Ranquear os álbuns do AC/DC nunca é uma tarefa fácil, principalmente sabendo que não existem discos ruins ou medíocres na carreira do grupo. E piorou ainda mais, quando você é fã da banda. Minha experiência com a dela discografia, foi um pouco diferente da maioria as pessoas. Comecei conhecendo o ao vivo de 92 e o "Highway to Hell" e só depois, já na adolescência, fui descobrindo os clássicos das décadas de 1970 e 1980.
Numa época em que não existiam streaming nem a facilidade da internet como temos hoje. Para conhecer um álbum, era preciso comprar o CD, e como o dinheiro era curto, montar uma discografia era quase impossível. Talvez por isso este ranking seja diferente de muitos que você já viu pela internet. Algumas posições podem parecer polêmicas, mas todas refletem a minha relação pessoal com esses discos.
Antes de começar, vale explicar os critérios. Não vou considerar "Who Made Who", embora a faixa título tenha uma das melhores músicas do grupo, mas por se tratar de uma trilha sonora/coletânea. Também não falaremos do o EP "'74 Jailbreak", que traz faixas dos primeiros discos não lançadas nas versões americanas. E por útimo (infelizmente) deixarei de fora as versões exclusivas australianas de "High Voltage" e "T.N.T", e utilizarei apenas o "High Voltage" da versão internacional (a convencional) que reuniu as principais músicas dos dois álbuns e se tornou o lançamento oficial para o restante do mundo. Assim, mantenho um único critério durante todo o ranking.
Leandro Isoppo – Alma Hard
16º – Fly on the Wall
Abrindo o ranking, Fly on the Wall.
Um dos álbuns mais controversos da carreira do AC/DC, mesmo não sendo um disco fraco, mas talvez, confuso. Fez muito sucesso aqui no Brasil por se tratar do disco da turnê que sucede a primeira vinda do AC/DC ao país, na primeira versão do lendário Rock In Rio.
O principal problema, na minha opinião, está na produção. As guitarras e, principalmente, a voz de Brian Johnson ficaram excessivamente abafadas, deixando o som menos barulhento ou definido do que poderia. Não soa nem cru como os discos dos anos 70 e nem polido como os clássicos dos anos 80. Ainda assim, o disco entrega ótimos momentos, como "Fly on the Wall", "Shake Your Foundations" e "Sink the Pink".
Em meados dos anos 80, o hard rock e o hair metal dominavam o mercado. O AC/DC até incorporou discretamente alguns elementos daquela época, mas sem renunciar a sua identidade. Em compensação, essa fase rendeu alguns dos videoclipes mais divertidos da carreira do grupo, que ajudam a tornar esse período bastante marcante.
15º – Power Up
Na décima quinta posição está Power Up, o trabalho mais recente do AC/DC. Lançado em 2020, em plena pandemia, o álbum teve enorme repercussão mundial e mostrou que, mesmo após quase cinco décadas de carreira, a banda ainda era capaz de lançar um disco forte, inspirado e relevante, mesmo sem seu líder Malcom Young, falecido 3 anos antes.
Um dos grandes destaques ficam por “Shot in the Dark” e "Through the Mists of Time", considerada por muitos fãs uma emocionante homenagem a Malcolm. Embora isso nunca tenha sido confirmado oficialmente pela banda, essa interpretação faz bastante sentido diante da carga emocional da canção.
Por ser um álbum relativamente recente, ainda não tive tempo de criar com ele a mesma ligação que desenvolvi com os grandes clássicos da discografia. Mesmo assim, considero Power Up um retorno extremamente digno da história do AC/DC., mas assim como os demais, acredito que num futuro próximo ele pegará melhores posições.
14º – Black Ice
Em seguida aparece Black Ice, um álbum pelo qual tenho um carinho especial.
Foi durante a turnê desse disco que o AC/DC voltou ao Brasil em 2009 no Estádio Morumbi em São Paulo, e tive a oportunidade de assistir ao show. Além disso, acabou sendo o último álbum de estúdio e a última grande turnê com Malcolm Young antes de seu afastamento definitivo.
Depois de oito anos sem lançar um trabalho de inéditas, a banda retornou em grande estilo. O disco trouxe músicas marcantes como "Rock 'n' Roll Train", "War Machine", "Big Jack" e a faixa-título. O sucesso foi enorme. Black Ice vendeu milhões de cópias em todo o mundo, alcançou o primeiro lugar em diversos países e recolocou o AC/DC entre os maiores nomes do rock mundial.
13º – Rock or Bust
Lembro que na época do lançamento, o CD chegou ao Brasil por um preço bastante acessível e ainda trazia uma capa lenticular muito bonita, um detalhe que chamava bastante atenção dos fãs.
O disco também marcou o primeiro trabalho da banda sem Malcolm Young nas gravações, afastado em razão do avanço da demência. Seu lugar foi ocupado pelo sobrinho Stevie Young, que já havia substituído Malcolm em outras ocasiões. Mesmo assim as composições dos irmãos registaram grandes momentos como a faixa título, Dogs of War e "Miss Adventure". Outro grande destaque fica pela voz de Brian Johnson, que parece soar mais jovem do que os trabalhos anteriores, e por ironia, ele teria problemas de audição durante a turnê deste disco e precisaria de afastar dando lugar ao Axl Rose que fez ótimas apresentações com o grupo.
Por pouco não está na lista dos excelentes, talvez falte mais umas 10 ouvidas para garantir essa marca. Um disco que quanto mais se ouve, melhor fica.
12º – The Razors Edge
A partir daqui entramos na elite do AC/DC. Um grupo de álbuns no mínimo excelentes e que a maioria das bandas sonharia em ter gravado ao menos uma única música.
O primeiro deles é The Razors Edge, representa o grande renascimento comercial do AC/DC. Depois de alguns anos sem repetir o enorme sucesso alcançado no início da década de 1980, a banda voltou ao topo graças à excelente produção de Bruce Fairbairn que orientou todas as bandas de sucesso dos anos 80 como Aerosmith, Bon Jovi e Poison, além do forte apoio da MTV.
Grande parte desse impacto veio de "Thunderstruck", uma das músicas mais conhecidas da história do rock. Ela ultrapassou o universo do AC/DC e passou a fazer parte de eventos esportivos, filmes, comerciais e programas de televisão em praticamente todos os cantos do planeta. Outros clássicos do disco ficam por conta de "Moneytalks", "Are You Ready", "Fire Your Guns", "Mistress for Christmas" e "Rock Your Heart Out" mostram um AC/DC extremamente inspirado.
O único motivo para o álbum não aparecer entre os meus seis favoritos é justamente o tamanho que se deu à "Thunderstruck. A música acabou se tornando tão gigantesca que, em muitos momentos, ofusca um pouco o restante do repertório, que também é excelente. Outra questão pessoal, é a falta de peso das guitarras nesse disco, ficando muito melhores no registro ao vivo de 92 lançado em CD.
Isso, porém, não diminui em nada a importância de The Razors Edge. Além de recolocar a banda no topo das paradas, o disco foi responsável por apresentar o AC/DC a uma nova geração de fãs e consolidar novamente seu lugar entre os maiores nomes do rock mundial.
11º – Dirty Deeds Done Dirt Cheap
“Dirty Deeds...”, embora tenha sido lançado originalmente na Austrália em 1976, ele só chegou oficialmente ao mercado americano em 1981, aproveitando o enorme sucesso de Back in Black.
Outro detalhe é que a edição internacional acabou deixando de fora "Jailbreak", uma das melhores músicas da fase de Bon Scott. Se essa faixa tivesse permanecido no repertório, acredito que o álbum subiria algumas posições no meu ranking.
Mesmo assim, continua sendo um disco fantástico, impulsionado por clássicos como "Dirty Deeds Done Dirt Cheap", "Problem Child", "Ride On".
E lembrando que a primeira música que ouvi da banda foi a faixa título e tenho um carinho especial por ela.
10º – Stiff Upper Lip
Stiff Upper Lip, um álbum que resgata de forma muito evidente as raízes blues do AC/DC.
Produzido por George Young, irmão mais velho de Angus e Malcolm, o disco apresenta uma sonoridade orgânica, limpa e extremamente fiel à essência da banda.
Foi um lançamento que ouvi inúmeras vezes e que marcou o retorno do AC/DC aos holofotes no início dos anos 2000, junto com o avanço da internet e os canais de música VH1 e MTV impulsionaram o ótimo desempenho dele.
Além da excelente faixa-título, gosto muito de "Satellite Blues" e "Safe in New York City". Outro detalhe curioso é "Can't Stand Still", que traz um raro solo de guitarra executado por Malcolm Young, algo pouco comum ao longo da história da banda.
Talvez não seja um álbum tão lembrado quanto alguns clássicos dos anos 70 e 80, mas sempre enxerguei nele uma personalidade muito própria. É um disco maduro, seguro e que envelheceu muito bem.
9º – High Voltage
Na nona posição, High Voltage e vale reforçar que estou falando (infelizmente) da versão internacional lançada em 1976. Criado para apresentar o AC/DC ao restante do mundo, o álbum reuniu músicas dos discos australianos High Voltage e T.N.T., funcionando praticamente como um cartão de visitas da banda fora da Austrália.
É verdade que algumas ótimas faixas acabaram ficando de fora, como "Show Business", "Stick Around" e "Baby, Please Don't Go". Ainda assim, o resultado é excelente e reúne vários dos primeiros clássicos do grupo.
Na minha opinião, se todo o material dos dois álbuns australianos tivesse sido reunido em um único lançamento, estaríamos falando de um dos maiores discos de toda a carreira do AC/DC. Mesmo da forma como foi lançado, High Voltage cumpriu perfeitamente sua missão de apresentar ao mundo uma banda que, poucos anos depois, mudaria a história do rock.
8º – Ballbreaker
Ballbreaker é um dos álbuns mais emblemáticos do grupo, tanto pelo inédito encarte com animações da Marvel, algo que havia virado moda nos anos 90 com discos como "The Last Tempation" do Alice Cooper. E pela vinda da banda na Pedreira Paulo Leminski em Curitiba no ano seguinte ao lançamento do álbum.
Lançado em 1995, o disco marcou o retorno do baterista Phil Rudd, afastado da banda havia mais de uma década, além de apresentar uma sonoridade pesada, seca e direta, muito influenciada pela produção de Rick Rubin.
Faixas como "Hard as a Rock", "Cover You in Oil", "Hail Caesar" e a própria "Ballbreaker" mostram uma banda cheia de energia e confiança e na minha opinião, continua sendo um dos trabalhos mais subestimados de toda a discografia do AC/DC. Talvez se a faixa Big Gun, da trilha sonora do Last Action Hero, tivesse sido lançada junto ao trabalho, ele seria um dos maiores registros deles.
7º – Powerage
Na 7ª posição aparece Powerage, e aqui eu sei que muita gente vai discordar.
Para muitos fãs, até para músicos como Slash, Eddie Van Halen e Keith Richards, este é o melhor álbum da carreira do AC/DC. E não é difícil entender o motivo. Trata-se de um disco pesado, cru e com uma atmosfera mais sombria do que a maior parte da discografia da banda.
Ao contrário de outros trabalhos, Powerage não foi construído em torno de grandes sucessos radiofônicos, mas sim como uma obra extremamente consistente do início ao fim. Ainda assim, "Sin City" acabou se tornando um clássico absoluto, ao lado de faixas como "Riff Raff", "Down Payment Blues", "Gone Shootin'" e "Rock 'n' Roll Damnation".
Outro aspecto interessante envolve as diferentes versões do álbum. Algumas prensagens internacionais apresentaram alterações na ordem das faixas, nas mixagens e até na inclusão de "Cold Hearted Man", tornando Powerage um dos discos mais curiosos da carreira do AC/DC para quem gosta de colecionar diferentes edições.
Quanto mais escuto esse álbum, mais admiro sua qualidade. Não duvido que, com o passar dos anos, ele ainda suba algumas posições no meu ranking.
6º – Blow Up Your Video
Talvez aqui esteja a escolha mais polêmica de toda a lista.
Blow Up Your Video costuma aparecer entre os últimos colocados em muitos rankings, mas, para mim, sempre teve um significado muito especial. Foi apenas o segundo álbum de estúdio do AC/DC que tive em CD e marcou uma fase importante da minha descoberta da banda.
As duas primeiras faixas, "Heatseeker" e "That's the Way I Wanna Rock 'n' Roll", já mostram um AC/DC cheio de energia. Sempre tive a impressão de que, nesse disco, a banda conseguiu fazer aquilo que não funcionou tão bem em Fly on the Wall: modernizar discretamente sua sonoridade sem renunciar à identidade construída ao longo da década.
A produção de Harry Vanda e George Young devolveu equilíbrio ao som da banda, aproximando novamente o AC/DC de sua essência.
Além dos singles, o álbum reserva ótimas músicas menos lembradas, como "Mean Streak", "Nick of Time" e "Go Zone".
Mas o meu grande destaque sempre será "Two's Up". Para mim, trata-se de uma das canções mais subestimadas de toda a carreira do AC/DC. Ela cresce de forma gradual, constrói uma atmosfera diferente e entrega um dos melhores solos de guitarra daquele período.
Sempre enxerguei Blow Up Your Video como um disco de reconstrução. Foi nele que o AC/DC começou a recuperar o fôlego que culminaria, poucos anos depois, no enorme sucesso de The Razors Edge.
5º – For Those About to Rock (We Salute You)
Abrindo o meu Top 5 consta o “For Those...”, nem sempre lembrado, mas com muita personalidade
Foi o segundo trabalho gravado com Brian Johnson e novamente contou com a produção impecável de Robert John "Mutt" Lange. É verdade que ele nunca alcançou o impacto histórico de Back in Black, mas entrega um som poderoso, extremamente consistente e com identidade própria.
A faixa-título tornou-se um dos maiores hinos da banda e passou a encerrar praticamente todos os shows do AC/DC ao som dos famosos canhões, criando um dos momentos mais marcantes da história do rock.
Além dela, gosto muito de "Put the Finger on You", "Let's Get It Up", "Inject the Venom", "Snowballed" e "Evil Walks". É um daqueles discos que consigo ouvir do início ao fim sem encontrar qualquer ponto fraco.
A icônica capa com o enorme canhão também entrou para a história e se tornou uma das imagens mais reconhecidas do AC/DC.
Outro feito importante foi alcançar o primeiro lugar da Billboard 200, tornando-se o primeiro álbum da banda a atingir o topo da principal parada americana, impulsionado pelo gigantesco sucesso de Back in Black. Nunca receberá o mesmo reconhecimento dos dois clássicos que o cercam, mas, para mim, merece tranquilamente um lugar entre os maiores momentos da carreira do AC/DC.
4º – Let There Be Rock
Let There Be Rock, um dos discos mais importantes da história do AC/DC.
Se existe um álbum capaz de representar a essência da banda, provavelmente é este. Peso, energia, riffs marcantes e rock and roll em seu estado mais puro. O AC/DC soa completamente livre, sem concessões e sem qualquer preocupação em seguir tendências.
A faixa-título é uma verdadeira explosão de energia. Para a época, impressionava pela intensidade e pela agressividade, antecipando características que, pouco tempo depois, seriam exploradas com ainda mais força pelo heavy metal.
Mas o álbum está longe de depender apenas dessa música. Clássicos como "Whole Lotta Rosie", "Hell Ain't a Bad Place to Be", "Go Down" e "Bad Boy Boogie" formam um repertório praticamente impecável.
Outro ponto que sempre me chama a atenção é a crueza da produção. Diferentemente dos trabalhos produzidos por Robert John "Mutt" Lange alguns anos depois, aqui tudo soa mais espontâneo, pois a banda gravou o disco ao vivo dentro do estúdio.
É um disco indispensável para entender por que o AC/DC se tornou uma das maiores bandas da história do rock.
3º – Flick of the Switch
Agora chegamos a outra escolha polêmica deste ranking.
É muito comum encontrar Flick of the Switch entre os últimos lugares nas listas dos fãs. Comigo aconteceu exatamente o contrário. Quanto mais ouvi esse álbum, mais passei a admirá-lo.
Depois do enorme sucesso de Back in Black e For Those About to Rock (We Salute You), a banda decidiu abandonar as grandes produções e apostar em um som mais cru, direto e sem excessos. Pela primeira vez, o próprio AC/DC assumiu integralmente a produção do disco, com Malcolm Young exercendo papel fundamental na construção daquela sonoridade seca e pesada.
O resultado é um álbum que transmite a sensação de estar ouvindo a banda ensaiando na garagem. Tudo parece espontâneo, sem camadas desnecessárias ou qualquer tentativa de agradar ao mercado.
Até os videoclipes seguiram essa filosofia, deixando de lado produções elaboradas para mostrar simplesmente o AC/DC fazendo aquilo que sempre soube fazer melhor.
Na época, a recepção foi apenas morna. A capa também dividiu opiniões e continua sendo uma das mais simples de toda a discografia.
Mas basta ouvir o disco com atenção para perceber sua qualidade. "Rising Power", "Nervous Shakedown", a faixa-título e "This House is on Fire" mostram uma banda extremamente inspirada, apostando apenas na força dos riffs e na honestidade de sua música.
Para mim, continua sendo um dos álbuns mais injustiçados da carreira do AC/DC.
2º – Back in Black
Agora chegamos a um álbum que simplesmente dispensa apresentações.
Back in Black não é apenas um clássico do AC/DC. É o segundo disco mais vendido, importante, influente da música, com vendas estimadas em mais de 50 milhões de cópias ao redor do mundo.
Curiosamente, esse foi o primeiro álbum da banda que tive em CD. Na época, eu ainda não tinha dimensão da importância histórica daquele trabalho. Somente anos depois percebi que estava diante de uma verdadeira obra-prima do rock.
Talvez o maior mérito de Back in Black esteja justamente em sua simplicidade. O AC/DC nunca quis ser uma banda excessivamente técnica ou complexa. Sua proposta sempre foi fazer rock and roll direto, pesado, baseado em grandes riffs e refrões inesquecíveis. E poucos discos conseguiram executar essa fórmula com tanta perfeição.
Também é importante lembrar que esse sucesso não surgiu do nada. Antes dele, o AC/DC já vinha conquistando espaço em diversos países, especialmente graças ao enorme impacto de Highway to Hell. Back in Black apenas transformou esse crescimento em uma explosão mundial.
A produção de Robert John "Mutt" Lange permanece impressionante até hoje. Mesmo mais de quatro décadas depois, o álbum continua moderno, graças ao equilíbrio quase perfeito entre peso, clareza e dinâmica.
O repertório fala por si só. "Hells Bells", "Shoot to Thrill", "What Do You Do for Money Honey", "Back in Black", "You Shook Me All Night Long", "Have a Drink on Me" e "Rock and Roll Ain't Noise Pollution" fazem parte da história do rock.
Mas existe também um enorme componente emocional. Back in Black foi o primeiro álbum gravado após a morte de Bon Scott e mostrou ao mundo que o AC/DC era capaz de superar a maior tragédia de sua trajetória sem perder sua identidade, embora há alguns relatos de parentes e parceiros de Bon Scott, que alegavam que grande parte destas músicas já havia sido trabalhadas com ele ainda vivo.
Mais do que um fenômeno comercial, esse disco consolidou definitivamente o AC/DC entre as maiores bandas de todos os tempos.
1º – Highway to Hell
No topo do meu ranking está Highway to Hell.
Para mim, este é o maior álbum da carreira do AC/DC. Foi nele que a banda encontrou o equilíbrio perfeito entre a energia crua dos primeiros anos e uma produção mais refinada, capaz de levá-la definitivamente ao estrelato mundial.
Grande parte desse mérito passa pelo trabalho de Robert John "Mutt" Lange. Sem descaracterizar a identidade do AC/DC, ele conseguiu tornar o som da banda mais limpo, mais preciso e extremamente acessível, preservando toda a força dos riffs de Angus e Malcolm Young.
Outra característica que sempre me chamou a atenção é o groove presente em algumas músicas. "Love Hungry Man", por exemplo, traz uma linha de baixo claramente influenciada pelo funk e pela disco music, algo pouco comum na carreira do AC/DC. Já "Touch Too Much" aposta em uma abordagem mais melódica e acessível, mostrando uma banda confiante para explorar novas nuances sem perder sua essência.
O mais impressionante, porém, é a consistência do repertório. São apenas dez faixas e praticamente todas poderiam ser consideradas clássicos.
Além da inesquecível faixa-título, o disco entrega "Girls Got Rhythm", "Walk All Over You", "Touch Too Much", "Beating Around the Bush", "Shot Down in Flames" e "If You Want Blood (You've Got It)", mantendo um nível de qualidade impressionante do início ao fim.
A capa também entrou para a história do rock. A imagem de Angus Young usando os famosos chifres acabou alimentando parte das polêmicas que cercavam o rock no final dos anos 70, quando muitas bandas passaram a ser alvo de acusações envolvendo supostas mensagens satânicas.
Mas Highway to Hell também carrega um enorme peso emocional. Foi o último álbum de estúdio gravado com Bon Scott, que morreria poucos meses depois de seu lançamento, justamente quando o AC/DC começava a conquistar de forma definitiva o mundo.
Bon Scott não chegou a testemunhar o tamanho do sucesso que a banda alcançaria dali em diante. Ainda assim, sua contribuição foi absolutamente fundamental para construir a personalidade, a atitude e a identidade que transformaram o AC/DC em um dos maiores nomes da história do rock.
A chegada de Brian Johnson e o lançamento de Back in Black escreveriam um dos capítulos mais extraordinários da música. Mas essa história só foi possível porque Highway to Hell abriu definitivamente as portas do mundo para o AC/DC.
Por tudo isso, este ocupa o primeiro lugar do meu ranking. Mais do que um álbum extraordinário, ele representa o momento em que uma grande banda se transformou em uma lenda.
Considerações finais
Como toda lista, ela reflete muito mais a minha história com esses discos do que qualquer tentativa de estabelecer uma verdade absoluta. Tenho certeza de que muitos fãs fariam mudanças importantes, talvez colocassem Powerage no primeiro lugar, elevassem The Razors Edge ao pódio ou deixassem Blow Up Your Video muito mais abaixo.
No fim das contas, talvez essa seja a maior prova da grandeza do AC/DC. Pouquíssimos artistas conseguiram construir uma discografia tão consistente, atravessar cinco décadas permanecendo relevantes e influenciar tantas gerações de músicos
.png)
























