SUFFOCATION
BLOOD OATH
Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional
BLOOD OATH
Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional
Quando se fala em Death Metal, poucos nomes carregam tanto peso histórico quanto o Suffocation. Arquitetos de um brutal death metal, a banda construiu sua reputação com base em riffs labirínticos, baterias desumanas e uma agressividade que parecia sempre à beira do colapso. Blood Oath, sexto álbum de estúdio lançado em 2009, não apenas dá continuidade a esse legado — ele o reorganiza, marcando um dos momentos mais controversos e decisivos da carreira do grupo.
O álbum é um trabalho de transição, mas não no sentido fraco da palavra. Trata-se do adeus de Mike Smith, um dos bateristas mais influentes da história do estilo, e também de uma mudança clara na linguagem da banda. Aqui, o Suffocation pisa no freio da velocidade extrema para investir em peso, densidade e controle absoluto da brutalidade.
Musicalmente, o Suffocation opta por uma abordagem mais cadenciada e metódica. A velocidade frenética dos anos 90 cede espaço aos grooves pesadíssimos. As guitarras de Terrance Hobbs e Guy Marchais abandonam parte da pirotecnia caótica em favor de riffs mais espaçados e os tradicionais breakdowns nova-iorquinos — não como truque fácil, mas como arma de impacto. Os solos continuam sendo um espetáculo à parte. Hobbs abusa da alavanca, de sweeps e de escolhas pouco convencionais, enquanto Marchais despeja linhas rápidas e cortantes que remetem diretamente à escola clássica do Suffocation. Tudo soa mais controlado, menos explosivo — e é exatamente aí que o disco divide opiniões.
Faixas como a faixa título e, principalmente, “Cataclysmic Purification” mostram a banda operando em sua forma mais cirúrgica: tensão construída com paciência, grooves assassinos e explosões de violência perfeitamente calculadas. Esta última, inclusive, figura com facilidade entre as melhores composições de toda a carreira do Suffocation. “Dismal Dream”, “Pray for Forgiveness” e “Images of Purgatory” mantêm o nível técnico altíssimo, provando que, mesmo em marcha média, ainda soam mais pesado e ameaçador do que a maioria esmagadora de seus imitadores.
Ainda assim, Blood Oath não é um disco imediato. Para alguns ouvintes, a repetição estrutural e a ausência daquela sensação constante de caos fora de controle podem soar como falta de urgência. A brutalidade aqui não atropela — ela esmaga lentamente, como uma marreta hidráulica descendo com precisão milimétrica.
William Ribas


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