sexta-feira, 21 de junho de 2024

GHOST - RITE HERE RITE NOW (MOVIE - 2024)

 


GHOST
RITE HERE RITE NOW


O Rock/Metal no cinema sempre é uma ocasião especial e peculiar. No passado tivemos alguns (poucos) exemplos com Led Zeppelin “The Song Remains The Same” e o AC/DC com “Let There Be Rock”, que se tornaram mais do que clássicos. Mais recentemente Metallica, Rammstein e Kiss também levaram seus shows/documentários para as grandes telas de todo o mundo.

“Rite Here, Rite Now" é a primeira oportunidade do Ghost levar ao público o seu show teatral via cinema. A exibição simultânea nas salas do mundo todo ocorre nos dias 20, 21 ,22 e 23 de Junho de 2024, e combina imagens dos dois shows que a banda liderada por Tobias Forge apresentou no Kia Forum, em Los Angeles no final de 2023. Junto a apresentação dos shows, o longa metragem discorre uma narrativa que trás de volta o enredo dos “Websodes” apresentados pelo Ghost ao longo dos anos: A trajetória dos papas e suas origens.

Realizado e produzido por Tobias Forge, com a colaboração de Alex Ross Perry, “Rite Here, Rite Now” apresenta o espetáculo que o Ghost entrega no palco. Goste você da banda ou não, não há como negar que o show é impecável, com muita produção de palco e teatralidade, por óbvio. Os Nameless Ghouls são excelentes músicos, (sem spoilers, mas agora temos também as The Ghoulettes) e Tobias Forge é um frontman fantástico, além de um “entertainer” completo.

A trama que se passa nos bastidores é muito bem amarrada e distribuída ao longo do espetáculo, e não atrapalha em nada quem está lá apenas pela música. E você que é fã das músicas do Ghost, os seus clássicos estão todos lá. Creio eu falar mais do que isso vai estragar a experiência de quem ainda não assistiu, mas porém apenas mais um “aviso”: Não sai da sala quando os créditos começaram a subir na tela. Ao final temos mais algumas surpresas.

“RITE HERE RITE NOW” vai “mergulhar os espectadores no melodrama tecnicolor do aclamado ritual ao vivo da banda, que ajudou a impulsionar a principal exportação de rock teatral da Suécia para o estatuto de vencedor do prémio GRAMMY, liderando as tabelas de venda e esgotando arenas em todo o mundo“, pode ler-se num comunicado de imprensa. E apesar de sucinto, este comunicado reflete bem o que o Ghost entrega neste excelente trabalho. Saí da sala de cinema com vontade de ouvir o Cds e assistir um show ao vivo do Ghost. Se você é fã ou gosta da banda, procure neste final de semana uma sala de cinema para assistir “Rite Here Rite Now”.

José Henrique Godoy




ACCEPT - HUMANOID (2024)

 


ACCEPT
HUMANOID
Napalm Records - Importado

Após pouco mais de três anos, o Accept, liderado pelo guitarrista Wolf Hoffmann, lançou seu 17º álbum de estúdio no dia 26 de abril. Este é o segundo álbum sem o baixista Peter Baltes e o sexto da fase atual com o vocalista Mark Tornillo. A banda conta também com Uwe Lulis na guitarra, Martin Motnik no baixo e Christopher Williams na bateria. O Brasil foi um dos primeiros países a receber a banda na turnê de divulgação do disco no último mês de maio.

A lendária banda alemã de heavy metal tradicional é conhecida por clássicos da cena como "Balls to the Wall", "Metal Heart" e "Restless and Wild". São excelentes músicas que mesclam a sonoridade de outras lendárias bandas, como Judas Priest e AC/DC.

A capa do disco é uma arte que remete à faixa-título. Um robô com sua inteligência artificial sendo superior aos humanos. Atrás, podemos observar uma janela aberta que mostra uma cidade futurista. A janela possui o formato do coração da capa do "Metal Heart", claramente uma referência ao clássico álbum da banda.

A produção do excelente Andy Sneap deixa o disco com uma boa sonoridade. O mencionado produtor já vem trabalhando com a banda desde o primeiro disco com Tornillo, portanto a sonoridade do atual trabalho não mudou em mais de 14 anos. Segue exatamente a mesma linha de composição e produção. O Accept entra no mesmo grupo do AC/DC de fazer discos muito parecidos, porém com excelente qualidade. Este trabalho segue o heavy metal tradicional, recheado de excelentes riffs e solos, com uma produção mais moderna, junto com o clássico vocal rasgado de Mark Tornillo. No geral, é um excelente álbum de heavy metal, mas acredito que não tenha superado seu predecessor "Too Mean To Die".

O álbum abre com "Diving Into Sin", uma bela composição que é extremamente característica dessa fase atual do grupo. A música inicia com uma melodia suave na guitarra, de uma maneira bem calma, ocorrendo um contraste logo em seguida, onde a música “explode”. Consigo imaginar essa música no "Blind Rage". A faixa seguinte, "Humanoide", batiza o álbum. A música possui um riff com notas alongadas, formando uma melodia bem bonita, seguida do vocal agressivo de Tornillo. Aqui a banda aborda a temática tecnológica, fato recorrente nas suas letras, como ocorrido na música "Zombie Apocalypse" no trabalho anterior. A faixa conta uma história fictícia de um ser híbrido, metade humano e metade máquina, chamado de Hybrid. Acredito que um clipe animado teria se encaixado bem com essa música. "Frankenstein" vem logo em seguida com um hard/heavy bem empolgante. Seus versos e sua ponte são as melhores partes da música, porém o refrão é um pouco desanimado. O solo se destaca no disco como um dos melhores. A música retrata a perspectiva de uma criatura criada por um cientista maluco, mostrando sua confusão e luta para a compreensão de sua existência.

"Man Up" é uma música mais leve. Remete-me a "Wanna Be Free", do "Blind Rage", sendo uma música bem suave, com um começo mais tranquilo. É uma bela música com um refrão que possui o característico coro do Accept. Destaco a ponte entre o verso e o refrão. Quebrando o ritmo leve, em seguida vem a excelente "The Reckoning". A música abriu o show em São Paulo. Aqui temos o heavy metal de volta, com um riff pesado e um verso bem agressivo. A primeira frase da música “horseman ride” é cantada com coro da banda de uma maneira muito forte, uma ótima introdução para a canção. Mark Tornillo manda muito bem nessa faixa. O trabalho de guitarra é estupendo. A música descreve uma visão apocalíptica do fim dos tempos, onde os cavaleiros do apocalipse trazem caos e destruição. Posteriormente, o disco nos presenteia com uma faixa que remete ao Accept clássico com o Udo. Não à toa é o melhor trabalho do álbum. O riff inicial lembra músicas do "Metal Heart". O verso é bem voltado para o hard rock. O refrão é, com sobras, o mais “grudento” do álbum, e também o melhor. Muito empolgante, feita para cantar ao vivo (embora na sua turnê não tenha sido tocada). A música aborda a inevitabilidade da morte, independente das diferenças entre as pessoas. Excelente faixa!

Finalmente o disco chega na balada. O Accept, além de suas músicas pesadas, também é conhecido por compor elegantes baladas. "Revenge Of Time" é uma balada bem calma. Inicialmente é cantada com a voz mais suave de Tornillo, acompanhada por uma guitarra bem leve, até que ele volta a soltar sua voz rasgada. Outra boa música que vem sendo tocada nos shows da turnê. A porrada retorna com "Unbreakable". Essa música tem aquela tradicional característica da banda de você imaginar o refrão apenas lendo o título da faixa. E assim acontece. O refrão é tocado da maneira mais Accept possível. E ele é seguido com riffs muito bem encaixados. Ótimo trabalho.

"Mind Games" segue a linha genérica do Accept atual. O que não é demérito, pois é mais um bom trabalho do disco. O título mais uma vez é cantado com o famoso coro da banda. Destaco seu solo calmo. Não se destaca no álbum, mas dá para aproveitá-la. "Straight Up Jack" é a clássica faixa da banda que remete ao AC/DC. Aqui temos um hard rock muito próximo ao som feito pelo lendário grupo australiano. Podemos perceber isso no começo da música e, principalmente, no refrão. Boa música.

O disco é encerrado com a excelente "Southside Of Hell", um grande destaque do "Humanoid". Aqui a banda regressa ao metal. O riff que inicia a música com certeza é o melhor do álbum. Bem trabalhado, longo e com vários momentos diferentes. Excelente riff que vai acelerando com o passar da música. Seu verso e sua ponte são bem fortes e rápidos, seu refrão é mais cadenciado, possuindo, claro, o coro da banda. Podemos ouvir o riff novamente pelo meio da música. O solo é outro destaque, bem melódico e característico de Wolf Hoffmann. Um baita fechamento.

"Humanoid" foi um tiro certeiro do Accept. Fizeram o que fazem de melhor, seu som clássico de anos, sem inventar ou inovar. Se você curte os trabalhos da fase atual, não tem por que deixar de ouvir essa obra, é exatamente o que irá encontrar.

Thiago Rodrigues




terça-feira, 18 de junho de 2024

KERRY KING - FROM HELL I RISE (2024)

 


KERRY KING
FROM HELL I RISE
Reigning Phienix Music - Importado

Kerry King é daqueles músicos gigantes, e seu nome e legado transformaram esse trabalho em um dos mais aguardados de 2024, e verdadeiros fãs do mais intenso e brutal Thrash Metal não tem absolutamente do que reclamar. É óbvio que o nome que carrega faz com que o sarrafo esteja sempre em um nível alto e como não relacionar seu nome a clássicos imortais lançados na longínqua década de 80 e mesmo o início dos anos 90, mas como sabemos, esses anos dourados nunca mais retornarão, afinal King e cia. não tem mais 20 e poucos anos e mesmo assim, ainda são capazes de tocar em ritmo e velocidade alucinantes.

Desde que o Slayer anunciou o fim das atividades há alguns anos atrás, King já demonstrava que não queria parar e que reuniria um Dream Team do Metal com sua nova banda que tempos depois leva apenas seu nome artístico, o que para mim foi um pouco decepcionante. A banda poderia muito bem se chamar algo como Kingslayer ou mesmo outro nome que não se relacionasse tão diretamente ao guitarrista, mas o mais importante é que finalmente, em determinado momento, o projeto de King de ter uma nova banda finalmente saiu do papel.

Ao visualizar o tracklist de “From Hell I Rise”, achei de imediato que 13 faixas poderiam soar um tanto cansativas, mas felizmente foi apenas aquela impressão que durou alguns nanosegundos e ouvir tantas cacetadas igualmente insanas e pesadas e que absolutamente em tudo, lembram Slayer, umas com mais, outras com menor intensidade, de forma alguma poderiam cansar a ponto de pausar a execução em algum momento. Parece que não fugir do jeito Slayer de ser foi um dos motes do disco. Que bom!

A instrumental “Diablo” abre o disco nos mesmos moldes de “Delusions of Saviour” que também abriu o último registro de estúdio do Slayer, “Repentless” (2015). “Where I Reign” dá inicio ao caos, na sequência duas faixas já previamente lançadas, a mais cadenciada “Residue” e a caótica “Idle Hands”.
“Trophies of the Tyrant” é um enorme destaque em especial em seus solos onde o grande guitarrista Phil Demmel (ex-Machine Head) se destaca e “Crucification” poderia tranquilamente fazer parte dos mais clássicos trabalhos do Slayer já que a pancadaria mesclada com a melodia é algo que nem sempre se viu nos álbuns do Slayer. Essa vale uma atenção redobrada!

“Tension” me lembrou faixas como “Serenity in Murder”, de “Divine Intervention” (1994) por exemplo, já que a semelhança da voz limpa de Mark Osegueda com a de Tom Araya é incontestável. “Everything I Hate You” tem pouco mais de 1 minuto e não dá pra esperar nada além de pancadaria, e sim, ela poderia estar em “Undisputed Attitude” (1996). “Toxic” é também um destaque absoluto e sua levada me lembrou a faixa “Piano Wire” do trabalho mais recente do Slayer, faixa esta uma composição de Jeff Hannemann. Quer mais Slayer que isso?

“Two Fists” tem uma veia punk que a faz única no disco, “Rage” é puro Thrash anos 80, “Shrapnel” tem uma intro que me lembrou mais uma faixa de “Divine Intervention”, chamada estranhamente de “213”. Mas é só no começo, depois tudo é Thrash. Destaco aqui as variações sempre criativas e cheias feeling do mago das baquetas Paul Bostaph. Essa poderia muito bem ser a faixa de encerramento, mas ainda tinha espaço pra faixa título, para aí sim desta vez, fechar o disco com ódio, raiva e brutalidade, o que fica claro no refrão “Do inferno através do fogo eu levanto, até que chova sangue dos céus”. Familiar isso tudo não acha, caro leitor?

Imagino essa faixas de tivessem a incrível interpretação do mestre Tom Araya no vocal, certamente (ao menos para mim!) soariam mais agressivas e potentes com algumas candidatas a clássico.
Melhor que “Repentless”? Acho que sim, ou no mesmo nível na pior das hipóteses! Melhor que “World Painted Blood” e “Christ Illusion”? Acho que não mas penso que a distância entre eles não é tão grande assim.

Para alguns pode soar como mais do mesmo, mas não, não é, afinal “From Hell I Rise” é um Slayer com outros músicos e em especial, com uma nova voz. Se o Slayer original vai ou não retornar com força total, ainda não sabemos já que isso ainda é um assunto um tanto quanto “mal explicado”; mas com esse lineup, os carentes fãs do Slayer no qual me incluo, podem sim sentir-se representados com toda a pompa.

Como diria o mestre Luiz Carlos Alborghetti: “um abraço pra galera do Slayer… são os grandes reservas morais do Thrash Metal”. Ele sempre esteve certo…

Mauro Antunes




sábado, 15 de junho de 2024

BON JOVI - FOREVER (2024)

 

BON JOVI
FOREVER
Universal Music Group - Nacional

Com 135 milhões de discos vendidos, 14 deles no topo das paradas, e mais de 50 singles de sucesso, o Bon Jovi tem o que é preciso para ser considerada uma das maiores bandas do planeta. Sempre reinventando a roda, década a década, deixou a sua marca em cada geração, garantindo com que o artista não dependa apenas de seus primeiros sucessos, diferente da maioria esmagadora de outros artistas.

Mas sabemos que desde 2012, após as intensas turnês dos bem-sucedidos ‘Lost Highway’ e ‘The Circle’, o músico vem sofrendo com diversas críticas, parte delas a mídia e seus fãs antigos, que mencionam sobre o direcionamento musical e a sua performance vocal. E para piorar, a saída de seu braço direito, o guitarrista Ritchie Sambora, fez parecer com que o maior problema do grupo fosse a sua ausência, o que é uma meia verdade. Desde ‘Lost Highway’, o nosso “King of Swing”, vinha seguindo um estilo mais leve e deixando de lado alguns estereótipos que o consolidaram. Seu posto foi ocupado por Phil X, que já havia trabalhado em outros projetos, dentre eles, com os canadenses do Triumph no disco ‘Edge of Excess’ de 1992. Então, temos que aceitar que ao único e verdadeiro responsável pela direção sonora do grupo, sempre foi Jon Bon Jovi.

E neste ano, para o lançamento de seu novo registro chamado ‘Forever’, Jon aproveitou-se do engajamento de seu documentário oficial biográfico, ‘Thank You, Goodnight: The Bon Jovi Story’. Trabalhando com o lado emocional dos fãs, e com foco em seu processo cirúrgico nas cordas vocais feito em 2022, ajudou a criar grandes expectativas até mesmo com o público que já não acompanhava há anos.

Com a divulgação do primeiro single ‘Legendary’, foi impossível não sentirmos aquela sensação ouvir a mesma fórmula de todos os seus últimos discos. O famoso bordão “não fede, nem cheira” se aplica neste caso. E mesmo com uma letra cheia de referências a carreira do músico, nos colocou em dúvida sobre alguma possível surpresa. Tempos depois, ‘Living Proof’ surge, dando um certo alívio, mas ainda dividindo opiniões. A música soava mais pesada, lembrando os discos como ‘Crush”’, ‘Bounce’ e ‘Have a nice day’. Mas a incerteza ainda rondava o consciente coletivo, e nos restou apenas esperarmos até dia 7 de junho.

Contando com 12 faixas lançadas no formato convencional (14 no Japão), o que ouvimos na obra é uma ode a carreira do músico. Se analisarmos as temáticas, muitas delas autobiográficas, trazem angústias e alegrias e indecisões intrínsecas ao artista e de sua longínqua carreira.

Os pontos altos do disco, além dos singles, ficam por conta de “Seeds”, que mesmo leve, traz uma estrutura musical diferente do que estamos acostumados a ouvir, explorando solos e elementos que a deixam ímpar, em paralelo a todas as outras faixas. E ‘The People´s House’, onde fica impossível a não comparação a ‘Keep The Faith’, um grande clássico de 1992, que nesta “versão”, mesmo que mais humilde, enriquece a experiencia do álbum, resgatando o ‘groove’ dos anos 90, momento de uma das melhores fases da banda.

E se ainda resta algum fã exclusivamente da fase oitentista para experenciar o disco, ‘Walls of Jericho’ pode fazer o seu gosto, tanto em sua harmonia quanto ao refrão, lembrando brevemente os lados B de “Slippery Whe Wet” e “New Jersey”. Uma outra composição relevante, ouvimos em ‘Living in Paradise’, música composta em parceria com o renomado músico Ed Sheeran, que manteve a sonoridade “atual” dos últimos discos da banda. Infelizmente, como qualquer trabalho atual da banda, temos composições descartáveis, como ‘Kiss The Bride’ e ‘Hollow Man’, esta última encerrando o disco do pior jeito possível, apesar de sua letra ser interessante.

Quanto aos integrantes do disco, felizmente (ou infelizmente) nenhuma novidade. Os escudeiros de longa data continuam firmes, como o baterista Tico Torres, David Bryan nos teclados, Hugh McDonald no baixo. O parceiro criativo, John Shanks e percussionista Everett Bradley, permanecem como músicos oficiais após anos de contribuições durante as turnês e em estúdio. E a o porquê de tantos músicos? Para quem ainda não sabe, Jon sempre adorou este formato de Big Band, influenciado pelos seus ídolos da Southside Johnny and the Asbury Jukes.

Em resumo, ‘Forever’ pode não ser o melhor disco do Bon Jovi nos últimos anos, ainda mais se comparado ao feito em This House is Not For Sale”, em 2016. Mas a obra mostra que em meio a tantas adversidades, Jon Bon Jovi mantém se no jogo da indústria musical ativo, e queira você ou não, se depender dele isto está longe de ter um final.

Leandro Isoppo





ANDRALLS - UNIVERSAL COLLAPSE (2024)

 


ANDRALLS
UNIVERSAL COLLAPSE
Marquee Records - Nacional

Pouco mais de 25 anos após sua fundação, o Andralls segue firme e forte. Um filho exemplar do underground brasileiro, firme e forte na sua proposta de fornecer rodas e torcicolos nos headbangers — O grupo paulista não pisa no freio, muito pelo contrário, a ordem é ir cada vez mais para o lado rápido e agressivo.

Chegando com mais um trabalho na praça, o fenomenal “Universal Collapse”, o oitavo disco de estúdio. Logo de cara temos a percepção de estarmos diante do álbum mais maduro e trabalhado do Andralls. A primeira novidade é que o grupo deixa de ser um trio para voltar após anos ser um quarteto, com a formação atual sendo Alexandre "Xandão" Brito (bateria) Alex Coelho (vocal e guitarra), Guilherme Goto (guitarra) e Renato Carvalho (baixo). Com a energia revigorada, o que temos nas 10 faixas são um peso nunca visto, com movimentados mais “sabbaticos”, colocando a densidade à frente da brutalidade.

A abertura com “Cross of Shame” é um voleio na orelha para deixar o ouvinte desorientado. São 3:48 minutos de pura ignorância e gritos surreais de Alex. Algo que me chamou bastante atenção no álbum são as características dos refrãos sempre serem repetitivos, e o instrumental “mais largado” para que aquele trecho em si seja extremamente marcante para o ouvinte.

Não existe descanso, “Escape from the Traps”, “Dead Consumers” e “Masters of the Lie” são pedradas, com riffs cortantes, que trazem em suas “entranhas” o Sepultura do maravilhoso “Schizophrenia” — Cru e poderoso a ponto de derrubar paredes e mais paredes de concreto. O lado Tony Iommi aparece em uma passagem de “Call Me Madness”, notas sombrias e arrepiantes, que logo descamba para mais uma aula de “fasthrash”.

“Universal Collapse” é uma aula de como evoluir sem perder a sua essência. É gratificante ouvir trechos que remetem aos heróis, mas, o melhor é sentir que a maturidade da estrada mostra que mais importante de olhar os pôsteres na parede, é se imaginar neles. O Andralls é um pilar, um exemplo de inquietude, não está bom? Reformularemos e chutaremos bundas novamente.

O Andralls nasceu para ser rápido e brutal, e nós nascemos para referenciá-los a cada novo lançamento. “Universal Collapse” é a obra definitiva desses 26 anos de muito trabalho e metal pesado.

William Ribas