sexta-feira, 11 de setembro de 2026

TYGERS OF PAN TANG - ELECTRIFYED (2026)

 



TYGERS OF PAN TANG
ELECTRIFYED
Mighty Music/Target Group - Importado

O Tygers Of Pan Tang tem a peculiaridade dos felinos, ter várias vidas, no sentido de ter mudado de formação uma infinidade de vezes, ter alterado a sua sonoridade, passando do Heavy Metal tradicional da New Wave Of British Heavy Metal, passando pelo trabalho mais focado ao Hard Rock oitentista, e retornando revigorado nas últimas duas décadas, período no qual tem lançado alguns de seus melhores trabalhos.

Tudo isso só reforça o que penso sobre a banda capitaneada pelo guitarrista e fundador Robb Weir: se recusam a virar peça de Museu. Em “Eletricfyed” ao mesmo tempo que mantém a qualidade/sonoridade dos últimos trabalhos, o Tygers parece buscar inspiração na crueza dos seus primeiros trabalhos, como o que foi feito nos mais que clássicos “Wild Cat” (1980) e principalmente em “Spellbound” (1981).

“Rise Up!” a faixa deabertura já chega quebrando tudo e mostrando a força do novo trabalho. Riffs e refrão memoráveis. O vocalista Jack Meille tem a voz perfeita para a banda, que varia a agressividade e melodia e é um dos destaques do trabalho. Outras faixas a destacar: “Forevermore” vem mais melódica e cadenciada, mostrando que é possível cadenciar a agressividade e agregar melodia, sem descaracterizar o Heavy Metal tradicional.

“Electrifyed” é exatamente o que o título sugere: um choque elétrico que não te mata, mas que te dá altas doses de energia! Em “The Nail”, o Tygers mostra as garras com ferocidade mais uma vez. É um daqueles momentos em que a banda nos lembra por que sua existência foi tão importante para a NWOBHM: riffs simples, porém eficazes, uma seção rítmica pulsante e uma melodia que dispensa grandes adornos.

“Dark Skies” tem uma atmosfera mais “sombria”, com o perdão do trocadilho. Pesada e dramática, lembrando um pouco (e como não poderia deixar de ser) o pai de todos, o glorioso Black Sabbath, porém numa fase Tony Martin.

O Heavy Metal pode ser incrivelmente sofisticado em sua composição e, ao mesmo tempo, funcionar como um caminhão de mudanças sem freio ladeira abaixo. E é exatamente isso que queremos. Após mais de quatro décadas de serviços prestados, o Tygers Of Pan Tang atesta mais uma vez que não é o He-Man, mas tem a Força! Obrigado Robb Weir e sua trupe por nos entregar mais um trabalho acima da média.

José Henrique Godoy




SLAYER - GOD HATES US ALL - 25 ANOS

 


SLAYER - GOD HATES US ALL - 25 ANOS

A TRILHA SONORA DO CAOS!

Por William Ribas 

Acredito que nenhum álbum na história da música teve tanto reflexo com a realidade quanto God Hates Us All, do Slayer. Lançado há exatos 25 anos, o disco chegou às lojas em um dos períodos mais turbulentos e inesquecíveis da história recente: o 11 de setembro. As letras que já giravam entre violência, religião, guerra e ódio, ganharam um significado diferente diante dos ataques às Torres Gêmeas, em Nova York.

O caos tinha sua própria trilha sonora.

Os gritos de Araya em “Disciple”, especialmente, acabaram sendo associados inevitavelmente àquele momento. Não porque o Slayer tivesse antecipado o que aconteceria, mas porque algumas das imagens e ideias presentes no álbum passaram a dialogar de maneira involuntária com a realidade que se impôs naquele setembro de 2001.

O Slayer não estava tentando fazer um retrato do que aconteceria; estava, à sua maneira, explorando o lado mais sombrio e perturbador da humanidade.

A capa, com uma Bíblia cheia de pregos e o nome da banda em sangue, era provocadora dentro da proposta do grupo. Inclusive, o disco teve que ser recolhido das lojas e ganhar uma capa alternativa, apenas com cruzes invertidas.

Na faixa de abertura, Tom Araya dispara alguns versos que, ouvidos depois daquele 11 de setembro, inevitavelmente ganhariam outro peso...

“Homícidio — suicídio.
O ódio cura, você poderá tentar isso uma vez.
Aspirar pela paz com atos de guerra.
A beleza da morte nós adoramos.”

Já em outro momento, canta:

“Pessimista, terrorista, mirando o próximo alvo.
Caos global alimentando a histeria.
Corte a garganta, corte seu pulso.
Atire em você pelas costas, uma caça legal.
Abuso de drogas, autoabuso procurando o próximo drogado.
Soa como se o inferno estivesse se espalhando por todos os cantos.
Eu estou esperando pelo dia em que o mundo inteiro morra.”

E, obviamente, logo após cada estrofe, todos sabemos o refrão que, provavelmente, é o mais conhecido da carreira do Slayer: “God Hates Us All, God Hates Us All.”

Musicalmente, o álbum apresenta um Slayer em suas características mais brutais e pesadas. Diabolus in Musica havia sido achincalhado por todos: era um Slayer sendo “New Metal”, mas, à sua maneira, tentando se encaixar na tendência sem deixar de ser “os caras maus”.

Claro, após duas décadas e meia, eu, você, todos nós sabemos que o álbum não foi uma volta aos clássicos dos anos 80 e início dos 90. Mas podemos ouvir o disco e curtir músicas como “God Send Death”, “New Faith”, “Cast Down”, “Seven Faces”, “War Zone” e “Payback”. Os riffs malignos de Kerry King e Jeff Hanneman estão ali.

Eu destacaria quatro pilares de sustentação após todos esses anos: primeiro, a palavra “God” — para onde você olha, ela está lá, “Deus” por todo o álbum; segundo, Tom Araya mandando palavrões a torto e a direito; terceiro, a voz de Araya, que está alta na mixagem e, felizmente, não atrapalha em nada; e, por último, o groove, que talvez seja uma das características mais marcantes desse Slayer.

God Hates Us All não entrou na parada da Billboard. Teve indicação ao Grammy e ganhou clipe para “Bloodline”. Se minha memória não estiver errada, a música entrou na trilha sonora do filme Dracula 2000. Lembro bastante do clipe sendo exibido no Riff MTV, apresentado pela Penélope. A banda tocando e “sangue” caindo para todos os lados. Ao lado de “Disciple”, são figurinhas carimbadas do álbum e seguiram sendo tocadas após todos esses anos.

Após 25 anos, o álbum segue sendo impactante, infelizmente, muito mais pelo timing de seu lançamento do que por ser considerado um clássico na discografia da banda. Afinal, mesmo com seus bons momentos, ainda não era o Slayer que queríamos ouvir.







ANTHRAX - CURSUM PERFICIO (2026)

 



ANTHRAX
CURSUM PERFICIO
Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional

O ANTHRAX completa 45 anos de carreira em 2026. Uma banda que nunca teve medo de inovar, ultrapassar limites e muito menos, se preocupar com o que os outros falariam sobre sua música. Provas disso? "I'm the Man", "Startin up a Posse", "Bring the Noise", "Black Dahlia" são exemplos práticos e diretos disso. No entanto, por mais que em alguns momentos o grupo tenha tido queda de popularidade (até mesmo de qualidade), sempre manteve sua personalidade. E isso não é nem um pouco diferente do que encontramos em CURSUM PERFICIO (Minha Jornada Termina Aqui), lançado por aqui pela parceria Shinigami Records/Nuclear Blast. Temos neste trabalho, tudo que sempre esteve presente nos trabalhos do Anthrax: guitarras nervosas (cortesia de Scott Ian, a melhor mão direita do thrash metal americano), vocais por ora melódicos, por ora intensos e viscerais, baixo pulsante e dinâmico e uma bateria que sendo uma das mais injustiçadas do metal. Ou seja, se por um acaso, este for o último álbum da banda, ele terminará no melhor estilo ANTHRAX de ser.

Joey Belladona (vocal) o já citado Scott Ian (guitarra), Jonathan Donais (guitarra), Frank Bello (baixo) e o monstro Charlie Benante (bateria), mergulharam  de cabeça na gravação do álbum durante 2022, trabalhando no Studio 606 do Dave Grohl em Los Angeles. Junto ao produtor Jay Ruston, a banda produziu um trabalho intenso, agressivo e ch3eio de energia. Segundo Benante, "houve um crescimento enorme entre 'Worship Music' de 2011 e 'Cursum Perficio' ". Sobre o título do álbum, ele deixou a questão no ar: "Eu estava assistindo a um documentário sobre Marilyn Monroe e vi ‘Cursum Perficio’ escrito em um azulejo na última casa dela. Quando descobri o que a frase significava, fez sentido para mim imediatamente. Não estamos dizendo que este é nosso último disco, mas nossa jornada chegou ao fim. Eu acredito que completamos o trabalho.” Ou seja, podemos esperar por mais álbuns da banda? Ao escutarmos as 11 faixas presentes aqui, fica nítido que o grupo tem, AINDA, muita lenha pra queimar!

"Persistence of Memory" é uma pequena intro que antecede "The Long Goodbye", onde logo de cara, os riffs de Scott Ian nos garantem o peso e a pegada característica do Anthrax. Mais próxima das composições da era John Bush, a cozinha composta pela família Bello/Benante nos garante o peso e energia necessários e indicam que o caminho que trilharemos será imprevisível. Como o grupo sempre gostou de fazer. "It's For the Kids", primeira faixa disponibilizada pela banda, é aquela típica faixa "anthraxiana": baixo e bateria marcados, riffs diretos e Belladona mostrando que apesar da idade, segue sendo um dos maiores vocalistas do metal americano (se acham que eu estou exagerando, comparem os vocais dele em "State of Euphoria", de 1988 e os de agora). Refrão viciante, daqueles que a gente sai cantando logo após a primeira audição, e uma veia "oitentista bem atual" garantem a diversão. E se a faixa anterior, era tipicamente Anthrax, o que dizer de "Everybody's Got a Plan"? De certa forma, uma volta ao passado, relembrando a nostalgia dos anos 80, mas sem soar datado ou até mesmo melancólico. Então chegamos a "The Edge of Perfection", a faixa que criou polêmicas e algumas discussões logo após ser lançada. Com seus sete minutos de duração e detentora de um video muito legal, a música é daquelas coisas desafiadoras que só o Anthrax consegue fazer. Blast-beats, teclados, passagens que beiram o black metal sinfônico, outras que nos trazem momentos mais comerciais, na opinião deste que vos escreve, a faixa é um dos grandes destaques do álbum! Acreditam que alguns amigos chegaram a afirmar que essa música não tinha nada de metal??? Refrão grandioso, épico e com uma grande performance de Belladona, estamos diante de uma das composições masi "difíceis" da carreira do grupo. 

Riffs cadenciados nos guiam em "Infectious", outro ótimo momento, carregado de peso e energia. A sintonia que Scott e Jonathan Donais criaram se confirma em momentos como esse, onde as guitarras são a força motriz, enquanto a cozinha se encarrega (como sempre) de garantir o peso e a consistência necessários à composição. Mas, sem dúvidas, a melhor faixa do álbum é "NYC 93". Que música foda! Anthrax sendo o melhor Anthrax possível! Se essa música estivesse em "Among the Living", "State of Euphoria" ou "We've Come For You All", seria considerada um clássico, algo que, tenho certeza, ela logo logo, será. Escute e me diga se estou errado. "Cursum Perficio", faixa-título, traz consigo os momentos mais recentes da banda, carregando as características de "For All Kings", onde o lado mais "moderno" do Anthrax aparece de forma mais consistente. Uma boa faixa, mas vindo depois de "NYC 93", acaba perdendo um pouco do brilho. O peso mais intenso retorna em "T.O.M.B.", com destaque para o monstro Charlie Benante. O que esse cara toca não é brincadeira! E ainda assim, é pouco citado como um dos melhores bateristas do metal mundial. Vai entender!? A aula de bateria e peso segue em "Watch it Go". Cadenciada, densa e cheia de peso, a faixa mostra aquilo que disse lá no começo da resenha: Scott Ian é a melhor mão direita do metal, não há como negar! O álbum encerra com "My Victory", uma faixa que resgata, mais uma vez, a pegada característica do Anthrax. Forte, intensa e dona de riffs técnicos e precisos, é um belo encerramento para um álbum que mantém acesa a chama da música do grupo.

Não, o ANTHRAX não gravou um novo "Among The Living". Nem mesmo um novo "We've Come For You All". Até porque a banda já gravou esses discos e não precisa ficar se autoplagiando. A verdade é que ao manter sua personalidade e essência, o grupo acabou por lançar mais um grande trabalho, digno de sua discografia. CURSUM PERFICIO, pode não ser o último álbum da banda (e assim espero), mas se assim quiser o destino, o final dessa trajetória é mais do que merecedor de aplausos. 

Sergiomar Menezes





quarta-feira, 2 de setembro de 2026

JAYLER - VOICES UNHEARD (2026)

 


JAYLER
VOICES UNHEARD
Shinigami Records/Silevr Lining Music - Nacional

O ano era 1987 e a banda americana Kingdom Come surgia no mundo do Hard Rock/Metal oitentista com bastante impacto. Foram adorados e criticados na mesma proporção, muito por terem uma sonoridade inspirada (os detratores preferiam usar copiada) no Led Zepellin, ao ponto de as más línguas afirmarem que o próprio Jimmy Page teria “rebatizado” a banda de “Kingdom Of Clones”.

Se realmente Page fez esta afirmação jocosa/maldosa, jamais saberemos ao certo, mas eu fico aqui imaginando o que ele falaria/pensaria se uma banda como o Jayler, que é totalmente inspirado, visualmente e musicalmente no “Zeppelin de Chumbo”. Procure uma foto dos garotos (sim, todos na média de vinte anos de idade) e comprove o que digo. O imagem do vocalista James Bartholomew chega a ser assustadora de tão semelhante à Robert Plant.

Mas partindo para uma análise do álbum de estréia dos jovens ingleses, o que temos aqui não é apenas um “tributo” ao Led Zeppelin, mas sim um ótimo álbum de Hard/Classic Rock. Claro que temos momentos de pura similaridade quase constrangedora, como na faixa “Riverboat Queen”, onde a levada de bateria ou os vocais parecem ter sido tiradas de alguma faixa não utilizada pela banda de John Bonham, em “Bittersweet”, uma bela faixa acústica com excelente trabalho de voz – alguém mencionou “Rain Song”? - ou na faixa “Lovemaker”, onde no seu riff inicial pensei se tratar de um cover de “Heartbreaker”.

Mas temos também momentos onde o Jayler soa, se não original, com personalidade própria: a ótima “Alectrona”, pesada e “swingada”, “Hate To See It End”, cheia de vibração, o single “Need Your Love”, um Hard Rock de mão cheia, e “The Getaway”, uma explosão Rock n' Roll. “Voices Unheard” é uma boa estréia do Jayler, se você curte rock setentista e não é aqueles chatos que fica ”incomodado” com falta de originalidade, recomendo altamente o Jayler. Afinal de contas, se for pra copiar, digo, ser influenciado, que seja por artistas de qualidade, e não por qualquer imundície. Lançamento nacional Shinigami Records.

José Henrique Godoy




ICONIC - II (2026)


 

ICONIC
II
Shinigami Records/Frontiers Music srl. - Nacional

Quando se fala em supergrupos, relacionamos instantaneamente uma banda com integrantes estelares, que passaram ou ainda figuram nas fileiras de bandas gigantes e famosas, e o Iconic é exatamente isso. Nathan James (vocal - Inglorious), Joel Hoekstra (guitarras - ex-Whitesnake/Night Ranger), Michael Sweet (guitarras – Stryper), Marco Mendoza (baixo - ex-Whitesnake/Black Star Riders/Ted Nugent ) e o monstro veterano Tommy Aldridge (Ozzy Osbourne/Black Oak Arkansas/Whitesnake) na bateria formam este time de alto quilate.

Logo de cara, fica claro que "II" retoma exatamente de onde “Second Skin”, o álbum de estreia do projeto, lançado em 2022, parou. A faixa de abertura — e primeiro single —, "Cry No More", é um rock de alta voltagem que sintetiza a essência da banda Iconic. O trabalho de guitarra eletrizante de Hoekstra e Sweet — este último há muito merecedor de maior reconhecimento como guitarrista — e junto à espetacular “cozinha” formada por Aldridge e Mendoza, formam a parede perfeita para a performance incrível de Nathan James.

Algumas influências das bandas citadas pelas quais os músicos pertenceram, por óbvio aparecem aqui e acolá, como em “Tears Keep On Falling” podiam estar em algum álbum do Stryper, enquanto “All I Want“ tem uma veia Whitesnake anos oitenta. “S.O.S.” uma faixa puramente festeira é quase uma “ode” ao “ Hair Metal”, e “Nothing Left to Me” uma excelente “Power-Ballad”.

Iconic II” acerta em cheio, e vai agradar aos fãs do Hard Rock oitentista, porém sem parecer piegas ou datado. Um ótimo lançamento que vai figurar entre os destaques do ano, no estilo, com certeza. E o melhor, lançamento nacional Shinigami Records.

José Henrique Godoy