quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

SUFFOCATION - BLOOD OATH (2009/2025) RELANÇAMENTO

 


SUFFOCATION
BLOOD OATH 
Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional

Quando se fala em Death Metal, poucos nomes carregam tanto peso histórico quanto o Suffocation. Arquitetos de um brutal death metal, a banda construiu sua reputação com base em riffs labirínticos, baterias desumanas e uma agressividade que parecia sempre à beira do colapso. Blood Oath, sexto álbum de estúdio lançado em 2009, não apenas dá continuidade a esse legado — ele o reorganiza, marcando um dos momentos mais controversos e decisivos da carreira do grupo.

O álbum é um trabalho de transição, mas não no sentido fraco da palavra. Trata-se do adeus de Mike Smith, um dos bateristas mais influentes da história do estilo, e também de uma mudança clara na linguagem da banda. Aqui, o Suffocation pisa no freio da velocidade extrema para investir em peso, densidade e controle absoluto da brutalidade.

Musicalmente, o Suffocation opta por uma abordagem mais cadenciada e metódica. A velocidade frenética dos anos 90 cede espaço aos grooves pesadíssimos. As guitarras de Terrance Hobbs e Guy Marchais abandonam parte da pirotecnia caótica em favor de riffs mais espaçados e os tradicionais breakdowns nova-iorquinos — não como truque fácil, mas como arma de impacto. Os solos continuam sendo um espetáculo à parte. Hobbs abusa da alavanca, de sweeps e de escolhas pouco convencionais, enquanto Marchais despeja linhas rápidas e cortantes que remetem diretamente à escola clássica do Suffocation. Tudo soa mais controlado, menos explosivo — e é exatamente aí que o disco divide opiniões.

Faixas como a faixa título e, principalmente, “Cataclysmic Purification” mostram a banda operando em sua forma mais cirúrgica: tensão construída com paciência, grooves assassinos e explosões de violência perfeitamente calculadas. Esta última, inclusive, figura com facilidade entre as melhores composições de toda a carreira do Suffocation. “Dismal Dream”, “Pray for Forgiveness” e “Images of Purgatory” mantêm o nível técnico altíssimo, provando que, mesmo em marcha média, ainda soam mais pesado e ameaçador do que a maioria esmagadora de seus imitadores.

Ainda assim, Blood Oath não é um disco imediato. Para alguns ouvintes, a repetição estrutural e a ausência daquela sensação constante de caos fora de controle podem soar como falta de urgência. A brutalidade aqui não atropela — ela esmaga lentamente, como uma marreta hidráulica descendo com precisão milimétrica.

William Ribas




MALEVOLENT CREATION - DOOMSDAY X (2007/2025) RELANÇAMENTO

 


MALEVOLENT CREATION
DOOMSDAY X
Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional

Quando tratamos de música extrema, prezamos por honestidade e integridade, sobretudo quando o assunto é Death Metal e seus expoentes. Permanecer na elite e manter bons trabalhos realmente não é para qualquer um, em um cenário que é convidativo a explorar limites e ao mesmo tempo se reinventar. Três anos depois do lançamento do poderoso “Warkult” e também do seu disco ao vivo “Conquering South America”, extraído numa turnê por aqui em 2003, o Malevolent Creation entra em estúdio para nos brindar com mais um grande trabalho, “Doomsday X”(2007). O trampo dessa vez teve parceria com Gus Rios e Matt Laplant, e saiu mais uma vez pela Nuclear Blast/Shinigami Records.

A formação também trazia boas novidades, com o retorno de Jason Blachowicz nos graves e Jon Rubin na guitarra, além da volta do saudoso Brett Hoffmann (falecido em 2018), o que gerou naturalmente um alvoroço entre os apreciadores.

O resultado? Um disco consistente em agressividade e despretensioso no sentido de inovar ou mesmo se reinventar, musicalmente falando. A sonoridade old school um pouco mais lapidada explora nuances melódicas que se soldam perfeitamente com a cozinha, e o vocal de Brett nunca decepciona.

“Culture of the Doubt” e “Unleash Hell” são mais agressivas, recheadas de blast beats, enquanto faixas como “Archaic”, “Buried in a Nameless Grave” e as excelentes “Strenght in Numbers” e “Prelude to Doomsday” trazem uma veia mais tradicional à velha escola, com extraordinário peso e uma avalanche de riffs inspirados de Phil Fasciana e Jon Rubin. “Deliver my Enemy“ merece maior atenção, mesclando muito bem características de Thrash Metal com grandes refrãos, contando com a participação de Mick Thomson do Slipknot, enquanto “Dawn of Defeat” tem uma certa influência de escola sueca, com um riff lembrando Dismember. Outro destaque,“Hollowed” é mais na veia de Possessed e Slayer antigo com riffs cortantes e alguns ‘tappings’ de guitarra muito bem encaixados.

A bateria é novamente a cargo de Dave Culross e apresenta grandes momentos como na intro de “Bio-Terror”, onde velocidade e técnica dispensam apresentações. De modo geral acerta em cheio em termos de composição e claro, brutalidade.

É um trabalho que mantém a banda em alto nível, com a já citada inspiração e peso, e que traz grandes momentos, mas acaba não entrando em patamares maiores como em “The Ten Commandments” ou “Retribution”, e tá tudo certo. Em 2025 a bolacha sai pela Shinigami Records, com distribuição nacional, e você pode adquirir sem medo de errar.

Gustavo Jardim




RHAPSODY OF FIRE - THE FROZEN TEARS OF ANGELS (2010/2025) RELANÇAMENTO


 

RHAPSODY OF FIRE
THE FROZEN TEARS OF ANGELS
Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional

A história do Rhapsody Of Fire é bem conhecida pelos headbangers brasileiros. Surgida no final dos anos 90 sob o nome de “Rhapsody”, a banda angariou vários fãs mundo afora praticando aquele Power Metal sinfônico repleto de referências a música clássica e muita, mas muita pompa. No Brasil, amparada pelo selo Rock Brigade Records, a banda foi um verdadeiro fenômeno; naquele momento, era quase obrigatório ouvi-los. Gostassem ou não, a banda era um assunto que rendia muito bate papo e discussões acaloradas naquela saudosa época.

Entre 1997 a 2002, a banda disparou 4 álbuns e 1 EP para a saga “Emerald Sword”, que foi um sucesso estrondoso; a banda estava no auge da criatividade e percebia-se que tudo, internamente, funcionava muito bem.

A partir de 2004, a banda focou em uma nova saga, “Dark Secret”. “Symphony of Enchanted Lands: The Dark Secret” (2004) e “Triumph or Agony” (2006) foram os dois primeiros capítulos que precederam “The Frozen Tears of Angels”, a terceira parte da atual saga.

Indiscutivelmente, a inspiração não era mais a mesma, a fórmula parecia desgastada, mas não era só isso: as coisas internamente não estavam bem, a ponto de que tempos depois, a banda se dividiu e 2 integrantes muito importantes (Fabio Lione e Luca Turilli) deixaram a banda. Mas, daí a achar que esta saga, e este álbum em particular são completamente descartáveis, é um exagero completo. O disco tem sim, bons momentos!

O destaque principal vai para Fabio Lione. Os anos se passaram e o cara seguia impecável e capaz de transformar músicas normais (para outros vocalistas) em verdadeiros hinos. Ouça por exemplo, “Sea of Fate” (a melhor do disco) e “Raging Starfire”. Outras como “Reign of Terror” e a faixa título possuem aquele clima épico com muitas e muitas orquestrações que o fã da banda adora (ou não!), também merecem reverência. Outro grande destaque vai para a linda balada “Lost in Cold Dreams”, uma das melhores, senão a melhor, já produzida pelos italianos.

Ainda há a faixa bônus, a instrumental “Labyrinth of Madness” que não acrescenta muito, mas também não destoa. De descartável mesmo, apenas a longa (demais!) intro “Dark Frozen World” que mesmo o vozeirão do saudoso Christopher Lee consegue deixar legal.

Hoje, 30 anos após a fundação do Rhapsody Of Fire, a banda segue o mesmo caminho, com pouco ou nenhum experimento. Para os fãs mais dedicados, isto pode ser ótimo, mas para aqueles que acompanham a banda por tanto tempo, talvez uma nova descoberta ou um novo pensamento pode ser algo de valor para que a banda volte a ser gigante e relevante como antes. Eu, pessoalmente, nunca deixei de curtir, mas que a banda pode buscar horizontes diferentes, isso pode.

The Frozen Tears of Angels” é um bom disco e pode sim, ser descoberto/redescoberto por novos/velhos fãs. Não chega a ser clássico, mas passa sem recuperação.

Mauro Antunes




CHILDREN OF BODOM - HALO OF BLOOD (2013/2025) RELANÇAMENTO

 


CHILDREN OF BLOOD
HALO OF BLOOD
Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional

O oitavo álbum de estúdio do CHILDREN OF BODOM, HALO OF BLOOD, lançado em 2013, marca uma retomada do grupo à sonoridade que o consagrou. Pode soar estranho, mas mesmo sem perder sua essência, os finlandeses  buscaram se reconectar com a agressividade e a identidade que o consagraram no início dos anos 2000, depois de alguns trabalhos que dividiram opiniões. Mesmo sem o brilho dos primeiros álbuns, o disco nos mostra uma banda recalculando a rota e pronta pra fazer seu death metal melódico de maneira totalmente pessoal. Esse relançamento é mais uma parceria da Shinigami Records e da Nuclear Blast.

Alexi Laiho (vocal e guitarra), Roope Latvala (guitarra), Henkka Blacksmith (baixo), Janne Wirman (teclados) e Jaska Raatikainen (bateria) gravaram e produziram o trabalho em seu estúdio particular em Helsinque, bem como no Petrax Studio, em Hollola, com a colaboração do renomado Peter Tägtgren (Hypocrisy, Pain). A sonoridade que se apresenta aqui é direta, afiada e violenta, apostando em riffs rápidos, solos virtuosos e no diálogo constante entre guitarras e teclados (marca registrada do COB) que aqui volta a ter protagonismo real. O teclado de Janne Wirman  disputa espaço com as guitarras, criando melodias que reforçam tanto o lado épico quanto o caráter sombrio do álbum. Tudo soa no lugar certo, permitindo que cada elemento tenha seu lugar de destaque, sem exageros. A bateria de Jaska Raatikainen alterna com precisão entre blast beats e passagens mais cadenciadas, enquanto o saudoso Alexi Laiho (um cara que está fazendo muita falta) entrega uma performance vocal agressiva e confiante, sustentando a identidade brutal da banda.

Desde os primeiros segundos, o disco deixa claro seu propósito. Faixas como “Waste of Skin” e “Halo of Blood” estabelecem o tom do álbum com velocidade e violência, flertando inclusive com uma estética mais próxima do black metal (?!) em alguns momentos. Já “Scream for Silence” e “Bodom Blue Moon (The Second Coming)” apostam em melodias mais marcantes, equilibrando peso e acessibilidade sem perder intensidade. O grande fraco e que baixa a intensidade do álbum é “Dead Man’s Hand on You”, que desacelera o ritmo e cria uma atmosfera sombria.

No final das contas, HALO OF BLOOD é um álbum visceral, sólido e honesto  e, simbolicamente, ganha ainda mais peso por ser o último álbum com o guitarrista Roope Latvala. Um retorno à essência sem soar datado, que reafirma o legado do CHILDREN OF BODOM e entrega exatamente o que se espera: riffs agressivos, melodias memoráveis e energia intensa.

Sergiomar Menezes




CANDLEMASS - CANDLEMASS (POLAR ROUGH MIX) (2025)

 


CANDLEMASS
CANDLEMASS (POLAR ROUGH MIX)
Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional

Lembro claramente da euforia de quando foi lançado o autointitulado álbum do Candlemass, em 2005. Após um hiato de mais de uma década sem lançamentos de estúdio, o mestres suecos do Doom Metal juntam forças novamente com Messiah Marcolin, seu mais clássico vocalista, e lançam este petardo, também conhecido como “o álbum branco do Candlemass”.

Para comemorar o aniversário de vinte anos deste clássico (e na minha opinião de fã da banda, um dos melhores trabalhos do Candlemass), é lançado “Polar Rough Mix”. Como o nome entrega, são gravações do mesmo material do álbum já citado, porém numa forma mais crua e rude, registros estes feitos no Estúdio Polar, em Estocolmo.

Pode até parecer num primeiro momento, que se trata de um trabalho para juntar uns trocados a mais, mas esta impressão cai por terra já no inicio de “Black Dwarf”, uma paulada e talvez a música mais agressiva de toda a discografia do Candlemass. A mixagem deixa em evidência os riff assombrosos das guitarras de Lars Johanson e Mappe Björkman, junto ao peso magistral do baixo de Leif Endlin. A bateria de Jan Lindh perdeu um pouco de espaço nesta mixagem, ficando mais “escondida”, mas nada comprometedor.

O tracklist segue a mesma ordem original, com todas as excelentes composições, porém numa forma mais “como vieram ao mundo”, sem adornos. O que torna muito relevante para os fãs e colecionadores do Candlemass, pois quem é colecionador gosta de fazer comparações entre uma edição/versão e outra, e no final das contas, vale a pena ouvir tanto o original como esta nova roupagem. No cd bônus, temos ainda versões demo tape de quatro faixas do álbum. O Candlemass fez muito bem em lançar esse documento para registrar e comemorar a importância de “Candlemass" (2005). Lançamento nacional Shinigami Records.

José Henrique Godoy