LIVING COLOUR - THE BEST OF 40 YEARS TOUR
Abertura: MADZILLA
26/02/2026
BAR OPINIÃO - PORTO ALEGRE/RS
Produção: ABSTRATTI PRODUTORA
Abertura: MADZILLA
26/02/2026
BAR OPINIÃO - PORTO ALEGRE/RS
Produção: ABSTRATTI PRODUTORA
Texto: José Henrique Godoy
Fotos: Sergiomar Menezes
O Living Colour é uma daquelas bandas que, apesar da longevidade e da extrema qualidade da sua discografia e das suas apresentações ao vivo, merecia uma atenção e destaque muito maior do que recebem do cenário musical mundial. E na noite do dia 26 de fevereiro, este pensamento me passou várias vezes pela cabeça, enquanto eu contemplava a incrível performance do quarteto novaiorquino.
Em sua terceira passagem pela capital gaúcha, (as anteriores foram em 2004 e 2009), finalmente a banda teve um público à altura da sua obra. O Bar Opinião estava praticamente lotado para reverenciar a sensacional performance de Corey Glover, Vernon Reid, Doug Wimbish e Will Calhoun. E que performance.
A abertura da noite ficou por conta da banda Madzilla, de Las Vegas. O quarteto formado por David Cabezas (vocal/guitarra), Sarah Dugdale (guitarra), Thomas Palmer (baixo) e Courtney Lourenco (bateria) executa um Thrash Metal com bastante melodia, porém me pareceu um pouco deslocado para o evento. Se o publico presente aplaudiu com respeito, ao mesmo tempo não demonstrou muito entusiasmo, apesar do esforço de David Cabezas, que se comunicou sempre em português e se mostrou bastante simpático. Mas o saldo final do Madzilla é que, apesar de ser uma boa banda, pouco acrescentou à noite.
O relógio marcava 21h10 quando o Living Colour adentrou o palco e iniciou o set com "Leave It Alone”. Corey Glover trajando um elegante terno quadriculado é o mestre de cerimônias, ao seu lado direito Vernon Reid, um mestre das seis cordas, que justamente foi apontado dentro dos 50 melhores guitarristas de Rock de todos os tempos, numa lista da Revista Rolling Stone. Do outro lado, Doug Wimbish demonstra desde o início que é uma baixista de algumas “prateleiras acima” da média. Ao fundo ele, Will Calhoun, um dos bateras mais espetaculares do mundo todo.
“Middle Man” e “Memories Can´t Wait (cover do Talking Heads) são tocadas na sequência e trazendo a tona as memórias lá do final dos anos 1980, quando eu comprei o LP “Vivid” e simplesmente gastei de tanto ouvir. Ouvir ao vivo estas duas faixas presentes nele, em sequência foi um deleite! “Ignorance Is Bliss” e “Go Away”, ambas faixas do pesadíssimo álbum de 1993 “Stain” são executadas com muita classe, enquanto a divertida “Funny Vibe” mostra todo o virtuosismo do quarteto.
Então chega a vez de Corey Glover brilhar solo, e ele arregaça numa versão de “Hallellujah” de Leonard Cohen. O homem canta demais. Sem mais. Segue a minha preferida “Open Letter (To A Landlord) e sem dar tempo para respirar, Will Calhoun detona um solo cheio de técnica nos tambores e utilizando percussão e recursos eletrônicos, arranca aplausos e mais aplausos dos presentes.
“This is the life“ vem na sequência e logo após uma versão de “Pride” diferente de como a conhecemos, com mais suingue e ligeiramente mais rápida na velocidade. É chegada a vez de Doug Wimbish tomar conta do palco, e ele fala que é o caçula da banda, pois está há apenas 37 anos como Living Colour (ele substituiu o baixista original Muzz Skillings em 1992) e então executa um medley com as músicas “White Lines/Apache/The Message”, enquanto demonstra um domínio absurdo do instrumento, ao mesmo tempo que se diverte e diverte a plateia. Aliás a satisfação e alegria de estarem num palco é visível no rosto dos quatro. Assim sendo, eles até passam a falsa impressão de que é “fácil” tocar música da forma que eles fazem.
“Glamour Boys”, “Love Rears Its A Ugly Head”, “Type”, “Time´s Up / What´s You Favotite Color?” e “Cult Of Personality”, nesta sequência nos dão o prazer de ouvir/ver um “Best Of “ ao vivo e em auto e bom som. A banda se despede e sai do palco, para retornar logo em seguida com “Solace Of You” e encerrar com um explosivo cover de “Should I Stay Or Should I Go” clássico atemporal do The Clash. "Fim de festa”. Vernon Reid e Corey glover ainda ficaram um tempo no palco autografando itens e tirando fotos.
È impossível classificar o Living Colour com algum rótulo. Hard Rock, Metal, R&B, Crosssover, Jazz... Eles trabalham com tudo isso e muito mais. É uma banda simplesmente incrível. Que voltem quantas vezes forem possíveis. Obrigado mais uma vez a Abstratti pelo credenciamento e ao staff do Bar Opinião e sua costumeira cordialidade.











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