quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

GOREFEST - SOUL SURVIVOR & CHAPTER 13 (1996/1998 - 2025) - THE ULTIMATE COLLECTION PT. III

 


GOREFEST
SOUL SURVIVOR & CHAPTER 13 - THE ULTIMATE COLLECTION PT. III
Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional

Se as duas primeiras partes da Ultimate Collection do Gorefest documentaram o nascimento e o auge de um gigante do death metal, a Parte III é o som desse gigante derrubando o próprio templo. Focada nos álbuns Soul Survivor (1996) e Chapter 13 (1998), esta coletânea é o capítulo final e mais controverso da primeira vida da banda. É o registro de um grupo que, após atingir a perfeição em seu gênero, decidiu queimar tudo e dançar sobre as cinzas. Bem-vindos à era do "death 'n' roll" em sua forma mais pura e, para muitos, mais ultrajante. Este não é um mergulho na nostalgia; é uma autópsia. "Soul Survivor" e "Chapter 13" são os álbuns que alienaram a base de fãs purista do death metal e, ironicamente, levaram a banda à sua primeira separação em 1998. Ouvir esta coleção é entender como uma das bandas mais promissoras do metal extremo europeu cometeu um glorioso suicídio comercial, trocando a brutalidade pela rebeldia do rock clássico e o peso do metal pela ginga de bar. 

"Soul Survivor "(1996) pegou a fórmula iniciada em "Erase" e a injetou com uma dose cavalar de rock dos anos 70. Os riffs de death metal foram quase totalmente substituídos por um som que remete a Thin Lizzy, Black Sabbath e Motörhead. A produção é quente, orgânica, e os vocais guturais de Jan-Chris de Koeijer, embora ainda presentes, soam quase deslocados sobre uma base de hard rock. Músicas como "Freedom" e "Electric Poet" são cativantes, mas estão a um universo de distância do som que consagrou a banda. Para os fãs que embarcaram na jornada, "Soul Survivor" é um álbum corajoso e quase perfeito em sua proposta. É o som de músicos excepcionais explorando suas raízes. Para os headbangers que esperavam a continuação de False, foi uma traição. O álbum é, talvez, o mais alegre e otimista já feito por uma banda de death metal, uma anomalia que continua a dividir opiniões até hoje. 

Se "Soul Survivor" foi um passo ousado, "Chapter 13" (1998) foi um salto no abismo. Este é, sem dúvida, o "álbum de metal mais anos 90" já feito, no sentido de que reflete a crise de identidade que muitas bandas do gênero enfrentaram na época. É menos um álbum de death metal e mais um disco de rock pesado com um vocalista que se recusa a cantar limpo. A bateria de Ed Warby brilha com grooves de rock e prog, as guitarras têm um timbre valvulado e quente, e as letras abandonam completamente o horror para focar em comentários sociais e emoções. O álbum é charmoso à sua própria maneira. Faixas como a titular "Chapter 13" e a enérgica "Serve the Masters" são ótimas músicas de rock, mas não era isso que os fãs de Gorefest queriam. O resultado foi um misto de indiferença e abandono, e a banda se desfez logo após o lançamento, só retornando em 2004 com um som que buscava resgatar a agressividade perdida. 

O material bônus desta coleção é um vislumbre do processo criativo. As demos de Soul Survivor e Chapter 13 mostram as músicas em seu estado mais cru, enquanto as faixas ao vivo e remixes revelam a confiança da banda em seu novo som, mesmo que o público não estivesse totalmente a bordo. The Ultimate Collection Part III é para os completistas, para os historiadores do metal e para aqueles com a mente aberta o suficiente para apreciar uma banda se desconstruindo em tempo real. Não é onde você deve começar sua jornada pelo Gorefest, mas é um capítulo essencial para entender por que eles se separaram e por que seu retorno nos anos 2000 foi tão significativo. Esta coleção é o som de uma banda se libertando das correntes de seu próprio gênero, para o bem e para o mal. É o barulho de uma implosão criativa, um final de capítulo barulhento, confuso e absolutamente fascinante.

Jay Frost




OMNIUM GATHERUM - MAY THE BRIDGES WE BURN THE LIGHT WAY (2025)

 


OMNIUM GATHERUM
MAY THE BRIDGES WE BURN THE LIGHT WAY
Shinigami Records/Century Media - Nacional

Trinta anos de estrada não são pouca coisa. E, ao invés de soar cansado ou repetitivo, o Omnium Gatherum soa confortável na própria pele. Seguro. Confiante. Depois de flertar mais abertamente com estruturas progressivas em fases anteriores da carreira, os finlandeses parecem ter encontrado aqui um ponto de equilíbrio quase definitivo em “May the Bridges We Burn Light the Way”. O disco não tenta reinventar o death metal melódico, mas também não se limita a repetir fórmulas. Ele trabalha dentro do molde — e o faz com precisão.

A faixa-título funciona como um portal. Não é uma introdução orquestral genérica; é uma preparação direta, com riffs já carregados de intenção. Quando “My Pain” entra, o álbum revela sua verdadeira proposta: peso com propósito. Riffs afiados, bateria pulsando com energia renovada e aquela alternância vocal que se tornou uma das marcas da banda.
Jukka Pelkonen é o eixo central com seus guturais encorpados e cheios de identidade. Mas é impossível não destacar Markus Vanhala nos vocais limpos — eles não servem apenas ao refrão; surgem em momentos inesperados, quebrando previsibilidade e dando novos horizontes às músicas.

Como guitarrista, Vanhala também está em estado de graça. Sua guitarra é hipnótica e densa, sem soar artificial, e os solos — abundantes — nunca parecem exibicionismo gratuito. Há ecos de heavy metal clássico em certas passagens, especialmente em “Walking Ghost Phase”, que carrega uma aura quase espacial, como se fosse trilha sonora de uma epopeia oitentista filtrada pela melancolia finlandesa.
A base instrumental sustenta tudo com competência e sensibilidade. Atte Pesonen injeta velocidade e vitalidade na bateria, com bumbo duplo e viradas técnicas, mas curiosamente sem soar excessivo, no ponto certo. E isso é uma escolha inteligente: o peso do álbum vem da construção das músicas, não da brutalidade automática. O baixo cumpre seu papel no groove, enquanto os teclados de Aapo Koivisto optam mais pela ambientação do que pelo protagonismo — criando atmosfera sem disputar espaço com as guitarras.

“The Darkest City” é provavelmente o momento mais grandioso do disco. Longa, dinâmica e emocionalmente carregada, ela mostra a banda explorando nuances: começa vibrante, quase triunfante, e termina mergulhando em camadas mais densas, culminando em um solo incendiário que sintetiza o espírito do álbum. Já faixas como “Ignite the Flame” e “Barricades” equilibram agressividade e melodia com naturalidade impressionante. “Streets of Rage” flerta com uma melodia que pode soar um pouco óbvia, e a instrumental “Road Closed Ahead” encerra o álbum de forma mais contemplativa do que explosiva. É o tipo de música que mostra por que o Omnium Gatherum não é apenas “mais uma banda finlandesa de death metal melódico”.

Talvez o maior mérito de May the Bridges We Burn Light the Way seja não tentar soar jovem. É soar experiente. Maduro. Uma banda que entende que peso também pode ser elegante, que melodia não precisa ser fraqueza e que intensidade não é sinônimo de velocidade desenfreada.

William Ribas




ORBIT CULTURE - DEATH ABOVE LIFE (2025)

 


ORBIT CULTURE
DEATH ABOVE LIFE
Shinigami Records/Century Media - Nacional

A ascensão do Orbit Culture nunca foi acidental. Disco após disco, o quarteto sueco foi expandindo sua linguagem, refinando o peso, engrossando as camadas e ampliando a ambição. Com Death Above Life, quinto trabalho de estúdio, essa escalada atinge um novo patamar. Não se trata apenas de um passo à frente — é a consolidação de uma identidade que finalmente soa do tamanho da ambição da banda.

Se "Descent" (2023) trouxe riffs inspirados, mas sofreu com uma mixagem excessivamente comprimida e sufocante, aqui o grupo aprende com os próprios excessos. A densidade continua presente — e como continua — porém agora existe foco. O som ainda é uma muralha, mas uma muralha arquitetada com precisão. Cada camada encontra seu espaço dentro do caos. O impacto permanece brutal, só que mais inteligível, mais estratégico.

Musicalmente, "Death Above Life" é a síntese definitiva do que o Orbit Culture construiu até aqui. O peso cortante do deathcore, o groove quase mecânico, colidem com a herança do thrash dos anos 90 e a melancolia melódica do death metal sueco. A agressividade nunca sacrifica o senso de refrão — pelo contrário, eleva um degrau acima. É metal de escala monumental, com potência, mas ainda enraizado na herança visceral do underground.

A abertura com “Inferna” já estabelece o tom: riffs como fossem motoserra, bateria pulsando como engrenagens industriais e um refrão que cresce com imponência cinematográfica. A influência de trilhas épicas, trazem uma textura atmosférica que ampliam o drama sem diluir o peso. O vocalista Niklas Karlsson assume o centro dessa tempestade sonora com segurança. Seus guturais estão mais ferozes do que nunca, sangrando tímpanos com autoridade. Já os vocais limpos — cada vez mais proeminentes — graves, ásperos, carregados de personalidade. Em muitos momentos, essa escolha adiciona humanidade e melancolia às composições.

Quando a banda opta pela violência direta, o resultado é destruidor. “Bloodhound” e a faixa-título dispensam concessões: grooves massivos, ritmos sincopados que lembram Slipknot, riffs que esmagam como patadas de mamutes. Aqui, o Orbit Culture soa absolutamente confiante, técnico e impiedoso. São momentos em que o quarteto parece operar em capacidade máxima.
Mas o disco não vive apenas de brutalidade. “Hydra” carrega um peso industrial sufocante, com pausas calculadas e breakdowns prontos para incendiar os shows. “The Tales of War” e “The Storm” exploram construções atmosféricas que alternam tensão e liberação com eficiência cinematográfica. Já “The Path I Walk” mergulha em uma introdução mais introspectiva antes de crescer em intensidade, mostrando que a banda entende a importância de dinâmica e respiração.

Em suma, Death Above Life é, sem rodeios, o trabalho definitivo do Orbit Culture até o momento. É um disco sombrio, denso e tecnicamente irrepreensível que consolida a posição do grupo ao lado de gigantes.

William Ribas




DARK DIMENSIONS FEST II - FORBIDDEN, VIO-LENCE, VENOM INC E NEW DEMOCRACY - 08/02/2026 - BURNING HOUSE - SÃO PAULO/SP

 


DARK DIMENSIONS FEST II
FORBIDDEN
VIO-LENCE
VENOM INC
NEW DEMOCRACY
08/02/2026
BURNING HOUSE - SÃO PAULO/SP

Produção: Dark Dimensions
Assessoria: JZ Press

Texto e fotos: Fernando Aguiar

Em pleno domingo (08/02) e às vésperas do carnaval em São Paulo, tivemos uma tarde/noite memorável, praticamente um ode aos amantes do metal extremo. O Dark Dimensions Fest II, em parceria com a Dark Dimensions e a JZ Press Assessoria, trouxe o bloco do metal para uma casa diferente este ano: a Burning House. O local rapidamente se transformou em um verdadeiro caldeirão de energia, peso, fúria e caos (exatamente do jeito que um headbanger sedento gosta).

A abertura da casa, prevista para as 14h, acabou acontecendo por volta das 16h devido a um imprevisto de logística (nada que realmente atrapalhasse o rolê). Pelo contrário: nesse intervalo, a galera foi chegando sem pressa, colocando a conversa em dia, tomando aquela cerveja gelada e curtindo o som que rolava no Gaz Burning. Por lá, uma banda de rockabilly mandava muito bem e criou o clima perfeito para aquecer os motores antes da maratona de peso e brutalidade que viria pela frente.

E para abrir os trabalhos, tivemos o Brasil representado pelos mineiros do New Democracy, com seu death metal melódico, que despertou atenção de muitos dos presentes e para surpresa de todos, ainda trouxeram algumas participações especiais, como Iara Villaça (Alestorm Tribute) e Fábio Seterval (Exodus Tribute), mostrando que as escolhas foram certeiras, pois ambos contribuíram muito ao som e a performance da banda.

No set do New Democracy, faixas como “Zumbi”, “Born To Suffer”, “Nothing And Everything”, “Unexpected Projection”, “Modernization” e “Creation Of My Sin” deram o tom de um show intenso e cheio de identidade. A banda mostrou firmeza no palco, entrosamento e uma presença segura, mas o que realmente me chamou atenção foi a carga emocional das músicas, possuindo letras bem interessantes, que transitam entre críticas sociais e reflexões pessoais. Tudo isso embalado por riffs pesados e uma energia muito forte por parte da banda.

O público ainda estava naquele processo de aquecimento típico de começo de festival, meio observador, mas não demorou para a reação aparecer. Conforme o show avançava, já dava pra ver cabeças balançando em sincronia e uma galera se entregando ao som que saia dos PA’s. O New Democracy conseguiu conquistar a atenção de quem estava ali e mostrar que peso e conteúdo podem andar juntos.


Por volta das 17h, a temperatura do festival subiu de vez quando o Venom Inc. tomou o palco. A partir dali a sensação era de que a parada tinha começado a ficar séria de verdade. O trio britânico não precisou de muito tempo para dominar o ambiente, bastaram os primeiros riffs para a Burning House virar um inferno musical.

O set foi uma aula de metal extremo raiz. Quando as obrigatórias como “War”, “Inferno”, “Countess Bathory” e “Black Metal” apareceram, a reação do público foi instantânea. Era impossível ficar parado. O público respondeu com gritos, punhos erguidos e os primeiros moshs mais sérios da noite começando a ganhar forma.

O que chamou a atenção no Venom Inc. é como eles equilibram peso com proximidade. Não é aquela banda distante no palco, existe troca o tempo todo. Em vários momentos eles brincaram com a plateia, distribuíram palhetas e criaram um clima de celebração coletiva. Teve até Jack Daniel’s circulando entre palco e pista, num daqueles momentos que viram história pra quem estava mais próximo do palco. E para este que vos escreve, este momento se tornou mais especial ainda, pois tive a honra de compartilhar o “néctar” com Dolan e outros fãs que estavam próximos, que momento!

A apresentação teve também seus respiros instrumentais, com solos que mostraram que, além da atitude, há muita musicalidade ali. “In Nomine Sathanas” foi um dos grandes picos do show, cantada quase em uníssono pela casa e quanto apareceram outras, igualmente clássicas, como “Bloodlust”, “Blackened Priest”, “Time To Die” e “Sons Of Satan”, o clima ficou ainda mais carregado, deixando ainda mais o ar de que todos estavam diante de um verdadeiro ritual ocultista.

Visualmente, o cenário ajudava a compor a atmosfera, ainda mais com a imagem de (Deus) Lemmy ao fundo em uma bela homenagem às origens do som pesado. No fim das contas, o Venom Inc. entregou exatamente o que se espera de veteranos desse calibre: som alto, pesado, presença forte, cativante e uma conexão genuína com quem estava ali. Foi aquele tipo de show que não depende de produção mirabolante, é simplesmente atitude, história, o volume mais alto possível e o caos ta feito.



Quando o relógio se aproximava das 19h, veio aquele momento em que o festival dá uma virada de chave. O Vio-Lence entrou em cena e, dali em diante meus amigos, o que vimos foi uma aula de caos e thrash metal e que alcançou níveis insanos. Se antes o público já estava animado, agora a pista virou território de guerra: rodas abrindo sem parar, crowd surf rolando (inclusive este que vos escreve) e aquela atenção redobrada pra não ser surpreendido por algum movimento mais empolgado da galera.

A entrada da banda já mudou o clima da casa. Existia uma “tensão” boa no ar, de expectativa mesmo. Sean Killian é um frontman que naturalmente puxa o foco pra si (não por exagero, mas pela postura e pela forma como conduz o show). Ele fazia questão de contato direto com quem estava mais próximo do palco, cumprimentando fãs e mantendo uma troca constante de energia.

O detalhe curioso era como ele segurava a atenção da casa inteira com naturalidade. A camisa laranja acabava virando um ponto de referência no palco, mas o que realmente prendia o olhar era a entrega. Ele conduziu o público como quem guia uma multidão numa catarse coletiva, e a resposta vinha na mesma intensidade. Um dos momentos mais legais foi quando a banda recebeu uma bandeira do Brasil com a arte de Eternal Nightmare. Eles exibiram com orgulho e, ao final, Sean guardou a bandeira com cuidado, um gesto que parece simples, mas que mostra total respeito por quem acompanha a banda por aqui.

Musicalmente, o show foi direto ao ponto. Abrir com “Eternal Nightmare” já colocou todo mundo no modo thrash ativado. Na sequência vieram “Serial Killer”, “I Profit” e “Officer Nice”, mantendo o nível lá em cima. “Phobophobia” virou praticamente um coral coletivo, com a galera berrando cada verso.
O repertório ainda contou com “Kill on Command”, “Calling in the Coroner”, “Bodies on Bodies”, “Upon the Cross” e o fechamento com “World in a World”, encerrando o set de forma esmagadora. O som era seco, agressivo e sem rodeios, exatamente como o thrash da Bay Area pede.

E este show foi o último da turnê sul-americana e dá pra dizer, com certeza absoluta, que se despediram em grande estilo. Quem estava ali certamente saiu com a sensação de ter visto um show daqueles que ficam na memória.



Pontualmente às 20h30 chegou a vez dos anfitriões da noite. O Forbidden tinha uma missão nada simples: manter o nível caótico deixado pelo Vio-Lence. Mas estamos falando de um dos gigantes do thrash bay area e eles não só mantiveram a chama acesa como jogaram mais querosene ainda onde já estava pegando fogo.

Desde os primeiros minutos já dava pra perceber que o fechamento seria à altura. Carismáticos, soltos e claramente curtindo o momento, os músicos dominaram o palco com naturalidade. A resposta da plateia veio na mesma medida: rodas abrindo sem parar, gente cantando a plenos pulmões e uma pista que já não conhecia mais a palavra “calma”. Na maioria das músicas, larguei o papel de observador e acabei entrando nas rodas, simplesmente porque não dava pra ficar parado diante daquele turbilhão de riffs e energia.

Se existia uma forma melhor de terminar o domingo, naquele momento eu realmente desconhecia.
Durante o show, baquetas e palhetas voavam em direção ao público, que se dividia entre prestar atenção em cada detalhe e garantir uma lembrança física da noite. Uma bandeira com os integrantes do Forbidden em versão “South Park” apareceu aberta na pista (que também ajudei a segurar) e arrancou aplausos da banda, mostrando mais uma vez a proximidade entre banda e a galera.

Essa conexão ficou evidente o tempo todo. Os músicos frequentemente se aproximavam para cumprimentar o público e agradecer. E aqui vai mais um elogio a Burning House, que facilita esse contato mais direto com as bandas.

O repertório veio carregado de momentos marcantes e calcados nos clássicos Forbiden Evil e Twisted Into Form. “Infinite”, “Out of Body”, “March Into Fire” e “Twisted into Form” mantiveram o nível altissimo. Quando entraram “Forbidden Evil”, “Divided by Zero”, a casa já estava completamente entregue, mas foi em “Step by Step” o ponto mais alto do show, onde a galera cantou, agitou, fez roda e stage down insanamente (e eu novamente estava no meio desse caos todo ). O encerramento veio com “R.I.P.”, “Through Eyes of Glass” e “Chalice of Blood”, que também foi cantada em uníssono e que (infelizmente) colocou um ponto final na noite.




O Dark Dimensions Fest II foi, sem dúvida alguma, melhor que a primeira edição (que também estive presente), principalmente pela aula de Thrash Metal que tivemos a oportunidade de presenciar, fora a celebração de outras vertentes mais agressivas do metal. Mais do que isso, foi lindo ver gerações diferentes dividindo o mesmo espaço, se apoiando nas rodas, cantando juntas e mostrando que a cena segue viva. A galera mais jovem e veteranos lado a lado, unidos pelo mesmo amor ao som pesado. O saldo é de uma tarde/noite é que acabou entrando na lista dos shows mais memoráveis que presenciei em mais de 25 anos comparecendo em shows. Público, bandas, casa e produção contribuíram para que o evento tivesse clima de ocasião especial. Grandes nomes no palco com um objetivo simples e poderoso: entregar a melhor experiência sonora possível.

E não poderia finalizar essa resenha sem antes agradecer novamente a Dark Dimensions, JZ Press, especialmente a Burning House (de meus amigos Denise e Bruno) pela organização de um evento desse calibre. Afinal, foi uma daquelas datas que reforçam porque o metal continua sendo mais que música. E depois de vários giros no mosh, stage down e muita cantoria, fica a certeza: foi vivido da forma que um festival desses merece.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

ELVENKING - READER OF THE RUNES: LUNA (2025)

 


ELVENKING
READER OF THE RUNES: LUNA
Shinigami Records/Reaper Entertainment - Nacional

Confesso que sempre que vejo o rótulo “Folk Metal” fico meio avesso a uma audição do trabalho de alguma banda do estilo. Pode ser preconceito ou má vontade, mas é uma coisa que tento trabalhar para não acabar sendo injusto com bandas e artistas de estilos que não costumo apreciar/acompanhar.

E foi assim que peguei para ouvir o novo álbum dos italianos do Elvenking. “Reader Of The Runes: Luna”, que fecha a trilogia “Reader of The Runes” que teve inicio em 2019 com “Reader Of The Runes: Divination” e a sequência com “Reader Of The Runes: Rapture” (2023).

Desde o inicio o que salta aos olhos é a qualidade da produção e a apurada técnica de todos os músicos, com passagens intrincadas que vão desde bases heavy metal beirando o Thrash, a passagens lúdicas cheios de nuances de rock progressivo e até música clássica, isso com uma agressividade superior ao que eu conheço do estilo.

A faixa “Luna” é o maior destaque e foi aquela que voltei para ouvir novamente por mais de uma vez. Pois tem passagens que lembram o Helloween clássico e o Iron Maiden fase “Somewhere In Time”. Mas calma, lembram mas bem de longe. “Gone Epoch” outra faixa que chama atenção, seja pela ótima atuação do vocalista Damna, seja pelo arranjo cheio de corais e riffs muito bem construídos.

Enfim, uma ótima surpresa para quem não conhecia a banda, como eu. Para fãs da banda e do estilo, creio que seja o álbum perfeito. Lançamento nacional Shinigami Records.

José Henrique Godoy