quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

METAL CHURCH - MASTERPEACE (1999/2025) RELANÇAMENTO

 


METAL CHURCH
MASTERPEACE
Shinigami Records/Reaper Entertainment - Nacional

Existem discos que envelhecem mal. E existem discos que precisam de tempo para serem compreendidos. Masterpeace é exatamente o segundo caso.

Quando o Metal Church lançou o álbum em 1999, o retorno de David Wayne (que infelizmente nos deixaria alguns anos depois, em 2005) ao vocal gerou expectativa bem alta. Mas muitos fãs ainda estavam emocionalmente ligados à fase com Mike Howe, e isso acabou influenciando um pouco a recepção do disco. O problema é que "Masterpeace" nunca foi pensado como uma repetição do passado, e talvez por isso tenha sido tão mal interpretado.

O álbum não tem um hit imediato. Não há aqui um novo “Watch the Children Pray”. Em vez disso, temos um trabalho consistente, que cresce faixa após faixa. A abertura com “Sleeps With Thunder” é pesada e segura, com aquela veia heavy/thrash tradicional da banda, mas o disco realmente começa a mostrar sua força conforme avança. “Falldown” mantém o ritmo, mas agora com uma pegada um pouco mais speed metal e traz um refrão melancólico que fica na cabeça. “Into Dust” consegue ser energética e triste ao mesmo tempo, uma combinação curiosamente eficiente. “Kiss for the Dead” flerta com uma power ballad sem perder peso. Já “Faster Than Life” e “All Your Sorrows” carregam uma veia mais heavy/thrash bem trabalhada e com uma dinâmica e construção mais elaboradas.

Masterpeace soa como um disco mais emocional do que explosivo e isso caiu muito bem (ao menos para este que vos escreve). E falando de Wayne: sua performance é diferente da fase oitentista. Menos agressiva, mais madura, às vezes até introspectiva. Não é mais aquele jovem furioso do passado, é um vocalista experiente, entregando emoção de outra forma.

Talvez o maior mérito de Masterpeace seja justamente esse: ele exige paciência. Não é um disco de impacto imediato, mas um álbum que melhora a cada audição. E nessa versão remasterizada de 2025, com clareza na mixagem, ele finalmente soa com a força que sempre mereceu.

Não é um clássico, óbvio, ainda mais se considerarmos a época do lançamento original (1999), onde outros estilos dominavam naquele período, como o Nu-Metal e o Metal Church conseguiu entregar um ótimo registro que vale ainda mais a audição pelo contexto histórico da banda. E às vezes, redescobrir um álbum assim é tão satisfatório quanto ouvir um clássico pela primeira vez.

Fernando Aguiar




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