terça-feira, 22 de setembro de 2026

KISS - DESTROYS ANAHEIM '76 (2026)

 




KISS
DESTROYS ANAHEIM '76
Universal Music Enterprise - Importado

Se você perguntar para uma série de “Die-Hard” fãs do KISS, aqueles que tem trocentos bootlegs entre vhs, dvds, cds, fitas de rolo, ou o que seja, quais os concertos mais memoráveis dos quatro mascarados de Nova Iorque, a grande maioria vai citar o show na cidade de Anaheim, em 20 de Agosto de 1976. Amplamente conhecido em versões bootlegs, cinquenta anos após a sua realização, este concerto histórico ganha seu lançamento oficial e definitivo.

Após o sucesso finalmente ter batido na porta do quarteto, depois do lançamento dos espetaculares “Alive!” (1975) e “Destroyer” (1976), o KISS estava começando a colher os frutos de muito trabalho e tentativas no formato erro/acerto. “Destroys Anaheim´76” capta a banda pegando fogo (literalmente). Logo nos primeiros segundos, fica evidente que o lendário engenheiro de som Eddie Kramer — que gravou o show há 50 anos — realizou um trabalho excepcional na mixagem e masterização da apresentação. Tudo soa com extrema clareza, sem que se perca a atmosfera de uma performance ao vivo; além disso, os ajustes feitos são sutis, não havendo diferenças marcantes em relação à já mencionada versão não oficial que circulava entre os fãs em gravações piratas (*bootlegs*).

Algumas curiosidades deste show: as bandas de abertura foram nada menos que Ted Nugent, Montrose e Bob Seger. A introdução clássica que seguiu a banda por toda a sua trajetória é substituída pela apresentação da dupla de comediantes/músicos Flo and Eddie, onde eles apresentam a banda nominal e individualmente. Gene Simmons conta que nos primeiros segundos de “Detroit Rock City”, caiu um tombo e rolou escadaria abaixo, não lhe causando maiores constrangimentos, pois ficou envolto numa nuvem de gelo seco.

O setlist do álbum é primoroso, contando com clássicos dos seminais quatro primeiros álbuns do Kiss e a performance do quarteto é irrepreensível. Como citado anteriormente, o show está gravado na sua totalidade e como foi executado. Se existem overdubs, são minimos e discretos. Me dei o trabalho de escutar o bootleg que tenho e depois ouvir o lançamento oficial, e se alguma alteração foi feita, se tornou imperceptível.

Alguns estão apontando “Destroys Anaheim´76” como o melhor ao vivo do KISS. Meu coração de sócio torcedor não deixa concordar (ainda), mas sem duvida nenhuma é um documento obrigatório para todo o fã da banda. Graficamente, ele deixa toda a série “Soundboard” lançada nos últimos anos a milhas de distância, este sim um pacote digno da grandeza do KISS. Só as fotos já valem o lançamento. Não preciso falar nada mais, um dos lançamentos do ano. KISS FOR LIFE!

José Henrique Godoy





KINGCROWN - MOONFALL (2026)

 


KINGCROWN
MOONFALL
Rockshots Records - Importado

A banda francesa de heavy/power metal KINGCROWN está de volta ao mercado. Após o sucesso e a boa recepção do álbum "Nova Atlantis" (2024), o grupo chega com seu mais novo trabalho de estúdio, intitulado MOONFALL, via Rockshots Records. O disco aprofunda a direção conceitual da banda em torno de temas distópicos, evolução tecnológica e a fragilidade da existência humana. Fundada pelos irmãos Jo Amore (vocal) e David Amore (bateria), ambos ex-integrantes da lendária banda Nightmare, o grupo construiu uma trajetória consistente no cenário europeu com álbuns como "A Perfect World" (2019), "Wake Up Call' (2022) e o já citado "Nova Atlantis" (2024).

Formada pelos já citados Jo e David Amore, completam a banda Ced Legger e Bob Saliba (guitarras) e Seb Chabot (baixo). O trabalho de mixagem e masterização ficou a cargo de Simone Mularoni (do Domination Studio), e trouxe consigo uma sonoridade cristalina, peso adequado e alta definição em todo o espectro sonoro. E isso é essencial quando falamos de power metal, metal melódico, ou seja lá o nome que você queira dar pro estilo do grupo. A verdade é que a sonoridade do Kingcrown mescla de forma correta o metal tradicional e a melodia do power, sem exageros, criando um personalidade própria, ainda que traga em suas influências nomes como Iron Maiden, Helloween, Gamma Ray e até mesmo Symphony X.

O álbum abre com a faixa-título "Moonfall", onde podemos perceber a qualidade técnica dos músicos envolvidos. No que diz respeito a sonoridade, temos um power metal simples, bem executado com passagens mais intensas e melódicas, enquanto os vocais buscam sempre aquele momento alto, mas sem exageros. Uma boa faixa pra inicio de conversa. Um pouco mais cadenciada, "Nothing", remete ao Helloween, mas traz uma letra introspectiva, questionando o uso da inteligência artificial. Por sua vez, "We Are Kingcrown", é dona de um refrão autoexplicativo, que tenta afirmar a posição da banda dentro do cenário atual. Refrão grudento, diga-se. "A Thousand Years" é um power metal melódico clássico, onde os teclados guiam a base da composição, enquanto o bom vocalista Jo Amore foge dos agudos excessivamente limpos, garantindo uma identidade mais crua e direta ao som da banda. Por sua vez "Rise of the Machines", ainda que não fuja muito dos clichês típicos do estilo, mostra uma cozinha que transita com naturalidade entre o groove pesado e a velocidade galopante.

"All United" traz a energia típica do power metal, lembrando o melhor da vertente germânica e o peso refinado de nomes como Masterplan. E isso tudo acaba dando certo, principalmente para os apreciadores do estilo em questão. "Lost Horizon" e "Oblivion Resilience" se aproximam um pouco mais do peso, tendendo um pouco mais pro lado tradicional. Já "Back to the 80's" é uma ode à década de ouro do Heavy Metal, com uma letra que relembra como era essa época: "Back to the 80’s! Turn up the sound! Turn it up and shake the ground! Back to the 80’s! Back to the past! We’ll never die, we’ll never change!". O final vem com "Beyond the Stars", mais cadenciada e mais pesada.

MOONFALL é um álbum que vai agradar os fãs de carteirinha do heavy/power metal melódico tradicional. O KINGCROWN tem como principal virtude não reinventar a roda; em vez disso, ele tenta movimentá-la com composições afiadas, entregando um trabalhos coeso e bem gravado/produzido. Uma fórmula simples e verdadeira de como honrar o passado mantendo os dois pés firmes no presente.

Sergiomar Menezes





HELLOWEEN - 40 YEARS ANNIVERSARY TOUR




HELLOWEEN - 40 YEARS ANNIVERSARY TOUR

O REBEL ROCK cobriu a turnê de 40 anos do HELLOWEEN no BRASIL! E o que rolou nos shows em Porto Alegre e São Paulo você confere aqui:



16/09/2026
KTO ARENA
PORTO ALEGRE/RS
Produção: EntreLike/Mercury Concerts

Texto: Sergiomar Menezes
Fotos: José Henrique Godoy/ Chico Lisboa (Rock in Cena)

Em uma quarta-feira, um tanto quanto fria para o período, o Helloween marca mais uma passagem pela capital gaúcha. E pela terceira vez, no formato septeto. E quem diria que eu poderia dizer que assisti mais vezes o grupo com Michael Kiske do que com Andi Deris? Coisa louca não? Eu e meu amigo José Henrique Godoy nos dirigimos à KTO Arena (antiga Pepsi on Stage) praticamente dois anos após a enchente que assolou o Rio Grande do Sul. Mas, estamos aqui pra falar de uma banda que decidiu comemorar seus 40 anos de atividade fazendo aquilo que se espera dela: shows repletos de clássicos, novidades e músicas que não vinham sendo tocadas há algum tempo. Sendo assim, não havia como ter erro. E não teve.

Antes do show começar, havia uma DJ no palco colocando sons pra galera aquecer, mas ela não estava sendo muito feliz no seu intento, pois além do volume não estra muito alto, ela parecia desconhecer que o público ali era fã de Helloween. Ou seja, Korn, Avenged Sevenfold e outras bandas menos indicadas não foram muito bem recepcionadas. Mas, verdade seja dita, a última meia hora da moça a redimiu, pois apelou pros clássicos eternos do Heavy Metal e acertou a mão!

Passava pouco das 21h, quando a música "Let Me Entertain You" de Robbie Willians (e o pior é que a faixa é bem legal - a mesma já vem sendo usada pela banda há um bom tempo), ecoou pelos PA's, indicando que os deuses do metal melódico (e porque não dizer do Heavy Metal) estavam prestes a adentrar o palco. Com um telão repleto de animações muito legais, conectadas a cada música executada, surge nesse mesmo telão a figura do "Keeper", introduzindo o show. Então, Andi Deris (vocal), Michael Kiske (vocal), Michael Weikath (guitarra - falaremos mais dele a seguir), Kai Hansen (guitarra), Sascha Gerstner (guitarra), Markus Grosskopf  (baixo) e Daniel "Dani" Löble (bateria) sobem ao palco e logo de cara mandam um clássico eterno: "March of Time", faixa presente em "Keeper of the Seven Keys Part 1". É preciso dizer que o público cantou cada verso fazendo com que a voz (e que voz!) de Michael Kiske quase sumisse? Impressionante a energia e vitalidade de uma música composta há quase 40 anos! Em seguida, "The King of 1000 Years", faixa mais longa da carreira da banda, vem para abrilhantar ainda mais a aura épica que se formava na KTO Arena. Me arrisco a dizer que a composição, que abre "Kepper of the Seven Keys; The Legacy", é uam das melhores faixas da carreira da banda. E a divisão de vocais entre Deris e Kiske ficou perfeita, deixando pra Deris as partes mais pesadas, enquanto as melódicas ficaram com Kiske. Este último, aliás, apesar da aparência de bancário do Banco do Brasil aposentado que decidiu curtir a vida numa fazendo do interior, continua cantando como nos velhos tempos! Que vocalista, senhores... que VOCALISTA!  E se é pra falar de clássico, Kiske decide apresentar Mr. Kai Hansen e de uma forma bem direta, nos traz "Future World"! Como no inesquecível "Live in the UK", a faixa é cantada até pelos seguranças do evento, enquanto passa um filme na cabeça deste que vos escreve. É a quinta vez que assisto essa música ao vivo, terceira delas cantada por Kiske. E sempre que ela inicia volto no tempo, quando ouvia no meu bom e velho rádio toca-fitas National, a fitinha gravada com o ao vivo supracitado. Emocionante!




Era chegada a hora de "This is Tokyo", primeira música de "Giants and Monsters", mais recente trabalho do grupo. Se quando lançada como single a composição não me agradou, ao ouví-la na sequência do álbum, minha opinião mudou. Mas ao vivo, ela ganhou um contorno ainda  mais forte, ficando pesada e intensa, com Deris dando um show de performance. Sim, ainda que sofra muitas críticas por sua voz (que é bem mais hard do que heavy), o alemão que teve a ingrata tarefa de substituir Kiske em 1994, mostra que sabe dosar sua voz de forma correta. Além do carisma e simpatia, que compensam qualquer coisa. Em seguida, "We Burn" de "The Time of the Oath", que ao vivo vira um coice na boca do estômago, com direito a show de luzes e fogos na frente do palco, seguida por uma grande surpresa: "Twilight of the Gods"! Uma verdadeira aula de como deve ser o speed/power metal, composta por Kai e interpretada de forma magnífica por Kiske. E quem se importou com o mesmo Kai esquecendo a letra de "Ride the Sky" e se atrapalhando na hora do solo? Absolutamente ninguém! Até porque, estava todo mundo cantando e muitos, talvez, nem repararam nisso... Weikath segurou os solos muito bem apesar da aparência terrível...

E aqui, abro um espaço pra falar sobre Weikath. O quão magro ele está é assolador! Parece que vai cair a qualquer momento, anda encurvado, parecendo sem forças para empunhar a guitarra. Mas o faz muito bem, não esquecendo de brincar com o público algumas vezes, e fazendo seus gestos típicos com as mãos enquanto toca sua guitarra. Boatos dão conta de que ele está bem doente e que talvez essa seja a última turnê do Helloween. A verdade é que a saúde dele parece estar nada boa.

Mas voltando ao show, era chegada a hora de mais uma faixa do mais recente trabalho. E, infelizmente na minha opinião, escolheram "Into the Sun", uma faixa chata e sem vibração. Por sorte, em seguida tivemos "Hey Lord", faixa de "Better Than Raw", que ao vivo ganhou peso e intensidade, mostrando que a banda soube não fica presa sempre as mesmas escolhas de setlist. "Universe (Gravity for Hearts)", mais uma do novo álbum, veio pra mostrar como o Helloween ainda é importante para o estilo, pois cria faixas que mesclam o melódico e o metal como poucas. Ainda que muitas criaturas tenham atingido ótimas performances, o criador sempre será imbatível. "Rabbit Don't Come Easy", também se faz presente no set, e por sorte, a banda escolheu a melhor música do álbum: "Hell Was Made in Heaven"! Uma faixa totalmente Heavy Metal, pesada, veloz, intensa, com Deris exigindo muito de si mesmo em alguns momentos, provou que a banda não está pra brincadeira no palco (ainda que muitos momentos divertidos tenham ocorrido). Essa música deveria estar presente em todo show do septeto! Em seguida tivemos um solo "meia-boca" de Dani Löble, algo ao meu ver, desnecessário, mas sabe como é... tinha um baterista do meu lado que não vai concordar comigo...



Logo em seguida, o primeiro momento "festa" do show com a execução de "I Want Out"! Essa música é sinônimo de metal melódico, é sinônimo de "happy happy Helloween"! Todos cantando, papel picado explodindo no público e muita interação banda/plateia. Momento memorável! Então Kiske e Deris se dirigem a frente do palco e num momento bem intimista, apenas voz e violão, Kiske manda ver "Let it Be" dos Beatles. Ficou bem legal e alguns presentes no refrão cantavam "Helloween, Helloween, Helloween, Helloween"... Deris assume os vocais na primeira parte acústica de "In The Middle of my Heartbeat", que na segunda parte ganha o instrumental completo, num dos mais belos momentos do show. E se falamos de belos momentos, o que dizer de " A Tale That Wasn't Right"? Assim como nos dois últimos shows da banda por aqui, Kiske pediu para que ligassem a lanterna do celular (como se fazia antigamente com os isqueiros) durante a execução da faixa, o que deu a ela uma "brilho" extra. A última faixa a ser tocada de "Giants and Monsters" foi a hard "A Little is a Little Too Much", que ao vivo também ganhou mais força. Kai Hansen assume o protagonismo novamente em "Heavy Metal (is the Law)", outra pérola do speed metal, relembrando os tempos de "Walls of Jericho". Pra fechar a primeira parte, a magnânima "Halloween", perfeita, intensa, pesada e com o dueto de vocais muito bem dividido entre Deris e Kiske. Os músicos agradecem e deixam o palco, como se  agente não soubessem que eles voltariam...

O "Keeper" ressurge no telão anunciando que o show ainda não havia acabado e dá lugar a uma águia cibernética. É o sinal de que "Eagle Fly Free" seria a próxima música. Que coisa espetacular é presenciar a execução dessa faixa ao vivo. Balões gigantes, amarelos com o logo de 40 anos da banda surgem do nada no meio do público e ficam sendo jogados de um lado pro outro enquanto o grupo manda ver em um dos maiores clássicos da história da música universal! "Power", de "Master of the Rings" vem para mostrar que após a saída de Kiske, o Helloween sabia que ainda tinha muita lenha pra queimar, lançando uma de suas músicas mais "Helloween" de sua carreira. E pra fechar de vez o grande espetáculo, " Dr. Stein" cantada por todos a plenos pulmões foi o encerramento perfeito de um show praticamente perfeito. Banda e público em completa sintonia, setlist bem escolhido (exceção de "Into the Sun") e muita energia desses senhores na casa de seus 60 anos ( a maioria deles). Ainda tivemos, antes do fim, o refrão de "Kepper of the Seven Keys", que coroou essa grande apresentação.




Um show ótimo, público satisfeito, mas algumas considerações importantes: achei o público de 2600 aquém daquilo que a banda merecia. Óbvio que  a situação financeira do país não é nada boa, mas o show foi anunciado com bastante antecedência, ou seja, dava tempo de s e programar. Outro ponto: Michael Weikath. Se é verdade que está doente, deveria pensar em sua saúde e não fazer mais shows, por mais tristes que os fãs possam ficar. Até, pra voltra em melhores condições. 

Mas nada disso tira o brilho de uma noite que celebrou os 40 anos dos pais do power metal melódico, de uma das maiores bandas do mundo: HELLOWEEN!

Obrigado Renata Gomes e EntreLike pelo credenciamento e recepção no show.




19/09/2026
SUHAI MUSIC HALL
SÃO PAULO/SP
Produção: Catto Comunicação/Mercury Concerts

Texto: Mauro Antunes
Fotos: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts

Após o brilhante texto acima do nosso redator-chefe, Sergiomar Menezes, o Rebel Rock seguiu com sua cobertura dos shows da turnê de 40 anos do Helloween aqui por nossas terras.

Passei o Sábado me preparando psicologicamente para o que iria ver a noite, almoço durante o trabalho, clássicos no Helloween em meu CD Player (nada de Spotify ou similares!) durante esse período, até que por volta das 18:30hs saí de casa rumo ao Suhai Music Hall, uma casa que não conhecia, e que fica bem distante para quem mora nas zonas Norte e Oeste, em especial. Apesar de ter acompanhado o show da Pista Premium, as áreas de mezanino e camarote parecem ser bem legais, e teremos lá, ainda esse ano, os shows do Deep Purple e a despedida (será mesmo!?) do Sepultura. Pretendo acompanhar esses shows em alguma posição dentre essas.

Mas voltando ao Helloween, entramos na casa por volta das 20hs, deu tempo pra fazer um lanche, com boas (e caras) opções no menu. Deu pra degustar aquela batata frita, e ainda havia muitas opções de salgados e hamburgueres. Ah, e tinha também uma caprichada banquinha de merchan mas com uma fila absolutamente insuportável; então, passei batido por ela.

Pontualmente, as 21hs os alto falantes começaram a tocar “Let Me Entertain You” do cantor Pop, Robbie Wiiliams (pra quem tiver curiosidade de ouvir, assista o clipe através do link: youtu.be/ymPu2PdLW3I?is=NPCdvFSHII8ZGhi4), e quando “March of Time” começou a rolar, aquela sensação de voltar no tempo, me sentir jovem de novo, tomou conta de mim. E melhor ainda, ouvi-la na voz do mestre Michael Kiske, torna essa sensação ainda mais especial.

“The King for a 1000 Years” foi muita bem recebida pelo público, o que pra mim, foi ligeiramente surpreendente, já que o disco “Keeper of the Seven Keys – The Legacy” não é tão bem aceito pelos fãs em geral, o que eu, particularmente, considero uma tremenda injustiça. A última parte da saga das faixas de 13 minutos não deve nada às anteriores, e tem uma linha vocal muito bem criada por Andi Deris, e que ao vivo, Kiske entra pontualmente em algumas passagens. Sinceramente, foram 13 minutos que se passaram em menos de 5 minutos. Linda!



Logo após, Kiske e Deris agradeceram o show soldout e lembraram que este foi o último show da turnê de 40 anos, além de fazer o público berrar para que fossem os gritos mais altos que ouviram durante o período. Obviamente, como tinham a plateia nas mãos, os gritos foram realmente altos o bastante. E pra quem gosta das composições do mestre Kai Hansen, veio mais um hino criado por ele, “Future World”, que é impossível ficar indiferente a ele. Depois, veio a única faixa dispensável do setlist, a fraquinha “This Is Tokyo”. Uma pena a banda grudar nela por ser do disco novo, mas nele há coisas bem (e bota bem nisso...) melhores.

A pesadíssima “We Burn” testa ao limite a capacidade do sessentão Andi Deris e o cara não foge da raia. Uma das melhores performances do icônico frontman. “Twilight of the Gods” é mais um hit que todos cantaram junto, até “Ride the Sky” que é o momento onde Kai Hansen mais fica em evidência. O cara tem um carisma ímpar mesmo, fato é que apesar da música em questão ajudar, e muito, ele é capaz de colocar a plateia em suas mãos.

A balada “Into the Sun” que é daquelas que não compromete, mas também não empolga, acabou fazendo bem o papel de anteceder outro hino dos anos 80, “I’m Alive” executada pela primeira e única em toda a turnê comemorativa de 40 anos de vida do Helloween. Assim como para várias outras bandas grandes, São Paulo é uma cidade muito importante na carreira da banda alemã, taí a prova disso.

“Hey Lord!” é mais uma das faixas grudentas compostas por Andi Deris com uma veia mais comercial que os fãs em geral a abraçaram com carinho, então para a banda, mantê-la no set, parece ser quase um descanso para o hepteto no palco. É simples e o público adora!



“Universe (Gravity of Hearts) é um imenso destaque do trabalho mais recente, “Giants & Monsters” (2025), uma que veio pra ficar e que provavelmente fará parte do setlist da banda por um bom tempo; ela tem tudo o que os fãs mais gostam: é pesada, progressiva e melódica ao mesmo, refrão marcante e mais de 8 minutos de duração. Incrível como foi saudada pelo público. “I Want Out” é o arroz de festa que sempre agrada a todos, talvez o maior clássico da carreira do Helloween.

Aí veio aquele momento que todos esperavam ansiosamente: Kiske e Deris em versão acústica, e diferentemente do que aconteceu em Porto Alegre, a banda escolheu a clássica “Yesterdays” dos Beatles ao contrário da não menos clássica “Let It Be”, além de emendarem um trechinho de “Suspicious Minds” do Rei do Rock, Elvis Presley.

“A Tale That Wasn’t Right” teve sua primeira parte cantada de forma acústica por Kiske e Deris e a banda entrou na segunda parte da música e a levou até o fim. Talvez a melhor balada dentre as várias que o Helloween já gravou. Sempre um grande momento, e Kiske foi cirúrgico ao gravar as linhas vocais deste hino composto pelo guitarrista Michael Weikath.

As divertidas “A Little Is a Little Too Much” e “Heavy Metal (Is the Law)” antecederam mais um hino de 13 minutos de duração, a clássica “Halloween” que fechou a primeira parte do show como tem que ser, afinal ela é considerada pelo próprio Kai Hansen como a melhor composição de sua vida. Então, aqui, quase 40 anos depois, o que nós mais podemos falar sobre ela? Nada, basta ouvi-la repetidas vezes e entender o porquê o Helloween tornou-se o gigante que se tornou. Até aquele momento, ninguém no planeta era capaz de reproduzir o som que os caras ousaram criar.

Após a pequena pausa vieram mais 3 grandes pérolas: “Eagle Fly Free”, “Power” e “Dr. Stein” pra fechar uma noite que poderia durar até umas 5 horas da manhã, que ninguém iria ficar com sono. Ah, e antes do fim, claro, aquele trechinho de “Keeper of the Seven Keys” pra deixar todos com água na boca.
Bandas do porte do Helloween sofrem com a necessidade de montar um setlist que agrade a todos. Pérolas como “How Many Tears”, “A Little Time”, “Keeper of the Seven Keys”, “Kids of the Century”, “Sole Survivor”, e as mais recentes “Skyfall” e “Majestic” fazem falta, mas, obviamente, com tantos hinos escondidos dentro da extensa discografia dos alemães, não há como todos serem executados. Que pena!


Excetuando-se o caro preço de alimentos e bebidas da casa, e o volume do som que poderia (e deveria!) estar mais alto, todo o restante foi perfeito. Uma grande noite para todos os que lotaram a casa. A pista premium estava super lotada, a pista comum, idem. Mezanino e camarote, abarrotados, realmente o sold out se confirmou. Outro ponto a analisar, é que os sessentões da banda estão com pique de garotos, mesmo após essa extensa turnê com mais de 60 shows espalhados pelo planeta Terra.
Sempre digo aos amigos à minha volta: aproveitem bandas como o Helloween enquanto eles ainda estão na ativa, mesmo com ingressos caríssimos! Vê-los ao vivo é um deleite para quem os ama, e eu, caro leitor, me incluo nessa com louvor! Happy Happy Helloween! Nunca parem, por favor!


sábado, 19 de setembro de 2026

MEGADETH - PEACE SELLS... BUT WHO'S BUYING? - 40 ANOS


 ALÉM DO CAOS E DA PRECISÃO - O LEGADO IMORTAL DE PEACE SELLS

Quarenta anos depois, Peace Sells... But Who's Buying? continua sendo uma viagem no tempo entre o vinil, a fita K7 e a fúria incontrolável de Dave Mustaine

Por William Ribas

É curioso ouvir esse álbum novamente por esses dias e perceber como ele me fez voltar no tempo. Peace Sells... But Who's Buying? foi justamente o primeiro disco do Megadeth que ouvi inteiro. E existe uma lembrança muito específica: eu ouvi em vinil.

Lembro da sensação do meu primo pegando o disco para tocar, ouvir aquele pequeno ruído antes de tudo começar e, segundos depois, ser atropelado pela explosão de riffs de “Wake Up Dead”. Hoje, ouvindo novamente, é impossível não voltar para aquele momento.

E tem mais uma história. Peace Sells... But Who's Buying? foi também o álbum que gravei em fita K7 para poder ficar ouvindo depois. A fita acabou sendo a maneira de levar aquele Megadeth comigo para casa.

Talvez por isso esse álbum tenha um peso diferente para mim. Existem discos que você respeita. Outros, você simplesmente gosta. E existem aqueles que, mesmo depois de quatro décadas, ainda parecem estar te desafiando. Peace Sells... But Who's Buying?, segundo álbum do Megadeth, é desses.

Quarenta anos depois, é cada vez mais visível que Mustaine entregou algo que o colocou em um patamar técnico absolutamente singular — um trabalho irregular, é verdade, mas lapidado por uma fúria e uma virtuosidade quase inacreditáveis. O álbum é a representação perfeita de uma banda em fase de transição e metamorfose. Há uma tensão constante entre o caos e a precisão cirúrgica em cada nota hipnótica do tracklist.

É curioso como a história do Megadeth costuma ser lembrada por discos como Rust in Peace, Countdown to Extinction e Youthanasia. É perfeitamente compreensível, mas essa visão acaba deixando um pouco na sombra um álbum que já mostrava uma banda com identidade própria, muito antes da formação Mustaine/Friedman/Ellefson/Menza se tornar aquela espécie de escalação definitiva dos fãs.

Peace Sells... But Who's Buying? não é um rascunho do que viria depois. O Megadeth trouxe para o estúdio uma veia quase progressiva e influências improváveis, que iam do jazz ao punk, tudo que mostra quão singular ele é dentro da discografia da banda.

“Wake Up Dead” deixa isso claro imediatamente. Riffs entrando e saindo, mudanças de andamento, as guitarras de Dave Mustaine e Chris Poland se alternando em solos e aquela bateria quase inquieta de Gar Samuelson. Tudo parece prestes a sair do controle, mas nunca sai. E a voz de Mustaine, longe de ser convencional, combina perfeitamente com essa atmosfera.

“The Conjuring” leva essa fórmula ainda mais longe. O baixo de David Ellefson tem presença e personalidade, enquanto as guitarras conseguem ser técnicas sem transformar a música em uma demonstração de habilidade. Esse é um dos grandes méritos do álbum — as músicas vêm antes da técnica.


E então aparece “Peace Sells” — a faixa-título é o maior exemplo dessa ousadia: construir um hino do metal pesado a partir de uma linha de baixo swingada, com balanço único, e uma letra que mistura política, sociedade e ironia foi um risco que pouquíssimos grupos teriam a capacidade de correr, quanto mais de transformar em clássico.

“Devil's Island” é aquele tipo de música que resume muito do que gosto no thrash: velocidade, peso, mudanças e riffs que parecem simples até você tentar entender o que está acontecendo. “Good Mourning/Black Friday” segue outro caminho, começando de maneira quase hipnótica antes de explodir em uma das passagens mais violentas do disco.

E ainda existe “My Last Words”, uma maneira brilhante de encerrar o álbum. A tensão da letra sobre roleta-russa cresce junto com a música. Verdadeiras tempestades de riffs e solos acrobáticos, onde o trabalho de Chris Poland e Mustaine injeta uma dose de adrenalina absurda, sendo um dos momentos mais memoráveis daquele primeiro Megadeth.

Gar Samuelson merece uma menção especial. Sua escola no jazz fusion aparece claramente na maneira como toca, acrescentando uma liberdade que ajudou a diferenciar o Megadeth de tantas outras bandas da cena.

Talvez seja isso que faça Peace Sells... But Who's Buying? continuar tão especial. É o retrato sem filtro de um talento bruto descobrindo o tamanho da própria força — o registro imperfeito de um gênio ferido que, mesmo tropeçando nos seus fantasmas e vícios, conseguiu erguer um dos pilares do thrash metal.



quinta-feira, 17 de setembro de 2026

OZZY OSBOURNE - NO MORE TEARS 35 ANOS

 



SEM LÁGRIMAS MAS COM MUITO SUCESSO - OS 35 ANOS DE NO MORE TEARS

Três décadas e meia após seu lançamento, o álbum que redefiniu o heavy metal dos anos 90 continua sendo um dos maiores clássicos do Príncipe das Trevas

Por Sergiomar Menezes

Lançado em 17 de setembro de 1991, NO MORE TEARS chegou às lojas em um momento de transição  na música mundial. O cenário do rock e do metal estava prestes a ser virado pelo avesso pelo movimento grunge, e figuras veteranas dos anos 1980 precisavam provar seu valor diante de uma nova era. É exatamente nesse contexto que o sexto álbum solo de OZZY OSBOURNE se ergue não apenas como um sobrevivente daquela década, mas como um dos pontos mais altos, refinados e comercialmente triunfantes de toda a sua carreira.

Gravado nos estúdios A&M e Devonshire, em Los Angeles, o álbum consolidou a transição de Ozzy para uma sonoridade mais polida, estruturada e de arena, sem perder a essência sombria que o acompanhava desde os tempos de Black Sabbath. De forma sucinta, mostrou um Ozzy que podia adentrar os anos 90 de forma comercial sem perder sua essência.

O grande trunfo criativo de "No More Tears" esteve na química avassaladora entre Ozzy e o jovem guitarrista Zakk Wylde. Se nas duplas do passado Ozzy contava com a genialidade de Randy Rhoads ou a agressividade de Jake E. Lee, com Wylde ele encontrou uma pegada visceral, repleta de harmônicos artificiais estridentes (algo que com o passar do tempo se tornou marca registrada de Zakk e que por vezes, chega a irritar), peso moderno e uma raiz profundamente sulista e estradeira. A cozinha, formada pelo baixista Bob Daisley (ainda que nos créditos tenhamos a presença de Mike Inez) e pelo baterista Randy Castillo, além dos teclados atmosféricos de John Sinclair, garantiu a cama perfeita para que as composições brilhassem.

O disco abre com a urgência de "Mr. Tinkertrain", uma introdução perturbadora sobre predadores infantis que mostrava que Ozzy continuava disposto a explorar temas sombrios e desconfortáveis. Logo em seguida, o ouvinte é atropelado por "I Don't Want to Change the World" (que renderia a Ozzy seu primeiro Grammy) e "Desire", faixas que exalam o melhor do hard rock americano do início dos anos 90: guitarras intensas, refrãos grudentos e uma produção impecável conduzida por John Purdel e Duane Baron, sendo a mixagem responsabilidade do veterano Michael Wagener.

Mas os grandes destaques (principalmente comerciais) foram a faixa-título "No More Tears", um épico de mais de sete minutos ancorado por uma das linhas de baixo mais icônicas do rock e um solo monumental de Zakk Wylde. A música cria uma atmosfera cinematográfica de tensão e desespero que se tornou obrigatória nos shows ao vivo, "Mama, I'm Coming Home", composta em parceria com Lemmy, que se transformou em um hino universal de saudade e retorno. A letra intimista, escrita por Lemmy, encaixou-se perfeitamente na voz de Ozzy, mostrando que, ainda, o "Príncipe das Trevas" dominava a arte de emocionar multidões. Por fim, "Road to Nowhere": uma reflexão melancólica e intimista sobre a jornada da vida e a inevitabilidade do destino, fechando o álbum com um senso de grandiosidade e aceitação madura.

"No More Tears" foi um sucesso absoluto de crítica e público. Alcançou o Top 10 da parada americana Billboard 200 e acumulou certificações multiplatina, pavimentando o caminho para a turnê lendária "No More Tours" — que inicialmente seria a turnê de despedida de Ozzy (uma promessa que, felizmente para os fãs, ele logo tratou de quebrar, algumas vezes, diga-se de passagem).

Completar 35 anos é olhar para trás e perceber que este trabalho não envelheceu. Ele capturou um OZZY maduro, cercado por músicos no topo de suas formas criativas, equilibrando perfeitamente o heavy metal com a sensibilidade melódica necessária para conquistar o rádio e os estádios. NO MORE TEARS permanece intocado: uma aula  de como se reinventar sem perder a alma.