio fez após o lançamento do álbum de estréia. Tendo seu trabalho divulgado de forma profissional fora do país (Europa e América do Norte), o trio apresenta em AGRESSÃO, 11 faixas onde a adrenalina e a fúria do Hardcore recebem a adição do peso e agressividade do Thrash, criando uma música intensa e cativante. Com uma produção suja e pesada, o trabalho mostra que uma banda pode, sim, evoluir sem perder sua identidade.

                   "Prefácio" abre o álbum e já deixa claro que a atitude do grupo segue a mesma: arrebentar as estruturas com aquela pegada típica do HC. Com um começo mais trabalhado e pesado, a faixa ganha velocidade em vários momentos, alternando em passagens mais aceleradas. "Alvo na Mira" já possui na velocidade e agressividade seu destaque. A letra da composição possui uma crítica ao momento atual de nossa sociedade, onde estamos diariamente sendo o "alvo na mira". Interessante perceber que o grupo procura sempre expressar em suas letras sua opinião sem se importar com o que vão pensar a respeito. "Extra" traz riffs ríspidos, com uma pegada quase death metal (sem exageros, apenas fazendo uma comparação com a própria banda), principalmente no início. E se no primeiro álbum tínhamos o chute na cara "Bota pra Fuder", agora temos "Foda-se". Outra porrada que não faz nenhum tipo de concessão, deixando ainda mais claro o posicionamento do trio em relação à hipocrisia da sociedade atual. "O Poder para o Povo" traz mais um momento cheio de raiva e brutalidade, que alterna passagens mais cadenciadas. E aqui cabe um destaque para a cozinha do grupo, pois Chaene E Ricardo mostram um entrosamento muito bom, e além disso, deixam as faixas ainda mais pesadas, mesmo fazendo uso da velocidade.

                  "O Sexto Dia" nada tem haver com a Bíblia ou literatura e sim, àquele fatídico dia do mês em que o salário já era... Bem sacada, a letra mostra a realidade da maioria da população brasileira. Agregado à isso, uma levada pesada e cadenciada deixa tudo na medida. "Onde os Fracos Não Têm Vez" é outro belo momento HC do trabalho. "Seasons", apesar do nome, é cantada em português também, o que mostra a preocupação do grupo em passar sua mensagem, mesmo tendo seu trabalho divulgado lá fora. "Baculejo" é a faixa mais agressiva do CD. Ricardo incorpora várias influências aqui. Punk/HC, Metal, Thrash, Death... E essa "salada" deu muito certo dentro da execução da faixa. A rifferama comanda "Último Homem em Pé", uma faixa digna de entrar no setlist da banda e nunca mais sair. Não tem como ouvir essa faixa e não sentir vontade de quebrar tudo à sua volta. Que porrada! "Granada" encerra o trabalho e é uma faixa instrumental que condensa as influências do grupo em um único local. Thrash, HC e até mesmo aquele "groove" que se mostrou mais tímido durante a execução do play, aparece aqui de forma mais expressiva. Destaque para Chaene que mostra desenvoltura e criatividade no baixo. 

                  Se existe aquele famoso "teste do segundo álbum", podemos dizer que o BLACK PANTERA passou com louvor. AGRESSÃO mostra uma banda que não perdeu sua identidade e que, ainda por cima, amadureceu mostrando evolução em suas composições. Um trabalho que merece  e deve ser apreciado pelos fãs de música pesada, direta e agressiva!




               Sergiomar Menezes

domingo, 22 de abril de 2018

ATTOMICA - THE TRICK (2018)



             Estamos apenas nos primeiros meses de 2018. Mas uma certeza já podemos ter: THE TRICK, álbum lançado pelo ATTOMICA vai figurar em TODAS as listas de Melhores do Ano da mídia especializada. E não tem como ser diferente! Pense num álbum de Thrash Metal que possui tudo aquilo que o estilo pede: riffs violentos, agressivos e pesados, baixo/bateria totalmente entrosados e muito pesados e um vocal que se encaixa perfeitamente na proposta. além disso, as composições presentes em THE TRICK mostram que o grupo, apesar de todos os problemas que enfrentou ao longo desses anos, continua sendo um dos melhores do nosso cenário. Duvida? Escute no volume máximo e deixe seu pescoço responder por você!

                  André Rod (vocal e baixo), Marcelo Souza (guitarra e backing vocal) e Argos Danckas (bateria e teclados) nos apresentam em 08 faixas, um trabalho repleto de garra e energia, como só as verdadeiras bandas de thrash podem fazer. THE TRICK é um álbum homogêneo, mas logo de cara podemos citar dois pontos que s e destacam. O excelente trabalho de guitarra, muito bem timbrada e com uma veia thrash, que resgata uma pagada mais old school, mas que em nenhum momento soa datada (Marcelo Souza possui personalidade) e os vocais de André Rod que lembram bastante os de Dave Mustaine (Megadeth). E isso parece ter dado um novo gás ao grupo, pois se encaixou de forma perfeita nas composições presentes aqui. Vagner Alba foi o responsável pela gravação, produção, mixagem e masterzação. E só há uma plavra pra descrever o resultado obtido aqui: perfeição! Tudo ficou nos eu lugar. Pesado, intenso, sujo e ao mesmo tempo, cristalino, THE TRICK é um trabalho que merce se tornar referência em temos de gravações via internet totalmente pasteurizadas. Já a capa é obra de Fábio Moreira em cima de uma idéia de André Rod. 

                  "Give Me The Gun" abre o álbum e já nos mostra que o poderio destruidor da banda continua intacto. Sabe aquela faixa que você ouve uma vez e quer ouvir de novo logo em seguida? O que dizer dos riffs presentes aqui? Agressivos, diretos e com uma pegada intensa, eles deixam tudo "mais fácil" para a cozinha sentar a mão na velocidade brutal da dupla André e Argos. Sério... Após ouvir a faixa, os riffs te farão apertar o play novamente... Ms não é só isso, pois a composição é bem trabalhado e com mudanças de andamento muito interessantes. Na sequência, "Feeling Bad" mostra a versatilidade do grupo ao alternar riffs mais agressivos com passagens mais trabalhadas. Apostando naquela levada tipicamente thrash, a faixa possui aquele clima característico e pesado, lembrando um pouco o já citado Megadeth (talvez pelos vocais de André), mas com a personalidade e intensidade própria do ATTOMICA. "Kill The Hero" é outro belo exemplo de como uma banda de Thrash pode soar atual e  moderna sem ter que incorporar "barulhinhos" e outras coisas "diferentes" em sua sonoridade para parecer "cool". A guitarra de Marcelo guia a faixa com maestria, algo que só grandes guitarristas podem proporcionar. Já "The Last Samurai"... Bom, o que dizer de uma composição que traz peso, agressividade, quebradeira, porradaria, técnica e muita criatividade, todas na medida certa? Essa com certeza será incorporada ao setlist para nunca mais sair... Que puta faixa sensacional!

                     "The Trick", a faixa título, também traz consigo um belo apanhado das características da  banda. Peso e muita técnica, aliados à linhas de guitarras muito bem exploradas, mostram a qualidade dos músicos sem que se precise cometer nenhum tipo de exagero. Até mesmo um um violão com influências do flamenco surge de forma bem interessante durante a execução da faixa. "Endless Cycle" vem em seguida, e "quebra" o clima mais brutal que vinha acompanhando o CD até aqui. Mas essa "quebra" é no bom sentido, pois estamos falando de uma composição elaborada, com um começo mais leve, que ganha peso e intensidade durante sua execução, mostrando mais uma vez (como se fosse preciso) toda a capacidade criativa e técnica do trio. "Land of Giants" é uma faixa instrumental. Mais cadenciada, a composição tem uma linha um pouco mais melódica. O encerramento vem com "Mistery", faixa gravada em 2014 e que conta com os vocais de Alex Rangel, vocalista da banda, que faleceu de forma trágica. mais do que uma homenagem, a composição fecha o trabalho de forma sublime, pois resgata o trabalho de Alex, mostrando respeito e gratidão. 

                      Sem muito mais a dizer, o ATTOMICA, não satisfeito em ter gravado um dos maiores clássicos do Thrash Metal nacional (DISTURBING THE NOISE, 1991), nos presenteia agora com essa pérola chamada THE TRICK. Um álbum perfeito, digno de reconhecimento não apenas pelos fãs do grupo, mas por todo apreciador de heavy metal. Se você ainda não conhece o trabalho do grupo (algo que, sinceramente, não acredito), corra trás agora e descubra uma das melhores bandas do Thrash Metal brasileiro. Se você já conhece.. bem, não tem nenhuma novidade naquilo que escrevi aqui não é mesmo???




                Sergiomar Menezes


quinta-feira, 12 de abril de 2018

BELPHEGOR - TOTENRITUAL (2017)




                     Para todos aqueles que sempre duvidaram que não haveria um sucessor de peso que compensasse o desempenho pouco satisfatório de "Conjuring The Dead (2014)", a horda austríaca BELPHEGOR de maneira como sempre fez, reorganizou as idéias e delimitou novas premissas e lançou um dos discos mais impressionantes de 2017. TOTENRITUAL, lançado por aqui pela parceria Shinigami Records/Nuclear Blast, é um apanhado de idéias tão intenso e tão coeso que nos arremete à fase "Bonfage Goat Zombie (2008)" em todas as suas particularidades (peso, técnica, brutalidade e cadência). Mas o que esse disco pôde trazer de novidade que os outros não o fizeram?! Vamos à eles:

                   O que todos precisam entender sobre o BELPHEGOR, primeiramente, é que eles NUNCA se repetem! Parece difícil de acreditar, mas é verdade! Os caras são tão focados em uma evolução musical, tanto pela qualidade sonora quanto pelas temáticas abjetas mas presentes (e constantes) do mundo do Underground. Dito isto, em segundo lugar, lhes digo que a horda utiliza de uma constante crescente nas suas faixas onde focam cada vez mais na brutalidade atroz e delimitada por riffs marcantes e blast beats cada vez mais velozes.
                          
                            Sem nenhum segredo, o que mais me impressionou nesse disco é a tamanha técnica utilizada em quase todas as faixas. Eles sabem que se fosse utilizada em todas do disco, ele ficaria enjoativo e com pouca repercussão, visto que é por isso que eles sempre colocam um instrumental bem básico em cada disco para dar essa "quebra". Contando com nove faixas, TOTENRITUAL representa o primor e a versatilidade de uma horda que sempre ousou evoluir sem estagnar. Pode ser difícil de acreditar (e muitos realmente não acreditam), mas quem se propõe a fazer Death/Black Metal como eles, não pode nunca repetir a premissa em todos os discos, ou então, serão apenas "só mais uma horda". O diferencial do BELPHEGOR, particularmente falando, é a força de vontade e honrar o Metal Extremo em todas as suas esferas.

                      Em suma, penso eu que se esse disco já foi uma "porrada" sem fim, imaginem o próximo como poderia ser. Aguardemos ansiosos por esse momento.




                   Aldemar Ferreira