quarta-feira, 14 de fevereiro de 2024

MANTICORA - MYCELIUM (2024)


MANTICORA
MYCELIUM 
Mighty Music - Importado

Os dinamarqueses do Manticora chegam ao seu décimo trabalho. O grupo está na ativa desde do final dos anos 90, lançando álbuns que são uma verdadeira “mistureba” no universo heavy metal, o que não é problema.

Em sua nova empreitada, “Mycelium”, o grupo segue com um trabalho sombrio e marcante, com uma parede orquestrada criando uma atmosfera única no instrumental que por ora rápido, agressivo, por ora  melódica. Para o amigo leitor se situar, as composições têm o DNA de Nevermore, King Diamond, Children of Bodom e qualquer banda de Atmospheric Metal, e obviamente, com tantos anos de estrada, eles seguem sua própria ordem.

O intervalo entre um disco e outro trouxe uma banda renovada e transpirando inspiração, o que logo de cara é sentindo com “Winter Solstice”, faixa instrumental que cativa pelas harmonias que logo abrem caminho para bombástica “Necropolitans”, faixa  rápida, com os dois bumbos parecendo metralhadoras e um refrão grudento. É interessante como a abertura poderia estar em alguém disco de Power Metal, mas um passo adiante, temos “Demonday” que carrega peças de Nevermore e um Dimmu Borgir , sem máscaras e letras satânicas.

“Angel Of The Spring” é daquelas músicas calmas, linha acústica e voz limpa que inesperadamente começa decolar, mas pousa numa voz feminina, teatral e apaixonante. A velocidade ganha um novo capítulo nas seguintes “Golem Sapiens” e na faixa-título, ambas possuem nuances do death metal mais técnico, e obviamente, melódico. A “dupla personalidade” de Lars F. Larsen possuído por diversas facetas vocais chama bastante atenção, e traz um excelente brilho nas músicas.

“Mycelium” num todo é de fácil absorção, um trabalho com menos de 50 minutos, que carrega consigo a diversidade, sendo essa sua melhor qualidade. O final apoteótico com “Mementopolis” e “Dia De Los Muertos” poderiam ser singles, por serem ambas faixas explicativas do que é o som do Manticora.


William Ribas





SUICIDAL ANGELS - PROFANE PRAYER (2024)


SUICIDAL ANGELS
PROFANE PRAYER
Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional

As primeiras notas de “When the Lions Die” anunciam mais um grande passo na carreira desta, que, para mim, é a melhor banda de thrash metal da atualidade. Os gregos do Suicidal Angels chegam no ápice, misturando o passado e presente, criando uma sonoridade certeira entre a agressividade do seu início, com as incursões melódicas que vem sendo o destaque dos seus últimos álbuns.

“Profane Prayer” apresenta o que queremos, mas, sem esquecer das novidades que estão espalhadas entre as 9 faixas. Um riff mais gordo, guitarras soltas, vocais limpos, coral, música épica, e muito peso são as chaves do sucesso. O grupo está na ativa há 23 anos, deixaram de seguir os heróis e vêm se tornando protagonistas. “Crypts of Madness” e “Purified by Fire” são belos exemplos - seus riffs de palhetadas rápidas, jogam a adrenalina para o alto, o “bate-cabeça” é inevitável! Jeff Hannemann no lado Sul do paraíso está aplaudindo de pé essa dobradinha.

“Deathstalker” traz uma breve calmaria, seu dedilhado carrega densidade e explode numa arrastada e melódica música. A faixa título provoca o caos perfeito - um ataque de abelhas sedentas por sangue e morte, que abre o caminho para a sorrateira “The Return of the Reaper”, música que te convida para vestir o colete, cinto de bala, jeans rasgados, tênis cano alto e cair no moshpit.

As notas graves do baixo iniciam a magnífica “Guard of the Insane”. Vale o destaque para gravação e mixagem, todos instrumentos nítidos, o som da bateria é algo descomunal, cada batida nas caixas tem o peso de um soco no Mike Tyson.

Hoje em dia muito se fala de uma geração que não consome álbuns. Se “Profane Prayer” não te despertar isso, desculpe, o Metal não corre em suas veias! Por favor, volte ao início de sua vida, e, como diria Raulzito: "Tente outra vez". O encerramento fica a cargo de "Virtues of Destruction" e "The Fire Paths of Fate". Enquanto a primeira é um clássico thrash metal, a segunda é a obra mais ambiciosa e progressiva dos gregos - quase dez minutos de duração, com vozes femininas, uma trilha cheia de nuances, peso, feeling e riffs.

Nick Melissourgos (Vocalista e Guitarra), Gus Drax (Guitarra), Angel Kritsotakis (Baixo) e Orpheas Tzortzopoulos (Bateria) são inquietos, endiabrados e brutais. Temos a sorte de vivenciar um grupo que cada novo trabalho supera o seu antecessor. “Profane Prayer” fica lado a lado de “Year of Aggression”(2019), “Division of Blood”(2016) e “Dead Again” (2010) como melhores álbuns de uma discografia até aqui, impecável .

William Ribas






segunda-feira, 5 de fevereiro de 2024

ROLAND GRAPOW - SESC BELENZINHO - 03/02/2024 - SÃO PAULO/SP


ROLAND GRAPOW
SESC BELENZINHO - SÃO PAULO/SP
02/03/2024
PRODUÇÃO: TC7 Produções
Assessoria: JZ Press

Texto e vídeo: William Ribas
Fotos: Emerson Santos (One Photography Media - @onephotographymedia)

Uma das melhores coisas na vida, é revisitar o passado. Relembrar como conheceu tal música, tal banda, quem te apresentou e por vai. O Helloween nos meus 10 primeiros anos na música pesada esteve sempre no meu discman, microsystem, pôsteres na parede e nos bons  e maus momentos da vida.

O guitarrista Roland Grapow já é figurinha carimbada no nosso país, não importa qual banda ou projeto, Grapow e o público brasileiro têm uma sinergia ímpar onde cada segundo de música valem a pena. Sabendo disso, a noite do último sábado era de jogo ganho dos dois lados (público e banda). Do lado de cima do palco, uma banda coesa, competente e carismática. Na pista, todos os ingressos vendidos - Um SESC abarrotado, quente e apaixonado.

Pontualmente às 20h30, João Luiz (Voz), Roland Grapow (Guitarra), Affonso Júnior (Guitarra), Fabio Carito (Baixo) e Marcus Dotta (Bateria) deram o ponta pé com a pesada “Mr. Torture”, com o público agitando bastante, mas foram nas seguintes que o “bicho pegou”.“Spirit Never Dies” e “The Chance”, ambas pareceram um rolo compressor, não houve cidadão que não berrou os refrãos, que não se arrepiou com tamanha maestria de Grapow e sua turma. Mas, o melhor estava por vir.


Com um set recheado de clássicos e lados B de Helloween e Masterplan, o público foi contemplado de diversas formas. Os fanáticos tiveram a oportunidade de ver músicas que há anos não estão no set do Helloween, e aqueles fãs mais “best of”, ganharam a oportunidade de descobrir que existe vida além dos hits. Faixas como “A Million to One”, “A Handful of Pain” e “The Departed” trouxeram um ar mais intimista ao espetáculo, com alguns cantando cada frase, e outros querendo saber onde “habita” tais faixas, no meio desse misto de emoções tivemos um dos melhores momentos do show.

O que vi, ouvi e senti em “The Time of the Oath”, espero nunca esquecer. A comedoria do SESC Belenzinho tremeu, TODOS cantaram juntos, o refrão marcante ecoou alto a ponto de cobrir a banda no palco — Um momento único em que ficou nítida a felicidade de Roland Grapow de estar aqui novamente. Além do guitarrista alemão, vale um comentário sobre João Luiz, o Dio brasileiro. O vocalista é pura energia e entrega em cima do palco, o seu timbre é totalmente diferente de Deris ou Kiske, mas, por muitas vezes, era como se estivéssemos com Jorn Lande na nossa frente.

Algumas surpresas estavam reservadas para metade final do show. A primeira foi o vocalista Leandro Caçoilo que estava “endiabrado”, simplesmente soltou toda a agressividade e tons altos em “Push” (bruta, testosterona pura) e “Mankind” (um soco bem dado), ambas não deixaram pedra sobre pedra, e abriram o caminho para a festança no fechamento do set.


(Fotos: William Ribas)

O vocalista Victor Emeka (Hibria) e o guitarrista Bill Hudson (NorthTale) subiram ao palco para comandar o maior karaokê já visto na zona leste. Não tem ser humano no mundo que fique parado com “Eagle Fly Free” e “I Want Out”! São clássicos, hinos, músicas formadoras de caráter, e tenho certeza que todo o público se sentiu um pouco Michael Kiske no momento.

O grand finale se deu com duas do Masterplan: “Heroes”, onde Caçoilo e Emeka dividiram os microfones com João Luiz e “Crawling From Hell”, que curiosamente fez o show terminar do mesmo modo que começou, pesadíssimo!

Ver o Grapow ali há poucos metros, ouvir as músicas do Helloween e Masterplan sendo tocadas com tanta dedicação e paixão fizeram com que a noite fosse mágica. Só posso terminar esse texto parafraseando João Luiz ao final do show: Roland Grapow, You're the MAN.







terça-feira, 30 de janeiro de 2024

TONY BABALU - DE VOLTA AO QUARTO DE SOM (2024)


TONY BABALU
DE VOLTA AO QUARTO DE SOM
Independente - Nacional

Tony Babalu é um dos grandes “guitar heroes” brasileiros, sem dúvida alguma. Em 2024 ele está comemorando 50 anos de carreira. Isso é chão percorrido para caramba e não é para qualquer um. Tony não precisa de apresentações, mas em todo o caso, basta citar que em seu currículo tem a passagem pelo grande Made In Brazil, onde gravou um dos maiores clássicos, do Rock Brasileiro, o álbum “Paulicéia Desvairada”, considerado um dos pilares do rock setentista do Brasil.

“De Volta Ao Quarto de Som” é um EP totalmente instrumental e a sequência lógica de “No Quarto De Som” lançado em 2021. Neste EP temos 5 temas, abrangendo todas as influências de Tony, onde ele desfila toda a classe adquirida na sua já longa estrada.

O trabalho abre com a rockeira “Crash”, riff grudento que ficará na cabeça por um bom tempo após a primeira audição. Em seguida a enigmática “Neblina” cheia de climas e nuances, em que Babalu nos apresenta temas calcados no jazz e fusion. “O Lenhador” é a terceira, totalmente firmada com os dois pés no Blues, escola que Tony também se demonstra um mestre.

“Entre Cristais”, com sua levada acústica, tem trabalho exuberante de violões e guitarras acústicas, aquele som para ouvir no carro na estrada. E a última, mais uma pérola: “Shai”, onde guitarras semi-acústicas nos entregam uma faixa cheia de climas, e lembra aquelas vinhetas que o Rei Eddie Van Halen tanto gostava de compor nos álbuns de sua banda.

Enfim, um álbum soberbo de uma lenda da guitarra brasileira, cujo o único “defeito” é ser curto, quando acaba você gostaria de que seguisse mais. Mas daí, volte e escute tudo novamente. Procure conhecer este excelente trabalho de Tony Babalu, indicado para fãs de guitarras e guitarristas e também para quem aprecia música de (alta) qualidade.

José Henrique Godoy




segunda-feira, 29 de janeiro de 2024

LUCIFER - LUCIFER V (2024)

 

LUCIFER
LUCIFER V
Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional


Sim, amigos, é notório: A música do diabo é a melhor música já feita. Se você está aqui no Rebel Rock, óbvio que concorda comigo, e essa minha afirmação não é nenhuma novidade para você. A novidade aqui é o novíssimo álbum do Lucifer, banda “preferida da casa”, como diria Fábio Massari nos áureos tempos da saudosa MTV. É o quinto álbum do quinteto, e tem o óbvio título de “Lucifer V”.

O que não é tão óbvio é que aqui temos simplesmente o melhor trabalho da banda até agora. O Lucifer é uma das mais prolíficas bandas dos últimos anos: são 10 anos de carreira e 5 álbuns, fora alguns singles, mas com este novo trabalho posso dizer que chegaram a um nível próximo a perfeição.

A sonoridade segue a mesma, Hard Rock/Heavy Rock baseada nos anos 70, mas com muita personalidade. A abertura com “Fallen Angel”, com um riff poderosíssimo nos faz lembrar o Judas Priest dos álbuns “Sin After Sin” ou “ Stained Glass”, enquanto “At The Mortuary” é a primeira citação ao Black Sabbath. Mais cadenciada e com riffs dos guitarristas Martin Nordin e Linus Björklund que fazem reverência total a Tony “God of All Riffs” Iommi” é uma das melhores músicas da discografia do Lucifer.

A rocker “Riding Reaper”, num clima mais hard rock segue o altíssimo nível, e a próxima é a balada soturna “ Slow Dance In A Crypt”. Melancólica e sombria, aqui temos um show de interpretação da vocalista Johanna Sadonis. “Maculate Heart” é a próxima que inicia com a batera vigorosa de Nicke Andersen, e tem uma levada rock n roll que nos remete a bandas dos anos 70 como Dust e Blue Oyster Cult. “A Coffin Has No Silver Lining” é outro “highlight” com um riff mais oitentista, lembrando as bandas de hard/heavy do período, porém, sem perder o ar “trevoso” do Lucifer.

“The Dead Don´t Speak “ traz mais um momento Sabbathico, com Nicki emulando viradas que fariam Bill Ward orgulhoso. "Strange Sister” retoma o Hard Rock, rápida e com aquele clima para entrar no setlists dos shows dos Lucifer e não sair nunca mais.

O álbum fecha com a Doom “Nothin Left to Lose But My Life”. Pesada e cheia de melancolia, parece nos dizer que é uma pena que a audição esta terminando... Que álbum temos aqui, senhoras e senhores! Pintou o primeiro álbum para a minha lista de melhores do ano: “Lucifer V”... Pode ser exagero de fã? Aposto que não, espere o lançamento nacional que virá pela Shinigami Records/Nuclear Blast e confira com seus próprios sentidos... O “anjo de luz” da Sra. Sadonis e asseclas não veio ao mundo para brincar...

José Henrique Godoy