quinta-feira, 30 de julho de 2026

THE 69 EYES - I SURVIVE (EP - 2026)

 


THE 69 EYES
I SURVIVE (EP)
BLKIIBLK - Importado

E os vampiros de estão de volta, para a alegria dos fãs! Desde 2023, os Reis do “Goth n' Roll” não lançam um trabalho completo, apenas algumas faixas soltas como singles, que não estão em álbuns. Então, I Survive chega em boa hora.

“I Survive”, a faixa titulo e de abertura é a típica faixa arrasa-quarteirão com a clássica sonoridade do The 69 Eyes, uma ótima faixa que mostra todo o poder de fogo dos finlandeses, com grande riff e pegada “rocker”. Destaque para a participação mais que especial de Steve Stevens, o eterno guitarrista de Billy Idol, que entrega aqui solos destruidores como de costume.

A segunda faixa é “Cold Sweat”, cover do poderoso Thin Lizzy. Este clássico aqui tem uma releitura um pouco mais sombria, mesmo que mantendo a sua estrutura original. É uma faixa sensacional no original lançada no álbum “Thunder and Lightning” do Lizzy em 1983, e aqui recebe uma versão de respeito. Ótimo cover!

As outras duas faixas são boas músicas: “In Mysery” e “Devil's Rose”. Não chegam a entusiasmar tanto quanto as duas primeiras, porém são faixas com a marca registrada do The 69 Eyes, e que vão agradar em cheio aos fãs. Vamos aguardar que os vampiros saiam mais uma vez das sombras, mas desta vez para um novo álbum completo. Enquanto isso, Stay Goth com “ I Survive”.

José Henrique Godoy




ZAN/CODY - BEAUTIFUL 'N DAMNED (2026)

 


ZAN/CODY
BEAUTIFUL N' DAMNED
Frontiers Music srl. - Importado

Se você curtiu o Glam Metal no final dos anos 1980, início dos anos 1990, ou se ainda não havia nem nascido, mas é um ávido apreciador/pesquisador do estilo, com certeza deve já ter se deparado com o nome Shotgun Messiah, banda da Suécia, que atingiu moderado sucesso comercial neste período citado, principalmente por conta do seu auto-intitulado álbum de estréia, de 1989. E que conta com os dois principais personagens deste texto aqui.

Harry C. Cody, o virtuoso guitarrista do Shotgun Messiah , e Zinny Zan, vocalista original da banda, com passagem também pelo Easy Action, outra clássica banda do Hard Rock sueco, resolveram juntar forças novamente após mais de três décadas, no projeto/banda que leva os seus sobrenomes. Lançado pela Frontiers Music srl., Beautiful 'n Damned acaba de ver a luz do dia, e o resultado é muito bom.

Aqui temos uma mistura de varias nuances sonoras. Passamos pelo Hard Rock, Metal, Punk Rock e Industrial (de leve), porém sem nunca perder as características raízes dos dois músicos. Acompanham a dupla, o tecladista e produtor Chris laney (teclados), Nalle Pahlson (baixo) e Björn Hoglund (bateria).

“Sever”, faixa de abertura do trabalho chega derrubando portas, forte com uma pega metal, ao mesmo tempo que relembra algo que poderia ter sido gravado por Billy Idol, nos seus melhores tempos. “I am The Shit” tem algo de punk rock, também uma faixa com ótima pegada. “Ride Or Die” é Glam Metal oitentista, porém moderna e cheia de energia, sem parecer ultrapassada. “Suffer City” é uma balada “ccústica /eletrônica” (foi o mais perto que consegui definir), melancólica e bela.

“She Walks With Violence” é sombria e densa, e não seria exagero falar que ela lembra algo de Marilyn Manson, porém tem um dos melhores solos de guitarra de Cody. Aliás, se você ainda não conhece os trabalhos de Harry C. Cody, procure conhecer. O homem é muito fera.

“Damn” retorna ao Hard oitentista, e é a minha preferida. “Let´s Be Heroes” vem a seguir e é igualmente ótima, porém com uma levada mais acessível, e novamente com um trabalho incrível de Cody. As linhas vocais de Zinny Zan estão bem diferentes dos velhos tempos, mais graves, porém o trabalho de melodia vocal dele aqui são ótimos também. A faixa título, tem uma pegada Pós-Punk e uma melodia cativante. Você vai se pegar cantando o refrão antes da música acabar.

“Bad Bad Man” é aquela música de cowboys, uma pegada folk/bluesy, que ao ouvir, podemos visualizar os caras maus dos filmes de cowboy chegando na cidade. E “Tear it All Down“ fecha este ótimo primeiro trabalho do Zan/Cody. Que seja apenas o primeiro de muitos.

José Henrique Godoy




JETHRO TULL - AQUALUNG LIVE (REMASTER 2025)


 

JETHRO TULL
AQUALUNG LIVE (REMASTER 2025)
Shinigami Records/Inside Out Music - Nacional

Se você curte Classic Rock, Heavy Metal Hard Rock e seus derivados, acredito que seja praticamente impossível não conhecer o riff inicial de “Aqualung”, a música, mesmo que você não curta/conheça o Jethro Tull. É uma faixa icônica do Rock, e praticamente é sinônimo da banda de Ian Anderson. “Aqualung”, o álbum é tido por muitos, como o melhor álbum da banda inglesa. E sendo assim, nada mais justo que uma releitura “ao vivo” realizada em 2004.

Escrevi “ao vivo“ entre aspas mesmo, pois o álbum foi gravado em frente a uma platéia pequena de quarenta a cinquenta pessoas, no XM Performance Theater in Washington, D.C. em 2004. A idéia era mesmo fazer uma performance intimista e ligeiramente menos polida do que a gravação original, porém com uma ótima qualidade de som.

Além de Ian Anderson (vocal e flauta), Martin Barre (guitarras), a formação à época contava com Doane Perry (bateria), Andrew Giddings (teclados) e o baixista Jonathan Noyce. O álbum original é tocado aqui na íntegra e na ordem em que as faixas foram gravadas. O grande atrativo é poder verificar a grandiosidade e o poder de um clássico do rock, gravado vinte e cinco anos antes, interpretado por outra formação do Tull.

Um álbum para fãs do Jethro Tull e colecionadores em geral, Lançamento Shinigami Records.

José Henrique Godoy




quarta-feira, 22 de julho de 2026

DOWN III: OVER THE UNDER (2007/2026) - RELANÇAMENTO

 


DOWN
III: OVER THE UNDER
Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional

Após a estreia esfumaçada e canônica de "NOLA" (1995) e o denso e depressivo "Down II: A Bustle in Your Hedgerow" (2002), o hiato de cinco anos que antecedeu o terceiro capítulo da banda esteve longe de representar um simples descanso. Foi um período de sobrevivência. Entre a devastação causada pelo furacão Katrina, a perda irreparável de Dimebag Darrell, os problemas de saúde enfrentados pelos integrantes e uma longa batalha contra os próprios demônios, o Down tinha motivos de sobra para transformar dor em música.

E é exatamente isso que acontece em Over the Under.

Ao contrário do experimentalismo mais disperso do álbum anterior, "Over the Under" surge muito mais focado e coeso, sem perder um único miligrama da agressividade que sempre definiu o currículo de seus integrantes. O que se ouve é um verdadeiro rolo compressor de sludge sulista em alta voltagem. Estão presentes os riffs titânicos e viscerais com a assinatura inconfundível de Pepper Keenan, evocando momentos em que o peso dialoga diretamente com sua bagagem no Corrosion of Conformity, algo evidente na cadência magnética de "Beneath the Tides" e no soco no estômago que é "Three Suns and One Star".

Faixas como "Never Try" e "Her Majesty the Desert" revelam uma faceta mais melódica da banda, aproximando o grupo do blues e do southern rock sem abrir mão da intensidade. Afinal, no universo do Down, peso nunca depende de velocidade. Ele nasce de guitarras encorpadas, mudanças de andamento sutis e de uma construção que cresce de forma orgânica, sem recorrer às explosões previsíveis do tal metal moderno da época.

O grande diferencial do disco, porém, está em Phil Anselmo. Longe da agressividade quase incontrolável dos tempos de Pantera, o vocalista entrega uma de suas interpretações mais maduras e expressivas. Sua voz alterna entre melodias melancólicas, vocais rasgados e momentos quase confessionais, transmitindo desgaste, culpa, esperança e superação. Anselmo canta como quem está permanentemente numa linha tênue entre o colapso e a redenção. Isso fica evidente na arrastada "Pillamyd" e na contagiante "On March the Saints", um verdadeiro hino de perseverança após a tragédia do Katrina. Mais do que interpretar as letras, Anselmo parece viver cada verso, tornando impossível dissociar sua trajetória pessoal das emoções transmitidas pelo álbum.

Liricamente, Over the Under talvez seja o trabalho mais honesto do Down na sua discografia. O disco aborda sofrimento, perdas, vícios, frustrações e sobrevivência sem recorrer ao sentimentalismo fácil. A escuridão permeia praticamente todas as composições, mas sempre existindo um fio de luz de resistência — deixando de romantizar a dor, transformando tudo em combustível para seguir em frente, oferecendo uma visão profundamente humana sobre enfrentar as próprias cicatrizes.

O ápice dessa jornada atende pelo nome de "Nothing in Return (Walk Away)", uma obra-prima de quase nove minutos conduzida por guitarras impregnadas de blues, um padrão hipnótico de bateria e uma construção lenta que culmina em um clímax emocional devastador, encerrando o álbum de forma magistral.

Mais do que uma coleção de riffs memoráveis, Over the Under expande a identidade construída por seus antecessores sem soar repetitivo. O álbum reúne o impacto direto de "NOLA", a profundidade emocional de "Down II" e acrescenta uma maturidade adquirida através das marcas deixadas por um dos períodos mais turbulentos da história da banda — resultando num retrato sonoro da luta diária contra os próprios fantasmas.

Relançado no Brasil pela Shinigami Records, Over the Under ganha uma excelente oportunidade de ser redescoberto por uma nova geração de ouvintes e revisitado por quem já conhece sua força.

Um álbum sincero, pesado e emocionalmente devastador.

William Ribas




MASTERS OF VOICE - 13/07/2026 - AUDITÓRIO ARAÚJO VIANNA - PORTO ALEGRE/RS

 


MASTERS OF VOICE
EDU FALASCHI, JEFF SCOTT SOTO, ERIC MARTIN, TIM "RIPPER" OWENS
13/07/2026
AUDITÓRIO ARAÚJO VIANNA
PORTO ALEGRE/RS

Produção: Morphine/Opinião Produtora

Texto: José Henrique Godoy
Fotos: Carolina Godoy

Nada melhor do que comemorar o Dia Internacional do Rock, com um show de Rock, não é mesmo? Pois Porto Alegre teve a oportunidade de receber nesta data comemorativa, o show da Tour “Masters Of Voices”, contando com os vocalistas Eric Martin, Jeff Scott Sotto, Edu Falaschi e Tim “Ripper“ Owens. Para acompanhá-los, a banda de apoio formada por Edu Cominatto (bateria), Felipe Andreoli (baixo- Angra)) e os guitarristas Marcel Barbosa (Angra) e Léo Mancini.

A abertura ficou por conta da banda de Las Vegas, Velvet Chains, que iniciou seu set as 20h20. A banda apresentou seu som Hard Rock/Rock Alternativo, sem muita originalidade e sem entusiasmar muito os presentes, em um show morno, apesar de competente. Ao final de quarenta minutos, os americanos encerram seu set, e descem para a plateia para atender todos que quisessem tirar fotos com eles, e bater um papo com os músicos.


O relógio marcava 21h30, quando  e demais músicos adentram o palco para executar o primeiro set, baseado na carreira de Falaschi. Baseado praticamente nas músicas da sua época no Angra, Edu fez um bom show, e distribuiu simpatia e carisma. ”Rebirth”, “Heroes OF Sand” e “Waiting in Silence” executadas com perfeição, enquanto Edu entregava uma ótima performance. Ao anunciar “Bleeding Heart”, ele lembrou de forma bem humorada que muitas pessoas cantam esta música em português nos shows dele, tendo em vista o cover realizado pela banda de forró “Calcinha Preta”. “Acid Rain” fecha seu set e Edu chama ao palco o furacão Jeff Scott Sotto.


Bem mais magro e sem as famosas “Caipiroscas” no palco, Jeff incendiou o Araújo Vianna com o inicio de “One Love” do projeto W.E.T., mas devido a um problema no seu microfone, ele pediu para começar de novo. Antes, com seu bom humor tradicional, lascou: “Este é meu Rock n' Roll. Bom, ao menos vocês viram que não é playback e eu tô cantando mesmo”. Alô Vince Neil e outros menos votados, essa acho foi pra vocês! A seguir “Separate Ways” cover do Journey. Apesar de Jeff ter feito tours com a banda de Neal Schon, acho que ele poderia ter colocado outra musica de sua extensa discografia, mas o público aprovou e ao final dessa, o coro de “Soto, Soto” arranca sorrisos de Jeff. A clássica “I'll Be Waiting” do Talisman é tocada e cantada por toda a plateia, e ao meio dela, Jeff arrisca o refrão de "Livin On A Prayer" do Bon Jovi, um dos “hits da Copa do Mundo 2026”, e é respondido a altura. Aqui uma observação: o público era metade da lotação do Araújo Vianna, uma pena para um espetáculo tão bacana. Creio que no Opinião ficaria de bom tamanho, mas não sei nada de produção e estou aqui dando meus vinte centavos de palpite furado. O Medley “I Am a Viking/ I'lll See The Light Tonight” do álbum "Marching Out"  de Yngwie Malmsteen foi o ponto alto do show. Edu Cominatto inicia as intros de “Refuse/Resist” (Sepultura) “ We're Not Gonna Take It” (Twisted Sister) e “I Love It Loud” (Kiss) antes de iniciar a clássica “Stand Up And Shout”. Ao final desta, Soto abre caminho para o eterno vocalista do Mr. Big, Eric Martin.


Eric Martin parece ter algum tipo de pacto com as trevas ou algo divino, pois apesar do passar dos anos, seu aspecto jovial segue o mesmo. Show de simpatia e carisma também. Um set baseado com clássicos do Mr. Big, como "Daddy, Brother, Lover and Little Boy”, “Take Cover” ,”To be With You” e “Colorado Bulldog” fizeram a alegria dos fãs. A voz de Eric Martin parecia um pouco desgastada, mas nada que afetasse a sua performance no geral. A paulada “Addicted To That Rush” fechou seu ótimo set.


Tim “Ripper” Owens toma o palco de assalto as 23h20, com a clássica e preferida da casa, uma das músicas mais Heavy Metal de todos os tempos: “Hellion /Eletric Eye”. Não importa quantas vezes você escutou o álbum do Judas Priest “Screaming for Vengeance”, ou quantas vezes você escutou esta faixa ao vivo, seja com o Judas, ou com algum cover. Ela arrepia sempre. Tanto que Jeff Scott Sotto invadiu o palco pra cantar junto com Ripper. “Burning Hell” som do Judas da fase de Ripper abre caminho para a destruidora “Painkiller”, esta outra que não deixa pedra sobre pedra. “Breaking The Law” não poderia faltar e “Highway To Hell” (AC/DC) e “Heaven And Hell” (Black Sabbath) homenageiam Bon Scott E Ronnie James Dio. Inclusive, antes dessa segunda, Ripper fala que Dio é o seu vocalista preferido de todos os tempos. Para finalizar, Ripper chama de volta ao palco Jeff, Eric e Edu, e os quatro cantam juntos “Living After Midnight”! E assim se encerra este ótimo evento, pena que para um público que poderia e deveria ser bem melhor. Quem sabe na próxima.