sexta-feira, 22 de maio de 2026

POISON - LOOK WHAT THE CAT DRAGGED IN 40 ANOS

 


OS 40 ANOS DO ÁLBUM QUE MARCOU A ESTREIA DA BANDA QUE MUITOS AMAM ODIAR


Por Sergiomar Menezes

23 de maio de 1986, dia exato em que o álbum de estreia do POISON, LOOK WHAT THE CAT DRAGGED IN, celebra quatro décadas de história. Mais do que apenas um disco de hard/glam/hair metal, esse álbum foi o início de uma verdadeira revolução estética e musical que definiu o auge da cena Hard Rock  na lendária Sunset Strip de Los Angeles, transformando quatro jovens da Pensilvânia em astros do rock.

Antes mesmo de colocar o álbum pra tocar, a verdade é que LOOK WHAT THE CAT DRAGGED IN já causava impacto imediato pela capa. Trazendo fotos de seus integrantes mega-ultra-hiper-super maquiados (Bret Michaels, C.C. DeVille, Bobby Dall e Rikki Rockett), o encarte ostentava tanto laquê, batom, blush e delineador que quebrou barreiras de gênero na época. Tanto que um amigo chegou ame dizer que, em uma festa, depois de algumas cervejas, tranquilamente "tiraria um deles pra dançar"...

A androginia era tão extrema que, nas primeiras semanas de lançamento, muitas lojas de discos nos EUA listaram e organizaram o álbum erroneamente na seção de "Bandas Femininas". Relatos da época dizem que muitos homens heterossexuais compraram o vinil encantados pelas "garotas" da capa, apenas para descobrir que eram quatro rapazes cheios de atitude de Hollywood. Ou seja, meu amigo precisava beber pra pensar isso (risos), já nos EUA...

A provocação era milimetricamente calculada. O POISON levou o conceito de "glamour" ao extremo, envelopando uma atitude rebelde, suburbana e festeira em uma estética visual que se tornou a marca registrada da era de ouro da MTV.


Mas, ao contrário dos discos multimilionários que o Def Leppard ou o Mötley Crüe gravavam na época, o Poison era uma banda de garagem sem dinheiro quando assinou com a independente Enigma Records.

O álbum foi gravado em apenas 12 dias no estúdio Music Grinder, em Hollywood, com um orçamento curtíssimo de aproximadamente 30 mil dólares — uma pechincha para os padrões da indústria fonográfica de 1986. O produtor Ric Browde conseguiu extrair um som cru, direto e sem firulas, onde a falta de tecnologia de ponta foi compensada por pura energia rock and roll e refrãos feitos para arenas.

O sucesso não veio da noite para o dia, mas quando estourou em 1987, empurrou o álbum para a terceira posição da Billboard 200 e vendeu mais de 4 milhões de cópias só nos EUA. Isso se deu devido a uma sequência de singles imbatíveis:"Cry Tough"faixa de abertura funcionava como o manifesto da banda. Era uma mensagem de perseverança para todos os jovens que, assim como eles, largaram suas cidades natais e foram morar em vans em Los Angeles atrás do sonho americano,"Talk Dirty to Me", um hino e verdadeiro divisor de águas. O riff grudento de C.C. DeVille e a letra sacana transformaram a música em um hino geracional, e pra quem ouve música sem preconceito, percebe uma certa urgência punk em sua slinhas. O solo de guitarra dessa música é, na verdade, uma reciclagem, pois C.C. DeVille já usava exatamente esse mesmo arranjo em sua banda anterior, o "Screaming Mimi". Já "I Want Action" divide opiniões, pois apesar da energia traduzida em guitarras distorcidas, trata-se na verdade de um plágio mais que descarado da banda sueca "Easy Action"! Procure pela internet e você vai entender melhor essa história.... O clipe, cheio de cores neon e closes provocantes, foi censurado em alguns países pelo teor das imagens e da letra. E como todo bom disco do estilo, "I Won't Forget You" é a balada obrigatória. Ela provou que o grupo sabia falar de corações partidos e garantiu a rotação pesada da banda nas rádios, mostrando a versatilidade comercial do grupo.

Algumas curiosidades: 

- Antes de C.C. DeVille entrar na banda, um jovem guitarrista chamado Saul Hudson fez testes para o Poison. Ele chegou a passar pelas primeiras fases e era o favorito de Bobby Dall e Rikki Rockett. No entanto, o vocalista Bret Michaels achou que o visual dele não batiam com a proposta pop/glam que ele queria para o grupo. Esse guitarrista era ninguém menos que Slash, que logo depois se juntaria ao Guns N' Roses. No fim, a entrada de C.C. DeVille trouxe o senso de melodia pop que o Poison precisava para explodir., e convenhamos, foi o melhor para ambas as bandas. 

- Com o intuito de promover o álbum, o Poison foi escalado para abrir shows de bandas maiores. Uma das turnês mais emblemáticas foi abrindo para o Iron Maiden na "Somewhere on Time Tour". A mistura não funcionou bem: o público headbanger do Maiden detestava o visual maquiado do Poison e os cobria de vaias e objetos jogados no palco. O grupo aguentou firme, usando a rejeição para tocar com ainda mais agressividade.

- A expressão "Look What the Cat Dragged In" (algo como "olha o que o gato trouxe para dentro", usada para descrever alguém com aparência deplorável) não foi escolhida ao acaso. A banda dividia uma quitinete infestada de baratas em L.A. e vivia de restos de comida e festas. Certa manhã, após uma noite de excessos, um dos membros olhou para o outro e disse a frase. Eles acharam perfeita para resumir o contraste entre o visual impecável do palco e a realidade decadente de suas vidas pessoais na época.

Quarenta anos após sua chegada às lojas, LOOK WHAT THE CAT DRAGGED IN (hoje certificado com tripla platina) permanece como um documento histórico fascinante de uma era que não existe mais. Ele define perfeitamente o espírito colorido, exagerado e livre dos anos 80, onde a única regra real era se divertir até o amanhecer.

Mesmo enfrentando as viradas radicais do mercado musical nos anos 90 com a chegada do Grunge, as canções deste álbum provaram sua imortalidade. Elas continuam vivas em turnês de arena, trilhas sonoras de cinema, séries de TV e jogos de videogame .

Ao atingir a marca de 40 anos, o debute do POISON nos lembra de uma lição valiosa: o Rock n' Roll nem sempre precisa ser sério, político ou complexo — às vezes, ele só precisa ser alto, divertido e ter uma quantidade generosa de spray de cabelo.



terça-feira, 19 de maio de 2026

RAMONES - ANIMAL BOY 40 ANOS


RAMONES - OS 40 ANOS DO ÁLBUM MAIS POLÍTICO E VARIADO DA BANDA

Por Sergiomar Menezes

Em maio de 1986, o quarteto de Forest Hills, Queens, havia mudado bastante em relação ao grupo de jovens de jaqueta de couro que causou uma revolução no mundo em 1976. Uma década após o lançamento, o RAMONES lidava com crises de identidade, frustração comercial e conflitos internos intensos. Nesse contexto de tensão, nasceu ANIMAL BOY, o nono álbum de estúdio do grupo, que celebra 40 anos de carreira.

ANIMAL BOY é um dos álbuns mais intrigantes, controversos e subestimados da discografia da banda, e não é unanimemente aceito. Ele retrata uma banda tentando sobreviver aos anos 80, equilibrando a intensidade do Punk/HC emergente com as demandas de produção. E entenda-se por demandas de produção o uso de sintetizadores.

Para entender melhor o contexto do trabalho, é necessário ter um entendimento do ano de 1986. O punk rock foi absorvido pelo mainstream ou superado pela rapidez do hardcore de grupos como Dead Kennedys e Black Flag. Dessa forma, ou a banda se adaptava ao mercado (comercialmente) ou mantinha sua identidade sem se render ao modismo. A saída? Unir as duas alternativas!

Em busca de relevância e manter seu status (que sempre foi muito maior fora dos EUA), o RAMONES contratou o produtor Jean Beauvoir, ex-integrante da banda The Plasmatics. A missão era ingrata: preservar a brutalidade da banda, mas envolvê-la em uma sonoridade que permitisse sua veiculação nas rádios dos Estados Unidos. Os puristas ficaram surpresos com o resultado. Guitarras que antes erma ríspidas e nervosas, agora caminhavam ao lado de teclados e uma produção de bateria claramente "oitentista".

Embora tenha uma produção refinada, Animal Boy é um dos álbuns mais incisivos e políticos da banda em termos de letras. "Bonzo Goes to College" é, sem dúvida, o principal destaque.

Escrita por Dee Dee e Joey, "Bonzo Goesto Bitburg" (na opinião deste que vos escreve, uma das melhores músicas da banda) foi uma resposta direta e contundente à visita do presidente americano Ronald Reagan a um cemitério militar em Bitburg, na Alemanha, onde soldados da SS nazista estavam sepultados. A canção transformou-se em um hino anti-Reagan e demonstrou que a banda era capaz de muito mais do que compor músicas sobre cheirar cola.


O Hardcore surge em faixas como "Eat That Rat" e a faixa-título "Animal Boy", que exibem um Dee Dee Ramone despejando frustração em ritmos acelerados. Dee Dee, aliás, assumiu um maior protagonismo nas composições, sendo que nessas faixas ele contou com a participação de Johnny, um confesso admirador da velocidade do HC. "She Belongs to Me" e "Something to Believe In" revelam o coração de, exibindo a sensibilidade pop que o vocalista sempre teve, sendo que a última trazia um videoclipe sensacional, satirizando as campanhas de arrecadação de fundos para entidades beneficentes, dessa vez, intitulada "Ramones Aid". Por sua vez, "Love Kills", a homenagem de Dee Dee ao infeliz romance entre Sid Vicious e Nancy Spungen, é uma expressão pura do punk, é a cara do baixista.

Mas, é impossível falar de ANIMAL BOY sem citar Richie Ramone. O terceiro baterista da banda trouxe uma técnica e uma velocidade que não eram vistas com Tommy ou Marky. Richie não só acompanhava o ritmo acelerado das composições de Dee Dee, como também participava ativamente. Ele é o autor de "Somebody Put Something in My Drink", a canção de abertura do álbum que se transformou em um clássico instantâneo e indispensável nos shows até o término da carreira da banda.

Quarenta anos depois, ao olhar para trás, percebe-se que o álbum envelheceu muito melhor do que se esperava na época. Apesar de faixas como "Crummy Stuff" que podem parecer estranhas para quem procura o som cru de Rocket to Russia, o álbum irradia a urgência e a essência dos Ramones.

Ele representa perfeitamente uma banda em transformação, batalhando para permanecer relevante em uma década que não tinha certeza de como lidar com os dinossauros do punk. Quarenta anos depois, ANIMAL BOY deve ser comemorado não como um experimento, mas como o álbum que demonstrou que, mesmo sob a estética dos anos 80, o coração do RAMONES ainda pulsava com protesto, barulho e pura atitude.




 

quarta-feira, 13 de maio de 2026

KREATOR - HATE & HOPE (DOCUMENTÁRIO - 2026)

 


KREATOR
HATE & HOPE (DOCUMENTÁRIO)

Não existem dúvidas de que o Kreator é maior banda de Thrash Metal da Alemanha. Que me desculpem os fãs de Destruction, Sodom, Tankard e outras menos conhecidas, mas é inegável o poderio e a força que o quarteto liderado pelo obstinado Mille Petrozza possuem ao redor do mundo. E KREATOR - HATE & HOPE, vem apenas para corroborar essa afirmação. Ainda que o documentário não seja mais profundo e não tenha uma linha condutora mais definida, é o registro do que aconteceu com a banda nos últimos dois anos (com maior foco em 2025) e também mostra um pouco da personalidade d e cada um dos seus integrantes.

É difícil falar sobre um livro ou documentário sem dar spoiler, mas algumas coisas acabam se destacando durante a execução do filme: a lembrança dos tempos em Essen, cidade natal da banda, com a amizade entre Mille e J6urgen Reil, muito mais conhecido pelos fãs como "Ventor", o fascínio de ambos pelo KISS (e acho que já está na hora de colocarmos o KISS em pé de igualdade ao Black Sabbath em importância dentro do Heavy Metal), com fotos dos dois mascarados, ainda crianças; a posição política firme e consistente de Mille, que conta com o apoio de Maik Weichert (Heaven Shall Burn) visitando o Memorial de Buchenwald; o veganismo de Mille, que tem esse posicionamento desde o final dos anos 80, onde segundo ele "era muito difícil de conseguir algum tipo de comida assim" nas turnês daquela época.

Também temos a participação do produtor Jens Bogren, em estúdio com Mille, mostrando o quanto os dois procuram ser perfeccionistas naquela que estão fazendo. Além deles, Chuck Billy (Testament), Scott Ian (Anthrax - outra vez!?), Andreas "Gerre" Geremia (Tankard), Tom Angelripper (Sodom), e ainda ex-roadies, produtores e empresários também participam dando depoimentos sobre a música e a carreira do grupo.

Feito para comemorar os 4o anos de  "Endless Pain", mas abortado e decidido por ser lançamento como um registro mais atual da banda, o documentário mostra os dois filhos de Ventor dizendo terem orgulho do pai, mas ao mesmo tempo lamentando por terem convivido tão pouco com ele enquanto eram crianças. Mostra também o baixista Frédéric Leclercq, indo fazer uma nova tatuagem na casa/estúdio de um certo baterista..., enquanto o guitarrista Sami Yli-Sirniö se mostra como um cara calmo e tranquilo, assim como é no palco.

O documentário também nos mostra um show no Anfiteatro de Gelsenkirchen, onde estava acontecendo o festival "Klash of the Ruhrpott", uma espécie de "Big 4" alemão, que contou com a participação dos já citados Tankard, Sodom e Destruction, onde a apresentação do Kreator teve que ser interrompida devido ao forte temporal que caiu naquele local justo na hora do show deles.

O filme termina com uma cen abastante inusitada em um restaurante vegano nos Estados Unidos e com a apresentação que o grupo fez ao lado do Testament, onde horas antes atendeu a uma verdadeira multidão de fãs do quarteto.

KREATOR - HATE & HOPE é um bom documentário, mas pela pela falta de direcionamento durante sua condução. Longe de dizer que não vale a pena assistir, pelo contrário! Mas a maior banda de THRASH METAL da Alemanha merecia mais. Muito mais.

Sergiomar Menezes




MICHAEL MONROE - OUTERSTELLAR (2026)

 


MICHAEL MONROE
OUTERSTELLAR
Silver Lining Music - Importado

Michael Monroe é outro típico caso de verdadeiro Rocker. Incansável e imparável, ele acaba de lançar “Outerstellar” o seu décimo primeiro álbum de estúdio. Para quem não sabe, Michael foi o eclético frontman do Hanoi Rocks, banda da Finlândia que influenciou altamente a cena Glam/Hair Metal dos anos 1980, dentre os seus “inspirados” mais notórios eu poderia citar o Mötley Crüe e o Guns N' Roses.

Após o final trágico da banda em 1985 , após o acidente de carro causado por Vince Neil que vitimou o batera do Hanoi Rocks, Razzle, Michael Monroe deu inicio a sua carreira solo com o lançamento de “Nights Are So Long” (1987) e de lá para cá não parou mais, inclusive dividindo o trabalho solo com um retorno à ativa do Hanoi Rocks entre os anos de 2002 e 2009.

O que temos aqui em “Outerstellar” é o tradicional “Modus-Operandi” de Michael Monroe criar Rock N' Roll: uma pitada de Glam/Hard Rock, outra de Garage Rock, e muita influência de Punk Rock. Porém desta vez, a mistura saiu com gosto de “comida requentada”. Não que “Outterstellar” seja fraco ou um álbum que se deve desprezar. Ao contrário, a fórmula vencedora de Monroe está aqui, porém ela parece um pouco mais arrefecida e com menos “Punch” do que nos lançamentos anteriores.

Temos ótimos momentos como a faixa de abertura “Rockin Horse”, “Black Cadillac”, um rockão cheio de malícia, a semi-balada “Glitter And Dust”, a pesada e quase gótica “Painless” e a anárquica “Newtro Bombs”. Por outro lado temos “Precious” e “Pushin Me Back” que apesar de serem faixas “ok”, soam como se fossem sobras de outros álbuns, pois se assemelham muito com outras faixas que Monroe e banda criaram com mais consistência.

A maior surpresa do álbum fica para o final: “One More Sunrise” uma faixa com quase oito minutos de duração. Levando-se em conta que Michael Monroe é adepto do estilo músicas certeiras de três minutos, realmente “One Mores Sunrise” é uma novidade. Uma faixa “épica”, porém com muita melodia e a marca registrada de Michael Monroe. Outro detalhe que me chamou a atenção: a capa do álbum é bem semelhante a capa de “Sensory Overdrive” de 2011. Se “Outerstellar” não é o melhor trabalho de Michael Monroe, por outra via ele é um bom trabalho que mantém Monroe relevante e influente.

José Henrique Godoy




IRON MAIDEN - BURNING AMBITION (DOCUMENTÁRIO - 2026)

 


IRON MAIDEN
BURNING AMBITION (DOCUMENTÁRIO - 2026)

Não importa se você é homem, mulher, muçulmano, cristão… se você é fã de Iron Maiden, então você faz parte de uma família.” Com esta frase de Bruce Dickinson, se inicia o novo documentário da maior bande de Heavy Metal de todos os tempos. Entre acertos e algumas falhas, o filme que retrata a jornada do Iron Maiden é feito diretamente para o fã da banda, sem concessões.

A frase de Dickinson faz todo o sentido, principalmente quando foco na platéia na sessão de cinema que fui assistir: de crianças de menos de 10 anos até senhores de longos cabelos brancos, apenas o Iron Maiden consegue unir um público tão amplo. Alguns detratores o Maiden dizem que a banda pratica um som “para crianças” (inclusive vi um depoimento de um velho rockeiro “Made In Brazil” falar esta asneira). Podemos retificar esta bobagem, digo, frase: o Iron Maiden é uma banda ATÉ para crianças.

Dirigido por Malcoim Venville e com roteiro de David Teague, “Burning Ambition” narra de forma assertiva a trajetória do Maiden, desde o inicio nos clubes de Londres, passando pelas saídas dos saudosos Paul Di'Anno e Clive Burr até a conquista mundial ainda no meio dos anos 1980; a queda após a saída de Bruce e Adrian no início dos anos 1990, e a reconquista mundial com a volta dos dois ao final da década.

A utilização de cenas de shows da banda da época, ao mesmo tempo que impactam pela qualidade da imagem e do som na telona, ao mesmo tempo podem se tornar manjadas para fãs de longa data e colecionadores vorazes, tendo em vista que alguns shows já foram devidamente explorados em outros lançamentos.

Participações de fãs famosos também são exibidos. Temos algumas surpresas como o ator espanhol Javier Barden (o temido “Psycho Killer” de “Onde Os Fracos Não Tem Vez”), Chuck D (rapper e membro do Public Enemy), baixista do The Cure, Simon Gallup e o carismático Katon V. De Pena (vocalista da banda de Thrash Metal Hirax) que se declaram fanáticos pelo Iron Maiden.

Por outro lado figurinhas carimbadas que aparecem absolutamente em TODOS os documentários sobre Heavy Metal: Scott Ian (Anthrax), Lars Ulrich (Metallica) e o arrozão de festa Tom Morello (Rage Agaisnt The Machine). Este último então, se declara fanático e aparece nos documentários de Kiss, Black Sabbath e vários outros... tem excelente gosto musical, porém criou o RATM... vai entender...

Em meio a muitas imagens dos shows, temos declarações dos membros da banda apenas em áudio. Bruce, Steve, Nicko, Dave, Janick e Adrian, bem como do empresário Rod Smallwood. Fãs “gente como a gente” também dão sua contribuição, fãs de vários lugares do mundo, incluindo por óbvio o Brasil. Há de se registrar que nosso país tem um lugar reservado no coração de Steve Harris e companhia, e isso fica bem definido no filme.

Temos também algumas animações do nosso mascote favorito, Eddie , o membro mais famoso da banda. Criados por IA, achei um pouco dispensáveis, tendo em vista a perda da qualidade em retratar os diversos “Eddies” criados originalmente pelo fantástico Derek Riggs. Aliás, outra falha é não retratar com mais evidência a importância tanto dele, como do produtor falecido, o mago Martin Birch, que ajudou e muito a moldar o som envolvente que tornou o Iron Maiden o gigante que é.

O resultado final de “Burning Ambition“ é positivo, retrata bem a trajetória e a importância do Iron Maiden não apenas para o Heavy Metal e para o Rock, mas para a cultura mundial como um todo. Vale a pena assistir e torcer para que ele seja lançado em DVD/Blue-Ray, para que possamos ter uma cópia em nossas coleções. E como sempre: UP THE IRONS!!!!

José Henrique Godoy




ROSA TATTOOADA - 06/05/2026 - SGT. PEPPERS - PORTO ALEGRE/RS

 


ROSA TATTOOADA
06/05/2026
SGT. PEPPERS
PORTO ALEGRE/RS

Texto: José Henrique Godoy
Fotos: Carolina Godoy

Passado um pouco mais de um ano desde primeira vez que o ícone do Hard Rock Nacional e do Rock Gaúcho, o Rosa Tattooada, tocou no Sgt Peppers, temos a repetição da noite de luxo, para a euforia dos fãs porto-alegrenses, ainda mais que dessa vez tínhamos o lançamento de uma nova música/promo vídeo do Rosa, que não lançava nenhum material novo desde 2013.

Quem Vai Juntar Os Pedaços Do Seu Coração” é o titulo da nova música que vai estar presente no lançamento de “Hard-Fi” o novo álbum do Rosa Tattooada, que consiste na nova faixa e regravações de nove clássicos da banda, executadas com a formação atual que consiste em Jacques Maciel (guitarras e vocal), Valdi Dalla Rosa (baixo) e Matt Thofern (bateria) e praticamente gravadas ao vivo no estúdio. A previsão de lançamento é para setembro/outubro deste ano.

Passavam poucos minutos das 21h, quando no telão do Sgt Peppers é apresentando então o vídeo clipe de “Quem Vai Juntar Os Pedaços Do Seu Coração”, com imagens em preto e branco da banda em estúdio. A nova música tem uma pegada bem Hard Rock anos oitenta e vai fazer a alegria dos fãs do Rosa Tattooada e de Hard Rock no geral. É realmente uma faixa cativante e excelente, com certeza se tornará um novo clássico do Rosa.

Após o término da exibição do vídeo, o trio adentro o palco e iniciam o show com “Um Milhão de Flores”, e com a categoria de sempre desfilam “Fora de mim, Dentro de Você”, “Enigma” e “Tardes De Outono”. A primeira surpresa da noite vem com uma faixa há muito não executada: “Diversões Pesadas” do álbum de 1992, e que Jacques dedica ao Fã-Clube Oficial do Rosa Tattooada, que leva o mesmo nome da música.


Na sequência é a vez da novata “Quem Vai Juntar Os Pedaços Do Seu Coração” e que se em estúdio ela é ótima, ficou provado que ao vivo tem a mesma força. A aprovação do público (que lotava o Sgt Peppers) foi geral à nova faixa. O som estava perfeito, bem como a iluminação de palco, e a banda afiada e entrosada como sempre, com destaque para o batera Matt. O cara além de um músico fantástico é puro carisma. É entusiasmante ver sua performance atrás dos pratos e tambores.

“Diamante Interestelar”, “Dance Em Mim” seguem o setlist, enquanto “Olhos No Espelho” é outra surpresa, pois a faixa do álbum "Rendez-Vouz" (2006) não era tocada há algum tempo também. “Poção” do álbum “Carburador” (2001) prepara o terreno para o maior clássico do Rosa Tattooada: “O Inferno Vai Ter Que Esperar”, cantado por todos no Sgt. Peppers.



Após o “falso final”, o trio retorna e detona “Voltando Pra Casa”, “Carburador” e “Rock N' Roll Até Morrer”. Fim de festa, e o Rosa Tatooada deixa o palco sobre aplausos. Agora é esperar o lançamento de “Hard-Fi” que será lançado apenas em vinil e numa tiragem de 400 unidades numeradas e autografadas. O lance é ficar atento para a pré-venda que deve começar “logo menos”, porém sem data exata ainda. Para finalizar , esta foi mais uma noite de “Hard Rock De Luxe” proporcionada pelo Rosa Tattooada.

quinta-feira, 7 de maio de 2026

PANTERA - THE GREAT SOUTHERN TRENDKILL - 30 ANOS

 


THE GREAT SOUTHERN TRENDKILL - OS 30 ANOS DO ÁLBUM MAIS AGRESSIVO DO PANTERA

Por Sergiomar Menezes

O mundo da música estava saturado pelo pós-grunge e pelo surgimento do pop punk nas rádios em maio de 1996. Enquanto várias bandas de metal buscavam "suavizar" seu som para se manter nas paradas, o PANTERA optou por fazer exatamente o contrário. O resultado foi THE GREAT SOUTHERN TRENDKILL, um álbum que, após três décadas, se mantém como a gravação mais sombria, niilista e agressiva da banda texana.

Diferentemente dos álbuns anteriores, "Vulgar Display of Power" e "Far Beyond Driven", as gravações de TGST foram caracterizadas pela fragmentação. Enquanto Dimebag Darrell, Vinnie Paul e Rex Brown gravavam no Texas, o vocalista Phil Anselmo gravava suas partes vocais no estúdio de Trent Reznor, em Nova Orleans. Essa distância física refletia o estado mental de Anselmo, que enfrentava dores crônicas nas costas e dependência de heroína. Porém, o isolamento destilou uma agressividade pura. O grito de abertura da faixa-título — um berro agudo de 10 segundos — funciona como o cartão de visitas ideal: este não era um álbum destinado ao grande público. Era, sim, uma declaração de guerra contra as tendências do momento.

Se nos álbuns anteriores Dimebag se concentrava em riffs de groove precisos, em TGST ele se transformou em um cientista do caos. Ele utilizou afinações ainda mais baixas e explorou intensamente o pedal "Whammy" e os harmônicos artificiais para produzir sons que lembravam gritos de animais ou máquinas quebrando.

Um capítulo separado deve ser dedicado ao solo de "Floods". Ele não é somente técnico; é também cinematográfico. Dimebag empregou uma técnica de "overdub" para sobrepor diversas camadas de guitarra, gerando um clima desolador que remete a uma inundação devastadora. É um solo que se distancia do clichê do shredding veloz e concentra-se na textura e na sensação de perda.

Já gravação das vozes em New Orleans (NOLA) não foi somente uma decisão de ordem logística. Naquele período, Anselmo estava intensamente envolvido na cena local de Sludge Metal, com bandas como Crowbar e Eyehategod (além dos já citados problemas com as dores nas costas e a s drogas). Isso introduziu uma sujeira sonora no disco que não estava presente no Pantera até aquele momento.

Ainda que a banda estivesse fisicamente separada, a cozinha composta por Vinnie Paul e Rex Brown nunca foi tão natural. Como gravaram as bases no Texas, eles mantiveram a pegada do "ao vivo". Em "13 Steps to Nowhere", o trabalho de bumbo duplo de Vinnie Paul é ao mesmo tempo quase imperceptível e complexo, estabelecendo uma base instável que complementa a letra paranoica de Anselmo. O baixo de Rex Brown passou a ter uma distorção mais pronunciada, ocupando o espaço deixado pelas guitarras cada vez mais experimentais de Dimebag.

As letras deixaram o estilo de "autoajuda agressiva" de Vulgar Display of Power" e adotaram o niilismo absoluto. Músicas como "War Nerve" atacam diretamente a mídia e a indústria musical, despejando um veneno que evidencia o quanto a banda estava cansada da fama.

O álbum apresenta uma variedade de andamentos, oscilando entre um groove intenso e momentos de passagens acústicas inquietantes. "Drag the Waters", o single principal, impulsionado por um riff de Dimebag que exemplifica o "peso", condena a manipulação e a hipocrisia. "Suicide Note Pt. I & II": possivelmente o maior contraste na discografia da banda. A Parte I é uma "balada" fúnebre acompanhada por violões de 12 cordas, enquanto a Parte II é uma explosão de grindcore industrial que pode ser insuportável para quem não está preparado.

O título "Trendkill" (Morte das Tendências) transmitia uma mensagem direta. O Metal estava sendo levado ao underground em 1996, tanto pelo Britpop na Europa quanto pelo grunge de Seattle nos Estados Unidos. Naquele momento, uma das maiores bandas de metal do mundo, o Pantera, utilizou sua plataforma para afirmar que não alterariam sua aparência ou estilo musical para se conformar com o que era considerado "cool" ou interessante pelo mercado e seus modismos.

Após 30 anos, THE GREAT SOUTHERN TRENDKILL permanece como o testamento definitivo do PANTERA: uma celebração de ódio, técnica e resistência que se recusava a morrer ou a se conformar.



terça-feira, 5 de maio de 2026

AEROSMITH - ROCKS 50 ANOS

 


ROCKS - OS 50 ANOS DO ÁLBUM QUE MOLDOU O HARD ROCK 

Por Sergiomar Menezes

Quando pensamos no ano de 1976, é comum lembrarmos do auge da discoteca, do nascimento do punk rock em Nova York e Londres, e da dominância do rock progressivo. No entanto, no meio desse turbilhão, este que vos escreve, veio ao mundo. Mas, alémm de tudo isso, o AEROSMITH entregou, em 3 de maio, o disco que serviria de guia para o que chamamos de Hard Rock.

ROCKS não é apenas o sucessor de "Toys in the Attic". "Rocks" é a declaração de independência da banda. Se o trabalho anterior trouxe os sucessos que os colocaram nas paradas, "Rocks" é onde a banda decidiu: "nós somos a banda mais perigosa dos Estados Unidos".

Para entender o impacto de "Rocks", precisamos entender a atmosfera da época. O Led Zeppelin estava lançando Presence, um disco que apresentava uma banda sob extrema pressão. O Aerosmith, por outro lado, estava no auge da sua forma física e criativa. Eles não queriam soar como os "novos Rolling Stones" ou seguir as tendências do progressivo. Eles queriam capturar e externar a agressividade dos clubes noturnos diretamente no estúdio.

Um fato fundamental sobre Rocks é a produção de Jack Douglas. Diferente de muitos álbuns da época, Douglas focou no que ele chamava de "som de ambiente". Eles gravaram em um depósito convertido em estúdio, o The Wherehouse em Waltham, Massachusetts. 


A filosofia era simples: deixar a banda soar como banda. O som de bateria de Joey Kramer é seco e direto, o baixo de Tom Hamilton é pesado e melódico, e a interação de guitarras entre Joe Perry e Brad Whitford atingiu um nível que raramente foi igualado desde então. Eles não estavam apenas tocando as músicas: eles estavam vivendo as canções enquanto as registravam.

Rocks é um álbum sem "gordura". Não há baladas forçadas ou experimentos desnecessários. Alguns destaques de um álbum que definiu toda uma geração: "Back in the Saddle", que abre o disco com o som de um chicote e um riff que é a própria definição de "heavy". Foi a declaração de que eles estavam no comando da cavalaria do Rock. Cabe lembrar que essa faixa foi regravada décadas depois por Sebastian Bach nun dueto bem bacana com Axl Rose em seu álbum solo "Angel Down" (2007); "Last Child" mostra uma face mais blues e funk da banda, provando que o hard rock não precisa ser apenas rápido. Já "Nobody’s Fault" é, talvez, o ponto de maior conexão com o heavy metal que viria nos anos 80. A agressividade da letra combinada com a afinação mais sombria influenciou diretamente bandas como Metallica e Soundgarden. "Rats in the Cellar", que segundo Tyler era uma espécie de resposta à "Toys in the Attic" evoluiu de "Rattlesnake Shake", do Fleetwood Mac, um marco dos primeiros setlists da banda. “Combination” apresenta Perry dividindo os vocais principais com Tyler pela primeira vez, e o guitarrista admitiu em 1997 que a música era “sobre heroína, cocaína e eu”. 

Se hoje você ouve bandas como Guns N' Roses, Mötley Crüe ou Skid Row, você está ouvindo os ecos de "Rocks". O álbum criou o modelo para o que seria o "som das ruas" do hard rock dos anos 80. Ele provou que era possível ser comercialmente viável sem sacrificar a pegada e a atitude punk que estava borbulhando na cena subterrânea da época.

Enquanto muitos álbuns de 1976 soam datados pela produção da época, "Rocks" soa atemporal. Ele capturou o momento exato em que a química dos "Bad Boys from Boston" atingiu a perfeição atômica.

Celebrar 50 anos de ROCKS é mais do que nostalgia: é um exercício de estudo sobre o que torna o rock autêntico. Cinquenta anos depois, o disco continua a ser uma aula de como construir riffs memoráveis, como manter uma cozinha coesa e, acima de tudo, como ser autêntico em um mercado que sempre tenta vender o artista como um produto polido.

E a propósito: você sabia que "Rocks" era um dos álbuns preferidos de Kurt Cobain? Que em "Diários da Heroína", Nikki Sixx cita o Aerosmith diversas vezes? Que James Hetfield disse que "Rocks", assim como o Aerosmith, são influências importantes em sua música, afirmando que a banda foi a razão pela qual ele quis aprender a tocar guitarra? Que "Rocks" foi o álbum que mudou sua vida e o fez quere aprender a tocar guitarra?

Não á toa, Joe Perry, em sua autobiografia escreveu que "Rocks veio para nos redefinir como a mais importante banda de garagem da América, com guitarras devastadoras, vocais devastadores, produção ao máximo que destrói seus tímpanos... A capa mostrava cinco diamantes, um para cada um de nós. Víamos aquele disco como uma joia, o auge de toda a nossa angústia, raiva, empolgação e alegria como roqueiros que se entregam de corpo e alma".

Se você quer entender a espinha dorsal do Hard Rock americano, o caminho é um só: coloque ROCKS para girar no volume máximo. Ele continua atual. Como sempre foi.



segunda-feira, 4 de maio de 2026

VENOM - INTO OBLIVION (2026)

 


VENOM
INTO OBLIVION
Noise Records - Importado

O Venom é uma entidade, não apenas uma banda qualquer. Falar isso é ser simplório e até piegas e ingênuo. Mas precisa ser dito sempre. Pois verdades, ás vezes, precisam ser relembradas. Esta análise de álbum é feita por um fã do Venom, e se você não curte a banda, ou é um “hater” de carteirinha da banda de Newcastle, aconselho a parar a leitura do texto por aqui. Aqui é um “sócio-torcedor” da banda de Cronos e seus derivados (sim, pois agora temos três “Venoms” ativos) que escreve, e não há "liberdade de expressão" para quem não os curte.

Lembro como se fosse “anteontem” quando tive contato com o Venom original. Sim, a trindade Infernal: Cronos, Mantas e Abaddom. A música foi “Angel Dust” do obrigatório álbum “Welcome To Hell” e tocou na Rádio Ipanema FM , no programa Central Rock do saudoso “Guru” Ricardo Barão. Lembro de apenas querer ter o LP e descobrir que só existia o importado, com preço proibitivo para um garoto de 14 anos que recebia mesada dos pais. O jeito foi gravar em fita cassete na também saudosa Loja Megaforce, e com minha mesada gravei “Welcome to Hell” e “Black Metal”. Ouvi as fitas até gastar. E de lá para cá, foi fanatismo puro. Então vou tentar ser apenas fã, para descrever o que temos neste novo “Into Oblivion”.

Pesado, visceral, brutal e insanamente Metal. Este é “Into Oblivion”, o décimo sexto álbum de estúdio do Venom. Para nós do “Venom Army”, o álbum é perfeito. O que Cronos (baixo, vocal e líder supremo do Inferno), Dante (bateria) e Rage (guitarras) entregam aqui, é pura fúria, mantendo a tradição que fez o Venom ser a besta furiosa que sempre foi, mesclando com os timbres e recursos da atualidade, sem se tornar “modernoso”. A impressão que temos, é que o trio entrou no estúdio e decidiu: “Vamos abrir os microfones, vamos tocar e o que criarmos vamos gravar”. E piamente eu acredito que Cronos e comandados assim fizeram.

“Into The Oblivion, a faixa inicial, é o Venom como veio ao mundo, Um soco na vida do desavisado!. “Lay Down Your Souls” é uma das frases mais icônicas em uma letra no mundo do Metal, e aparece na letra do hino “Black Metal” de 1982, e ela retorna e intitula a segunda faixa. Aqui “deus não é Deus ou Satanás. É o Rock n' Roll! Essencialmente suja, pesada e extremamente metal, já nasceu clássica. ”Nevermore” é um pesadelo típico, mas um pesadelo acessível, que podemos conviver e até torcer para que ele volte. Peso sobre peso. “Man and Beast” é uma faixa típica do que se costumava chamar de Power Metal. Não o que se convencionou chamar depois, espadinhas, vocais felizes e solos de guitarra virtuosos”. Era o Metal Poderoso, que Venom, Exciter, Nasty Savage e outros trouxeram para o mundo.

“Death To Leveller” é a prova de que o Venom é representante legítimo da NWOBHM enquanto “As Above, So Below” desacelera o ritmo para invocar o Anjo Caído. “Kicked Outta Hell” e “Legend” demonstram que num mundo tão perturbado como o que vivemos, o Venom ainda consegue ser tão perturbador quanto.”Live Loud” cadenciada e convidativa ao headbanging é outro hino, que explicita a necessidade de viver em alto e bom som. “Metal Bloody Metal”.... com um título desses, não precisa de explanações: escute o trabalho está feito. “Dogs Of War” é uma faixa dedicada aos detratores que sempre vociferaram contra o Venom, os chamando de maus músicos e inimigos da melodia. Melodia?Temos aqui sim, mas sem deixar a agressividade para trás. Que faixa senhoras e senhores.

“Deathwish” é aquela faixa para relembrar de onde o Venom e todo o Metal veio: um fantástico riff Iomminiano executado por Rage relembra até o menos catedrático headbanger, que o pai de todos se chama Black Sabbath. “Unholy Mother” fecha este trabalho sensacional, com um clima gótico e vampiresco, com mais um riff de arrepiar por parte de Rage. O Venom está mais vivo que nunca e Cronos e os “caras novos” (que já estão a mais de década na banda) souberam fazer um álbum que não apenas reafirma o Venom como uma banda relevante e influente após quatro décadas, como também como uma banda que tem muito o que entregar ainda! Para este que vos digita, é o álbum do ano! Caso você discorde, eu avisei lá no início do texto que ele não era para você! Entregue sua alma para os Deuses do Rock n Roll!!! Eu fiz isso com 13 anos de idade e sou feliz para caraca!!!! E faz tempo, viu!!! VENOM FOR LIFE!!!




BATTLE BEAST - STEELBOUND (2025)

 


BATTLE BEAST
STEELBOUND
Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional

O Battle Beast é mais uma cria do Metal Sueco. Vai ser terra abençoada essa tal de Escandinávia! Desde a sua formação em 2008, é uma banda que conseguiu unir Power/Heavy Metal, Hard Rock e Pop Music numa mesma embalagem, e que agrada em cheio. Presença constante nos festivais de Metal e Rock europeus, o Battle Beast fixou seu nome entre uma das bandas mais solicitadas da Europa.

No seu mais recente trabalho, batizado de Steelbound, a banda finlandesa retorna com força total com músicas simples, diretas e concisas de aproximadamente três minutos cada, nas quais não arriscam, mas sim recorrem à fórmula que lhes trouxe sucesso: guitarras e teclados que misturam agressividade, inspiração oitentista e diversão, ocasionalmente combinados com sonoridades épicas.

Tudo isso forma a base do elemento mais marcante da banda: a voz poderosa e impactante de Noora Louhimo , que personifica virtuosismo e versatilidade, transitando sem esforço de notas incrivelmente altas e roucas para tons mais graves, adotando também uma voz melódica, doce e emotiva quando a situação pede.

E a fórmula vitoriosa do Battle Beast segue em “Steelbound”. “The Burnin WIthin“ é praticamente Power Metal, porém vibrante e poderosa, enquanto “Here We Are” é mais festiva, com teclados em destaque e bateria reta no estilo anos oitenta. Imagine o a-ha com distorção e timbres mais metalizados? É isso! Porém sem deixar o lado Hard/heavy de lado. Soa empolgante do inicio ao fim. Eu peguei apenas as duas primeiras faixas como destaques do álbum, para definir como “Steelbound” segue.

É um álbum menor em relação aos anteriores, porém é acima da média do que se ouve no geral. O Battle Beast é uma banda diferenciada e se “Speelbound“ não segue no mesmo nível dos trabalhos anteriores, mantém a banda num patamar de “se você anda não conhece, deve conhecer”. Lançamento nacional pela Shinigami Records.

José Henrique Godoy




JOHN CORABI - NEW DAY (2026)


JOHN CORABI
NEW DAY 
Frontiers Music srl. - Importado

Um belo dia você abre o seu site preferido de noticias de Rock/Metal e pensa: “Nossa, o gigante John Corabi lançou um novo cd!!! E já vendeu um milhão de cópias!!!”. Esqueça, isso nem o próprio Corabi deve ter sonhado um dia, mas uma coisa eu posso garantir com a certeza de que o Pavón, jogador do meu Grêmio é um dos piores jogadores da história do esporte: John Corabi é um dos artistas do Rock e Metal mais injustiçados de todos os tempos.

Conheci o tal Corabi como vocalista da banda The Scream, um suposto “supergrupo” formado das cinzas do Racer X, do baixista monstro John Alderete e do incrível guitarrista Bruce Boillet. O álbum do The Scream , “Let It Scream” foi lançado em 1991, e muito por conta de um tal John Corabi, um misto de Steven Tyler/Ronnie James Dio se tornou um álbum cultuado e preferido do undergorund do Hard Rock noventista (estranho mas até 1993, temos excelentes álbuns sem a influência nefasta do Grunge Rock). E desde então me tornei fã do cara.

Não é necessário falar que ao substituir Vince Neil no Mötley Crüe, após o lançamento do álbum homônimo, ele dividiu opiniões: um álbum pesadíssimo de muita qualidade, porém diferente do Hard Rock tradicional do Crüe, não agradou no geral e a “culpa” recaiu em cima de John.

Particularmente eu acho o “Mötley Crüe 1994” um álbum espetacular, mas entendo que na época decepcionou os fãs, mas enfim, eram os anos 1990. Após sair do Crue, Corabi tocou guitarra em uma das encarnações do Ratt, montou o Union com Bruce Kulick e se tornou vocalista do Dead Daisies. Além de gravar um CD acústico e um álbum ao vivo tocando o “Crue 94” na íntegra. Mas faltava um disco solo de verdade, e a espera termina agora com “New Day”.

“New Day” é um trabalho inspirado e criado sob a influencia do Classic Rock dos anos 1960 e 1970, e COoabi não tenta esconder isso em nenhum segundo do álbum. A primeira música que os fãs ouviram do álbum foi "Così Bella". Lançada como single ainda em 2021, foi seguida por por "Your Own Worst Enemy', lançada no mesmo ano. Ambas as faixas estão incluídas no álbum, mostrando que o projeto já vinha há tempos sendo planejado. "Così Bella" é uma música de rock animada. Seu ritmo contagiante e melodia cativante a tornam uma canção leve e descontraída. O título, "Così Bella", significa 'tão bonita', que é exatamente a vibe que a música evoca. Em contraste, "Your Own Worst Enemy" é mais sombria e melancólica. É uma música com influência de blues e um toque funky. A faixa-título, "New Day", abre o álbum e é uma música de rock n' roll também vibrante, que promove uma mentalidade positiva. Novos dias oferecem novas oportunidades, e ouvir essa canção automaticamente imprime uma energia positiva, e vontade de escutar de novo!

“That Memory” é um Rock n' Roll direto, com influências dos anos 70, antes de “Faith, Hope and Love” adicionar um toque melancólico ao álbum. Esta música pode ser chamada de uma balada, mas é muito mais do que um clichê choroso de coração partido. “Faith, Hope and Love” é comovente e tem um nível de profundidade, o que também se deve aos vocais emocionais de Corabi. O homem realmente sabe colocar emoção no que canta.

“1969” é uma homenagem a uma época em que a música rock estava no auge. Tem uma vibração saudosa, e o álbum oferece profundidade emocional ao longo de toda a audição, seja quando você ouve os rocks animados ou os momentos comoventes. Isso se deve à toda emoção que Corabi imprime às suas composições e à sua voz distinta. Essas qualidades dão a cada uma das músicas uma sensação pessoal e muito autêntica, contribuindo para a impressão positiva de “New Day” como um todo.

O impressionante álbum de estreia de John Corabi vê rock, blues e soul se unirem. Tomando inspiração dos anos 1970, o cantor criou um álbum que se baseia nas suas origens e influências, o que torna “New Day” um “jogo ganho. Que grande Rocker e autêntico artista é John Corabi. Que “New Day” seja apenas o primeiro de uma extensa discografia solo.

José Henrique Godoy






 

MEGADETH - THIS WAS OUR LIFE TOUR - 02/05/2026 - ESPAÇO UNIMED - SÃO PAULO/SP



MEGADETH
THIS WAS OUR LIFE TOUR
02/05/2026
ESPAÇO UNIMED - SÃO PAULO/SP 

Texto e fotos: Fernando Aguiar

Há shows que você assiste. E há shows que você testemunha. A passagem do Megadeth por São Paulo na noite de 2 de maio, única data no Brasil da turnê de despedida This Was Our Life, caiu claramente na segunda categoria. Não porque tudo foi perfeito. Longe disso. Mas porque havia um peso específico naquela noite que nenhuma imperfeição técnica seria capaz de apagar.

Esta foi a 17ª visita do Megadeth ao Brasil, o 42º show da banda em solo nacional. Dave Mustaine (um dos precursores do thrash metal) tem 64 anos, enfrentou um câncer na garganta e carrega nas mãos artrite, Contratura de Dupuytren na mão esquerda e paralisia do nervo radial, condições que o levaram a anunciar o encerramento das atividades do Megadeth ao fim dessa turnê. Quando as luzes se apagaram no Espaço Unimed e a banda simplesmente entrou no palco, sem introdução, sem vídeo, sem cortina caindo, a sensação foi a de quem sabe que está vivendo algo único.

"Tipping Point" abriu o show como single de apresentação do álbum final e homônimo da banda, e aqui aconteceu um dos momentos mais bonitos da noite: Dave Mustaine percebeu o público cantando a letra inteira de uma música lançada há poucos meses e se mostrou genuinamente surpreso e satisfeito com isso. Quem estava na plateia sentiu que a reação era real, não protocolar.

Logo em seguida veio a surpresa que ninguém tinha colocado na conta: "The Conjuring". Mustaine, cristão convertido, se arrependeu publicamente de ter escrito a letra (repleta de referências a um ritual satânico de uma época em que se envolveu com magia negra) e a faixa ficou fora dos setlists por décadas, entre 2001 e 2018. Ver essa música aparecer nessa turnê de despedida soou como um acerto de contas com o próprio catálogo.

A trinca seguinte foi de arrasar quarteirão. "Hangar 18" fez o que sempre faz, transformando a plateia num coro coletivo de "Me-ga-deth" entre os solos enlouquecedores e magnificos. "She-Wolf" veio logo na sequência mantendo (como sempre) o clima lá em cima e que também foi cantada e ovacionada antes de "Sweating Bullets" chegar com o monólogo de alguém em surto esquizofrênico que funciona ao vivo com uma intensidade que a gravação nunca capturou completamente. Foi a melhor performance vocal de Dave na noite, e aqui preciso ser honesto: a voz estava comprometida durante boa parte da primeira metade do show, algo perceptível a quem presta atenção e comentado por pessoas que estavam em diferentes pontos da pista e que encontrei após o show. "Sweating Bullets" foi o momento em que isso importou menos, porque a entrega compensou com folga.


A banda trouxe um pouco de “calmaria” com "I Don't Care" (a faixa mais punk do novo álbum, direta e sem rodeios) e "Dread and the Fugitive Mind", que voltava ao repertório após ausência na passagem anterior pelo Brasil. Dois momentos de respirada antes do set entrar na sua fase mais “agressiva”.

Até aqui o público respondia bem, mas faltava aquela agitação característica de um show de thrash metal de verdade. Os mosh pits eram tímidos, a energia mais contida. Foi a dobradinha "Wake Up Dead" e "In My Darkest Hour" que mudou o jogo. A galera foi junto nota a nota, estrofe por estrofe, cantando cada palavra com Dave, e a sensação de estar num show de thrash de verdade finalmente tomou conta do Espaço Unimed. Uma combinação que a banda já fez no passado e que raramente reaparece nos shows mais recentes, e que aqui funcionou como o gatilho que a noite precisava. A voz de Dave também começou a dar sinais de melhora a partir desse ponto, o que ajudou bastante.

"Hook in Mouth" voltou ao setlist após ausência em 2024 e foi recebida com entusiasmo por quem conhece o catálogo mais a fundo. "Let There Be Shred", do novo álbum, foi o espaço de Teemu Mäntysaari brilhar individualmente. O guitarrista finlandês (escolhido e preparado pelo próprio Kiko Loureiro para ocupar seu lugar) mostrou muito mais desenvoltura do que na passagem anterior por aqui, circulando mais pelo palco e transmitindo uma confiança que o diferencia da imagem mais contida que tinha no início.
Em seguida, veio a sequência mais devastadora da noite. "Symphony of Destruction" é "Symphony of Destruction" (preciso dizer mais alguma coisa?). Ao vivo, naquele contexto, com aquela galera, soou ainda maior do que qualquer gravação consegue sugerir. "Tornado of Souls" trouxe um dos solos mais reverenciados da história da banda, executado com a precisão que a faixa exige e com o peso de saber que você está ouvindo aquilo ao vivo. "Mechanix" chegou fechando o bloco e a insanidade já tinha tomado conta de vez. A pista estava em ebulição total.

E então veio o momento mais histórico da noite, para quem não estava acompanhando de perto as novidades da turnê. "Ride the Lightning", composição que Dave Mustaine criou junto a Lars Ulrich e James Hetfield ainda nos primórdios do Metallica, regravada no álbum final do Megadeth. Ver a música ao vivo foi algo que dificilmente se repete: foi cantada em uníssono pela plateia inteira, agitada com uma energia que remetia ao que seria um show do próprio Metallica. Dave tem co-autoria na faixa, e faz todo o sentido que ela apareça num disco e numa turnê de despedida.

O encerramento apoteótico foi o que precisava ser. "Peace Sells" e "Holy Wars… The Punishment Due" juntas no fechamento são quase uma crueldade, no bom sentido é claro, com dois dos maiores hinos do thrash metal em sequência e dois mascotes Vic Rattlehead subindo ao palco durante "Peace Sells" em referência à capa do novo álbum.

Dave Mustaine disse ao palco que o público de São Paulo foi ótimo e que "eles foram o Megadeth". Em entrevistas recentes sinalizou que gostaria de voltar a outras cidades brasileiras antes do encerramento definitivo, citando nominalmente Rio de Janeiro, Curitiba, Porto Alegre, Fortaleza e Brasília. A sensação que a noite deixou é mais de "até logo" do que de "adeus".

Mas independentemente do que vier a seguir, o que aconteceu no Espaço Unimed ontem foi um espetáculo digno de um dos precursores do thrash metal. Com limitações físicas e uma voz que já não é a mesma de Peace Sells ou Rust in Peace, Dave Mustaine ainda sobe num palco e lembra ao mundo por que o Megadeth existe, e porque vai fazer falta quando não existir mais (e essa é a parte mais triste de tudo).

A Rebel Rock marcou presença, mesmo sem credenciamento para o evento. Mas quem nos conhece sabe que isso nunca foi o que nos move. Não estamos aqui por protocolo, por acesso facilitado ou por qualquer interesse além do óbvio: o amor pelo heavy metal. É ele que nos leva aos shows, que nos faz escrever, que nos mantém de pé até o último acorde. Sempre foi assim, sempre será.

EVERGREY - ARCHITECTS OF A NEW WEAVE (2026)


 

EVERGREY
ARCHITECTS OF A NEW WEAVE
Napalm Records - Importado

Há momentos em que a música deixa de ser apenas expressão e passa a ser reconstrução de identidade. Em seu décimo quinto álbum, o Evergrey alcança exatamente esse estágio com Architects Of A New Weave, um trabalho que transforma sofrimento em estrutura e colapso emocional em impulso.

Logo na narrativa de abertura, “Welcome To The Pattern” estabelece o conceito que sustenta todo o álbum. A ideia de que estamos inseridos em um “padrão” maior, onde cada escolha e cada cicatriz fazem parte de um tecido invisível, já coloca o ouvinte dentro de algo muito maior do que simples músicas.

Mas, de fato, tudo começa no caos.

E é nesse terreno instável que “The Shadow Self” se impõe como um dos momentos mais intensos do disco. A repetição angustiada de “What do I do with the shadow self?” não soa como reflexão — soa como conflito aberto. A letra expõe o desgaste de quem tenta se curar, mas percebe que suas feridas continuam abertas. Aqui, a sombra não é uma inimiga distante — é uma presença constante, impossível de ignorar.

A resposta começa a tomar forma na faixa-título, onde o discurso muda de direção. A fragilidade dá lugar à afirmação: “We are the architects”. Pela primeira vez, o controle deixa de ser uma ilusão e passa a ser escolha. A reconstrução começa internamente.

Mas o processo não é linear.

Em “The World Is On Fire”, o Evergrey atinge um de seus pontos mais dolorosos. O incêndio não é externo — é interno, alimentado por culpa e promessas não cumpridas. E, no meio desse colapso, surge uma imagem tão simples quanto devastadora: as lágrimas são a única forma de apagar o fogo. A cada momento do álbum, o que vemos é um “eu exposto”, em busca de algum tipo de redenção.

A virada emocional ganha força em “Heaven”, onde Tom S. Englund deixa de se esconder e passa a se afirmar:

I am desire, I am the fire in your eyes
And all the liars will now perish in front of my eyes.
I am the darkness when it’s falling...”

Aqui, luz e escuridão coexistem. O “céu” não é um destino, mas um estado de transformação contínua — um pedido de ajuda enquanto ainda há tempo, enquanto ainda se está vivo.

Em “The Script”, o álbum mergulha em um território ainda mais existencial. A ideia de viver preso a padrões emocionais ganha força em versos como “How do you shape a heart from a fist?”. É a dor de quem endureceu para sobreviver… e agora não sabe mais como voltar a sentir. A música não oferece respostas — apenas expõe a complexidade da pergunta.

“Leaving The Emptiness” surge como um impulso de mudança, quase um grito por movimento. Há uma tentativa clara de deixar o vazio para trás, mas o próprio tom da música levanta dúvidas: trata-se de libertação… ou apenas fuga? Já “Longing”, uma das faixas mais vulneráveis do disco, mergulha na busca por conexão, por sentido, por algo que vá além das palavras — dominando cada momento de sua execução.

Há também um senso claro de liberdade que atravessa o álbum. A banda se entrega uma execução instrumental mais espontânea, menos presa a fórmulas. Se no início de sua trajetória o grupo partia de uma base mais direta no prog metal, hoje existe uma identidade muito mais própria — moldada por uma atmosfera obscura, melancólica e, ainda assim, profundamente melódica, que se consolidou como sua marca registrada. E é exatamente isso que o ouvinte vai encontrar aqui — o Evergrey dos últimos dez anos.

Em “A Burning Flame”, com a participação de Mikael Stanne (Dark Tranquillity), o álbum encontra um novo tipo de energia. A dor deixa de ser apenas peso e passa a ser combustível. Há um chamado claro à ação: entender a origem do sofrimento e transformá-lo em força:

Do your best to start to find the source of your hurting
Take a breath and close your eyes to see your way and your purpose
And make sure you are awake enough to make life your own and your truth

Em “Call Off Your Lions”, a banda trabalha uma metáfora poderosa. Os “leões” representam mecanismos de defesa, instintos de sobrevivência que, em excesso, também aprisionam. Essa ideia se conecta diretamente com “Chains Of Shame”, onde a vergonha surge como uma das prisões mais profundas. Romper essas correntes exige mais do que força — exige coragem para encarar quem você se tornou.

O desfecho com “The Prophecy” (minha favorita do álbum), o Evergrey entrega algo raro: não uma vitória, mas uma compreensão. O eu lírico não elimina sua escuridão — ele a integra. As cicatrizes deixam de ser peso e passam a fazer parte de algo maior, conectando-se em uma verdade única que atravessa todo o álbum:

"Você não se cura apagando a escuridão…
Você se reconstrói aprendendo a viver com ela."

Architects Of A New Weave é mais do que um disco — é um processo contínuo de desmontar e reconstruir a si mesmo. É apaixonante. A parte instrumental, mais quebrada, cheia de linhas pulsantes e melodias que surgem em meio às letras intensas e profundas, é um dos grandes diferenciais do Evergrey — como encontrar beleza e calmaria no coração, mesmo nos dias mais cinzentos, entre dúvidas e crises.

William Ribas