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sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

MESHUGGAH - THE VIOLENT SLEEP OF REASON (2016)



                       Se tem uma banda que, ao menos para mim, fica quase impossível de rotular, essa banda é o MESHUGGAH. O quinteto sueco sempre primou por fazer um som brutal, trabalhado, mas cheio de variações e influências diversas que buscam no Thrash, Death, Jazz, Prog entre outros, se reinventar a cada trabalho... O grupo soube moldar seu estilo e chega agora a THE VIOLENT SLEEP OF REASON (2016), lançado por aqui pela parceria Shinigami Records/Nuclear Blast. Neste seu oitavo álbum de estúdio, a banda reafirma essa convicção, mas agora voltando a investir numa sonoridade mais crua (mais direta, pode-se dizer assim). 

                  Formado por Jens Kidman (vocal), Fredrik Thordendal (guitarra), Marten Hagström (guitarra), Dick Lövgren (baixo) e Tomas Haake (bateria), o grupo apresenta dez faixas bem variadas, mas com uma dose extra de peso. Se por um lado essa enorme gama de influências e "incorporações" à sua sonoridade pode causar um certo desconforto em mentes mais radicias, poe outro mostra uma banda inovadora. Pode-se dizer que o grupo é um dos pioneiros nesse estilo. Basta ouvir com atenção Contradictions Collpase (1991), que apesar de ter uma atmosfera mais metal (thrash à frente), já apresentava essa forte tendência da banda em oferecer aos fãs algo único. Gravado e mixado por Tue Madsen, o trabalho teve sua masterização realizada por Thomas Eberger. E a dupla trabalhou bem, pois sendo o estilo da banda uma "salada musical", tudo ficou no seu lugar, soando bastante natural. 

                     Clockworks abre o álbum trazendo muito peso. Um grande trabalho do baterista Thomas que esbanja técnica e brutalidade em levadas precisas que encontra no baixista Dick, um "auxiliar" de peso. Além disso, os riffs da dupla Fredrik e Marten soam insanos e variados. Tudo isso temperado por uma performance bem visceral do vocalista Jens. Born in Dissonance tem uma pegada que nos remete ao metal mais atual, com linhas de guitarra muito bem estruturadas. Já Monstrocity, possui uma brutalidade mais latente, com passagens mais cadenciadas, buscando, como sempre, fugir do lugar comum. O peso que sai das guitarras é absurdo, provando que uma produção correta tem seu valor. By The Ton é arrastada, misturando um pouco de doom/stoner e toda a loucura que a música do MESHUGGAH comporta. Essa é daquelas faixas que chegam a "incomodar" tamanho e peso e insanidade de seus riffs. Violent Sleep Of Reason é uma síntese do que é a música do grupo. difícil descrevê-la em palavras. Tem de tudo aqui. Vocais insanos, guitarras extremamente pesadas, quebradeira de bateria, passagens mais amenas... Escute e entenda o que quero dizer.

                        Ivory Tower é outra preciosidade. Lenta, quase parando (para os padrões da banda), a guitarra aqui ganha contornos por vezes lisérgicos, o que deixa o nível de "maluquice" do grupo mais elevado. Stifled traz a quebradeira de volta. A dupla Dick e Tomas esbanja categoria, pois imprime sua técnica de uma forma agressiva, até mesmo violenta, sem deixar que isso atrapalhe o andamento da composição. Nostrum segue essa linha de composição com um arranjo complicado haja vista as viradas presentes em sua execução. Our Rage Won't Die tem guitarras que tem uma veia mais thrash (relembrando um pouco o início de carreira do grupo). Seu andamento mais cadenciado quebra um pouco o ritmo, mas até mesmo por causa disso, acaba ganhando uma brutalidade bem lasciva. O encerramento vem com Into Decay, que tem uma pegada mais agressiva, mas também tem um andamento mais arrastado.

                         Como dito no início, é complicado rotular o trabalho do MESHUGGAH. E por causa disso, por vezes a banda acaba ficando relegada sem que seus álbuns tenham o reconhecimento merecido. THE VIOLENT SLEEP OF REASON acaba por resgatar um pouco da sonoridade mais crua da banda. E isso, pode fazer com mais pessoas voltem suas atenções para ela. O que não seria nada mais do que justiça!



                 

            Sergiomar Menezes
                      

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