METAL CHURCH
THE WEIGHT OF THE WORLD
Shinigami Records/Reaper Entertainment - Nacional
THE WEIGHT OF THE WORLD
Shinigami Records/Reaper Entertainment - Nacional
Quando o Metal Church lançou The Weight of the World em 2004, muita gente ainda via a banda como um nome histórico do metal tentando sobreviver num cenário dominado por outras tendências. Mas, olhando hoje, especialmente com o relançamento remasterizado de 2025 pela Shinigami Records, fica claro que esse disco representa muito mais do que apenas “mais um capítulo” da discografia. Ele é, na prática, o verdadeiro recomeço da banda em pleno anos 2000.
A entrada de Ronny Munroe marca essa virada. Ele não tem o carisma quase teatral de David Wayne, nem a técnica refinada de Mike Howe, mas entrega algo importante: energia e versatilidade. Em alguns momentos, especialmente nas faixas mais lentas, soa menos confiante. Mas quando pisa no acelerador, como em “Leave Them Behind” ou “Cradle to Grave”, mostra agressividade suficiente para sustentar o peso das guitarras.
E falando em guitarras: aqui está o verdadeiro coração do álbum. A sonoridade dos anos 2000 do Metal Church já não é aquele thrash puro como no começo da carreira. O que aparece em The Weight of the World é um heavy metal tradicional com elementos de speed e power metal, menos específico, menos rotulado. É um som mais “amplo”, que às vezes flerta com melodias que lembram o Iron Maiden, especialmente nas linhas vocais de “Hero’s Soul”, mas sem soar como cópia.
A faixa-título é um dos grandes momentos do disco. Tem groove, tem refrão forte e consegue ser pesada mesmo sem ser rápida. Já “Madman’s Overture” é talvez o ponto mais ambicioso do álbum: pouco mais de oito minutos de variações, mudanças de clima e até uma quebra com sabor setentista, incluindo baixo mais evidente e uma textura inesperada de sintetizador. É quando a banda sai um pouco da zona de conforto e mostra maturidade para arriscar em um terreno até então pouco explorado.
O disco pode não ter momentos absolutamente arrebatadores, daqueles que redefinem a carreira de uma banda, mas é um álbum muito consistente. E isso, às vezes, vale mais do que um ou dois hits isolados.
A produção remasterizada de 2025 ajuda bastante. As guitarras soam mais definidas, a bateria ganha presença e a mix permite perceber melhor as camadas de arranjo. O baixo ainda não é o protagonista do álbum, mas aparece com mais corpo do que na versão original.
Se alguém ouvir "XI" antes desse disco, pode até achar que as ideias são parecidas. Mas, na prática, "The Weight of the World" soa mais direto, mais natural e menos calculado. No fim das contas, The Weight of the World talvez não esteja entre os grandes clássicos absolutos do Metal Church, mas é um exemplo sólido de como o heavy metal tradicional pode soar no século XXI: pesado, melódico, técnico na medida certa e, acima de tudo, honesto.
Não é um álbum que vai fazer seu queixo cair, mas é um álbum que vai fazer você bater cabeça. E às vezes, é exatamente isso que a gente quer, banguear \m/.
Fernando Aguiar


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