terça-feira, 25 de fevereiro de 2025

CAPTAIN BLACKBEARD - CHASING DANGER (2025)

 


CAPTAIN BLACK BEARD
CHASING DANGER
Mighty Music - Importado

Os suecos do CAPTAIN BLACKBEARD estão de volta com “Chasing Danger”, que será lançado em Abril de 2025. O quarteto é mais uma pérola do AOR sueco, e só em citar de onde eles vêm e qual o estilo que praticam, sabemos que há qualidade no trabalho. O álbum é a estreia do vocalista Fredrik Vahlgre e este por sua vez não deixou a oportunidade a que mostrar à que veio.

Desde a abertura coma a faixa “Dreams”, o que temos são composições fortes, com grandes melodias e instrumentos altamente realçados por uma ótima produção. “When Its Over”, a segunda faixa do álbum, foi a escolhida para ser o primeiro single, porém creio que seja a faixa mais fraca do trabalho. Longe de ser ruim, apenas me parece ser mais fraca que as demais. “Chasing Rainbows” vem forte e eleva o nível novamente, enquanto a “AI Lover” se mostrou a minha preferida, inclusive pela letra com teor cômico, sobre o cara que se apaixona por um dispositivo eletrônico acionado por voz. “Alexa, vamos transar”... já pensaram? A letra é nessa toada.

“Where Do We Go”, com uma carga forte de teclados, faz o clima soar mais pesado e menos positivo, e “In You Arms” segue esse clima mais denso. E a balada, tem? Óbvio que tem, e ela se chama “Piece Of Paradise” ela vem embalada numa levada de piano, e vem adocicada como toda a “Power Ballad” recomenda ser. Porém ela me soou um pouco “brega” e dispensável. Temos também a rockeira “ Shine” outro ótimo destaque e só não é a melhor faixa , pois temos “AI Lover”

No apanhado geral, “Chasing Danger” não reinventa nenhuma fórmula, e se você leu até aqui pode estar pensando que já ouviu tudo isso inúmeras vezes antes, mas posso garantir que se você é um fã do estilo AOR/Melodic Rock, o álbum vai agradar você do inicio ao fim. CAPTAIN BLACKBEARD é uma banda para começarmos a prestar a atenção com mais carinho.




segunda-feira, 24 de fevereiro de 2025

MARILYN MANSON - ONE ASSASSINATION UNDER GOD - CHAPTER 1 (2024)


MARILYN MANSON
ONE ASSASSINATION UNDER GOD - CHAPTER 1
Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional - Nacional

Já fazem mais de 30 anos que Brian Hugh Warner, nome verdadeiro do “persona” Marilyn Manson, surgiu no mundo do rock, provocando e chocando o público com elementos satânicos, anti-religióes e todo o tipo de bizarrices, tudo em nome da controvérsia, e ao que tudo indicava, parecia ser o próximo grande nome do Rock. E por um tempo a fórmula funcionou.

Com o passar dos anos, Marilyn Manson começou a perder força, seja por seus trabalhos se tornarem menos atrativos e menos fortes que os dos primeiros anos, sejam por polêmicas extra-música do vocalista, que ganharam muitos destaques negativos durante a década de 2010, com várias denúncias de abuso sexual, vindo da parte de suas ex-companheiras. Tudo isso somado a nenhum trabalho fonográfico de destaque nas últimas duas décadas, empurrou MM para um "fundo de poço” que parecia interminável e irreversível.

Porém próximo ao final de 2024, Manson lança "One Assassination Under God – Chapter 1" seu novo trabalho de inéditas desde 2020. Em meio a todo o caos vivido pelo artista, seria possível fazer algo de qualidade musicalmente falando? A resposta é “quase”. "One Assassination Under God" não tem nada que Manson não tenha feito anteriormente. Porém o novo trabalho se mostra bem mais inspirado e, arrisco dizer, seu melhor trabalho em 20 anos. Bons momentos como a gótica e soturna faixa título, ou em “No Funeral Without Applause”, esta demonstra também peso e melancolia, ao mesmo tempo guiada por um riff monstro de guitarra, que aproxima a música de um clima pós-punk.

"Nod If You Understand" é a faixa que mais se aproxima do Metal, e na letra Manson Brada: “A dor é uma linguagem que foi falada para mim /agora é minha hora de responder!". Liricamente esta não é apenas a única passagem que temos o sentimento que o “malvadão” Manson esta querendo pagar de vítima... Mas a questão aqui é apenas a música, e não temos e nem queremos julgar ninguém, afinal de contas quem julga é o juiz e a justiça. “As Sick As The Secrets Within" mais uma boa faixa, novamente com um clima gótico, envolto em sintetizadores; “Sacrilegious” na minha opinião, a melhor faixa, com um clima bem Glam Rock, ao mesmo tempo que quer se aproximar de “Beautiful People”, e ser um tipo de sua sequência.

Enfim, após todos os “quiprocós” que o Sr. Manson se envolveu, "One Assassination Under God – Chapter 1" parece como se fosse um pedido de segunda chance para a carreira de um artista que parecia ser o futuro do rock há umas décadas atrás. Vamos dar essa chance à ele? Musicalmente podemos sim, o resto não temos capacidade para julgar. O álbum teve sua versão nacional editada pela Shinigami Records.

José Henrique Godoy




DESTRUCTION - THE ANTICHRIST (2001/2024 - RELANÇAMENTO)


DESTRUCTION
THE ANTICHRIST
Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional

O ano de 2001 foi extremamente positivo para o trio de ferro do Thrash Metal alemão, Kreator lançava ao mundo o Violent Revolution, o Sodom apresentava o seu clássico M16 e o poderoso Destruction nos brindava com o magnífico The Antichrist. Com a produção impecável do monstro Peter Tagtgren, o trio Mike Sifringer (guitarra), Sven Yormann (bateria) e Schmier (vocal/baixo) consolidava o que já iniciara no álbum anterior "All Hell's break Loose" (2000), qual seja, a triunfante volta de Schmier ao cargo de frontman da banda.

Após uma rápida intro, "Thrash till Death" entra com pé na porta da forma mais violenta possível, com seus riffs cortantes e refrão poderoso já ganhando status de clássica. "Nailed to the Cross", igualmente inspirada, mantém o alto nível, com um peso absurdo de guitarras e um pouco mais cadenciada, seria outra que faria parte do set list futuramente nas muitas apresentações.

A boa sequência com "Dictators of Cruelty", "Bullets from Hell" e "Strangulated Pride"  trazem peso e velocidade na medida certa, remetendo aos áureos tempos da banda. "Meet your Destiny" uma das mais trabalhadas e cadenciadas do disco, tem um solo bem interessante e uma levada crescente de andamento, enquanto "Creations of the Underworld" e "Godfather of Slander" trazem mais velocidade e soam mais diretas. A próxima, "Let Your Mind Rot" tem algo de Piece by Piece (Slayer) no riff inicial e soa bem inspirada e old school. e encerrando o disco, a pesada "The Heretic" consolida a obra. De bônus, uma versão matadora do clássico "Curse the Gods".

Um disco com ótima produção, músicas inspiradas e bate cabeça sem fim. Os alemães estavam de volta colocando seu nome na história do Thrash Metal mundial! Clássico e obrigatório!

Gustavo Jardim





IN FLAMES - THE JESTER RACE/BLACK ASH INHERITANCE (1996/1997 - RELANÇAMENTO 2024)

 


IN FLAMES
THE JESTER RACE/BLACK ASH INHERITANCE (1996/1997 - RELANÇAMENTO 2024)
Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional

THE JESTER RACE, originalmente lançado em 1996, foi o trabalho que transformou o IN FLAMES em um dos principais nomes do death metal melódico sueco, ao lado de grupos como At the Gates e Dark Tranquillity. A reedição especial deste trabalho inclui não só este álbum icônico, mas também o EP Black-Ash Inheritance (1997), que inclui faixas extras e versões alternativas de canções emblemáticas. Se com "The Lunar Strain", o grupo deu mostras que não seria apenas mais uma banda no cenário, com "The Jester Race", comprovou aquilo que muitos já pressentiam; a melodia podia andar de mãos dados com o death metal e sim, soar brutal ao mesmo tempo. E a Shinigami Records em parceria com a Nuclear Blast, recoloca no mercado a junção do álbum e do supracitado EP, dando aos fãs que ainda mão adquiriram sua cópia, de completar sua coleção, ou, até mesmo, conhecer o início de toda a trajetória vencedora do quinteto sueco.

Anders Fridén (vocal, e um dos principais motivos para a "virada de chave" do In Flames), Jesper Strömblad (guitarra e teclados), Glenn Ljungström (guitarra), Johann Larsson (baixo e backing vocal) e Bjön Gellote (guitarra e bateria), mantiveram o nível de produção alto com a presença de Fredrik Nördstrom, o que trouxe um ótimo equilíbrio entre riffs melódicos, vozes agressivas e cenários épicos. A influência do metal tradiconal, particularmente do Iron Maiden, se funde à brutalidade do death metal sueco, resultando numa sonoridade singular para o período. Fridén apresenta um desempenho intenso, enquanto Jesper Strömblad e Glenn Ljungström, criam melodias cativantes e harmonias memoráveis.

Dentre as faixas, podemos destacar "Moonshield" que se inicia com uma introdução acústica suave que explode em um riff marcante, mostrando o lado melódico do In Flames, "Artifacts of the Black Rain", uma das faixas mais marcantes, cheia de riffs gêmeos e um refrão memorável, "December Flower", composição inspirada, que traz a participação especial de Fredrik Johansson em  um solo impressionante, sendo um exemplo perfeito do estilo da banda na época e a faixa título "The Jester Race" que carrega consigo  tudo o que fez este álbum um clássico: melodia, agressividade e um clima épico. Com relação ao EP,  este trouxe algumas surpresas para os fãs: "Goliaths Disarm Their Davids",  uma faixa inédita que mantém a linha melódica e intensa do álbum. além de "Gyroscope" (versão demo) e "Behind Space" (versão ao vivo), que trazem um olhar cru sobre a evolução da banda.

THE JESTER RACE/BLACK ASH INHERITANCE foi um divisor de águas para o IN FLAMES e para o death metal melódico como um todo. Ele influenciou uma geração de bandas e ajudou a definir o som de Gotemburgo. A fusão entre agressividade e melodia se tornaria a base do som moderno da banda, embora sua abordagem tenha mudado nos anos seguintes. Se você busca um álbum que equilibre peso, melodia e atmosferas épicas, este trabalho é essencial. Um clássico absoluto do gênero que continua relevante e inspirador até hoje.

Sergiomar Menezes




quinta-feira, 20 de fevereiro de 2025

CRAZY LIXX - THRILL OF THE BITE (2025)

 


CRAZY LIXX
THRILL OF THE BITE
Shinigami Records/ Frontiers Music srl. - Nacional

Não adianta, o Crazy Lixx é a banda que atualmente consegue de maneira magistral emular perfeitamente os dias de glória do Hard Rock/Metal oitentista. Seja na estética, no visual da banda ou na sonoridade, os suecos conseguem trazer de uma forma nostálgica e ao mesmo tempo energética toda a vivacidade do que rolava na Sunset Strip na melhor década da música, sem parecer um pastiche cômico como outras contemporâneas (se você pensou em Steel Panther, sim, estou me referindo a eles).

A abertura com “Highway Hurricane” chega com um riff pé na porta, dando a tônica do álbum , enquanto na sequência “Who Said Rock N Roll Is Dead?” é um recado direto ao mestre Gene Simmons e a todos que acham que o Rock morreu... Morreu não, Sr. Simmons, até os Deuses do Rock se enganam e falam bobagens as vezes. Faixas como “Call of the Wild” e “Midnight Rebels” destacam a habilidade do Crazy Lixx de misturar riffs mais pesados ​​com elementos melódicos, criando músicas que não são apenas poderosas, mas também cativantes.

Caso você tenha dúvida do que está lendo, pare agora, vá até o YouTube e assista ao “oficial vídeo” de “Midnight Rebels”, uma verdadeira “ode” aos filmes de Terror dos anos 80, aqueles mesmos que tinham bailes de formatura onde tudo acabava mal, com muito sangue, garotas tanto lindas como assassinas, e todo aquele contexto que fez a felicidade mundo afora de fãs de filmes como “Noite de Formatura”, “Feliz Aniversário para Mim” e tantos outros “slashers”. Enfim o vídeo de “Midnight Rebels” já nasceu clássico.

“Thrill of the Bite” não se arrisca, não cruza nenhuma fronteira desconhecida do grupo, e nem precisa. É sim, um ótimo acréscimo a já excelente discografia do Crazy Lixx. Não espere nenhuma surpresa, aqui é pura diversão Rock n Roll. Saindo em versão nacional via Shinigami Records, procure pelo álbum e divirta-se também!

José Henrique Godoy