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sexta-feira, 4 de maio de 2018

TAKKEN - SEEDS OF ANGER (EP) (2017)



                Impossível ficar indiferente quando se ouve um trabalho como esse! Sabe aquela vontade de sair quebrando tudo ao seu redor? É exatamente isso que sentimos ou colocar pra rodar SEEDS OF ANGER, EP de estréia do grupo TAKKEN! Thrash metal visceral, agressivo, brutal, violento... defina como quiser. Mas o que a banda apresenta em apenas três faixas, coloca muita, mas muita "grande" no bolso. Guitarras primorosas, que trazem consigo riffs perfeitos, são a base de toda a classe e categoria que o quinteto mostra aqui. Aliás, formada em 2015, por nomes conhecidos e reconhecidos dentro do cenário (músicos de bandas como Scars, ChaosFear), a banda se prepara para lançar seu full lenght agora em 2018. E a julgar pelo que ouvimos neste EP, podemos esperar algo de altíssimo nível!

                  Régis F. (vocal), Fernando Boccomino (guitarra), Eduardo Boccomino (guitarra), André Sterzza (baixo) e Billy Houster (bateria) trazem a proposta de fazer um thrash metal que resgata as raízes do estilo, tendo por base a década de 80, mas agrega uma sonoridade bastante atual, criando uma música vibrante e dinâmica. Na época da gravação do EP (realizada no Loud Factory Studios, sob o comando dos produtores Wagner Meirinho e Tiago Assollini), o grupo era um quarteto, pois não contava ainda com as seis cordas de Edu Boccomino. E se com apenas uma guitarra, o poder de destruição do grupo já era devastador, imaginem agora? E também cabe ressaltar que  a produção não ficou menos que sensacional, pois soube valorizar o peso e a agressivdade do grupo de forma bem consistente.

                      "Die By Your Faith" já começa a devastação com os dois pés na porta! Que riff, meu amigo. Que riff! Sabe aquele thrash à moda antiga, mas que não soa datado e nem deslocado do contexto atual? É isso que temos nessa baita música. A cozinha do grupo, composta por André e Billy (baixo e bateria, respectivamente) mostra coesão e entrosamento, caprichando numa base bem sólida e pesada. Já Régis F. possui um vocal bem característico. Quem conheceu o seu grupo anterior, o espetacular Scars, sabe bem o que estou dizendo... "Political Genocide", mostra que não é apenas na esfera musical que o grupo apresenta qualidade. Sua preocupação com as letras também merece destaque, pois a abordagem vai desde o contexto atual da política, religião até as guerras e as grandes transformações que acontecem em nossa sociedade. Mais cadenciada, a faixa mostra a versatilidade da banda em explorar os limites do estilo. "Taken By Hate" também vai por essa linha mais cadenciada, mas nem por isso perde peso e brutalidade. Mais uma vez, as guitarras mostram como devem soar em álbum de thrash metal! 

                      O TAKKEN precisa urgente lançar um álbum completo. Um grupo com a qualidade e sangue no olho como ele não pode ficar restrito à apenas três faixas. Os fãs de um dos estilos mais fodas do planeta aguardam ansiosos pelo full lenght. Que venha o quanto antes. Nossos pescoços agradecem!






                  Sergiomar Menezes

quarta-feira, 2 de maio de 2018

CORRAM PARA AS COLINAS - CORRAM PARA AS COLINAS (EP) (2016)



                  Formada em 2012 em Curitiba/PR, a banda CORRAM PARA AS COLINAS conta em sua formação com músicos importantes da cena underground daquela cidade. Praticando um stoner com uma pegada bem metal (principalmente no que diz respeito as guitarras), o trio lançou seu EP de estréia em 2016 e mostrou, logo de cara, que a classe e o bom gosto nas composições fazem a diferença dentro do estilo proposto pelo grupo.

                     Márcio D'ávila (vocal e guitarra), Gustavo Slomp (vocal e baixo) e André Wlodarczyk (bateria) lançaram em 2014 duas faixas (que surgem como bônus neste EP), deixando claro aquilo que pretendem: fazer um som pesado, sujo e sem concessões. Com uma veia próxima do heavy metal, o trio aposta em um stoner cheio de personalidade, que ganha ainda mais identidade ao ser cantado em português. A produção ficou boa, uma vez que priorizou o peso e "sujo" do grupo, mas que não transformou isso em uma massa sonora e disforme, o que acontece em algumas produções que confundem "sujeira" co  barulho.

                     Sem se preocupar com rótulos, o EP abre com a faixa "Dilúvio", com guitarras pesadas e bem timbradas. Sem muita invencionice, o trio investe forte no peso, com uma levada mais arrastada e uma certa dose de psicodelia na parte do refrão, o que cria um clima bem interessante. Na sequência, Temos "Pedras", com destaque para  a cozinha composta por Gustavo e André, que sentam  a mão, numa base sólida e pesada. Com momentos variados em sua execução, a faixa é um dos bons momentos do trabalho. A distorção comanda "Desalmado", outro belo exemplo de como o gruo consegue impôr sua personalidade dentro de suas composições. Com um andamento mais cadenciado mas que ganha alternância com outros bem acelerados, o trio mostra desenvoltura em sua execução. "Vida Torta" possui boas idéias, mas durante sua execução parece se perder, fugindo um pouco da linha que a composição seguia em seu início. Acaba sendo o ponto mais "fraco" do trabalho. Já " A Marcha" é um "rockão", estilo anos 70, com uma veia hard, cheia de distorção.  Temos ainda as duas faixas bônus, que forma lançadas pelo trio em 2014. "Rival" e "Porco Vesgo", que ficaram um pouco aquém das demais, principalmente pel aprodução, que destoa das presentes no EP.

                     O grupo CORRAM PARA AS COLINAS se mostra uma boa opção para quem curte um rock/metal/stoner pesado e direto, sem influências "modernas". Com personalidade, o trio dá mostras que tem um belo futuro pela frente. Ficamos no aguardo dos próximos trabalhos para que essa expectativa se confirme!





                     Sergiomar Menezes

terça-feira, 1 de maio de 2018

KADAVAR - ROUGH TIMES (2017)



               A banda alemã KADAVAR chega ao seu quarto álbum de estúdio praticando uma música bastante intensa. Calcado naquele hard dos anos setenta e com muita personalidade (e é preciso que fique claro: ter influência e identidade, não é pra qualquer um), ROUGH TIMES, lançado por aqui pela Shinigami Records, mostra um grupo que sabe, como poucos, somar suas influências, criando uma sonoridade bastante significativa. Formada em 2010 e dona de uma performance ao vivo cheia de energia, a banda vem numa constante evolução e apresente neste álbum, seu trabalho mais maduro e consistente.

                Lupus Lindemann (vocal e guitarra), Simon "Dragon" Bouteloup (baixo) e Tiger Bartelt (bateria) gravaram o álbum sob o comando do baterista Tiger e de Richard Behrens no Blue Wall Studio, em Berlin, capital do país natal do trio. A mixagem também ficou por conta do baterista que além de tudo isso, ainda dividiu o trabalho de masterização com Nene Baratto. Ou seja, se tem alguém que sabe como o grupo deve soar é Tiger Bartelt. E podem acreditar que ele sabe! Com uma sonoridade suja e bem pesada, o álbum tem aquela aura setentista, onde a mistura entre o hard e o heavy se completam de forma bem homogênea. Já a capa... Bom... Nem tudo é perfeito, não é mesmo? Apesar de se encaixar na proposta, bem que a arte poderia ser um pouquinho mais trabalhada... Mas isso não atrapalha em nada o resultado final do trabalho.

                   Iniciando com a faixa título, o grupo já dá mostras de sua constante evolução. Pesada, com toques psicodélicos e vocais cheios daquele feeling setentista. Alternando momentos mais acelerados ou outros mais "quebrados", a composição tem uma forte pegada. "Into The Wormhole" começa com aquele baixo "gordo", cheio de distorção e ganha um diferencial pelos vocais de Lupus, que mostram que o vocalista poderia tranquilamente integrar alguma banda da década de ouro da música. Pesada e viajante, "Skeleton Blues" é uma das melhores faixas. Dona de linhas bem interessantes, a música condensa de forma simples e direta toda a sonoridade do trio alemão. Se a faixa anterior possuía mais peso, "Die Baby Die" possui uma levada bem mais próxima do hard, dando destaque para o ótimo trabalho de guitarras de Lupus, que mostra que o rock psicodélico corre livremente em suas veias. "Vampires" também segue essa linha, mas com uma pegada mais "stoner".

                "Tribulation Nation" mantém  apegada anos 70, e aqui, merece destaque a cozinha composta por Simon e Tiger. Simples, mas bem eficiente, a dupla não deixa dúvidas que a cozinha do bom e velho Sabbath é mais do que uma influência  e sim uma referência. E tome riffs na escola Tony Iommi em "Words of Evil". Impossível não fazer essa ligação. "The Lost Child" dá uma quebrada no clima mais pesado, mas nem por isso dispensa a atmosfera setentista que envolve o trabalho. Outro grande momento do álbum é "You Found the Best in Me", com belas passagens melódicas e acústicas, mostrando a versatilidade do grupo na hora de compôr."A L'ombre du Temps" é o ponto mais fraco do trabalho, pois não traz nada que possa ser um diferencial, como todas as outras faixas presentes no CD. A versão nacional se encerra com "Helter Skelter" dos Beatles, o primeiro heavy metal da história. Com personalidade, o grupo soube imprimir sua identidade na releitura, com calsse e bom gosto.

                       O KADAVAR mostrou ROUGH TIMES que mesmo buscando resgatar uma sonoridade setentista, o grupo imprime sua identidade de forma consistente. Sem deixar nenhum tipo de dúvidas quanto á sua qualidade, a banda se destaca com todo o merecimento dentro do cenário da música pesada. Fãs de stoner, psicodelia e porque não dizer, de doom, tem mais uma excelente opção para abrir seus horizontes.




               Sergiomar Menezes