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quarta-feira, 1 de maio de 2019

FORKILL - THE SOUND OF THE DEVIL'S BELL



                      Quem lê esse blog ou acompanha a opinião deste que vos escreve sabe bem o que penso a respeito do Heavy Metal brasileiro, em especial, das bandas nacionais. Nós, na maioria das vezes, preferimos aplaudir bandas medianas que vem lá de fora, que costumam tocar em locais minúsculos, mas que, sabe-se lá o por quê, ostentam um status que não possuem ao chegar aqui. Muitas vezes, fazem exigências para tocar aqui, as quais lá fora, nem pensam em fazer. Mas, ao dizer isso, só quero expressar o quanto acabamos perdendo ao não valorizarmos nossos talentos. E, sendo absolutamente sincero, esse novo petardo do quarteto carioca FORKILL só vem a corroborar aquilo que digo. THE SOUND OF THE DEVIL'S BELL é um primor de álbum de THRASH METAL! Sabe aquele típico thrash Bay Area, raivoso, visceral, trabalhado e muito agressivo? É isso que encontramos no segundo disco do grupo, onde não apenas a música fala por si, mas tudo mais que envolve um trabalho profissional e carregado de técnica.

                 Formada por Matt Silva (vocal e guitarra), Ronnie Giehl (guitarra), Gus N.S. (baixo) e Rodrigo Tártaro (bateria), a banda apresenta 13 faixas, contando com uma introdução e uma bônus track, repletas daquilo que de melhor o Thrash trouxe ao metal: Riffs! Sim, o álbum é repleto de riffs insanos, ríspidos e agressivos, como todo disco de Thrash Metal tem que ser! Além disso, o trabalho vem numa bela embalagem, contando com um pôster, adesivo, palhetas... Profissionalismo que deve servir de exemplo pra muita banda aí que pensa que é grande, mas que não sabe nem lidar com seu próprio trabalho. Gravado no Estúdio HR, no Rio de Janeiro em janeiro dese ano. Produzido, mixado e masterizado por Daniel Escobar, que contou com o auxílio de Ronnie na co-produção, e soube deixar a sonoridade do grupo sujo, pesada e ao mesmo tempo, precisa e bem direta. A capa foi obra de Rafael Tavares e combinou muito com a música presente no trabalho. Resumindo: Não bastasse a música, que é excelente, o conjunto dá obra da ainda mais respaldo para dizer que estamos sim, diante de um dos melhores álbuns nacionais de 2019!

                    A intro "Succubus Lament" abre o álbum e nos prepara para o primeiro soco na boca do estômago. "Emperor of Pain" já começa na melhor tradição da Bay Area, veloz, agressiva e com riffs sujos, onde as guitarras chegam a nos lembrar a melhor dupla do Thrash Metal americano (pra quem não sabe, estou falando de Gary Holt e Rick Hunolt, os mestres supremos do Exodus), o que se comprova pela divisão dos solos entre Ronnie e Matt. Na sequência, uma faixa que, "Let There Be Thrash", uma faixa que tem tudo para se tornar um clássico do metal nacional. Letra, levada, riffs... que baita música! Impossível alguém que se diz fã do estilo ficar indiferente a essa faixa. Com momentos mais variados, mas carregada de peso e solos destruidores, a composição é um dos grandes (e inúmeros) destaques do álbum. "Keepers of Rage" vem em seguida e possui um andamento mais cadenciado, mostrando que o entrosamento da cozinha composta por Gus e Rodrigo (baixo e bateria, respectivamente) garante o peso na dose certa. "When Hell Rises", traz também um andamento mais cadenciado, carregado de peso, lembrando (pelo seu andamento, clássicos co Inner Self, Blacklist, entre outros). O vocal de Matt aqui ganha uma dose extra de agressividade, algo que acrescenta mais intensidade a faixa. "Warlord" inicia com uma narrativa vinda das profundezas do inferno, para em seguida assumir riffs totalmente thrash, com momentos bem trabalhados durante sua execução. Além disso, o refrão é daqueles que nos fazem cantar junto com a banda. A acústica "Leviathan" serve como uma espécie de intro, que nos prepara para a segunda parte do trabalho.

                     "R.E.D. (Requiem Endless Devil)" é outro petardo, onde as guitarras da dupla Ronnie e Matt assumem o comando, massacrando os tímpanos mais delicados. E aqui cabe um comentário mais específico. Disco de Thrash tem que ser voltado para as guitarras, não tem como ser diferente. Tem muita banda grande, mainstream por aí, que parece ter esquecido disso... A faixa ainda traz um solo inspirado de Ronnie que carrega consigo influências dos mestres Gary Holt e Kerry King. "Killed at Last" resgata um pouco daquela atmosfera anos 80, época em que o Thrash era feito com o coração, deixando de lado aquela necessidade de agradar aos que não tem intimidade com o estilo. Assim como "Old Skullz", que, além dos riffs viscerais, entra com os dois pés na porta, mostrando que se tem um estilo que sabe ser mortal e verdadeiro, esse estilo é o THRASH METAL! "In Your Face", segue a mesma linha de "Killed at last", mas tem em sua execução um momento mais intenso e trabalhado, com destaque para o baterista Rodrigo que senta a mão sem piedade em seu kit. "Knights of Apocalypse", também acústica, encerraria o álbum, mas temos a bônus "Vendetta", que fecha o álbum em grande estilo, do jeito que começou, despejando riffs agressivos, e com uma levada perfeita para o mosh!

                  THE SOUND OF THE DEVIL'S BELL é um trabalho perfeito para os amantes daquele Thrash Metal que consagrou bandas como Exodus, Overkill, Death Angel, e até mesmo Slayer. O FORKILL soube como poucos agregar suas influências e moldar sua personalidade nos entregou um álbum que, sem nenhuma dúvida, entre os melhores do ano em todas as listas da mídia especializada. A não ser que, mais uma vez, esqueçamos de dar o devido valor e reconhecimento ao metal brasileiro... A banda, nos créditoa dedica o trabalho a todos os headbangers que lutam para que o metal nunca deixe de existir. Se bandas como o FORKILL seguirem na batalha fazendo álbuns desse nível, o metal continuará resistindo!

         



                    

                   Sergiomar Menezes

domingo, 7 de abril de 2019

GRAVEYARD - PEACE (2018)



               Não é preciso ser um expert em música para saber que os anos 70 foram os mais importantes para o Rock n' Roll. Basta analisar a quantidade clássicos surgidos naquela década, além do que, as bandas entravam em estúdio a cada seis meses  e apresentavam trabalhos de extrema relevância. Bem ao contrário do que vemos hoje em dia... Mas algumas bandas parecem ter resgatado, pelo menos, o espírito daquele período, e uma delas atende pelo nome de GRAVEYARD. Formada em 2006 na Suécia, a banda traz um híbrido daquela década, unidas à psicodelia, peso e também à doses generosas de Hard Rock, o que encontramos em PEACE, quinto álbum de estúdio do grupo, que chega por aqui pela parceria Shinigami Records/Nuclear Blast.

                        Joakim Nilsson (vocal e guitarra), Jonatan La Rocca Ramm (guitarra e backing vocal), Truls Mörck (baixo e backing vocal) e Oskar Bergenheim (bateria e percussão) chegaram a encerrar as atividades do grupo em 2016, mas para a sorte dos amantes da boa música, resolveram voltar atrás e retomar a carreira. Com uma pegada suja, mas ao mesmo tempo bem executada e cheia de feeling, PEACE traz ótimos momentos, ainda que não tenha a mesma intensidade e brilhantismo de seu antecessor, o excelente "Hilsingen Blues" de 2011. Cabe ressaltar que o baixista Truls Mörck assume o vocal principal em duas faixas, o que mostra a versatilidade do músico, bem como de todos na banda que se mostra bastante técnica e bem entrosada.

                       Mesmo sendo um trabalho bastante homogêneo, PEACE tem alguns destaques, dentre os quais "Please Donn't" que saiu como single antes do lançamento, mostra uma banda pesada e com alguma coisa de Black Sabbath, principalmente pelas guitarras da dupla Joakim e Jonatan, "Cold Love", com traços psicodélicos trazendo um perfeito entrosamento da cozinha composta por Truls Mörck e Oskar Bergenheim, a bela melodia de "The Fox", assim como "Bird of Paradise", a pegada blues de "Del Maniac", bem como "A Sign of peace", um daqueles "rockões", característicos do grupo e que mostram de forma sucinta a diferença entre saber dosar suas influências dentro da sua musicalidade.

                        Em seu quinto trabalho, o GRAVEYARD mostra que tem todas as ferramentas para continuar sendo apontado como um dos nomes mais relevantes desse revival da musicalidade dos anos 70. Ao lado de nomes como Kadavar, Blues Pills, Rival Sons, Greta Van Fleet, entre outros, a banda prova que como diria o saudoso Chico Science "modernizar o passado é uma evolução musical". Duvida? Ouça PEACE e comprove!





                 Sergiomar Menezes

MINISTÉRIO DA DISCÓRDIA - ABISMOPORTAL (2018)




                Preciso ser sincero. Dá gosto de ouvir um grupo como o MINISTÉRIO DA DISCÓRDIA. Em primeiro lugar, porque o trio formado em 2007 soube incorporar suas influências à sua sonoridade de uma forma perfeita, unindo assim suas características próprias, criando uma personalidade e identidade únicas. Em segundo, porque a música feita pelo grupo é de uma qualidade absurda, daquelas que a gente ouve o CD e lamenta pelo fato de já ter acabado. Sim, é essa sensação que temos ao término da audição do pesado e intenso ABISMOPORTAL, segundo trabalho de estúdio da banda, uma junção dos mais recentes EPs do trio, lançado pela Shinigami Records no ano passado e que tem forte inspiração no Black Sabbath especialmente nos riffs do mestre Tony Iommi.

                             Maurício Sabbag (vocal/guitarra/violões/flauta transversal), Carlos Botelho (baixo) e Inácio Nehme (bateria) apresentam 11 faixas repletas de riffs inspirados, baixo e nateria marcados, tudo no melhor estilo anos 70, mas sem soar nenhum pouco datado, muito disso em virtude da ótima produção realiada pela banda juntamente com Rafael Zeferino e Rafael Gomes, sendo que a mixagem e a masterização ficaram sob a responsabilidade de Rafael Gomes. O resultado ficou muito bom, vez que a guitarra de Maurício soa extremamente pesada e ao mesmo tempo nítida, algo raro nesse sentido. A capa e arte gráfica foram trabalhos de Silvio Senna. O que temos no final da audição é um trabalho único, firme e extremamente forte. Como o Heavy Metal (ou stoner, chame da forma que melhor lhe convir) deve soar.

                            "O Portal" abre o álbum condensando em uma única faixa todas as características do grupo: peso, agressividade, acidez e muito Black Sabbath nas guitarras. E isso não é problema, vez que o grupo não se limita a copiar ou imitar o quarteto inglês e sim, agrega sua influência de forma latente, moldando sua sonoridade. Na sequência, "Mensageiros da Desgraça" é aquele "rockão", com a guitarra à frente, munido de peso e velocidade, fazendo com que aquela famosa"air guitar" surja ao longo de sua execução. Um baixo "gordo" à la Geezer Butler surge em "O Espelho", uma faixa bem consistente, onde além do ótimo trabalho realizado pelo baixista Carlos Botelho, temos também a mão pesada de Inácio Nehme, que não tem a mínima piedade de seu kit. A rifferama de "Motim Elétrico" vem pra corroborar a idéia de peso, sujeira e ao mesmo tempo nitidez dos instrumentos numa bela junção desses três elementos, o que vem a ser uma das particularidades do som do grupo. Em seguida, "Fuga nº II", cover dos Mutantes, ganhou uma interpretação bem pessoal do grupo, sem que a canção perdesse suas características, transformando-a assim, em um dos grandes momentos do álbum.

                             
                             Não sei dizer se seria uma influência do punk, mas "O Que teria Acontecido a Baby Jane" traz essa certa urgência em sua sonoridade, pois trata-s e uma composição rápida, direta e sem concessões. Na sequência "Abrace a Discórdia" traz novamente o peso da guitarra de Maurício em perfeita sintonia com a cozinha, numa coesão que destaca ainda mais o peso das músicas do grupo. E também cabe ressaltar o timbre rasgado do vocalista, que se encaixa com perfeição no perfil do trio. E tome Sabbath em "Abismo", uma das grandes faixas do trabalho, dona de um peso fenomenal e com um andamento bem cadenciado, cria um clima perfeito para o mergulho nos anos 70. "Supremo Concílio" traz aquela atmosfera "doom", sombria e soturna, de forma densa, saindo um pouco do lugar comemu, trazendo à tona um pouco da percepção criativa do trio. "Orquídea Negra" arrastada, antecipa o final com "Perdidos" outro exemplo de como se alinhar influência/personalidade sem soar forçado.

                    
                   ABISMOPORTAL é um trabalho consistente e intenso, que mostra que o MINISTÉRIO DA DISCÓRDIA tem muita personalidade e criatividade. Composições fortes, bem estruturadas e muita garra e energia fazem do grupo um daqueles que não devem ser apenas observados, mas sim, apreciados. 




                     Sergiomar Menezes

COLETÂNEA ROADIE METAL VOL. 11 (2019)



                            Eis que um a das mais importantes coletâneas underground chega a sua 11ª edição. Novamente em CD duplo, a coletânea ROADIE METAL VOL. 11, traz um apanhado do que de melhor é feito no underground nacional, em mais um esforço do batalhador Gleison Júnior que parece incansável nessa luta de divulgar o metal brasileiro mundo à fora. Após quatro anos de atividades, a Roadie Metal chega a marca de 11 edições, sendo distribuída gratuitamente para todo o Brasil, além de alguns selos e gravadoras internacionais, mas infelizmente, segundo o próprio release, essa será a última edição desse formato.

                    Nesta derradeira edição, temos a participação de 29 bandas que apresentam seus trabalhos indo do Death Metal ao Metal Tradicional, passando pelo Hard Rock, Thrash Metal, Hardcore, Rock n' Roll, Groove Metal, Doom Metal, Symphonic Death metal, Punk Rock e Psychodellic Metal, de forma bem equilibrada e consistente. Obviamente que, em todo trabalho deste tipo, algumas variações nas produções da cada banda acabam por desnivelar um pouco o conjunto da obra, mas, de forma geral, esse 11º volume, se mostra um dos mais interessantes e melhor estruturados da série.

                         No CD 01 podemos citar como destaque o death técnico e bem trabalhado da banda DEATH CHAOS com a brutal e agressiva "Through the Eyes of Brutality", assim como o thrash agressivo do RAVENOUS MOB com "The Enemy Undying". Merecem destaque também as bandas LIVING LOUDER com seu Hard Rock com um pé nos anos 70 na faixa "The Crow", bem como a banda REFFUGO com seu death metal old school na porrada "Reffugo", o bom heavy metal da banda BORN TO KILL com "Goodbye Soldier", que pecou apenas na produção, que poderia ter deixado o som do grupo ainda mais intenso, mesma situação do grupo RHEGIA, com a faixa "Shadow Warrior", pois a produção mais abafada acabou tirando um pouco do brilho da composição. Ainda, temos o hardcore pesado, no estilo NYHC do grupo ANGUERE na faixa "Cadeia", o thrash "correria" do TIBERIUS PROJECT coma  faixa "You Bitch", o rock n' roll do grupo NOVO CHÃO, com a faixa "Terra dos Homens" e o heavy metal tradicional do grupo WAR MACHINE com afaixa "A New Kind".

                     Já no CD 02 podemos destacar o heavy metal do grupo KRAKKENSPIT, com a faixa "Fear My Name", que também poderia ter um poder de fogo bem maior com uma produção mais caprichada, o thrash/groove do MEDICINE FOR PAIN, na faixa "vendidas como Bonecas", uma porrada sem nenhum tipo de concessão, o death metal muito bem executado do HEAVENLESS na faixa "The Reclaim", o ótimo trabalho de guitarra do TORTURIZER na faixa "Slaughterhouse", um thrash metal arrasa quarteirão, o Hard Rock do grupo DIALHARD na faixa "Now You're Free", com destaque para a levada de baixo e ateria ue dita o ritmo da composição que apresentação uma sonoridade mais moderna, a banda EPITAPH, veterana no cenário metal nacional com a ótima "Something Better Than God", um dos grandes destaques da coletânea, o death metal por vezes arrastado e com pitadas mais modernas do THE DAMNED FLASH HUMAN com a faixa "Inferno", o excelente heavy metal da banda IN SOULITARY na faixa "Hollow" e o punk rock seco e direto dos grupos ZERO HORA e CxDxM, com as faixas "batina do papa" e "Como um Muro Inatingível", respectivamente.

                      Mais uma vez, a ROADIE METAL mostra sua relevância no cenário ao apresentar mais um bom número de bandas do nosso underground. Uma iniciativa que, conforme relatado anteriormente, parece ter sido a última. Esperamos que o selo repense com carinho na possibilidade de mantê-la, nem que seja de forma mais espaçada, pois os erviço que esse tipo de trabalho presta aos headbangers brasileiros é inestimável. O público heavy metal só tem a agradecer ao empenho e dedicação prestados até aqui. Longa vida à ROADIE METAL!



                  Sergiomar Menezes

MOB RULES - BEAST REBORN (2019)



                     Em mais de duas décadas de carreira, o MOB RULES chega agora ao seu nono trabalho de estúdio, apresentando o mesmo estilo que sempre permeeou sua estrada, aquele Poweretal que muitas vezes acaba se aproximando do metal melódico, mas sem cometer nenhum tipo de exagero, afinal, o grupo não pode ser taxado de inexperiente, não é mesmo? É isso que ouvimos ao longo das onze faixas presentes em BEAST REBORN, que chega ao mercado nacional através da parceria Shinigami Records/SPV Steamhammer. Bem construído e executado, o álbum mostra o porquê dos alemães se manterem firmes nessa longa estrada do heavy metal, num estilo que agradará aos fãs de Iron Maiden e Helloween.

                O grupo é formado por Klaus Dirks (vocal), Sven Lüdke (guitarra), Sönke Janssen (guitarra), Markus Brinkmann (baixo), Jan Christian Halfbrodt (teclados) e Nikolas Fritz (bateria) e mostra composições técnicas e bem estruturadas, num trabalho equilibrado e bem produzido, função essa que ficou sb a responsabilidade da própria banda, enquanto que a mixagem foi feita por Markus Teske e a masterização pelo renomado Jens Bogren. Esse conjunto nos entrega um álbum consistente, intenso e que, se não apresenta nada de inovador dentro do cenário, por outro, nos garante ótimos momentos, onde o Heavy metal característico do grupo se mantém constante ao longo da execução das onze faixas presentes aqui.

                        BEAST REBORN é um trabalho coeso e uniforme, mostrando um bom equilíbrio ao longo das suas composições. Podemos destacar faixas como "Ghost of a Chance", um power/heavy técnico e preciso, onde as guitarras assumem o papel principal, mas deixando espaço para o bom desempenho do tecladista Jan Christian, dosando de forma exata peso e melodia, assim como os riffs de "Shores Ahead", que apresentam peso, que ganham ainda mais destaque pelo ótimo trabalho da dupla Markus e Nikolas (baixo e bateria, respectivamente), que aliados aos vocais precisos e consistentes de Klaus Dirks, aparece com um dos destaques do trabalho. Além delas, podemos citar ainda a melódica "Sinister Light", que apresenta uma certa haronia calcada no Hard Rock, "Children's Crusade", power metal tipicamente alemão, a épica "War of Currents", o metal tradicional presente em "The Explorer", o peso de "Revenant of the Sea" e o encerramento com a bela "My Sobriety in Mind (For Those Who Left).

                        O MOB RULES consegue, ao longo de sua carreira, manter certa regularidade em seus lançamentos, mostrando assim, consciência do que quer e como fazê-lo sem que para isso precise mudar sua sonoridade, alinhado-se às mudanças de mercado. BEAST REBORN vai agradar sim, aos fãs do grupo mas também pode agradar aos fãs de Heavy Metal em geral, vez que sua música carrega influências de metal melódico, power metal e até mesmo Hard Rock. Portanto, saia do lugar comum e dê uma chance essa ótima banda!




            Sergiomar Menezes
                     


FACES OF DEATH - FROM HELL (2018)




                     O Brasil, não me canso de repetir, é um país estranho. Sem entrar no mérito da discussão política e me atendo apenas à questão musical, é perceptível que não temos uma noção exata da qualidade e capacidade criativa das bandas que temos nesse maltratado país. Enquanto procuramos grandes bandas lá fora, muitas vezes acabamos nos esquecendo de olhar para o próprio umbigo e deixamos de apreciar grupos que mostram muito mais qualidade que várias bandas gringas idolatradas por aqui. E, com a mais absoluta certeza, podemos encaixar o quarteto FACES OF DEATH nessa descrição. E ainda, a prova concreta e irrefutável dessa afirmação chama-se FROM HELL, lançado em 2018 pelo grupo paulista.

                 Praticando um Thrash metal vigoroso e influenciado pelo Sepultura (aquele que dava gosto em ouvir), o grupo é formado por Laurence Miranda (vocal e guitarra), Felipe Rodrigues (guitarra), Sylvio Miranda (baixo) e Sidney Ramos (bateria) e nos apresenta aqui 09 faixas repletas de ótimos riffs, pesados e sujos, mostrando que o Thrash Metal vai muito bem aqui pelas terras tupiniquins. O trabalho tem tanto destaque que figurou aqui, na lista de melhores do ano do blog, sem nem ter sido resenhado no ano passado. Mérito todo do grupo, que sabe como poucos encaixar suas influências sem perder sua personalidade agressiva e brutal. O álbum foi produzido pelo próprio grupo em parceria com Friggi Mad Beats, que também ficou responsável pela mixagem, enquanto que  a masterização se deu no Absolute Master. A capa e arte gráfica ficaram sob a responsabilidade de Raphael Gavrio.

                        O álbum abre com "Priest From Hell", uma pedrada dona de riffs absurdamente brutais e sujos, que possui uma variação de andamento perfeita, mostrando a versatilidade do grupo, que apesar do Thrash Metal na veia, não se prende a nenhuma limitação pré-estabelecida. Chega  até mesmo a ter momentos com certo groove, o que vem a corroborar o que foi escrito anteriormente. E "I Am the Face of Death", o clima soturno inicial dá lugar á um bate estaca violento, com uma pegada mais próxima, em alguns momentos, do death metal, mas sem exageros, pois a raíz thrash do grupo permanece intacta. Cabe destacar a ótima performance do guitarrista Felipe nessa faixa. Em seguida, "New World Order", entra com os dois pés na porta, numa brutalidade e agressividade extremas, carregadas de ódio e violência, como poucas vezes executadas no álbum, Não que o restante não possua essas características, pelo contrário. Mas aqui, elas assumen uma proporção gigantesca. "Fuck Human Gods" traz um pouco do groove de volta, mostrando a influência que o grupo fundado pelos irmãos Cavalera exerce na música da banda.

                          "Human Race", com guitarras nervosas, traz um ótimo trabalho da cozinha compsita por Sylvio Miranda e Sidney Ramos (baixo e bateria, respectivamente). A base pesada criada por ambos deixa tudo mais 'Fácial" para as guitarras de Laurence e Felipe. Assim com em "Brainwash", outro petardo, com pitadas de death metal contrabalanceadas pelo groove característico da personalidade da banda. Mas deixo claro que quando falo "groove" me refiro ao contexto em que ele se apresenta e se encaixa, ok? Dito isso, "Face the Enemy" se mostra outro grande momento do álbum, onde os vocais de Laurence acabam se destacando pela agressividade que o vocalista impõe ao longo da execução da faixa. A porrada " Anno Domini" antecede o encerramento, que se dá de forma grandiosa com a pedrada na orelha " King of Darkness", um thrah/death que deixará seu pescoço completamente destruído.

                            Como dito anteriormente, FROM HELL foi um dos melhores trabalhos lançados por uma banda nacional no ano passado. Mostrando uma banda competente, vigorosa e muito, mas muito pesada, o álbum escancara a qualidade das bandas brasileiras que, na maioria das vezes, acabamos deixando passar por aquele velho e ultrapassado complexo de viralatas que, infelizmente, ainda carregamos. Deixa essa besteira de lado e vá atrás do FACES OF DEATH. Uma banda que, se seguir nesse ritmo, lolo estampará capas de revistas da mídia especializada. E com todo o merecimento!





                   Sergiomar Menezes

RAVEN - SCREAMING MURDER DEATH FROM ABOVE: LIVE IN AALBORG (2019)



             "Este disco é o que melhor representa a banda ao vivo, seja tecnicamente, seja dinamicamente falado". Essa palavras foram proferidas por ninguém menos do John Gallagher, líder e fundador de um dos mais importantes grupos da NWOBHM, o lendário RAVEN. SCREAMING MURDER DEATH FROM ABOVE: LIVE IN AALBORG é o terceiro registro ao vivo da banda, que saiu por aqui através da Shinigami Records. E, discordemos ou não do vocalista baixista, a verdade é que o trabalho é um puta de um álbum ao vivo! Toda a energia do trio está presente de forma praticamente como foi captada, e meu amigo, estamos falando de uma banda com mais de quatro décadas de estrada!

                   Além do próprio John, o trio é costo por Mark Gallagher (guitarra e vocal) e pelo baterista Mike Heller e, juntos esbanjam uma energia quase que inigualável ao longo das onze faixas presentes aqui. O que é mais interessante nesse registro gravado na Dinamarca, é que a banda não tinha nenhuma intenção em gravar a apresentação, só que, após o show, o grupo recebeu um pen drive contendo as faixas gravadas ao vivo e gostou muito do que ouviu! E, com poucas mexidas em estúdio (durante a apresentação o baixo de John "quebrou" e houve problema em um dos microfones), o álbum traz um registro fiel do que é um show do grupo. Contagiante e repleto de muito peso, esse trabalho só corrobora o que sempre foi dito a respeito do Raven: ao vivo a banda é direta, enérgica, pesada e muito, mas muito dinâmica.

                          Unindo composições mais recentes como "Destroy All Monsters" e "Tank Trads (The Blood Runs Red)", presentes em "Extermination", lançado em 2015, à faixas clássicas como "Rock Until You Drop", "Hell Patrol", "All For One", "Hung Drawn & Quartered", "Faster Than The Speed of Light", "On and On", Break the Chain" e "Crash Bang Wallop", mostrando vitalidade e muita garra. Obviamente que, ao falarmos do Raven, 11 faixas ao vivo são pouco, se compararmos a história e relevância do grupo, mas também, podemos entender pois, essas faixas não estavam sendo gravadas com esse intuito. O melhor é que em logo mais o grupo estará se apresentando no Brasil e poderemos conferir toda essa energia e disposição em favor do Hard/Heavy de qualidade.

                SCREAMING MURDER DEATH FROM ABOVE: LIVE IN AALBORG é obrigatório para os fãs do grupo. MAis do que um registro ao vivo do RAVEN, o álbum é um belo exemplo de como uma banda pode envelhecer sem se entregar às imposições do mercado nem se vender, mostrando além de boa música, princípios! STAY HARD! ROCK UNTIL YOU DROP!




                    Sergiomar Menezes