terça-feira, 13 de setembro de 2022

MARENNA - VOYAGER (2022)

 


MARENNA - VOYAGER (2022)
Lions Pride Music - Imp.

Hard Rock, Prog Metal, AOR, Blues, Heavy Metal, Rock n' Roll. Uma banda técnica, competente e de extremo talento. O melhor vocalista em atividade no Brasil. Pronto. Estamos diante de um dos melhores álbuns lançados por um grupo brasileiro em 2022. VOYAGER, novo trabalho do MARENNA, que será lançado pela Lions Pride Music no dia 30 de setembro, é uma aula de classe, bom gosto, mas acima de tudo, de paixão pela música. Impossível não se emocionar com a garra, energia e entrega presentes nas 12 faixas que compõem o álbum. E segundo o próprio Rod Marenna, esse é seu trabalho mais completo, abrangente, audacioso e carrega consigo todas as suas influências. Ouvindo o álbum, temos a certeza absoluta de que ele está certo!

Além de Rod Marenna, que parece ter evoluído ainda mais como vocalista e intérprete, completam a formação da banda o guitarrista Edu Lersch, o baixista BIFE, o tecladista Luks Diesel e o baterista Arthur Schavinski. Ou seja, um time de peso, com músicos experientes, técnicos, mas acima de tudo, que colocam a música em primeiro lugar, sem a necessidade de malabarismos que na realidade só servem pra satisfazer o ego de quem os pratica. Produzido por Mauro Caldart, o álbum foi mixado e masterizado por Jonas Godoy e o resultado deixou o "classic melodic rock" do grupo num nível de excelente audição, pois percebe-se todos os instrumentos com nitidez sem com que o peso (para o estilo praticado pelo Marenna) seja deixado em segundo plano. 

"Breaking the Chains", faixa que foi disponibilizada como single, abre o álbum e nos dá uma bela amostra do que teremos pela frente. Melodias marcantes, uma linha de voz carregada de felling e um refrão que não sai mais da cabeça após a primeira audição. As influências de Hard Rock e AOR são a tônica, mas os solos de guitarra mostram toda a classic do melodic rock. Na sequência, "Out of Line" traz uma pegada mais moderna e atual, com Rod variando sua forma de impostar a voz, indo do mais simples ao mais rasgado sem dificuldade. BIFE e Arthur 9baixo e bateria, respectivamente) se encarregam de entregar à composição o peso necessário, mostrando toda sua versatilidade. "Gotta Be Strong" traz uma aura oitentista, ainda que não soe datada em nenhum momento. Rod, mais uma vez, consegue navegar com facilidade por momentos mais intensos e outros mais suaves, criando linhas vocais de extremo bom gosto. E pra criar ainda mais um clima 80's, na parte final o refrão ganha aquela paradinha característica com a bateria. Um dos grandes destaques do trabalho! O lado mais AOR do grupo surge em "Wait", fato esse que ganha mais intensidade pelos teclados de Luks Diesel, ainda que a guitarra de Edu traga um solo inspirado pelo mestre Neal Schon. a bela balada "I Ain't Stranger to Love" mostra o lado mais suave do grupo com uma bela melodia.

. "Hold Me" mostra um entrosamento e coesão entre Luks e Edu digno das bandas clássicas de Hard/AOR, enquanto Rod se candidata, mais uma vez, ao posto de melhor vocalista brasileiro nas votações de sites e revistas especializadas. Já "Perfect Crime" traz o lado mais Hard Rock de volta, com uma pegada mais voltada ao lado europeu do estilo. O refrão ganha bastante intensidade, seja pelos vocais de Rod, seja pelas linhas de guitarra de Edu "Voyager", faixa título, apresenta o lado mais "Heavy" do grupo, ainda que as principais características, voltadas ao HArd/AOR, continuem presentes de forma bastante consistente. Destaque para as linhas de bateria que trazem aquela "marcação" com uma carga de peso. O que segue com a faixa seguinte, a pesada e variada "Too Young To Die", dona de riffs muito interessantes e que ganham o acompanhamento de solos muito bem encaixados e inspirados. Os vocais mostram força, técnica e talento entregando à faixa muito mais do que uma simples interpretação. "We Are United" dá um clima de suavidade ao andamento do trabalho, com melodias simples, mas muito eficientes enquanto "Wherever You Go" traz novamente o lado Hard/Heavy á tona, com uma ênfase maior ao lado melódico da composição, mesmo que o peso esteja presente. Pra encerra, "So Close" cover da dupla Hall & Oates, um clássico do final dos anos 80 e que ganhou uma bela interpretação, fechando de forma brilhante o trabalho.

Ainda que o Brasil seja um país que não valoriza seus talentos (com raríssimas exceções), já passou da hora do público rocker do país conhecer e reconhecer o talento do MARENNA. Músicos talentosos e técnicos, composições de extremo bom gosto e um vocalista muito, mas muito acima da média do que vemos sendo aclamados por aí, fazem de VOYAGER um dos melhores álbuns lançados neste ano. Se você gosta de música boa, de qualidade e feita com sentimento pode ir sem medo. 

Sergiomar Menezes





segunda-feira, 12 de setembro de 2022

DEVASTATION 2022 - LATIN AMERICAN (INCANTATION, SUFFOCATION, ATROPINA)

 



DEVASTATION 2022 - LATIN AMERICAN
INCANTATION & SUFFOCATION
BANDA CONVIDADA: ATROPINA
LOCAL: OCULTO - PORTO ALEGRE/RS

Texto e fotos: José Henrique Godoy

Dia de tempestade tem noite de tempestade, já diz um velho ditado. Uma sexta-feira com muita chuva em Porto Alegre, mas uma noite propícia para um show de Death Metal, com duas bandas clássicas da cena do Metal da Morte mundial, Suffocation e Incantation, veteranas dos anos 90, e com a abertura da banda gaúcha Atropina. O local escolhido para acolher a carnificina foi o OCulto, lugar ótimo para esse tipo de evento, tendo em vista o seu aspecto e clima underground, porém bem localizado e com boa estrutura para receber o público.


Ainda com o público chegando ao local, a banda gaúcha da cidade de Teutônia, Atropina, deu início ao massacre, pontualmente as 20h30. Com seu Death metal ríspido, porém muito bem executado, encontramos passagens mais old school, como também momentos que notamos a influência de Thrash e Doom Metal. Um grande diferencial, é que as letras (muito bem escritas) da banda são em português. Já com uma grande bagagem, e experiência, (a banda que foi formada em 1996), tomou conta do palco e ganhou a plateia logo no início com "Degeneradas Civilizações", Lágrimas Mortas" e a que dá título ao mais recente trabalho " Prego em Carne Podre". O Quinteto prima pela técnica apurada de todos os integrantes, mas o destaque vai para o vocalista Murilo Rocha, dono de uma performance única e peculiar, capaz de manter todas as atenções nele. Atropina fecha a sua apresentação após 40 minutos, com "Blasfêmia Eterna", uma sarrafada que fica na memória após a sua execução. Para quem não conhece, procure conhecer Atropina, uma excelente banda.


Às 21h30, sobe ao palco o Incantation, uma das bandas mais clássicas da primeira leva do Death Metal do início dos anos 90. Capitaneados pelo mentor John McEntee, despejando de início "Propiciation" do mais recente trabalho, "Sect Of Vile Divinities". O som estava ótimo, e a performance da banda excelente, com muita interação com a platéia. McEntee lembra bastante Max Cavalera, tanto na performance, como fisicamente, e parecia estar bem feliz em voltar a Porto Alegre (Se não estou enganado, esta deve ser a terceira passagem do Incantation pela cidade). Priorizando apresentar músicas do já citado último álbum, o Incantation não deixou de executar também boa parte do seu catálogo. Destaques para "Forsaken Mouring Of Angelical Anguish", "Rotting Spirit Embodiment", "Pest Savagery" e " Impending Diabolical Conquest". Com pouco mais de uma hora de show, o Incantation finaliza uma excelente apresentação com "SIege Hieve", também do último álbum. Após o final John McEntee distribuiu palhetas e tirou fotos com os presentes, distribuindo simplicidade e simpatia.








Após os dois ataques brutais da noite, o OCulto permanecia em pé, e o bom público (cerca de 250 pessoas) parecia não estar cansado, e aguardava ainda com ansiedade o início do Show do Suffocation. E a banda sobe ao palco as 23h, para acabar de destruir o que ainda existia de pé no recinto. Com a liderança do guitarrista e único membro original Terrance Hobbs, "Liege Of Inveracity", primeira música do clássico primeiro álbum "Effigy Of Forgotten" abre os trabalhos, seguida pela faixa título da mesma obra definitiva do Suffocation. Com um estilo mais técnico que o Incantation, o Suffocattion também ganhou o público já nas primeiras notas, que agitava junto com a banda como se a noite tivesse recém iniciado. O vocalista Ricky Myers não deve nada ao vocalista original Frank Mullen, que se retirou da cena musical em 2019. Destaques do set list do Suffocation ficam para "Clarity Through Deprivation" do último álbum de estúdio "Of the Darlk LIght" (2017), "Jesus Wept" (mais uma do primeiro álbum), "Breeding The Spawn" e " Funeral Inception". O Suffocation fecha a noite então com " Infecting The Crypts" do EP de mesmo nome lançado também em 1991.







Chegava ao fim uma memorável noite para os fãs de Death Metal, que com certeza foram para casa ansiosos por outra noite como a desta de 09 de setembro. Parabéns e agradecimentos para as produtoras IDL e KLF pela excelente produção e realização do evento.

segunda-feira, 22 de agosto de 2022

SUMMER BREEZE NO BRASIL!

 




SUMMER BREEZE OPEN AIR

Esta é a primeira vez que um grande festival de rock europeu desembarca no Brasil trazendo toda a excelência e grandiosidade de uma marca como a do Summer Breeze Open Air, construídas em 25 anos de existência.

Para vídeos e fotos, acesse: http://tinyurl.com/52y6b8ek
Com sua edição especial de 25 anos aconteceu neste fim de semana, em Dinkelsbühl/Alemanha, o megafestival Summer Breeze Open Air realizou uma coletiva de imprensa especial e anunciou, entre outras coisas, parte do lineup de sua primeira edição fora de seu país de origem, que acontece no Memorial da América Latina (São Paulo), nos dias 29 e 30 de abril de 2023. O evento contou com a presença dos realizadores brasileiros Rick Dallal e Claudio Vicentin, além de Bruno Gomes – diretor executivo do projeto.

Aqui no país, o evento contará com quatro palcos distribuídos pela estrutura e que receberão mais de 40 nomes das diversas vertentes do rock. Entre eles já estão confirmados:

Stone Temple Pilots
Avantasia
Kreato
Accept
Stratovarius
Sepultura
Testament
Marc Martel
Skid Row
Grave Digger
H.E.A.T.
Shaman + Viper + Felipe e Rafael (Angra) – Homenageiam Andre Matos*
Benediction
Perturbator
Voodoo Kiss
Beast in Black
Project46
Cryptao
João Gordo (Brutal Brega)

*Uma homenagem ao maestro e eterno ídolo do metal no Brasil, Andre Matos, será preparada e trará ao palco para um show inesquecível duas das bandas em que o músico atuou: Shaman, Viper, junto com integrantes do Angra.

“Diferente do que acontece na Alemanha, pensamos em trazer um mix de vertentes do rock para o Brasil. Esta é só uma amostra do que vem para cá ano que vem, faltando ainda anunciarmos algumas bandas do lineup, incluindo os headliners, palestras e outros conteúdos exclusivos e originais - como no caso da homenagem ao Andre Matos. O que já parece bom, ficará ainda melhor.”, comenta Rick Dallal, Free Pass Entretenimento.

Estão previstas quase 30 horas de música rolando nos dois dias de evento. E, como tradicionalmente ocorre nos festivais europeus, o público poderá aproveitar uma atmosfera única que vai além dos shows em si, pois a estrutura do evento abrigará opções de entretenimento diversas, proporcionando uma experiência inesquecível:

- Gastronomia diversa e com a culinária alemã presente
- Feira Geek
- Feira de Cultura Urbana e Tatuagens
- Lojas com diversos produtos relacionados a cultura da arte e da música
- Merchandising variado do festival e das bandas participantes
- Um verdadeiro espaço kids com brinquedos diversos e monitoria
- Sessões de autógrafos com as bandas presentes no festival
- Side Shows acontecendo na Audio, antes e após às datas do festival

O evento aqui no Brasil acontecerá anualmente e fará parte do calendário oficial da cidade de São Paulo - contando com o apoio da Prefeitura da cidade de São Paulo e do Governo do Estado. Com isso, o festival espera dar visibilidade a bandas nacionais e estrangeiras e gerar muitos empregos diretos e indiretos.

“É a hora de o Brasil ser, através de São Paulo, a segunda casa da marca Summer Breeze. São Paulo é uma cidade que respira rock, onde os shows do estilo sempre acontecem de casa cheia desde os anos 90. Esperamos mais de 30 mil pessoas neste evento, que só tem a agregar positivamente à capital. Estamos muito felizes em poder trazer o melhor festival de rock da Alemanha para cá. E ele veio para ficar!”, completa Claudio Vicentin, Roadie Crew.

Mais informações sobre atrações, headliners, experiências e palestras no evento serão divulgas em breve.
A data da abertura de vendas de ingressos será anunciada em breve.

Assessoria de Imprensa - Agência Taga
Guilherme Oliveira – guilherme@agenciataga.com.br

terça-feira, 19 de julho de 2022

SAMSUNG BEST OF BLUES AND ROCK - THE JOE PERRY PROJECT - POA/RS




SAMSUNG BEST OF BLUES AND ROCK - THE JOE PERRY PROJECT - POA/RS
Local: Parque Farroupilha (Redenção) - POA/RS
Data: 15/07/2022
Abertura:
Ian, o Cara do Metal
Yohan Kisser e banda
Texto e fotos: José Henrique Godoy

Final de tarde/ inicio de noite de sexta-feira em Porto Alegre. O local é o Parque Farroupilha, também conhecido como Redenção, que em um dos seus contornos tem a movimentadíssima Avenida Oswaldo Aranha, reduto roqueiro dos anos 80 e 90 na capital gaúcha. Para os que são “ jovens há mais tempo”, acima de 45 anos, o cenário remetia há 30 e poucos anos ,onde havia o encontro de rockers, punks, hippies, e assemelhados, para tomar cerveja, encontrar com os amigos e ouvir boa música.

Mas nem nos sonhos mais loucos naquela época, seria possível  imaginar um show gratuito de um dos guitarristas mais icônicos da história do hard rock, no meio do parque. Mas os tempos são outros, e há menos de um mês do evento, foi anunciado mais uma edição do Samsung Best Of Blues and Rock aqui em Porto Alegre, dessa vez com o grande Joe Perry, que voltou a capital gaúcha, dessa vez sem sua banda principal, mas sim com o seu Project.

O Samsung Best of Blues And Rock já contou, em outras edições  no RS, com nomes como Zakk Wylde, Tom Morello, Richie Sambora e John 5. Para completar o evento deste ano, tivemos também o fenômeno do TIK TOK Ian, "o ocaradometal” e   Yohan Kisser, filho do Andreas Kisser, guitarrista do Sepultura. Devido ao trânsito intenso do final da tarde de Porto Alegre, complicado ainda mais pelo mal tempo das horas anteriores, acabei me atrasando e não assistindo ao  “Caradometal” e banda, chegando segundos antes do inicio da apresentação de Yohan.

Para quem espera que que o trabalho de Yohan Kisser, seja semelhante ao que faz o seu pai no Sepultura, vai se enganar e pode até decepcionar-se, obviamente. O que temos é uma mescla de música clássica, jazz,erudito e rock, passando por releituras instrumentais dos mais variados artistas, que foram de Moraes Moreira a Rush, passando por  Jimi Hendrix, Frank Zappa, entre outros. Acompanhado de excelentes músicos, Yohan fez uma apresentação muito boa e que prendeu a atenção dos presentes, durante um set de 40 minutos aproximadamente. Ao final, Yohan dedicou a apresentação a sua mãe, Patrícia Perissinoto Kisser, infelizmente falecida há duas semanas, O público em bom número, poderia ter sido bem maior, não fosse a semana chuvosa que insistiu em permanecer em Porto Alegre, dando uma trégua apenas para a realização do festival..

Por volta das 21 horas, sobe ao palco sobe ao palco Mr. Perry  em pessoa e empunhando uma clássica Les Paul, acompanhado de uma super banda, composta por  Gary Cherone ( Vocal Extreme / Van Halen), Chris Wyse (Baixo - Ace Frehley / The Cult), Buck Johnson ( teclados - Aerosmith/Hollywood Vampires) e Jason Sutter ( Bateria – Foreigner /Cher). O inicio é um pé na porta/arrasa-quarteirão e emocionante para todo o fã de Aerosmith ( este que vos escreve incluso), uma trinca de rocks para  levantar defuntos: “Let the Music Do The Talkin ( presente também no primeiro disco do J P Project de 1980),a clássica Toys In the Attic e Walkin the Dog , a clássica canção de Rufus Thomas, coverizada e eternizada no primeiro álbum do Aerosmith.

Obviamente a figura que mais chama a atenção no palco é o Sr. Perry, com o seu tradicional visual “Bad Boy Rock n Roller”, mas cabe aqui destacar o vocalista Gary Cherone: para quem já teve o prazer de ver o Aerosmith ao vivo, é um tanto quanto estranho ver Perry e não ver Steven Tyler ao seu lado, mas Gary Cherone é um frontman incrível, estando em todas as partes do palco e cantando muito bem, e esbanjando categoria. Relembrando também, que ele já é um “jovem senhor” de 60 anos, e está em excelente forma, diferente de outros vocalistas mais populares que estão também na sua faixa etária, e não estão entregando o que seria uma performance no mesmo nível de Gary. 

Mr. Perry assume o vocal para o cover do Fleetwood Mac, “Stop Messin Around” (coverizado pelo Aero no álbum Honkin on Bobo), e resgata “My Fist Your Face” do excelente porém esquecido álbum do Aerosmith de 1985, “ Done With Mirrors”. Uma vibrante versão de instrumental da mais que clássica “Walk This Way”, e um medley de “WHole Lotta Love/Heartbreaker”, para homenagear o Led Zepellin leva o público a loucura. 

O tempo  passou voando, e chegamos a parte final com mais 3 pedradas  “Aero-Old School”, a saber: “Same Old Song and Dance”, “Rockin Train”( esta também do primeiro álbum do Joe Perry Project” e a obrigatória “ Sweet Emotion”. Aquele tradicional “ sai do palco-platéia chama-banda volta” e em poucos instantes , Joe e companhia estão no palco detonando uma furiosa versão de “Train Kept-a-Rollin”, e então a festa chega ao final.

Uma excelente apresentação do Sr. Joseph Anthony Perry  na capital do Rio Grande Do sul, cheia de classe e força , pura celebração de Rock N Roll. Uma sensação de nostalgia de um tempo que não vimos, o Aerosmith setentista, aqui no Brasil. Isso tudo num lugar fantástico e também nostálgico, para os rockeiros Porto Alegrenses. Já estamos esperando pela próxima edição do Samsung Best of Blues And Rock!









sexta-feira, 1 de julho de 2022

ANGRA - REBIRTH 20th ANNIVERSARY TOUR - POA/RS 25/06


ANGRA - REBIRTH 20th ANNIVERSARY TOUR
Bar Opinião, Porto Alegre/RS - 25/06
Abertura: 
Mortticia
Rage in My Eyes
Produção: Abstratti Produtora
Texto: Sergiomar Menezes
Fotos: Diogo Nunes

E depois de três longos anos, estávamos de volta ao Opinião, tradicional local de shows na capital gaúcha. Eu, particularmente, já havia ido aos shows do KISS e do Metallica, mas confesso que sentia falta desse ambiente fechado, show menor, com a galera mais junto à banda. E foi exatamente isso que tivemos neste dia, pois numa bela iniciativa da Abstratti Produtora, a turnê de 20 anos do álbum REBIRTH, do ANGRA, aportou em Porto Alegre e presenciou um Bar Opinião lotado (com 1.400 pessoas), para assistir na íntegra, a execução de um dos álbuns mais cultuados da banda, além de outras faixas, sendo muitas delas, surpresas para o público. De quebra, dois ótimos shows de abertura com as bandas MORTTICIA e RAGE IN MY EYES que abrilhantaram ainda mais o evento. 

Logo na chegada, uma longa fila se formava na entrada do Opinião, e, ainda que o período da pandemia tenha acabado com esse tipo de evento, a última vez que vi o Opinião dessa forma, com uma fila tão gigantesca na entrada, foi no show do Helloween em 2001! E, algo bem interessante e bacana que pude perceber, é que uma boa parte dessa galera, era uma molecada de 20 e poucos anos, até menos, alguns nem eram nascidos quando Rebirth foi lançado.. Isso só comprova a força do Angra dentro do cenário, ainda que as mudanças de formação tenham alterado as características do grupo.

As bandas ainda estavam passando o som quando entramos no Opinião, o que me levou a pensar que poderíamos ter um atraso nas apresentações. Mas isso não aconteceu, pois passava pouco das 18h30 (horário previsto para o primeiro show começar) quando a banda gaúcha MORTTICIA iniciou seu show. E que belo show de Heavy Metal! Ainda que com o espaço deveras reduzido, o que impossibilitou a movimentação do grupo pelo palco, Lucas Fialho Zawacki (vocal), Vicente Telles (guitarra), Lúcio Brenner (guitarra), Guilherme Wiersbicki (baixo) e Anderson Dias (bateria) mostrou força e determinação ao executar as faixas de seu EP de estréia "A Light in the Black", lançado em 2020. Mesmo com pequenos problemas ocorridos com o som, o quinteto trouxe as afixas que compõem o supracitado trabalho, com destaque total para a faixa "Life is On (One Flower)", com suas passagens pesadas, trabalhadas e muito bem estruturadas. Confesso que, por um erro meu, já tinha ouvido falar sobre a banda mas ainda não havia parado para conhecer. E vi que, realmente, estava errado! Mais uma grande banda do Metal RS proporciona ao cenário!

Setlist MORTTICIA:

Limiar
Violence
Hear My Words
Life is On (One Flower)
Ocean of Change




Após o rápido trabalho de desmontagem de palco efetuado pelos roadies (o que seria das bandas sem essas figuras essenciais?), era chegada a hora de uma das bandas que mais vem se destacando no nosso cenário: o RAGE IN MY EYES! Assisti a banda no show de abertura para o Iron Maiden e ali já dava pra ver que o profissionalismo e qualidade do grupo estão muito acima da média. Após uma pequena intro, Jonathas Pozo (vocal), Magnus Wichmann (guitarra), Pedro Fauth (baixo) e Thiago Caurio (bateria - que substituiu Francis Cassol, baterista do grupo que teve problemas e não conseguiu vir para o Brasil  e realizar a turnê), sobem ao palco e de cara, mostram que não estão pra brincadeira! Entrosamento e coesão foram os guias de uma apresentação cheia de carisma, energia e muito Heavy Metal! Um dos pontos que diferenciam a sonoridade do grupo é a presença do gaiteiro Matheus, chamado ao palco por Jonathas durante a execução de "Death Sleepers". Um ponto que precisa ser ressaltado foi a presença de Thiago, que embora tenha sido chamado meio que às pressas para substituir Francis na bateria, pareceu tocar com a banda desde de criança, tamanho o entrosamento dele com o grupo! Te cuida Francis... hehehe... Brincadeiras à parte, A banda ainda teve tempo de mostrar sua bela homenagem ao saudoso Andre Matos em "I Don't Want to Say Goodbye" e encerrou sua apresentação com a faixa "Spiral Seasons", presente no mais recente trabalho do grupo, o EP "Spirals" lançado em 2021. Definitivamente, o RAGE IN MY EYES merece um maior reconhecimento do público brasileiro, pois trata-se de uma banda muito acima da média!

Setlist RAGE IN MY EYES:

Intro
And the Came the Storm
Dare to Defy
Death Sleepers
Hole in the Shell
Spark of Hope
Winter Dreams
I Don't Want to Say Goodbye
Spiral Seasons





Era chegada a hora do show mais aguardado da noite! Ainda que os shows de abertura tenham sido ótimos, a ansiedade pelo que teríamos pela frente era grande. E podemos dizer que, apesar dos pequenos percalços que aconteceram mais para o final do show, o ANGRA entregou ao público presente um grande show de Heavy Metal. Mas o que dizer de uma banda que apresenta a qualidade técnica de guitarristas como Rafael Bittencourt e Marcelo Barbosa? De uma cozinha composta por Felipe Andreoli e Bruno Valverde, que não á toa, foi chamado para substituir o monstro Eloy Casagrande no Sepultura? De um vocalista espetacular como Fabio Lione? Um show perfeito? Sem erros? Foi o que aconteceu, pelo menos até a última música...

A banda inicia sua apresentação com "Crossing", a intro que precede "Nothing to Say", clássico dos tempos de Andre Matos no grupo, com uma performance cheia de energia e em perfeita sincronia com o público, que, não é preciso dizer, vai a loucura... Em seguida, "Black Widow's Web", do mais recente trabalho de estúdio do grupo, OMNI, veio com Lione e Rafael dividindo os vocais, algo que ficou bem interessante, sendo a parte gutural cantada pelo italiano.

Lione então anuncia que era chegada a hora de REBIRTH ser tocado na íntegra, o que se confirma com a intro "In Excelsis". O que se viu depois foi uma explosão de adrenalina e uma perfeita sinergia entre a banda e o público pois em certos momentos de "Nova Era", ficou praticamente impossível ouvir  avoz de Fabio Lione. Nosso fotógrafo Diogo Nunes disse a mesma coisa, pois estava no meio do público e percebeu isso bem mais de perto. A sequência de Rebirth foi mantida, com destaque para a poderosa "Millenum Sun", com destaque para Barbosa que substituiu Kiko Loureiro, e, na opinião desse que vos escreve, deu muito mais dinâmica e classe ao grupo. "Acid Rain" foi outro grande momento, onde a participação do percussionista deu um clima mais pesado e vibrante à execução da faixa. "Heroes of Sand" trouxe, por FAbio Lione, a lembrança da participação da cantora Sandy na gravação do DVD e que segundo ele próprio, gostou muito de conhecê-la... Ainda, podemos destacar, entre as faixas de Rebirth, a faixa título, "Unholy Wars" e a fantástica "Running Alone", cantada por todos e que se mostrou tão forte e intensa ao vivo como na gravação de 20 anos atrás. Após "Visions Prelude", Lione conversa com Rafael e avisa que agora que as faixas do álbum tinham acabado, era chegada a hora de algumas surpresas.

Acontece que, pelo menos na minha opinião, essas surpresas, ainda que muito bem executadas e legais, poderiam ter sido trocadas por faixas mais interessantes. Mas, o público presente no Opinião, pareceu não concordar comigo e participou de todas elas com a mesma vibração e energia. "The Course of Nature", de Aurora Consurgens, "Metal Icarus", de Fireworks; "The Shadow Hunter", de Temple Of Shadows; "The Rage of Waters", de Aqua," Bleeding Heart", do EP Hunters and Prey ( que contou com Lione esquecendo a letra e "jogando" pra galera como se nada tivesse acontecido... hehehe) e Upper Levels, de Secret Garden, encerram a primeira parte da apresentação. A banda deixa o palco aos gritos de "mais um, mais um, mais um"... como é de praxe...

Ao retornar ao palco, durante a intro "Unnifished Allegro", Lione não acompanha o grupo, mas mesmo assim, "Carry On", um dos maiores clássicos, não apenas do metal brasileiro, mas do metal mundial, começa a ser executada pela banda. E é incrível a força dessa composição até hoje, pois parecia que o show estava começando, tamanha a empolgação de todos. Mas, nem tudo saiu como o esperado aqui... Mesmo fora do palco, Lione iniciou a cantar a faixa sem problemas, mas acabou errando a letra ao antecipar o refrão e atravessar toda a faixa. Por sorte, a banda seguiu o ritmo normal da música e segui a sequência deixando que o público cantasse o refrão. Lione volta ao palco para a segunda parte da faixa, um tanto quanto constrangido, o que foi perceptível, ainda mais sob os olhares de Rafael para ele. Ms, tudo ficou certo e o restante da músico foi executada de forma forme e direta, com o público mostrando sua devoção ao grupo. Assim, chegava ao final a apresentação do grupo que saciou a sede de shows dos fãs, entregando-lhes um espetáculo único e inesquecível.

Quero agradecer aqui, mais uma vez, a parceria da Abstratti Produtora pelo credenciamento, pelo atendimento sempre eficaz do Homero Pivotto Jr e ao Digo Nunes, fotógrafo de mais uma jornada pelas estradas do REBEL ROCK!

Setlist ANGRA:

Crossing
Nothing to Say
Black Widow's Web
Rebirth
In Excelsis
Nova Era
Millennium Sun
Acid Rain
Unholy Wars
Rebirth
Judgement Day
Running Alone
Visions Prelude

The Course of Nature
Metal Icarus
The Shadow Hunter
The Rage of the Waters
Bleeding Heart
Upper Levels

Encore:
Unfinished Allegro
Carry On