sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

SEPULTURA - ROOTS 30 ANOS - UM MARCO DO METAL BRASILEIRO E MUNDIAL


 SEPULTURA - ROOTS 30 ANOS - UM MARCO DO METAL BRASILEIRO E MUNDIAL

Por William Ribas


I believe in our fate
We don't need to fake
It's all we wanna be
Watch me freak

Quando Roots explodiu, eu já tinha a minha "carteirinha de fã". Em 1996, para onde quer que olhássemos, estava escrito o nome Sepultura. Nas revistas, especializadas ou não. Na televisão, fosse na MTV, na Cultura ou no SBT, ali estavam Max, Iggor, Andreas e Paulo.

Dia 20 de fevereiro: o dia em que o metal gritou em português (e em dialeto indígena)

Lembro de assistir a “Roots Bloody Roots” no Disk MTV. De bater cabeça com “Attitude” ou “Ratamahatta” no programa Fúria Metal, do Gastão Moreira. Quantas foram as vezes que berrei: “Vamos detonar essa p***! É, p***!

Obviamente que no auge dos meus 12 anos estranhava o Carlinhos Brown ali (risos). Com esse lançamento, o Sepultura — que já vinha numa enorme crescente — simplesmente explodiu. A afinação baixou, mas o peso aumentou. Os solos quase sumiram, mas a "barulheira" cresceu. O groove, os refrãos, a batida nacional: os quatro integrantes jogaram a brasilidade dentro do liquidificador e criaram algo único. Esfregaram para o mundo as suas origens.

Roots não é thrash. Não é death. Não é exatamente nu metal — embora muita gente insista em reduzi-lo a isso. Ele é um choque cultural amplificado. É um groove pesado atravessado por ritmos tribais, berimbau e cantos indígenas.

Iggor Cavalera transforma o álbum em um campo de batalha rítmico. Cada batida tem um peso de uma pata de elefante. Não é exagero dizer que a percussão em Roots é tão protagonista quanto os riffs. O curioso é que o álbum é político sem ser panfletário. Ele fala de resistência, opressão, identidade e sobrevivência sem virar discurso partidário. A raiva aqui não é gratuita.

Para muitos, Roots não é perfeito (e eu me encaixo nessa), afinal, ele não é linear. Temos músicas fortíssimas além dos singles, como “Cut-Throat”, “Breed Apart”, “Spit” e “Lookaway”, dividindo espaço com faixas que alguns consideram pausas desnecessárias, como “Jasco”. Uma pausa em meio ao caos? Pode ser. Mas até essas pausas contribuem para a narrativa: eles respiram, ritualizam e preparam o próximo impacto.

Em Chaos A.D., o Sepultura apresentou a intrigante “Kaiowas” — uma certa dose do que poderia estar por vir logo à frente. Não existe música que traga mais toda a simbologia ancestral de Roots do que “Itsari”. A banda gravou com a tribo Xavante no meio da “selva”, passando por rituais como a pintura dos corpos e danças, literalmente adentrando o mundo indígena naquele momento.

O disco também encerra um ciclo histórico. Foi o último capítulo da era clássica com Max nos vocais. Depois dele, nada seria igual.

Trinta anos depois, por que Roots ainda importa?
Porque ninguém soou igual antes. E ninguém conseguiu soar igual depois.
Nem o próprio Sepultura. Nem o Soulfly. Nem o Cavalera Conspiracy.

São 30 anos de um marco brasileiro, que redefiniu expectativas e colocou o Brasil no mapa da música pesada de maneira incontestável e eterna.

Attitude and Respect!




quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

HYPOCRISY - A TASTE OF EXTREME DIVINITY (2009/2025) RELANÇAMENTO

 


HYPOCRISY
A TASTE OF EXTREME DIVINITY
Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional

A Taste of Extreme Divinity não pede licença. Ele entra com dois pés na porta. Como se o Hypocrisy ainda precisasse provar algo — mesmo não precisando provar absolutamente nada. Em 2009, quando muita banda do death metal melódico já parecia perdida entre modernizações forçadas e fórmulas recicladas, Peter Tägtgren simplesmente fez o que sempre soube fazer: escrever riffs que cortam, atmosferas que sufocam e músicas que pesam de verdade.

“Valley of the Damned” já deixa claro que não há aquecimento. É uma “bicuda” direta. A guitarra vem seca, agressiva, e a bateria explode sem rodeios. Tägtgren soa feroz — o Hypocrisy soa como deve ser. E o mais interessante é que essa fúria não parece artificial. Parece natural. O gutural grave continua monstruoso, mas os vocais mais agudos, quase desesperados em alguns momentos, adicionam uma camada de tensão que deixa tudo mais instável, mais nervoso.

O Hypocrisy sempre soube equilibrar brutalidade e melodia sem soar adocicado. Aqui isso aparece de forma cirúrgica. “Weed Out the Weak” e a faixa-título são ataques frontais — rápidas, cortantes, com riffs que parecem empurrar a música para frente o tempo todo. Já “Solar Empire” e “No Tomorrow” trabalham aquele andamento médio esmagador, aquele groove pesado que não depende de velocidade para funcionar. Você não apenas escuta — você bate-cabeça.

Mas aqui vai a parte honesta: o disco é forte do começo ao fim… talvez até forte demais de maneira uniforme. Não há uma faixa que vire um clássico absoluto. Não existe aquele momento que vira obsessão instantânea. Tudo é bom — muito bom — mas falta aquele pico emocional que te faz voltar compulsivamente para uma música específica.

Ainda assim, é impossível negar: o Hypocrisy aqui soa vivo. Não soa cansado. Não soa tentando agradar ninguém. Soa como uma banda confortável na própria brutalidade e zona de conforto. Não é o ápice da carreira, mas também está longe de ser um passo automático.

No fim das contas, A Taste of Extreme Divinity é um álbum que mostra maturidade sem acomodação. É um disco seguro, sólido, pesado e honesto.

William Ribas




HYPOCRISY - VIRUS (2005/2025) RELANÇAMENTO

 


HYPOCRISY
VIRUS
Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional

Por que caminhamos pelo vale da mediocridade? Para que o retorno ao topo seja ainda mais glorioso. Para qualquer fã de longa data do Hypocrisy, o início dos anos 2000 foi, no mínimo, confuso. Após álbuns experimentais que deixaram uma cicatriz na discografia — sim, estamos apontando o dedo para você, Catch 22 — Peter Tägtgren parecia ter “perdido o rumo”. Mas então veio 2005 e, com ele, Virus.

Bastaram poucos segundos após a breve “XVI” para perceber que um verdadeiro ataque vinha na direção dos fãs. “Warpath” não começa; ela detona. O riff principal carrega aquela combinação perfeita de peso e impacto, enquanto a bateria soa mais urgente do que em qualquer trabalho recente da banda. A entrada de Horgh (ex-Immortal) não foi apenas uma troca de integrante — foi uma transfusão de sangue novo. Os blast beats são secos, controlados, mas violentos, e as viradas quebram a previsibilidade que, por vezes, rondava os discos anteriores. O Hypocrisy sempre dominou o andamento cadenciado, quase marcial, mas aqui há mais velocidade, mais tensão acumulada sob cada compasso.

Tägtgren soa como um homem determinado a provar algo — talvez aos fãs, talvez a si mesmo. Os vocais estão mais profundos, rasgando com uma intensidade que remete à crueza do início da carreira, mas sem perder definição. Mesmo em meio à brutalidade, há clareza e controle.
O mais impressionante é que Virus não soa como uma tentativa desesperada de agradar. Ele parece natural, como se a banda tivesse finalmente se lembrado de quem sempre foi. Faixas como “Scrutinized” e “Blooddrenched” trazem riffs old school e uma pegada “bate-cabeça” instantânea, enquanto “Fearless” funciona como uma ponte perfeita para os fãs antigos, ecoando a grandiosidade de clássicos como “Roswell 47”, mas com uma roupagem moderna. Há nuances que continuam a surgir mesmo após semanas de audição — contrapontos de baixo em “Let the Knife Do the Talking” e texturas de guitarra que criam aquela atmosfera apocalíptica tão característica da banda.

O álbum se encerra com a polêmica, porém brilhante, “Living to Die”. Aqui, Peter utiliza os vocais limpos não para suavizar, mas para intensificar uma atmosfera de desolação nostálgica. É um fechamento emotivo para um disco que passou quarenta minutos tentando arrancar sua cabeça.

Vinte anos depois, a infecção continua letal. Se você ignorou este álbum na época por causa dos tropeços anteriores da banda, é hora de corrigir esse erro. A Shinigami Records recoloca no mercado um trabalho que prova que o Hypocrisy não apenas sobreviveu ao seu período sombrio — emergiu dele mais forte, mais rápido e, definitivamente, mais letal.

William Ribas




terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

REBEL ROCK RESEARCH - ANTHRAX


 REBEL ROCK RESEARCH - ANTHRAX 

O ANTHRAX é uma instituição do Heavy Metal. Talvez, os mais radicais torçam a cara pelo fato do grupo ter misturado rap em algumas faixas, ou por ter usado bermudas e roupas coloridas fugindo do estereótipo "banda mau de metal". Mas é inegável que o grupo, em seus mais de 40 anos de carreira, proporcionou aos apreciadores da boa música, álbuns sensacionais sem nunca ficar se preocupando o que pensariam a seu respeito. Algumas trocas de formação durante esse período também ocorreram mas sem que o grupo perdesse sua relevância dentro do cenário. Se lá no começo, com Neil Turbin nos vocais e Danny Lilker no baixo o grupo já dava mostras de seu enorme potencial, as entradas de Joey Belladona e Frank Bello fez com que o lado mais "melódico" do quinteto se mostrasse de forma mais direta e consolidou o "Anthrax Sound". Mais pra frente, John Bush assumiu os vocais e deu nova vida ao grupo, mesmo com a saída do "baixinho gigante" Dan Spitz e a entrada do ótimo guitarrista Rob Caggiano. Com o retorno de Belladona e a entrada do guitarrista Jonathan Donais, o grupo retomou o caminho daquela sonoridade mais típica e segue atuante nos dias de hoje. O REBEL ROCK RESEARCH dissecou a discografia (de estúdio) do grupo, ranqueando seus álbuns do mais fraco ao melhor e o resultado você confere abaixo.

Por Sergiomar Menezes

14º - VOLUME 8: THE THREAT IS REAL (1998)


Tá aí um álbum que eu faço um mea culpa. Nunca prestei atenção, seja na época de seu lançamento, seja tempos depois. Mas a verdade é que VOLUME 8: THE THREAT IS REAL é um trabalho que apesar de soar um tanto quanto estranho, tem sim seus bons momentos. O grupo vivia um momento conturbado, pois o guitarrista Paul Crook não se encaixava muito naquilo que o grupo precisava (ele ainda atuou como produtor ao lado da banda). Assim, o resultado é bem desequilibrado pois se temos alguns bons momentos como a abertura com "Crush", "Catharsis" (uma faixa que podia ser resgatada pela banda), "Toast to the Extras", uma espécie de country que soa um pouco deslocada mas nem por isso deixa de ser legal, e  "Inside Out", também temos outros momentos pouco inspirados como "P & V", "Born Again Idiot", "Big Fat" e "Cupajoe". De forma resumida, o maior pecado de VOLUME 8 é ser experimental e um tanto quanto confuso. O álbum tenta atirar para todos os lados, passando pelo rock alternativo e indo ao thrash, resultando em um trabalho irregular. E, como já citado, possui problemas de produção e identidade. Não é um desastre, mas falta inspiração. Mas, se você é como eu e não deu muita atenção ao álbum, escute de novo. Pode ser que você encontre os mesmos bons momentos que eu achei.



13º - STOMP 442 (1995)


Confesso que STOMP 442 se diferencia de seu sucessor (Volume 8: The Threat is Real) por um simples fato: "Fueled". Que música meus amigos. Que música! Sem dúvida, uma das melhores da fase John Bush. Intensa, rápida e certeira, a faixa é o maior de destaque do álbum que também traz outros bons momentos. Mas fica bem nítido que o grupo estava numa fase de transição, mesmo com a boa aceitação de "Sound of White Noise" (1993), primeiro álbum com John Bush. Dan Spitz havia deixado a banda e Paul Crook assumiu a maior parte das guitarras. "Randoms Acts of Senseless Violence" (escrita por Paul Crook), "King Size" (escrita pelo saudoso Dimebag Darrel) e "Riding Shotgun" (também escrita por Darrel em parceria com Crook) se destacam, mas também podemos citar "Nothing" e "American Pompeii". Podemos dizer que é um álbum agressivo, mas que sofreu com a falta de apoio da gravadora e a mudança no direcionamento musical na época. Apesar de agressivo e seco, é um trabalho pouco memorável. Reflete a dificuldade do thrash em sobreviver à era grunge e tudo mais que envolvia o cenário musical à época.



12º - ANTHEMS (2013)


Álbum de covers entra? E se for EP? Como aqui quem manda é quem está escrevendo, álbum de covers entra sim... hahaha. E eu particularmente, não considero ANTHEMS um EP, como a própria banda registar em sua discografia, pois temos aqui 8 faixas, o que muitas vezes é mais do que alguns álbuns. Mas o que importa é que o trabalho não é dos mais inspirados, ainda que as versões tenham ficado bem interessantes. "Anthem " cover do Rush ficou bem legal, pois sabemos que o Anthrax consegue incorporar sua personalidade em faixas que regrava, e aqui não foi diferente. "TNT" do AC/DC também ficou bacana, mantendo a energia e atmosfera da original. Já "Smokin'" (Boston) e "Keep on Runnin'" (Journey) ficaram legais mas não acrescentam muito. O Cheap Trick não foi esquecido e "Big Eyes" ganhou uma versão de respeito enquanto "Jailbreak" do Thin Lizzy ficou interessante, e mostra a versatilidade de Belladona. O disco encerra com "Crawl" em duas versões, a presente em "Worship Music" e um remix que não mostrou nada de novo. Não é descartável, muito pelo contrário. Mas não vai mudar sua vida se não fizer parte da sua coleção.



11º - ATTACK OF THE KILLER B's (1991)


Aí você deve estar pensando: "O que faz uma coletânea entre os álbuns regulares da banda? Pois bem, ATTACK OF THE KILLER B'S não é uma simples coletânea, tipo "Best of", "Greatest Hits" e afins. Trata-se de um trabalho com lados B's, covers, faixas ao vivo e raridades da banda lançada após a saída de Joey Belladona e antes da entrada de John Bush na banda. Talvez você pense que seja apenas um tapa buraco, mas meu amigo, um álbum que traz em seu tracklist "Bring The Noise", faixa gravada dos rappers do Public Enemy, que ganhou uma dose extra de peso e que se tornou um dos maiores singles do Anthrax, não pode ser considerada de forma pejorativa. Dentro do cenário de covers, temos ainda "Milk(Ode to Billy) e "Chromatic Death", do S.O.D., banda/projeto da qual Scott Ian é integrante, "Protest and Survive" do Discharge, "Parasite", do KISS, "Pipeline", do Chantays e "Sects" do Trust, além de uma nova versão para "I'm the Man", que, sinceramente, não ficou muito legal. Entre as raridades, temos "Startin' Up a Posse", uma faixa com a cara do Anthrax. Mesmo que não seja um trabalho regular dentro da discografia do grupo, decidi colocá-lo aqui, principalmente porque as faixas presentes não se encontram nos outros álbuns, tornando-se até então, inéditas em um full lenght. Difícil de ranquear um trabalho assim, mas vale a aquisição!



10º - FISTFUL OF METAL (1984)


Pode ser que eu não seja compreendido aqui, pois sei que muitos fãs tem em FISTFUL OF METAL um dos melhores álbuns do ANTHRAX. Mas, como estamos tratando aqui de opinião, e ela é pessoal, e assim, coloco ele nessa décima posição. Neil Turbin nos vocais entrega aqueles agudos clássicos, e faixas como "Metal Thrashing Mad" definiram o termo THRASH. É um começo sólido, embora a banda ainda não tivesse encontrado sua identidade visual e sonora definitiva. Podemos até, de certa forma, afirmar que o trabalho é mais próximo da NWOBHM do que do thrash que consagraria a banda. Ouça e "Panic" e me diga se você não ouviu nada de Iron Maiden por ali... ou ainda "Subjugator" com seu ar "pristeniano". "Howling Furies" e "Death From Above" seguem essa mesma linha. Mas não podemos esquecer de "Deathrider" que abre o álbum e se tornou uma das músicas mais animais da história do Anthrax (veremos isso um pouco mais pra frente). Temos ainda o cover de "I'm Eighteen" do mestre dos mestres, Alice Cooper, que ficou bem ao estilo do grupo. Enfim, um bom álbum que marcou o início da trajetória do grupo.



9º - WORSHIP MUSIC (2011)


Sétimo álbum de estúdio do ANTHRAX, WORSHIP MUSIC lançado em 2011, marca o retorno de Joey Belladona aos vocais do grupo e também a despedida de Rob Caggiano, guitarrista que formava uma bela dupla com Scott Ian. Também produtor da bolacha, Caggiano deu vida nova à banda, o que ficou evidente em "We've Come For You All" (2003 - e que será o tema daqui a pouco). No entanto, "Worship Music", por mais que tenha trazido Belladona de volta e traga em seu tracklist faixas "Earth on Hell", pesada e intensa, já mostra que Belladona não perdeu seu poder vocal enquanto "The Devil You Know" e "Fight 'Em 'till You Can't" mostram o bom e velho Anthrax de sempre, principalmente a última. Com riffs e aqueles vocais característicos, a faixa é aquela que meu amigo perguntou se eu já tinha ouvido lá na época de seu lançamento. E não é que realmente ela parece ... ANTHRAX! Não tenho medo de afirmar aqui que essa é a melhor composição do grupo após o retorno de Belladona. E pensar que após a saída de John Bush, Dan Nelson foi cogitado para seu lugar e chegou até mesmo agravar algumas faixas com o grupo. Nada contra o cara, até mesmo porque eu não ouvi nada com ele, mas o que temos aqui é aquilo que sempre esperamos ouvir do grupo: THRASH METAL como só o Anthrax sabe fazer!



8º - FOR ALL KINGS (2016)


O mais recente full lenght do ANTHRAX está completando 10 anos! Como o tempo passa! De lá pra cá o grupo já comemorou seus 40 anos de carreira e rolam rumores de que podemos ter um novo álbum muito em breve. FOR ALL KINGS é um álbum forte, denso com ótimas músicas e que reforça que o retorno de Belladona, ainda que com algumas restrições (por parte deste que vos escreve), foi sim acertado. Melodia e velocidade, tudo aquilo que fez do Anthrax uma das bandas mais legais dentro do estilo. Lembro que certo vez, um amigo me perguntou, quando da volta de Belladona: "E aí, ouvi a música nova do Anthrax? E como tá?", no que eu respondi: "Cara, tá Anthrax!" E é isso que a gente espera: a mão direita de Scott Ian trabalhando em riffs insanos enquanto Frank Bello e Charlie Benante formam uma das cozinhas mais fodas e injustiçadas do metal. Faixas como "You Gotta Believe", que abre o álbum de forma magistral, "Evil Twin", "Breathing Lightning" e a pesada e arrastada "Blood Eagle Wings" mostram que o quinteto segue sendo relevante nos dias de hoje. Levemente superior ao seu antecessor (Whorship Music), o trabalho é um resgate e um a afirmação de que o THRASH do grupo segue firme e forte.



7° - SPREADING THE DISEASE



À partir daqui, ficou complicado de escolher quem ficaria na frente de quem, exceto pelo pódio. Mas, já que tenho que escolher, SPREADING THE DISEASE, primeiro álbum com Joey Belladona, lançado em 1985 é um trabalho recheado de clássicos que se tornaram hinos imortais. Imagine um trabalho que abre com "A.I.R", uma rifferama linda, onde Bellladona já mostra a que veio com uma voz mais melódica que a de Neil Turbin, mas que nem por isso deixa de soar marcante. "Lone Justice", que começa com um baixo pesado, cortesia do também estreante Frank Bello, traz ainda uns poucos resquícios da NWOBHM, mas sem exageros. O que dizer dos riffs de "Madhouse" ou do seu hilário videoclipe? Uma das crias da Megaforce e de seu mentor Jon Zazula, o Anthrax aqui mostrou que vinha para se tornar uma das maiores bandas do estilo, o que veio a se confirmar no seu trabalho vindouro. Temos ainda como destaques "The Enemy", que realça o bom entrosamento entre Benante e Frank Bello, talvez por serem tio e sobrinho, respectivamente, "Medusa" e a fantástica "Gung-Ho"! Que pedrada na mente! Tendo jon Zazula na produção e Alex Perialas como engenheiro de som, "Spreading the Disease" é um trabalho que mostrou (e até hoje mostra)uma banda que sabia onde queria chegar.



6º - SOUND OF WHITE NOISE (1993)


A primeira vez que ouvi SOUND OF WHITE NOISE, não curti o álbum. Mas isso também aconteceu com outros dois trabalhos que hoje estão entre meus discos preferidos de todos os tempos: "Nevermind the Bollocks... Here's the Sex Pistols" (vocês sabem de quem) e "Mondo Bizarro" do Ramones. SOWN traz um ANTHRAX renovado com a presença do melhor vocalista que passou pelo grupo, o excepcional John Bush. Uma sonoridade pesada, moderna e intensa fez do grupo um pouco incompreendido à época, principalmente pelas viúvas de Belladona que não aceitavam que agora a banda estava buscando soar um pouco diferente daquilo que fazia. Logo de cara, a produção de Dave Jerden salta a frente pois as guitarras estão soando mais pesada e viscerais. Mas é impossível não dizer que quem fez a diferença foi Bush. O que dizer de sua performance em "Only", uma das músicas amis perfeitas já feitas dentro do metal, segundo ninguém mais ninguém menos que James Hetfield? E "Room For One More", que também mostra uma banda tentando se "modernizar" sem perder sua essência entregando outra grande faixa?  "Potter's Field", "Packaged Rebellion", "Invisible" e "C11 H17 N2 O2 S Na" e "This is Not an Exit", são outros grandes momentos de um trabalho que apesar de trazer uma transição, se mostrou forte, honesto e acima de tudo, pesado!



5º - STATE OF EUPHORIA (1988)


Não foi fácil vir na sequência de "Among the Living". E esse peso caiu todo em cima de STATE OF EUPHORIA. Quarto álbum de estúdio da banda, ele chegou cercado de expectativas, que pelo menos ao meu ver, correspondeu sim ao que foi esperado. Obviamente que não se compara ao seu antecessor, mas possui carisma, qualidade e músicas fantásticas coma que abre o play. "Be All End All", com seus riffs inconfundíveis e que muito tempo depois seriam copiados por um dos grandes nomes do death metal mundial ( a saber, o Behemoth). Faixa imprescindível para quem quer conhecer o que é uma música que soa como Anthrax. Já "Out of Sight, Out of Mind", é uma "prima/irmã" de "Caught in a Mosh", pois traz a mesma energia da citada e um refrão que fica na mente logo na primeira audição. "Make me Laugh" é mais pesada e traz um Belladona buscando novas regiões vocis e que ficaram bem encaixadas na faixa. E como não citar "Antisocial" cover d abanda francesa Trust, da qual o batera Nicko McBrain (Iron maiden) fazia parte? E com todo respeito aos franceses, essa faixa deixou de pertencer a eles há muito tempo... E ainda temos "Misery Loves Company", "Now It'sdark" e "Finale", que temperam ainda mais o molho de álbum que vale cada centavo investido.



4º - PERSISTENCE OF TIME (1990)


Em PERSISTENCE OF TIME, o ANTHRAX assumiu uma faceta mais séria. Não que o grupo não fosse, mas tudo aqui já dava mostras que o quinteto buscava uma sonoridade um pouco diferente, mas sem perder sua identidade. E sendo esse o último trabalho com Belladona nos vocais (até sua volta em 2011), presumo que isso tenha sido um dos tantos motivos que motivaram sua saída. Mas falando das músicas, o álbum é um grande trabalho, desde a cozinha, passando pelas guitarras e pelo próprio vocalista, que nos entrega uma grande performance vocal. Scott Ian e Dan Spitz formavam à época uma das principais duplas do estilo, o que se comprova logo na abertura com "Time", com quase sete minutos, antecede "Blood", que rompe essa barreira, mas não sentimos o tempo passar, tamanha a capacidade do grupo em nos prender dentro da composição. No entanto, o grande momento do disco vem na sequência: "Keep in the Family". Cadenciada, pesada, densa e que ganha intensidade e velocidade em determinados momentos, a faixa é uma das melhores que o Anthrax já compôs e gravou! E se a gente acha que o que era bom, acaba por aí, em seguida temso "In My World", aquela faixa "tipicamente Anthrax" e que foi tocada pelo grupo quando participou de um episódio da série "Married With Children" - no Brasil "Um Amor de Família". E como se não bastasse, temos ainda "Got The Time", cover de Joe Jackson que também ganhou vida nova pelas mãos do grupo. Pra encerrar, a pesada "Belly of the Beast" e a velocidade insana de "Discharge". Que disco, meus amigos. Que disco!



3º - WE'VE COME FOR YOU ALL (2003)


Tenho a mais absoluta certeza que muitos não concordarão com essa escolha, e não culpo quem assim o fizer. Porque pode parecer estranho colocar um trabalho tão "recente" do grupo, em detrimento aos clássicos gravados nos anos 80. Mas, como essa seção é puramente de preferência pessoal, WE'VE COME FOR YOU ALL vem para ocupar seu lugar no pódio desse Rebel Rock Research. Cinco anos após o mal sucedido "Volume 8: The Threat is Real", o ANTHRAX nos brinda com um álbum impecável, mostrando que a banda ainda tinha sim, lenha pra queimar. E que lenha! Após uma pequena intro ("Contact") o álbum inicia com a pedrada "What Doesn't Die", que inicia sob riffs e bateria sincronizados, preparando o terreno para John Bush mostrar como se faz! "Superhero" e "Refuse to be Denied" são momentos mais cadenciados e densos, que antecedem uma das melhores músicas do Anthrax: "Safe Home". A música consegue ser melódica, pesada, moderna, e carregada de sentimento, muito disso por culpa de Bush e dos backing vocals de Frank Bello. Apesar de não ser o melhor álbum do grupo, me arrisco a dizer que estamos aqui, diante da melhor formação da banda. Benante em "Nobody Knows Anything" volta pra refirmar aquilo que já disse em algum dos textos acima: ele é sim um dos bateras mais injustiçados do metal, pois quase nunca vemos ele sendo citado como um dos melhores ou mais técnicos do estilo. O saudoso Dimebag Darrel participa de "Strap it On", talvez a música com mais cara de modernA do grupo. E quem diria que um dia ouviríamos um grindcore num álbum do Anthrax? Mas "Black Dahlia" vem pra suprir essa falta... Dimebag participa também de outra pérola: "Cadillac Rock Box", uma composição mais, digamos assim, comercial, mas dona de uma ótima linha de guitarra. E se esse é um álbum, com grindcore, porque não trazer um dos maiores nomes do classic rock pra participar de uma faixa? Roger Daltrey do The Who empresta sua classe e voz à "Tacking the Music Back", um dos principais momentos do álbum, na opinião deste que vos escreve. A faixa título fecha o álbum numa linha entre o passado e o presente, musicalmente falando. WCFYA por muito pouco não ocupou o segundo lugar nesse ranking, mas não tinha como...



2º THE GREATER OF TWO EVILS (2004)


Como assim? Coletânea de regravações em segundo lugar????? Sim! Mas quem conhece sabe que não é qualquer coletânea, pois aqui o ANTHRAX conseguiu melhorar aquilo que já era sensacional! THE GREATER OF TWO EVILS (algo como "Dos males o Maior") traz 14 faixas regravadas pela banda, todas elas com John Bush nos vocais, Rob Caggiano  e Scott Ian nas guitarras, Frank Bello no baixo e Charlie Benante na bateria. E se você pensar que a voz de Bush não se encaixaria naquilo que Neil Turbin e Joey Belladona gravaram, lamento informar, mas você está redondamente enganado. E isso já fica nítido e claro na abertura com "Deathrider", que ficou duzentas vezes melhor que a original, da mesma forma que "Metal Thrashing Mad", onde Bush simplesmente destrói. Impressiona como o ANTHRAX conseguiu atingir um nível de excelência nessas regravações, com abanda exalando fúria e aquele tradicional, bom e velho sangue "nozóio". E vale destacar mais uma vez a performance de Benante que entre uma e outra virada, consegue adicionar uns blast beats com classe em faixas que não demandam tal artifício. Até mesmo "Caught in a Mosh" ganhou uma energia extra, enquanto "A.I.R" "sofreu" desse mesmo mal. As unicas ressalvas que eu faço aqui são "Indians", que parece ter sido escrita para única e exclusivamente ser cantada por Belladona e "NFL", que ganhou uns blast beats em sua parte final, deixando-a um pouco "estranha". De resto, "Keep in the Family" ficou monstruosa, principalmente pela performance de Bush, bem como "I Am the Law" e "Belly of the Beast", que superaram as expectativas. Be All End All" e " Gung-Ho" encerram o trabalho de forma grandiosa. Me diz aí: tinha como isso não ficar maravilhoso? Uma pena que depois disso a banda entrou numa instabilidade que acarretou a saída de Bello, depois Caggiano e na sequência Bush. Mas o estrago já estava feito. E que belo estrago!



1º AMONG THE LIVING (1987)


AMONG THE LIVING. Não tinha como ser diferente. O maior clássico do ANTHRAX é o primeiro colocado nesse Rebel Rock Research. Produzido por Eddie Krammer, o terceiro álbum da banda foi a prova de fogo, após a expectativa criada com o segundo disco. Facilmente, poderia dizer que "Among the Living" está para o Anthrax da mesma forma que "Rust in Peace" está para o Megadeth, "Reign in Blood" para o Slayer e "Master of Puppets" está para o Metallica (ainda que eu considere "Ride the Lightning" o melhor deles). Desde seu início com a faixa título, uma obra prima de peso, velocidade e muita energia (Belladona entrega uma performance matadora aqui), passando por outra pérolas do cancioneiro THRASH como "Caught in a Mosh" (uma daquelas faixas que é necessário afastar os móveis da sala quando se coloca pra ouvir), "I am the Law", inspirada em Judge Dreed, personagem de HQ e dona de um riff que você reconhece onde você estiver, porque ele nunca mais sai da cabeça, "Efilnikufesin (NFL), com um refrão inesquecível e inspirada na vida do ator John Belush, chegando nos riffs pesados de "A Sekeleton in the Closet" (Benante destrói tudo aqui). Mas o ápice está em "Indians". Eu não sei se isso é possível, mas essa é música totalmente thrash metal e bonita! Sim! Bonita! Seja pela mensagem forte que ela passa, seja pela melodia e suas linhas de guitarra, a verdade é que "Indians" se tornou um verdadeiro clássico, com uam performance matadora de Belladona (principalmente ao vivo) e no momento da "War dance", onde nos shows, não sobra pedra sobre pedra. "One World", "A.D.I./Horror of it All" e "Imitation of Life" completam a tracklist do álbum que de forma automática, volta a tocar novamente. Muitos questionam a participação do Anthrax junto ao BIG 4 do THRASH METAL. Mas eu digo e repito: se a banda tivesse lançado apenas AMONG THE LIVING em sua carreira, seria merecedor de participar desse seleto grupo!










 

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

BEHEMOTH - DEMIGOD (2004/2025) RELANÇAMENTO

 


BEHEMOTH
DEMIGOD
Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional

Em 2004, o cenário do Death Metal mundial enfrentava um dilema: ou as bandas se tornavam excessivamente técnicas, melódicas e sem alma, ou repetiam fórmulas exaustivas do passado. Foi nesse vácuo criativo que o Behemoth lançou Demigod, uma obra que não apenas redefiniu a carreira dos poloneses, mas injetou sangue novo — e profano — nas veias da música extrema.

Até Demigod, o Behemoth transitava entre o Black Metal ríspido e o Death Metal. Neste disco, as barreiras caíram. O álbum apresenta uma sonoridade robusta, opressiva e, ao mesmo tempo, cristalina em seus detalhes. Há peso, mas há também profundidade. Nada soa acidental. Cada camada parece pensada para sustentar uma arquitetura sonora sólida e imponente.

Logo na abertura, “Sculpting the Throne ov Seth” estabelece o tom: uma introdução quase cerimonial que rapidamente se transforma em avalanche. O que se segue ao longo das faixas é uma sucessão de composições que equilibram brutalidade e construção atmosférica. É impossível falar de Demigod sem citar músicas que se tornaram obrigatórias nos setlists por anos.

“Conquer All” talvez seja o maior hino da banda, com um groove inesquecível e um refrão que funciona como verdadeiro manifesto de força. “Slaves Shall Serve” é uma injeção de adrenalina pura, na qual a velocidade atinge níveis extremos, evocando pânico e agressividade. Já “The Nephilim Rising” e “XUL” ampliam o senso melódico do disco. As melodias não servem apenas como base estrutural; elas constroem tensão, sugerem misticismo e sustentam o conceito amplo do álbum.

A figura do “semideus”, evocada no título, atravessa as letras e se manifesta na forma como a voz ecoa, reverbera e domina o espaço sonoro. O impacto do álbum, à época de seu lançamento, foi imediato. O Behemoth passou a ocupar um lugar de protagonismo na cena internacional, e o disco tornou-se referência para inúmeras bandas que buscavam unir intensidade extrema a uma identidade própria. Mais do que técnica ou velocidade, o que impressiona é a convicção. Demigod soa seguro de si, consciente da própria força.

Mais de vinte anos depois, Demigod continua relevante. A produção permanece poderosa, as músicas seguem funcionando com força intacta e a atmosfera ainda é capaz de envolver e sufocar o ouvinte. Não é um disco datado; é um trabalho que resistiu ao tempo. Ao relançá-lo no Brasil, a Shinigami Records resgata não apenas um clássico, mas um marco de transformação dentro do metal extremo. Uma obra que segue pulsando com a mesma intensidade profana de 2004 — e que continua lembrando por que o Behemoth se tornou um dos nomes mais imponentes da cena.

William Ribas