quinta-feira, 5 de março de 2026

PEACE WILL COME - ROCK 'N' ROLL CITY (2025)

 


PEACE WILL COME
ROCK 'N' ROLL CITY
Independente - Nacional

O álbum ROCK 'N' ROLL CITY marca a consolidação definitiva da banda PEACE WILL COME como um dos nomes mais tecnicamente afiados do hard rock brasileiro contemporâneo. O que começou em 2020 como um projeto de Emerson Macedo para registrar composições autorais durante o isolamento da pandemia, evoluiu drasticamente com a chegada de músicos de peso e redefiniu o eixo sonoro do grupo, trazendo uma precisão rítmica e um vocal que elevam o patamar da obra. Este novo trabalho não apenas sucede o disco de estreia de 2021, mas expande os horizontes da banda ao apresentar entrosamento e coesão, onde a técnica instrumental e a identidade estética se fundem para entregar um repertório denso, autêntico e cheio de vitalidade para o cenário do rock atual.

Formada pelo já citado Emerson Macedo (guitarras) e pelos experientes Andria Busic (vocal/baixo), Cesar Bottinha (guitarras) e Ivan Busic (bateria/backing vocal), a banda nos entrega um álbum com nove faixas criadas coletivamente pela banda. O novo álbum (a banda possui um trabalho autointulado lançado em 2021) reforça sua unidade estética ao fundir riffs que referenciam a linha clássica de Led Zeppelin, Deep Purple e Black Sabbath a um lirismo introspectivo e contemporâneo, equilibrando energia  e entrega. Essa sonoridade robusta foi construída entre o Estúdio Trama NaCena (São Paulo), onde se registrou a base de baixo e bateria, e o LeBoot Studio (São Carlos), palco das guitarras e vozes, contando com a mixagem experiente de Marcelo Sussekind e a masterização precisa de Ricardo Garcia para garantir clareza, peso e um acabamento de padrão internacional às estruturas do rock pesado.

O álbum abre com a pesada "Among the Stars", com um excelente trabalho de guitarras. A inconfundível voz de Andria Busic nos remete ao Dr. Sin, mas o Peace Will Come tem personalidade própria. Emerson e Bottinha "conversam" muito bem nas seis cordas, enquanto os irmãos Busic mostram que classe e experiência não se compram na farmácia. Refrão melódico e forte já deixam nítido que o hard Rock do grupo trafega por todos os caminhos do estilo. "Don't Panic" começa introspectiva, mas ganha peso e mantém o clima mais denso inicial, ainda que as guitarras "abram" a atmosfera da composição. O peso também dita o ritmo da ótima "Lonely", talvez a faixa que traz a amior proximidade com o Dr. Sin, mas muito mais pelos vocais de Andria. Dona de um refrão de fácil assimilação, a faixa traz um grande momento de Andria e Ivan, algo que não é novidade pra ninguém, não é mesmo? Já "The Song" traz uma atmosfera mais hard/heavy, com uma pegada anos 80, mas com uma sonoridade bem atual e moderna. Os backing vocal de Ivan se encaixam muito bem aqui, dando destaque ao refrão.

"Rock 'n' Roll City", a faixa título, faz jus ao nome, com uma excelente levada rocker, daquelas que a gente escuta e já procura uma cerveja pra entrar no clima. Típica faixa pra colocar a galera pra "dançar" nos show! Na sequência, "Time Will Heal the Pain", é um blues pesadão, com ótimas linhas de guitarra. Baixo e bateria marcados com aquela pegada característica e vocais na medida, fazem dela um dos grandes destaques do álbum. O Hard Rock mais tradicional volta à carga com "Digital Pollution", enquanto "Get Ready" traz aquele clima mais festivo, mas ao mesmo tempo com melodias mais "adultas", se me faço entender. O encerramento vem com "Winds of Hope", acútica e com um toque country que faz com que a faixa mostre a versatilidade da banda.

“ROCK 'N' ROLL CITY” é um disco que busca sair do lugar comum, ou seja, trazendo o hard rock essencial para firmar a identidade de quem respeita a tradição, mas não se acomoda nela. Ao demonstrar total domínio na composição, nos arranjos e principalmente, sem querer reinventar a roda, o PEACE WILL COME se consolida como uma das bandas mais consistentes da atualidade, entregando um trabalho feito com tamanha convicção que conquista desde o fã mais dedicado até o ouvinte mais aleatório já na primeira virada de bateria.

Sergiomar Menezes

Foto: Stephanie Veronezzi



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