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quinta-feira, 11 de agosto de 2016

ANCESTTRAL - WEB OF LIES



                Eu sei que estou sendo repetitivo. Mas não tem como não ser. Como alguém pode ter a coragem de dizer que o metal nacional está mal? Com tantos trabalhos excepcionais sendo lançados pelas bandas brasileiras? E WEB OF LIES, segundo álbum dos paulistas do ANCESTTRAL só vem a confirmar que, quem pensa ou escreve uma barbaridade dessas, só pode estar louco. Lançado pela Shinigami Records, o trabalho que vem na seqüência do EP Bloodshed and Violence (2012), mostra uma banda coesa, pesada e cheia de garra, fazendo um Thrash Metal moderno e atual. Trazendo na bagagem muito do que se fez na Bay Area, o grupo que lançou seu primeiro trabalho, o excelente The Famous Unknow (2007), agrega influências de bandas mais atuais, mas sem perder sua essência, mostrando personalidade.

               Formada em 2006, a banda hoje é composta por Alexandre Grunheidt (vocal e guitarra), Leonardo Brito (guitarra), Renato Canonico (baixo) e Denis Grunheidt (bateria). A produção ficou dividida entre Paulo Anhaia e a própria banda, sendo que a mixagem e masterização foi feita por Paulo. E ficou na medida certa, com uma cara bem atual, mas sem fugir das características que toda grande banda de thrash metal precisa apresentar: peso, intensidade e excelentes timbres. Aliados a isso, as composições trazem grandes riffs, viradas de bateria e baixo pesado, tudo muito bem arranjado. As letras, tratam do nosso cotidiano e acabam por formar essa "rede de mentiras" a qual estamos sendo submetidos diariamente. Não poderia ser diferente, haja visto que o estilo sempre foi norteado por fortes críticas sociais. A arte gráfica, nos remete diretamente ao primeiro álbum do grupo, o que ficou muito legal, pois resgata o passado e o presente da banda.

              Abrindo com a excelente What Will You Do, que já havia sido lançada como single em 2014, o grupo mostra que sabe incorporar suas influências sem perder sua identidade. Co guitarras muito bem equilibradas, a faixa tem um andamento não tão veloz, mas possui riffs inspirados. Baixo e bateria pegados e um solo eficiente dão um destaque a composição. E o refrão é daqueles que escutamos uma vez e grudam na mente! Massacre vem na seqüência e traz uma dose extra de peso. Isso também na letra, que retrata o que aconteceu no Carandiru, em 1992, mas na visão de um policial. E convenhamos, em tempos de politicamente correto, é preciso coragem pra fazer isso, não é verdade? Os riffs são bem agressivos, o que casa perfeitamente com a proposta da faixa. Em Threat To Society, há uma variação entre andamentos mais cadenciados e outros mais rápidos. E que solo! O vocal de Alexandre, se antes "sofria" comparações com James Hetfield, agora apresenta mais identidade, ganhando com isso maior desenvoltura em sua performance. Uma das melhores faixas do cd! You Should Be Dead é daquelas faixas tipo Inner Self, Black List... Impossível não bater cabeça com uma música assim. O peso segue comandando o ritmo intenso, que tem na bateria de Denis seu destaque. Fight tem uma linha mais atual, com um refrão que nos lembra as bandas da atual safra norte americana.

             Nice Day To Die começa com uma bateria furiosa e na seqüência a porradaria come solta, com riffs diretos e muita velocidade. Apesar de curta, a faixa tem pouco mais de 2 minutos e meio, ela é bastante intensa, pois tem uma bela variação, alternando momentos mais cadenciados com outros mais velozes, além de um solo cortante. Pathetic Little Liars é a faixa mais "lenta" do trabalho, o que faz com que as guitarras ganhem um peso ainda mais denso. O vocal de ganha maior visibilidade, pois é mais exigido neste tipo de faixa, e se sai muito bem. Já em Subhuman, temos de volta uma atmosfera mais atual, com o baixo de Renato guiando a faixa. Bem trabalhada, a música foi composta em parceria com Flávia Morniëtári. A única nesse formato, pois todas as outras faias sao de autoria da própria banda.Já a faixa título, Web Of Lies, possui nas guitarras seu destaque. Levadas pesadas, passagens cheias de feeling, dando um certo espaço para a melodia, se é que podemos chamar assim. E mais uma vez, um trabalho vocal que merce menção, pois mostra que a versatilidade também é um dos pontos nesse quesito. Fire tem um pegada tipicamente thrash, daquelas de causar mosh onde for tocada. No final, há uma versão de What Will You Do com um solo diferente, e que ficou muito boa também.

             WEB OF LIES recoloca o ANCESTTRAL entre os melhores nomes do Thrash Metal nacional. E com isso, podemos dizer que a lista de melhores do ano só se faz aumentar. Mas isso é tipo aquele problema que os técnicos de futebol tem quando possuem em seu plantel três ou quatro craques para a mesma posição. Ah, só mais uma coisa: Que o próximo trabalho não demore tanto, beleza?



         Sergiomar Menezes

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