quinta-feira, 9 de abril de 2026

EXTREME - 06/04/2026 - ARAÚJO VIANNA - PORTO ALEGRE/RS


 

EXTREME
06/04/2026
ARAÚJO VIANNA
PORTO ALEGRE/RS
Produção: EntreLike/Mercury Concerts

Texto e fotos: José Henrique Godoy

Dentre todos os estilos de Rock/Metal que aprecio, o meu preferido sempre foi o Hard Rock. O que causava uma certa estranheza, até para mim, é que até 2015 eu nunca havia dado muita atenção para o Extreme. Sabia de quão exímio era seu guitarrista Nuno Bittencourt, e de seus hits, mas sei lá, não me “apetecia“ muito consumir o material fonográfico da banda.

Em junho de 2015, isso mudou drasticamente, pois ao ver o Extreme ao vivo, me tornei rapidamente fã da banda, comprei todos os CDs, e Nuno Bittencourt passou rapidamente a ser um dos meus guitarristas preferidos. Então, para esta segunda passagem pela capital gaúcha, estava bem ansioso para assistir a banda ao vivo novamente.

Com um pequeno atraso, as 21h15, o Extreme invade o palco do Araújo Vianna, de cara detonando as clássicas “It´s a Monster“ e “Decadance Dance”, ambas do mais que clássico e multiplatinado “Pornografitti”(1990). A qualidade do som se destacava já nos primeiros acordes, altos e claros, como tem que ser um show de Rock n' Roll.

Gary Cherone é um frontman de mão cheia, um verdadeiro entertainer, um misto de Freddie Mercury com Dave Lee Roth e Steven Tyler. Guardadas as devidas proporções, é claro. Seu vocal soa impecável. Nuno é um monstro! Chega a ser difícil adjetivar o que esse cara faz com as suas guitarras. Parece estar pegando fogo. O baixista Pat Badger segura os graves com maestria e detona nos backing vocals, enquanto Kevin Figueiredo é um animal nos tambores, o baterista estilo “lenhador”: pesado e preciso.


O público não lotou a Auditório, porém a plateia era formada apenas por fãs da banda, isso era visto apenas em uma olhada no numeroso número de camisetas do Extreme, ou por alguns presentes com visual mais caprichado, remetendo a “era de ouro do Hair Metal”. A Tour atual do grupo promove o seu sexto álbum, e a prova que as composições deste trabalho são fortes, é que elas casam muito bem com faixas clássicas da banda.: “Rebel”, "Thicker Than Blood” e “Banshee” casam perfeitamente com “Rest In Peace”, “Hole Hearted|”, “Cupid s Dead”, dentre outras.

Nuno exibe toda a sua técnica na instrumental acústica “Midnight Express”, que introduz a popularíssima balada “More Than Words”. “Façam muito barulho para meu irão Gary Cherone”, diz ele em um português cheio do simpático sotaque lusitano. Aliás, Nuno toma a frente ao se comunicar com a plateia, especialmente pela similaridade de idiomas. Ele perguntou quem assistia ao Extreme pela primeira vez. E ao perguntar quem assistiu em 1992 (primeira passagem da banda no Brasil), ele apontou para quem levantou o braço e respondeu em tom de zoeira: ”velho, velho...muito velho!”.


O final com “Get The Funk Out”, e após uma tradicional “saída falsa de palco”, o Extreme fecha com chave de ouro seu show, após 1h40h com a pesadíssima “Rise”, faixa de abertura do álbum “Six”. Se o Extreme é ótimo nos seus álbuns, melhores ainda eles são ao vivo. É uma banda para se ver ao vivo sempre que possível. Que voltem muito em breve. Nossos agradecimentos para a Mercury Concerts e Entrelike e para todo o staff do Auditório Araújo Vianna.





REBEL ROCK ENTREVISTA - PEACE WILL COME


 REBEL ROCK ENTREVISTA - PEACE WILL COME


O rock brasileiro ganha um novo fôlego com a chegada de "Rock n’ Roll City", o mais recente álbum da banda Peace Will Come. O trabalho, que mergulha fundo nas raízes do gênero com uma roupagem moderna e vigorosa, marca um momento importante na trajetória do grupo. 

Para entender os detalhes dessa nova fase, conversamos com o guitarrista Emerson Santos. Em um papo direto e revelador, o músico nos contou sobre o processo de composição do álbum, os desafios da produção e o conceito por trás do título que celebra a cultura rock.

Além do novo disco, aproveitamos a oportunidade para falar sobre influências, carreira e os próximos passos da Peace Will Come na estrada. Confira abaixo a entrevista completa.

Por Sergiomar Menezes
Fotos: Stephanie Veronezzi

Rebel Rock: O título "Rock n' Roll City" soa como uma declaração de princípios. O que essa "cidade" representa para vocês e como ela se conecta com a realidade do rock no Brasil hoje?

Emerson Macedo: A ideia por trás do título Rock n’ Roll City é reafirmar que o rock’n’roll continua vivo, pulsante e vibrante como sempre. O rock sempre foi um estilo de agregação, capaz de unir pessoas em torno da energia da música, e acreditamos que isso jamais se perderá. Mesmo que saia do chamado “mainstream”, ele continua forte: se você procurar, vai encontrar algo que te mova — seja novo, clássico ou até um “novo clássico”.

Para nós, Rock n’ Roll City é um lugar — real ou imaginário — onde a força do rock toca a alma. É onde você se reconecta com aquilo que desperta sua paixão, onde a música ganha significado e onde fica clara a certeza de que você nunca está sozinho.

É verdade que o rock no Brasil hoje não ocupa mais o centro do mercado, mas existe uma produção nacional de altíssima qualidade em todas as vertentes do gênero. Muitos artistas estão lançando seus trabalhos de forma independente e divulgando pelas redes sociais. O desafio é que essa produção ainda tem pouco espaço em eventos de maior visibilidade: em grandes festivais, por exemplo, as bandas nacionais costumam tocar em palcos menores ou em horários menos nobres. Ainda assim, elas estão presentes e ativas.

Também há menos casas noturnas com rock ao vivo, mas elas existem e dependem do público. Acreditamos que um caminho de fortalecimento da cena passa por ampliar o espaço para bandas autorais nesses locais, que hoje são majoritariamente ocupados por covers e tributos. O autoral enfrenta mais dificuldades, mas é justamente nele que a cena se renova e segue viva.

Rebel Rock: Como foi o equilíbrio entre as composições individuais e o trabalho de jam session no estúdio para chegar ao som final do álbum? 

Emerson: Todas as composições do álbum surgiram a partir de jam sessions na fase de criação, com exceção de "Don’t Panic", que é uma música mais antiga de uma outra banda chamada Arsenal, com outros compositores. Para essa faixa, fizemos novos arranjos e escrevemos uma nova letra.

Durante as jam sessions, eu geralmente trago riffs de guitarra — ou uma sequência de riffs — e, a partir disso, fomos construindo as músicas coletivamente, adicionando ideias até chegar a uma estrutura sólida para cada faixa.

Antes de entrar em estúdio, fizemos uma espécie de pré-produção para aproveitar ao máximo o tempo de gravação, trabalhando com cuidado os timbres dos instrumentos e a sonoridade geral do álbum. A etapa final foi a escrita das letras e a gravação dos vocais. Com exceção das guitarras, que gravamos apenas eu e o Cesar Bottinha no estúdio dele, todo o restante do processo de composição e gravação foi feito com os quatro integrantes juntos, do começo ao fim.

Emerson Santos, Cesar Bottinha, Andria Busic e Ivan Busic

Rebel Rock: Compor em inglês abre portas internacionais, mas exige um cuidado extra com a fonética e a interpretação. Como vocês trabalharam para que a mensagem das letras soasse autêntica e orgânica?

Emerson: Como já compomos em inglês há muito tempo, esse processo é algo bastante natural para nós. Quase todos viemos de bandas autorais que já escreviam em inglês, além da experiência em bandas de repertório e covers, o que contribuiu para uma familiaridade grande com o idioma.

Somos fluentes e isso facilita muito, porque a estrutura das letras, as melodias vocais e a interpretação já surgem dessa forma de maneira orgânica. Ainda assim, temos um cuidado especial com a escolha das palavras, com a métrica e com a rítmica das letras, sempre atentos à fonética. Tudo isso é feito sem jamais sacrificar a mensagem ou a emoção da música. Para nós, o mais importante é que a letra soe verdadeira e conectada com o que queremos expressar.


Rebel Rock: O álbum tem um pé nos anos 70/80 e outro na atualidade. Quais foram as maiores referências de timbragem (guitarras, bateria) que vocês buscaram para não soarem apenas como um "revival"?

Emerson: As nossas principais referências, nossos ídolos, são praticamente todos das décadas de 70 até 90, e isso transparece de fato nas composições — seja na dinâmica das músicas, nas melodias vocais, no estilo dos solos de guitarra, no baixo mais pesado e na bateria mais “à frente”. É possível perceber influências de bandas como Black Sabbath, Led Zeppelin, Dio, Kiss, RATT, Lynch Mob e Whitesnake, mas também de sonoridades um pouco diferentes, como o King’s X, por exemplo.

Acreditamos que o principal elemento que nos conecta a essa atmosfera dos anos 70 e 80 é o fato de as músicas serem alicerçadas nos riffs de guitarra. Ao mesmo tempo, tivemos muita atenção aos processos de gravação, mixagem e masterização, buscando um som grande e poderoso, mas com equilíbrio e, principalmente, deixando a música “respirar”.

Tomamos cuidado para não abusar das compressões de áudio, que muitas vezes deixam tudo muito alto, porém com pouca dinâmica. O que tínhamos em mente durante todo o processo era criar um álbum com uma sonoridade que transmitisse ao ouvinte a sensação mais próxima possível de ouvir a banda tocando de verdade. Acreditamos que é justamente isso que faz com que o álbum soe moderno, mesmo dialogando fortemente com referências clássicas.


Rebel Rock: Existe uma coesão nítida entre o vocal e as guitarras neste trabalho. Como vocês sentem que a dinâmica interna da banda evoluiu desde os primeiros ensaios até a gravação deste disco?

Emerson: Eu diria que, especialmente em comparação com nosso primeiro álbum, a evolução foi imensa. Não pela vontade ou pelo empenho em fazer um ótimo trabalho — porque essa já era nossa abordagem desde o início —, mas pelas circunstâncias em que cada disco foi concebido.

O primeiro álbum foi feito durante a pandemia, com as composições acontecendo de forma remota e partindo de um repertório de ideias bastante heterogêneo. Já existia uma sintonia muito forte entre mim e o Cesar Bottinha como guitarristas, vinda do trabalho que fizemos naquele disco, além da experiência com o Ivan Busic, que havia gravado as baterias como convidado.

Mas Rock’n’Roll City foi composto, gravado e produzido como uma banda de fato. A grande novidade neste segundo álbum foi a chegada do Andria Busic e a permanência do Ivan, agora como membros oficiais. A partir daí, fizemos todo o processo de composição e gravação juntos, durante um período significativo e de forma realmente colaborativa. Esse convívio mais intenso resultou em um trabalho que reflete o melhor de cada um de nós, sempre com foco na canção. Acreditamos que foi justamente a vontade coletiva de fazer com que cada música fosse a melhor possível — dando espaço para todos brilharem nos seus momentos — que fortaleceu essa química e dinâmica interna. Além disso, o fato de nos divertirmos muito juntos, mesmo fora do estúdio e dos palcos, contribuiu diretamente para essa coesão que aparece no disco.


Rebel Rock: Se vocês tivessem que escolher uma única faixa do álbum para apresentar a banda a alguém que nunca os ouviu, qual seria e por quê?

Emerson: Para mim é muito difícil apontar apenas uma música, mas eu escolheria Rock’n’Roll City, que foi o single lançado antes do álbum completo. Essa faixa mostra nosso lado mais rock’n’roll, mais para cima, e funciona como uma verdadeira celebração do rock.

Com ela, fica evidente que queremos que o álbum seja uma fonte de energia, inspiração e conexão com as pessoas que ouvem nossa música. Inclusive, Rock’n’Roll City é a faixa com que abrimos nossos shows ao vivo, o que reforça ainda mais esse espírito.

Ao mesmo tempo, o álbum tem muitos outros elementos de destaque: músicas mais pesadas como "Digital Pollution" e "Don’t Panic", ainda dentro da vertente hard rock; faixas com uma pegada mais blues rock, como "Time Will Heal the Pain"; "The Song" e "Get Ready" que seguram a energia no alto; e a acústica "Winds of Hope", que encerra o disco. No fim, o mais importante para nós é essa combinação de músicas que adoramos e que se sucedem de forma natural ao longo do álbum, fazendo com que o ouvinte fique esperando pela próxima faixa e aproveite o disco do começo ao fim.

Rebel Rock: Houve alguma música que quase ficou de fora ou que deu muito trabalho para ser finalizada? Como vocês resolveram o "quebra-cabeça" dela?

Emerson: Pode parecer quase incrível, mas não — não houve nenhuma música que tenha ficado de fora. Quando percebemos que já tínhamos material forte o suficiente para um álbum, direcionamos nossa energia para arranjar as partes, amarrar as estruturas e fazer a pré‑produção pensando no disco como um todo, não como faixas soltas.

E isso tem muito a ver com a forma como a gente enxerga um álbum: como uma obra completa. A gente nem chegou a fazer demos; eu e o Cesar Bottinha gravamos apenas guias de guitarra e tudo foi construído a partir delas, justamente para manter esse senso de unidade e de “banda tocando de verdade” ao longo do trabalho.

O “quebra‑cabeça”, como você colocou, apareceu na hora de definir a sequência. A grande decisão foi encontrar um flow natural — como se cada faixa fosse um capítulo — para que a primeira audição tivesse sempre essa sensação de descoberta: “o que vem agora?”, “para onde o disco vai me levar?”.
E a gente sentiu que isso funcionou bem. Mesmo nas ouvidas seguintes, quando a surpresa já não é a mesma, o disco ainda conduz por diferentes emoções e vibrações. Isso vem muito da cultura de ouvir álbuns do começo ao fim, como a leitura de uma história — porque, no fim, é exatamente isso que ele é para nós: uma história musical.


Rebel Rock: As músicas de "Rock n' Roll City" exalam uma energia muito "ao vivo". Como está sendo o planejamento para traduzir essas camadas sonoras para os shows?

Emerson: Essa foi uma decisão consciente de produção, e acreditamos que tivemos sucesso nesse aspecto. Desde o início, pensamos o álbum para que ele pudesse ser reproduzido ao vivo com a mesma força e qualidade do que está gravado, somando a energia da música sendo tocada ali, na frente do ouvinte, sem truques e sem disfarces — música alta, olho no olho e todo mundo vibrando junto.

Por isso, não há camadas excessivas de instrumentos ou de vozes, nem a adição de elementos que não estejam presentes nas apresentações ao vivo. Usamos apenas alguns recursos pontuais, como uma camada muito discreta de teclados em “The Song” e pequenas percussões em alguns trechos, que não reproduzimos quando estamos somente nós quatro no palco.

Em shows realizados em espaços maiores e com melhor infraestrutura, nosso plano é ampliar essa experiência com a presença de mais duas backing vocals, que também fazem percussões. A ideia é manter a essência da banda ao vivo, mas com uma dimensão maior, acompanhando a estrutura do palco sem perder a honestidade sonora.


Rebel Rock: Como vocês enxergam a recepção do Hard Rock autoral no Brasil atualmente? Vocês sentem que há um novo público surgindo para esse estilo?

Emerson: Aqui existe uma diferença importante em relação ao que você perguntou. Para grandes bandas clássicas internacionais, há sim uma renovação de público, com muita gente mais jovem indo aos shows levada pelos pais ou por alguém mais velho da família. É quase como uma tradição que vai sendo passada entre gerações, e é muito estimulante ver isso acontecendo. Eu mesmo comecei a gostar de rock — principalmente de hard rock e heavy metal — por influência do meu irmão, que era 16 anos mais velho do que eu.

Por outro lado, não vejo esse mesmo movimento de renovação acontecendo com a mesma força no hard rock autoral nacional. Quando olhamos para os dados de demografia dos ouvintes da Peace Will Come nas plataformas de streaming e para nossos seguidores nas redes sociais, percebemos um público majoritariamente acima dos 25 anos, com maior concentração entre 35 e 55 anos.

Isso nos mostra que ainda existe um espaço enorme para que um novo público se aproxime desse estilo e se engage com as bandas e artistas nacionais. O desafio está justamente em criar pontes para que essa renovação aconteça, como haver mais espaços para shows de bandas autorais por exemplo, mas o potencial está claramente ali.

Rebel Rock: Com o lançamento de "Rock n' Roll City", qual é a principal meta que a Peace Will Come pretende alcançar nos próximos 12 meses? 

Emerson: Nossa principal meta nos próximos 12 meses é levar o álbum Rock n’ Roll City para o palco. Queremos fazer apresentações ao vivo para tocar as músicas do disco, revisitar algumas faixas do primeiro álbum com uma roupagem mais alinhada à atual formação da banda e incluir alguns covers de artistas que amamos. A estréia desse ciclo aconteceu no dia 27 de fevereiro passado no House of Legends aqui em São Paulo e a experiência foi sensacional.

O nosso objetivo é realizar pelo menos uma apresentação a cada dois meses. Com isso, esperamos fortalecer o engajamento das pessoas que já acompanham a banda pelas redes sociais, ampliar o nosso público e, principalmente, formar uma comunidade ativa em torno do nosso trabalho.
São metas ambiciosas para nós que somos uma banda ainda pouco conhecida, embora com músicos muito experientes e com uma longa história dentro do hard rock nacional — o que nos dá confiança para construir esse caminho passo a passo, com consistência e presença ao vivo.


Rebel Rock: Obrigado pela entrevista! Deixe uma mensagem para os fãs e para aqueles que ainda não conhecem a banda!

Emerson: Muito obrigado pela oportunidade e a todos que já acompanham nosso trabalho de alguma forma, seja nas plataformas de streaming ou nas redes sociais.

Para quem ainda não conhece a Peace Will Come, o convite é simples: escute o álbum Rock n’ Roll City, vá aos shows e se permita entrar nesse lugar que ele representa. Um espaço onde o hard rock segue vivo, pulsante, e onde pessoas se conectam pela mesma energia e paixão pela música.

Mais do que ouvir nossas canções, o que queremos é convidar as pessoas a fazer parte dessa “cidade” — uma comunidade de entusiastas do hard rock autoral, que acredita na força da música tocada de verdade e na importância de manter essa cena viva e em movimento.

Para quem gosta de ter uma mídia física, prensamos uma quantidade limitada de CDs, que neste momento pode ser adquirido no site da Animal Records ou presencialmente na loja, localizada na Galeria do Rock, em São Paulo. Busquem informações sobre a banda, os integrantes e as músicas nas redes sociais, principalmente no Instagram (@peacewillcomeband). Valeu, grande abraço!




terça-feira, 7 de abril de 2026

GOTTHARD - MORE STEREO CRUSH (2026)

 


GOTTHARD
MORE STEREO CRUSH
Reigning Phoenix Music - Importado

Com um legado impressionante, o GOTTHARD consolidou sua posição no cenário musical global através de números incontestáveis: 17 álbuns no topo das paradas e mais de 3,5 milhões de cópias vendidas mundialmente. A banda ostenta conquistas raras, como um Prêmio Diamante na Suíça e o sucesso estrondoso do álbum "Homerun" (quádrupla platina). Com mais de 2.000 apresentações ao vivo e hits icônicos como "Heaven", o grupo reafirma sua relevância histórica no rock, lançando agora o  seu novo álbum (ou EP) MORE STEREO CRUSH, já disponível pela Reigning Phoenix Music. O lançamento de oito faixas expande o álbum "Stereo Crush", de 2025, e oferece aos fãs uma visão mais profunda das sessões criativas por trás do disco.

Composta pelos membros originais Leo Leoni (guitarra) e Marc Lynn (baixo), ao lado de Freddy Scherer (guitarra), Nic Maeder (vocal) e Flavio Mezzodi (bateria), a banda mantém sua chama acesa. O novo trabalho conta novamente com a assinatura do produtor Charlie Bauerfeind e o talento de vários compositores, provando que a energia e o compromisso do GOTTHARD com o hard rock continuam tão intensos quanto no primeiro dia. Embalada pelo sucesso de sua recente turnê europeia com o Y&T, o grupo mantém o ritmo acelerado. Após uma temporada intensa de festivais e três apresentações monumentais nas arenas do "Rock Monsters of Switzerland", ao lado do Krokus, a banda demonstra que sua sede criativa e energia de palco seguem em plena expansão. Não à toa, o vocalista Marc Storace participa como convidado em uma das faixas.

O trabalho traz cinco músicas inéditas das gravações do "Stereo Crush" (também conhecidas como "sobras"), junto com a faixa "Mayday", que até então só estava disponível em vídeo. O EP também inclui uma edição para rádio da balada "Burning Bridges" e uma nova versão em dueto de uma da músicas favoritas dos fãs: "Liverpool", interpretada pelo vocalista Nic Maeder junto com o já citado Marc Storace, vocalista do Krokus.

Com relação as faixas inéditas, "Right Now" abre o trabalho com aquela pegada típica do Gotthard: guitarras melódicas, vocais afinados e harmonias que marcam o ouvinte. Na sequência, "Ride the Wave", traz um pouco mais de peso na s guitarras, num belo trabalho da dupla Leoni e Scherer, que mantém uma ótima sintonia. Já "Smiling in the Pounding Rain" é uma bela balada, marca registrada da banda. Tocada ao piano, a faixa mostra a classe e categoria do quinteto nesse tipo de composição. O Hard Rock com a veia européia volta a dar as caras com a excelente "Snafu", enquanto "Don't Miss the Call", parece ter sido composta exclusivamente pra ser tocada ao vivo, tamanha a energia da ponte e refrão presentes na faixa. "Mayday", que já havia sido disponibilizada em vídeo, é outro momento bem "Gotthard, com guitarras mais pesadas. A participação de Marc Storace em "Liverpool" dá aquele "plus a mais" na composição, ao contrastar os vocais mais melódicos de Nic Maeder e os rasgados do experiente vocalista. Pra fechar, uma versão editada para as rádios da balada "Burning Bridges".

Apesar de não inovar (e quem disse que precisa), o GOTTHARD segue sendo uma das forças do Hard Rock mundial. Prova disso, é esse trabalho, que traz faixas não gravadas para o álbum "Stereo Crush", lançado no ano passado. Classe, categoria e técnica aliados à composições bem elaboradas e com a marca registrada do grupo impressa, fazem de MORE STEREO CRUSH um trabalho que deve ser apreciado por todo fã de Hard Rock. Ou simplesmente, fã de música boa.

Sergiomar Menezes




segunda-feira, 6 de abril de 2026

THE SHEEPDOGS - KEEP OUT OF THE STORM (2026)

 


THE SHEEPDOGS
KEEP OUT OF THE STORM
Right on Records - Importado

O homem tem o sonho da máquina de viajar no tempo há muitas décadas, basta vermos a quantidade de obras literárias e cinematográficas que tratam deste tema. Porém a música tem o poder de fazer este oficio, nos levar de volta no tempo quando escutamos uma música ou o trabalho de algum artista. E o quinteto canadense The Sheepdogs tem este dom e o exerce com maestria.

Formado em 2004, na cidade de Saskatoon, The Sheepdogs pratica o que se convencionou chamar de Classic Rock, e em seu mais novo trabalho, “Keep Out Of The Storm”, o nono álbum de sua discografia, o quinteto nos pega pela mão e nos joga lá nos anos 1970. As influencias são obvias: Lynyrd Skynyrd encontrando o Led Zeppelin, e o Alman Brothers Band convidando o Thin Lizzy para um passeio.

Não querendo parafrasear o treinador Roger Machado, que adora frases sem sentido para parecer mais culto, mas “Keep Out Of The Storm” é complexo na sua simplicidade, se é que me faço entender. A audição deste trabalho é fácil e muito agradável, e aos poucos você vai entrando numa vibe que mescla tranquilidade e excitação, pela qualidade de todas as composições.

Arranjos grooveados, riffs de guitarra cativantes, vocais no lugar certo e sem exageros conduzem o ouvinte para uma das melhores décadas da música, porém sem soarem datados e/ou manjados. Como falei, as influências são claras, mas por outro lado, o trabalho tem uma originalidade que faz “Keep Out The Storm” soar com frescor e oxigenado. Eles merecem.

Embora The Sheepdogs não sejam uma banda que  toca alto e soe barulhenta, o álbum inclui músicas de rock pulsantes, como “All I Wanna Do” e a animada “I Do”.

No geral, porém, The Sheepdogs focam no groove e na melodia. “Keep Out of the Storm” apresenta músicas de rock suaves que ressoam com emoção. “Take a Look at Me Riding” destaca a intensidade emocional da banda. É um dos momentos mais cheios de alma no álbum e demonstra as habilidades excepcionais de composição da banda. O arranjo, que inclui um trompete, adiciona uma faísca extra a essa grande canção.

Enfim, The Sheepdogs ainda não são muito conhecidos internacionalmente , mas espero de verdade que esta história mude com o lançamento de “Keep Out The Storm”. A banda merece o sucesso e os apreciadores do Classic Rock e da boa música merecem conhece-los.

José Henrique Godoy




THE HELLACOPTERS - CREAM OF THE CRAP! COLLECTED NON-ALBUM WORKS - VOL. 3 (2026)

 


THE HELLACOPTERS
CREAM OF THE CRAP! COLLECTED NON-ALBUM WORKS - VOL. 3
Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional

A maior banda de garagem do mundo, o gigante sueco The Hellacopters, retorna com mais uma edição do The Cream Of The Crap, a sua terceira edição de, como diz o subtítulo do álbum, faixas gravadas e não lançadas em seus trabalhos anteriores. E os caras não brincam em serviço quando o assunto é fazer Rock N' Roll.

As faixas variam entre músicas autorais não lançadas e covers de artistas e bandas dos mais variados estilos, porém todos no padrão Hellacopters de qualidade. Quando eu falo variados estilos, fica melhor falar de algumas faixas para se ter uma idéia: “I'm EIghteen“ (Alice Cooper), “Speedfreak“ (Motorhead), “Workin For MCA” (Lynyrd Skynyrd), soando influências óbvias dos suecos, ao mesmo tempo que temos versões de artistas R&B como as faixas “Little Mis Sweetness” (The Temptations) e “Whole Lote Shakin In My Heart”(Smokey Robinson).

Musicalmente, o álbum se destaca pelo contraste. O punk furioso de “American Ruse” (MC5) e "455 SD" (Radio Birdman) responde à climas mais “grooveados” como em “A Man And A Half “(Wilson Pickett) e "Get Ready" (Smokey Robinson). Algumas faixas originais como “Disappointment Blues“ e “Doggone Your Badluck Soul“ mostram todo o poder de fogo do The Hellacopters: uma banda capaz de cativar o ouvinte já na primeira audição. É uma energia como se fosse “ao vivo” que transparece em cada faixa, com guitarras saturadas e vocais agressivos dando a impressão de estar assistindo a um show na garagem dos caras, e a sensação que a banda transmite a cada segundo é que cada canção importa, mesmo as mais obscuras.

Enfim, um outro trabalho excelente, onde mesmo sendo uma coletânea de sobras, a única sensação que temos aqui, é que algo sobrou por falta de qualidade. Longa vida ao The Hellacopters!!!! Lançamento nacional Shinigami Records.

José Henrique Godoy