sexta-feira, 31 de julho de 2026

REBEL ROCK RESEARCH - AC/DC

 



Ranquear os álbuns do AC/DC nunca é uma tarefa fácil, principalmente sabendo que não existem discos ruins ou medíocres na carreira do grupo. E piorou ainda mais, quando você é fã da banda. Minha experiência com a dela discografia, foi um pouco diferente da maioria as pessoas. Comecei conhecendo o ao vivo de 92 e o "Highway to Hell" e só depois, já na adolescência, fui descobrindo os clássicos das décadas de 1970 e 1980.

Numa época em que não existiam streaming nem a facilidade da internet como temos hoje. Para conhecer um álbum, era preciso comprar o CD, e como o dinheiro era curto, montar uma discografia era quase impossível. Talvez por isso este ranking seja diferente de muitos que você já viu pela internet. Algumas posições podem parecer polêmicas, mas todas refletem a minha relação pessoal com esses discos.

Antes de começar, vale explicar os critérios. Não vou considerar "Who Made Who", embora a faixa título tenha uma das melhores músicas do grupo, mas por se tratar de uma trilha sonora/coletânea. Também não falaremos do o EP "'74 Jailbreak", que traz faixas dos primeiros discos não lançadas nas versões americanas. E por útimo (infelizmente) deixarei de fora as versões exclusivas australianas de "High Voltage" e "T.N.T", e utilizarei apenas o "High Voltage" da versão internacional (a convencional) que reuniu as principais músicas dos dois álbuns e se tornou o lançamento oficial para o restante do mundo. Assim, mantenho um único critério durante todo o ranking.

Leandro Isoppo – Alma Hard



16º – Fly on the Wall



Abrindo o ranking, Fly on the Wall.
Um dos álbuns mais controversos da carreira do AC/DC, mesmo não sendo um disco fraco, mas talvez, confuso. Fez muito sucesso aqui no Brasil por se tratar do disco da turnê que sucede a primeira vinda do AC/DC ao país, na primeira versão do lendário Rock In Rio.
O principal problema, na minha opinião, está na produção. As guitarras e, principalmente, a voz de Brian Johnson ficaram excessivamente abafadas, deixando o som menos barulhento ou definido do que poderia. Não soa nem cru como os discos dos anos 70 e nem polido como os clássicos dos anos 80. Ainda assim, o disco entrega ótimos momentos, como "Fly on the Wall", "Shake Your Foundations" e "Sink the Pink".
Em meados dos anos 80, o hard rock e o hair metal dominavam o mercado. O AC/DC até incorporou discretamente alguns elementos daquela época, mas sem renunciar a sua identidade. Em compensação, essa fase rendeu alguns dos videoclipes mais divertidos da carreira do grupo, que ajudam a tornar esse período bastante marcante.

15º – Power Up



Na décima quinta posição está Power Up, o trabalho mais recente do AC/DC. Lançado em 2020, em plena pandemia, o álbum teve enorme repercussão mundial e mostrou que, mesmo após quase cinco décadas de carreira, a banda ainda era capaz de lançar um disco forte, inspirado e relevante, mesmo sem seu líder Malcom Young, falecido 3 anos antes.
Um dos grandes destaques ficam por “Shot in the Dark” e "Through the Mists of Time", considerada por muitos fãs uma emocionante homenagem a Malcolm. Embora isso nunca tenha sido confirmado oficialmente pela banda, essa interpretação faz bastante sentido diante da carga emocional da canção.
Por ser um álbum relativamente recente, ainda não tive tempo de criar com ele a mesma ligação que desenvolvi com os grandes clássicos da discografia. Mesmo assim, considero Power Up um retorno extremamente digno da história do AC/DC., mas assim como os demais, acredito que num futuro próximo ele pegará melhores posições.

14º – Black Ice



Em seguida aparece Black Ice, um álbum pelo qual tenho um carinho especial.
Foi durante a turnê desse disco que o AC/DC voltou ao Brasil em 2009 no Estádio Morumbi em São Paulo, e tive a oportunidade de assistir ao show. Além disso, acabou sendo o último álbum de estúdio e a última grande turnê com Malcolm Young antes de seu afastamento definitivo.
Depois de oito anos sem lançar um trabalho de inéditas, a banda retornou em grande estilo. O disco trouxe músicas marcantes como "Rock 'n' Roll Train", "War Machine", "Big Jack" e a faixa-título. O sucesso foi enorme. Black Ice vendeu milhões de cópias em todo o mundo, alcançou o primeiro lugar em diversos países e recolocou o AC/DC entre os maiores nomes do rock mundial.

13º – Rock or Bust



Lembro que na época do lançamento, o CD chegou ao Brasil por um preço bastante acessível e ainda trazia uma capa lenticular muito bonita, um detalhe que chamava bastante atenção dos fãs.
O disco também marcou o primeiro trabalho da banda sem Malcolm Young nas gravações, afastado em razão do avanço da demência. Seu lugar foi ocupado pelo sobrinho Stevie Young, que já havia substituído Malcolm em outras ocasiões. Mesmo assim as composições dos irmãos registaram grandes momentos como a faixa título, Dogs of War e "Miss Adventure". Outro grande destaque fica pela voz de Brian Johnson, que parece soar mais jovem do que os trabalhos anteriores, e por ironia, ele teria problemas de audição durante a turnê deste disco e precisaria de afastar dando lugar ao Axl Rose que fez ótimas apresentações com o grupo.
Por pouco não está na lista dos excelentes, talvez falte mais umas 10 ouvidas para garantir essa marca. Um disco que quanto mais se ouve, melhor fica.

12º – The Razors Edge



A partir daqui entramos na elite do AC/DC. Um grupo de álbuns no mínimo excelentes e que a maioria das bandas sonharia em ter gravado ao menos uma única música.
O primeiro deles é The Razors Edge, representa o grande renascimento comercial do AC/DC. Depois de alguns anos sem repetir o enorme sucesso alcançado no início da década de 1980, a banda voltou ao topo graças à excelente produção de Bruce Fairbairn que orientou todas as bandas de sucesso dos anos 80 como Aerosmith, Bon Jovi e Poison, além do forte apoio da MTV.
Grande parte desse impacto veio de "Thunderstruck", uma das músicas mais conhecidas da história do rock. Ela ultrapassou o universo do AC/DC e passou a fazer parte de eventos esportivos, filmes, comerciais e programas de televisão em praticamente todos os cantos do planeta. Outros clássicos do disco ficam por conta de "Moneytalks", "Are You Ready", "Fire Your Guns", "Mistress for Christmas" e "Rock Your Heart Out" mostram um AC/DC extremamente inspirado.
O único motivo para o álbum não aparecer entre os meus seis favoritos é justamente o tamanho que se deu à "Thunderstruck. A música acabou se tornando tão gigantesca que, em muitos momentos, ofusca um pouco o restante do repertório, que também é excelente. Outra questão pessoal, é a falta de peso das guitarras nesse disco, ficando muito melhores no registro ao vivo de 92 lançado em CD.
Isso, porém, não diminui em nada a importância de The Razors Edge. Além de recolocar a banda no topo das paradas, o disco foi responsável por apresentar o AC/DC a uma nova geração de fãs e consolidar novamente seu lugar entre os maiores nomes do rock mundial.

11º – Dirty Deeds Done Dirt Cheap



“Dirty Deeds...”, embora tenha sido lançado originalmente na Austrália em 1976, ele só chegou oficialmente ao mercado americano em 1981, aproveitando o enorme sucesso de Back in Black.
Outro detalhe é que a edição internacional acabou deixando de fora "Jailbreak", uma das melhores músicas da fase de Bon Scott. Se essa faixa tivesse permanecido no repertório, acredito que o álbum subiria algumas posições no meu ranking.
Mesmo assim, continua sendo um disco fantástico, impulsionado por clássicos como "Dirty Deeds Done Dirt Cheap", "Problem Child", "Ride On".
E lembrando que a primeira música que ouvi da banda foi a faixa título e tenho um carinho especial por ela.

10º – Stiff Upper Lip



Stiff Upper Lip, um álbum que resgata de forma muito evidente as raízes blues do AC/DC.
Produzido por George Young, irmão mais velho de Angus e Malcolm, o disco apresenta uma sonoridade orgânica, limpa e extremamente fiel à essência da banda.
Foi um lançamento que ouvi inúmeras vezes e que marcou o retorno do AC/DC aos holofotes no início dos anos 2000, junto com o avanço da internet e os canais de música VH1 e MTV impulsionaram o ótimo desempenho dele.
Além da excelente faixa-título, gosto muito de "Satellite Blues" e "Safe in New York City". Outro detalhe curioso é "Can't Stand Still", que traz um raro solo de guitarra executado por Malcolm Young, algo pouco comum ao longo da história da banda.
Talvez não seja um álbum tão lembrado quanto alguns clássicos dos anos 70 e 80, mas sempre enxerguei nele uma personalidade muito própria. É um disco maduro, seguro e que envelheceu muito bem.

9º – High Voltage



Na nona posição, High Voltage e vale reforçar que estou falando (infelizmente) da versão internacional lançada em 1976. Criado para apresentar o AC/DC ao restante do mundo, o álbum reuniu músicas dos discos australianos High Voltage e T.N.T., funcionando praticamente como um cartão de visitas da banda fora da Austrália.
É verdade que algumas ótimas faixas acabaram ficando de fora, como "Show Business", "Stick Around" e "Baby, Please Don't Go". Ainda assim, o resultado é excelente e reúne vários dos primeiros clássicos do grupo.
Na minha opinião, se todo o material dos dois álbuns australianos tivesse sido reunido em um único lançamento, estaríamos falando de um dos maiores discos de toda a carreira do AC/DC. Mesmo da forma como foi lançado, High Voltage cumpriu perfeitamente sua missão de apresentar ao mundo uma banda que, poucos anos depois, mudaria a história do rock.

8º – Ballbreaker



Ballbreaker é um dos álbuns mais emblemáticos do grupo, tanto pelo inédito encarte com animações da Marvel, algo que havia virado moda nos anos 90 com discos como "The Last Tempation" do Alice Cooper. E pela vinda da banda na Pedreira Paulo Leminski em Curitiba no ano seguinte ao lançamento do álbum.
Lançado em 1995, o disco marcou o retorno do baterista Phil Rudd, afastado da banda havia mais de uma década, além de apresentar uma sonoridade pesada, seca e direta, muito influenciada pela produção de Rick Rubin.
Faixas como "Hard as a Rock", "Cover You in Oil", "Hail Caesar" e a própria "Ballbreaker" mostram uma banda cheia de energia e confiança e na minha opinião, continua sendo um dos trabalhos mais subestimados de toda a discografia do AC/DC. Talvez se a faixa Big Gun, da trilha sonora do Last Action Hero, tivesse sido lançada junto ao trabalho, ele seria um dos maiores registros deles.

7º – Powerage



Na 7ª posição aparece Powerage, e aqui eu sei que muita gente vai discordar.
Para muitos fãs, até para músicos como Slash, Eddie Van Halen e Keith Richards, este é o melhor álbum da carreira do AC/DC. E não é difícil entender o motivo. Trata-se de um disco pesado, cru e com uma atmosfera mais sombria do que a maior parte da discografia da banda.
Ao contrário de outros trabalhos, Powerage não foi construído em torno de grandes sucessos radiofônicos, mas sim como uma obra extremamente consistente do início ao fim. Ainda assim, "Sin City" acabou se tornando um clássico absoluto, ao lado de faixas como "Riff Raff", "Down Payment Blues", "Gone Shootin'" e "Rock 'n' Roll Damnation".
Outro aspecto interessante envolve as diferentes versões do álbum. Algumas prensagens internacionais apresentaram alterações na ordem das faixas, nas mixagens e até na inclusão de "Cold Hearted Man", tornando Powerage um dos discos mais curiosos da carreira do AC/DC para quem gosta de colecionar diferentes edições.
Quanto mais escuto esse álbum, mais admiro sua qualidade. Não duvido que, com o passar dos anos, ele ainda suba algumas posições no meu ranking.

6º – Blow Up Your Video



Talvez aqui esteja a escolha mais polêmica de toda a lista.
Blow Up Your Video costuma aparecer entre os últimos colocados em muitos rankings, mas, para mim, sempre teve um significado muito especial. Foi apenas o segundo álbum de estúdio do AC/DC que tive em CD e marcou uma fase importante da minha descoberta da banda.
As duas primeiras faixas, "Heatseeker" e "That's the Way I Wanna Rock 'n' Roll", já mostram um AC/DC cheio de energia. Sempre tive a impressão de que, nesse disco, a banda conseguiu fazer aquilo que não funcionou tão bem em Fly on the Wall: modernizar discretamente sua sonoridade sem renunciar à identidade construída ao longo da década.
A produção de Harry Vanda e George Young devolveu equilíbrio ao som da banda, aproximando novamente o AC/DC de sua essência.
Além dos singles, o álbum reserva ótimas músicas menos lembradas, como "Mean Streak", "Nick of Time" e "Go Zone".
Mas o meu grande destaque sempre será "Two's Up". Para mim, trata-se de uma das canções mais subestimadas de toda a carreira do AC/DC. Ela cresce de forma gradual, constrói uma atmosfera diferente e entrega um dos melhores solos de guitarra daquele período.
Sempre enxerguei Blow Up Your Video como um disco de reconstrução. Foi nele que o AC/DC começou a recuperar o fôlego que culminaria, poucos anos depois, no enorme sucesso de The Razors Edge.

5º – For Those About to Rock (We Salute You)



Abrindo o meu Top 5 consta o “For Those...”, nem sempre lembrado, mas com muita personalidade
Foi o segundo trabalho gravado com Brian Johnson e novamente contou com a produção impecável de Robert John "Mutt" Lange. É verdade que ele nunca alcançou o impacto histórico de Back in Black, mas entrega um som poderoso, extremamente consistente e com identidade própria.
A faixa-título tornou-se um dos maiores hinos da banda e passou a encerrar praticamente todos os shows do AC/DC ao som dos famosos canhões, criando um dos momentos mais marcantes da história do rock.
Além dela, gosto muito de "Put the Finger on You", "Let's Get It Up", "Inject the Venom", "Snowballed" e "Evil Walks". É um daqueles discos que consigo ouvir do início ao fim sem encontrar qualquer ponto fraco.
A icônica capa com o enorme canhão também entrou para a história e se tornou uma das imagens mais reconhecidas do AC/DC.
Outro feito importante foi alcançar o primeiro lugar da Billboard 200, tornando-se o primeiro álbum da banda a atingir o topo da principal parada americana, impulsionado pelo gigantesco sucesso de Back in Black. Nunca receberá o mesmo reconhecimento dos dois clássicos que o cercam, mas, para mim, merece tranquilamente um lugar entre os maiores momentos da carreira do AC/DC.

4º – Let There Be Rock



Let There Be Rock, um dos discos mais importantes da história do AC/DC.
Se existe um álbum capaz de representar a essência da banda, provavelmente é este. Peso, energia, riffs marcantes e rock and roll em seu estado mais puro. O AC/DC soa completamente livre, sem concessões e sem qualquer preocupação em seguir tendências.
A faixa-título é uma verdadeira explosão de energia. Para a época, impressionava pela intensidade e pela agressividade, antecipando características que, pouco tempo depois, seriam exploradas com ainda mais força pelo heavy metal.
Mas o álbum está longe de depender apenas dessa música. Clássicos como "Whole Lotta Rosie", "Hell Ain't a Bad Place to Be", "Go Down" e "Bad Boy Boogie" formam um repertório praticamente impecável.
Outro ponto que sempre me chama a atenção é a crueza da produção. Diferentemente dos trabalhos produzidos por Robert John "Mutt" Lange alguns anos depois, aqui tudo soa mais espontâneo, pois a banda gravou o disco ao vivo dentro do estúdio.
É um disco indispensável para entender por que o AC/DC se tornou uma das maiores bandas da história do rock.

3º – Flick of the Switch



Agora chegamos a outra escolha polêmica deste ranking.
É muito comum encontrar Flick of the Switch entre os últimos lugares nas listas dos fãs. Comigo aconteceu exatamente o contrário. Quanto mais ouvi esse álbum, mais passei a admirá-lo.
Depois do enorme sucesso de Back in Black e For Those About to Rock (We Salute You), a banda decidiu abandonar as grandes produções e apostar em um som mais cru, direto e sem excessos. Pela primeira vez, o próprio AC/DC assumiu integralmente a produção do disco, com Malcolm Young exercendo papel fundamental na construção daquela sonoridade seca e pesada.
O resultado é um álbum que transmite a sensação de estar ouvindo a banda ensaiando na garagem. Tudo parece espontâneo, sem camadas desnecessárias ou qualquer tentativa de agradar ao mercado.
Até os videoclipes seguiram essa filosofia, deixando de lado produções elaboradas para mostrar simplesmente o AC/DC fazendo aquilo que sempre soube fazer melhor.
Na época, a recepção foi apenas morna. A capa também dividiu opiniões e continua sendo uma das mais simples de toda a discografia.
Mas basta ouvir o disco com atenção para perceber sua qualidade. "Rising Power", "Nervous Shakedown", a faixa-título e "This House is on Fire" mostram uma banda extremamente inspirada, apostando apenas na força dos riffs e na honestidade de sua música.
Para mim, continua sendo um dos álbuns mais injustiçados da carreira do AC/DC.

2º – Back in Black



Agora chegamos a um álbum que simplesmente dispensa apresentações.
Back in Black não é apenas um clássico do AC/DC. É o segundo disco mais vendido, importante, influente da música, com vendas estimadas em mais de 50 milhões de cópias ao redor do mundo.
Curiosamente, esse foi o primeiro álbum da banda que tive em CD. Na época, eu ainda não tinha dimensão da importância histórica daquele trabalho. Somente anos depois percebi que estava diante de uma verdadeira obra-prima do rock.
Talvez o maior mérito de Back in Black esteja justamente em sua simplicidade. O AC/DC nunca quis ser uma banda excessivamente técnica ou complexa. Sua proposta sempre foi fazer rock and roll direto, pesado, baseado em grandes riffs e refrões inesquecíveis. E poucos discos conseguiram executar essa fórmula com tanta perfeição.
Também é importante lembrar que esse sucesso não surgiu do nada. Antes dele, o AC/DC já vinha conquistando espaço em diversos países, especialmente graças ao enorme impacto de Highway to Hell. Back in Black apenas transformou esse crescimento em uma explosão mundial.
A produção de Robert John "Mutt" Lange permanece impressionante até hoje. Mesmo mais de quatro décadas depois, o álbum continua moderno, graças ao equilíbrio quase perfeito entre peso, clareza e dinâmica.
O repertório fala por si só. "Hells Bells", "Shoot to Thrill", "What Do You Do for Money Honey", "Back in Black", "You Shook Me All Night Long", "Have a Drink on Me" e "Rock and Roll Ain't Noise Pollution" fazem parte da história do rock.
Mas existe também um enorme componente emocional. Back in Black foi o primeiro álbum gravado após a morte de Bon Scott e mostrou ao mundo que o AC/DC era capaz de superar a maior tragédia de sua trajetória sem perder sua identidade, embora há alguns relatos de parentes e parceiros de Bon Scott, que alegavam que grande parte destas músicas já havia sido trabalhadas com ele ainda vivo.

Mais do que um fenômeno comercial, esse disco consolidou definitivamente o AC/DC entre as maiores bandas de todos os tempos.

1º – Highway to Hell



No topo do meu ranking está Highway to Hell.
Para mim, este é o maior álbum da carreira do AC/DC. Foi nele que a banda encontrou o equilíbrio perfeito entre a energia crua dos primeiros anos e uma produção mais refinada, capaz de levá-la definitivamente ao estrelato mundial.
Grande parte desse mérito passa pelo trabalho de Robert John "Mutt" Lange. Sem descaracterizar a identidade do AC/DC, ele conseguiu tornar o som da banda mais limpo, mais preciso e extremamente acessível, preservando toda a força dos riffs de Angus e Malcolm Young.
Outra característica que sempre me chamou a atenção é o groove presente em algumas músicas. "Love Hungry Man", por exemplo, traz uma linha de baixo claramente influenciada pelo funk e pela disco music, algo pouco comum na carreira do AC/DC. Já "Touch Too Much" aposta em uma abordagem mais melódica e acessível, mostrando uma banda confiante para explorar novas nuances sem perder sua essência.
O mais impressionante, porém, é a consistência do repertório. São apenas dez faixas e praticamente todas poderiam ser consideradas clássicos.
Além da inesquecível faixa-título, o disco entrega "Girls Got Rhythm", "Walk All Over You", "Touch Too Much", "Beating Around the Bush", "Shot Down in Flames" e "If You Want Blood (You've Got It)", mantendo um nível de qualidade impressionante do início ao fim.
A capa também entrou para a história do rock. A imagem de Angus Young usando os famosos chifres acabou alimentando parte das polêmicas que cercavam o rock no final dos anos 70, quando muitas bandas passaram a ser alvo de acusações envolvendo supostas mensagens satânicas.
Mas Highway to Hell também carrega um enorme peso emocional. Foi o último álbum de estúdio gravado com Bon Scott, que morreria poucos meses depois de seu lançamento, justamente quando o AC/DC começava a conquistar de forma definitiva o mundo.
Bon Scott não chegou a testemunhar o tamanho do sucesso que a banda alcançaria dali em diante. Ainda assim, sua contribuição foi absolutamente fundamental para construir a personalidade, a atitude e a identidade que transformaram o AC/DC em um dos maiores nomes da história do rock.
A chegada de Brian Johnson e o lançamento de Back in Black escreveriam um dos capítulos mais extraordinários da música. Mas essa história só foi possível porque Highway to Hell abriu definitivamente as portas do mundo para o AC/DC.
Por tudo isso, este ocupa o primeiro lugar do meu ranking. Mais do que um álbum extraordinário, ele representa o momento em que uma grande banda se transformou em uma lenda.

Considerações finais
Como toda lista, ela reflete muito mais a minha história com esses discos do que qualquer tentativa de estabelecer uma verdade absoluta. Tenho certeza de que muitos fãs fariam mudanças importantes, talvez colocassem Powerage no primeiro lugar, elevassem The Razors Edge ao pódio ou deixassem Blow Up Your Video muito mais abaixo.
No fim das contas, talvez essa seja a maior prova da grandeza do AC/DC. Pouquíssimos artistas conseguiram construir uma discografia tão consistente, atravessar cinco décadas permanecendo relevantes e influenciar tantas gerações de músicos








quinta-feira, 30 de julho de 2026

THE 69 EYES - I SURVIVE (EP - 2026)

 


THE 69 EYES
I SURVIVE (EP)
BLKIIBLK - Importado

E os vampiros de estão de volta, para a alegria dos fãs! Desde 2023, os Reis do “Goth n' Roll” não lançam um trabalho completo, apenas algumas faixas soltas como singles, que não estão em álbuns. Então, I Survive chega em boa hora.

“I Survive”, a faixa titulo e de abertura é a típica faixa arrasa-quarteirão com a clássica sonoridade do The 69 Eyes, uma ótima faixa que mostra todo o poder de fogo dos finlandeses, com grande riff e pegada “rocker”. Destaque para a participação mais que especial de Steve Stevens, o eterno guitarrista de Billy Idol, que entrega aqui solos destruidores como de costume.

A segunda faixa é “Cold Sweat”, cover do poderoso Thin Lizzy. Este clássico aqui tem uma releitura um pouco mais sombria, mesmo que mantendo a sua estrutura original. É uma faixa sensacional no original lançada no álbum “Thunder and Lightning” do Lizzy em 1983, e aqui recebe uma versão de respeito. Ótimo cover!

As outras duas faixas são boas músicas: “In Mysery” e “Devil's Rose”. Não chegam a entusiasmar tanto quanto as duas primeiras, porém são faixas com a marca registrada do The 69 Eyes, e que vão agradar em cheio aos fãs. Vamos aguardar que os vampiros saiam mais uma vez das sombras, mas desta vez para um novo álbum completo. Enquanto isso, Stay Goth com “ I Survive”.

José Henrique Godoy




ZAN/CODY - BEAUTIFUL 'N DAMNED (2026)

 


ZAN/CODY
BEAUTIFUL N' DAMNED
Frontiers Music srl. - Importado

Se você curtiu o Glam Metal no final dos anos 1980, início dos anos 1990, ou se ainda não havia nem nascido, mas é um ávido apreciador/pesquisador do estilo, com certeza deve já ter se deparado com o nome Shotgun Messiah, banda da Suécia, que atingiu moderado sucesso comercial neste período citado, principalmente por conta do seu auto-intitulado álbum de estréia, de 1989. E que conta com os dois principais personagens deste texto aqui.

Harry C. Cody, o virtuoso guitarrista do Shotgun Messiah , e Zinny Zan, vocalista original da banda, com passagem também pelo Easy Action, outra clássica banda do Hard Rock sueco, resolveram juntar forças novamente após mais de três décadas, no projeto/banda que leva os seus sobrenomes. Lançado pela Frontiers Music srl., Beautiful 'n Damned acaba de ver a luz do dia, e o resultado é muito bom.

Aqui temos uma mistura de varias nuances sonoras. Passamos pelo Hard Rock, Metal, Punk Rock e Industrial (de leve), porém sem nunca perder as características raízes dos dois músicos. Acompanham a dupla, o tecladista e produtor Chris laney (teclados), Nalle Pahlson (baixo) e Björn Hoglund (bateria).

“Sever”, faixa de abertura do trabalho chega derrubando portas, forte com uma pega metal, ao mesmo tempo que relembra algo que poderia ter sido gravado por Billy Idol, nos seus melhores tempos. “I am The Shit” tem algo de punk rock, também uma faixa com ótima pegada. “Ride Or Die” é Glam Metal oitentista, porém moderna e cheia de energia, sem parecer ultrapassada. “Suffer City” é uma balada “ccústica /eletrônica” (foi o mais perto que consegui definir), melancólica e bela.

“She Walks With Violence” é sombria e densa, e não seria exagero falar que ela lembra algo de Marilyn Manson, porém tem um dos melhores solos de guitarra de Cody. Aliás, se você ainda não conhece os trabalhos de Harry C. Cody, procure conhecer. O homem é muito fera.

“Damn” retorna ao Hard oitentista, e é a minha preferida. “Let´s Be Heroes” vem a seguir e é igualmente ótima, porém com uma levada mais acessível, e novamente com um trabalho incrível de Cody. As linhas vocais de Zinny Zan estão bem diferentes dos velhos tempos, mais graves, porém o trabalho de melodia vocal dele aqui são ótimos também. A faixa título, tem uma pegada Pós-Punk e uma melodia cativante. Você vai se pegar cantando o refrão antes da música acabar.

“Bad Bad Man” é aquela música de cowboys, uma pegada folk/bluesy, que ao ouvir, podemos visualizar os caras maus dos filmes de cowboy chegando na cidade. E “Tear it All Down“ fecha este ótimo primeiro trabalho do Zan/Cody. Que seja apenas o primeiro de muitos.

José Henrique Godoy




JETHRO TULL - AQUALUNG LIVE (REMASTER 2025)


 

JETHRO TULL
AQUALUNG LIVE (REMASTER 2025)
Shinigami Records/Inside Out Music - Nacional

Se você curte Classic Rock, Heavy Metal Hard Rock e seus derivados, acredito que seja praticamente impossível não conhecer o riff inicial de “Aqualung”, a música, mesmo que você não curta/conheça o Jethro Tull. É uma faixa icônica do Rock, e praticamente é sinônimo da banda de Ian Anderson. “Aqualung”, o álbum é tido por muitos, como o melhor álbum da banda inglesa. E sendo assim, nada mais justo que uma releitura “ao vivo” realizada em 2004.

Escrevi “ao vivo“ entre aspas mesmo, pois o álbum foi gravado em frente a uma platéia pequena de quarenta a cinquenta pessoas, no XM Performance Theater in Washington, D.C. em 2004. A idéia era mesmo fazer uma performance intimista e ligeiramente menos polida do que a gravação original, porém com uma ótima qualidade de som.

Além de Ian Anderson (vocal e flauta), Martin Barre (guitarras), a formação à época contava com Doane Perry (bateria), Andrew Giddings (teclados) e o baixista Jonathan Noyce. O álbum original é tocado aqui na íntegra e na ordem em que as faixas foram gravadas. O grande atrativo é poder verificar a grandiosidade e o poder de um clássico do rock, gravado vinte e cinco anos antes, interpretado por outra formação do Tull.

Um álbum para fãs do Jethro Tull e colecionadores em geral, Lançamento Shinigami Records.

José Henrique Godoy




quarta-feira, 22 de julho de 2026

DOWN III: OVER THE UNDER (2007/2026) - RELANÇAMENTO

 


DOWN
III: OVER THE UNDER
Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional

Após a estreia esfumaçada e canônica de "NOLA" (1995) e o denso e depressivo "Down II: A Bustle in Your Hedgerow" (2002), o hiato de cinco anos que antecedeu o terceiro capítulo da banda esteve longe de representar um simples descanso. Foi um período de sobrevivência. Entre a devastação causada pelo furacão Katrina, a perda irreparável de Dimebag Darrell, os problemas de saúde enfrentados pelos integrantes e uma longa batalha contra os próprios demônios, o Down tinha motivos de sobra para transformar dor em música.

E é exatamente isso que acontece em Over the Under.

Ao contrário do experimentalismo mais disperso do álbum anterior, "Over the Under" surge muito mais focado e coeso, sem perder um único miligrama da agressividade que sempre definiu o currículo de seus integrantes. O que se ouve é um verdadeiro rolo compressor de sludge sulista em alta voltagem. Estão presentes os riffs titânicos e viscerais com a assinatura inconfundível de Pepper Keenan, evocando momentos em que o peso dialoga diretamente com sua bagagem no Corrosion of Conformity, algo evidente na cadência magnética de "Beneath the Tides" e no soco no estômago que é "Three Suns and One Star".

Faixas como "Never Try" e "Her Majesty the Desert" revelam uma faceta mais melódica da banda, aproximando o grupo do blues e do southern rock sem abrir mão da intensidade. Afinal, no universo do Down, peso nunca depende de velocidade. Ele nasce de guitarras encorpadas, mudanças de andamento sutis e de uma construção que cresce de forma orgânica, sem recorrer às explosões previsíveis do tal metal moderno da época.

O grande diferencial do disco, porém, está em Phil Anselmo. Longe da agressividade quase incontrolável dos tempos de Pantera, o vocalista entrega uma de suas interpretações mais maduras e expressivas. Sua voz alterna entre melodias melancólicas, vocais rasgados e momentos quase confessionais, transmitindo desgaste, culpa, esperança e superação. Anselmo canta como quem está permanentemente numa linha tênue entre o colapso e a redenção. Isso fica evidente na arrastada "Pillamyd" e na contagiante "On March the Saints", um verdadeiro hino de perseverança após a tragédia do Katrina. Mais do que interpretar as letras, Anselmo parece viver cada verso, tornando impossível dissociar sua trajetória pessoal das emoções transmitidas pelo álbum.

Liricamente, Over the Under talvez seja o trabalho mais honesto do Down na sua discografia. O disco aborda sofrimento, perdas, vícios, frustrações e sobrevivência sem recorrer ao sentimentalismo fácil. A escuridão permeia praticamente todas as composições, mas sempre existindo um fio de luz de resistência — deixando de romantizar a dor, transformando tudo em combustível para seguir em frente, oferecendo uma visão profundamente humana sobre enfrentar as próprias cicatrizes.

O ápice dessa jornada atende pelo nome de "Nothing in Return (Walk Away)", uma obra-prima de quase nove minutos conduzida por guitarras impregnadas de blues, um padrão hipnótico de bateria e uma construção lenta que culmina em um clímax emocional devastador, encerrando o álbum de forma magistral.

Mais do que uma coleção de riffs memoráveis, Over the Under expande a identidade construída por seus antecessores sem soar repetitivo. O álbum reúne o impacto direto de "NOLA", a profundidade emocional de "Down II" e acrescenta uma maturidade adquirida através das marcas deixadas por um dos períodos mais turbulentos da história da banda — resultando num retrato sonoro da luta diária contra os próprios fantasmas.

Relançado no Brasil pela Shinigami Records, Over the Under ganha uma excelente oportunidade de ser redescoberto por uma nova geração de ouvintes e revisitado por quem já conhece sua força.

Um álbum sincero, pesado e emocionalmente devastador.

William Ribas




MASTERS OF VOICE - 13/07/2026 - AUDITÓRIO ARAÚJO VIANNA - PORTO ALEGRE/RS

 


MASTERS OF VOICE
EDU FALASCHI, JEFF SCOTT SOTO, ERIC MARTIN, TIM "RIPPER" OWENS
13/07/2026
AUDITÓRIO ARAÚJO VIANNA
PORTO ALEGRE/RS

Produção: Morphine/Opinião Produtora

Texto: José Henrique Godoy
Fotos: Carolina Godoy

Nada melhor do que comemorar o Dia Internacional do Rock, com um show de Rock, não é mesmo? Pois Porto Alegre teve a oportunidade de receber nesta data comemorativa, o show da Tour “Masters Of Voices”, contando com os vocalistas Eric Martin, Jeff Scott Sotto, Edu Falaschi e Tim “Ripper“ Owens. Para acompanhá-los, a banda de apoio formada por Edu Cominatto (bateria), Felipe Andreoli (baixo- Angra)) e os guitarristas Marcel Barbosa (Angra) e Léo Mancini.

A abertura ficou por conta da banda de Las Vegas, Velvet Chains, que iniciou seu set as 20h20. A banda apresentou seu som Hard Rock/Rock Alternativo, sem muita originalidade e sem entusiasmar muito os presentes, em um show morno, apesar de competente. Ao final de quarenta minutos, os americanos encerram seu set, e descem para a plateia para atender todos que quisessem tirar fotos com eles, e bater um papo com os músicos.


O relógio marcava 21h30, quando  e demais músicos adentram o palco para executar o primeiro set, baseado na carreira de Falaschi. Baseado praticamente nas músicas da sua época no Angra, Edu fez um bom show, e distribuiu simpatia e carisma. ”Rebirth”, “Heroes OF Sand” e “Waiting in Silence” executadas com perfeição, enquanto Edu entregava uma ótima performance. Ao anunciar “Bleeding Heart”, ele lembrou de forma bem humorada que muitas pessoas cantam esta música em português nos shows dele, tendo em vista o cover realizado pela banda de forró “Calcinha Preta”. “Acid Rain” fecha seu set e Edu chama ao palco o furacão Jeff Scott Sotto.


Bem mais magro e sem as famosas “Caipiroscas” no palco, Jeff incendiou o Araújo Vianna com o inicio de “One Love” do projeto W.E.T., mas devido a um problema no seu microfone, ele pediu para começar de novo. Antes, com seu bom humor tradicional, lascou: “Este é meu Rock n' Roll. Bom, ao menos vocês viram que não é playback e eu tô cantando mesmo”. Alô Vince Neil e outros menos votados, essa acho foi pra vocês! A seguir “Separate Ways” cover do Journey. Apesar de Jeff ter feito tours com a banda de Neal Schon, acho que ele poderia ter colocado outra musica de sua extensa discografia, mas o público aprovou e ao final dessa, o coro de “Soto, Soto” arranca sorrisos de Jeff. A clássica “I'll Be Waiting” do Talisman é tocada e cantada por toda a plateia, e ao meio dela, Jeff arrisca o refrão de "Livin On A Prayer" do Bon Jovi, um dos “hits da Copa do Mundo 2026”, e é respondido a altura. Aqui uma observação: o público era metade da lotação do Araújo Vianna, uma pena para um espetáculo tão bacana. Creio que no Opinião ficaria de bom tamanho, mas não sei nada de produção e estou aqui dando meus vinte centavos de palpite furado. O Medley “I Am a Viking/ I'lll See The Light Tonight” do álbum "Marching Out"  de Yngwie Malmsteen foi o ponto alto do show. Edu Cominatto inicia as intros de “Refuse/Resist” (Sepultura) “ We're Not Gonna Take It” (Twisted Sister) e “I Love It Loud” (Kiss) antes de iniciar a clássica “Stand Up And Shout”. Ao final desta, Soto abre caminho para o eterno vocalista do Mr. Big, Eric Martin.


Eric Martin parece ter algum tipo de pacto com as trevas ou algo divino, pois apesar do passar dos anos, seu aspecto jovial segue o mesmo. Show de simpatia e carisma também. Um set baseado com clássicos do Mr. Big, como "Daddy, Brother, Lover and Little Boy”, “Take Cover” ,”To be With You” e “Colorado Bulldog” fizeram a alegria dos fãs. A voz de Eric Martin parecia um pouco desgastada, mas nada que afetasse a sua performance no geral. A paulada “Addicted To That Rush” fechou seu ótimo set.


Tim “Ripper” Owens toma o palco de assalto as 23h20, com a clássica e preferida da casa, uma das músicas mais Heavy Metal de todos os tempos: “Hellion /Eletric Eye”. Não importa quantas vezes você escutou o álbum do Judas Priest “Screaming for Vengeance”, ou quantas vezes você escutou esta faixa ao vivo, seja com o Judas, ou com algum cover. Ela arrepia sempre. Tanto que Jeff Scott Sotto invadiu o palco pra cantar junto com Ripper. “Burning Hell” som do Judas da fase de Ripper abre caminho para a destruidora “Painkiller”, esta outra que não deixa pedra sobre pedra. “Breaking The Law” não poderia faltar e “Highway To Hell” (AC/DC) e “Heaven And Hell” (Black Sabbath) homenageiam Bon Scott E Ronnie James Dio. Inclusive, antes dessa segunda, Ripper fala que Dio é o seu vocalista preferido de todos os tempos. Para finalizar, Ripper chama de volta ao palco Jeff, Eric e Edu, e os quatro cantam juntos “Living After Midnight”! E assim se encerra este ótimo evento, pena que para um público que poderia e deveria ser bem melhor. Quem sabe na próxima.





ARMORED SAINT - EMOTION FACTORY RESET (2026)

 


ARMORED SAINT
EMOTION FACTORY RESET 
Metal Blade Records - Importado

Se existe uma banda no heavy metal que pode ser descrita como o "segredo mais bem guardado" do gênero, essa banda é o Armored Saint. Formados em Los Angeles em 1982, eles nunca atingiram o estrelato de arena de seus contemporâneos, mas construíram algo muito mais valioso: uma discografia praticamente impecável e uma base de fãs que os venera como deuses. Agora, em 2026, eles retornam com seu nono álbum de estúdio, Emotion Factory Reset, provando mais uma vez que são mestres na arte de equilibrar a tradição do metal clássico com uma energia incrivelmente moderna. Lançado via Metal Blade Records, o álbum chega com a difícil missão de suceder o fantástico "Punching the Sky" (2020), que muitos consideravam o ápice tardio da banda. 

Mas o Armored Saint não é de se acomodar. Com a produção afiada do baixista Joey Vera e a mixagem cristalina de Jay Ruston (Anthrax, Stone Sour), Emotion Factory Reset não apenas iguala seu antecessor, mas em muitos momentos o supera, entregando uma coleção de hinos que soam vibrantes, pesados e, acima de tudo, relevantes. O que torna o Armored Saint tão especial é a sua recusa em viver apenas do passado. Como o vocalista John Bush sabiamente apontou: "Não queremos fazer outro "March of the Saint". Quero continuar avançando, mas sabemos quem somos". E essa identidade está estampada em cada nota do novo disco. 

A banda continua a caminhar habilmente sobre a linha que divide o heavy metal direto e o hard rock cheio de groove. A abertura com "Close to the Bone" é um soco no estômago, um hino antêmico que prepara o terreno para o que está por vir. O single "Hit a Moonshot" é, possivelmente, a faixa que melhor define o som atual da banda: guitarras simples e diretas de Jeff Duncan e Phil Sandoval, plugadas em bons amplificadores e deixadas para rasgar, criando um groove irresistível. Mas o álbum não vive apenas de velocidade. Faixas como "It's a Buzzkill", "Ladders and Slides" e a penúltima "Bottom Feeder" mostram o lado mais cadenciado e roqueiro do grupo, onde a cozinha formada por Joey Vera e o baterista Gonzo Sandoval brilha intensamente. 

O único momento que talvez divida opiniões é "Buckeye", uma faixa mais suave com letras profundamente pessoais e uso de slide guitar, que exige bastante dos vocais de Bush e soa um pouco deslocada do peso geral do disco. O título do álbum, "Emotion Factory Rese"t, carrega um peso significativo para os dias atuais. Segundo os irmãos Sandoval, a ideia é sobre encontrar clareza em um mundo caótico. "Faça uma pausa e respire antes de responder ou reagir. Você não pode controlar eventos externos, mas pode controlar sua mente", explica Phil. Essa mensagem de reflexão e realinhamento permeia as letras de John Bush, que prefere levantar questões e abrir mentes em vez de ditar regras. E falando em John Bush, é impossível não destacar sua performance. Aos 62 anos, ele continua sendo um dos melhores vocalistas do metal, entregando paixão, melodia e agressividade com uma facilidade assustadora. Ele é a alma que eleva as composições da banda a outro patamar. Emotion Factory Reset é a prova definitiva de que o Armored Saint é uma banda rara. 

Eles mantêm praticamente a mesma formação desde o início dos anos 90 e continuam lançando material que rivaliza com seus clássicos. Não é um álbum de "velhos roqueiros tentando soar jovens", mas sim de músicos experientes que sabem exatamente o que fazem e fazem com maestria. Se você procura por inovação radical ou experimentações vanguardistas, procure em outro lugar. Mas se você quer heavy metal de altíssima qualidade, com ganchos memoráveis, riffs excelentes e um vocalista no topo de seu jogo, este álbum é obrigatório. O Armored Saint pode nunca ter conquistado o mundo, mas com discos como este, eles certamente conquistam o respeito eterno de quem realmente importa: os fãs de música pesada. Dois lados da mesma moeda: tradição e modernidade, perfeitamente equilibrados.

Jay K.




LEX LEGION - LEX LEGION (2026)


 

LEX LEGION
LEX LEGION
Valhall Music/MNRK Heavy - Nacional

Imagine só, caro leitor, em pleno 2026, ver que quase todo o lineup de 2 álbuns clássicos da discografia do mestre King Diamond, se reuniria para gravar um trabalho com o mesmo feeling daqueles longínquos anos, qual seria sua reação? Quando vi o lineup desta nova super banda realmente fiquei empolgado. Contando com o mestre Andy LaRoque (guitarra), Pete Blakk (guitarra), Hal Patino (baixo), Mikkey Dee (bateria) e o vocalista Nils k. Rue, a banda parece pronta para alçar voos grandiosos dentro da cena Heavy Metal mundial.

Nils K. Rue tem uma voz excelente para o que o Lex Legion se propõe a ser, com seu timbre que fica entre King Diamond e Biff Byford (Saxon), e sobre os instrumentistas nada mais precisa ser dito. O disco é curtinho, 9 faixas em pouco mais de 34 minutos de duração, sendo daqueles que ouvimos e nem sentimos o tempo passar.

A faixa de abertura, “Sleep Eternally” é a fusão perfeita entre King Diamond e Saxon, ou seja, Metal com um nível de pureza de um diamante. Mais uma vez, LaRoque é um mestre com seus solos alucinógenos. “Gyspsy Tears” não fica atrás e segue dando ao ouvinte aquela sensação de ouvir algo com tanto feeling e pegada bem Old School of Heavy Metal.

“When the Stars Align” perde um pouco do forte embalo inicial, mas nada que assuste ou desabone o trabalho como um todo. Mikkey Dee e LaRoque, são, pra variar, dois monstros que levantam a música que tem uma melodia um tanto quanto cansativa. “(I Am) the Resurrected” tem no seu início uma melodia que me lembrou um clássico dos The Rolling Stones, “Paint it Black”. Também tem um quê de Accept nela, realmente um destaque, talvez a melhor do trabalho. A fúria da guitarra de LaRoque está mais presente que nunca em “Life Eternal”, composição essa feita pra ele brilhar. Não tem como, missão dada é missão cumprida. “Dreams of Darkness” é a faixa onde Nils K. Rue tem uma performance realmente matadora, em certas passagens dá pra sentir um pouco da linha vocal de Ian Gillan, por exemplo. Indiscutivelmente, a faixa mais pesada do disco. Essa merecia ganhar um single.

O trio “Saviours”, “Life Eternal” e a bela instrumental “Far Away” fecham o trabalho com aquela levada que remete mais a fundo os trabalhos que fizeram lá em “Conspiracy” (King Diamond, 1989).

No geral, podemos concluir que qualquer uma das 9 faixas aqui inclusas, poderiam estar nos trabalhos mais clássicos de King Diamond, já que todas possuem aquele clima teatral, melódico, com cara de trilha sonora de filme de terror. Como o mestre King Diamond segue “nos enrolando” para lançar mais algum trabalho completo, o Lex Legion parece a solução perfeita para que gente do quilate de LaRoque brilhe intensamente. É tão bom quanto poderia ser? Talvez! Mas fato é, que quem curte boa música tem motivos de sobra pra ouvir Lex Legion. Então, cumpra sua parte e ouça! Vale a pena.

Mauro Antunes




segunda-feira, 13 de julho de 2026

13/07 DIA MUNDIAL DO ROCK - OS DISCOS QUE MUDARAM NOSSAS VIDAS!

 

13 de julho é o Dia Mundial do Rock. Claro que, pra nós que fazemos do estilo uma parte de nossas vidas, esse é apenas mais um dia. No entanto, é bom sabermos que temos um dia dedicado ao Rock mesmo que de forma simbólica. E pra não deixarmos passar essa data em branco, a equipe do REBEL ROCK fez um breve relato sobre aquele disco que mudou nossas vidas, mesmo que esse não seja aquele disco mais ouvido, o preferido, mas aquele que nos fez ver e ouvir o mundo de outra maneira. Então, se por um descuido ou por uma pequena falta, você ainda não ouviu um desses álbuns, ficam aqui nossas dicas. Enjoy it!




CHAOS A.D. - SEPULTURA

"Em 1995, eu já ouvia rock e metal. Aos 11 anos, já carregava o rótulo de "adolescente rebelde" estampado na testa, até que ouvi falar de um tal de Sepultura. Uma banda brasileira? Existia uma banda do Brasil que fazia um som pesado? Foi aí que o meu mundo mudou para sempre. Encontrei Chaos A.D. em uma banca de jornal, comprei aquele tal de Sepultura e, quando coloquei o CD para tocar, foi como levar um soco no peito. “Refuse/Resist”, "Territory", "Slave New World", "Amen", "Kaiowas", "Propaganda", "Biotech Is Godzilla" e "Nomad" — uma sequência de aniquilar pescoços. Naquela época, eu não me importava com técnica, bumbo duplo, viradas tribais, riffs, solos ou qualquer outro malabarismo musical. Eu queria barulho. Queria ser barulhento! Perturbar!. E foi justamente nesse aspecto que o Sepultura e Chaos A.D. mudaram a minha vida. Descobri diversas outras bandas, graças ao explosivo som de um quarteto que saiu de Belo Horizonte.
Sepultura, do Brasil!!!"
William Ribas



METALLICA - MASTER OF PUPPETS

"Tem discos que a gente escuta, e tem discos que mudam a nossa vida. Master of Puppets foi isso desde a primeira vez que ouvi aquele riff de abertura, onde tudo mudou e nunca mais seria o mesmo ouvinte. Não é só técnica, é raiva e poesia juntas, um disco que só ficou mais atual com o tempo. Pra mim é o ápice do metal, o ponto mais alto que o gênero já alcançou, algo quase transcendental. Impossível explicar em palavras o quanto ele mudou minha vida."
Fernando Aguiar



KISS - CREATURES OF THE NIGHT

"Fui apresentado em 1983 a "Creatures of the Night", simplesmente o disco que mudou minha vida! Quando ouvi "I Love It Loud" nunca imaginei que o som de uma bateria pudesse soar tão brutal. Naquele momento, foi como receber um soco no cara daqueles bem dados. "I Still Love You", "Killer" e principalmente "War Machine", me levaram definitivamente ao Metal, sendo este, um caminho sem volta. Obrigado KISS por isso! Eu e o mundo, os reverenciamos.."
Mauro Antunes



JUDAS PRIEST - DEFENDERS OF THE FAITH

"Quando agulha tocou o vinil de Defenders of the Faith pela primeira vez, eu não estava apenas ouvindo música; eu estava sendo apresentado a um novo mundo. Foi o meu primeiro contato real com o Heavy Metal, e o impacto foi imediato. A abertura estrondosa de 'Freewheelers Burning' me pegou de surpresa, uma velocidade e uma agressividade que eu nunca tinha sentido antes. De repente, o Metal não era mais um conceito distante, mas algo tangível, encarnado pela voz inconfundível de Rob Halford e pela força daquelas guitarras duplas. A capa, com o 'Metallian' emergindo das chamas, era a tradução visual perfeita do que eu estava ouvindo: poder, desafio e uma rebeldia inabalável. ​Aquele álbum não foi apenas um conjunto de músicas, foi um divisor de águas. Ele definiu o padrão de como eu passaria a enxergar a música dali em diante. Mais do que um disco, Defenders of the Faith foi o meu portal para o Heavy Metal."
Jay Frost



IRON MAIDEN - THE NUMBER OF THE BEAST

"The Number of the Beast" me pegou de jeito, a impressão que tenho é que foi realmente um pacto com o Heavy Metal. Sua primeira audição foi tão impactante, que até hoje eu ouço com a  mesma emoção, todas as músicas são perfeitas e irrepreensíveis! De "Invaders" à "Hallowed by thy Name", tenho aqui o álbum transformador da minha vida!"
Márcio Jameson



GUNS N' ROSES - APPETITE FOR DESTRUCTION

"My Michelle" e "Think About You". Essa foram as duas primeiras músicas do Guns n' Roses que eu ouvi. E isso porque um grande amigo ao gravar uma fita k7 de 60 minutos com as "melhores do Ramones", gravou ao sobrar um certo espaço. Fiquei curioso em conhecer o restante do álbum e daí em diante... Não tenho muito a dizer. De "Welcome to the Jungle" até "Paradise City", passando por faixas espetaculares como "It's so Easy", "Out ta Get Me", "Mr. Brownstone", "Nightrain", "Sweet Child o' Mine", "Anything Goes" e "You're Crazy", Apppetite For Destruction moldou meu caráter. Se antes Ramones e Iron Maiden ditavam as horas do Radio National, Axl e sua turma acabaram invadindo o espaço e tomaram conta. E continuam tomando até hoje..."
Sergiomar Menezes

"O disco que mudou minha percepção sobre a música e o rock, sem dúvidas, foi Appetite for Destruction, do Guns N' Roses. No final da minha adolescência e início da vida adulta, eu comecei a ouvir rock e gostar do estilo. Até então, eu ouvia muito pop dos anos 80, como a-ha, e deixava de lado riffs pesados e solos, estilo heavy metal. Até que um dia, numa livraria, eu vi o CD do "Appetite for Destruction" em promoção e resolvi comprar para conhecer melhor a banda. Ao colocar no carro e no som de casa, eu gostei logo de cara de todas as doze músicas. Até então, eu não estava acostumado com um disco de rock mais pesado. Então, ouvindo esse disco incansavelmente por vários dias, eu comecei a pegar gosto pelo hard rock e aos poucos entrando no heavy metal. "Rocket Queen", "Nightrain", "Paradise City", "My Michelle', foram músicas que me conectaram de cara com a banda. Com a migração pro Spotify, ouvia Europe por recomendação da própria plataforma, fazendo com que eu cada vez mais entrasse nesse mundo. Depois de eu ouvir excessivamente o debut do Guns, comprei o "Creatures of the Night", do KISS, que eu também encontrei na mesma livraria, e a partir daí comecei a ouvir músicas mais pesadas, como Iron Maiden, Judas Priest, Accept. Portanto, Appetite for Destruction foi um grande divisor de águas na minha vida para gostar de rock e de metal."
Thiago Rodrigues



BLACK SABBATH - VOL. 4

Meu início no Rock/Metal foi com o KISS e a sua turnê pelo Brasil em 1983. Mas alguns anos antes, eu ainda criança pegava o LP de uma prima minha e ficava analizando a capa. A silhueta de um cara em laranja na capa e o álbum gatefold tinha a foto de dois bigodudos com seus instrumentos, e eu ficava intrigado: "Qual desses caras é o Black Sabbath?" Minha prima só tocava uma faixa do álbum, uma música lenta e que me soava triste. Era a linda "Changes"... Eu queria saber como eram as outras musicas e então peguei o disco pra ouvir. E um turbilhão sonoro tomou conta da minha alma e coração. "Wheels Of Confusion", "Tomorrows Dream", "Supernaut", "Snowblind", "Under the sun".... Toda vez que escuto o Black Sabbath "Vol.4" , todas as faixas, sem excluir nenhuma, tem o mesmo impacto que da vez da primeira audição, e o misto de satisfação e alegria é a mesma que aconteceu naquele garoto de 13 anos.
José Henrique Godoy



KISS - HOTTER THAN HELL

"Eu tinha apenas doze anos quando, em um início de tarde chuvosa, entre filmes de ninjas na TV e gibis da Marvel espalhados pela sala, resolvi colocar um dos discos do meu pai pra tocar, e era um daqueles que sempre me chamava a atenção pela capa: quatro caras mascarados que eu tinha certeza que haviam saído de algum multiverso onde os sonhos se concretizavam e nosso alter ego duelava entre heróis e vilões de Stan Lee e Frank Frazetta… Era a maior banda de todos os tempos que estava ali bem na minha frente: o KISS! A capa era um misto de psicodelia teatral com mistério, e a agulha do toca discos foi parar diretamente no fim da primeira faixa, “Got to Choose”, e um som poderoso de um acorde me transportou na segunda, chamada “Parasite” e aqueles riffs me causaram um orgasmo tão intenso que tudo o que eu queria ser na vida ganhou uma força tão grande que eu não consegui mais ser o mesmo gordinho tímido de sempre. Aliás, continuei sendo, mas agora eu tinha uma força que me integrava a uma egrégora especial. “Hotter Than Hell” foi meu primeiro amor em formato de som, ouvi aquele disco o dia inteiro e me apaixonei igualmente por “Comin’ Home”, “Going Blind”, “Let me Go Rock’ n’ Roll”, “Hotter Than Hell”, “Watchin You“, e percebi que aquele som era tudo o que me fazia queimar por dentro, despertava o melhor dos amores, a mais quente das percepções. Não é o mais bem produzido, nem o mais “bem sucedido”, mas “ Hotter Than Hell” forjou o Gustavo que está escrevendo aqui, e é o meu favorito. Abençoada seja a fenda do espaço tempo que se abriu nesse dia, e eternos agradecimentos ao meu amado pai e aos senhores Gene Simmons, Ace Frehley, Paul Stanley e Peter Criss que me permitiram acordar pra tudo o que eu tinha pra viver, mudou todas as minhas perspectivas sobre tudo o que existe e ali eu renasci."
Gustavo Jardim