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sábado, 22 de outubro de 2016

MAESTRICK - UNPUZZLE! (2011)




            Muito difícil classificar a sonoridade de um grupo como o MAESTRICK. E isso, de forma alguma deve soar depreciativo, pois o que escutamos em UNPUZZLE!, lançado em 2011 pelo (á época) quinteto de São José do Rio Preto (interior de SP) é um trabalho espetacular! O grupo não tem medo de ousar, buscando incorporar elementos das mais variadas vertentes da música, criando algo único e genial! Percebemos influências diversas na sonoridade do grupo. Desde heavy metal (bastante pesado em alguns momentos), mas também Jazz, Música Folclórica Regional. Prog Metal, Música Popular Brasileira e mais uma gama de ritmos e estilos que, se num primeiro momento podem soar totalmente desconexos, ou ouvirmos com atenção, perceberemos que o talento com que o grupo executa suas composições transforma isso em algo bastante raro de encontrar.

             Fábio Caldeira (vocal e teclados), Danilo Augusto (guitarra), Mauricio Figueiredo (guitarra), Renato "Montanha" Somera (baixo e vocal gutural) e Heitor Matos (bateria) gravaram um trabalho rico em arranjos complexos e bem elaborados, mas sem que isso soe entediante. Se você acha que o que escrevi lá começo do texto é confuso, imagine bandas como Yes, Dream Theater, Rush, Jethro Tull e até mesmo Beatles, incorporando á sua sonoridade ritmos como o folk, o ja citado jazz e até mesmo o samba. Sim, samba! E quer saber? Ficou muito bom! Gravado por Gustavo Carmo e Ricardo Carmo e produzido, mixado e masterizado pelo próprio Gustavo, o trabalho ficou como deveria ficar: evidenciando a qualidade dos músicos e com uma produção perfeita á proposta apresentada pela banda. E a capa... Que belo trabalho de Ricardo Chucky! 
               
              O álbum inicia com H.U.C. uma faixa bem trabalhada e pesada, com uma veia bem "heavy", ms que mostra bem que o prog metal é a praia que o grupo tem por preferência. Variada e com um grande trabalho de bateria, a composição apresenta linhas complexas, vocais certeiros e backings muito bem encaixados. Já a faixa seguinte, Aquarela, possui uma levada mais próxima do hard, mas que durante sua execução, navega por outras vertentes sem que isso a coloque fora de contexto. Guitarras melódicas e cheias de felling, que contam com backing Vocals que, guardadas a s devidas proporções, lembram o Queen. Pescador, cantada em português é um dos destaques do trabalho. E a mistura de baião e música brasileira, com guitarras (algo que o Angra SABIA fazer com maestria) ficou muito boa! Escute com atenção que você perceberá a riqueza de detalhes. Sir Kus tem pouco mais de um minuto e meio e acaba sendo uma breve introdução para Puzzler, uma faixa pesada em seu início mas que ganha contornos ricos em detalhes e que têm no Jazz seu norte. Os teclados aqui ganham um destaque maior, mas também podemos faar sobre a interpretação de Fábio Caldeira, pois seu timbre vocal cai muito bem, seja cantando em português ou em inglês.

            Disturbia, começa com um teclado que me lembrou as "viagens" proporcionadas pelo saudoso Ray Manzarek (The Doors), mas a faixa é bem mais do que isso. Aliás, essa lembrança só se dá no início da faixa, pois no restante temos uma certa dose de peso nas guitarras e um grande trabalho da cozinha composta por Renato Montanha e Heitor Matos. Treasures of the World, por sua vez, em seu início, me trouxe a memória o grande Jon Oliva do Savatage. E aqui, novamente cabe ressaltar a qualide de Fabio no vocal. Uma faixa mais "normal", sem grandes variações e que acaba por confirmar que nem só com suas experimentações o grupo atinge grandes resultados. Que bela faixa! Baixo e bateria comandam Radio Active, que tem uma veia prog bem acentuada. As guitarras de Danilo Augusto e Maurício Figueiredo se completam e mostram um belo entrosamento. SmileSnif traz uma melodia bem interessante, e um teclado que cria um clima um pouco introspectivo, e que a meu ver, dá uma certa quebrada no ritmo intenso e bem variado do trabalho. Em Yellow of the Ebrium temos a criatividade e talento do gruo explorados de forma eficiente. Aqui, toques de blues, jazz e samba (?!) se harmonizam de forma certa, sem que se crie um "samba do crioulo doido". E pra que isso aconteça, o talento tem que estar presente. E isso tem de sobra aqui. E pra encerrar esse grande álbum, uma faixa bastante extensa. Lake of Emotions, com seus 21 minutos faz um belo apanhado de todo o trabalho do grupo e fecha em grade estilo essa estréia do quinteto.

          Sem medo de arriscar e dono de sua identidade, o MAESTRICK faz de sua estréia um trabalho imperdível para os amantes da boa música, sejam eles fãs de heavy metal ou não. UNPUZZLE! serve, além de apresentar o grupo ao mundo, também para provar que a música feita com paixão e sentimento não tem limites. Cabe lembrar que agora em 2016, foi lançado o The Trick Side Of The Some Songs, um álbum de covers, onde o grupo homenageia grandes nomes que serviram e ainda servem de refrência ao seu trabalho. Que o segundo cd chegue logo para que possamos apreciar sua musicalidade ímpar!

       


                   Sergiomar Menezes

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