sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

SEPULTURA - ROOTS 30 ANOS - UM MARCO DO METAL BRASILEIRO E MUNDIAL


 SEPULTURA - ROOTS 30 ANOS - UM MARCO DO METAL BRASILEIRO E MUNDIAL

Por William Ribas


I believe in our fate
We don't need to fake
It's all we wanna be
Watch me freak

Quando Roots explodiu, eu já tinha a minha "carteirinha de fã". Em 1996, para onde quer que olhássemos, estava escrito o nome Sepultura. Nas revistas, especializadas ou não. Na televisão, fosse na MTV, na Cultura ou no SBT, ali estavam Max, Iggor, Andreas e Paulo.

Dia 20 de fevereiro: o dia em que o metal gritou em português (e em dialeto indígena)

Lembro de assistir a “Roots Bloody Roots” no Disk MTV. De bater cabeça com “Attitude” ou “Ratamahatta” no programa Fúria Metal, do Gastão Moreira. Quantas foram as vezes que berrei: “Vamos detonar essa p***! É, p***!

Obviamente que no auge dos meus 12 anos estranhava o Carlinhos Brown ali (risos). Com esse lançamento, o Sepultura — que já vinha numa enorme crescente — simplesmente explodiu. A afinação baixou, mas o peso aumentou. Os solos quase sumiram, mas a "barulheira" cresceu. O groove, os refrãos, a batida nacional: os quatro integrantes jogaram a brasilidade dentro do liquidificador e criaram algo único. Esfregaram para o mundo as suas origens.

Roots não é thrash. Não é death. Não é exatamente nu metal — embora muita gente insista em reduzi-lo a isso. Ele é um choque cultural amplificado. É um groove pesado atravessado por ritmos tribais, berimbau e cantos indígenas.

Iggor Cavalera transforma o álbum em um campo de batalha rítmico. Cada batida tem um peso de uma pata de elefante. Não é exagero dizer que a percussão em Roots é tão protagonista quanto os riffs. O curioso é que o álbum é político sem ser panfletário. Ele fala de resistência, opressão, identidade e sobrevivência sem virar discurso partidário. A raiva aqui não é gratuita.

Para muitos, Roots não é perfeito (e eu me encaixo nessa), afinal, ele não é linear. Temos músicas fortíssimas além dos singles, como “Cut-Throat”, “Breed Apart”, “Spit” e “Lookaway”, dividindo espaço com faixas que alguns consideram pausas desnecessárias, como “Jasco”. Uma pausa em meio ao caos? Pode ser. Mas até essas pausas contribuem para a narrativa: eles respiram, ritualizam e preparam o próximo impacto.

Em Chaos A.D., o Sepultura apresentou a intrigante “Kaiowas” — uma certa dose do que poderia estar por vir logo à frente. Não existe música que traga mais toda a simbologia ancestral de Roots do que “Itsari”. A banda gravou com a tribo Xavante no meio da “selva”, passando por rituais como a pintura dos corpos e danças, literalmente adentrando o mundo indígena naquele momento.

O disco também encerra um ciclo histórico. Foi o último capítulo da era clássica com Max nos vocais. Depois dele, nada seria igual.

Trinta anos depois, por que Roots ainda importa?
Porque ninguém soou igual antes. E ninguém conseguiu soar igual depois.
Nem o próprio Sepultura. Nem o Soulfly. Nem o Cavalera Conspiracy.

São 30 anos de um marco brasileiro, que redefiniu expectativas e colocou o Brasil no mapa da música pesada de maneira incontestável e eterna.

Attitude and Respect!




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