quarta-feira, 22 de julho de 2026

DOWN III: OVER THE UNDER (2007/2026) - RELANÇAMENTO

 


DOWN
III: OVER THE UNDER
Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional

Após a estreia esfumaçada e canônica de "NOLA" (1995) e o denso e depressivo "Down II: A Bustle in Your Hedgerow" (2002), o hiato de cinco anos que antecedeu o terceiro capítulo da banda esteve longe de representar um simples descanso. Foi um período de sobrevivência. Entre a devastação causada pelo furacão Katrina, a perda irreparável de Dimebag Darrell, os problemas de saúde enfrentados pelos integrantes e uma longa batalha contra os próprios demônios, o Down tinha motivos de sobra para transformar dor em música.

E é exatamente isso que acontece em Over the Under.

Ao contrário do experimentalismo mais disperso do álbum anterior, "Over the Under" surge muito mais focado e coeso, sem perder um único miligrama da agressividade que sempre definiu o currículo de seus integrantes. O que se ouve é um verdadeiro rolo compressor de sludge sulista em alta voltagem. Estão presentes os riffs titânicos e viscerais com a assinatura inconfundível de Pepper Keenan, evocando momentos em que o peso dialoga diretamente com sua bagagem no Corrosion of Conformity, algo evidente na cadência magnética de "Beneath the Tides" e no soco no estômago que é "Three Suns and One Star".

Faixas como "Never Try" e "Her Majesty the Desert" revelam uma faceta mais melódica da banda, aproximando o grupo do blues e do southern rock sem abrir mão da intensidade. Afinal, no universo do Down, peso nunca depende de velocidade. Ele nasce de guitarras encorpadas, mudanças de andamento sutis e de uma construção que cresce de forma orgânica, sem recorrer às explosões previsíveis do tal metal moderno da época.

O grande diferencial do disco, porém, está em Phil Anselmo. Longe da agressividade quase incontrolável dos tempos de Pantera, o vocalista entrega uma de suas interpretações mais maduras e expressivas. Sua voz alterna entre melodias melancólicas, vocais rasgados e momentos quase confessionais, transmitindo desgaste, culpa, esperança e superação. Anselmo canta como quem está permanentemente numa linha tênue entre o colapso e a redenção. Isso fica evidente na arrastada "Pillamyd" e na contagiante "On March the Saints", um verdadeiro hino de perseverança após a tragédia do Katrina. Mais do que interpretar as letras, Anselmo parece viver cada verso, tornando impossível dissociar sua trajetória pessoal das emoções transmitidas pelo álbum.

Liricamente, Over the Under talvez seja o trabalho mais honesto do Down na sua discografia. O disco aborda sofrimento, perdas, vícios, frustrações e sobrevivência sem recorrer ao sentimentalismo fácil. A escuridão permeia praticamente todas as composições, mas sempre existindo um fio de luz de resistência — deixando de romantizar a dor, transformando tudo em combustível para seguir em frente, oferecendo uma visão profundamente humana sobre enfrentar as próprias cicatrizes.

O ápice dessa jornada atende pelo nome de "Nothing in Return (Walk Away)", uma obra-prima de quase nove minutos conduzida por guitarras impregnadas de blues, um padrão hipnótico de bateria e uma construção lenta que culmina em um clímax emocional devastador, encerrando o álbum de forma magistral.

Mais do que uma coleção de riffs memoráveis, Over the Under expande a identidade construída por seus antecessores sem soar repetitivo. O álbum reúne o impacto direto de "NOLA", a profundidade emocional de "Down II" e acrescenta uma maturidade adquirida através das marcas deixadas por um dos períodos mais turbulentos da história da banda — resultando num retrato sonoro da luta diária contra os próprios fantasmas.

Relançado no Brasil pela Shinigami Records, Over the Under ganha uma excelente oportunidade de ser redescoberto por uma nova geração de ouvintes e revisitado por quem já conhece sua força.

Um álbum sincero, pesado e emocionalmente devastador.

William Ribas




MASTERS OF VOICE - 13/07/2026 - AUDITÓRIO ARAÚJO VIANNA - PORTO ALEGRE/RS

 


MASTERS OF VOICE
EDU FALASCHI, JEFF SCOTT SOTO, ERIC MARTIN, TIM "RIPPER" OWENS
13/07/2026
AUDITÓRIO ARAÚJO VIANNA
PORTO ALEGRE/RS

Produção: Morphine/Opinião Produtora

Texto: José Henrique Godoy
Fotos: Carolina Godoy

Nada melhor do que comemorar o Dia Internacional do Rock, com um show de Rock, não é mesmo? Pois Porto Alegre teve a oportunidade de receber nesta data comemorativa, o show da Tour “Masters Of Voices”, contando com os vocalistas Eric Martin, Jeff Scott Sotto, Edu Falaschi e Tim “Ripper“ Owens. Para acompanhá-los, a banda de apoio formada por Edu Cominatto (bateria), Felipe Andreoli (baixo- Angra)) e os guitarristas Marcel Barbosa (Angra) e Léo Mancini.

A abertura ficou por conta da banda de Las Vegas, Velvet Chains, que iniciou seu set as 20h20. A banda apresentou seu som Hard Rock/Rock Alternativo, sem muita originalidade e sem entusiasmar muito os presentes, em um show morno, apesar de competente. Ao final de quarenta minutos, os americanos encerram seu set, e descem para a plateia para atender todos que quisessem tirar fotos com eles, e bater um papo com os músicos.


O relógio marcava 21h30, quando  e demais músicos adentram o palco para executar o primeiro set, baseado na carreira de Falaschi. Baseado praticamente nas músicas da sua época no Angra, Edu fez um bom show, e distribuiu simpatia e carisma. ”Rebirth”, “Heroes OF Sand” e “Waiting in Silence” executadas com perfeição, enquanto Edu entregava uma ótima performance. Ao anunciar “Bleeding Heart”, ele lembrou de forma bem humorada que muitas pessoas cantam esta música em português nos shows dele, tendo em vista o cover realizado pela banda de forró “Calcinha Preta”. “Acid Rain” fecha seu set e Edu chama ao palco o furacão Jeff Scott Sotto.


Bem mais magro e sem as famosas “Caipiroscas” no palco, Jeff incendiou o Araújo Vianna com o inicio de “One Love” do projeto W.E.T., mas devido a um problema no seu microfone, ele pediu para começar de novo. Antes, com seu bom humor tradicional, lascou: “Este é meu Rock n' Roll. Bom, ao menos vocês viram que não é playback e eu tô cantando mesmo”. Alô Vince Neil e outros menos votados, essa acho foi pra vocês! A seguir “Separate Ways” cover do Journey. Apesar de Jeff ter feito tours com a banda de Neal Schon, acho que ele poderia ter colocado outra musica de sua extensa discografia, mas o público aprovou e ao final dessa, o coro de “Soto, Soto” arranca sorrisos de Jeff. A clássica “I'll Be Waiting” do Talisman é tocada e cantada por toda a plateia, e ao meio dela, Jeff arrisca o refrão de "Livin On A Prayer" do Bon Jovi, um dos “hits da Copa do Mundo 2026”, e é respondido a altura. Aqui uma observação: o público era metade da lotação do Araújo Vianna, uma pena para um espetáculo tão bacana. Creio que no Opinião ficaria de bom tamanho, mas não sei nada de produção e estou aqui dando meus vinte centavos de palpite furado. O Medley “I Am a Viking/ I'lll See The Light Tonight” do álbum "Marching Out"  de Yngwie Malmsteen foi o ponto alto do show. Edu Cominatto inicia as intros de “Refuse/Resist” (Sepultura) “ We're Not Gonna Take It” (Twisted Sister) e “I Love It Loud” (Kiss) antes de iniciar a clássica “Stand Up And Shout”. Ao final desta, Soto abre caminho para o eterno vocalista do Mr. Big, Eric Martin.


Eric Martin parece ter algum tipo de pacto com as trevas ou algo divino, pois apesar do passar dos anos, seu aspecto jovial segue o mesmo. Show de simpatia e carisma também. Um set baseado com clássicos do Mr. Big, como "Daddy, Brother, Lover and Little Boy”, “Take Cover” ,”To be With You” e “Colorado Bulldog” fizeram a alegria dos fãs. A voz de Eric Martin parecia um pouco desgastada, mas nada que afetasse a sua performance no geral. A paulada “Addicted To That Rush” fechou seu ótimo set.


Tim “Ripper” Owens toma o palco de assalto as 23h20, com a clássica e preferida da casa, uma das músicas mais Heavy Metal de todos os tempos: “Hellion /Eletric Eye”. Não importa quantas vezes você escutou o álbum do Judas Priest “Screaming for Vengeance”, ou quantas vezes você escutou esta faixa ao vivo, seja com o Judas, ou com algum cover. Ela arrepia sempre. Tanto que Jeff Scott Sotto invadiu o palco pra cantar junto com Ripper. “Burning Hell” som do Judas da fase de Ripper abre caminho para a destruidora “Painkiller”, esta outra que não deixa pedra sobre pedra. “Breaking The Law” não poderia faltar e “Highway To Hell” (AC/DC) e “Heaven And Hell” (Black Sabbath) homenageiam Bon Scott E Ronnie James Dio. Inclusive, antes dessa segunda, Ripper fala que Dio é o seu vocalista preferido de todos os tempos. Para finalizar, Ripper chama de volta ao palco Jeff, Eric e Edu, e os quatro cantam juntos “Living After Midnight”! E assim se encerra este ótimo evento, pena que para um público que poderia e deveria ser bem melhor. Quem sabe na próxima.





ARMORED SAINT - EMOTION FACTORY RESET (2026)

 


ARMORED SAINT
EMOTION FACTORY RESET 
Metal Blade Records - Importado

Se existe uma banda no heavy metal que pode ser descrita como o "segredo mais bem guardado" do gênero, essa banda é o Armored Saint. Formados em Los Angeles em 1982, eles nunca atingiram o estrelato de arena de seus contemporâneos, mas construíram algo muito mais valioso: uma discografia praticamente impecável e uma base de fãs que os venera como deuses. Agora, em 2026, eles retornam com seu nono álbum de estúdio, Emotion Factory Reset, provando mais uma vez que são mestres na arte de equilibrar a tradição do metal clássico com uma energia incrivelmente moderna. Lançado via Metal Blade Records, o álbum chega com a difícil missão de suceder o fantástico "Punching the Sky" (2020), que muitos consideravam o ápice tardio da banda. 

Mas o Armored Saint não é de se acomodar. Com a produção afiada do baixista Joey Vera e a mixagem cristalina de Jay Ruston (Anthrax, Stone Sour), Emotion Factory Reset não apenas iguala seu antecessor, mas em muitos momentos o supera, entregando uma coleção de hinos que soam vibrantes, pesados e, acima de tudo, relevantes. O que torna o Armored Saint tão especial é a sua recusa em viver apenas do passado. Como o vocalista John Bush sabiamente apontou: "Não queremos fazer outro "March of the Saint". Quero continuar avançando, mas sabemos quem somos". E essa identidade está estampada em cada nota do novo disco. 

A banda continua a caminhar habilmente sobre a linha que divide o heavy metal direto e o hard rock cheio de groove. A abertura com "Close to the Bone" é um soco no estômago, um hino antêmico que prepara o terreno para o que está por vir. O single "Hit a Moonshot" é, possivelmente, a faixa que melhor define o som atual da banda: guitarras simples e diretas de Jeff Duncan e Phil Sandoval, plugadas em bons amplificadores e deixadas para rasgar, criando um groove irresistível. Mas o álbum não vive apenas de velocidade. Faixas como "It's a Buzzkill", "Ladders and Slides" e a penúltima "Bottom Feeder" mostram o lado mais cadenciado e roqueiro do grupo, onde a cozinha formada por Joey Vera e o baterista Gonzo Sandoval brilha intensamente. 

O único momento que talvez divida opiniões é "Buckeye", uma faixa mais suave com letras profundamente pessoais e uso de slide guitar, que exige bastante dos vocais de Bush e soa um pouco deslocada do peso geral do disco. O título do álbum, "Emotion Factory Rese"t, carrega um peso significativo para os dias atuais. Segundo os irmãos Sandoval, a ideia é sobre encontrar clareza em um mundo caótico. "Faça uma pausa e respire antes de responder ou reagir. Você não pode controlar eventos externos, mas pode controlar sua mente", explica Phil. Essa mensagem de reflexão e realinhamento permeia as letras de John Bush, que prefere levantar questões e abrir mentes em vez de ditar regras. E falando em John Bush, é impossível não destacar sua performance. Aos 62 anos, ele continua sendo um dos melhores vocalistas do metal, entregando paixão, melodia e agressividade com uma facilidade assustadora. Ele é a alma que eleva as composições da banda a outro patamar. Emotion Factory Reset é a prova definitiva de que o Armored Saint é uma banda rara. 

Eles mantêm praticamente a mesma formação desde o início dos anos 90 e continuam lançando material que rivaliza com seus clássicos. Não é um álbum de "velhos roqueiros tentando soar jovens", mas sim de músicos experientes que sabem exatamente o que fazem e fazem com maestria. Se você procura por inovação radical ou experimentações vanguardistas, procure em outro lugar. Mas se você quer heavy metal de altíssima qualidade, com ganchos memoráveis, riffs excelentes e um vocalista no topo de seu jogo, este álbum é obrigatório. O Armored Saint pode nunca ter conquistado o mundo, mas com discos como este, eles certamente conquistam o respeito eterno de quem realmente importa: os fãs de música pesada. Dois lados da mesma moeda: tradição e modernidade, perfeitamente equilibrados.

Jay K.




LEX LEGION - LEX LEGION (2026)


 

LEX LEGION
LEX LEGION
Valhall Music/MNRK Heavy - Nacional

Imagine só, caro leitor, em pleno 2026, ver que quase todo o lineup de 2 álbuns clássicos da discografia do mestre King Diamond, se reuniria para gravar um trabalho com o mesmo feeling daqueles longínquos anos, qual seria sua reação? Quando vi o lineup desta nova super banda realmente fiquei empolgado. Contando com o mestre Andy LaRoque (guitarra), Pete Blakk (guitarra), Hal Patino (baixo), Mikkey Dee (bateria) e o vocalista Nils k. Rue, a banda parece pronta para alçar voos grandiosos dentro da cena Heavy Metal mundial.

Nils K. Rue tem uma voz excelente para o que o Lex Legion se propõe a ser, com seu timbre que fica entre King Diamond e Biff Byford (Saxon), e sobre os instrumentistas nada mais precisa ser dito. O disco é curtinho, 9 faixas em pouco mais de 34 minutos de duração, sendo daqueles que ouvimos e nem sentimos o tempo passar.

A faixa de abertura, “Sleep Eternally” é a fusão perfeita entre King Diamond e Saxon, ou seja, Metal com um nível de pureza de um diamante. Mais uma vez, LaRoque é um mestre com seus solos alucinógenos. “Gyspsy Tears” não fica atrás e segue dando ao ouvinte aquela sensação de ouvir algo com tanto feeling e pegada bem Old School of Heavy Metal.

“When the Stars Align” perde um pouco do forte embalo inicial, mas nada que assuste ou desabone o trabalho como um todo. Mikkey Dee e LaRoque, são, pra variar, dois monstros que levantam a música que tem uma melodia um tanto quanto cansativa. “(I Am) the Resurrected” tem no seu início uma melodia que me lembrou um clássico dos The Rolling Stones, “Paint it Black”. Também tem um quê de Accept nela, realmente um destaque, talvez a melhor do trabalho. A fúria da guitarra de LaRoque está mais presente que nunca em “Life Eternal”, composição essa feita pra ele brilhar. Não tem como, missão dada é missão cumprida. “Dreams of Darkness” é a faixa onde Nils K. Rue tem uma performance realmente matadora, em certas passagens dá pra sentir um pouco da linha vocal de Ian Gillan, por exemplo. Indiscutivelmente, a faixa mais pesada do disco. Essa merecia ganhar um single.

O trio “Saviours”, “Life Eternal” e a bela instrumental “Far Away” fecham o trabalho com aquela levada que remete mais a fundo os trabalhos que fizeram lá em “Conspiracy” (King Diamond, 1989).

No geral, podemos concluir que qualquer uma das 9 faixas aqui inclusas, poderiam estar nos trabalhos mais clássicos de King Diamond, já que todas possuem aquele clima teatral, melódico, com cara de trilha sonora de filme de terror. Como o mestre King Diamond segue “nos enrolando” para lançar mais algum trabalho completo, o Lex Legion parece a solução perfeita para que gente do quilate de LaRoque brilhe intensamente. É tão bom quanto poderia ser? Talvez! Mas fato é, que quem curte boa música tem motivos de sobra pra ouvir Lex Legion. Então, cumpra sua parte e ouça! Vale a pena.

Mauro Antunes




segunda-feira, 13 de julho de 2026

13/07 DIA MUNDIAL DO ROCK - OS DISCOS QUE MUDARAM NOSSAS VIDAS!

 

13 de julho é o Dia Mundial do Rock. Claro que, pra nós que fazemos do estilo uma parte de nossas vidas, esse é apenas mais um dia. No entanto, é bom sabermos que temos um dia dedicado ao Rock mesmo que de forma simbólica. E pra não deixarmos passar essa data em branco, a equipe do REBEL ROCK fez um breve relato sobre aquele disco que mudou nossas vidas, mesmo que esse não seja aquele disco mais ouvido, o preferido, mas aquele que nos fez ver e ouvir o mundo de outra maneira. Então, se por um descuido ou por uma pequena falta, você ainda não ouviu um desses álbuns, ficam aqui nossas dicas. Enjoy it!




CHAOS A.D. - SEPULTURA

"Em 1995, eu já ouvia rock e metal. Aos 11 anos, já carregava o rótulo de "adolescente rebelde" estampado na testa, até que ouvi falar de um tal de Sepultura. Uma banda brasileira? Existia uma banda do Brasil que fazia um som pesado? Foi aí que o meu mundo mudou para sempre. Encontrei Chaos A.D. em uma banca de jornal, comprei aquele tal de Sepultura e, quando coloquei o CD para tocar, foi como levar um soco no peito. “Refuse/Resist”, "Territory", "Slave New World", "Amen", "Kaiowas", "Propaganda", "Biotech Is Godzilla" e "Nomad" — uma sequência de aniquilar pescoços. Naquela época, eu não me importava com técnica, bumbo duplo, viradas tribais, riffs, solos ou qualquer outro malabarismo musical. Eu queria barulho. Queria ser barulhento! Perturbar!. E foi justamente nesse aspecto que o Sepultura e Chaos A.D. mudaram a minha vida. Descobri diversas outras bandas, graças ao explosivo som de um quarteto que saiu de Belo Horizonte.
Sepultura, do Brasil!!!"
William Ribas



METALLICA - MASTER OF PUPPETS

"Tem discos que a gente escuta, e tem discos que mudam a nossa vida. Master of Puppets foi isso desde a primeira vez que ouvi aquele riff de abertura, onde tudo mudou e nunca mais seria o mesmo ouvinte. Não é só técnica, é raiva e poesia juntas, um disco que só ficou mais atual com o tempo. Pra mim é o ápice do metal, o ponto mais alto que o gênero já alcançou, algo quase transcendental. Impossível explicar em palavras o quanto ele mudou minha vida."
Fernando Aguiar



KISS - CREATURES OF THE NIGHT

"Fui apresentado em 1983 a "Creatures of the Night", simplesmente o disco que mudou minha vida! Quando ouvi "I Love It Loud" nunca imaginei que o som de uma bateria pudesse soar tão brutal. Naquele momento, foi como receber um soco no cara daqueles bem dados. "I Still Love You", "Killer" e principalmente "War Machine", me levaram definitivamente ao Metal, sendo este, um caminho sem volta. Obrigado KISS por isso! Eu e o mundo, os reverenciamos.."
Mauro Antunes



JUDAS PRIEST - DEFENDERS OF THE FAITH

"Quando agulha tocou o vinil de Defenders of the Faith pela primeira vez, eu não estava apenas ouvindo música; eu estava sendo apresentado a um novo mundo. Foi o meu primeiro contato real com o Heavy Metal, e o impacto foi imediato. A abertura estrondosa de 'Freewheelers Burning' me pegou de surpresa, uma velocidade e uma agressividade que eu nunca tinha sentido antes. De repente, o Metal não era mais um conceito distante, mas algo tangível, encarnado pela voz inconfundível de Rob Halford e pela força daquelas guitarras duplas. A capa, com o 'Metallian' emergindo das chamas, era a tradução visual perfeita do que eu estava ouvindo: poder, desafio e uma rebeldia inabalável. ​Aquele álbum não foi apenas um conjunto de músicas, foi um divisor de águas. Ele definiu o padrão de como eu passaria a enxergar a música dali em diante. Mais do que um disco, Defenders of the Faith foi o meu portal para o Heavy Metal."
Jay Frost



IRON MAIDEN - THE NUMBER OF THE BEAST

"The Number of the Beast" me pegou de jeito, a impressão que tenho é que foi realmente um pacto com o Heavy Metal. Sua primeira audição foi tão impactante, que até hoje eu ouço com a  mesma emoção, todas as músicas são perfeitas e irrepreensíveis! De "Invaders" à "Hallowed by thy Name", tenho aqui o álbum transformador da minha vida!"
Márcio Jameson



GUNS N' ROSES - APPETITE FOR DESTRUCTION

"My Michelle" e "Think About You". Essa foram as duas primeiras músicas do Guns n' Roses que eu ouvi. E isso porque um grande amigo ao gravar uma fita k7 de 60 minutos com as "melhores do Ramones", gravou ao sobrar um certo espaço. Fiquei curioso em conhecer o restante do álbum e daí em diante... Não tenho muito a dizer. De "Welcome to the Jungle" até "Paradise City", passando por faixas espetaculares como "It's so Easy", "Out ta Get Me", "Mr. Brownstone", "Nightrain", "Sweet Child o' Mine", "Anything Goes" e "You're Crazy", Apppetite For Destruction moldou meu caráter. Se antes Ramones e Iron Maiden ditavam as horas do Radio National, Axl e sua turma acabaram invadindo o espaço e tomaram conta. E continuam tomando até hoje..."
Sergiomar Menezes

"O disco que mudou minha percepção sobre a música e o rock, sem dúvidas, foi Appetite for Destruction, do Guns N' Roses. No final da minha adolescência e início da vida adulta, eu comecei a ouvir rock e gostar do estilo. Até então, eu ouvia muito pop dos anos 80, como a-ha, e deixava de lado riffs pesados e solos, estilo heavy metal. Até que um dia, numa livraria, eu vi o CD do "Appetite for Destruction" em promoção e resolvi comprar para conhecer melhor a banda. Ao colocar no carro e no som de casa, eu gostei logo de cara de todas as doze músicas. Até então, eu não estava acostumado com um disco de rock mais pesado. Então, ouvindo esse disco incansavelmente por vários dias, eu comecei a pegar gosto pelo hard rock e aos poucos entrando no heavy metal. "Rocket Queen", "Nightrain", "Paradise City", "My Michelle', foram músicas que me conectaram de cara com a banda. Com a migração pro Spotify, ouvia Europe por recomendação da própria plataforma, fazendo com que eu cada vez mais entrasse nesse mundo. Depois de eu ouvir excessivamente o debut do Guns, comprei o "Creatures of the Night", do KISS, que eu também encontrei na mesma livraria, e a partir daí comecei a ouvir músicas mais pesadas, como Iron Maiden, Judas Priest, Accept. Portanto, Appetite for Destruction foi um grande divisor de águas na minha vida para gostar de rock e de metal."
Thiago Rodrigues



BLACK SABBATH - VOL. 4

Meu início no Rock/Metal foi com o KISS e a sua turnê pelo Brasil em 1983. Mas alguns anos antes, eu ainda criança pegava o LP de uma prima minha e ficava analizando a capa. A silhueta de um cara em laranja na capa e o álbum gatefold tinha a foto de dois bigodudos com seus instrumentos, e eu ficava intrigado: "Qual desses caras é o Black Sabbath?" Minha prima só tocava uma faixa do álbum, uma música lenta e que me soava triste. Era a linda "Changes"... Eu queria saber como eram as outras musicas e então peguei o disco pra ouvir. E um turbilhão sonoro tomou conta da minha alma e coração. "Wheels Of Confusion", "Tomorrows Dream", "Supernaut", "Snowblind", "Under the sun".... Toda vez que escuto o Black Sabbath "Vol.4" , todas as faixas, sem excluir nenhuma, tem o mesmo impacto que da vez da primeira audição, e o misto de satisfação e alegria é a mesma que aconteceu naquele garoto de 13 anos.
José Henrique Godoy



KISS - HOTTER THAN HELL

"Eu tinha apenas doze anos quando, em um início de tarde chuvosa, entre filmes de ninjas na TV e gibis da Marvel espalhados pela sala, resolvi colocar um dos discos do meu pai pra tocar, e era um daqueles que sempre me chamava a atenção pela capa: quatro caras mascarados que eu tinha certeza que haviam saído de algum multiverso onde os sonhos se concretizavam e nosso alter ego duelava entre heróis e vilões de Stan Lee e Frank Frazetta… Era a maior banda de todos os tempos que estava ali bem na minha frente: o KISS! A capa era um misto de psicodelia teatral com mistério, e a agulha do toca discos foi parar diretamente no fim da primeira faixa, “Got to Choose”, e um som poderoso de um acorde me transportou na segunda, chamada “Parasite” e aqueles riffs me causaram um orgasmo tão intenso que tudo o que eu queria ser na vida ganhou uma força tão grande que eu não consegui mais ser o mesmo gordinho tímido de sempre. Aliás, continuei sendo, mas agora eu tinha uma força que me integrava a uma egrégora especial. “Hotter Than Hell” foi meu primeiro amor em formato de som, ouvi aquele disco o dia inteiro e me apaixonei igualmente por “Comin’ Home”, “Going Blind”, “Let me Go Rock’ n’ Roll”, “Hotter Than Hell”, “Watchin You“, e percebi que aquele som era tudo o que me fazia queimar por dentro, despertava o melhor dos amores, a mais quente das percepções. Não é o mais bem produzido, nem o mais “bem sucedido”, mas “ Hotter Than Hell” forjou o Gustavo que está escrevendo aqui, e é o meu favorito. Abençoada seja a fenda do espaço tempo que se abriu nesse dia, e eternos agradecimentos ao meu amado pai e aos senhores Gene Simmons, Ace Frehley, Paul Stanley e Peter Criss que me permitiram acordar pra tudo o que eu tinha pra viver, mudou todas as minhas perspectivas sobre tudo o que existe e ali eu renasci."
Gustavo Jardim