HYPOCRISY
VIRUS
Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional
VIRUS
Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional
Por que caminhamos pelo vale da mediocridade? Para que o retorno ao topo seja ainda mais glorioso. Para qualquer fã de longa data do Hypocrisy, o início dos anos 2000 foi, no mínimo, confuso. Após álbuns experimentais que deixaram uma cicatriz na discografia — sim, estamos apontando o dedo para você, Catch 22 — Peter Tägtgren parecia ter “perdido o rumo”. Mas então veio 2005 e, com ele, Virus.
Bastaram poucos segundos após a breve “XVI” para perceber que um verdadeiro ataque vinha na direção dos fãs. “Warpath” não começa; ela detona. O riff principal carrega aquela combinação perfeita de peso e impacto, enquanto a bateria soa mais urgente do que em qualquer trabalho recente da banda. A entrada de Horgh (ex-Immortal) não foi apenas uma troca de integrante — foi uma transfusão de sangue novo. Os blast beats são secos, controlados, mas violentos, e as viradas quebram a previsibilidade que, por vezes, rondava os discos anteriores. O Hypocrisy sempre dominou o andamento cadenciado, quase marcial, mas aqui há mais velocidade, mais tensão acumulada sob cada compasso.
Tägtgren soa como um homem determinado a provar algo — talvez aos fãs, talvez a si mesmo. Os vocais estão mais profundos, rasgando com uma intensidade que remete à crueza do início da carreira, mas sem perder definição. Mesmo em meio à brutalidade, há clareza e controle.
O mais impressionante é que Virus não soa como uma tentativa desesperada de agradar. Ele parece natural, como se a banda tivesse finalmente se lembrado de quem sempre foi. Faixas como “Scrutinized” e “Blooddrenched” trazem riffs old school e uma pegada “bate-cabeça” instantânea, enquanto “Fearless” funciona como uma ponte perfeita para os fãs antigos, ecoando a grandiosidade de clássicos como “Roswell 47”, mas com uma roupagem moderna. Há nuances que continuam a surgir mesmo após semanas de audição — contrapontos de baixo em “Let the Knife Do the Talking” e texturas de guitarra que criam aquela atmosfera apocalíptica tão característica da banda.
O álbum se encerra com a polêmica, porém brilhante, “Living to Die”. Aqui, Peter utiliza os vocais limpos não para suavizar, mas para intensificar uma atmosfera de desolação nostálgica. É um fechamento emotivo para um disco que passou quarenta minutos tentando arrancar sua cabeça.
Vinte anos depois, a infecção continua letal. Se você ignorou este álbum na época por causa dos tropeços anteriores da banda, é hora de corrigir esse erro. A Shinigami Records recoloca no mercado um trabalho que prova que o Hypocrisy não apenas sobreviveu ao seu período sombrio — emergiu dele mais forte, mais rápido e, definitivamente, mais letal.
William Ribas


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