quinta-feira, 5 de março de 2026

DEVIL'S CIGARETTE - MEET ME ON THE FLOOR TONIGHT (2026)



DEVIL'S CIGARETTE
MEET ME ON THE FLOOR TONIGHT
Wild Kingdom/Sound Pollution - Importado

Sabe aquele tipo de disco que, logo no primeiro acorde, você já sente vontade de abrir uma cerveja, aumentar o volume e esperar os vizinhos que só ouvem música boa graças a você, começarem a te agradecer novamente? Pois é, MEET ME ON THE FLOOR TONIGHT o novo trabalho do DEVIL'S CIGARETTE, é exatamente desse tipo. Desde que se formaram em Estocolmo em 2023, o grupo construiu rapidamente sua reputação como uma banda a ser observada, com seus shows explosivos, energia incessante e capacidade de se destacar no meio do barulho. Isso tudo os levou de lugares apertados no porão a se tornarem um dos nomes mais comentados na nova onda de rock da Suécia. Sim, de novo, da Suécia. 

Adam Berg (vocal), Alexander Bergfeldt (guitarra), Miles Martin (guitarra), Lucas Kinari (baixo) e Kasper Brättemark (bateria - que gravou o álbum mas depois foi substituído por Iggy Lindén), são cinco garotos que decidiram resgatar o rock n' roll na sua essência, com uma energia crua e muita rebeldia. Influenciado por ícones do rock como The Stooges, MC5, The Beatles, The Hives e, obviamente, The Hellacopters, o Devil’s Cigarette cria uma mistura única de rock ‘n’ roll enérgico, cru e acelerado. O som deles pode atrair tanto a geração mais jovem quanto os fãs experientes de rock, fazendo a ponte entre o rock clássico e o contemporâneo. cabe destacar que o álbum foi Gravado por Otto Perrin e mixado e masterizado por Robert Pehrsson, renomado por seu trabalho com The Hellacopters e Tribulation.

O trabalho abre com a faixa título, e de cara, percebemos nitidamente que poucos releases realmente entregam as influências de uma banda como a do caso em questão. Aquela urgência suja dos Stooges, o "descompromisso" do The Hives, A falta de preocupação do MC5, a simplicidade dos Beatles e a veia anos 70 do Hellacopters. Claro, não podemos esquecer que estamos falando de uma banda novata, em busca de uma maior identidade, mas isso já começa a aparecer de forma mais interessante em "I'm Bored". Com um andamento mais intenso e com "guitarras suecas" bem características, a faixa ganha o ouvinte pelo baixo "gordo", outro ponto em comum com seus conterrâneos. "Bright Red Eyes" tem um quê de Stones, mas a sujeira toma conta. No entanto, não tem a mesma energia que a s faixas anteriores. Já a celerada "Dirty Fingers", tem cara de pub esfumaçado, cheiro de palco no nível do público e amplificador dando problema. Ou seja, Rock 'n' Roll! "A A-A" (sim, esse é o título da faixa) é tão estranha quanto seu título, apesar dos bons momentos. E acreditem, eu encontrei algo de Pixies em alguns momentos de sua execução, o que fez com os pontos dela subissem no meu conceito...

"Radio Baby" é outro grande momento rocker do álbum, rápida, direta e certeira, ainda que me determinados momentos o "noise" apareça perdido por suas linhas. Agora, "This is a Hippie Killing Device" é tão legal quanto seu título, com uma energia intensa e vocais que soam extremamente desleixados. Se é proposital ou não, a verdade é que ficou bem legal dentro da execução. a veia "The Hives" surge imponente em "Come on to Me", com sua parede de guitarras e vai de encontro à urgência de "Ordinary Man", outro momento rocker sem frescuras. Pra fechar o álbum, "The Greyhound Grace",a faixa mais "acessível", por assim dizer. E na opinião deste que vos escreve, poderia tocar em qualquer rádio por aí, que passaria despercebida facilmente.

Já tendo protagonizado algumas situações bem típicas, como aprontar em um camarim que estava reservado a uma famosa banda punk sueca e, depois disso, terem sido proibidos de tocar no local, o DEVIL'S CIGARETTE dá mostras de que tem o tal de rock 'n' roll nas veias. MEET ME ON THE FLOOR TONIGHT é um álbum que não vai salvar o rock (até mesmo porque ele não precisa disso), mas te garante bons momentos tomando aquela cerveja bem gelada e esquecendo dos problemas cotidianos. E nos dias de hoje, isso já é algo mais do que louvável...

Sergiomar Menezes

SAXON - EAGLES OVER HELLFEST (2026)

 


SAXON
EAGLES OVER HELLFEST
Shinigami Records/Silver Lining Music - Nacional

Um álbum ao vivo do SAXON só pode significar uma coisa: HEAVY METAL! E é exatamente isso que temos em EAGLES OVER HELLFEST, que como o próprio título entrega, foi gravado no festival francês em 2024. A adrenalina que emana do álbum é intensa e quem já teve o privilégio de assistir o grupo ao vivo (sim, é um privilégio poder assistir a uma apresentação do quinteto), sabe do que estou falando. Divulgando seu mais recente trabalho, o ótimo "Hell, Fire and Damnation", lançado em no início de 2024, mesmo ano da apresentação no Hellfest, a banda traz 14 faixas onde podemos captar a energia, vibração e toda a atmosfera que que faz com que todo fã de Heavy Metal coloque o Saxon entre suas bandas preferidas. E o melhor de tudo: o álbum está saindo por aqui através da parceria da Shinigami Records com a Silver Lining Music.

Liderada pelo icônico vocalista Biff Byford, a banda conta com a precisão de Nigel Glockler (bateria), a solidez de Nibbs Carter (baixo) e a aclamada parceria de guitarras entre Doug Scarratt e o "recém-chegado" Brian Tatler (Diamond Head - outra lenda do metal britânico). A integração de Tatler marcou um novo capítulo na trajetória do grupo. Sua chegada trouxe uma vitalidade revigorante, traduzida em riffs intensos e uma química imediata com Scarratt, elevando o patamar das apresentações ao vivo.

Clássicos absolutos do metal mundial como "Denim & Leather", "Motorcycle Man", "Strong Arm of the Law", "Power and the Glory", "Heavy metal Thunder", "Dallas 1 P.M.", "The Eagle Has Landed", "Heavy Metal Thunder", "Wheels of Steel", "Crusader", "747 (Strangers in the Night)" (que música sensacional!) e a a mais do que espetacular "Princess of the Night", se unem a "Hell, Fire and Damnation" e "Madame Guillotine" num CD que quando você menos espera, acaba. E, automaticamente, você aperta o play novamente.

Não há muito oq ue dizer sobre EAGLES OVER HELLFEST. Clássicos do Heavy Metal, executados por uma das maiores bandas do estilo em um dos maiores festivais do planeta. Se tinha tudo pra dar certo, com certeza deu. Ouça alto. MUITO ALTO!

Sergiomar Menezes




PEACE WILL COME - ROCK 'N' ROLL CITY (2025)

 


PEACE WILL COME
ROCK 'N' ROLL CITY
Independente - Nacional

O álbum ROCK 'N' ROLL CITY marca a consolidação definitiva da banda PEACE WILL COME como um dos nomes mais tecnicamente afiados do hard rock brasileiro contemporâneo. O que começou em 2020 como um projeto de Emerson Macedo para registrar composições autorais durante o isolamento da pandemia, evoluiu drasticamente com a chegada de músicos de peso e redefiniu o eixo sonoro do grupo, trazendo uma precisão rítmica e um vocal que elevam o patamar da obra. Este novo trabalho não apenas sucede o disco de estreia de 2021, mas expande os horizontes da banda ao apresentar entrosamento e coesão, onde a técnica instrumental e a identidade estética se fundem para entregar um repertório denso, autêntico e cheio de vitalidade para o cenário do rock atual.

Formada pelo já citado Emerson Macedo (guitarras) e pelos experientes Andria Busic (vocal/baixo), Cesar Bottinha (guitarras) e Ivan Busic (bateria/backing vocal), a banda nos entrega um álbum com nove faixas criadas coletivamente pela banda. O novo álbum (a banda possui um trabalho autointulado lançado em 2021) reforça sua unidade estética ao fundir riffs que referenciam a linha clássica de Led Zeppelin, Deep Purple e Black Sabbath a um lirismo introspectivo e contemporâneo, equilibrando energia  e entrega. Essa sonoridade robusta foi construída entre o Estúdio Trama NaCena (São Paulo), onde se registrou a base de baixo e bateria, e o LeBoot Studio (São Carlos), palco das guitarras e vozes, contando com a mixagem experiente de Marcelo Sussekind e a masterização precisa de Ricardo Garcia para garantir clareza, peso e um acabamento de padrão internacional às estruturas do rock pesado.

O álbum abre com a pesada "Among the Stars", com um excelente trabalho de guitarras. A inconfundível voz de Andria Busic nos remete ao Dr. Sin, mas o Peace Will Come tem personalidade própria. Emerson e Bottinha "conversam" muito bem nas seis cordas, enquanto os irmãos Busic mostram que classe e experiência não se compram na farmácia. Refrão melódico e forte já deixam nítido que o hard Rock do grupo trafega por todos os caminhos do estilo. "Don't Panic" começa introspectiva, mas ganha peso e mantém o clima mais denso inicial, ainda que as guitarras "abram" a atmosfera da composição. O peso também dita o ritmo da ótima "Lonely", talvez a faixa que traz a amior proximidade com o Dr. Sin, mas muito mais pelos vocais de Andria. Dona de um refrão de fácil assimilação, a faixa traz um grande momento de Andria e Ivan, algo que não é novidade pra ninguém, não é mesmo? Já "The Song" traz uma atmosfera mais hard/heavy, com uma pegada anos 80, mas com uma sonoridade bem atual e moderna. Os backing vocal de Ivan se encaixam muito bem aqui, dando destaque ao refrão.

"Rock 'n' Roll City", a faixa título, faz jus ao nome, com uma excelente levada rocker, daquelas que a gente escuta e já procura uma cerveja pra entrar no clima. Típica faixa pra colocar a galera pra "dançar" nos show! Na sequência, "Time Will Heal the Pain", é um blues pesadão, com ótimas linhas de guitarra. Baixo e bateria marcados com aquela pegada característica e vocais na medida, fazem dela um dos grandes destaques do álbum. O Hard Rock mais tradicional volta à carga com "Digital Pollution", enquanto "Get Ready" traz aquele clima mais festivo, mas ao mesmo tempo com melodias mais "adultas", se me faço entender. O encerramento vem com "Winds of Hope", acútica e com um toque country que faz com que a faixa mostre a versatilidade da banda.

“ROCK 'N' ROLL CITY” é um disco que busca sair do lugar comum, ou seja, trazendo o hard rock essencial para firmar a identidade de quem respeita a tradição, mas não se acomoda nela. Ao demonstrar total domínio na composição, nos arranjos e principalmente, sem querer reinventar a roda, o PEACE WILL COME se consolida como uma das bandas mais consistentes da atualidade, entregando um trabalho feito com tamanha convicção que conquista desde o fã mais dedicado até o ouvinte mais aleatório já na primeira virada de bateria.

Sergiomar Menezes

Foto: Stephanie Veronezzi



terça-feira, 3 de março de 2026

LIVING COLOUR - THE BEST OF 40 YEARS TOUR - 26/02/2026 - BAR OPINIÃO - PORTO ALEGRE/RS

 


LIVING COLOUR - THE BEST OF 40 YEARS TOUR 
Abertura: MADZILLA
26/02/2026 
BAR OPINIÃO - PORTO ALEGRE/RS
Produção: ABSTRATTI PRODUTORA

Texto: José Henrique Godoy
Fotos: Sergiomar Menezes

O Living Colour é uma daquelas bandas que, apesar da longevidade e da extrema qualidade da sua discografia e das suas apresentações ao vivo, merecia uma atenção e destaque muito maior do que recebem do cenário musical mundial. E na noite do dia 26 de fevereiro, este pensamento me passou várias vezes pela cabeça, enquanto eu contemplava a incrível performance do quarteto novaiorquino.

Em sua terceira passagem pela capital gaúcha, (as anteriores foram em 2004 e 2009), finalmente a banda teve um público à altura da sua obra. O Bar Opinião estava praticamente lotado para reverenciar a sensacional performance de Corey Glover, Vernon Reid, Doug Wimbish e Will Calhoun. E que performance.

A abertura da noite ficou por conta da banda Madzilla, de Las Vegas. O quarteto formado por David Cabezas (vocal/guitarra), Sarah Dugdale (guitarra), Thomas Palmer (baixo) e Courtney Lourenco (bateria) executa um Thrash Metal com bastante melodia, porém me pareceu um pouco deslocado para o evento. Se o publico presente aplaudiu com respeito, ao mesmo tempo não demonstrou muito entusiasmo, apesar do esforço de David Cabezas, que se comunicou sempre em português e se mostrou bastante simpático. Mas o saldo final do Madzilla é que, apesar de ser uma boa banda, pouco acrescentou à noite.



O relógio marcava 21h10 quando o Living Colour adentrou o palco e iniciou o set com "Leave It Alone”. Corey Glover trajando um elegante terno quadriculado é o mestre de cerimônias, ao seu lado direito Vernon Reid, um mestre das seis cordas, que justamente foi apontado dentro dos 50 melhores guitarristas de Rock de todos os tempos, numa lista da Revista Rolling Stone. Do outro lado, Doug Wimbish demonstra desde o início que é uma baixista de algumas “prateleiras acima” da média. Ao fundo ele, Will Calhoun, um dos bateras mais espetaculares do mundo todo.

“Middle Man” e “Memories Can´t Wait (cover do Talking Heads) são tocadas na sequência e trazendo a tona as memórias lá do final dos anos 1980, quando eu comprei o LP “Vivid” e simplesmente gastei de tanto ouvir. Ouvir ao vivo estas duas faixas presentes nele, em sequência foi um deleite! “Ignorance Is Bliss” e “Go Away”, ambas faixas do pesadíssimo álbum de 1993 “Stain” são executadas com muita classe, enquanto a divertida “Funny Vibe” mostra todo o virtuosismo do quarteto.



Então chega a vez de Corey Glover brilhar solo, e ele arregaça numa versão de “Hallellujah” de Leonard Cohen. O homem canta demais. Sem mais. Segue a minha preferida “Open Letter (To A Landlord) e sem dar tempo para respirar, Will Calhoun detona um solo cheio de técnica nos tambores e utilizando percussão e recursos eletrônicos, arranca aplausos e mais aplausos dos presentes.

“This is the life“ vem na sequência e logo após uma versão de “Pride” diferente de como a conhecemos, com mais suingue e ligeiramente mais rápida na velocidade. É chegada a vez de Doug Wimbish tomar conta do palco, e ele fala que é o caçula da banda, pois está há apenas 37 anos como Living Colour (ele substituiu o baixista original Muzz Skillings em 1992) e então executa um medley com as músicas “White Lines/Apache/The Message”, enquanto demonstra um domínio absurdo do instrumento, ao mesmo tempo que se diverte e diverte a plateia. Aliás a satisfação e alegria de estarem num palco é visível no rosto dos quatro. Assim sendo, eles até passam a falsa impressão de que é “fácil” tocar música da forma que eles fazem.



“Glamour Boys”, “Love Rears Its A Ugly Head”, “Type”, “Time´s Up / What´s You Favotite Color?” e “Cult Of Personality”, nesta sequência nos dão o prazer de ouvir/ver um “Best Of “ ao vivo e em auto e bom som. A banda se despede e sai do palco, para retornar logo em seguida com “Solace Of You” e encerrar com um explosivo cover de “Should I Stay Or Should I Go” clássico atemporal do The Clash. "Fim de festa”. Vernon Reid e Corey glover ainda ficaram um tempo no palco autografando itens e tirando fotos.

È impossível classificar o Living Colour com algum rótulo. Hard Rock, Metal, R&B, Crosssover, Jazz... Eles trabalham com tudo isso e muito mais. É uma banda simplesmente incrível. Que voltem quantas vezes forem possíveis. Obrigado mais uma vez a Abstratti pelo credenciamento e ao staff do Bar Opinião e sua costumeira cordialidade.

MASTER OF PUPPETS - 40 ANOS DO ÁLBUM DIVISOR DE ÁGUAS DO METALLICA

 


MASTER OF PUPPETS - 40 ANOS (1986/2026)


Por William Ribas
Fotos: Divulgação (Milanica Channel)


Em outono de 1985, o Metallica se isolou no frio de Copenhague para criar o que se tornaria o marco definitivo do thrash metal, e da fase inicial da banda. O nome do estúdio, Sweet Silence Studios (Doce Silêncio), carregava uma ironia quase profética: aquelas paredes estavam prestes a conter o som mais barulhento, ambicioso e sofisticado que o grupo já havia produzido até então.

Durante quatro meses, entre setembro e dezembro, a banda trabalhou sob a disciplina rigorosa do produtor Flemming Rasmussen. Ali, cada detalhe foi lapidado com precisão. A gravação capturou a dualidade do Metallica naquele momento: agressividade crua aliada a uma grandiosidade estrutural que começava a expandir os limites do próprio gênero.


Quarenta anos de um trabalho atemporal. Acredito que datas e números, para alguns álbuns, são irrelevantes. Master of Puppets, quando saiu em 3 de março de 1986, foi uma explosão na música pesada. É uma versão melhorada de "Ride the Lightning" — o modo operante seguiu quase à risca: introdução hipnótica, seguida de um ataque de riffs e “brutalidade”. Músicas pesadas, densas, lentas e melódicas; o tracklist é um verdadeiro banquete. Temos mais uma instrumental: “Orion” é toda a genialidade de Cliff Burton. A faixa é tão especial que, anos depois, virou nome de festival da banda, e James Hetfield ainda tatuou a tablatura em homenagem ao grande amigo.

Quatro décadas em que a história do Metallica mudou. Conquistas, perdas e recomeços — o ano de 1986 para Lars Ulrich, Hetfield e Kirk Hammett. Master of Puppets colocou a banda em turnê com um de seus ídolos, Ozzy Osbourne, pelos Estados Unidos. A alegria e a inocência eram tantas que, nas passagens de som ou dentro do trailer, o que se ouvia era Black Sabbath, na esperança de Ozzy aparecer e fazer uma jam com eles (fato que somente ocorreu 23 anos depois). O cantor inglês apareceu, mas não foi pela música — a fama do “Alcoholica” fez nascer uma amizade.


A primeira parte da turnê com Ozzy se iniciou em 27 de março, em Wichita, no Kansas, com o Metallica tocando o seguinte setlist:

Battery
Master of Puppets
Seek & Destroy
Welcome Home (Sanitarium)
For Whom the Bell Tolls
Ride the Lightning
Creeping Death
Am I Evil?
Damage, Inc.

O Metallica se apoiou no seu presente: Master of Puppets. O início com Kill 'Em All era “passado”. Começar e encerrar os shows de maneira brutal foi o tiro certeiro para as datas iniciais. Quanto mais shows, mais o álbum vendia, e mais a popularidade dos quatro integrantes aumentava. A banda que, quatro anos antes, tocava em todos os “buracos” da Califórnia agora era a queridinha. Começavam a ganhar dinheiro, vendiam merchandising e virariam headliner. As datas com Ozzy Osbourne foram até Salt Lake City, em Utah, no dia 17 de maio. Após isso, eles eram os donos do palco.

Com isso, houve mais tempo para “chutar bundas” nos shows, o que colocaria ainda mais Master of Puppets para todos baterem cabeça. Em Tulsa, no estado de Oklahoma, no dia 23 de maio, a banda tocou as seguintes músicas:

Battery
Master of Puppets
For Whom the Bell Tolls
Ride the Lightning
Welcome Home (Sanitarium)
The Four Horsemen
The Thing That Should Not Be
(Anesthesia) – Pulling Teeth
Damage, Inc.
Fade to Black
Seek & Destroy
Creeping Death
Disposable Heroes
Am I Evil?
Whiplash

De “Battery” a “Damage, Inc.”, passando pela faixa-título e “Disposable Heroes”, o Metallica aumentou a agressividade. “The Thing That Should Not Be” e “Welcome Home (Sanitarium)” traziam a falsa calmaria. Era o Metallica apostando pesado no novo álbum — seis das oito faixas estavam presentes no set. Era a consolidação definitiva do disco nos palcos.


É uma pena que o mundo não teve a honra de ver Cliff tocando “Orion” — a faixa foi justamente a última música do disco a ganhar vida nas apresentações do grupo, sendo tocada pela primeira vez em 2005. No dia 10 de setembro, tocaram em Cardiff, no País de Gales, e iniciaram a divulgação do álbum no velho continente (antes haviam tocado em dois festivais: Finlândia e Dinamarca, em julho). Foram duas semanas incríveis, em que o “quinteto” — John Marshall assumiu a guitarra base por conta de James estar com o braço engessado — passou por Escócia, Inglaterra, Irlanda, Irlanda do Norte, Suécia e Noruega e, no dia 26, novamente pela Suécia, em Estocolmo.

Na madrugada do dia 27, na região rural próxima a Dörarp/Ljungby, o jogo mudou. A morte prematura e trágica de Burton levou para sempre parte da alma da banda. Não apenas musicalmente — embora isso seja inegável —, mas na camaradagem, na liderança silenciosa, no respeito a um irmão mais velho. Lars e James sempre deixaram claro o quanto valorizavam os conselhos de Cliff.


Poucos meses depois, o Metallica continuou: Jason Newsted assumiu o posto de baixista, e a turnê do disco prosseguiu.

No decorrer dos anos, mesmo com sucessos comerciais, o Metallica jamais esqueceu seu principal trabalho. Em 2006, o grupo decidiu celebrar os 20 anos de Master of Puppets de forma especial: tocando o álbum na íntegra durante a turnê Escape from the Studio ’06. Ao todo, a banda apresentou o disco completo 12 vezes. A primeira execução aconteceu em 3 de junho de 2006, no Rock am Ring, em Nürburgring, na Alemanha, e a última no Bilbao BBK Live, em Bilbao, na Espanha, no dia 29 de junho de 2007.

Abaixo segue a quantidade de vezes em que cada música do álbum foi tocada até a publicação desta matéria:

Battery – 981 vezes
Primeira vez: 27 de março de 1986
Última vez: 5 de julho de 2025

Master of Puppets – 1747 vezes
Primeira vez: 31 de dezembro de 1985
Última vez: 6 de dezembro de 2025

The Thing That Should Not Be – 267 vezes
Primeira vez: 23 de maio de 1986
Última vez: 13 de junho de 2019

Welcome Home (Sanitarium) – 1005 vezes
Primeira vez: 27 de março de 1986
Última vez: 29 de junho de 2025

Disposable Heroes – 159 vezes
Primeira vez: 14 de setembro de 1985
Última vez: 14 de dezembro de 2020

Leper Messiah – 135 vezes
Primeira vez: 20 de agosto de 1987
Última vez: 5 de novembro de 2025

Orion – 112 vezes
Primeira vez: 13 de novembro de 2005
Última vez: 27 de junho de 2025

Damage, Inc. – 303 vezes
Primeira vez: 27 de março de 1986
Última vez: 8 de julho de 2022

Master of Puppets se tornou mais do que um clássico. Tornou-se o último retrato de uma formação que estava no auge criativo.

Neste dia 3 de março, nestes 40 anos, OUÇA O ÁLBUM ALTO.

Ouça por você e por Cliff Burton.

Pancakes, Go!