sexta-feira, 22 de maio de 2026

POISON - LOOK WHAT THE CAT DRAGGED IN 40 ANOS

 


OS 40 ANOS DO ÁLBUM QUE MARCOU A ESTREIA DA BANDA QUE MUITOS AMAM ODIAR


Por Sergiomar Menezes

23 de maio de 1986, dia exato em que o álbum de estreia do POISON, LOOK WHAT THE CAT DRAGGED IN, celebra quatro décadas de história. Mais do que apenas um disco de hard/glam/hair metal, esse álbum foi o início de uma verdadeira revolução estética e musical que definiu o auge da cena Hard Rock  na lendária Sunset Strip de Los Angeles, transformando quatro jovens da Pensilvânia em astros do rock.

Antes mesmo de colocar o álbum pra tocar, a verdade é que LOOK WHAT THE CAT DRAGGED IN já causava impacto imediato pela capa. Trazendo fotos de seus integrantes mega-ultra-hiper-super maquiados (Bret Michaels, C.C. DeVille, Bobby Dall e Rikki Rockett), o encarte ostentava tanto laquê, batom, blush e delineador que quebrou barreiras de gênero na época. Tanto que um amigo chegou ame dizer que, em uma festa, depois de algumas cervejas, tranquilamente "tiraria um deles pra dançar"...

A androginia era tão extrema que, nas primeiras semanas de lançamento, muitas lojas de discos nos EUA listaram e organizaram o álbum erroneamente na seção de "Bandas Femininas". Relatos da época dizem que muitos homens heterossexuais compraram o vinil encantados pelas "garotas" da capa, apenas para descobrir que eram quatro rapazes cheios de atitude de Hollywood. Ou seja, meu amigo precisava beber pra pensar isso (risos), já nos EUA...

A provocação era milimetricamente calculada. O POISON levou o conceito de "glamour" ao extremo, envelopando uma atitude rebelde, suburbana e festeira em uma estética visual que se tornou a marca registrada da era de ouro da MTV.


Mas, ao contrário dos discos multimilionários que o Def Leppard ou o Mötley Crüe gravavam na época, o Poison era uma banda de garagem sem dinheiro quando assinou com a independente Enigma Records.

O álbum foi gravado em apenas 12 dias no estúdio Music Grinder, em Hollywood, com um orçamento curtíssimo de aproximadamente 30 mil dólares — uma pechincha para os padrões da indústria fonográfica de 1986. O produtor Ric Browde conseguiu extrair um som cru, direto e sem firulas, onde a falta de tecnologia de ponta foi compensada por pura energia rock and roll e refrãos feitos para arenas.

O sucesso não veio da noite para o dia, mas quando estourou em 1987, empurrou o álbum para a terceira posição da Billboard 200 e vendeu mais de 4 milhões de cópias só nos EUA. Isso se deu devido a uma sequência de singles imbatíveis:"Cry Tough"faixa de abertura funcionava como o manifesto da banda. Era uma mensagem de perseverança para todos os jovens que, assim como eles, largaram suas cidades natais e foram morar em vans em Los Angeles atrás do sonho americano,"Talk Dirty to Me", um hino e verdadeiro divisor de águas. O riff grudento de C.C. DeVille e a letra sacana transformaram a música em um hino geracional, e pra quem ouve música sem preconceito, percebe uma certa urgência punk em sua slinhas. O solo de guitarra dessa música é, na verdade, uma reciclagem, pois C.C. DeVille já usava exatamente esse mesmo arranjo em sua banda anterior, o "Screaming Mimi". Já "I Want Action" divide opiniões, pois apesar da energia traduzida em guitarras distorcidas, trata-se na verdade de um plágio mais que descarado da banda sueca "Easy Action"! Procure pela internet e você vai entender melhor essa história.... O clipe, cheio de cores neon e closes provocantes, foi censurado em alguns países pelo teor das imagens e da letra. E como todo bom disco do estilo, "I Won't Forget You" é a balada obrigatória. Ela provou que o grupo sabia falar de corações partidos e garantiu a rotação pesada da banda nas rádios, mostrando a versatilidade comercial do grupo.

Algumas curiosidades: 

- Antes de C.C. DeVille entrar na banda, um jovem guitarrista chamado Saul Hudson fez testes para o Poison. Ele chegou a passar pelas primeiras fases e era o favorito de Bobby Dall e Rikki Rockett. No entanto, o vocalista Bret Michaels achou que o visual dele não batiam com a proposta pop/glam que ele queria para o grupo. Esse guitarrista era ninguém menos que Slash, que logo depois se juntaria ao Guns N' Roses. No fim, a entrada de C.C. DeVille trouxe o senso de melodia pop que o Poison precisava para explodir., e convenhamos, foi o melhor para ambas as bandas. 

- Com o intuito de promover o álbum, o Poison foi escalado para abrir shows de bandas maiores. Uma das turnês mais emblemáticas foi abrindo para o Iron Maiden na "Somewhere on Time Tour". A mistura não funcionou bem: o público headbanger do Maiden detestava o visual maquiado do Poison e os cobria de vaias e objetos jogados no palco. O grupo aguentou firme, usando a rejeição para tocar com ainda mais agressividade.

- A expressão "Look What the Cat Dragged In" (algo como "olha o que o gato trouxe para dentro", usada para descrever alguém com aparência deplorável) não foi escolhida ao acaso. A banda dividia uma quitinete infestada de baratas em L.A. e vivia de restos de comida e festas. Certa manhã, após uma noite de excessos, um dos membros olhou para o outro e disse a frase. Eles acharam perfeita para resumir o contraste entre o visual impecável do palco e a realidade decadente de suas vidas pessoais na época.

Quarenta anos após sua chegada às lojas, LOOK WHAT THE CAT DRAGGED IN (hoje certificado com tripla platina) permanece como um documento histórico fascinante de uma era que não existe mais. Ele define perfeitamente o espírito colorido, exagerado e livre dos anos 80, onde a única regra real era se divertir até o amanhecer.

Mesmo enfrentando as viradas radicais do mercado musical nos anos 90 com a chegada do Grunge, as canções deste álbum provaram sua imortalidade. Elas continuam vivas em turnês de arena, trilhas sonoras de cinema, séries de TV e jogos de videogame .

Ao atingir a marca de 40 anos, o debute do POISON nos lembra de uma lição valiosa: o Rock n' Roll nem sempre precisa ser sério, político ou complexo — às vezes, ele só precisa ser alto, divertido e ter uma quantidade generosa de spray de cabelo.



terça-feira, 19 de maio de 2026

RAMONES - ANIMAL BOY 40 ANOS


RAMONES - OS 40 ANOS DO ÁLBUM MAIS POLÍTICO E VARIADO DA BANDA

Por Sergiomar Menezes

Em maio de 1986, o quarteto de Forest Hills, Queens, havia mudado bastante em relação ao grupo de jovens de jaqueta de couro que causou uma revolução no mundo em 1976. Uma década após o lançamento, o RAMONES lidava com crises de identidade, frustração comercial e conflitos internos intensos. Nesse contexto de tensão, nasceu ANIMAL BOY, o nono álbum de estúdio do grupo, que celebra 40 anos de carreira.

ANIMAL BOY é um dos álbuns mais intrigantes, controversos e subestimados da discografia da banda, e não é unanimemente aceito. Ele retrata uma banda tentando sobreviver aos anos 80, equilibrando a intensidade do Punk/HC emergente com as demandas de produção. E entenda-se por demandas de produção o uso de sintetizadores.

Para entender melhor o contexto do trabalho, é necessário ter um entendimento do ano de 1986. O punk rock foi absorvido pelo mainstream ou superado pela rapidez do hardcore de grupos como Dead Kennedys e Black Flag. Dessa forma, ou a banda se adaptava ao mercado (comercialmente) ou mantinha sua identidade sem se render ao modismo. A saída? Unir as duas alternativas!

Em busca de relevância e manter seu status (que sempre foi muito maior fora dos EUA), o RAMONES contratou o produtor Jean Beauvoir, ex-integrante da banda The Plasmatics. A missão era ingrata: preservar a brutalidade da banda, mas envolvê-la em uma sonoridade que permitisse sua veiculação nas rádios dos Estados Unidos. Os puristas ficaram surpresos com o resultado. Guitarras que antes erma ríspidas e nervosas, agora caminhavam ao lado de teclados e uma produção de bateria claramente "oitentista".

Embora tenha uma produção refinada, Animal Boy é um dos álbuns mais incisivos e políticos da banda em termos de letras. "Bonzo Goes to College" é, sem dúvida, o principal destaque.

Escrita por Dee Dee e Joey, "Bonzo Goesto Bitburg" (na opinião deste que vos escreve, uma das melhores músicas da banda) foi uma resposta direta e contundente à visita do presidente americano Ronald Reagan a um cemitério militar em Bitburg, na Alemanha, onde soldados da SS nazista estavam sepultados. A canção transformou-se em um hino anti-Reagan e demonstrou que a banda era capaz de muito mais do que compor músicas sobre cheirar cola.


O Hardcore surge em faixas como "Eat That Rat" e a faixa-título "Animal Boy", que exibem um Dee Dee Ramone despejando frustração em ritmos acelerados. Dee Dee, aliás, assumiu um maior protagonismo nas composições, sendo que nessas faixas ele contou com a participação de Johnny, um confesso admirador da velocidade do HC. "She Belongs to Me" e "Something to Believe In" revelam o coração de, exibindo a sensibilidade pop que o vocalista sempre teve, sendo que a última trazia um videoclipe sensacional, satirizando as campanhas de arrecadação de fundos para entidades beneficentes, dessa vez, intitulada "Ramones Aid". Por sua vez, "Love Kills", a homenagem de Dee Dee ao infeliz romance entre Sid Vicious e Nancy Spungen, é uma expressão pura do punk, é a cara do baixista.

Mas, é impossível falar de ANIMAL BOY sem citar Richie Ramone. O terceiro baterista da banda trouxe uma técnica e uma velocidade que não eram vistas com Tommy ou Marky. Richie não só acompanhava o ritmo acelerado das composições de Dee Dee, como também participava ativamente. Ele é o autor de "Somebody Put Something in My Drink", a canção de abertura do álbum que se transformou em um clássico instantâneo e indispensável nos shows até o término da carreira da banda.

Quarenta anos depois, ao olhar para trás, percebe-se que o álbum envelheceu muito melhor do que se esperava na época. Apesar de faixas como "Crummy Stuff" que podem parecer estranhas para quem procura o som cru de Rocket to Russia, o álbum irradia a urgência e a essência dos Ramones.

Ele representa perfeitamente uma banda em transformação, batalhando para permanecer relevante em uma década que não tinha certeza de como lidar com os dinossauros do punk. Quarenta anos depois, ANIMAL BOY deve ser comemorado não como um experimento, mas como o álbum que demonstrou que, mesmo sob a estética dos anos 80, o coração do RAMONES ainda pulsava com protesto, barulho e pura atitude.




 

quarta-feira, 13 de maio de 2026

KREATOR - HATE & HOPE (DOCUMENTÁRIO - 2026)

 


KREATOR
HATE & HOPE (DOCUMENTÁRIO)

Não existem dúvidas de que o Kreator é maior banda de Thrash Metal da Alemanha. Que me desculpem os fãs de Destruction, Sodom, Tankard e outras menos conhecidas, mas é inegável o poderio e a força que o quarteto liderado pelo obstinado Mille Petrozza possuem ao redor do mundo. E KREATOR - HATE & HOPE, vem apenas para corroborar essa afirmação. Ainda que o documentário não seja mais profundo e não tenha uma linha condutora mais definida, é o registro do que aconteceu com a banda nos últimos dois anos (com maior foco em 2025) e também mostra um pouco da personalidade d e cada um dos seus integrantes.

É difícil falar sobre um livro ou documentário sem dar spoiler, mas algumas coisas acabam se destacando durante a execução do filme: a lembrança dos tempos em Essen, cidade natal da banda, com a amizade entre Mille e J6urgen Reil, muito mais conhecido pelos fãs como "Ventor", o fascínio de ambos pelo KISS (e acho que já está na hora de colocarmos o KISS em pé de igualdade ao Black Sabbath em importância dentro do Heavy Metal), com fotos dos dois mascarados, ainda crianças; a posição política firme e consistente de Mille, que conta com o apoio de Maik Weichert (Heaven Shall Burn) visitando o Memorial de Buchenwald; o veganismo de Mille, que tem esse posicionamento desde o final dos anos 80, onde segundo ele "era muito difícil de conseguir algum tipo de comida assim" nas turnês daquela época.

Também temos a participação do produtor Jens Bogren, em estúdio com Mille, mostrando o quanto os dois procuram ser perfeccionistas naquela que estão fazendo. Além deles, Chuck Billy (Testament), Scott Ian (Anthrax - outra vez!?), Andreas "Gerre" Geremia (Tankard), Tom Angelripper (Sodom), e ainda ex-roadies, produtores e empresários também participam dando depoimentos sobre a música e a carreira do grupo.

Feito para comemorar os 4o anos de  "Endless Pain", mas abortado e decidido por ser lançamento como um registro mais atual da banda, o documentário mostra os dois filhos de Ventor dizendo terem orgulho do pai, mas ao mesmo tempo lamentando por terem convivido tão pouco com ele enquanto eram crianças. Mostra também o baixista Frédéric Leclercq, indo fazer uma nova tatuagem na casa/estúdio de um certo baterista..., enquanto o guitarrista Sami Yli-Sirniö se mostra como um cara calmo e tranquilo, assim como é no palco.

O documentário também nos mostra um show no Anfiteatro de Gelsenkirchen, onde estava acontecendo o festival "Klash of the Ruhrpott", uma espécie de "Big 4" alemão, que contou com a participação dos já citados Tankard, Sodom e Destruction, onde a apresentação do Kreator teve que ser interrompida devido ao forte temporal que caiu naquele local justo na hora do show deles.

O filme termina com uma cen abastante inusitada em um restaurante vegano nos Estados Unidos e com a apresentação que o grupo fez ao lado do Testament, onde horas antes atendeu a uma verdadeira multidão de fãs do quarteto.

KREATOR - HATE & HOPE é um bom documentário, mas pela pela falta de direcionamento durante sua condução. Longe de dizer que não vale a pena assistir, pelo contrário! Mas a maior banda de THRASH METAL da Alemanha merecia mais. Muito mais.

Sergiomar Menezes




MICHAEL MONROE - OUTERSTELLAR (2026)

 


MICHAEL MONROE
OUTERSTELLAR
Silver Lining Music - Importado

Michael Monroe é outro típico caso de verdadeiro Rocker. Incansável e imparável, ele acaba de lançar “Outerstellar” o seu décimo primeiro álbum de estúdio. Para quem não sabe, Michael foi o eclético frontman do Hanoi Rocks, banda da Finlândia que influenciou altamente a cena Glam/Hair Metal dos anos 1980, dentre os seus “inspirados” mais notórios eu poderia citar o Mötley Crüe e o Guns N' Roses.

Após o final trágico da banda em 1985 , após o acidente de carro causado por Vince Neil que vitimou o batera do Hanoi Rocks, Razzle, Michael Monroe deu inicio a sua carreira solo com o lançamento de “Nights Are So Long” (1987) e de lá para cá não parou mais, inclusive dividindo o trabalho solo com um retorno à ativa do Hanoi Rocks entre os anos de 2002 e 2009.

O que temos aqui em “Outerstellar” é o tradicional “Modus-Operandi” de Michael Monroe criar Rock N' Roll: uma pitada de Glam/Hard Rock, outra de Garage Rock, e muita influência de Punk Rock. Porém desta vez, a mistura saiu com gosto de “comida requentada”. Não que “Outterstellar” seja fraco ou um álbum que se deve desprezar. Ao contrário, a fórmula vencedora de Monroe está aqui, porém ela parece um pouco mais arrefecida e com menos “Punch” do que nos lançamentos anteriores.

Temos ótimos momentos como a faixa de abertura “Rockin Horse”, “Black Cadillac”, um rockão cheio de malícia, a semi-balada “Glitter And Dust”, a pesada e quase gótica “Painless” e a anárquica “Newtro Bombs”. Por outro lado temos “Precious” e “Pushin Me Back” que apesar de serem faixas “ok”, soam como se fossem sobras de outros álbuns, pois se assemelham muito com outras faixas que Monroe e banda criaram com mais consistência.

A maior surpresa do álbum fica para o final: “One More Sunrise” uma faixa com quase oito minutos de duração. Levando-se em conta que Michael Monroe é adepto do estilo músicas certeiras de três minutos, realmente “One Mores Sunrise” é uma novidade. Uma faixa “épica”, porém com muita melodia e a marca registrada de Michael Monroe. Outro detalhe que me chamou a atenção: a capa do álbum é bem semelhante a capa de “Sensory Overdrive” de 2011. Se “Outerstellar” não é o melhor trabalho de Michael Monroe, por outra via ele é um bom trabalho que mantém Monroe relevante e influente.

José Henrique Godoy




IRON MAIDEN - BURNING AMBITION (DOCUMENTÁRIO - 2026)

 


IRON MAIDEN
BURNING AMBITION (DOCUMENTÁRIO - 2026)

Não importa se você é homem, mulher, muçulmano, cristão… se você é fã de Iron Maiden, então você faz parte de uma família.” Com esta frase de Bruce Dickinson, se inicia o novo documentário da maior bande de Heavy Metal de todos os tempos. Entre acertos e algumas falhas, o filme que retrata a jornada do Iron Maiden é feito diretamente para o fã da banda, sem concessões.

A frase de Dickinson faz todo o sentido, principalmente quando foco na platéia na sessão de cinema que fui assistir: de crianças de menos de 10 anos até senhores de longos cabelos brancos, apenas o Iron Maiden consegue unir um público tão amplo. Alguns detratores o Maiden dizem que a banda pratica um som “para crianças” (inclusive vi um depoimento de um velho rockeiro “Made In Brazil” falar esta asneira). Podemos retificar esta bobagem, digo, frase: o Iron Maiden é uma banda ATÉ para crianças.

Dirigido por Malcoim Venville e com roteiro de David Teague, “Burning Ambition” narra de forma assertiva a trajetória do Maiden, desde o inicio nos clubes de Londres, passando pelas saídas dos saudosos Paul Di'Anno e Clive Burr até a conquista mundial ainda no meio dos anos 1980; a queda após a saída de Bruce e Adrian no início dos anos 1990, e a reconquista mundial com a volta dos dois ao final da década.

A utilização de cenas de shows da banda da época, ao mesmo tempo que impactam pela qualidade da imagem e do som na telona, ao mesmo tempo podem se tornar manjadas para fãs de longa data e colecionadores vorazes, tendo em vista que alguns shows já foram devidamente explorados em outros lançamentos.

Participações de fãs famosos também são exibidos. Temos algumas surpresas como o ator espanhol Javier Barden (o temido “Psycho Killer” de “Onde Os Fracos Não Tem Vez”), Chuck D (rapper e membro do Public Enemy), baixista do The Cure, Simon Gallup e o carismático Katon V. De Pena (vocalista da banda de Thrash Metal Hirax) que se declaram fanáticos pelo Iron Maiden.

Por outro lado figurinhas carimbadas que aparecem absolutamente em TODOS os documentários sobre Heavy Metal: Scott Ian (Anthrax), Lars Ulrich (Metallica) e o arrozão de festa Tom Morello (Rage Agaisnt The Machine). Este último então, se declara fanático e aparece nos documentários de Kiss, Black Sabbath e vários outros... tem excelente gosto musical, porém criou o RATM... vai entender...

Em meio a muitas imagens dos shows, temos declarações dos membros da banda apenas em áudio. Bruce, Steve, Nicko, Dave, Janick e Adrian, bem como do empresário Rod Smallwood. Fãs “gente como a gente” também dão sua contribuição, fãs de vários lugares do mundo, incluindo por óbvio o Brasil. Há de se registrar que nosso país tem um lugar reservado no coração de Steve Harris e companhia, e isso fica bem definido no filme.

Temos também algumas animações do nosso mascote favorito, Eddie , o membro mais famoso da banda. Criados por IA, achei um pouco dispensáveis, tendo em vista a perda da qualidade em retratar os diversos “Eddies” criados originalmente pelo fantástico Derek Riggs. Aliás, outra falha é não retratar com mais evidência a importância tanto dele, como do produtor falecido, o mago Martin Birch, que ajudou e muito a moldar o som envolvente que tornou o Iron Maiden o gigante que é.

O resultado final de “Burning Ambition“ é positivo, retrata bem a trajetória e a importância do Iron Maiden não apenas para o Heavy Metal e para o Rock, mas para a cultura mundial como um todo. Vale a pena assistir e torcer para que ele seja lançado em DVD/Blue-Ray, para que possamos ter uma cópia em nossas coleções. E como sempre: UP THE IRONS!!!!

José Henrique Godoy