quarta-feira, 3 de maio de 2023

WIG WAM - OUT OF THE DARK (2023)

 


WIG WAM - "OUT OF THE DARK" (2023)
Frontiers Records S.r.l

Os noruegueses do WIG WAM retornam com o novo trabalho, “Out Of The Dark”. Após o sucesso mundial com a música “Do You Wanna Taste It”, abertura da série da HBO “O Pacificador”, o grupo apresenta uma sonoridade mais pesada e moderna, sem perder a sua pegada Hard 80´s.

A abertura com a faixa título, já entrega o norte que o álbum vai seguir até o seu final, uma faixa pesada com traços de hino rockeiro , uma ótima e forte faixa que incita o ouvinte a querer ouvir o restante que está por vir.

Os destaques são vários no álbum: “Forevermore”, com excelentes vocais de Glam (Åge Sten Nilsen), e um instrumental que nos remete a velha escola escandinava de fazer hard rock/heavy metal. O verdadeiro e cativante glam metal forjado na década dos excessos aparece forte com a excelente “Bad Luck Charm”, um riff de guitarra primoroso, cortesia de Teeny (Trond Holter).

“The Pourpose”, a indefectível balada, com aquele selo de qualidade Wig Wam, em mais um trabalho excelente do guitarrista Teeny. Tivesse sido lançada em 1987, seria uma clássica “Power Ballad” como tantas lançadas naquela época.

“79” dá sequência, com mais destaque para Teeny, dessa vez demonstrando as suas habilidades como “shredder”, mas dentro de um nível que não torna a música apenas uma demonstração de velocidade nas notas das seis cordas, mas sim,  de muita classe e melodia.

Finalizando o álbum, “Sailor and the Desert Sun” é mais um rockão, com ares de hino, a qual podemos imaginar as plateias cantando junto nos shows da banda mundo afora. Definitivamente, o Wig Wam “saiu das sombras” com este novo trabalho, que pode ser incluído facilmente entre os melhores trabalhos dos noruegueses.

José Henrique Godoy




DEATHSTARS – EVERYTHING DESTROYS YOU (2023)


DEATHSTARS – EVERYTHING DESTROYS YOU (2023)
Shinigami Records/Nuclear Blast

Surgido no início dos anos 2000 de forma avassaladora e com muito barulho na cena, o Deathstars tinha todos os ingredientes para se tornar um novo Rammstein, o que inexplicavelmente acabou não acontecendo. Durante sua trajetória, a banda sempre primou por composições energéticas e apresentações grandiosas cheias de autenticidade tornando-se quase um Mötley Crüe do estilo que apesar de ter Metal industrial como carro chefe, flerta muitas vezes o metal progressivo e até o Power Metal com elementos sinfônicos, ou seja, algo um tanto quanto incomum de encontrarmos por aí.

Foram quase 9 anos de espera pelo substituto de “The Perfect Cult” (2014) e devo admitir a você caro leitor, que achei que a banda tinha acabado, já que durante esse período todo, agravado pela pandemia, mal ouvimos mais falar do Deathstars. Felizmente, isso não passou de um período sabático, que disse que essa demora foi um descanso dos anos intermináveis de turnês e viagens que deixaram a banda em estafa completa.

Ainda segundo a própria banda “Everything Destroys You” conta histórias vividas por eles mesmos e seus exageros naturais de rock stars e suas agitadas vidas noturnas, o que fica facilmente identificável com o título do álbum. E a Nuclear Blast está apostando alto neste lançamento com nada menos que 2 excelentes clipes de divulgação que você pode assistir abaixo, as excelentes “This Is” e “Midnight Party” que não por acaso foram as escolhidas para abrir o trabalho. Para completar o time das faixas mais acessíveis comercialmente, posso incluir a faixa título que tem um refrão grudento, que chega a lembrar por exemplo, de bandas como o The Sisters of Mercy. Ouça e entenderá o que estou dizendo!

Todas as faixas possuem andamentos similares mesclando partes mais rápidas e/ou lentas, em nenhum momento dos 40 minutos de duração escutaremos algo muito pesado, o que temos é um álbum em que as 10 faixas são do mesmo nível, daquelas que se uma é hit, qualquer outra pode ser. Isso é ruim? Claro que não!

Apesar de pelas minhas palavras, o álbum soar um tanto quanto “mais do mesmo”, é bom ver o Deathstars na ativa após um hiato tão grande. Taí um show que gostaria de assistir ao vivo, tomara que venham ao nosso país. Serão bem recebidos, com certeza!

Mauro Antunes





sexta-feira, 28 de abril de 2023

LAST IN LINE - JERICHO (2023)

 

LAST IN LINE – JERICHO (2023)
Shinigami Records/earMUSIC/Sound City Records – Nacional

Formada em 2012 repleta de ex-integrantes do Dio, o Last In Line já deixou de ser uma espécie de banda projeto/super banda há algum tempo. A maior prova disso é que a banda já chega ao seu terceiro trabalho de estúdio, o segundo com o mesmo line up. O guitarrista Vivian Campbell (Def Leppard, Riverdogs), o baterista Vinny Appice (Black Sabbath, Heaven And Hell), o baixista Phil Soussan (Ozzy Osbourne), juntaram-se mais uma vez ao frontman Andrew Freeman para gravar ‘Jericho’, um álbum repleto de referências às bandas clássicas que pertencem à árvore genealógica dos tradicionais Heavy Metal e Hard Rock.

A faixa de abertura “Not Today Satan” me passou uma vibração a la Van Halen, ou seja, um tremendo cartão de visitas. Depois ouça “Ghost Town” (assista o clipe abaixo) e veja como é impossível não lembrar do Led Zeppelin com um ar moderno e renovado guardadas obviamente, as devidas proporções.

Outro ponto a destacar, é que Freeman parece mais à vontade e querendo cantar do seu próprio sem querer se passar por Dio em nenhum momento como ao meu ver, ficou latente em especial no primeiro disco, o ótimo “Heavy Crown” (2016). “Bastard Son” é um grande destaque com Vivian Campbell disparando alguns dos mais pesados riffs de sua carreira, algo que ele não pode fazer muito em sua atual banda principal. “Dark Days” é um blues rock onde mais uma vez Campbell se destaca.

“Do the Work” é mais uma que mergulha de cabeça na aura Zeppeliana e a faixa de encerramento, “House Party at the End of the World” tem uma pegada que me lembrou a clássica “We Rock” do Dio, o que mostra que os clássicos dos anos 80 ainda são referência para todos os integrantes do Last In Line. De se lamentar apenas a mixagem final que consideramos um tanto quanto abafada, porém o nível dos músicos envolvidos é tão alto, mas tão alto, que esse detalhe pode até passar um tanto despercebido.

“Jericho” é aquele disco tão agradável de se ouvir que poderia ser duplo ou triplo e nem sentiríamos o tempo passar. Esse com certeza, vai para mim coleção de CDs físicos o mais breve possível. Ouça!

Mauro Antunes




quinta-feira, 27 de abril de 2023

SCORPIONS - ROCK BELIEVER WORLD TOUR 2023 - PORTO ALEGRE/RS

 


SCORPIONS - ROCK BELIEVER WORLD TOUR 2023
Abertura: MARENNA
25/04/2023 - Gigantinho - Porto Alegre/RS
Produção: Mercury Concerts/Opus Entretenimento
Assessoria: Agência Cigana

Texto e fotos: José Henrique Godoy

Existem momentos, dias, noites, horas, que se tornam inesquecíveis, seja por qual motivo for. Realização de sonhos, ou resgates do passado. Esse ano completo 40 anos como fã de rock. E há 40 anos conheço a tal banda Scorpions. Na minha adolescência os shows no Brasil eram raríssimos, e naquela época eu pensava que o mais perto que eu chegaria do Scorpions seria a transmissão "meia boca" que a Rede Globo fez do explosivo e antológico show dos alemães no primeiro Rock In Rio em janeiro de 1985.

Desde cedo sempre me acostumei a ler revistas e livros de rock e metal, e admirar as pessoas que escreviam sobre o tema. Ficava impressionado sobre como aqueles jornalistas sabiam tanto sobre tudo a respeito das bandas e artistas. Meu saudoso pai me falava: "É porque eles estudaram pra saber tanto". Bom, não me tornei jornalista, mas me meti a escrever sobre shows, Lps e Cds, meio tipo "zagueiro de horta", sem muita técnica mas com todo sentimento que tenho pela música pesada.

Toda essa introdução meio sentimental e desvirtuada ao qual este texto se propõe, é pra dizer que, passados 40 anos, cá estou eu, no show do Scorpions em Porto Alegre, escrevendo para o  Rebel Rock, e muito feliz, pois este é o nosso primeiro credenciamento para show de banda gigante! Um imenso prazer e indescritível emoção.

O local é o Ginásio Gigantinho, do S.C. Internacional território adversário para um tricolor frenético como eu, mas local também de muitas glórias: meu primeiro show assisti neste mesmo local, o Quiet Riot em março de 1985, assisti Black Sabbath com Dio em 1992, Iron Maiden, Motorhead, entre outros, além de inúmeros Grenais vencidos pelo Grêmio, no estádio ali ao lado do ginásio. Mas chega de conversa fiada, e vamos ao que interessa.

Às 19h30, o Marenna, a excelente banda de Hard Rock gaúcha inicia sua apresentação com "Voyager" faixa título do seu trabalho mais recente. Logo no início, o som estava muito embolado, e a seguir, na tentativa de ajustes, hora o teclado ou hora o baixo ficavam com o som muito mais alto que os demais instrumentos. O problema foi solucionado na terceira música, "Pieces OF Tomorrow". Outros destaques do set de 45 minutos que a banda apresentou foram "You Need To Believe" e "Too Young to Die". Inegável a categoria do quinteto, formado por cinco exímios músicos, executando um Hard Rock/AOR de primeira grandeza. Que fique aqui registrado, o Marenna é uma das melhores bandas nacionais da atualidade e veio para ficar, ao contrário de vários exemplos de bandas que apareceram, abriram show de um gigante da música e nunca mais se ouviu falar da banda. "Had Enough " fecha o set do Marenna, que caiu nas graças do ótimo público presente ao Gigantinho.

MARENNA

A cortina com o enorme logotipo do Scorpions cobria o palco, enquanto no som mecânico rolavam vários clássicos do rock, até que pontualmente as 21h, as luzes se apagam e o espetáculo inicia. Com a cortina ainda sem revelar o que estava por vir, reconhecemos de cara a faixa de abertura do excelente álbum "Rock Believer", "Gas In The Tank". A cortina cai e lá estão os cinco senhores de uma das mais aclamadas e vencedoras do Rock n' Roll. O palco super iluminado com um telão reproduzindo imagens ultra coloridas. Klaus Meine, Rudolph Schenker, Mathias Jabs, Pawel Maciwoda e Mikkey Dee chegaram pra não deixar pedra sobre pedra, e as clássicas "Make It Real" e a preferida das preferidas, "The Zoo" são executadas quase que sem intervalo. O peso e a classe dessa composição tornam esta uma das músicas mais clássicas do repertório do Scorpions. O solo de Mathias, utilizando o Talk Box me fez viajar até aquele janeiro de 1985 onde assisti a mesma cena no Rock In Rio, pela tv da sala. Nesse momento também, Klaus divide-se entre utilizar um Cow-Bell, e jogar baquetas para o público.

SCORPIONS

O som, estava perfeito, alto e claro. Klaus Meine dá um show de simpatia , sorrindo e acenando sempre, e por uns instantes sai do palco. É a vez de Mathias tomar a frete do palco e iniciar o riff da instrumental "Coast To Coast", e Klaus "timidamente" retorno ao palco com a sua guitarra para levar a referida faixa até nós.

Ao contrário da maioria dos seus contemporâneos, que lançam discos novos, mas tocam apenas uma ou duas músicas do novo trabalho nas turnês, para não arriscar em prol dos sons consagrados da sua discografia, o Scorpions sabe que tem um álbum fortíssimo, e aposta nele e agrada totalmente: na sequência, duas músicas de "Rock Believer": a pesada e cadenciada "Seventh Sun" (na primeira audição, me lembrou muito a música "China White", do álbum "Blackout" de 1982) e a rápida e certeira "Peacemaker".

 

Klaus nos convida a voltar aos "bons e velhos tempos dos anos 80" e dispara "Bad Boys Running Wild", faixa de abertura de talvez o seu disco mais conhecido, "Love At the First Sting" (1984). Aproveitando o ensejo, Mathias Jabs toma novamente a frente para executar a sua instrumental "Delicate Dance". Pausa para tomar fôlego, Rudolph e Mathias trocam as guitarras elétricas pelas acústicas e o Gigantinho em peso canta junto com Klaus a belíssima "Send Me An Angel". No mesmo clima, na sequência uma das músicas mais famosas dos alemães, "Wind Of Change", é dedicada a Ucrânia.

Voltando à primeira forma, "Tease Me, PLease Me", com seu riff incrível e letra sacana, agita o público novamente, enquanto a próxima, "Rock Believer" provavelmente é o mais novo clássico do Scorpions, uma faixa sensacional, feita pra "todo mundo cantar junto". O saudoso e imortal Lemmy, sempre apresentou Mikkey Dee nos tempos do Motorhead, como o " Melhor baterista do Mundo" e o que veio a seguir foi um solo pra não deixar nenhuma dúvida sobre a opinião do Mr. Kilminster sobre seu antigo baterista.

Palco fica escuro, se ouve sirenes e luzes da polícia começam a piscar por todo o palco: hora de "Blackout " e Rudolph entra com a sua impagável "Flying V" com escapamento soltando fumaça. "Big City Nights" é a próxima e  as luzes e o telão emulam uma agitada noite numa cidade grande. Infelizmente sabemos que o final do show está próximo, a banda sai do palco e volta para o bis, com as duas músicas que tradicionalmente fecham o set e estão entre as mais conhecidas do Scorpions: "Still Loving You" e o hino " Rock You Like a Hurricane".



Que noite foi esta que o Scorpions nos proporcionou senhoras e senhores. Todos os "Rock Believers" presentes saíram com a alma lavada. Não foi um show, foi sim, um espetáculo. Fiquei lembrando do medíocre cidadão da Rede Record que "regurgitou" que Scorpions ( junto a Deep Purple e Kiss) estavam vindo ao Brasil para se internar em uma casa de idosos e os fãs que iriam nos shows precisavam usar medidores de pressão arterial. Para esse cidadão, eu só digo que quero chegar aos 70 anos com a vitalidade de um Klaus Meine ou de um Rudolph Schenker. Obrigado Scorpions, volte sempre que possível, para nos dar mais uma aula de como fazer música e de como fazer um show de Rock de verdade. Fica aqui nosso agradecimento a Opus Promoções e Agência Cigana pelo credenciamento concedido ao Rebel Rock.


quarta-feira, 26 de abril de 2023

ROSA TATTOOADA - 35 ANOS - 19/04 - 92 PUB - PORTO ALEGRE/RS

 


ROSA TATTOOADA - 35 ANOS
19/04/2023
92 PUB - PORTO ALEGRE/RS
Texto: José Henrique Godoy
Fotos: João Freitas

35 anos não são 35 dias. Bem como o Rosa Tattooada não é apenas mais uma banda de rock. Então o início da tour de 35 anos da maior banda de Hard Rock do RS e uma das maiores do Brasil não poderia deixar de ser em uma noite especial, celebrada no 92 PUB, em Porto Alegre, cidade natal do grupo.

O 92 Pub Gastro Pub, apesar do nome relativamente novo, trata-se na realidade do antigo Art & Bar, local de shows bem conhecido em Porto Alegre. Como toda a festa de aniversário de responsa, ocorreu uma pequena recepção para convidados da banda, regado a excelentes litros de chopp, oferecidos pela casa.

As 23h30, Jacques Maciel (guitarra e voz), o capitão do Rosa Tattooada desde o seu início, juntamente a Valdi Dalla Rosa (baixo) e Dallis Trujillo (bateria) iniciam o show com a pedrada “Rendez-Vouz”. O local, apesar de não muito grande, estava abarrotado, com um bom público presente. Som claro e limpo, seguiram-se outras preferidas como “ Fora de Mim, Dentro de você” e “Um Milhão de Flores”.


A velha e sempre bem sacada intro com “My, My, Hey, Hey” clássico de Neil Young and Crazy Horse, abre caminho desde a primeira vez que presenciei “Tardes de Outono” ao vivo. E assim mais uma preferida do catálogo do Rosa foi executada. O clima dos shows do Rosa Tattooada é sempre uma celebração ao rock n' roll e à amizade, pois após 35 anos e sei lá quantos shows, não importa se são duzentas ou duas mil pessoas. Parece que você conhece todos os presentes e todos conhecem você. Poucas bandas conseguem reunir um público tão fiel.

A noite também teve participações especiais, como James Andrew do Tequila Baby, tocando “Velhas Fotos” e homenagens, com a banda tocando ”Campo Minado , em memória do recém falecido e ícone do Rock Gaúcho, Fughetti Luz. “Canção do Deserto”, dedicada ao Moto Clube “Confraria das Máquinas”, amigos da banda há bastante tempo, prossegue e no mesmo clima, "Born to be Wild” em sua versão mais pesada veio na sequência. “Você é tudo que eu quero”, cover dos Garotos Da Rua, dá uma acalmada no set, esta com os vocais comandados pelo baixista Valdi.



“Diamante Interestelar” e o clássico maior do Rosa “O Inferno Vai ter que Esperar” fecham uma excelente apresentação como é de praxe do trio, mas antes do final derradeiro o grupo toca o velho "mais um” , dessa vez com “ Cachorro Louco” do TNT, em clima de festa e com vários convidados que tomaram de assalto o palco, nos backing vocals.

Esta foi a primeira de muitas datas que o Rosa Tattooada vai fazer este ano em comemoração aos 35 anos de banda. Se tiver oportunidade não deixe de comparecer, pois o grupo, apesar de já estar na “idade do Lobo”, tem ainda muita lenha pra queimar e inclusive ouvi dizer que existem planos para um trabalho novo em um futuro não muito distante. Agradecimentos especiais para o fotógrafo João Freitas (@joaofreitas.fot) , que gentilmente cedeu as fotos.