HELLOWEEN - 40 YEARS ANNIVERSARY TOUR
O REBEL ROCK cobriu a turnê de 40 anos do HELLOWEEN no BRASIL! E o que rolou nos shows em Porto Alegre e São Paulo você confere aqui:
16/09/2026
KTO ARENA
PORTO ALEGRE/RS
Produção: EntreLike/Mercury Concerts
Texto: Sergiomar Menezes
Fotos: José Henrique Godoy/ Chico Lisboa (Rock in Cena)
Em uma quarta-feira, um tanto quanto fria para o período, o Helloween marca mais uma passagem pela capital gaúcha. E pela terceira vez, no formato septeto. E quem diria que eu poderia dizer que assisti mais vezes o grupo com Michael Kiske do que com Andi Deris? Coisa louca não? Eu e meu amigo José Henrique Godoy nos dirigimos à KTO Arena (antiga Pepsi on Stage) praticamente dois anos após a enchente que assolou o Rio Grande do Sul. Mas, estamos aqui pra falar de uma banda que decidiu comemorar seus 40 anos de atividade fazendo aquilo que se espera dela: shows repletos de clássicos, novidades e músicas que não vinham sendo tocadas há algum tempo. Sendo assim, não havia como ter erro. E não teve.
Antes do show começar, havia uma DJ no palco colocando sons pra galera aquecer, mas ela não estava sendo muito feliz no seu intento, pois além do volume não estra muito alto, ela parecia desconhecer que o público ali era fã de Helloween. Ou seja, Korn, Avenged Sevenfold e outras bandas menos indicadas não foram muito bem recepcionadas. Mas, verdade seja dita, a última meia hora da moça a redimiu, pois apelou pros clássicos eternos do Heavy Metal e acertou a mão!
Passava pouco das 21h, quando a música "Let Me Entertain You" de Robbie Willians (e o pior é que a faixa é bem legal - a mesma já vem sendo usada pela banda há um bom tempo), ecoou pelos PA's, indicando que os deuses do metal melódico (e porque não dizer do Heavy Metal) estavam prestes a adentrar o palco. Com um telão repleto de animações muito legais, conectadas a cada música executada, surge nesse mesmo telão a figura do "Keeper", introduzindo o show. Então, Andi Deris (vocal), Michael Kiske (vocal), Michael Weikath (guitarra - falaremos mais dele a seguir), Kai Hansen (guitarra), Sascha Gerstner (guitarra), Markus Grosskopf (baixo) e Daniel "Dani" Löble (bateria) sobem ao palco e logo de cara mandam um clássico eterno: "March of Time", faixa presente em "Keeper of the Seven Keys Part 1". É preciso dizer que o público cantou cada verso fazendo com que a voz (e que voz!) de Michael Kiske quase sumisse? Impressionante a energia e vitalidade de uma música composta há quase 40 anos! Em seguida, "The King of 1000 Years", faixa mais longa da carreira da banda, vem para abrilhantar ainda mais a aura épica que se formava na KTO Arena. Me arrisco a dizer que a composição, que abre "Kepper of the Seven Keys; The Legacy", é uam das melhores faixas da carreira da banda. E a divisão de vocais entre Deris e Kiske ficou perfeita, deixando pra Deris as partes mais pesadas, enquanto as melódicas ficaram com Kiske. Este último, aliás, apesar da aparência de bancário do Banco do Brasil aposentado que decidiu curtir a vida numa fazendo do interior, continua cantando como nos velhos tempos! Que vocalista, senhores... que VOCALISTA! E se é pra falar de clássico, Kiske decide apresentar Mr. Kai Hansen e de uma forma bem direta, nos traz "Future World"! Como no inesquecível "Live in the UK", a faixa é cantada até pelos seguranças do evento, enquanto passa um filme na cabeça deste que vos escreve. É a quinta vez que assisto essa música ao vivo, terceira delas cantada por Kiske. E sempre que ela inicia volto no tempo, quando ouvia no meu bom e velho rádio toca-fitas National, a fitinha gravada com o ao vivo supracitado. Emocionante!
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Era chegada a hora de "This is Tokyo", primeira música de "Giants and Monsters", mais recente trabalho do grupo. Se quando lançada como single a composição não me agradou, ao ouví-la na sequência do álbum, minha opinião mudou. Mas ao vivo, ela ganhou um contorno ainda mais forte, ficando pesada e intensa, com Deris dando um show de performance. Sim, ainda que sofra muitas críticas por sua voz (que é bem mais hard do que heavy), o alemão que teve a ingrata tarefa de substituir Kiske em 1994, mostra que sabe dosar sua voz de forma correta. Além do carisma e simpatia, que compensam qualquer coisa. Em seguida, "We Burn" de "The Time of the Oath", que ao vivo vira um coice na boca do estômago, com direito a show de luzes e fogos na frente do palco, seguida por uma grande surpresa: "Twilight of the Gods"! Uma verdadeira aula de como deve ser o speed/power metal, composta por Kai e interpretada de forma magnífica por Kiske. E quem se importou com o mesmo Kai esquecendo a letra de "Ride the Sky" e se atrapalhando na hora do solo? Absolutamente ninguém! Até porque, estava todo mundo cantando e muitos, talvez, nem repararam nisso... Weikath segurou os solos muito bem apesar da aparência terrível...
E aqui, abro um espaço pra falar sobre Weikath. O quão magro ele está é assolador! Parece que vai cair a qualquer momento, anda encurvado, parecendo sem forças para empunhar a guitarra. Mas o faz muito bem, não esquecendo de brincar com o público algumas vezes, e fazendo seus gestos típicos com as mãos enquanto toca sua guitarra. Boatos dão conta de que ele está bem doente e que talvez essa seja a última turnê do Helloween. A verdade é que a saúde dele parece estar nada boa.
Mas voltando ao show, era chegada a hora de mais uma faixa do mais recente trabalho. E, infelizmente na minha opinião, escolheram "Into the Sun", uma faixa chata e sem vibração. Por sorte, em seguida tivemos "Hey Lord", faixa de "Better Than Raw", que ao vivo ganhou peso e intensidade, mostrando que a banda soube não fica presa sempre as mesmas escolhas de setlist. "Universe (Gravity for Hearts)", mais uma do novo álbum, veio pra mostrar como o Helloween ainda é importante para o estilo, pois cria faixas que mesclam o melódico e o metal como poucas. Ainda que muitas criaturas tenham atingido ótimas performances, o criador sempre será imbatível. "Rabbit Don't Come Easy", também se faz presente no set, e por sorte, a banda escolheu a melhor música do álbum: "Hell Was Made in Heaven"! Uma faixa totalmente Heavy Metal, pesada, veloz, intensa, com Deris exigindo muito de si mesmo em alguns momentos, provou que a banda não está pra brincadeira no palco (ainda que muitos momentos divertidos tenham ocorrido). Essa música deveria estar presente em todo show do septeto! Em seguida tivemos um solo "meia-boca" de Dani Löble, algo ao meu ver, desnecessário, mas sabe como é... tinha um baterista do meu lado que não vai concordar comigo...

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Logo em seguida, o primeiro momento "festa" do show com a execução de "I Want Out"! Essa música é sinônimo de metal melódico, é sinônimo de "happy happy Helloween"! Todos cantando, papel picado explodindo no público e muita interação banda/plateia. Momento memorável! Então Kiske e Deris se dirigem a frente do palco e num momento bem intimista, apenas voz e violão, Kiske manda ver "Let it Be" dos Beatles. Ficou bem legal e alguns presentes no refrão cantavam "Helloween, Helloween, Helloween, Helloween"... Deris assume os vocais na primeira parte acústica de "In The Middle of my Heartbeat", que na segunda parte ganha o instrumental completo, num dos mais belos momentos do show. E se falamos de belos momentos, o que dizer de " A Tale That Wasn't Right"? Assim como nos dois últimos shows da banda por aqui, Kiske pediu para que ligassem a lanterna do celular (como se fazia antigamente com os isqueiros) durante a execução da faixa, o que deu a ela uma "brilho" extra. A última faixa a ser tocada de "Giants and Monsters" foi a hard "A Little is a Little Too Much", que ao vivo também ganhou mais força. Kai Hansen assume o protagonismo novamente em "Heavy Metal (is the Law)", outra pérola do speed metal, relembrando os tempos de "Walls of Jericho". Pra fechar a primeira parte, a magnânima "Halloween", perfeita, intensa, pesada e com o dueto de vocais muito bem dividido entre Deris e Kiske. Os músicos agradecem e deixam o palco, como se agente não soubessem que eles voltariam...
O "Keeper" ressurge no telão anunciando que o show ainda não havia acabado e dá lugar a uma águia cibernética. É o sinal de que "Eagle Fly Free" seria a próxima música. Que coisa espetacular é presenciar a execução dessa faixa ao vivo. Balões gigantes, amarelos com o logo de 40 anos da banda surgem do nada no meio do público e ficam sendo jogados de um lado pro outro enquanto o grupo manda ver em um dos maiores clássicos da história da música universal! "Power", de "Master of the Rings" vem para mostrar que após a saída de Kiske, o Helloween sabia que ainda tinha muita lenha pra queimar, lançando uma de suas músicas mais "Helloween" de sua carreira. E pra fechar de vez o grande espetáculo, " Dr. Stein" cantada por todos a plenos pulmões foi o encerramento perfeito de um show praticamente perfeito. Banda e público em completa sintonia, setlist bem escolhido (exceção de "Into the Sun") e muita energia desses senhores na casa de seus 60 anos ( a maioria deles). Ainda tivemos, antes do fim, o refrão de "Kepper of the Seven Keys", que coroou essa grande apresentação.
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Um show ótimo, público satisfeito, mas algumas considerações importantes: achei o público de 2600 aquém daquilo que a banda merecia. Óbvio que a situação financeira do país não é nada boa, mas o show foi anunciado com bastante antecedência, ou seja, dava tempo de s e programar. Outro ponto: Michael Weikath. Se é verdade que está doente, deveria pensar em sua saúde e não fazer mais shows, por mais tristes que os fãs possam ficar. Até, pra voltra em melhores condições.
Mas nada disso tira o brilho de uma noite que celebrou os 40 anos dos pais do power metal melódico, de uma das maiores bandas do mundo: HELLOWEEN!
Obrigado Renata Gomes e EntreLike pelo credenciamento e recepção no show.
19/09/2026
SUHAI MUSIC HALL
SÃO PAULO/SP
Produção: Catto Comunicação/Mercury Concerts
Texto: Mauro Antunes
Fotos: Ricardo Matsukawa / Mercury Concerts
Após o brilhante texto acima do nosso redator-chefe, Sergiomar Menezes, o Rebel Rock seguiu com sua cobertura dos shows da turnê de 40 anos do Helloween aqui por nossas terras.
Passei o Sábado me preparando psicologicamente para o que iria ver a noite, almoço durante o trabalho, clássicos no Helloween em meu CD Player (nada de Spotify ou similares!) durante esse período, até que por volta das 18:30hs saí de casa rumo ao Suhai Music Hall, uma casa que não conhecia, e que fica bem distante para quem mora nas zonas Norte e Oeste, em especial. Apesar de ter acompanhado o show da Pista Premium, as áreas de mezanino e camarote parecem ser bem legais, e teremos lá, ainda esse ano, os shows do Deep Purple e a despedida (será mesmo!?) do Sepultura. Pretendo acompanhar esses shows em alguma posição dentre essas.
Mas voltando ao Helloween, entramos na casa por volta das 20hs, deu tempo pra fazer um lanche, com boas (e caras) opções no menu. Deu pra degustar aquela batata frita, e ainda havia muitas opções de salgados e hamburgueres. Ah, e tinha também uma caprichada banquinha de merchan mas com uma fila absolutamente insuportável; então, passei batido por ela.
Pontualmente, as 21hs os alto falantes começaram a tocar “Let Me Entertain You” do cantor Pop, Robbie Wiiliams (pra quem tiver curiosidade de ouvir, assista o clipe através do link:
youtu.be/ymPu2PdLW3I?is=NPCdvFSHII8ZGhi4), e quando “March of Time” começou a rolar, aquela sensação de voltar no tempo, me sentir jovem de novo, tomou conta de mim. E melhor ainda, ouvi-la na voz do mestre Michael Kiske, torna essa sensação ainda mais especial.
“The King for a 1000 Years” foi muita bem recebida pelo público, o que pra mim, foi ligeiramente surpreendente, já que o disco “Keeper of the Seven Keys – The Legacy” não é tão bem aceito pelos fãs em geral, o que eu, particularmente, considero uma tremenda injustiça. A última parte da saga das faixas de 13 minutos não deve nada às anteriores, e tem uma linha vocal muito bem criada por Andi Deris, e que ao vivo, Kiske entra pontualmente em algumas passagens. Sinceramente, foram 13 minutos que se passaram em menos de 5 minutos. Linda!




Logo após, Kiske e Deris agradeceram o show soldout e lembraram que este foi o último show da turnê de 40 anos, além de fazer o público berrar para que fossem os gritos mais altos que ouviram durante o período. Obviamente, como tinham a plateia nas mãos, os gritos foram realmente altos o bastante. E pra quem gosta das composições do mestre Kai Hansen, veio mais um hino criado por ele, “Future World”, que é impossível ficar indiferente a ele. Depois, veio a única faixa dispensável do setlist, a fraquinha “This Is Tokyo”. Uma pena a banda grudar nela por ser do disco novo, mas nele há coisas bem (e bota bem nisso...) melhores.
A pesadíssima “We Burn” testa ao limite a capacidade do sessentão Andi Deris e o cara não foge da raia. Uma das melhores performances do icônico frontman. “Twilight of the Gods” é mais um hit que todos cantaram junto, até “Ride the Sky” que é o momento onde Kai Hansen mais fica em evidência. O cara tem um carisma ímpar mesmo, fato é que apesar da música em questão ajudar, e muito, ele é capaz de colocar a plateia em suas mãos.
A balada “Into the Sun” que é daquelas que não compromete, mas também não empolga, acabou fazendo bem o papel de anteceder outro hino dos anos 80, “I’m Alive” executada pela primeira e única em toda a turnê comemorativa de 40 anos de vida do Helloween. Assim como para várias outras bandas grandes, São Paulo é uma cidade muito importante na carreira da banda alemã, taí a prova disso.
“Hey Lord!” é mais uma das faixas grudentas compostas por Andi Deris com uma veia mais comercial que os fãs em geral a abraçaram com carinho, então para a banda, mantê-la no set, parece ser quase um descanso para o hepteto no palco. É simples e o público adora!
“Universe (Gravity of Hearts) é um imenso destaque do trabalho mais recente, “Giants & Monsters” (2025), uma que veio pra ficar e que provavelmente fará parte do setlist da banda por um bom tempo; ela tem tudo o que os fãs mais gostam: é pesada, progressiva e melódica ao mesmo, refrão marcante e mais de 8 minutos de duração. Incrível como foi saudada pelo público. “I Want Out” é o arroz de festa que sempre agrada a todos, talvez o maior clássico da carreira do Helloween.
Aí veio aquele momento que todos esperavam ansiosamente: Kiske e Deris em versão acústica, e diferentemente do que aconteceu em Porto Alegre, a banda escolheu a clássica “Yesterdays” dos Beatles ao contrário da não menos clássica “Let It Be”, além de emendarem um trechinho de “Suspicious Minds” do Rei do Rock, Elvis Presley.
“A Tale That Wasn’t Right” teve sua primeira parte cantada de forma acústica por Kiske e Deris e a banda entrou na segunda parte da música e a levou até o fim. Talvez a melhor balada dentre as várias que o Helloween já gravou. Sempre um grande momento, e Kiske foi cirúrgico ao gravar as linhas vocais deste hino composto pelo guitarrista Michael Weikath.
As divertidas “A Little Is a Little Too Much” e “Heavy Metal (Is the Law)” antecederam mais um hino de 13 minutos de duração, a clássica “Halloween” que fechou a primeira parte do show como tem que ser, afinal ela é considerada pelo próprio Kai Hansen como a melhor composição de sua vida. Então, aqui, quase 40 anos depois, o que nós mais podemos falar sobre ela? Nada, basta ouvi-la repetidas vezes e entender o porquê o Helloween tornou-se o gigante que se tornou. Até aquele momento, ninguém no planeta era capaz de reproduzir o som que os caras ousaram criar.
Após a pequena pausa vieram mais 3 grandes pérolas: “Eagle Fly Free”, “Power” e “Dr. Stein” pra fechar uma noite que poderia durar até umas 5 horas da manhã, que ninguém iria ficar com sono. Ah, e antes do fim, claro, aquele trechinho de “Keeper of the Seven Keys” pra deixar todos com água na boca.
Bandas do porte do Helloween sofrem com a necessidade de montar um setlist que agrade a todos. Pérolas como “How Many Tears”, “A Little Time”, “Keeper of the Seven Keys”, “Kids of the Century”, “Sole Survivor”, e as mais recentes “Skyfall” e “Majestic” fazem falta, mas, obviamente, com tantos hinos escondidos dentro da extensa discografia dos alemães, não há como todos serem executados. Que pena!
Excetuando-se o caro preço de alimentos e bebidas da casa, e o volume do som que poderia (e deveria!) estar mais alto, todo o restante foi perfeito. Uma grande noite para todos os que lotaram a casa. A pista premium estava super lotada, a pista comum, idem. Mezanino e camarote, abarrotados, realmente o sold out se confirmou. Outro ponto a analisar, é que os sessentões da banda estão com pique de garotos, mesmo após essa extensa turnê com mais de 60 shows espalhados pelo planeta Terra.
Sempre digo aos amigos à minha volta: aproveitem bandas como o Helloween enquanto eles ainda estão na ativa, mesmo com ingressos caríssimos! Vê-los ao vivo é um deleite para quem os ama, e eu, caro leitor, me incluo nessa com louvor! Happy Happy Helloween! Nunca parem, por favor!