quarta-feira, 13 de maio de 2026

KREATOR - HATE & HOPE (DOCUMENTÁRIO - 2026)

 


KREATOR
HATE & HOPE (DOCUMENTÁRIO)

Não existem dúvidas de que o Kreator é maior banda de Thrash Metal da Alemanha. Que me desculpem os fãs de Destruction, Sodom, Tankard e outras menos conhecidas, mas é inegável o poderio e a força que o quarteto liderado pelo obstinado Mille Petrozza possuem ao redor do mundo. E KREATOR - HATE & HOPE, vem apenas para corroborar essa afirmação. Ainda que o documentário não seja mais profundo e não tenha uma linha condutora mais definida, é o registro do que aconteceu com a banda nos últimos dois anos (com maior foco em 2025) e também mostra um pouco da personalidade d e cada um dos seus integrantes.

É difícil falar sobre um livro ou documentário sem dar spoiler, mas algumas coisas acabam se destacando durante a execução do filme: a lembrança dos tempos em Essen, cidade natal da banda, com a amizade entre Mille e J6urgen Reil, muito mais conhecido pelos fãs como "Ventor", o fascínio de ambos pelo KISS (e acho que já está na hora de colocarmos o KISS em pé de igualdade ao Black Sabbath em importância dentro do Heavy Metal), com fotos dos dois mascarados, ainda crianças; a posição política firme e consistente de Mille, que conta com o apoio de Maik Weichert (Heaven Shall Burn) visitando o Memorial de Buchenwald; o veganismo de Mille, que tem esse posicionamento desde o final dos anos 80, onde segundo ele "era muito difícil de conseguir algum tipo de comida assim" nas turnês daquela época.

Também temos a participação do produtor Jens Bogren, em estúdio com Mille, mostrando o quanto os dois procuram ser perfeccionistas naquela que estão fazendo. Além deles, Chuck Billy (Testament), Scott Ian (Anthrax - outra vez!?), Andreas "Gerre" Geremia (Tankard), Tom Angelripper (Sodom), e ainda ex-roadies, produtores e empresários também participam dando depoimentos sobre a música e a carreira do grupo.

Feito para comemorar os 4o anos de  "Endless Pain", mas abortado e decidido por ser lançamento como um registro mais atual da banda, o documentário mostra os dois filhos de Ventor dizendo terem orgulho do pai, mas ao mesmo tempo lamentando por terem convivido tão pouco com ele enquanto eram crianças. Mostra também o baixista Frédéric Leclercq, indo fazer uma nova tatuagem na casa/estúdio de um certo baterista..., enquanto o guitarrista Sami Yli-Sirniö se mostra como um cara calmo e tranquilo, assim como é no palco.

O documentário também nos mostra um show no Anfiteatro de Gelsenkirchen, onde estava acontecendo o festival "Klash of the Ruhrpott", uma espécie de "Big 4" alemão, que contou com a participação dos já citados Tankard, Sodom e Destruction, onde a apresentação do Kreator teve que ser interrompida devido ao forte temporal que caiu naquele local justo na hora do show deles.

O filme termina com uma cen abastante inusitada em um restaurante vegano nos Estados Unidos e com a apresentação que o grupo fez ao lado do Testament, onde horas antes atendeu a uma verdadeira multidão de fãs do quarteto.

KREATOR - HATE & HOPE é um bom documentário, mas pela pela falta de direcionamento durante sua condução. Longe de dizer que não vale a pena assistir, pelo contrário! Mas a maior banda de THRASH METAL da Alemanha merecia mais. Muito mais.

Sergiomar Menezes




MICHAEL MONROE - OUTERSTELLAR (2026)

 


MICHAEL MONROE
OUTERSTELLAR
Silver Lining Music - Importado

Michael Monroe é outro típico caso de verdadeiro Rocker. Incansável e imparável, ele acaba de lançar “Outerstellar” o seu décimo primeiro álbum de estúdio. Para quem não sabe, Michael foi o eclético frontman do Hanoi Rocks, banda da Finlândia que influenciou altamente a cena Glam/Hair Metal dos anos 1980, dentre os seus “inspirados” mais notórios eu poderia citar o Mötley Crüe e o Guns N' Roses.

Após o final trágico da banda em 1985 , após o acidente de carro causado por Vince Neil que vitimou o batera do Hanoi Rocks, Razzle, Michael Monroe deu inicio a sua carreira solo com o lançamento de “Nights Are So Long” (1987) e de lá para cá não parou mais, inclusive dividindo o trabalho solo com um retorno à ativa do Hanoi Rocks entre os anos de 2002 e 2009.

O que temos aqui em “Outerstellar” é o tradicional “Modus-Operandi” de Michael Monroe criar Rock N' Roll: uma pitada de Glam/Hard Rock, outra de Garage Rock, e muita influência de Punk Rock. Porém desta vez, a mistura saiu com gosto de “comida requentada”. Não que “Outterstellar” seja fraco ou um álbum que se deve desprezar. Ao contrário, a fórmula vencedora de Monroe está aqui, porém ela parece um pouco mais arrefecida e com menos “Punch” do que nos lançamentos anteriores.

Temos ótimos momentos como a faixa de abertura “Rockin Horse”, “Black Cadillac”, um rockão cheio de malícia, a semi-balada “Glitter And Dust”, a pesada e quase gótica “Painless” e a anárquica “Newtro Bombs”. Por outro lado temos “Precious” e “Pushin Me Back” que apesar de serem faixas “ok”, soam como se fossem sobras de outros álbuns, pois se assemelham muito com outras faixas que Monroe e banda criaram com mais consistência.

A maior surpresa do álbum fica para o final: “One More Sunrise” uma faixa com quase oito minutos de duração. Levando-se em conta que Michael Monroe é adepto do estilo músicas certeiras de três minutos, realmente “One Mores Sunrise” é uma novidade. Uma faixa “épica”, porém com muita melodia e a marca registrada de Michael Monroe. Outro detalhe que me chamou a atenção: a capa do álbum é bem semelhante a capa de “Sensory Overdrive” de 2011. Se “Outerstellar” não é o melhor trabalho de Michael Monroe, por outra via ele é um bom trabalho que mantém Monroe relevante e influente.

José Henrique Godoy




IRON MAIDEN - BURNING AMBITION (DOCUMENTÁRIO - 2026)

 


IRON MAIDEN
BURNING AMBITION (DOCUMENTÁRIO - 2026)

Não importa se você é homem, mulher, muçulmano, cristão… se você é fã de Iron Maiden, então você faz parte de uma família.” Com esta frase de Bruce Dickinson, se inicia o novo documentário da maior bande de Heavy Metal de todos os tempos. Entre acertos e algumas falhas, o filme que retrata a jornada do Iron Maiden é feito diretamente para o fã da banda, sem concessões.

A frase de Dickinson faz todo o sentido, principalmente quando foco na platéia na sessão de cinema que fui assistir: de crianças de menos de 10 anos até senhores de longos cabelos brancos, apenas o Iron Maiden consegue unir um público tão amplo. Alguns detratores o Maiden dizem que a banda pratica um som “para crianças” (inclusive vi um depoimento de um velho rockeiro “Made In Brazil” falar esta asneira). Podemos retificar esta bobagem, digo, frase: o Iron Maiden é uma banda ATÉ para crianças.

Dirigido por Malcoim Venville e com roteiro de David Teague, “Burning Ambition” narra de forma assertiva a trajetória do Maiden, desde o inicio nos clubes de Londres, passando pelas saídas dos saudosos Paul Di'Anno e Clive Burr até a conquista mundial ainda no meio dos anos 1980; a queda após a saída de Bruce e Adrian no início dos anos 1990, e a reconquista mundial com a volta dos dois ao final da década.

A utilização de cenas de shows da banda da época, ao mesmo tempo que impactam pela qualidade da imagem e do som na telona, ao mesmo tempo podem se tornar manjadas para fãs de longa data e colecionadores vorazes, tendo em vista que alguns shows já foram devidamente explorados em outros lançamentos.

Participações de fãs famosos também são exibidos. Temos algumas surpresas como o ator espanhol Javier Barden (o temido “Psycho Killer” de “Onde Os Fracos Não Tem Vez”), Chuck D (rapper e membro do Public Enemy), baixista do The Cure, Simon Gallup e o carismático Katon V. De Pena (vocalista da banda de Thrash Metal Hirax) que se declaram fanáticos pelo Iron Maiden.

Por outro lado figurinhas carimbadas que aparecem absolutamente em TODOS os documentários sobre Heavy Metal: Scott Ian (Anthrax), Lars Ulrich (Metallica) e o arrozão de festa Tom Morello (Rage Agaisnt The Machine). Este último então, se declara fanático e aparece nos documentários de Kiss, Black Sabbath e vários outros... tem excelente gosto musical, porém criou o RATM... vai entender...

Em meio a muitas imagens dos shows, temos declarações dos membros da banda apenas em áudio. Bruce, Steve, Nicko, Dave, Janick e Adrian, bem como do empresário Rod Smallwood. Fãs “gente como a gente” também dão sua contribuição, fãs de vários lugares do mundo, incluindo por óbvio o Brasil. Há de se registrar que nosso país tem um lugar reservado no coração de Steve Harris e companhia, e isso fica bem definido no filme.

Temos também algumas animações do nosso mascote favorito, Eddie , o membro mais famoso da banda. Criados por IA, achei um pouco dispensáveis, tendo em vista a perda da qualidade em retratar os diversos “Eddies” criados originalmente pelo fantástico Derek Riggs. Aliás, outra falha é não retratar com mais evidência a importância tanto dele, como do produtor falecido, o mago Martin Birch, que ajudou e muito a moldar o som envolvente que tornou o Iron Maiden o gigante que é.

O resultado final de “Burning Ambition“ é positivo, retrata bem a trajetória e a importância do Iron Maiden não apenas para o Heavy Metal e para o Rock, mas para a cultura mundial como um todo. Vale a pena assistir e torcer para que ele seja lançado em DVD/Blue-Ray, para que possamos ter uma cópia em nossas coleções. E como sempre: UP THE IRONS!!!!

José Henrique Godoy




ROSA TATTOOADA - 06/05/2026 - SGT. PEPPERS - PORTO ALEGRE/RS

 


ROSA TATTOOADA
06/05/2026
SGT. PEPPERS
PORTO ALEGRE/RS

Texto: José Henrique Godoy
Fotos: Carolina Godoy

Passado um pouco mais de um ano desde primeira vez que o ícone do Hard Rock Nacional e do Rock Gaúcho, o Rosa Tattooada, tocou no Sgt Peppers, temos a repetição da noite de luxo, para a euforia dos fãs porto-alegrenses, ainda mais que dessa vez tínhamos o lançamento de uma nova música/promo vídeo do Rosa, que não lançava nenhum material novo desde 2013.

Quem Vai Juntar Os Pedaços Do Seu Coração” é o titulo da nova música que vai estar presente no lançamento de “Hard-Fi” o novo álbum do Rosa Tattooada, que consiste na nova faixa e regravações de nove clássicos da banda, executadas com a formação atual que consiste em Jacques Maciel (guitarras e vocal), Valdi Dalla Rosa (baixo) e Matt Thofern (bateria) e praticamente gravadas ao vivo no estúdio. A previsão de lançamento é para setembro/outubro deste ano.

Passavam poucos minutos das 21h, quando no telão do Sgt Peppers é apresentando então o vídeo clipe de “Quem Vai Juntar Os Pedaços Do Seu Coração”, com imagens em preto e branco da banda em estúdio. A nova música tem uma pegada bem Hard Rock anos oitenta e vai fazer a alegria dos fãs do Rosa Tattooada e de Hard Rock no geral. É realmente uma faixa cativante e excelente, com certeza se tornará um novo clássico do Rosa.

Após o término da exibição do vídeo, o trio adentro o palco e iniciam o show com “Um Milhão de Flores”, e com a categoria de sempre desfilam “Fora de mim, Dentro de Você”, “Enigma” e “Tardes De Outono”. A primeira surpresa da noite vem com uma faixa há muito não executada: “Diversões Pesadas” do álbum de 1992, e que Jacques dedica ao Fã-Clube Oficial do Rosa Tattooada, que leva o mesmo nome da música.


Na sequência é a vez da novata “Quem Vai Juntar Os Pedaços Do Seu Coração” e que se em estúdio ela é ótima, ficou provado que ao vivo tem a mesma força. A aprovação do público (que lotava o Sgt Peppers) foi geral à nova faixa. O som estava perfeito, bem como a iluminação de palco, e a banda afiada e entrosada como sempre, com destaque para o batera Matt. O cara além de um músico fantástico é puro carisma. É entusiasmante ver sua performance atrás dos pratos e tambores.

“Diamante Interestelar”, “Dance Em Mim” seguem o setlist, enquanto “Olhos No Espelho” é outra surpresa, pois a faixa do álbum "Rendez-Vouz" (2006) não era tocada há algum tempo também. “Poção” do álbum “Carburador” (2001) prepara o terreno para o maior clássico do Rosa Tattooada: “O Inferno Vai Ter Que Esperar”, cantado por todos no Sgt. Peppers.



Após o “falso final”, o trio retorna e detona “Voltando Pra Casa”, “Carburador” e “Rock N' Roll Até Morrer”. Fim de festa, e o Rosa Tatooada deixa o palco sobre aplausos. Agora é esperar o lançamento de “Hard-Fi” que será lançado apenas em vinil e numa tiragem de 400 unidades numeradas e autografadas. O lance é ficar atento para a pré-venda que deve começar “logo menos”, porém sem data exata ainda. Para finalizar , esta foi mais uma noite de “Hard Rock De Luxe” proporcionada pelo Rosa Tattooada.

quinta-feira, 7 de maio de 2026

PANTERA - THE GREAT SOUTHERN TRENDKILL - 30 ANOS

 


THE GREAT SOUTHERN TRENDKILL - OS 30 ANOS DO ÁLBUM MAIS AGRESSIVO DO PANTERA

Por Sergiomar Menezes

O mundo da música estava saturado pelo pós-grunge e pelo surgimento do pop punk nas rádios em maio de 1996. Enquanto várias bandas de metal buscavam "suavizar" seu som para se manter nas paradas, o PANTERA optou por fazer exatamente o contrário. O resultado foi THE GREAT SOUTHERN TRENDKILL, um álbum que, após três décadas, se mantém como a gravação mais sombria, niilista e agressiva da banda texana.

Diferentemente dos álbuns anteriores, "Vulgar Display of Power" e "Far Beyond Driven", as gravações de TGST foram caracterizadas pela fragmentação. Enquanto Dimebag Darrell, Vinnie Paul e Rex Brown gravavam no Texas, o vocalista Phil Anselmo gravava suas partes vocais no estúdio de Trent Reznor, em Nova Orleans. Essa distância física refletia o estado mental de Anselmo, que enfrentava dores crônicas nas costas e dependência de heroína. Porém, o isolamento destilou uma agressividade pura. O grito de abertura da faixa-título — um berro agudo de 10 segundos — funciona como o cartão de visitas ideal: este não era um álbum destinado ao grande público. Era, sim, uma declaração de guerra contra as tendências do momento.

Se nos álbuns anteriores Dimebag se concentrava em riffs de groove precisos, em TGST ele se transformou em um cientista do caos. Ele utilizou afinações ainda mais baixas e explorou intensamente o pedal "Whammy" e os harmônicos artificiais para produzir sons que lembravam gritos de animais ou máquinas quebrando.

Um capítulo separado deve ser dedicado ao solo de "Floods". Ele não é somente técnico; é também cinematográfico. Dimebag empregou uma técnica de "overdub" para sobrepor diversas camadas de guitarra, gerando um clima desolador que remete a uma inundação devastadora. É um solo que se distancia do clichê do shredding veloz e concentra-se na textura e na sensação de perda.

Já gravação das vozes em New Orleans (NOLA) não foi somente uma decisão de ordem logística. Naquele período, Anselmo estava intensamente envolvido na cena local de Sludge Metal, com bandas como Crowbar e Eyehategod (além dos já citados problemas com as dores nas costas e a s drogas). Isso introduziu uma sujeira sonora no disco que não estava presente no Pantera até aquele momento.

Ainda que a banda estivesse fisicamente separada, a cozinha composta por Vinnie Paul e Rex Brown nunca foi tão natural. Como gravaram as bases no Texas, eles mantiveram a pegada do "ao vivo". Em "13 Steps to Nowhere", o trabalho de bumbo duplo de Vinnie Paul é ao mesmo tempo quase imperceptível e complexo, estabelecendo uma base instável que complementa a letra paranoica de Anselmo. O baixo de Rex Brown passou a ter uma distorção mais pronunciada, ocupando o espaço deixado pelas guitarras cada vez mais experimentais de Dimebag.

As letras deixaram o estilo de "autoajuda agressiva" de Vulgar Display of Power" e adotaram o niilismo absoluto. Músicas como "War Nerve" atacam diretamente a mídia e a indústria musical, despejando um veneno que evidencia o quanto a banda estava cansada da fama.

O álbum apresenta uma variedade de andamentos, oscilando entre um groove intenso e momentos de passagens acústicas inquietantes. "Drag the Waters", o single principal, impulsionado por um riff de Dimebag que exemplifica o "peso", condena a manipulação e a hipocrisia. "Suicide Note Pt. I & II": possivelmente o maior contraste na discografia da banda. A Parte I é uma "balada" fúnebre acompanhada por violões de 12 cordas, enquanto a Parte II é uma explosão de grindcore industrial que pode ser insuportável para quem não está preparado.

O título "Trendkill" (Morte das Tendências) transmitia uma mensagem direta. O Metal estava sendo levado ao underground em 1996, tanto pelo Britpop na Europa quanto pelo grunge de Seattle nos Estados Unidos. Naquele momento, uma das maiores bandas de metal do mundo, o Pantera, utilizou sua plataforma para afirmar que não alterariam sua aparência ou estilo musical para se conformar com o que era considerado "cool" ou interessante pelo mercado e seus modismos.

Após 30 anos, THE GREAT SOUTHERN TRENDKILL permanece como o testamento definitivo do PANTERA: uma celebração de ódio, técnica e resistência que se recusava a morrer ou a se conformar.