segunda-feira, 13 de abril de 2026

LYNYRD SKYNYRD - 07/04/2026 - ARAÚJO VIANNA - PORTO ALEGRE/RS

 


LYNYRD SKYNYRD
07/04/2026
ARAÚJO VIANNA
PORTO ALEGRE/RS
Produção: EntreLike/ Mercury Concerts

Texto: Sergiomar Menezes
Fotos: José Henrique Godoy/Marcela Wild
Foto de capa: DS Creatives 


Existem noites que transcendem a ideia de um simples show: são verdadeiros ritos de passagem. E o que aconteceu na noite do dia 07 de abril de 2026, no Auditório Araújo Vianna, em Porto Alegre, pode ser inserido nesse momento. Nesta data, a capital dos gaúchos, se preparou para acolher uma lenda viva. A ansiedade que tomava as ruas da capital gaúcha não era sem motivo. Afinal, receber um show de um grupo que resistiu ao passar do tempo, superou tragédias e converteu a dor em canções que ressoam há décadas, não acontece todos os dias. E coincidentemente, ou não, o LYNYRD SKYNYRD possui uma aura que poucas bandas de rock conseguem manter: a bandeira do Sul, uma resiliência inabalável e a sonoridade distinta das guitarras triplas, que parece pintar o pôr do sol no horizonte. Sul, resiliência e pôr do sol. Algo que Porto Alegre e os gaúchos conhecem bem...

Logo na chegada, era perceptível que não estávamos diante de um show corriqueiro: o volume do público aumentava a cada minuto, e era muito interessante e ao mesmo tempo bacana, notar a grande quantidade de jovens senhores e senhoras que chegavam, seja ostentando camisetas da banda (ou de outros ícones dos anos 70), seja com chapéus de cowboy, todos sintonizados na mesma frequência. Ao adentrar o Araújo Vianna, já percebemos que teríamos casa cheia, pois em questão de minutos os 5000 lugares disponíveis foram preenchidos. E entre uma cerveja e outra, bate papo com amigos que não víamos há muito tempo, eis que poucos minutos antes do previsto, o palco ganha vida com um vídeo no telão e a banda entra em cena.

A comoção foi geral, pois o público que ali estava, sabia que no palco, uma banda única, que influenciou centenas de outras mundo afora, ocupava o lugar que lhe aguardava há muito tempo. Com uma simpatia ímpar e muita energia, Johnny Van Zant (vocal), Rickey Medlocke (guitarra, que integrou a banda entre os anos de 1971 e 1972 na bateria e que voltou em 96 assumindo uma das seis cordas do trio de guitarristas do grupo), Damon Johnson (guitarra), Mark "Spark" Matejka (guitarra), Keith Christopher (baixo), Michael Cartellone (bateria), Peter Keys (teclados) e as backing vocals Carol Chase e Stacey Michelle adentram o palco com "Work for MCA", cantada por todos os presentes, o que de certa forma, pareceu surpreender a banda, em especial Johnny Van Zant, que soltou um sorriso de satisfação para logo em seguida emendar com "What's Your Name", que da mesma forma, fez todos ps presentes cantarem de forma uníssona. E isso foi uma constante durante o show, o que só veio a comprovar a sensação que tivemos na chegada: quem estava ali eram fãs, de muito ou de pouco tempo, mas fãs. 


"That Smell", com sua veia "bluesy" continuou a sequência de clássicos. Johnny, esbanjando simpatia, interagia com o público sempre que podia, enquanto o trio de guitarrista mostrava grande entrosamento no palco, com destaque para Medlocke.Aliás, sobre algumas críticas que o grupo recebeu por se apresentar como LYNYRD SKYNYRD sem ter mais nenhum integrante original, o guitarrista foi enfático em entrevista a GZH: "Existem muitas bandas tributo ao Lynyrd por aí hoje em dia, mas nós não nos consideramos uma delas. Nós somos o grupo real. O que as pessoas não entendem é que Gary Rossington, antes de falecer, fez eu e Johnny prometermos que nunca deixaríamos essa banda se tornar apenas uma memória". Não é preciso dizer mais nada, certo? " I Need You", foi oferecida à todas as mulheres presentes, o que levantou gritos de agradecimento por parte das presentes. No entanto a trinca que veio na sequência foi de arrasar: "Gimme Back My Bullets", "Down South Jukin" e "Saturday Night Special", sendo esta última uma das mais aguardadas pelo público.

"Still Unbroken", faixa pesadíssima do álbum "God & Guns", lançado em 2009, mostra que a banda precisa não vive apenas do passado de seus integrantes, mas busca também valorizar aqueles que mantiveram e mantém a banda na ativa. "The Needle and the Spoon", com sua letra sombria e reveladora, contrata com a melodia mais intensa da composição. Então, um dos momentos mais emocionantes do show, chega e chega forte. "Tuesday's Gone" homenageou Gary Rossington, último integrante original do grupo que faleceu em 2023. Enquanto a faixa era executada, imagens do guitarrista apareceram no telão em diversos momentos, num dos momentos que levaram muitos dos presentes às lagrimas.


Mas se com "Tueday's Gone", as primeiras lágrimas vieram, o que dizer quando Johnny anunciou "Simple Man"? Meus amigos, poucos momentos nessa minha vida assistindo shows ou até mesmo cobrindo foram tão emocionantes... Confesso, que precisei segurar as lágrimas, algo que não aconteceu com a maioria dos presentes, inclusive com um certo fotógrafo que estava do meu lado. Essa música consegue equalizar os sentimentos dos presentes de uma forma que o ambiente se torna uma coisa única, carregada de emoção e sentimento, transcendendo o mundo real. Só quem estava lá vai entender o que escrevo. Ainda mais quando é jogada no palco uma bandeira do Rio Grande do Sul, e logo após estender a bandeira, Van Zant a amarra ao seu pedestal e segue o show come ela ali. Uma bandeira do Brasil também foi jogada e estendida pelo vocalista, ao mesmo tempo em que ela apareceu no telão. "Gimme Back my Bullets" e "Call Me the Breeze" (cover de J.J. Cale) foram tocadas com entusiasmo e logo após a intro "Red, White and Blue" nos adiantou que a clássica "Sweet Home Alabama" ganharia o palco com sua simplicidade e genialidade". Em seguida, a banda deixa o palco aos gritos de pedido para retornarem, o que todos nós sabíamos que aconteceria, afinal, um dos maiores clássicos da música universal ainda não tinha sido tocado.

Ao retorno pro palco, os primeiros acordes de "Free Bird", imagens de todas as épocas da banda surgem no telão, incluindo o início da carreira da banda, situações vividas por eles, incluindo imagens do avião (não do acidente) que vitimou alguns integrantes. Além da própria música ser uma das mais emocionantes já compostas, o casamento com as imagens foi o combustível para acenos, lanternas do celular, abraços, lágrimas e muita celebração. Na metade da faixa, Johnny dá lugar ao seu irmão Ronnie que surge no telão e ele canta a segunda parte da composição, ao lado de Gary Rossington. Que momento único! Ao final, a banda agradece e Johnny ao lado de Peter Keys empunham uma bandeira que une Brasil e Estados Unidos numa só. Sintomático, pois ambos os países vivem momentos difíceis e tudo que queremos é apenas nossa liberdade!



Fica aqui o agradecimento especial à EntreLike pelo credenciamento e cordialidade no atendimento, à Mercury Concerts por proporcionar esse momento único na vida dos gaúchos, ao staff do Araújo Vianna, sempre gentil e prestativo e à Marcela Wild e Rafa Drink Wine pelas fotos. Um show que ficará emoldurado na memória de todos que estiveram presentes.


sexta-feira, 10 de abril de 2026

GOREFEST - THE EINDHOVEN INSANITY (1993/2025) RELANÇAMENTO


 

GOREFEST
THE EINDHOVEN INSANITY (1993/2025)
Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional

Em uma década que o Metal estava “em baixa”, mercadologicamente falando, o Death Metal, uma das suas vertentes mais brutais, era um dos pilares que sustentavam o estilo vivo. Muitas bandas gravavam e lançaram no ínicio da década de mil novecentos e noventa, seus álbuns mais clássicos e trabalhos marcantes. Dentre eles, este épico “The Eidhoven Insanity” do Gorefest.

Gravado no Festival Dynamo em Eidhoven, em trinta de maio de 1993, este registro ao vivo é um clássico absoluto que mostra uma banda ainda no inicio da sua trajetória e cuspindo brutalidade. Até aquele ponto, o Gorefest tinha apenas dois álbuns lançados: “Mindloss” (1991) e “False” (1992) e o show por óbvio baseia-se nestes registros.

A produção sonora é decente considerando que esta é uma gravação ao vivo de death metal de 1993. É raro que álbuns de death metal ao vivo sejam melhores do que as gravações de estúdio de uma banda, e eles frequentemente acabam sendo apenas versões inferiores e mais falhas de faixas que você já conhece e lembra com valores de produção muito melhores e sem erros de performance. Isso tem muito a ver com a natureza dos shows de death metal, que são simplesmente melhores quando experimentados ao vivo pessoalmente. A energia e a atmosfera de um show como este realmente não são sentidas através das caixas de som quando experimentadas neste formato. Porém, estas observações não se aplicam aqui neste “Eidhoven Insanity”, pois desde os primeiros segundos de audição, parece que você foi sugado para dentro do show.

O Gorefest entrega uma performance sólida, e faixas como "Confessions of a Serial Killer" e "Reality - When You Die" são uma aula de Death Metal. O público certamente soa como se estivesse aproveitando o show na faixa de agradecimento ao público no final, "Eindhoven Roar". Há várias gravações de vídeo amadoras deste show disponíveis, e é óbvio pelo material de vídeo que o público aproveitou o show. Procure no Youtube e veja por si mesmo. Este álbum foi relançado nacionalmente pela Shinigami Records, e se você curte o Death Metal em seu estado mais puro, este álbum torna-se obrigatório na sua coleção.

José Henrique Godoy




quinta-feira, 9 de abril de 2026

EXTREME - 06/04/2026 - ARAÚJO VIANNA - PORTO ALEGRE/RS


 

EXTREME
06/04/2026
ARAÚJO VIANNA
PORTO ALEGRE/RS
Produção: EntreLike/Mercury Concerts

Texto e fotos: José Henrique Godoy

Dentre todos os estilos de Rock/Metal que aprecio, o meu preferido sempre foi o Hard Rock. O que causava uma certa estranheza, até para mim, é que até 2015 eu nunca havia dado muita atenção para o Extreme. Sabia de quão exímio era seu guitarrista Nuno Bittencourt, e de seus hits, mas sei lá, não me “apetecia“ muito consumir o material fonográfico da banda.

Em junho de 2015, isso mudou drasticamente, pois ao ver o Extreme ao vivo, me tornei rapidamente fã da banda, comprei todos os CDs, e Nuno Bittencourt passou rapidamente a ser um dos meus guitarristas preferidos. Então, para esta segunda passagem pela capital gaúcha, estava bem ansioso para assistir a banda ao vivo novamente.

Com um pequeno atraso, as 21h15, o Extreme invade o palco do Araújo Vianna, de cara detonando as clássicas “It´s a Monster“ e “Decadance Dance”, ambas do mais que clássico e multiplatinado “Pornografitti”(1990). A qualidade do som se destacava já nos primeiros acordes, altos e claros, como tem que ser um show de Rock n' Roll.

Gary Cherone é um frontman de mão cheia, um verdadeiro entertainer, um misto de Freddie Mercury com Dave Lee Roth e Steven Tyler. Guardadas as devidas proporções, é claro. Seu vocal soa impecável. Nuno é um monstro! Chega a ser difícil adjetivar o que esse cara faz com as suas guitarras. Parece estar pegando fogo. O baixista Pat Badger segura os graves com maestria e detona nos backing vocals, enquanto Kevin Figueiredo é um animal nos tambores, o baterista estilo “lenhador”: pesado e preciso.


O público não lotou a Auditório, porém a plateia era formada apenas por fãs da banda, isso era visto apenas em uma olhada no numeroso número de camisetas do Extreme, ou por alguns presentes com visual mais caprichado, remetendo a “era de ouro do Hair Metal”. A Tour atual do grupo promove o seu sexto álbum, e a prova que as composições deste trabalho são fortes, é que elas casam muito bem com faixas clássicas da banda.: “Rebel”, "Thicker Than Blood” e “Banshee” casam perfeitamente com “Rest In Peace”, “Hole Hearted|”, “Cupid s Dead”, dentre outras.

Nuno exibe toda a sua técnica na instrumental acústica “Midnight Express”, que introduz a popularíssima balada “More Than Words”. “Façam muito barulho para meu irão Gary Cherone”, diz ele em um português cheio do simpático sotaque lusitano. Aliás, Nuno toma a frente ao se comunicar com a plateia, especialmente pela similaridade de idiomas. Ele perguntou quem assistia ao Extreme pela primeira vez. E ao perguntar quem assistiu em 1992 (primeira passagem da banda no Brasil), ele apontou para quem levantou o braço e respondeu em tom de zoeira: ”velho, velho...muito velho!”.


O final com “Get The Funk Out”, e após uma tradicional “saída falsa de palco”, o Extreme fecha com chave de ouro seu show, após 1h40h com a pesadíssima “Rise”, faixa de abertura do álbum “Six”. Se o Extreme é ótimo nos seus álbuns, melhores ainda eles são ao vivo. É uma banda para se ver ao vivo sempre que possível. Que voltem muito em breve. Nossos agradecimentos para a Mercury Concerts e Entrelike e para todo o staff do Auditório Araújo Vianna.





REBEL ROCK ENTREVISTA - PEACE WILL COME


 REBEL ROCK ENTREVISTA - PEACE WILL COME


O rock brasileiro ganha um novo fôlego com a chegada de "Rock n’ Roll City", o mais recente álbum da banda Peace Will Come. O trabalho, que mergulha fundo nas raízes do gênero com uma roupagem moderna e vigorosa, marca um momento importante na trajetória do grupo. 

Para entender os detalhes dessa nova fase, conversamos com o guitarrista Emerson Macedo. Em um papo direto e revelador, o músico nos contou sobre o processo de composição do álbum, os desafios da produção e o conceito por trás do título que celebra a cultura rock.

Além do novo disco, aproveitamos a oportunidade para falar sobre influências, carreira e os próximos passos da Peace Will Come na estrada. Confira abaixo a entrevista completa.

Por Sergiomar Menezes
Fotos: Stephanie Veronezzi

Rebel Rock: O título "Rock n' Roll City" soa como uma declaração de princípios. O que essa "cidade" representa para vocês e como ela se conecta com a realidade do rock no Brasil hoje?

Emerson Macedo: A ideia por trás do título Rock n’ Roll City é reafirmar que o rock’n’roll continua vivo, pulsante e vibrante como sempre. O rock sempre foi um estilo de agregação, capaz de unir pessoas em torno da energia da música, e acreditamos que isso jamais se perderá. Mesmo que saia do chamado “mainstream”, ele continua forte: se você procurar, vai encontrar algo que te mova — seja novo, clássico ou até um “novo clássico”.

Para nós, Rock n’ Roll City é um lugar — real ou imaginário — onde a força do rock toca a alma. É onde você se reconecta com aquilo que desperta sua paixão, onde a música ganha significado e onde fica clara a certeza de que você nunca está sozinho.

É verdade que o rock no Brasil hoje não ocupa mais o centro do mercado, mas existe uma produção nacional de altíssima qualidade em todas as vertentes do gênero. Muitos artistas estão lançando seus trabalhos de forma independente e divulgando pelas redes sociais. O desafio é que essa produção ainda tem pouco espaço em eventos de maior visibilidade: em grandes festivais, por exemplo, as bandas nacionais costumam tocar em palcos menores ou em horários menos nobres. Ainda assim, elas estão presentes e ativas.

Também há menos casas noturnas com rock ao vivo, mas elas existem e dependem do público. Acreditamos que um caminho de fortalecimento da cena passa por ampliar o espaço para bandas autorais nesses locais, que hoje são majoritariamente ocupados por covers e tributos. O autoral enfrenta mais dificuldades, mas é justamente nele que a cena se renova e segue viva.

Rebel Rock: Como foi o equilíbrio entre as composições individuais e o trabalho de jam session no estúdio para chegar ao som final do álbum? 

Emerson: Todas as composições do álbum surgiram a partir de jam sessions na fase de criação, com exceção de "Don’t Panic", que é uma música mais antiga de uma outra banda chamada Arsenal, com outros compositores. Para essa faixa, fizemos novos arranjos e escrevemos uma nova letra.

Durante as jam sessions, eu geralmente trago riffs de guitarra — ou uma sequência de riffs — e, a partir disso, fomos construindo as músicas coletivamente, adicionando ideias até chegar a uma estrutura sólida para cada faixa.

Antes de entrar em estúdio, fizemos uma espécie de pré-produção para aproveitar ao máximo o tempo de gravação, trabalhando com cuidado os timbres dos instrumentos e a sonoridade geral do álbum. A etapa final foi a escrita das letras e a gravação dos vocais. Com exceção das guitarras, que gravamos apenas eu e o Cesar Bottinha no estúdio dele, todo o restante do processo de composição e gravação foi feito com os quatro integrantes juntos, do começo ao fim.

Emerson Macedo, Cesar Bottinha, Andria Busic e Ivan Busic

Rebel Rock: Compor em inglês abre portas internacionais, mas exige um cuidado extra com a fonética e a interpretação. Como vocês trabalharam para que a mensagem das letras soasse autêntica e orgânica?

Emerson: Como já compomos em inglês há muito tempo, esse processo é algo bastante natural para nós. Quase todos viemos de bandas autorais que já escreviam em inglês, além da experiência em bandas de repertório e covers, o que contribuiu para uma familiaridade grande com o idioma.

Somos fluentes e isso facilita muito, porque a estrutura das letras, as melodias vocais e a interpretação já surgem dessa forma de maneira orgânica. Ainda assim, temos um cuidado especial com a escolha das palavras, com a métrica e com a rítmica das letras, sempre atentos à fonética. Tudo isso é feito sem jamais sacrificar a mensagem ou a emoção da música. Para nós, o mais importante é que a letra soe verdadeira e conectada com o que queremos expressar.


Rebel Rock: O álbum tem um pé nos anos 70/80 e outro na atualidade. Quais foram as maiores referências de timbragem (guitarras, bateria) que vocês buscaram para não soarem apenas como um "revival"?

Emerson: As nossas principais referências, nossos ídolos, são praticamente todos das décadas de 70 até 90, e isso transparece de fato nas composições — seja na dinâmica das músicas, nas melodias vocais, no estilo dos solos de guitarra, no baixo mais pesado e na bateria mais “à frente”. É possível perceber influências de bandas como Black Sabbath, Led Zeppelin, Dio, Kiss, RATT, Lynch Mob e Whitesnake, mas também de sonoridades um pouco diferentes, como o King’s X, por exemplo.

Acreditamos que o principal elemento que nos conecta a essa atmosfera dos anos 70 e 80 é o fato de as músicas serem alicerçadas nos riffs de guitarra. Ao mesmo tempo, tivemos muita atenção aos processos de gravação, mixagem e masterização, buscando um som grande e poderoso, mas com equilíbrio e, principalmente, deixando a música “respirar”.

Tomamos cuidado para não abusar das compressões de áudio, que muitas vezes deixam tudo muito alto, porém com pouca dinâmica. O que tínhamos em mente durante todo o processo era criar um álbum com uma sonoridade que transmitisse ao ouvinte a sensação mais próxima possível de ouvir a banda tocando de verdade. Acreditamos que é justamente isso que faz com que o álbum soe moderno, mesmo dialogando fortemente com referências clássicas.


Rebel Rock: Existe uma coesão nítida entre o vocal e as guitarras neste trabalho. Como vocês sentem que a dinâmica interna da banda evoluiu desde os primeiros ensaios até a gravação deste disco?

Emerson: Eu diria que, especialmente em comparação com nosso primeiro álbum, a evolução foi imensa. Não pela vontade ou pelo empenho em fazer um ótimo trabalho — porque essa já era nossa abordagem desde o início —, mas pelas circunstâncias em que cada disco foi concebido.

O primeiro álbum foi feito durante a pandemia, com as composições acontecendo de forma remota e partindo de um repertório de ideias bastante heterogêneo. Já existia uma sintonia muito forte entre mim e o Cesar Bottinha como guitarristas, vinda do trabalho que fizemos naquele disco, além da experiência com o Ivan Busic, que havia gravado as baterias como convidado.

Mas Rock’n’Roll City foi composto, gravado e produzido como uma banda de fato. A grande novidade neste segundo álbum foi a chegada do Andria Busic e a permanência do Ivan, agora como membros oficiais. A partir daí, fizemos todo o processo de composição e gravação juntos, durante um período significativo e de forma realmente colaborativa. Esse convívio mais intenso resultou em um trabalho que reflete o melhor de cada um de nós, sempre com foco na canção. Acreditamos que foi justamente a vontade coletiva de fazer com que cada música fosse a melhor possível — dando espaço para todos brilharem nos seus momentos — que fortaleceu essa química e dinâmica interna. Além disso, o fato de nos divertirmos muito juntos, mesmo fora do estúdio e dos palcos, contribuiu diretamente para essa coesão que aparece no disco.


Rebel Rock: Se vocês tivessem que escolher uma única faixa do álbum para apresentar a banda a alguém que nunca os ouviu, qual seria e por quê?

Emerson: Para mim é muito difícil apontar apenas uma música, mas eu escolheria Rock’n’Roll City, que foi o single lançado antes do álbum completo. Essa faixa mostra nosso lado mais rock’n’roll, mais para cima, e funciona como uma verdadeira celebração do rock.

Com ela, fica evidente que queremos que o álbum seja uma fonte de energia, inspiração e conexão com as pessoas que ouvem nossa música. Inclusive, Rock’n’Roll City é a faixa com que abrimos nossos shows ao vivo, o que reforça ainda mais esse espírito.

Ao mesmo tempo, o álbum tem muitos outros elementos de destaque: músicas mais pesadas como "Digital Pollution" e "Don’t Panic", ainda dentro da vertente hard rock; faixas com uma pegada mais blues rock, como "Time Will Heal the Pain"; "The Song" e "Get Ready" que seguram a energia no alto; e a acústica "Winds of Hope", que encerra o disco. No fim, o mais importante para nós é essa combinação de músicas que adoramos e que se sucedem de forma natural ao longo do álbum, fazendo com que o ouvinte fique esperando pela próxima faixa e aproveite o disco do começo ao fim.

Rebel Rock: Houve alguma música que quase ficou de fora ou que deu muito trabalho para ser finalizada? Como vocês resolveram o "quebra-cabeça" dela?

Emerson: Pode parecer quase incrível, mas não — não houve nenhuma música que tenha ficado de fora. Quando percebemos que já tínhamos material forte o suficiente para um álbum, direcionamos nossa energia para arranjar as partes, amarrar as estruturas e fazer a pré‑produção pensando no disco como um todo, não como faixas soltas.

E isso tem muito a ver com a forma como a gente enxerga um álbum: como uma obra completa. A gente nem chegou a fazer demos; eu e o Cesar Bottinha gravamos apenas guias de guitarra e tudo foi construído a partir delas, justamente para manter esse senso de unidade e de “banda tocando de verdade” ao longo do trabalho.

O “quebra‑cabeça”, como você colocou, apareceu na hora de definir a sequência. A grande decisão foi encontrar um flow natural — como se cada faixa fosse um capítulo — para que a primeira audição tivesse sempre essa sensação de descoberta: “o que vem agora?”, “para onde o disco vai me levar?”.
E a gente sentiu que isso funcionou bem. Mesmo nas ouvidas seguintes, quando a surpresa já não é a mesma, o disco ainda conduz por diferentes emoções e vibrações. Isso vem muito da cultura de ouvir álbuns do começo ao fim, como a leitura de uma história — porque, no fim, é exatamente isso que ele é para nós: uma história musical.


Rebel Rock: As músicas de "Rock n' Roll City" exalam uma energia muito "ao vivo". Como está sendo o planejamento para traduzir essas camadas sonoras para os shows?

Emerson: Essa foi uma decisão consciente de produção, e acreditamos que tivemos sucesso nesse aspecto. Desde o início, pensamos o álbum para que ele pudesse ser reproduzido ao vivo com a mesma força e qualidade do que está gravado, somando a energia da música sendo tocada ali, na frente do ouvinte, sem truques e sem disfarces — música alta, olho no olho e todo mundo vibrando junto.

Por isso, não há camadas excessivas de instrumentos ou de vozes, nem a adição de elementos que não estejam presentes nas apresentações ao vivo. Usamos apenas alguns recursos pontuais, como uma camada muito discreta de teclados em “The Song” e pequenas percussões em alguns trechos, que não reproduzimos quando estamos somente nós quatro no palco.

Em shows realizados em espaços maiores e com melhor infraestrutura, nosso plano é ampliar essa experiência com a presença de mais duas backing vocals, que também fazem percussões. A ideia é manter a essência da banda ao vivo, mas com uma dimensão maior, acompanhando a estrutura do palco sem perder a honestidade sonora.


Rebel Rock: Como vocês enxergam a recepção do Hard Rock autoral no Brasil atualmente? Vocês sentem que há um novo público surgindo para esse estilo?

Emerson: Aqui existe uma diferença importante em relação ao que você perguntou. Para grandes bandas clássicas internacionais, há sim uma renovação de público, com muita gente mais jovem indo aos shows levada pelos pais ou por alguém mais velho da família. É quase como uma tradição que vai sendo passada entre gerações, e é muito estimulante ver isso acontecendo. Eu mesmo comecei a gostar de rock — principalmente de hard rock e heavy metal — por influência do meu irmão, que era 16 anos mais velho do que eu.

Por outro lado, não vejo esse mesmo movimento de renovação acontecendo com a mesma força no hard rock autoral nacional. Quando olhamos para os dados de demografia dos ouvintes da Peace Will Come nas plataformas de streaming e para nossos seguidores nas redes sociais, percebemos um público majoritariamente acima dos 25 anos, com maior concentração entre 35 e 55 anos.

Isso nos mostra que ainda existe um espaço enorme para que um novo público se aproxime desse estilo e se engage com as bandas e artistas nacionais. O desafio está justamente em criar pontes para que essa renovação aconteça, como haver mais espaços para shows de bandas autorais por exemplo, mas o potencial está claramente ali.

Rebel Rock: Com o lançamento de "Rock n' Roll City", qual é a principal meta que a Peace Will Come pretende alcançar nos próximos 12 meses? 

Emerson: Nossa principal meta nos próximos 12 meses é levar o álbum Rock n’ Roll City para o palco. Queremos fazer apresentações ao vivo para tocar as músicas do disco, revisitar algumas faixas do primeiro álbum com uma roupagem mais alinhada à atual formação da banda e incluir alguns covers de artistas que amamos. A estréia desse ciclo aconteceu no dia 27 de fevereiro passado no House of Legends aqui em São Paulo e a experiência foi sensacional.

O nosso objetivo é realizar pelo menos uma apresentação a cada dois meses. Com isso, esperamos fortalecer o engajamento das pessoas que já acompanham a banda pelas redes sociais, ampliar o nosso público e, principalmente, formar uma comunidade ativa em torno do nosso trabalho.
São metas ambiciosas para nós que somos uma banda ainda pouco conhecida, embora com músicos muito experientes e com uma longa história dentro do hard rock nacional — o que nos dá confiança para construir esse caminho passo a passo, com consistência e presença ao vivo.


Rebel Rock: Obrigado pela entrevista! Deixe uma mensagem para os fãs e para aqueles que ainda não conhecem a banda!

Emerson: Muito obrigado pela oportunidade e a todos que já acompanham nosso trabalho de alguma forma, seja nas plataformas de streaming ou nas redes sociais.

Para quem ainda não conhece a Peace Will Come, o convite é simples: escute o álbum Rock n’ Roll City, vá aos shows e se permita entrar nesse lugar que ele representa. Um espaço onde o hard rock segue vivo, pulsante, e onde pessoas se conectam pela mesma energia e paixão pela música.

Mais do que ouvir nossas canções, o que queremos é convidar as pessoas a fazer parte dessa “cidade” — uma comunidade de entusiastas do hard rock autoral, que acredita na força da música tocada de verdade e na importância de manter essa cena viva e em movimento.

Para quem gosta de ter uma mídia física, prensamos uma quantidade limitada de CDs, que neste momento pode ser adquirido no site da Animal Records ou presencialmente na loja, localizada na Galeria do Rock, em São Paulo. Busquem informações sobre a banda, os integrantes e as músicas nas redes sociais, principalmente no Instagram (@peacewillcomeband). Valeu, grande abraço!




terça-feira, 7 de abril de 2026

GOTTHARD - MORE STEREO CRUSH (2026)

 


GOTTHARD
MORE STEREO CRUSH
Reigning Phoenix Music - Importado

Com um legado impressionante, o GOTTHARD consolidou sua posição no cenário musical global através de números incontestáveis: 17 álbuns no topo das paradas e mais de 3,5 milhões de cópias vendidas mundialmente. A banda ostenta conquistas raras, como um Prêmio Diamante na Suíça e o sucesso estrondoso do álbum "Homerun" (quádrupla platina). Com mais de 2.000 apresentações ao vivo e hits icônicos como "Heaven", o grupo reafirma sua relevância histórica no rock, lançando agora o  seu novo álbum (ou EP) MORE STEREO CRUSH, já disponível pela Reigning Phoenix Music. O lançamento de oito faixas expande o álbum "Stereo Crush", de 2025, e oferece aos fãs uma visão mais profunda das sessões criativas por trás do disco.

Composta pelos membros originais Leo Leoni (guitarra) e Marc Lynn (baixo), ao lado de Freddy Scherer (guitarra), Nic Maeder (vocal) e Flavio Mezzodi (bateria), a banda mantém sua chama acesa. O novo trabalho conta novamente com a assinatura do produtor Charlie Bauerfeind e o talento de vários compositores, provando que a energia e o compromisso do GOTTHARD com o hard rock continuam tão intensos quanto no primeiro dia. Embalada pelo sucesso de sua recente turnê europeia com o Y&T, o grupo mantém o ritmo acelerado. Após uma temporada intensa de festivais e três apresentações monumentais nas arenas do "Rock Monsters of Switzerland", ao lado do Krokus, a banda demonstra que sua sede criativa e energia de palco seguem em plena expansão. Não à toa, o vocalista Marc Storace participa como convidado em uma das faixas.

O trabalho traz cinco músicas inéditas das gravações do "Stereo Crush" (também conhecidas como "sobras"), junto com a faixa "Mayday", que até então só estava disponível em vídeo. O EP também inclui uma edição para rádio da balada "Burning Bridges" e uma nova versão em dueto de uma da músicas favoritas dos fãs: "Liverpool", interpretada pelo vocalista Nic Maeder junto com o já citado Marc Storace, vocalista do Krokus.

Com relação as faixas inéditas, "Right Now" abre o trabalho com aquela pegada típica do Gotthard: guitarras melódicas, vocais afinados e harmonias que marcam o ouvinte. Na sequência, "Ride the Wave", traz um pouco mais de peso na s guitarras, num belo trabalho da dupla Leoni e Scherer, que mantém uma ótima sintonia. Já "Smiling in the Pounding Rain" é uma bela balada, marca registrada da banda. Tocada ao piano, a faixa mostra a classe e categoria do quinteto nesse tipo de composição. O Hard Rock com a veia européia volta a dar as caras com a excelente "Snafu", enquanto "Don't Miss the Call", parece ter sido composta exclusivamente pra ser tocada ao vivo, tamanha a energia da ponte e refrão presentes na faixa. "Mayday", que já havia sido disponibilizada em vídeo, é outro momento bem "Gotthard, com guitarras mais pesadas. A participação de Marc Storace em "Liverpool" dá aquele "plus a mais" na composição, ao contrastar os vocais mais melódicos de Nic Maeder e os rasgados do experiente vocalista. Pra fechar, uma versão editada para as rádios da balada "Burning Bridges".

Apesar de não inovar (e quem disse que precisa), o GOTTHARD segue sendo uma das forças do Hard Rock mundial. Prova disso, é esse trabalho, que traz faixas não gravadas para o álbum "Stereo Crush", lançado no ano passado. Classe, categoria e técnica aliados à composições bem elaboradas e com a marca registrada do grupo impressa, fazem de MORE STEREO CRUSH um trabalho que deve ser apreciado por todo fã de Hard Rock. Ou simplesmente, fã de música boa.

Sergiomar Menezes




segunda-feira, 6 de abril de 2026

THE SHEEPDOGS - KEEP OUT OF THE STORM (2026)

 


THE SHEEPDOGS
KEEP OUT OF THE STORM
Right on Records - Importado

O homem tem o sonho da máquina de viajar no tempo há muitas décadas, basta vermos a quantidade de obras literárias e cinematográficas que tratam deste tema. Porém a música tem o poder de fazer este oficio, nos levar de volta no tempo quando escutamos uma música ou o trabalho de algum artista. E o quinteto canadense The Sheepdogs tem este dom e o exerce com maestria.

Formado em 2004, na cidade de Saskatoon, The Sheepdogs pratica o que se convencionou chamar de Classic Rock, e em seu mais novo trabalho, “Keep Out Of The Storm”, o nono álbum de sua discografia, o quinteto nos pega pela mão e nos joga lá nos anos 1970. As influencias são obvias: Lynyrd Skynyrd encontrando o Led Zeppelin, e o Alman Brothers Band convidando o Thin Lizzy para um passeio.

Não querendo parafrasear o treinador Roger Machado, que adora frases sem sentido para parecer mais culto, mas “Keep Out Of The Storm” é complexo na sua simplicidade, se é que me faço entender. A audição deste trabalho é fácil e muito agradável, e aos poucos você vai entrando numa vibe que mescla tranquilidade e excitação, pela qualidade de todas as composições.

Arranjos grooveados, riffs de guitarra cativantes, vocais no lugar certo e sem exageros conduzem o ouvinte para uma das melhores décadas da música, porém sem soarem datados e/ou manjados. Como falei, as influências são claras, mas por outro lado, o trabalho tem uma originalidade que faz “Keep Out The Storm” soar com frescor e oxigenado. Eles merecem.

Embora The Sheepdogs não sejam uma banda que  toca alto e soe barulhenta, o álbum inclui músicas de rock pulsantes, como “All I Wanna Do” e a animada “I Do”.

No geral, porém, The Sheepdogs focam no groove e na melodia. “Keep Out of the Storm” apresenta músicas de rock suaves que ressoam com emoção. “Take a Look at Me Riding” destaca a intensidade emocional da banda. É um dos momentos mais cheios de alma no álbum e demonstra as habilidades excepcionais de composição da banda. O arranjo, que inclui um trompete, adiciona uma faísca extra a essa grande canção.

Enfim, The Sheepdogs ainda não são muito conhecidos internacionalmente , mas espero de verdade que esta história mude com o lançamento de “Keep Out The Storm”. A banda merece o sucesso e os apreciadores do Classic Rock e da boa música merecem conhece-los.

José Henrique Godoy




THE HELLACOPTERS - CREAM OF THE CRAP! COLLECTED NON-ALBUM WORKS - VOL. 3 (2026)

 


THE HELLACOPTERS
CREAM OF THE CRAP! COLLECTED NON-ALBUM WORKS - VOL. 3
Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional

A maior banda de garagem do mundo, o gigante sueco The Hellacopters, retorna com mais uma edição do The Cream Of The Crap, a sua terceira edição de, como diz o subtítulo do álbum, faixas gravadas e não lançadas em seus trabalhos anteriores. E os caras não brincam em serviço quando o assunto é fazer Rock N' Roll.

As faixas variam entre músicas autorais não lançadas e covers de artistas e bandas dos mais variados estilos, porém todos no padrão Hellacopters de qualidade. Quando eu falo variados estilos, fica melhor falar de algumas faixas para se ter uma idéia: “I'm EIghteen“ (Alice Cooper), “Speedfreak“ (Motorhead), “Workin For MCA” (Lynyrd Skynyrd), soando influências óbvias dos suecos, ao mesmo tempo que temos versões de artistas R&B como as faixas “Little Mis Sweetness” (The Temptations) e “Whole Lote Shakin In My Heart”(Smokey Robinson).

Musicalmente, o álbum se destaca pelo contraste. O punk furioso de “American Ruse” (MC5) e "455 SD" (Radio Birdman) responde à climas mais “grooveados” como em “A Man And A Half “(Wilson Pickett) e "Get Ready" (Smokey Robinson). Algumas faixas originais como “Disappointment Blues“ e “Doggone Your Badluck Soul“ mostram todo o poder de fogo do The Hellacopters: uma banda capaz de cativar o ouvinte já na primeira audição. É uma energia como se fosse “ao vivo” que transparece em cada faixa, com guitarras saturadas e vocais agressivos dando a impressão de estar assistindo a um show na garagem dos caras, e a sensação que a banda transmite a cada segundo é que cada canção importa, mesmo as mais obscuras.

Enfim, um outro trabalho excelente, onde mesmo sendo uma coletânea de sobras, a única sensação que temos aqui, é que algo sobrou por falta de qualidade. Longa vida ao The Hellacopters!!!! Lançamento nacional Shinigami Records.

José Henrique Godoy




DREAM THEATER - LIVE IN TOKYO 2010 (2026)


DREAM THEATER
LIVE IN TOKYO 2010
Shinigami Records/Inside Out Music - Nacional


A série Lost Not Forgotten Archives vem trazendo muita coisa interessante para o fã de Dream Theater. Obviamente, estou falando daquele público longe do fanatismo — do ouvinte de álbuns de estúdio, que acompanha os lançamentos oficiais.

A banda abriu as gavetas de seus arquivos e, de tempos em tempos, despeja momentos únicos e curiosos, agora de forma oficial: demo tapes, shows em que prestaram tributos a álbuns clássicos na íntegra (leia-se bandas como Metallica, Deep Purple, Iron Maiden e Pink Floyd), além de registros próprios, capturados durante turnês de divulgação de seus trabalhos.

Live in Tokyo é um desses momentos únicos e especiais. Realizado no dia 8 de agosto de 2010, a data marca o fim da turnê do maravilhoso Black Clouds & Silver Linings — mas vai além disso. Após o encerramento da turnê, Mike Portnoy dava adeus ao Dream Theater.

Sim, esse “novo” ao vivo é a última dança de Portnoy antes de seu retorno em 2023. Um show que captura a banda no auge do seu “presente”: das seis músicas do tracklist, quatro pertencem justamente ao álbum que estava sendo promovido.

A abertura com “A Nightmare to Remember” e “A Rite of Passage” é um soco no estômago — peso e genialidade lado a lado. As linhas quebradas, o virtuosismo e o feeling de cada passagem são de arrepiar. Se em estúdio tudo já funcionava de maneira primorosa, ao vivo o nível sobe ainda mais, e a dobradinha “Wither” e “The Count of Tuscany” prova isso com sobras.

Para muitos, o grande “problema” do Dream Theater sempre foi James LaBrie. Sua voz é inconfundível, mas seu timbre, por vezes, incomoda. Aqui, porém, ele está em uma daquelas noites em que tudo se encaixa — como se os astros realmente tivessem se alinhado. O canadense entrega uma performance à parte. O material ainda traz “Prophets of War”, do antecessor "Systematic Chaos". O fechamento fica por conta de um medley que olha para o passado: “Pull Me Under” e “Metropolis”.

Mais do que um simples registro ao vivo, Live in Tokyo é um retrato de transição — o fim de uma era e o encerramento de um dos capítulos mais marcantes da história do Dream Theater. Um documento que captura a banda no auge técnico, emocional e criativo, pouco antes de uma mudança que redefiniria seus caminhos.

Aqui, não há apenas música — há história sendo tocada ao vivo.

William Ribas





EXODUS - GOLIATH (2026)

 


EXODUS
GOLIATH
Napalm Records - Importado

Poucas bandas no universo do thrash metal carregam tanto peso histórico e tanta bagagem acumulada quanto o Exodus. Fundado em 1979 em São Francisco, a banda foi um dos embriões da cena Bay Area, aquele caldeirão que trouxe o Metallica (não custa lembrar que Kirk Hammett veio de lá), o Slayer, o Megadeth e toda uma geração que redefiniu o heavy metal nos anos 80. O debut, melhor e maior clássico da banda, Bonded by Blood (1985), atrasado por problemas contratuais e trocas internas, chegou tarde demais para colher os frutos que merecia, mas com uma brutalidade que poucos discos da época ousavam. Quarenta anos depois, aquele atraso ainda dói um pouco, e talvez seja justamente esse ressentimento que mantém o Exodus com tanta fome de continuar sua saga.

O contexto que você precisa saber antes de ouvir:

Goliath não é só mais um disco. É um álbum carregado de decisões que mudam tudo o que você vai ouvir, se souber o que está rolando por trás.

A mais importante delas: pela primeira vez em toda a história do Exodus, Gary Holt não foi o único compositor. Lee Altus, que chegou junto com Dukes em 2005, assina quatro das dez faixas. Há também, letras escritas também pelo próprio Dukes e pelo baterista Tom Hunting. Algo realemente inédito. E faz diferença no resultado, pois Goliath soa menos como "um disco que Gary Holt escreveu quase tudo sozinho" e mais como trabalho de uma banda de verdade.

A mudança na produção também importa. A banda assumiu as rédeas dessa vez, com a mixagem e masterização nas mãos de Mark Lewis (conhecido por trabalhos com o Whitechapel e Nile) no lugar de Andy Sneap, parceiro de mais de três décadas. O resultado é mais orgânico e mais cru. As guitarras têm uma presença real. A bateria respira mais. No fim do dia, foi uma escolha que combina com o que o disco quer ser.

E para abrir o álbum, temos “3111”, que foi escrita por Lee Altus, ganhou notoriedade antes mesmo do lançamento, onde o clipe foi censurado e o YouTube ameaçou deletar o canal do Exodus por causa do clipe violento demais, então a banda criou um site próprio pra hospedar o vídeo. O título não é aleatório, 3.111 foi o número de homicídios registrados em Ciudad Juárez apenas no ano de 2010. A letra mergulha nessa realidade com imagens de praças ensanguentadas, sicários mascarados e cartéis controlando tudo enquanto os poderosos fecham os olhos. Há até versos em espanhol como: "trono de narco tortura" que dão à faixa uma crueza geográfica que vai além do thrash tradicional. Essa é a régua da temática do disco, brutalidade real, não ficção científica. A música começa com quase um minuto de introdução densa antes de explodir em thrash clássico de Bay Area. Riff bem construído, bateria certeira, Dukes soando agressivo e presente como sempre. Nem parece que ficou quase 12 anos fora da banda.

Já em “Hostis Humani Generis” (Inimigo da humanidade), é uma expressão latina usada historicamente para designar piratas e criminosos de guerra. É aqui que o disco realmente engrena. Tom Hunting abre na paulada, Holt e Altus se revezam em riffs que têm aquela urgência característica dos primeiros anos da cena. Dukes cospe as letras com aquela raiva genuína que conhecemos. É uma das faixas mais próximas daquela Exodus clássico dos anos 80, não por acaso, uma das mais fortes. Se você precisa de uma música pra convencer um amigo a ouvir Goliath, comece por aqui.

“The Changing Me” é uma grata surpresa no álbum. Após uma introdução que beira o groove moderno (ouvimos uma pitada de Machine Head aqui?) a faixa encontra seu caminho quando o baixo de Jack Gibson e a bateria de Hunting assumem o controle. A grande sacada aqui é o coro com vocais limpos e guturais que se sobrepõem em camadas, com Tägtgren (vocalista do Hypocrisy e Pain), dividindo o espaço com Dukes em uma troca visceral. A curiosidade é que Tägtgren já havia participado de Exhibit B (2010), na faixa The Sun Is My Destroyer. Que solo maravilhoso temos aqui, e o finale vem em um clima de death metal melódico surpreendente. Essa é uma das músicas mais experimentais que o Exodus já gravou e funcionou muito bem dentro da proposta do álbum.

E chegamos em “Promise You This”, que foi o último single liberado antes do lançamento oficial de Goliath e que traz um groove thrash direto. A letra é um manifesto de resiliência, homem de palavra, que apanhou, mas nunca se dobrou, que aprendeu com o pai que olho por olho é filosofia válida. Musicalmente, Dukes instiga a bagunça no verso, o refrão tem um tom um pouco mais simples e melódico, que dá uma forte impressão de ter sido inspirada no AC/DC, que são ídolos declarados da banda, além do solo de Holt que é um daqueles que lembram por que ele é considerado um dos maiores guitarristas do thrash metal. E foi este terceiro single que teve melhor recepção do público antes do lançamento.

Parafraseando Galvão Bueno (Haja coração amigo ), chegamos em “Goliath”. Essa é a faixa mais diferente não só do álbum, mas de toda a carreira da banda. O Exodus nunca tinha chegado tão perto do doom metal, e o próprio Gary Holt disse isso em entrevista. A faixa conta com a participação da violinista Katie Jacoby, que gravou dezoito faixas de cordas que transformam o que poderia ser um simples exercício de peso em algo genuinamente sombrio e teatral. O solo de guitarra contrasta com a lentidão do corpo da faixa de um jeito que vai crescendo a cada escuta. É a faixa que mais destoa de toda a agressividade e caos que o álbum traz, mas ainda assim, é corajosa e o Exodus nunca teve fama de covardia.

“Beyond the Event Horizon”: o ponto de não retorno ao redor de um buraco negro, além do qual nada mais escapa. A metáfora serve bem pra descrever o que acontece aqui, a faixa começa em velocidade máxima e vai te sugando pra dentro e aí você pensa: PQP, esse é o Exodus que eu quero P#@!aaa. A seção intermediária recua um pouco e abre espaço pra variações técnicas que mantêm a qualidade sem deixar a música cair de ritmo. Holt encerra com um solo épico e sem exagero. É a melhor faixa do disco e certamente minha favorita também. Ela consegue equilibrar aquele caos, agressividade e violência que só o Exodus sabe fazer.

O título de “2 Minutes Hate” diretamente de 1984, de George Orwell, o ritual diário em que a população era obrigada a direcionar ódio ao inimigo do Estado. A letra não esconde a referência: Big Brother, polícia do pensamento, memórias apagadas, conformidade forçada. "Guerra é paz, ignorância é força, liberdade é traição", os slogans do totalitarismo orwelliano reaparecem aqui traduzidos em agressividade do thrash metal. Os vocais em coro na reta final que vão funcionar muito bem ao vivo. Tem o espírito do Shovel Headed Kill Machine (2005), crua, agressiva e sem firula.

“Violence Works” abre com um riff que se destaca no contexto do álbum, mais marcado, mais denso e vai evoluindo ao longo da faixa. O refrão traz uma das melhores performances vocais de Dukes em todo o disco, e a ponte groovada antes do solo cria um respiro bem-vindo antes de Holt explodir de novo. É uma daquelas músicas que ficam melhores conforme você vai ouvindo mais vezes.

E chegamos em “Summon of the God Unknown”, a faixa mais ambiciosa de Goliath com seus quase oito minutos, ela tem uma estrutura épica, clima ritualístico e denso. Começa lenta, vai construindo por três minutos antes de acelerar, equanto Dukes varia entre seu vocal rasgado característico e linhas mais melódicas que mostram um alcance que muita gente nem imagina e associa a ele. O solo na reta final é o pico emocional, muito bem elaborado, épico, perfeito. Quem cresceu ouvindo o Exodus vai reconhecer a ambição das faixas longas de Exhibit A e sentir que essa aqui está à altura.

E finalmente chegamos em “The Dirtiest of the Dozen”, com letra escrita por Tom Hunting e isso diz muito sobre como esse disco foi feito de forma diferente. É uma celebração dos mais de quarenta anos de estrada do Exodus, com a energia de quem sabe que ainda tem muito o que contribuir para o metal. Começa acelerada e termina acelerada, o detaque vai para os solos duais harmônicos de Holt e Altus, que lembra muito o dueto que fizeram em Karma’s Messenger, e há também um breve espaço pra Jack Gibson sua habilidade na condução do baixo e Dukes encerrando cuspindo veneno. É o tipo de final que faz você querer apertar play de novo desde o começo.

Goliath certamente não é o melhor disco do Exodus, mas quem conhece a discografia inteira sabe que "Bonded by Blood", "Tempo of the Damned" e a trilogia Dukes dos anos 2000 tem um nível altíssimo. É um disco muito honesto, corajoso e o que mais importa é que o disco que soa como uma banda que ainda tem fome de verdade, não como um grupo aproveitando o legado pra rodar o circuito de festivais com o cruise control ligado.

O retorno de Rob Dukes trouxe de volta aquela energia característica que só ele tem. A abertura criativa pra Lee Altus e os outros membros contribuiu para sonoridades que o Exodus nunca havia explorado. E a coragem de fazer uma faixa-título doom com violino, sem pedir desculpa pra ninguém, é o tipo de atitude que faz uma banda durar quarenta anos sem virar caricatura de si mesma.

Fernando Aguiar




REBEL ROCK OPINIÃO - SEPULTURA

 


REBEL ROCK OPINIÃO - SEPULTURA


Sepultura: O final agonizante de um gigante que perdeu a alma


Por Jay K.

Quando o Sepultura anunciou, em dezembro de 2023, que encerraria suas atividades após uma turnê de despedida de 18 meses, a reação da comunidade metálica foi um misto de reverência e alívio. Reverência porque, afinal, estamos falando da maior instituição do metal sul-americano, uma banda que colocou o Brasil no mapa da música pesada mundial. Alívio porque, para muitos de nós que acompanhamos a trajetória do grupo desde os primórdios, o Sepultura já havia morrido há muito tempo. O que estamos testemunhando agora, com o fim marcado para o final de 2026, é apenas o desligamento dos aparelhos de um paciente que estava em estado vegetativo comercial há quase três décadas.

Não me entendam mal. Andreas Kisser é um guitarrista excelente, Paulo Jr. manteve a banda em pé como o único membro desde 1984, e Derrick Green é um vocalista competente que enfrentou o desafio mais difícil do metal: substituir um ícone. Mas a verdade é simples: o Sepultura sem Max Cavalera virou uma banda menor, vivendo das glórias de um passado que não consegue mais repetir.

Vamos deixar os sentimentos de lado e olhar para os números, porque os números não mentem. Eles mostram a realidade sem romantismo.

Na era Max Cavalera, o Sepultura era um rolo compressor comercial e criativo. O ápice dessa trajetória foi Roots (1996), um álbum que não apenas redefiniu o metal dos anos 90, mas que alcançou a posição #27 no Billboard 200 e conquistou certificações de platina em múltiplos países. A banda acumulou discos de ouro e platina em países como França, Austrália, Estados Unidos e, claro, Brasil. Eles não eram apenas uma banda de metal; eles eram um fenômeno cultural que ditava tendências.

Aí veio a ruptura no final de 1996. Max saiu, Derrick entrou, e o que aconteceu a seguir foi uma das quedas comerciais mais brutais da história da música pesada.

O primeiro álbum da nova era, Against (1998), alcançou a posição #25 no Billboard 200 e vendeu cerca de 130 mil cópias nos Estados Unidos. Uma queda brusca em relação a Roots, mas ainda números significativos para uma banda em transição. No entanto, a sangria não parou por aí. Nation (2001) caiu para a posição #40 nas paradas. Quando chegamos a Roorback (2003), o Sepultura desapareceu completamente das paradas americanas, saindo do top 40 e nunca mais voltando. Desde então, nenhum álbum de Derrick Green conseguiu entrar no top 100 do Billboard 200.

A partir daí, a trajetória comercial do Sepultura desabou. Álbuns como Dante XXI (2006), A-Lex (2009) e Kairos (2011) não conseguiram espaço nas paradas internacionais. Mesmo trabalhos elogiados pela crítica recente, como Machine Messiah (2017) e Quadra (2020), não conseguiram recuperar a relevância nas paradas. Para colocar isso em perspectiva: nenhum álbum de Derrick Green entrou no top 40 desde 2001. Isso é um quarto de século de irrelevância comercial nas paradas.

Mas as paradas são apenas parte da história. Quando você olha para o Spotify, a diferença fica ainda mais clara. As quatro músicas mais ouvidas do Sepultura na plataforma são todas da era Max Cavalera. Roots Bloody Roots (1996) sozinha tem 131 milhões de reproduções. Refuse/Resist tem 62 milhões. Territory e Ratamahatta têm 51 e 45 milhões de reproduções. Só essas quatro faixas somam 290 milhões de reproduções.

Agora compare com os álbuns inteiros da era Derrick Green: Against (1998) tem 6,4 milhões de reproduções, Nation (2001) tem 6,4 milhões, Roorback (2003) tem 3,3 milhões, Dante XXI (2006) tem 3,9 milhões, A-Lex (2009) tem 3,3 milhões. Mesmo os álbuns mais recentes e elogiados não conseguem acompanhar: Machine Messiah (2017) tem 18,1 milhões e Quadra (2020), o melhor deles, tem 23,1 milhões de reproduções. O álbum Roots (Expanded Edition) sozinho acumula 174 milhões de reproduções. Ou seja, um único álbum de Max tem 7 vezes mais reproduções que o melhor álbum de Derrick Green.

Os críticos especializados também contam a mesma história. Enquanto a era Max Cavalera foi sempre elogiada, a era Derrick Green recebeu críticas fracas ou negativas. Roorback (2003) foi criticado como "decadência decepcionante" e "sem inspiração". Nation (2001) recebeu nota 69 no Metacritic. Apenas Quadra (2020) conseguiu uma nota boa (83), sendo descrito como "o primeiro álbum do Sepultura em décadas que se compara aos clássicos". Ou seja, levou 22 anos para Derrick Green fazer um álbum à altura dos clássicos de Max.

E se você acha que as paradas e o streaming não refletem a realidade, basta olhar para os shows. Na era Max, o Sepultura enchia estádios. Há diversos relatos de shows lotados em grandes casas de show. Na era Derrick Green, a história é bem diferente. Em 2023, um show do Sepultura em Brisbane, Austrália, teve apenas 200 pessoas em uma sala de tamanho médio. A banda que antes enchia estádios agora luta para preencher salas pequenas?

Há também a questão da influência cultural. Roots é frequentemente citado como influência em bandas como Gojira e no surgimento do folk metal e metal tribal. Igor Cavalera, em entrevistas recentes, discute como Roots fez bandas de metal olharem para suas próprias raízes culturais. O álbum aparece regularmente em listas de "best of" do metal. Não existe nenhuma discussão similar sobre os álbuns de Derrick Green. Nenhum deles gerou impacto cultural comparável ou influenciou uma geração de bandas.

E o que a banda tem feito nestes últimos anos de vida? Lançou a turnê "Celebrating Life Through Death", prometendo gravar 40 faixas ao vivo em 40 cidades diferentes. Anunciou um EP final de quatro faixas, The Cloud of Unknowing, para abril de 2026. E, mais recentemente, protagonizou mais um capítulo da novela familiar que assombra a banda: convidaram Max e Iggor Cavalera para participar do show final, convite este que os irmãos prontamente recusaram, afirmando que "não querem fazer parte disso".



É irônico, né? A banda que passou décadas tentando provar que era maior que seus fundadores, no apagar das luzes, tenta desesperadamente trazer de volta a alma que perdeu em 1996 para validar seu próprio funeral. E a recusa dos irmãos Cavalera é o prego final no caixão de uma reconciliação que os fãs sonharam por 30 anos.

O Sepultura que está encerrando agora é uma banda de músicos bons, profissionais que mantiveram tudo em pé com muito trabalho e dedicação. Eles merecem respeito por não terem desistido quando ninguém mais acreditava. Mas o Sepultura que mudou a história da música, o Sepultura que assustava pais e inspirava uma geração inteira de garotos a pegar em guitarras, esse Sepultura morreu no dia em que Max Cavalera saiu pela porta.

O que estamos vendo agora não é uma celebração de vida através da morte. É apenas o atestado de óbito de um gigante que passou as últimas três décadas tentando convencer a si mesmo de que ainda estava vivo. Descanse em paz, Sepultura. A cova já estava aberta há muito tempo.