quinta-feira, 5 de março de 2026

DEVIL'S CIGARETTE - MEET ME ON THE FLOOR TONIGHT (2026)



DEVIL'S CIGARETTE
MEET ME ON THE FLOOR TONIGHT
Wild Kingdom/Sound Pollution - Importado

Sabe aquele tipo de disco que, logo no primeiro acorde, você já sente vontade de abrir uma cerveja, aumentar o volume e esperar os vizinhos que só ouvem música boa graças a você, começarem a te agradecer novamente? Pois é, MEET ME ON THE FLOOR TONIGHT o novo trabalho do DEVIL'S CIGARETTE, é exatamente desse tipo. Desde que se formaram em Estocolmo em 2023, o grupo construiu rapidamente sua reputação como uma banda a ser observada, com seus shows explosivos, energia incessante e capacidade de se destacar no meio do barulho. Isso tudo os levou de lugares apertados no porão a se tornarem um dos nomes mais comentados na nova onda de rock da Suécia. Sim, de novo, da Suécia. 

Adam Berg (vocal), Alexander Bergfeldt (guitarra), Miles Martin (guitarra), Lucas Kinari (baixo) e Kasper Brättemark (bateria - que gravou o álbum mas depois foi substituído por Iggy Lindén), são cinco garotos que decidiram resgatar o rock n' roll na sua essência, com uma energia crua e muita rebeldia. Influenciado por ícones do rock como The Stooges, MC5, The Beatles, The Hives e, obviamente, The Hellacopters, o Devil’s Cigarette cria uma mistura única de rock ‘n’ roll enérgico, cru e acelerado. O som deles pode atrair tanto a geração mais jovem quanto os fãs experientes de rock, fazendo a ponte entre o rock clássico e o contemporâneo. cabe destacar que o álbum foi Gravado por Otto Perrin e mixado e masterizado por Robert Pehrsson, renomado por seu trabalho com The Hellacopters e Tribulation.

O trabalho abre com a faixa título, e de cara, percebemos nitidamente que poucos releases realmente entregam as influências de uma banda como a do caso em questão. Aquela urgência suja dos Stooges, o "descompromisso" do The Hives, A falta de preocupação do MC5, a simplicidade dos Beatles e a veia anos 70 do Hellacopters. Claro, não podemos esquecer que estamos falando de uma banda novata, em busca de uma maior identidade, mas isso já começa a aparecer de forma mais interessante em "I'm Bored". Com um andamento mais intenso e com "guitarras suecas" bem características, a faixa ganha o ouvinte pelo baixo "gordo", outro ponto em comum com seus conterrâneos. "Bright Red Eyes" tem um quê de Stones, mas a sujeira toma conta. No entanto, não tem a mesma energia que a s faixas anteriores. Já a celerada "Dirty Fingers", tem cara de pub esfumaçado, cheiro de palco no nível do público e amplificador dando problema. Ou seja, Rock 'n' Roll! "A A-A" (sim, esse é o título da faixa) é tão estranha quanto seu título, apesar dos bons momentos. E acreditem, eu encontrei algo de Pixies em alguns momentos de sua execução, o que fez com os pontos dela subissem no meu conceito...

"Radio Baby" é outro grande momento rocker do álbum, rápida, direta e certeira, ainda que me determinados momentos o "noise" apareça perdido por suas linhas. Agora, "This is a Hippie Killing Device" é tão legal quanto seu título, com uma energia intensa e vocais que soam extremamente desleixados. Se é proposital ou não, a verdade é que ficou bem legal dentro da execução. a veia "The Hives" surge imponente em "Come on to Me", com sua parede de guitarras e vai de encontro à urgência de "Ordinary Man", outro momento rocker sem frescuras. Pra fechar o álbum, "The Greyhound Grace",a faixa mais "acessível", por assim dizer. E na opinião deste que vos escreve, poderia tocar em qualquer rádio por aí, que passaria despercebida facilmente.

Já tendo protagonizado algumas situações bem típicas, como aprontar em um camarim que estava reservado a uma famosa banda punk sueca e, depois disso, terem sido proibidos de tocar no local, o DEVIL'S CIGARETTE dá mostras de que tem o tal de rock 'n' roll nas veias. MEET ME ON THE FLOOR TONIGHT é um álbum que não vai salvar o rock (até mesmo porque ele não precisa disso), mas te garante bons momentos tomando aquela cerveja bem gelada e esquecendo dos problemas cotidianos. E nos dias de hoje, isso já é algo mais do que louvável...

Sergiomar Menezes

SAXON - EAGLES OVER HELLFEST (2026)

 


SAXON
EAGLES OVER HELLFEST
Shinigami Records/Silver Lining Music - Nacional

Um álbum ao vivo do SAXON só pode significar uma coisa: HEAVY METAL! E é exatamente isso que temos em EAGLES OVER HELLFEST, que como o próprio título entrega, foi gravado no festival francês em 2024. A adrenalina que emana do álbum é intensa e quem já teve o privilégio de assistir o grupo ao vivo (sim, é um privilégio poder assistir a uma apresentação do quinteto), sabe do que estou falando. Divulgando seu mais recente trabalho, o ótimo "Hell, Fire and Damnation", lançado em no início de 2024, mesmo ano da apresentação no Hellfest, a banda traz 14 faixas onde podemos captar a energia, vibração e toda a atmosfera que que faz com que todo fã de Heavy Metal coloque o Saxon entre suas bandas preferidas. E o melhor de tudo: o álbum está saindo por aqui através da parceria da Shinigami Records com a Silver Lining Music.

Liderada pelo icônico vocalista Biff Byford, a banda conta com a precisão de Nigel Glockler (bateria), a solidez de Nibbs Carter (baixo) e a aclamada parceria de guitarras entre Doug Scarratt e o "recém-chegado" Brian Tatler (Diamond Head - outra lenda do metal britânico). A integração de Tatler marcou um novo capítulo na trajetória do grupo. Sua chegada trouxe uma vitalidade revigorante, traduzida em riffs intensos e uma química imediata com Scarratt, elevando o patamar das apresentações ao vivo.

Clássicos absolutos do metal mundial como "Denim & Leather", "Motorcycle Man", "Strong Arm of the Law", "Power and the Glory", "Heavy metal Thunder", "Dallas 1 P.M.", "The Eagle Has Landed", "Heavy Metal Thunder", "Wheels of Steel", "Crusader", "747 (Strangers in the Night)" (que música sensacional!) e a a mais do que espetacular "Princess of the Night", se unem a "Hell, Fire and Damnation" e "Madame Guillotine" num CD que quando você menos espera, acaba. E, automaticamente, você aperta o play novamente.

Não há muito oq ue dizer sobre EAGLES OVER HELLFEST. Clássicos do Heavy Metal, executados por uma das maiores bandas do estilo em um dos maiores festivais do planeta. Se tinha tudo pra dar certo, com certeza deu. Ouça alto. MUITO ALTO!

Sergiomar Menezes




PEACE WILL COME - ROCK 'N' ROLL CITY (2025)

 


PEACE WILL COME
ROCK 'N' ROLL CITY
Independente - Nacional

O álbum ROCK 'N' ROLL CITY marca a consolidação definitiva da banda PEACE WILL COME como um dos nomes mais tecnicamente afiados do hard rock brasileiro contemporâneo. O que começou em 2020 como um projeto de Emerson Macedo para registrar composições autorais durante o isolamento da pandemia, evoluiu drasticamente com a chegada de músicos de peso e redefiniu o eixo sonoro do grupo, trazendo uma precisão rítmica e um vocal que elevam o patamar da obra. Este novo trabalho não apenas sucede o disco de estreia de 2021, mas expande os horizontes da banda ao apresentar entrosamento e coesão, onde a técnica instrumental e a identidade estética se fundem para entregar um repertório denso, autêntico e cheio de vitalidade para o cenário do rock atual.

Formada pelo já citado Emerson Macedo (guitarras) e pelos experientes Andria Busic (vocal/baixo), Cesar Bottinha (guitarras) e Ivan Busic (bateria/backing vocal), a banda nos entrega um álbum com nove faixas criadas coletivamente pela banda. O novo álbum (a banda possui um trabalho autointulado lançado em 2021) reforça sua unidade estética ao fundir riffs que referenciam a linha clássica de Led Zeppelin, Deep Purple e Black Sabbath a um lirismo introspectivo e contemporâneo, equilibrando energia  e entrega. Essa sonoridade robusta foi construída entre o Estúdio Trama NaCena (São Paulo), onde se registrou a base de baixo e bateria, e o LeBoot Studio (São Carlos), palco das guitarras e vozes, contando com a mixagem experiente de Marcelo Sussekind e a masterização precisa de Ricardo Garcia para garantir clareza, peso e um acabamento de padrão internacional às estruturas do rock pesado.

O álbum abre com a pesada "Among the Stars", com um excelente trabalho de guitarras. A inconfundível voz de Andria Busic nos remete ao Dr. Sin, mas o Peace Will Come tem personalidade própria. Emerson e Bottinha "conversam" muito bem nas seis cordas, enquanto os irmãos Busic mostram que classe e experiência não se compram na farmácia. Refrão melódico e forte já deixam nítido que o hard Rock do grupo trafega por todos os caminhos do estilo. "Don't Panic" começa introspectiva, mas ganha peso e mantém o clima mais denso inicial, ainda que as guitarras "abram" a atmosfera da composição. O peso também dita o ritmo da ótima "Lonely", talvez a faixa que traz a amior proximidade com o Dr. Sin, mas muito mais pelos vocais de Andria. Dona de um refrão de fácil assimilação, a faixa traz um grande momento de Andria e Ivan, algo que não é novidade pra ninguém, não é mesmo? Já "The Song" traz uma atmosfera mais hard/heavy, com uma pegada anos 80, mas com uma sonoridade bem atual e moderna. Os backing vocal de Ivan se encaixam muito bem aqui, dando destaque ao refrão.

"Rock 'n' Roll City", a faixa título, faz jus ao nome, com uma excelente levada rocker, daquelas que a gente escuta e já procura uma cerveja pra entrar no clima. Típica faixa pra colocar a galera pra "dançar" nos show! Na sequência, "Time Will Heal the Pain", é um blues pesadão, com ótimas linhas de guitarra. Baixo e bateria marcados com aquela pegada característica e vocais na medida, fazem dela um dos grandes destaques do álbum. O Hard Rock mais tradicional volta à carga com "Digital Pollution", enquanto "Get Ready" traz aquele clima mais festivo, mas ao mesmo tempo com melodias mais "adultas", se me faço entender. O encerramento vem com "Winds of Hope", acútica e com um toque country que faz com que a faixa mostre a versatilidade da banda.

“ROCK 'N' ROLL CITY” é um disco que busca sair do lugar comum, ou seja, trazendo o hard rock essencial para firmar a identidade de quem respeita a tradição, mas não se acomoda nela. Ao demonstrar total domínio na composição, nos arranjos e principalmente, sem querer reinventar a roda, o PEACE WILL COME se consolida como uma das bandas mais consistentes da atualidade, entregando um trabalho feito com tamanha convicção que conquista desde o fã mais dedicado até o ouvinte mais aleatório já na primeira virada de bateria.

Sergiomar Menezes

Foto: Stephanie Veronezzi



terça-feira, 3 de março de 2026

LIVING COLOUR - THE BEST OF 40 YEARS TOUR - 26/02/2026 - BAR OPINIÃO - PORTO ALEGRE/RS

 


LIVING COLOUR - THE BEST OF 40 YEARS TOUR 
Abertura: MADZILLA
26/02/2026 
BAR OPINIÃO - PORTO ALEGRE/RS
Produção: ABSTRATTI PRODUTORA

Texto: José Henrique Godoy
Fotos: Sergiomar Menezes

O Living Colour é uma daquelas bandas que, apesar da longevidade e da extrema qualidade da sua discografia e das suas apresentações ao vivo, merecia uma atenção e destaque muito maior do que recebem do cenário musical mundial. E na noite do dia 26 de fevereiro, este pensamento me passou várias vezes pela cabeça, enquanto eu contemplava a incrível performance do quarteto novaiorquino.

Em sua terceira passagem pela capital gaúcha, (as anteriores foram em 2004 e 2009), finalmente a banda teve um público à altura da sua obra. O Bar Opinião estava praticamente lotado para reverenciar a sensacional performance de Corey Glover, Vernon Reid, Doug Wimbish e Will Calhoun. E que performance.

A abertura da noite ficou por conta da banda Madzilla, de Las Vegas. O quarteto formado por David Cabezas (vocal/guitarra), Sarah Dugdale (guitarra), Thomas Palmer (baixo) e Courtney Lourenco (bateria) executa um Thrash Metal com bastante melodia, porém me pareceu um pouco deslocado para o evento. Se o publico presente aplaudiu com respeito, ao mesmo tempo não demonstrou muito entusiasmo, apesar do esforço de David Cabezas, que se comunicou sempre em português e se mostrou bastante simpático. Mas o saldo final do Madzilla é que, apesar de ser uma boa banda, pouco acrescentou à noite.



O relógio marcava 21h10 quando o Living Colour adentrou o palco e iniciou o set com "Leave It Alone”. Corey Glover trajando um elegante terno quadriculado é o mestre de cerimônias, ao seu lado direito Vernon Reid, um mestre das seis cordas, que justamente foi apontado dentro dos 50 melhores guitarristas de Rock de todos os tempos, numa lista da Revista Rolling Stone. Do outro lado, Doug Wimbish demonstra desde o início que é uma baixista de algumas “prateleiras acima” da média. Ao fundo ele, Will Calhoun, um dos bateras mais espetaculares do mundo todo.

“Middle Man” e “Memories Can´t Wait (cover do Talking Heads) são tocadas na sequência e trazendo a tona as memórias lá do final dos anos 1980, quando eu comprei o LP “Vivid” e simplesmente gastei de tanto ouvir. Ouvir ao vivo estas duas faixas presentes nele, em sequência foi um deleite! “Ignorance Is Bliss” e “Go Away”, ambas faixas do pesadíssimo álbum de 1993 “Stain” são executadas com muita classe, enquanto a divertida “Funny Vibe” mostra todo o virtuosismo do quarteto.



Então chega a vez de Corey Glover brilhar solo, e ele arregaça numa versão de “Hallellujah” de Leonard Cohen. O homem canta demais. Sem mais. Segue a minha preferida “Open Letter (To A Landlord) e sem dar tempo para respirar, Will Calhoun detona um solo cheio de técnica nos tambores e utilizando percussão e recursos eletrônicos, arranca aplausos e mais aplausos dos presentes.

“This is the life“ vem na sequência e logo após uma versão de “Pride” diferente de como a conhecemos, com mais suingue e ligeiramente mais rápida na velocidade. É chegada a vez de Doug Wimbish tomar conta do palco, e ele fala que é o caçula da banda, pois está há apenas 37 anos como Living Colour (ele substituiu o baixista original Muzz Skillings em 1992) e então executa um medley com as músicas “White Lines/Apache/The Message”, enquanto demonstra um domínio absurdo do instrumento, ao mesmo tempo que se diverte e diverte a plateia. Aliás a satisfação e alegria de estarem num palco é visível no rosto dos quatro. Assim sendo, eles até passam a falsa impressão de que é “fácil” tocar música da forma que eles fazem.



“Glamour Boys”, “Love Rears Its A Ugly Head”, “Type”, “Time´s Up / What´s You Favotite Color?” e “Cult Of Personality”, nesta sequência nos dão o prazer de ouvir/ver um “Best Of “ ao vivo e em auto e bom som. A banda se despede e sai do palco, para retornar logo em seguida com “Solace Of You” e encerrar com um explosivo cover de “Should I Stay Or Should I Go” clássico atemporal do The Clash. "Fim de festa”. Vernon Reid e Corey glover ainda ficaram um tempo no palco autografando itens e tirando fotos.

È impossível classificar o Living Colour com algum rótulo. Hard Rock, Metal, R&B, Crosssover, Jazz... Eles trabalham com tudo isso e muito mais. É uma banda simplesmente incrível. Que voltem quantas vezes forem possíveis. Obrigado mais uma vez a Abstratti pelo credenciamento e ao staff do Bar Opinião e sua costumeira cordialidade.

MASTER OF PUPPETS - 40 ANOS DO ÁLBUM DIVISOR DE ÁGUAS DO METALLICA

 


MASTER OF PUPPETS - 40 ANOS (1986/2026)


Por William Ribas
Fotos: Divulgação (Milanica Channel)


Em outono de 1985, o Metallica se isolou no frio de Copenhague para criar o que se tornaria o marco definitivo do thrash metal, e da fase inicial da banda. O nome do estúdio, Sweet Silence Studios (Doce Silêncio), carregava uma ironia quase profética: aquelas paredes estavam prestes a conter o som mais barulhento, ambicioso e sofisticado que o grupo já havia produzido até então.

Durante quatro meses, entre setembro e dezembro, a banda trabalhou sob a disciplina rigorosa do produtor Flemming Rasmussen. Ali, cada detalhe foi lapidado com precisão. A gravação capturou a dualidade do Metallica naquele momento: agressividade crua aliada a uma grandiosidade estrutural que começava a expandir os limites do próprio gênero.


Quarenta anos de um trabalho atemporal. Acredito que datas e números, para alguns álbuns, são irrelevantes. Master of Puppets, quando saiu em 3 de março de 1986, foi uma explosão na música pesada. É uma versão melhorada de "Ride the Lightning" — o modo operante seguiu quase à risca: introdução hipnótica, seguida de um ataque de riffs e “brutalidade”. Músicas pesadas, densas, lentas e melódicas; o tracklist é um verdadeiro banquete. Temos mais uma instrumental: “Orion” é toda a genialidade de Cliff Burton. A faixa é tão especial que, anos depois, virou nome de festival da banda, e James Hetfield ainda tatuou a tablatura em homenagem ao grande amigo.

Quatro décadas em que a história do Metallica mudou. Conquistas, perdas e recomeços — o ano de 1986 para Lars Ulrich, Hetfield e Kirk Hammett. Master of Puppets colocou a banda em turnê com um de seus ídolos, Ozzy Osbourne, pelos Estados Unidos. A alegria e a inocência eram tantas que, nas passagens de som ou dentro do trailer, o que se ouvia era Black Sabbath, na esperança de Ozzy aparecer e fazer uma jam com eles (fato que somente ocorreu 23 anos depois). O cantor inglês apareceu, mas não foi pela música — a fama do “Alcoholica” fez nascer uma amizade.


A primeira parte da turnê com Ozzy se iniciou em 27 de março, em Wichita, no Kansas, com o Metallica tocando o seguinte setlist:

Battery
Master of Puppets
Seek & Destroy
Welcome Home (Sanitarium)
For Whom the Bell Tolls
Ride the Lightning
Creeping Death
Am I Evil?
Damage, Inc.

O Metallica se apoiou no seu presente: Master of Puppets. O início com Kill 'Em All era “passado”. Começar e encerrar os shows de maneira brutal foi o tiro certeiro para as datas iniciais. Quanto mais shows, mais o álbum vendia, e mais a popularidade dos quatro integrantes aumentava. A banda que, quatro anos antes, tocava em todos os “buracos” da Califórnia agora era a queridinha. Começavam a ganhar dinheiro, vendiam merchandising e virariam headliner. As datas com Ozzy Osbourne foram até Salt Lake City, em Utah, no dia 17 de maio. Após isso, eles eram os donos do palco.

Com isso, houve mais tempo para “chutar bundas” nos shows, o que colocaria ainda mais Master of Puppets para todos baterem cabeça. Em Tulsa, no estado de Oklahoma, no dia 23 de maio, a banda tocou as seguintes músicas:

Battery
Master of Puppets
For Whom the Bell Tolls
Ride the Lightning
Welcome Home (Sanitarium)
The Four Horsemen
The Thing That Should Not Be
(Anesthesia) – Pulling Teeth
Damage, Inc.
Fade to Black
Seek & Destroy
Creeping Death
Disposable Heroes
Am I Evil?
Whiplash

De “Battery” a “Damage, Inc.”, passando pela faixa-título e “Disposable Heroes”, o Metallica aumentou a agressividade. “The Thing That Should Not Be” e “Welcome Home (Sanitarium)” traziam a falsa calmaria. Era o Metallica apostando pesado no novo álbum — seis das oito faixas estavam presentes no set. Era a consolidação definitiva do disco nos palcos.


É uma pena que o mundo não teve a honra de ver Cliff tocando “Orion” — a faixa foi justamente a última música do disco a ganhar vida nas apresentações do grupo, sendo tocada pela primeira vez em 2005. No dia 10 de setembro, tocaram em Cardiff, no País de Gales, e iniciaram a divulgação do álbum no velho continente (antes haviam tocado em dois festivais: Finlândia e Dinamarca, em julho). Foram duas semanas incríveis, em que o “quinteto” — John Marshall assumiu a guitarra base por conta de James estar com o braço engessado — passou por Escócia, Inglaterra, Irlanda, Irlanda do Norte, Suécia e Noruega e, no dia 26, novamente pela Suécia, em Estocolmo.

Na madrugada do dia 27, na região rural próxima a Dörarp/Ljungby, o jogo mudou. A morte prematura e trágica de Burton levou para sempre parte da alma da banda. Não apenas musicalmente — embora isso seja inegável —, mas na camaradagem, na liderança silenciosa, no respeito a um irmão mais velho. Lars e James sempre deixaram claro o quanto valorizavam os conselhos de Cliff.


Poucos meses depois, o Metallica continuou: Jason Newsted assumiu o posto de baixista, e a turnê do disco prosseguiu.

No decorrer dos anos, mesmo com sucessos comerciais, o Metallica jamais esqueceu seu principal trabalho. Em 2006, o grupo decidiu celebrar os 20 anos de Master of Puppets de forma especial: tocando o álbum na íntegra durante a turnê Escape from the Studio ’06. Ao todo, a banda apresentou o disco completo 12 vezes. A primeira execução aconteceu em 3 de junho de 2006, no Rock am Ring, em Nürburgring, na Alemanha, e a última no Bilbao BBK Live, em Bilbao, na Espanha, no dia 29 de junho de 2007.

Abaixo segue a quantidade de vezes em que cada música do álbum foi tocada até a publicação desta matéria:

Battery – 981 vezes
Primeira vez: 27 de março de 1986
Última vez: 5 de julho de 2025

Master of Puppets – 1747 vezes
Primeira vez: 31 de dezembro de 1985
Última vez: 6 de dezembro de 2025

The Thing That Should Not Be – 267 vezes
Primeira vez: 23 de maio de 1986
Última vez: 13 de junho de 2019

Welcome Home (Sanitarium) – 1005 vezes
Primeira vez: 27 de março de 1986
Última vez: 29 de junho de 2025

Disposable Heroes – 159 vezes
Primeira vez: 14 de setembro de 1985
Última vez: 14 de dezembro de 2020

Leper Messiah – 135 vezes
Primeira vez: 20 de agosto de 1987
Última vez: 5 de novembro de 2025

Orion – 112 vezes
Primeira vez: 13 de novembro de 2005
Última vez: 27 de junho de 2025

Damage, Inc. – 303 vezes
Primeira vez: 27 de março de 1986
Última vez: 8 de julho de 2022

Master of Puppets se tornou mais do que um clássico. Tornou-se o último retrato de uma formação que estava no auge criativo.

Neste dia 3 de março, nestes 40 anos, OUÇA O ÁLBUM ALTO.

Ouça por você e por Cliff Burton.

Pancakes, Go!








quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

METAL CHURCH - THE WEIGHT OF THE WORLD (2004/2025) RELANÇAMENTO

 


METAL CHURCH
THE WEIGHT OF THE WORLD
Shinigami Records/Reaper Entertainment - Nacional

Quando o Metal Church lançou The Weight of the World em 2004, muita gente ainda via a banda como um nome histórico do metal tentando sobreviver num cenário dominado por outras tendências. Mas, olhando hoje, especialmente com o relançamento remasterizado de 2025 pela Shinigami Records, fica claro que esse disco representa muito mais do que apenas “mais um capítulo” da discografia. Ele é, na prática, o verdadeiro recomeço da banda em pleno anos 2000.

A entrada de Ronny Munroe marca essa virada. Ele não tem o carisma quase teatral de David Wayne, nem a técnica refinada de Mike Howe, mas entrega algo importante: energia e versatilidade. Em alguns momentos, especialmente nas faixas mais lentas, soa menos confiante. Mas quando pisa no acelerador, como em “Leave Them Behind” ou “Cradle to Grave”, mostra agressividade suficiente para sustentar o peso das guitarras.

E falando em guitarras: aqui está o verdadeiro coração do álbum. A sonoridade dos anos 2000 do Metal Church já não é aquele thrash puro como no começo da carreira. O que aparece em The Weight of the World é um heavy metal tradicional com elementos de speed e power metal, menos específico, menos rotulado. É um som mais “amplo”, que às vezes flerta com melodias que lembram o Iron Maiden, especialmente nas linhas vocais de “Hero’s Soul”, mas sem soar como cópia.

A faixa-título é um dos grandes momentos do disco. Tem groove, tem refrão forte e consegue ser pesada mesmo sem ser rápida. Já “Madman’s Overture” é talvez o ponto mais ambicioso do álbum: pouco mais de oito minutos de variações, mudanças de clima e até uma quebra com sabor setentista, incluindo baixo mais evidente e uma textura inesperada de sintetizador. É quando a banda sai um pouco da zona de conforto e mostra maturidade para arriscar em um terreno até então pouco explorado.

O disco pode não ter momentos absolutamente arrebatadores, daqueles que redefinem a carreira de uma banda, mas é um álbum muito consistente. E isso, às vezes, vale mais do que um ou dois hits isolados.
A produção remasterizada de 2025 ajuda bastante. As guitarras soam mais definidas, a bateria ganha presença e a mix permite perceber melhor as camadas de arranjo. O baixo ainda não é o protagonista do álbum, mas aparece com mais corpo do que na versão original.

Se alguém ouvir "XI" antes desse disco, pode até achar que as ideias são parecidas. Mas, na prática, "The Weight of the World" soa mais direto, mais natural e menos calculado. No fim das contas, The Weight of the World talvez não esteja entre os grandes clássicos absolutos do Metal Church, mas é um exemplo sólido de como o heavy metal tradicional pode soar no século XXI: pesado, melódico, técnico na medida certa e, acima de tudo, honesto. 

Não é um álbum que vai fazer seu queixo cair, mas é um álbum que vai fazer você bater cabeça. E às vezes, é exatamente isso que a gente quer, banguear \m/.

Fernando Aguiar




METAL CHURCH - MASTERPEACE (1999/2025) RELANÇAMENTO

 


METAL CHURCH
MASTERPEACE
Shinigami Records/Reaper Entertainment - Nacional

Existem discos que envelhecem mal. E existem discos que precisam de tempo para serem compreendidos. Masterpeace é exatamente o segundo caso.

Quando o Metal Church lançou o álbum em 1999, o retorno de David Wayne (que infelizmente nos deixaria alguns anos depois, em 2005) ao vocal gerou expectativa bem alta. Mas muitos fãs ainda estavam emocionalmente ligados à fase com Mike Howe, e isso acabou influenciando um pouco a recepção do disco. O problema é que "Masterpeace" nunca foi pensado como uma repetição do passado, e talvez por isso tenha sido tão mal interpretado.

O álbum não tem um hit imediato. Não há aqui um novo “Watch the Children Pray”. Em vez disso, temos um trabalho consistente, que cresce faixa após faixa. A abertura com “Sleeps With Thunder” é pesada e segura, com aquela veia heavy/thrash tradicional da banda, mas o disco realmente começa a mostrar sua força conforme avança. “Falldown” mantém o ritmo, mas agora com uma pegada um pouco mais speed metal e traz um refrão melancólico que fica na cabeça. “Into Dust” consegue ser energética e triste ao mesmo tempo, uma combinação curiosamente eficiente. “Kiss for the Dead” flerta com uma power ballad sem perder peso. Já “Faster Than Life” e “All Your Sorrows” carregam uma veia mais heavy/thrash bem trabalhada e com uma dinâmica e construção mais elaboradas.

Masterpeace soa como um disco mais emocional do que explosivo e isso caiu muito bem (ao menos para este que vos escreve). E falando de Wayne: sua performance é diferente da fase oitentista. Menos agressiva, mais madura, às vezes até introspectiva. Não é mais aquele jovem furioso do passado, é um vocalista experiente, entregando emoção de outra forma.

Talvez o maior mérito de Masterpeace seja justamente esse: ele exige paciência. Não é um disco de impacto imediato, mas um álbum que melhora a cada audição. E nessa versão remasterizada de 2025, com clareza na mixagem, ele finalmente soa com a força que sempre mereceu.

Não é um clássico, óbvio, ainda mais se considerarmos a época do lançamento original (1999), onde outros estilos dominavam naquele período, como o Nu-Metal e o Metal Church conseguiu entregar um ótimo registro que vale ainda mais a audição pelo contexto histórico da banda. E às vezes, redescobrir um álbum assim é tão satisfatório quanto ouvir um clássico pela primeira vez.

Fernando Aguiar




sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

SEPULTURA - ROOTS 30 ANOS - UM MARCO DO METAL BRASILEIRO E MUNDIAL


 SEPULTURA - ROOTS 30 ANOS - UM MARCO DO METAL BRASILEIRO E MUNDIAL

Por William Ribas


I believe in our fate
We don't need to fake
It's all we wanna be
Watch me freak

Quando Roots explodiu, eu já tinha a minha "carteirinha de fã". Em 1996, para onde quer que olhássemos, estava escrito o nome Sepultura. Nas revistas, especializadas ou não. Na televisão, fosse na MTV, na Cultura ou no SBT, ali estavam Max, Iggor, Andreas e Paulo.

Dia 20 de fevereiro: o dia em que o metal gritou em português (e em dialeto indígena)

Lembro de assistir a “Roots Bloody Roots” no Disk MTV. De bater cabeça com “Attitude” ou “Ratamahatta” no programa Fúria Metal, do Gastão Moreira. Quantas foram as vezes que berrei: “Vamos detonar essa p***! É, p***!

Obviamente que no auge dos meus 12 anos estranhava o Carlinhos Brown ali (risos). Com esse lançamento, o Sepultura — que já vinha numa enorme crescente — simplesmente explodiu. A afinação baixou, mas o peso aumentou. Os solos quase sumiram, mas a "barulheira" cresceu. O groove, os refrãos, a batida nacional: os quatro integrantes jogaram a brasilidade dentro do liquidificador e criaram algo único. Esfregaram para o mundo as suas origens.

Roots não é thrash. Não é death. Não é exatamente nu metal — embora muita gente insista em reduzi-lo a isso. Ele é um choque cultural amplificado. É um groove pesado atravessado por ritmos tribais, berimbau e cantos indígenas.

Iggor Cavalera transforma o álbum em um campo de batalha rítmico. Cada batida tem um peso de uma pata de elefante. Não é exagero dizer que a percussão em Roots é tão protagonista quanto os riffs. O curioso é que o álbum é político sem ser panfletário. Ele fala de resistência, opressão, identidade e sobrevivência sem virar discurso partidário. A raiva aqui não é gratuita.

Para muitos, Roots não é perfeito (e eu me encaixo nessa), afinal, ele não é linear. Temos músicas fortíssimas além dos singles, como “Cut-Throat”, “Breed Apart”, “Spit” e “Lookaway”, dividindo espaço com faixas que alguns consideram pausas desnecessárias, como “Jasco”. Uma pausa em meio ao caos? Pode ser. Mas até essas pausas contribuem para a narrativa: eles respiram, ritualizam e preparam o próximo impacto.

Em Chaos A.D., o Sepultura apresentou a intrigante “Kaiowas” — uma certa dose do que poderia estar por vir logo à frente. Não existe música que traga mais toda a simbologia ancestral de Roots do que “Itsari”. A banda gravou com a tribo Xavante no meio da “selva”, passando por rituais como a pintura dos corpos e danças, literalmente adentrando o mundo indígena naquele momento.

O disco também encerra um ciclo histórico. Foi o último capítulo da era clássica com Max nos vocais. Depois dele, nada seria igual.

Trinta anos depois, por que Roots ainda importa?
Porque ninguém soou igual antes. E ninguém conseguiu soar igual depois.
Nem o próprio Sepultura. Nem o Soulfly. Nem o Cavalera Conspiracy.

São 30 anos de um marco brasileiro, que redefiniu expectativas e colocou o Brasil no mapa da música pesada de maneira incontestável e eterna.

Attitude and Respect!




quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

HYPOCRISY - A TASTE OF EXTREME DIVINITY (2009/2025) RELANÇAMENTO

 


HYPOCRISY
A TASTE OF EXTREME DIVINITY
Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional

A Taste of Extreme Divinity não pede licença. Ele entra com dois pés na porta. Como se o Hypocrisy ainda precisasse provar algo — mesmo não precisando provar absolutamente nada. Em 2009, quando muita banda do death metal melódico já parecia perdida entre modernizações forçadas e fórmulas recicladas, Peter Tägtgren simplesmente fez o que sempre soube fazer: escrever riffs que cortam, atmosferas que sufocam e músicas que pesam de verdade.

“Valley of the Damned” já deixa claro que não há aquecimento. É uma “bicuda” direta. A guitarra vem seca, agressiva, e a bateria explode sem rodeios. Tägtgren soa feroz — o Hypocrisy soa como deve ser. E o mais interessante é que essa fúria não parece artificial. Parece natural. O gutural grave continua monstruoso, mas os vocais mais agudos, quase desesperados em alguns momentos, adicionam uma camada de tensão que deixa tudo mais instável, mais nervoso.

O Hypocrisy sempre soube equilibrar brutalidade e melodia sem soar adocicado. Aqui isso aparece de forma cirúrgica. “Weed Out the Weak” e a faixa-título são ataques frontais — rápidas, cortantes, com riffs que parecem empurrar a música para frente o tempo todo. Já “Solar Empire” e “No Tomorrow” trabalham aquele andamento médio esmagador, aquele groove pesado que não depende de velocidade para funcionar. Você não apenas escuta — você bate-cabeça.

Mas aqui vai a parte honesta: o disco é forte do começo ao fim… talvez até forte demais de maneira uniforme. Não há uma faixa que vire um clássico absoluto. Não existe aquele momento que vira obsessão instantânea. Tudo é bom — muito bom — mas falta aquele pico emocional que te faz voltar compulsivamente para uma música específica.

Ainda assim, é impossível negar: o Hypocrisy aqui soa vivo. Não soa cansado. Não soa tentando agradar ninguém. Soa como uma banda confortável na própria brutalidade e zona de conforto. Não é o ápice da carreira, mas também está longe de ser um passo automático.

No fim das contas, A Taste of Extreme Divinity é um álbum que mostra maturidade sem acomodação. É um disco seguro, sólido, pesado e honesto.

William Ribas




HYPOCRISY - VIRUS (2005/2025) RELANÇAMENTO

 


HYPOCRISY
VIRUS
Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional

Por que caminhamos pelo vale da mediocridade? Para que o retorno ao topo seja ainda mais glorioso. Para qualquer fã de longa data do Hypocrisy, o início dos anos 2000 foi, no mínimo, confuso. Após álbuns experimentais que deixaram uma cicatriz na discografia — sim, estamos apontando o dedo para você, Catch 22 — Peter Tägtgren parecia ter “perdido o rumo”. Mas então veio 2005 e, com ele, Virus.

Bastaram poucos segundos após a breve “XVI” para perceber que um verdadeiro ataque vinha na direção dos fãs. “Warpath” não começa; ela detona. O riff principal carrega aquela combinação perfeita de peso e impacto, enquanto a bateria soa mais urgente do que em qualquer trabalho recente da banda. A entrada de Horgh (ex-Immortal) não foi apenas uma troca de integrante — foi uma transfusão de sangue novo. Os blast beats são secos, controlados, mas violentos, e as viradas quebram a previsibilidade que, por vezes, rondava os discos anteriores. O Hypocrisy sempre dominou o andamento cadenciado, quase marcial, mas aqui há mais velocidade, mais tensão acumulada sob cada compasso.

Tägtgren soa como um homem determinado a provar algo — talvez aos fãs, talvez a si mesmo. Os vocais estão mais profundos, rasgando com uma intensidade que remete à crueza do início da carreira, mas sem perder definição. Mesmo em meio à brutalidade, há clareza e controle.
O mais impressionante é que Virus não soa como uma tentativa desesperada de agradar. Ele parece natural, como se a banda tivesse finalmente se lembrado de quem sempre foi. Faixas como “Scrutinized” e “Blooddrenched” trazem riffs old school e uma pegada “bate-cabeça” instantânea, enquanto “Fearless” funciona como uma ponte perfeita para os fãs antigos, ecoando a grandiosidade de clássicos como “Roswell 47”, mas com uma roupagem moderna. Há nuances que continuam a surgir mesmo após semanas de audição — contrapontos de baixo em “Let the Knife Do the Talking” e texturas de guitarra que criam aquela atmosfera apocalíptica tão característica da banda.

O álbum se encerra com a polêmica, porém brilhante, “Living to Die”. Aqui, Peter utiliza os vocais limpos não para suavizar, mas para intensificar uma atmosfera de desolação nostálgica. É um fechamento emotivo para um disco que passou quarenta minutos tentando arrancar sua cabeça.

Vinte anos depois, a infecção continua letal. Se você ignorou este álbum na época por causa dos tropeços anteriores da banda, é hora de corrigir esse erro. A Shinigami Records recoloca no mercado um trabalho que prova que o Hypocrisy não apenas sobreviveu ao seu período sombrio — emergiu dele mais forte, mais rápido e, definitivamente, mais letal.

William Ribas




terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

REBEL ROCK RESEARCH - ANTHRAX


 REBEL ROCK RESEARCH - ANTHRAX 

O ANTHRAX é uma instituição do Heavy Metal. Talvez, os mais radicais torçam a cara pelo fato do grupo ter misturado rap em algumas faixas, ou por ter usado bermudas e roupas coloridas fugindo do estereótipo "banda mau de metal". Mas é inegável que o grupo, em seus mais de 40 anos de carreira, proporcionou aos apreciadores da boa música, álbuns sensacionais sem nunca ficar se preocupando o que pensariam a seu respeito. Algumas trocas de formação durante esse período também ocorreram mas sem que o grupo perdesse sua relevância dentro do cenário. Se lá no começo, com Neil Turbin nos vocais e Danny Lilker no baixo o grupo já dava mostras de seu enorme potencial, as entradas de Joey Belladona e Frank Bello fez com que o lado mais "melódico" do quinteto se mostrasse de forma mais direta e consolidou o "Anthrax Sound". Mais pra frente, John Bush assumiu os vocais e deu nova vida ao grupo, mesmo com a saída do "baixinho gigante" Dan Spitz e a entrada do ótimo guitarrista Rob Caggiano. Com o retorno de Belladona e a entrada do guitarrista Jonathan Donais, o grupo retomou o caminho daquela sonoridade mais típica e segue atuante nos dias de hoje. O REBEL ROCK RESEARCH dissecou a discografia (de estúdio) do grupo, ranqueando seus álbuns do mais fraco ao melhor e o resultado você confere abaixo.

Por Sergiomar Menezes

14º - VOLUME 8: THE THREAT IS REAL (1998)


Tá aí um álbum que eu faço um mea culpa. Nunca prestei atenção, seja na época de seu lançamento, seja tempos depois. Mas a verdade é que VOLUME 8: THE THREAT IS REAL é um trabalho que apesar de soar um tanto quanto estranho, tem sim seus bons momentos. O grupo vivia um momento conturbado, pois o guitarrista Paul Crook não se encaixava muito naquilo que o grupo precisava (ele ainda atuou como produtor ao lado da banda). Assim, o resultado é bem desequilibrado pois se temos alguns bons momentos como a abertura com "Crush", "Catharsis" (uma faixa que podia ser resgatada pela banda), "Toast to the Extras", uma espécie de country que soa um pouco deslocada mas nem por isso deixa de ser legal, e  "Inside Out", também temos outros momentos pouco inspirados como "P & V", "Born Again Idiot", "Big Fat" e "Cupajoe". De forma resumida, o maior pecado de VOLUME 8 é ser experimental e um tanto quanto confuso. O álbum tenta atirar para todos os lados, passando pelo rock alternativo e indo ao thrash, resultando em um trabalho irregular. E, como já citado, possui problemas de produção e identidade. Não é um desastre, mas falta inspiração. Mas, se você é como eu e não deu muita atenção ao álbum, escute de novo. Pode ser que você encontre os mesmos bons momentos que eu achei.



13º - STOMP 442 (1995)


Confesso que STOMP 442 se diferencia de seu sucessor (Volume 8: The Threat is Real) por um simples fato: "Fueled". Que música meus amigos. Que música! Sem dúvida, uma das melhores da fase John Bush. Intensa, rápida e certeira, a faixa é o maior de destaque do álbum que também traz outros bons momentos. Mas fica bem nítido que o grupo estava numa fase de transição, mesmo com a boa aceitação de "Sound of White Noise" (1993), primeiro álbum com John Bush. Dan Spitz havia deixado a banda e Paul Crook assumiu a maior parte das guitarras. "Randoms Acts of Senseless Violence" (escrita por Paul Crook), "King Size" (escrita pelo saudoso Dimebag Darrel) e "Riding Shotgun" (também escrita por Darrel em parceria com Crook) se destacam, mas também podemos citar "Nothing" e "American Pompeii". Podemos dizer que é um álbum agressivo, mas que sofreu com a falta de apoio da gravadora e a mudança no direcionamento musical na época. Apesar de agressivo e seco, é um trabalho pouco memorável. Reflete a dificuldade do thrash em sobreviver à era grunge e tudo mais que envolvia o cenário musical à época.



12º - ANTHEMS (2013)


Álbum de covers entra? E se for EP? Como aqui quem manda é quem está escrevendo, álbum de covers entra sim... hahaha. E eu particularmente, não considero ANTHEMS um EP, como a própria banda registar em sua discografia, pois temos aqui 8 faixas, o que muitas vezes é mais do que alguns álbuns. Mas o que importa é que o trabalho não é dos mais inspirados, ainda que as versões tenham ficado bem interessantes. "Anthem " cover do Rush ficou bem legal, pois sabemos que o Anthrax consegue incorporar sua personalidade em faixas que regrava, e aqui não foi diferente. "TNT" do AC/DC também ficou bacana, mantendo a energia e atmosfera da original. Já "Smokin'" (Boston) e "Keep on Runnin'" (Journey) ficaram legais mas não acrescentam muito. O Cheap Trick não foi esquecido e "Big Eyes" ganhou uma versão de respeito enquanto "Jailbreak" do Thin Lizzy ficou interessante, e mostra a versatilidade de Belladona. O disco encerra com "Crawl" em duas versões, a presente em "Worship Music" e um remix que não mostrou nada de novo. Não é descartável, muito pelo contrário. Mas não vai mudar sua vida se não fizer parte da sua coleção.



11º - ATTACK OF THE KILLER B's (1991)


Aí você deve estar pensando: "O que faz uma coletânea entre os álbuns regulares da banda? Pois bem, ATTACK OF THE KILLER B'S não é uma simples coletânea, tipo "Best of", "Greatest Hits" e afins. Trata-se de um trabalho com lados B's, covers, faixas ao vivo e raridades da banda lançada após a saída de Joey Belladona e antes da entrada de John Bush na banda. Talvez você pense que seja apenas um tapa buraco, mas meu amigo, um álbum que traz em seu tracklist "Bring The Noise", faixa gravada dos rappers do Public Enemy, que ganhou uma dose extra de peso e que se tornou um dos maiores singles do Anthrax, não pode ser considerada de forma pejorativa. Dentro do cenário de covers, temos ainda "Milk(Ode to Billy) e "Chromatic Death", do S.O.D., banda/projeto da qual Scott Ian é integrante, "Protest and Survive" do Discharge, "Parasite", do KISS, "Pipeline", do Chantays e "Sects" do Trust, além de uma nova versão para "I'm the Man", que, sinceramente, não ficou muito legal. Entre as raridades, temos "Startin' Up a Posse", uma faixa com a cara do Anthrax. Mesmo que não seja um trabalho regular dentro da discografia do grupo, decidi colocá-lo aqui, principalmente porque as faixas presentes não se encontram nos outros álbuns, tornando-se até então, inéditas em um full lenght. Difícil de ranquear um trabalho assim, mas vale a aquisição!



10º - FISTFUL OF METAL (1984)


Pode ser que eu não seja compreendido aqui, pois sei que muitos fãs tem em FISTFUL OF METAL um dos melhores álbuns do ANTHRAX. Mas, como estamos tratando aqui de opinião, e ela é pessoal, e assim, coloco ele nessa décima posição. Neil Turbin nos vocais entrega aqueles agudos clássicos, e faixas como "Metal Thrashing Mad" definiram o termo THRASH. É um começo sólido, embora a banda ainda não tivesse encontrado sua identidade visual e sonora definitiva. Podemos até, de certa forma, afirmar que o trabalho é mais próximo da NWOBHM do que do thrash que consagraria a banda. Ouça e "Panic" e me diga se você não ouviu nada de Iron Maiden por ali... ou ainda "Subjugator" com seu ar "pristeniano". "Howling Furies" e "Death From Above" seguem essa mesma linha. Mas não podemos esquecer de "Deathrider" que abre o álbum e se tornou uma das músicas mais animais da história do Anthrax (veremos isso um pouco mais pra frente). Temos ainda o cover de "I'm Eighteen" do mestre dos mestres, Alice Cooper, que ficou bem ao estilo do grupo. Enfim, um bom álbum que marcou o início da trajetória do grupo.



9º - WORSHIP MUSIC (2011)


Sétimo álbum de estúdio do ANTHRAX, WORSHIP MUSIC lançado em 2011, marca o retorno de Joey Belladona aos vocais do grupo e também a despedida de Rob Caggiano, guitarrista que formava uma bela dupla com Scott Ian. Também produtor da bolacha, Caggiano deu vida nova à banda, o que ficou evidente em "We've Come For You All" (2003 - e que será o tema daqui a pouco). No entanto, "Worship Music", por mais que tenha trazido Belladona de volta e traga em seu tracklist faixas "Earth on Hell", pesada e intensa, já mostra que Belladona não perdeu seu poder vocal enquanto "The Devil You Know" e "Fight 'Em 'till You Can't" mostram o bom e velho Anthrax de sempre, principalmente a última. Com riffs e aqueles vocais característicos, a faixa é aquela que meu amigo perguntou se eu já tinha ouvido lá na época de seu lançamento. E não é que realmente ela parece ... ANTHRAX! Não tenho medo de afirmar aqui que essa é a melhor composição do grupo após o retorno de Belladona. E pensar que após a saída de John Bush, Dan Nelson foi cogitado para seu lugar e chegou até mesmo agravar algumas faixas com o grupo. Nada contra o cara, até mesmo porque eu não ouvi nada com ele, mas o que temos aqui é aquilo que sempre esperamos ouvir do grupo: THRASH METAL como só o Anthrax sabe fazer!



8º - FOR ALL KINGS (2016)


O mais recente full lenght do ANTHRAX está completando 10 anos! Como o tempo passa! De lá pra cá o grupo já comemorou seus 40 anos de carreira e rolam rumores de que podemos ter um novo álbum muito em breve. FOR ALL KINGS é um álbum forte, denso com ótimas músicas e que reforça que o retorno de Belladona, ainda que com algumas restrições (por parte deste que vos escreve), foi sim acertado. Melodia e velocidade, tudo aquilo que fez do Anthrax uma das bandas mais legais dentro do estilo. Lembro que certo vez, um amigo me perguntou, quando da volta de Belladona: "E aí, ouvi a música nova do Anthrax? E como tá?", no que eu respondi: "Cara, tá Anthrax!" E é isso que a gente espera: a mão direita de Scott Ian trabalhando em riffs insanos enquanto Frank Bello e Charlie Benante formam uma das cozinhas mais fodas e injustiçadas do metal. Faixas como "You Gotta Believe", que abre o álbum de forma magistral, "Evil Twin", "Breathing Lightning" e a pesada e arrastada "Blood Eagle Wings" mostram que o quinteto segue sendo relevante nos dias de hoje. Levemente superior ao seu antecessor (Whorship Music), o trabalho é um resgate e um a afirmação de que o THRASH do grupo segue firme e forte.



7° - SPREADING THE DISEASE



À partir daqui, ficou complicado de escolher quem ficaria na frente de quem, exceto pelo pódio. Mas, já que tenho que escolher, SPREADING THE DISEASE, primeiro álbum com Joey Belladona, lançado em 1985 é um trabalho recheado de clássicos que se tornaram hinos imortais. Imagine um trabalho que abre com "A.I.R", uma rifferama linda, onde Bellladona já mostra a que veio com uma voz mais melódica que a de Neil Turbin, mas que nem por isso deixa de soar marcante. "Lone Justice", que começa com um baixo pesado, cortesia do também estreante Frank Bello, traz ainda uns poucos resquícios da NWOBHM, mas sem exageros. O que dizer dos riffs de "Madhouse" ou do seu hilário videoclipe? Uma das crias da Megaforce e de seu mentor Jon Zazula, o Anthrax aqui mostrou que vinha para se tornar uma das maiores bandas do estilo, o que veio a se confirmar no seu trabalho vindouro. Temos ainda como destaques "The Enemy", que realça o bom entrosamento entre Benante e Frank Bello, talvez por serem tio e sobrinho, respectivamente, "Medusa" e a fantástica "Gung-Ho"! Que pedrada na mente! Tendo jon Zazula na produção e Alex Perialas como engenheiro de som, "Spreading the Disease" é um trabalho que mostrou (e até hoje mostra)uma banda que sabia onde queria chegar.



6º - SOUND OF WHITE NOISE (1993)


A primeira vez que ouvi SOUND OF WHITE NOISE, não curti o álbum. Mas isso também aconteceu com outros dois trabalhos que hoje estão entre meus discos preferidos de todos os tempos: "Nevermind the Bollocks... Here's the Sex Pistols" (vocês sabem de quem) e "Mondo Bizarro" do Ramones. SOWN traz um ANTHRAX renovado com a presença do melhor vocalista que passou pelo grupo, o excepcional John Bush. Uma sonoridade pesada, moderna e intensa fez do grupo um pouco incompreendido à época, principalmente pelas viúvas de Belladona que não aceitavam que agora a banda estava buscando soar um pouco diferente daquilo que fazia. Logo de cara, a produção de Dave Jerden salta a frente pois as guitarras estão soando mais pesada e viscerais. Mas é impossível não dizer que quem fez a diferença foi Bush. O que dizer de sua performance em "Only", uma das músicas amis perfeitas já feitas dentro do metal, segundo ninguém mais ninguém menos que James Hetfield? E "Room For One More", que também mostra uma banda tentando se "modernizar" sem perder sua essência entregando outra grande faixa?  "Potter's Field", "Packaged Rebellion", "Invisible" e "C11 H17 N2 O2 S Na" e "This is Not an Exit", são outros grandes momentos de um trabalho que apesar de trazer uma transição, se mostrou forte, honesto e acima de tudo, pesado!



5º - STATE OF EUPHORIA (1988)


Não foi fácil vir na sequência de "Among the Living". E esse peso caiu todo em cima de STATE OF EUPHORIA. Quarto álbum de estúdio da banda, ele chegou cercado de expectativas, que pelo menos ao meu ver, correspondeu sim ao que foi esperado. Obviamente que não se compara ao seu antecessor, mas possui carisma, qualidade e músicas fantásticas coma que abre o play. "Be All End All", com seus riffs inconfundíveis e que muito tempo depois seriam copiados por um dos grandes nomes do death metal mundial ( a saber, o Behemoth). Faixa imprescindível para quem quer conhecer o que é uma música que soa como Anthrax. Já "Out of Sight, Out of Mind", é uma "prima/irmã" de "Caught in a Mosh", pois traz a mesma energia da citada e um refrão que fica na mente logo na primeira audição. "Make me Laugh" é mais pesada e traz um Belladona buscando novas regiões vocis e que ficaram bem encaixadas na faixa. E como não citar "Antisocial" cover d abanda francesa Trust, da qual o batera Nicko McBrain (Iron maiden) fazia parte? E com todo respeito aos franceses, essa faixa deixou de pertencer a eles há muito tempo... E ainda temos "Misery Loves Company", "Now It'sdark" e "Finale", que temperam ainda mais o molho de álbum que vale cada centavo investido.



4º - PERSISTENCE OF TIME (1990)


Em PERSISTENCE OF TIME, o ANTHRAX assumiu uma faceta mais séria. Não que o grupo não fosse, mas tudo aqui já dava mostras que o quinteto buscava uma sonoridade um pouco diferente, mas sem perder sua identidade. E sendo esse o último trabalho com Belladona nos vocais (até sua volta em 2011), presumo que isso tenha sido um dos tantos motivos que motivaram sua saída. Mas falando das músicas, o álbum é um grande trabalho, desde a cozinha, passando pelas guitarras e pelo próprio vocalista, que nos entrega uma grande performance vocal. Scott Ian e Dan Spitz formavam à época uma das principais duplas do estilo, o que se comprova logo na abertura com "Time", com quase sete minutos, antecede "Blood", que rompe essa barreira, mas não sentimos o tempo passar, tamanha a capacidade do grupo em nos prender dentro da composição. No entanto, o grande momento do disco vem na sequência: "Keep in the Family". Cadenciada, pesada, densa e que ganha intensidade e velocidade em determinados momentos, a faixa é uma das melhores que o Anthrax já compôs e gravou! E se a gente acha que o que era bom, acaba por aí, em seguida temso "In My World", aquela faixa "tipicamente Anthrax" e que foi tocada pelo grupo quando participou de um episódio da série "Married With Children" - no Brasil "Um Amor de Família". E como se não bastasse, temos ainda "Got The Time", cover de Joe Jackson que também ganhou vida nova pelas mãos do grupo. Pra encerrar, a pesada "Belly of the Beast" e a velocidade insana de "Discharge". Que disco, meus amigos. Que disco!



3º - WE'VE COME FOR YOU ALL (2003)


Tenho a mais absoluta certeza que muitos não concordarão com essa escolha, e não culpo quem assim o fizer. Porque pode parecer estranho colocar um trabalho tão "recente" do grupo, em detrimento aos clássicos gravados nos anos 80. Mas, como essa seção é puramente de preferência pessoal, WE'VE COME FOR YOU ALL vem para ocupar seu lugar no pódio desse Rebel Rock Research. Cinco anos após o mal sucedido "Volume 8: The Threat is Real", o ANTHRAX nos brinda com um álbum impecável, mostrando que a banda ainda tinha sim, lenha pra queimar. E que lenha! Após uma pequena intro ("Contact") o álbum inicia com a pedrada "What Doesn't Die", que inicia sob riffs e bateria sincronizados, preparando o terreno para John Bush mostrar como se faz! "Superhero" e "Refuse to be Denied" são momentos mais cadenciados e densos, que antecedem uma das melhores músicas do Anthrax: "Safe Home". A música consegue ser melódica, pesada, moderna, e carregada de sentimento, muito disso por culpa de Bush e dos backing vocals de Frank Bello. Apesar de não ser o melhor álbum do grupo, me arrisco a dizer que estamos aqui, diante da melhor formação da banda. Benante em "Nobody Knows Anything" volta pra refirmar aquilo que já disse em algum dos textos acima: ele é sim um dos bateras mais injustiçados do metal, pois quase nunca vemos ele sendo citado como um dos melhores ou mais técnicos do estilo. O saudoso Dimebag Darrel participa de "Strap it On", talvez a música com mais cara de modernA do grupo. E quem diria que um dia ouviríamos um grindcore num álbum do Anthrax? Mas "Black Dahlia" vem pra suprir essa falta... Dimebag participa também de outra pérola: "Cadillac Rock Box", uma composição mais, digamos assim, comercial, mas dona de uma ótima linha de guitarra. E se esse é um álbum, com grindcore, porque não trazer um dos maiores nomes do classic rock pra participar de uma faixa? Roger Daltrey do The Who empresta sua classe e voz à "Tacking the Music Back", um dos principais momentos do álbum, na opinião deste que vos escreve. A faixa título fecha o álbum numa linha entre o passado e o presente, musicalmente falando. WCFYA por muito pouco não ocupou o segundo lugar nesse ranking, mas não tinha como...



2º THE GREATER OF TWO EVILS (2004)


Como assim? Coletânea de regravações em segundo lugar????? Sim! Mas quem conhece sabe que não é qualquer coletânea, pois aqui o ANTHRAX conseguiu melhorar aquilo que já era sensacional! THE GREATER OF TWO EVILS (algo como "Dos males o Maior") traz 14 faixas regravadas pela banda, todas elas com John Bush nos vocais, Rob Caggiano  e Scott Ian nas guitarras, Frank Bello no baixo e Charlie Benante na bateria. E se você pensar que a voz de Bush não se encaixaria naquilo que Neil Turbin e Joey Belladona gravaram, lamento informar, mas você está redondamente enganado. E isso já fica nítido e claro na abertura com "Deathrider", que ficou duzentas vezes melhor que a original, da mesma forma que "Metal Thrashing Mad", onde Bush simplesmente destrói. Impressiona como o ANTHRAX conseguiu atingir um nível de excelência nessas regravações, com abanda exalando fúria e aquele tradicional, bom e velho sangue "nozóio". E vale destacar mais uma vez a performance de Benante que entre uma e outra virada, consegue adicionar uns blast beats com classe em faixas que não demandam tal artifício. Até mesmo "Caught in a Mosh" ganhou uma energia extra, enquanto "A.I.R" "sofreu" desse mesmo mal. As unicas ressalvas que eu faço aqui são "Indians", que parece ter sido escrita para única e exclusivamente ser cantada por Belladona e "NFL", que ganhou uns blast beats em sua parte final, deixando-a um pouco "estranha". De resto, "Keep in the Family" ficou monstruosa, principalmente pela performance de Bush, bem como "I Am the Law" e "Belly of the Beast", que superaram as expectativas. Be All End All" e " Gung-Ho" encerram o trabalho de forma grandiosa. Me diz aí: tinha como isso não ficar maravilhoso? Uma pena que depois disso a banda entrou numa instabilidade que acarretou a saída de Bello, depois Caggiano e na sequência Bush. Mas o estrago já estava feito. E que belo estrago!



1º AMONG THE LIVING (1987)


AMONG THE LIVING. Não tinha como ser diferente. O maior clássico do ANTHRAX é o primeiro colocado nesse Rebel Rock Research. Produzido por Eddie Krammer, o terceiro álbum da banda foi a prova de fogo, após a expectativa criada com o segundo disco. Facilmente, poderia dizer que "Among the Living" está para o Anthrax da mesma forma que "Rust in Peace" está para o Megadeth, "Reign in Blood" para o Slayer e "Master of Puppets" está para o Metallica (ainda que eu considere "Ride the Lightning" o melhor deles). Desde seu início com a faixa título, uma obra prima de peso, velocidade e muita energia (Belladona entrega uma performance matadora aqui), passando por outra pérolas do cancioneiro THRASH como "Caught in a Mosh" (uma daquelas faixas que é necessário afastar os móveis da sala quando se coloca pra ouvir), "I am the Law", inspirada em Judge Dreed, personagem de HQ e dona de um riff que você reconhece onde você estiver, porque ele nunca mais sai da cabeça, "Efilnikufesin (NFL), com um refrão inesquecível e inspirada na vida do ator John Belush, chegando nos riffs pesados de "A Sekeleton in the Closet" (Benante destrói tudo aqui). Mas o ápice está em "Indians". Eu não sei se isso é possível, mas essa é música totalmente thrash metal e bonita! Sim! Bonita! Seja pela mensagem forte que ela passa, seja pela melodia e suas linhas de guitarra, a verdade é que "Indians" se tornou um verdadeiro clássico, com uam performance matadora de Belladona (principalmente ao vivo) e no momento da "War dance", onde nos shows, não sobra pedra sobre pedra. "One World", "A.D.I./Horror of it All" e "Imitation of Life" completam a tracklist do álbum que de forma automática, volta a tocar novamente. Muitos questionam a participação do Anthrax junto ao BIG 4 do THRASH METAL. Mas eu digo e repito: se a banda tivesse lançado apenas AMONG THE LIVING em sua carreira, seria merecedor de participar desse seleto grupo!