segunda-feira, 23 de março de 2026

REBEL ROCK ENTREVISTA - ROBERT LOWE (SOLITUDE AETERNUS, CANDLEMASS)

 


O Discípulo do Doom Desembarca no Brasil

O cenário do Doom Metal mundial não seria o mesmo sem a voz de Robert Lowe. Dono de um alcance emocional único e de um timbre que transita entre o solene e o desesperador, Lowe eternizou seu nome na história ao capitanear instituições como o Solitude Aeturnus e ao dar vida a uma das eras mais icônicas do Candlemass.

Agora, em abril de 2026, o público brasileiro terá finalmente a chance de testemunhar essa lenda viva de perto. Pela primeira vez em solo nacional com seu projeto solo, a turnê "Disciple of Doom" promete ser muito mais do que um simples show: será uma celebração litúrgica de décadas de dedicação ao metal pesado e lento.

Em uma conversa franca com a Rebel Rock, Robert Lowe fala sobre a expectativa de encontrar os fãs brasileiros, revisita momentos cruciais de sua trajetória e revela detalhes sobre o processo criativo que o mantém como uma das vozes mais respeitadas do gênero. Preparem-se para a "Missa Doom": o mestre está chegando.

Por Sergiomar Menezes

Rebel Rock: Oi, Robert! Antes de mergulharmos no assunto, devo dizer que é uma honra absoluta entrevistar um dos maiores nomes da história do Doom Metal. Estamos entusiasmados por ter você aqui e espero que você aproveite bastante o papo!

Robert Lowe: Obrigado. É uma honra para mim também.

Rebel Rock: Robert, o projeto Disciple of Doom parece ser uma celebração definitiva da sua carreira. Como foi o processo de seleção do setlist para esta turnê brasileira, considerando que você tem hinos em bandas com sonoridades tão distintas?

Robert: Bem, escolher as músicas é difícil simplesmente porque há muitas opções, mas o que eu quis fazer com este set especial no Brasil é tocar coisas que obviamente as pessoas conhecem, mas também muitas outras músicas que são algumas das minhas favoritas e que não costumam ser tocadas ao vivo.

Rebel Rock: Você é uma lenda do gênero, mas esta é a sua primeira vez realizando shows solo no Brasil. O que você ouviu sobre o público brasileiro ao longo dos anos e o que os fãs podem esperar dessa "Missa Doom" que você está trazendo?

Robert: Eu entendo que os fãs brasileiros são incríveis, pelo que vi e ouvi sobre outras bandas que estiveram aí, e estou extremamente ansioso para fazer parte dessa comunidade. Planejamos tocar os clássicos e, novamente, também material de álbuns que — espero — as pessoas gostem, e que eu gosto, trazendo-os para o primeiro plano do show para que não seja um set comum e previsível.

Rebel Rock: O Solitude Aeturnus é frequentemente citado como o pilar do Epic Doom nos EUA. Olhando para trás, para álbuns como "Into the Depths of Sorrow" e "Beyond the Crimson Horizon", como você vê a evolução da sua voz e da sua escrita lírica daqueles dias até o presente?

Robert: Bem, inicialmente o Lyle cuidava das letras, e depois eu assumi como letrista; nossa abordagem de escrita é um pouco diferente. Quanto ao estilo vocal, acabei encontrando meu lugar com o "Through the Darkest Hour" e foi ali que me estabeleci. Não acho que meu estilo tenha mudado; se você quiser usar a palavra "evoluiu", então sim, simplesmente porque fiquei mais confortável no meu papel, mas isso não mudou quem e o que eu sou em relação a pensamentos, sentimentos e emoções. Essas coisas nunca vão embora.


Rebel Rock: Juntar-se ao Candlemass para o álbum "King of the Grey Islands" foi um dos momentos mais impactantes do metal nos anos 2000. Como foi o desafio de ocupar o lugar de Messiah Marcolin e, ao mesmo tempo, imprimir sua própria identidade em clássicos como "Bewitched" e "Solitude" durante as turnês?

Robert: Antes de tudo, você não substitui o Messiah. Quero dizer, o homem é uma lenda por si só. E quem não gosta do Messiah, certo? O que eu quis fazer foi apenas colocar minha marca de alguma forma em uma banda que já era enorme e que é uma das bandas que me colocou neste caminho, então todo o crédito vai para esses caras. Tudo o que eu pude fazer foi o melhor possível para garantir que a reputação do Candlemass não fosse manchada.

Rebel Rock: Muitos fãs consideram o "Death Magic Doom" (2009) um dos melhores discos da história do Candlemass. Qual é a sua lembrança favorita do processo de gravação desse álbum e como era sua dinâmica criativa com Leif Edling na época?

Robert: Eu estava assistindo a um documentário do Abba no meu hotel em Oslo, na Noruega. O Leif apareceu, bateu na porta, ficamos sentados por um tempo decidindo o título do álbum, que acabou sendo esse. Mas o processo foi muito tranquilo. Aqueles cavalheiros são incríveis de se trabalhar. Executar as músicas no estúdio foi surpreendentemente fluido. Todo mundo é muito profissional, então não é uma situação difícil conseguir criar a música que o Leif escreveu. Todos os caras são incríveis, eu era a "terceira roda" ali.


Rebel Rock: Você teve uma relação próxima com o Trouble, outra instituição do Doom. Como a "escola de Chicago" e o estilo de bandas como Trouble e Saint Vitus influenciaram sua interpretação do metal, especialmente em comparação com o estilo mais "europeu" do Candlemass?

Robert: Minha primeira impressão veio — acredito — da coletânea Metal Massacre 4. No lado B do disco, a primeira vez que ouvi Trouble foi "Last Judgement", e eu apenas sentei lá e pensei: "Puta merda. Isso é que é o bicho". Bem, para ser honesto, naquela época, o que quer que você queira dizer com "Metal Europeu", eu estava ouvindo obviamente Priest, Maiden... Eu não considero realmente essas bandas como metal europeu. Metal é metal. Digo, Scorpions, era o que eu ouvia na época... Sabbath... Não havia muita coisa super pesada saindo dos Estados Unidos naquele tempo. Depende, quero dizer, se você olhar para bandas como Metal Church, Slayer, Anthrax... com exceção do Pentagram, que foi outra banda que me fez dizer "Caramba! Por que estou ouvindo Hank Williams Jr.?"

Rebel Rock: Poucas pessoas sabem que você também toca guitarra e baixo (como visto em projetos como o Concept of God). Como seu conhecimento de outros instrumentos ajuda a construir melodias vocais sobre riffs de Doom pesados e lentos?

Robert: Com a habilidade de tocar vários instrumentos, no que me diz respeito, os vocais são completamente diferentes de tocar guitarra, baixo, bateria, teclado ou qualquer instrumento. Para mim, vejo os vocais como a terceira guitarra, a outra linha de baixo; todos têm que se entrosar e ser um só. Não são instrumentos individuais, porque quando você se une como uma banda, os vocais nada mais são do que um aditivo para a mistura completa do todo.

Rebel Rock: O Doom Metal passou por várias ondas, do Tradicional ao Stoner e Sludge. Como você vê a cena hoje em 2026? Existem novas bandas que você sente que capturam aquela "aura de desespero" que você ajudou a criar nos anos 80 e 90?

Robert: Como eu respondo a isso? Há muitas bandas que eu escuto e, quando surgem essas perguntas, nunca consigo nomear todas as bandas que tocam ao fundo quando estou fazendo café de manhã. É uma daquelas coisas... eu poderia sentar aqui e listar bandas o dia todo, certo? No momento, me vem à cabeça a banda Funeral. Outra que estou ouvindo no momento é Witchcraft. Sabe, são tantas que não consigo apenas listá-las. Essas são as duas que me vêm à mente. Mas, quanto ao estado do doom metal, acho que talvez algumas bandas tenham perdido a diversidade, mas, por outro lado, tudo isso tem seu lugar. E só importa onde você está naquele momento particular. Vejo a música como uma jornada e, se você vai colocar um álbum de quem quer que seja sua banda favorita, é ali que você precisa estar, e deve agradecer àqueles cavalheiros que fizeram aquilo acontecer.


Rebel Rock: Vimos recentemente alguns relançamentos e atividade em torno do nome Solitude Aeturnus. Existe a possibilidade de vermos material novo com John Perez no futuro, ou seu foco agora está inteiramente em novos projetos como o DiGelsomina e sua carreira solo?

Robert: Quanto a material novo, nunca há uma razão para o SA parar de fazer o que estamos fazendo. Tocaremos no Maryland Deathfest em maio e no Candelabrum Metal Fest no México em setembro, e há mais shows sendo planejados enquanto conversamos. O DiGelsomina me contratou para os vocais em seu próximo álbum. Também estou fazendo os vocais para o próximo álbum do Lost Requiem. Além disso, tenho outros trabalhos surgindo, como um single com a banda The Cross, do Brasil. Atualmente, estou montando uma banda Disciple of Doom aqui na Noruega.

Rebel Rock: Robert, o Brasil é conhecido mundialmente por ter um dos públicos de Heavy Metal mais apaixonados e barulhentos. Além do palco, o que você está mais ansioso para vivenciar em nosso país? Há algo em nossa cultura ou culinária que você esteja animado para experimentar?

Robert: Por experiência, sei que não terei muito tempo para fazer turismo, mas certamente estou interessado em ver algumas partes históricas do país; mas, antes de tudo, estarei aí para levar o doom ao Brasil e conhecer os fãs que eu tanto aprecio.

Rebel Rock: Nesta turnê, você dividirá o palco com as bandas brasileiras Midgard e Loss. Você teve a chance de ouvir a música deles? Como é ver que o legado do Doom e do Heavy Metal Tradicional permanece vivo e forte através de bandas mais novas pelo mundo?

Robert: Eu dei uma ouvida no Midgard e no Loss, e devo dizer que mal posso esperar para tocar com esses caras. Bem, é bom saber que as pessoas ainda sabem o que é música de qualidade.

Foto: Brian Mclean

Rebel Rock: Robert, muito obrigado por dedicar seu tempo para esta entrevista. Sua voz tem sido a trilha sonora de décadas para muitos de nós, e ter você no Brasil é um sonho realizado para a comunidade Doom Metal. Muito obrigado pelo seu tempo e por tudo que você deu à cena metal. Foi um prazer conversar com você. Continue detonando e espero ver você no palco em breve! 

Robert: Obrigado por me receber. Eliton Tomasi e Susi Dos Santos, da Som Do Darma, fizeram um trabalho incrível promovendo esta turnê, e a resposta dos fãs também tem sido ótima. É uma bênção e agradeço a Deus todos os dias por ainda poder calçar minhas botas e fazer o que amo fazer.

Rebel Rock: O espaço é seu: gostaria de deixar uma mensagem final para os seus "Disciple of Doom" brasileiros que estão contando os dias para os shows de abril?

Robert: Vamos fazer essa porra acontecer! Quebrem tudo... respirem o DOOM!

sexta-feira, 20 de março de 2026

NOSTALGIA METAL - TIGER CULT - COLD AND TERRIBLE (2004)

 



TIGER CULT
Cold and Terrible: A joia perdida do heavy metal brasileiro

Por Fernando Aguiar

O heavy metal brasileiro sempre foi marcado por uma enorme diversidade de bandas talentosas espalhadas pelo underground. Enquanto alguns nomes conseguiram projeção nacional e internacional, muitos outros permaneceram restritos a um público menor, apesar de produzirem trabalhos extremamente belíssimos. Dentro desse cenário, existem discos que, mesmo sem alcançar grande reconhecimento comercial, acabam se tornando verdadeiros registros de uma época e de uma cena musical.

E é justamente sobre um desses trabalhos que vamos falar hoje.

Lançado em 2004, o único álbum do Tiger Cult permanece como um dos registros mais autênticos do heavy metal underground brasileiro, um trabalho que mistura agressividade, melodias marcantes e devoção absoluta ao metal clássico.

Para entender melhor a importância desse álbum, é necessário primeiro voltar ao início da trajetória da banda e compreender como surgiu o Tiger Cult dentro do cenário metal de São Paulo.


Origem da banda

A banda Tiger Cult surgiu em 1996 na cidade de São Paulo, inicialmente utilizando o nome Angry Angel. A banda nasceu dentro do circuito underground da capital paulista, uma cena que sempre foi bastante ativa, mas que historicamente enfrentou dificuldades relacionadas à falta de estrutura, divulgação e devido apoio da indústria.

Desde o início, o objetivo da banda era criar um som que dialogasse diretamente com o heavy metal tradicional, mas sem se limitar a reproduzir apenas o estilo clássico. Os integrantes buscavam incorporar diferentes influências do metal e do rock pesado, criando uma sonoridade própria que misturasse peso, agressividade e melodias marcantes.

Os anos de estrada antes do debut

Antes de gravar seu primeiro, e infelizmente, único álbum, o Tiger Cult passou vários anos desenvolvendo material e se apresentando ao vivo. Esse período foi fundamental para o amadurecimento da banda.

Diferente de muitos grupos que entram em estúdio logo após a formação, o Tiger Cult preferiu construir sua identidade musical de forma gradual. Durante anos, as músicas foram sendo testadas em shows, ajustadas e aprimoradas. Esse processo permitiu que as composições evoluíssem naturalmente, ganhando arranjos mais sólidos e estruturas mais bem definidas.

Esse longo período de preparação explica por que Cold and Terrible, apesar de ser um disco de estreia, apresenta um nível altíssimo de maturidade, um tanto quanto incomum para um primeiro trabalho. As músicas soam seguras, bem estruturadas e demonstram um entrosamento absurdo entre os músicos.

A gravação do álbum

Cold and Terrible foi lançado pela Die Hard Records, muito conhecida por apoiar e lançar diversas bandas do heavy metal underground.

O processo de produção do disco foi relativamente longo, refletindo o cuidado da banda em entregar um trabalho de excelência, para dizer o mínimo. O álbum foi gravado, mixado e masterizado no Nimbus Studios, estúdio que na época vinha se consolidando dentro do cenário do metal nacional.

A formação na gravação do disco era composta por:
Eric Piccelli – vocal
Marina Takahashi – guitarra
Renato Armani – guitarra
Vinnie Kuhlmann – baixo
Eric Claros – bateria


Em termos líricos, o álbum não segue um conceito único, mas apresenta temas variados ligados ao universo do metal, à rebeldia e à visão crítica do mundo moderno.

Também é possível perceber certa influência da realidade urbana de São Paulo na atmosfera das músicas. A agressividade de algumas composições parece refletir o ambiente caótico da grande metrópole, algo que muitos músicos do underground brasileiro mencionam como inspiração indireta para suas criações.

Musicalmente, a banda demonstra forte influência de bandas clássicas do gênero, especialmente Metal Church, Judas Priest, Iron Maiden, Accept, Saxon, Slayer, entre muitas outras (você saberá logo mais). Ao mesmo tempo, o disco apresenta uma atmosfera bem calcada no thrash/death e até de elementos mais extremos e melódicos, como o death metal melódico que era praticado pelo Children of Bodom na época, especialmente se falarmos das estruturas vocais de Eric Picelli, criando assim, um equilíbrio magnífico entre peso, melodia e agressividade.

Antes de mergulharmos nas músicas, quero destacar um detalhe muito interessante presente no encarte do álbum. Diferente da maioria dos discos que apenas trazem as letras, Cold and Terrible inclui pequenas notas explicando o que motivou a composição de cada faixa. São comentários curtos, mas extremamente reveladores, que ajudam a entender melhor o universo criativo da banda, desde homenagens a bandas clássicas do heavy metal até referências ao cinema, críticas sociais ou simplesmente momentos de pura diversão e irreverência. Esse tipo de detalhe mostra que, mesmo sendo um álbum direto e visceral, existe uma camada conceitual e emocional por trás das composições do Tiger Cult.

O álbum se inicia com uma introdução que prepara o terreno para o clima geral do disco. “Cold and Terrible” apresenta uma atmosfera bastante sombria e quase cinematográfica, funcionando como uma espécie de prólogo que antecipa o peso e a intensidade das músicas que virão a seguir. Embora seja curta, essa abertura cumpre muito bem seu papel ao estabelecer um tom dramático para o álbum. Um detalhe curioso é que essa introdução não foi composta pelo vocalista Eric Piccelli, responsável pela maior parte das músicas do disco, mas sim pelo baterista Eric Claros. E o que dizer da interpretação vocal de Piccelli nessa faixa?

“Down the Bastards” é a primeira música completa do disco e já apresenta um Tiger Cult em plena forma. A faixa surge com riffs pesados e uma bateria direta, rápida e certeira, criando uma atmosfera agressiva que imediatamente chama a atenção do ouvinte. O vocal de Eric aparece rasgado e intenso, lembrando em certos momentos a agressividade do thrash metal. Segundo as notas do encarte, a música funciona como uma verdadeira descarga de fúria, descrita pela própria banda como “uma bala no coração de cada idiota deste mundo amaldiçoado”. A letra expressa frustração contra hipocrisia e pessoas falsas, transformando esse sentimento em energia pura. A música também mostra a habilidade da banda em equilibrar peso e melodia, com riffs marcantes e uma estrutura muito bem trabalhada. Que início arrebatador, meus amigos!

“Wings of Doom” é uma daquelas faixas matadoras que evidenciam a forte influência do heavy metal tradicional na sonoridade da banda. Os riffs são sólidos e diretos, enquanto o andamento mantém uma energia constante ao longo da música. O destaque aqui está na interação entre as guitarras, que criam camadas melódicas muito bem construídas. Nessa música, a banda revela que ela foi escrita em homenagem aos aviadores que perderam suas vidas em combates aéreos, sendo inspirada pelo filme Memphis Belle, que retrata missões de bombardeiros durante a Segunda Guerra Mundial. Essa temática dá à música um ar épico e dramático, reforçando o espírito clássico do heavy metal. O resultado é uma música que remete claramente ao espírito do metal clássico dos anos 80, sem parecer uma simples cópia das bandas da época.

“Soldiers of the Loud” é provavelmente uma das músicas mais emblemáticas do álbum. Trata-se de um verdadeiro hino dedicado ao heavy metal. A letra dessa música homenageia as grandes bandas dos anos 80, citando músicas destas ao longo da faixa, como Tooth And Nail (Dokken), Forged in Fire (Anvil), Black Wind Fire And Steel (vocês sabem...), Prowler (vocês sabem também...), Killed By Death (preciso falar de quem?), Sous of Black (mais uma que nem precisa lembrar de quem é...), etc. A faixa apresenta riffs rápidos, bateria acelerada, pesada e um refrão forte que era cantado em alto e bom som por todos ao redor da banda nos shows (que lembrança nostálgica agora). Essa música resume bem a identidade do Tiger Cult: um heavy metal direto, orgulhoso de suas raízes e feito com evidente paixão pelo gênero. Sem mais...

Tiger Cult - Soldiers of the Loud

“I Rule the Highway” traz uma mudança interessante na dinâmica do disco. A música possui uma pegada mais próxima do hard rock, com um groove marcante e uma estrutura mais acessível. O ritmo mais cadenciado permite que o vocal de Eric se destaque ainda mais, enquanto as guitarras criam uma base sólida e envolvente. É uma faixa em homenagem ao amor da banda por velocidade, carros e motos, uma celebração da sensação de liberdade que existe ao acelerar pela estrada. O refrão é forte e memorável, tornando essa uma das faixas mais cativantes do álbum.

“Angry Angel” tem um significado especial dentro da história da banda. A música é dedicada a antigos integrantes que ajudaram banda em sua trajetória, com menção especial a Marcio Riboshi. Além disso, o título também faz referência ao nome antigo da banda, reforçando a ligação com suas origens. A faixa mantém a pegada daquele speed metal tradicional, com riffs rápidos, diretos, uma estrutura bastante sólida e um refrão fortíssimo, que também era cantado bem alto nos shows, fora o mosh pit insano que a galera agitava (bons tempos!).

A energia absurda que essa música transmite é arrebatadora e há um detalhe simplesmente impagável: após o solo, antes da entrada do riff principal novamente, Eric solta um esplêndido “HEAVY METAL PO##AAAAA!”. Cara, quando ouvi isso a primeira vez, eu pirei (e ainda continuo) e repeti a música por pelo menos 10x só pra ficar gritando junto com o Eric nessa parte (PQP que FOD@). A frase acabou virando praticamente um jargão da banda ao vivo, e não por acaso essa era sempre uma das músicas mais pedidas pela galera nos shows. Não preciso explicar o motivo, certo?

“The Watcher” apresenta uma estrutura um pouco mais elaborada em comparação com algumas das faixas anteriores. A música trabalha melhor as mudanças de ritmo e cria momentos de tensão ao longo da composição, além de apresentar um andamento mais cadenciado. A letra é dedicada a todas as pessoas que se sentem desconectadas do mundo e da realidade em que foram inseridas. Essa temática mais introspectiva cria um contraste interessante com a energia das faixas anteriores, mostrando que o Tiger Cult também sabia explorar temas mais reflexivos. Destaque absoluto para o refrão, que é uma das marcas registradas da banda. Vale lembrar também, que era uma das músicas mais pedidas pela galera nos shows.

“Rock’n Roll (Will Never Leave Me)” funciona como mais uma declaração de amor ao rock e ao heavy metal. A música tem uma atmosfera mais descontraída, lembrando aquela tradição clássica de bandas que exaltavam o estilo de vida ligado ao rock. Essa faixa representa a crença pura da banda no poder do rock’n’roll, naquilo que eles fazem, no que amam, naquilo que os ajuda a atravessar a vida e que diz exatamente o que significa o rock n’roll na vida de muitas pessoas (inclusive a minha).
Rock n’Roll will never leave me
Rock n’Roll will never lie
Rock n’Roll will walk beside me
Until the day I die
É impossível não se identificar com isso.

Tiger Cult - Rock n' Roll (Will Never Leave Me)

Aqui o álbum assume um tom mais sombrio, denso e pesado. “Slave to Emptiness” apresenta uma atmosfera agressiva e introspectiva, com riffs mais densos e uma abordagem vocal ainda mais intensa. Segundo a banda, a música é um grito contra a superficialidade, além de servir como uma excelente desculpa para “tocar thrash até ficarmos completamente insanos”. A faixa apresenta influências fortíssimas de thrash/death metal, especialmente de uma das bandas pioneiras do estilo (preciso mesmo dizer qual?), criando um contraste muito interessante com as faixas mais tradicionais do disco.

“Mad Lawyer” é uma das faixas mais melódicas do álbum, combinando riffs rápidos com melodias que se encaixam perfeitamente na estrutura da música. Em alguns momentos, a atmosfera remete ao Iron Maiden dos anos 80, principalmente na forma como as guitarras dialogam entre si. A própria banda brinca com o conceito da música, afirmando que ela pode ser apenas uma piada… ou talvez não. A escolha fica por conta do ouvinte. Essa leve dose de humor mostra que o disco também tem espaço para momentos mais descontraídos.

Encerrando o álbum, temos “Animus Necandi” que é uma das músicas mais intensas de todo o trabalho. A faixa apresenta riffs pesados, uma atmosfera agressiva e um clima quase ameaçador, funcionando perfeitamente como encerramento do disco.

A música é dedicada a alguns dos maiores personagens justiceiros do cinema, como:
Paul Kersey (Death Wish)
Arthur Bishop (The Mechanic)
Harry Callahan (Dirty Harry)
William Munny (Unforgiven)

Todos símbolos de figuras duras, implacáveis e moralmente ambíguas. Essa referência ao cinema reforça o clima sombrio e violento da música, fechando o álbum em grande estilo com impacto absurdo.

Após o lançamento de Cold and Terrible, o Tiger Cult continuou ativo no cenário underground e chegou a iniciar o desenvolvimento de material para um possível segundo álbum. O trabalho chegou a ser mencionado pela própria banda com o título provisório de The Worst Omen, gerando grande expectativa por parte dos fãs que acompanhavam a banda mais de perto (especialmente para este que vos escreve).
No entanto, por diferentes fatores comuns ao cenário independente, como mudanças de formação, talvez por dificuldades estruturais e limitações de divulgação, o projeto acabou não sendo concluído e nunca chegou a ser oficialmente lançado. Assim, Cold and Terrible permaneceu como o único registro completo da banda em estúdio.


Recepção e importância

No início dos anos 2000, grande parte da visibilidade internacional do metal brasileiro estava concentrada em estilos como power metal melódico ou metal extremo. Nesse contexto, o Tiger Cult representava uma vertente diferente, mais ligada ao espírito clássico do heavy metal dos anos 80.

E dentro desse cenário, Cold and Terrible foi muito bem recebido, tanto pelos fãs da música pesada, quanto pela crítica. Lembro muito bem, pois este que voz escreve foi em dois shows em Osasco em 2004 e a cada show a euforia tomava conta de todos os fãs para ver a banda em ação.

Porém, mesmo com o reconhecimento dentro da cena underground, a banda não alcançou a projeção nacional e internacional que merecia, mesmo com a distribuição negociada com a gravadora belga Mausoleum para ser lançado na Europa, Estados Unidos, Canadá, México, Turquia, Israel e nos países da ex-União Soviética.

O legado do disco

Mais do que apenas um primeiro disco, Cold and Terrible é um retrato fiel de uma época em que o heavy metal brasileiro era movido principalmente pela paixão, pela dedicação e pelo espírito do underground.
Mesmo sem alcançar o reconhecimento que merecesse, o álbum permanece como uma verdadeira joia da cena metal dos anos 2000, um trabalho que continua sendo descoberto e valorizado por novos ouvintes.

Para quem aprecia heavy metal feito com autenticidade, energia e respeito às raízes do gênero, Cold and Terrible não é apenas uma curiosidade histórica: é um disco obrigatório em qualquer coleção.


D.R.I. - 17/03/2026 - BAR OCIDENTE - PORTO ALEGRE/RS

 


D.R.I.
Abertura: TROLL
17/03/2026
Bar Ocidente
Porto Alegre/RS
Produção: Ablaze Productions

Texto e fotos: José Henrique Godoy

Estamos em 1989, um final de semana quente do mês de Outubro. No Bar Lola, uma roda de headbangers está tomando a sua décima rodada de cerveja Polar enquanto discutem sobre suas bandas preferidas e shows que gostariam de assistir. Um deles fala: “Já imaginaram, um dia ter show do D.R.I. no Bar Ocidente??? Seria massa demais!!!”. Logo ele é desenganado pelos demais: “Seria massa demais, óbvio, mas não viaja cara: estamos em Porto Alegre, este c* de mundo e esse show só aconteceria em nossos sonhos mesmo!”.

Esse diálogo é fictício, mas bem que pode ter acontecido. E passadas mais de três décadas, o sonho dos headbangers da minha “anedota” se tornou realidade. Pra quem não conhece Porto Alegre, o Bar Ocidente é um dos locais mais exponenciais do Underground da nossa cidade, desde 1980 abrigando shows e espetáculos musicais, teatro e etc.

O D.R.I. por sua vez é uma banda clássica, formada em Houston/Texas, em 1982 e influenciou muita gente boa, pegando por exemplo “apenas” o Slayer. Durante toda a sua trajetória conseguiu unir o Metal/Thrash Metal, com o Hardcore e praticamente são os pais do estilo “Crossover”. Contando com Spike Cassidy (guitarras) e Kurt Brech (vocal), os dois membros originais, e acompanhados pelo baixista Greg Orr e pelo baterista Danny Walker, o D.R.I. lotou o Ocidente e quebrou tudo (no melhor sentido da palavra).

A abertura da noite ficou a cargo da banda gaúcha Troll. Riffs extramemante pesados e a presença de palco do vocalista Rodrigo Ruínas demonstram que provavelmente não haveria banda melhor para a abertura da noite. Banda coesa no palco, com seu Groove Metal agradou a todos os presentes, com destaque para a música “Fogo Ancestral”. Ao final, a banda tocou “Eye for an Eye”, cover do Soulfly. Excelente apresentação dos gaúchos, e ao término de 40 minutos se despedem.


Eram 21h30, quando o D.R.I. inicia sua apresentação destruidora com “All For Nothin” e “Manifest Destiny” Ao final desta, Kurt pergunta se estávamos prontos para “noventa minutos de puro Crossover Hardcore Thrash”. A resposta imediata foi sim, mas dali para adiante, quase sem respirar o D.R.I desceu a lenha, e as rodas punks/Mosh Pits se tornaram insanos, ao ponto de correr da pista aqueles que não tem mais gás para este tipo de atividade (este que vos escreve incluso).


"I'd Hather Been Sleeping”, “Hooked”, “The Explorer“, "Karma”, enfim uma infinidade de clássicos tocadas com fúria, grove e classe! “Suit and Tie Guy”, “Nursing Home Blues”, “I Don't Need Society”.... era uma pedrada atrás da outra, o Mosh Pit pegando fogo literalmente! E aqui vai o único senão da noite: o calor dentro do Ocidente estava insuportável!!! Não sei se algum problema técnico no ar condicionado, alguma ação para economizar, o certo é que para outros eventos lá, fica este ponto de atenção.

“Worker Be”, “ABduction” e “The Five Year Plan” fecham o set desta explosiva primeira visita do D.R.I. na capital do RS. Que seja a primeira de muitas. Ao final Spike Cassidy esbanjando simpatia desceu do palco e ficou atendendo a todos que queriam uma foto e um autógrafo. Nossos agradecimentos a Ablaze Produções e ao Bar Ocidente!



DESTROYER 50 ANOS - O KISS EM SEU AUGE CRIATIVO

 


DESTROYER 50 ANOS 

Por Sergiomar Menezes

Em 1976, muitas coisas que marcaram a história aconteceram. Foi o ano do nascimento da Apple, aconteceu o golpe militar na Argentina, foi comemorado o bicentenário da Independência americana, Mao Tsé Tung foi de arrasto, chegava aos cinemas "Rocky, Um Lutador", este que vos escreve veio ao mundo, e mais um monte de outras situações. Nesse momento, o Rock n' Roll ainda estava tentando entender o que  tinha acontecido com ele próprio.  O sonho hippie tinha virado uma ressaca de asfalto e o punk já começava a rosnar nos bueiros de Nova York. No meio desse turbilhão, quatro sujeitos mascarados, que muitos críticos teimavam em chamar de "apenas um espetáculo de circo", decidiram que não bastava mais cuspir fogo e sangue. Era preciso criar um mito.

DESTROYER não foi apenas um álbum; foi a transformação do KISS de uma banda de hard rock de garagem para uma entidade cósmica e universal.

Para entender o impacto histórico de "Destroyer", precisamos falar de Bob Ezrin. O produtor chegou com a disciplina de um sargento e a visão de um diretor de Hollywood. Ele não queria que a banda apenas aumentasse o volume: ele queria a profundidade e dramaticidade de atores cinematográficos.

Foi Ezrin quem ensinou ao quarteto que o rock e a orquestração poderiam ser tão pesados quanto uma Gibson distorcida ou naipe de metais. Ele trouxe corais de crianças, efeitos sonoros de festas fantasmagóricas e a grandiosidade da Filarmônica de Nova York para dentro do estúdio. Ele transformou a crueza do KISS em estúdio em uma "quase" ópera com guitarras.


O álbum abre com o som de um carro ligando e o rádio sintonizando o próprio sucesso da banda. "Detroit Rock City" não é apenas uma canção; é um hino à vida e à celebração juvenil. O duelo de guitarras entre Paul Stanley e Ace Frehley ali estabeleceu o padrão de ouro para o que viria a ser o rock de arena. Ezrin gravou sons reais de um carro, o rádio sintonizando (tocando "Rock and Roll All Nite"), a porta batendo e o motor roncando. Isso cria um clima cinematográfico antes da primeira nota. Paul e Ace tocam harmonias que são matematicamente perfeitas. Ezrin exigiu precisão absoluta, eliminando a "sujeira" das garagens dos discos anteriores para criar um som estéril e poderoso.

Em "King of the Night Time World", Ezrin usou camadas sobrepostas de guitarras rítmicas para dar uma sensação de parede sonora. A bateria de Peter Criss foi gravada com microfones de sala (room mics) para capturar o eco natural do estúdio, fazendo-a soar como se estivesse sendo tocada em um estádio vazio. O resultado? Uma das músicas mais legais da carreira do KISS! O que dizer então de God of Thunder", a faixa que praticamente definiu a "persona" "The Demon" de Gene Simmons. Ezrin desacelerou a fita da gravação da voz de Gene para deixá-la mais grave e cavernosa, quase inumana. Aqueles sons de crianças gritando e ruídos estranhos no fundo? São os filhos de Bob Ezrin brincando no estúdio com walkie-talkies. O produtor capturou o som de "pesadelo infantil" para emoldurar a letra sombria.

"Great Expectations", a faixa mais ambiciosa e estranha da carreira do KISS (pelo menos, até aquele momento). Ao que tudo indica, a melodia principal foi "roubada" de uma sonata de Beethoven (Pathetique). Ezrin trouxe o Brooklyn Boys Chorus. O contraste entre a letra sobre a vida de uma estrela do rock e as vozes angelicais de crianças cria uma atmosfera grandiosa. Para reforçar a estética de "circo do rock", em "Flaming Youth", Ezrin introduziu um calíope (um órgão de tubos a vapor). Isso dá à música um tom lúdico e psicodélico que a diferencia do hard rock padrão da época. Já em "Sweet Pain" (uma das prediletas da casa), as harmonias vocais trazem uma técnica quase de música pop, criando um refrão "grudento" que brilha por cima da base pesada.

Mas o hino, a faixa que retrata tudo aquilo que o KISS foi e sempre será é "Shout it Out Loud". A sacada de gênio aqui foi alternar as vozes de Paul e Gene frase por frase, algo que exige uma mixagem muito dinâmica para que as frequências de ambas as vozes não se anulem. É uma engenharia de "ping-pong" vocal perfeita. O solo de Ace é daqueles que a gente guarda na memória e nunca, mas nunca mais esquece mesmo! "Beth", cantada por Peter Criss, salvou a banda financeiramente e mudou a história das baladas em discos de rock. Teoricamente, nenhum dos outros membros toca aqui. É apenas o Catman e uma orquestra de 25 músicos. O arranjo que não é meramente decorativo, ele conduz a emoção da música, usando violoncelos para dar o peso da melancolia. E pra fechar com chave de ouro, "Do You Love Me?", onde o baixo de Gene se destaca e a bateria traz um som mais seco, como se fosse um soco no peito. E o resultado é um encerramento mais do que espetacular.


Meio século depois, a capa icônica de Ken Kelly — com os quatro saltando de um monte de escombros sob um céu apocalíptico — continua sendo a imagem definitiva do rock como sinônimo de poder.

DESTROYER foi o momento em que o rock percebeu que poderia ser maior que a vida. Ele pavimentou o caminho para o que o Iron Maiden, o Mötley Crüe e até o Metallica fariam anos depois: criar um universo visual e sonoro onde o fã não apenas ouve música, mas habita um mundo.

O que o álbum nos ensina hoje nos ensina hoje? Que o rock precisa de perigo, mas também de estrutura. Que é possível ser teatral sem perder a alma. Cinquenta anos depois, quando as primeiras notas de "God of Thunder" ecoam, o chão ainda treme. Não é apenas nostalgia: é a prova de que, quando você constrói um monstro com inteligência, mas sobre tudo, com amor e paixão, ele nunca morre.


Para fechar essa pequena e singela homenagem, convidamos alguns amigos para deixarem seus depoimentos sobre o disco. Confira:

"Comprei o disco na loja Woodstock e ainda lembro bem quando ouvi a primeira vez. De cara, a introdução marcante, emendada com 'Detroit Rock City', me impactou. De fato, quase todas as faixas chamaram a atenção, mas acredito que 'Shout It Out Loud', que nasceu de uma releitura de 'I Wanna Shout', dos The Hollies, ainda nos dias de Wicked Lester, virou o grito de guerra. Ela traz a mensagem: esqueça regras, ignore limites e se entregue ao que realmente importa... Rock and roll. É, com isso eles chegaram ao primeiro Disco de Platina." - Ricardo Batalha 

"“Destroyer” começava a ser planejado antes do estouro de “Alive!”, que salvou a gravadora Casablanca da falência. No entanto, ganhou ares mais ambiciosos após o Kiss ter conquistado êxito comercial e desejado ir além. Contrataram o produtor certo para a ocasião: Bob Ezrin, que descartou quase tudo composto antes de sua chegada e elevou o patamar de todos os envolvidos ao ponto de até ensinar teoria musical a eles. “O propósito era fazer com que eles deixassem de ser uma banda de rock que só atraía moleques de 15 anos cheios de espinhas”, conta o produtor ao Rockounters. A julgar pelo sucesso de clássicos como “Beth”, “Detroit Rock City” e “God of Thunder”, o objetivo foi alcançado." - Igor Miranda

""Destroyer foi o primeiro disco do Kiss que comprei, em 1980. Abriu as portas para minha paixão e fanatismo por esta banda fantástica e que dura até hoje!" - Jacques Maciel (Rosa Tattooada)

"Destroyer é a mudança de chave e a primeira tentativa (bem sucedida)do Kiss ser levado a sério e somente Bob Ezrin seria capaz de levá-los aonde queriam. O álbum é impecável da primeira a última faixa e imortalizou clássicos como “Detroit Rock City”, “Beth”, “God Of Thunder”, entre outras, mostrando que havia muito mais conteúdo além das máscaras." - Tarcísio Chagas (Rock on Board / The Bridge Press)

"Um disco com uma produção grandiosa e músicas que viraram clássicos atemporais e que estiveram presentes nos setlists da banda em todas as tours, como “Detroit Rock City”, “God Of Thunder”, “Shout it Out Loud”, “Beth” e “Do YOu Love Me?” e que provou que o KISS não era um azarão, e sim a próxima grande atração do mundo do Rock n' Roll. E o que dizer da sua capa? Pra mim, a ilustração da capa é a imagem definitiva do quarteto mascarado. Sempre que penso no KISS, a primeira imagem que vem a mente, é a capa do Destroyer. Enfim, um dos maiores clássicos do Rock de todos os tempos." - José Henrique Godoy (Chatterboxes / Rebel Rock)

* coleção pessoal de José Henrique Godoy

sexta-feira, 13 de março de 2026

NITE STINGER - WHAT THE NITE IS ALL ABOUT (2026)

 


NITE STINGER
WHAT THE NITE IS ALL ABOUT
Pride & Joy Music/Believe - Importado

Enquanto muitas bandas buscam modernizar o hard rock com elementos contemporâneos ou explorando outros estilos, o NITE STINGER opta por um caminho um pouco diferente: adotar com entusiasmo o espírito clássico do gênero. Em WHAT THE NITE IS ALL ABOUT, o grupo apresenta um álbum que funciona como uma autêntica declaração de amor ao hard rock dos anos 80 — repleto de riffs caprichados, refrãos cativantes e aquela atmosfera característica de noites com amplificadores no volume máximo. Um passo a frente de seu antecessor, o bom "Nite Stinger" lançado em 2021. Saindo pela Pride & Joy Music e distribuído pela Believe, o grupo mostra que veio pra ficar em um cenário instável, mas com bandas de muita classe e talento.

Formado por Jack Fahrer (vocal), Bento Mello (baixo), Ivan Landgraf (guitarra), Bruno Marx (guitarra), Leandro Araújo (bateria) trazem um trabalho que conta com 11 faixas e chega para reforçar a identidade do grupo, apostando em riffs marcantes, harmonias de guitarra bem construídas e vocais carregados de energia. Produzido por Bento Mello e Henrique Canalle (Spektra), os quais também ficaram encarregados da mixagem e masterização. O álbum preserva a temática que celebra a vida noturna e o clima do hard rock, com as participações de Stevie Rachelle (vocal, Tuff e Tales From The Porn) na faixa título, e do ex-integrante e guitarrista Roger Benet no single e do vídeo musical "Only You".

O álbum abre com "You Know Why", um Hard Rock pegado com riffs típicos, mas com aquela pegada atual, mostrando que apesar de resgatar uma sonoridade "das antigas", o grupo agrega um estilo mais atual em sua identidade. A faixa soa forte, deixando claro o clima que o álbum carrega consigo. Na sequência, "Your Own Way to Be", é mais cadenciada, pesada e intensa. No entanto, a melodia é ótima para que as linhas de guitarram desenvolvam seus riffs de forma certeira. "The Night is Never Over" (título propício, não?), vem em seguida e tem um clima meio Sunset Strip, pois apesar das guitarras em profusão, aquela atmosfera sacana fica ao redor da composição durante sua execução. Dá pra imaginar aqueles clubes de strippers esfumaçados enquanto se ouve a faixa... Aquela veia Hard/Heavy do grupo se mostra mais presente em "Love & Freedom", enquanto "Only You" foi escolhida como primeiro single do trabalho. A faixa traz a participação do ex-guitarrista Roger Benet. Os riffs trazem um arranjo mais melódico, soando mais como bandas atuais (H.E.A.T.), porém sem perder o peso. A faixa também possui um clipe dirigido e editado por Leonardo Xavier, com assistência de Danny Poison.

Se a banda tem por característica resgatar a sonoridade mais anos 80 nesse trabalho, "Fantasy" acerta em cheio! Falando sobre um relacionamento e suas fantasias, a faixa mostra o lado mais instigante do grupo. Refrão de fácil assimilação e melodias bem desenvolvidas fazem dela um dos destaques do álbum. Assim como a faixa título que traz a participação de Stevie Rachelle, que deu uma cara mais "hard" à música ao adicionar sua voz bem característica. Outro ótimo momento do trabalho! Aqueles corais clássicos são adicionados ao início de "High Above", um Hard bem composto e executado. Já "Highway Bound" é a faixa mais próxima daquele Heavy/Hard, tanto que a introdução me trouxe a mente "Bark at The Moon", de... vocês sabem quem. Coincidência ou não (ou loucura da minha cabeça), a faixa é bem legal e é dona de um refrão marcante. E como não poderia deixar de ser, "All the Love That You Need", é aquela "power ballad" que todo disco de Hard Rock tem e precisa ter. E aqui, ela faz jus a sua presença, com uma bela melodia e interpretação de Jack Fahrer, que mostra versatilidade em cantar de forma mais melódica. O álbum fecha com "Reach the Sky", com peso, energia e diversão, encerrando o trabalho com o clima lá em cima.

O NITE STINGER não pretende reinventar o Hard Rock. E alguém disse que precisa? Fazendo aquilo que sabem, agregando influências do hard anos 80 com uma sonoridade atual e moderna, o grupo mostra que veio pra ficar. WHAT THE NITE IS ALL ABOUT apresenta uma banda madura, com personalidade e energia pra "espalhar a palavra" num mundo que tá chegando ao limite. Desse jeito, o Hard Rock não só nos diverte, mas alivias  as agruras dos dias atuais...

Sergiomar Menezes

Foto: Danny Poison





BRYAN ADAMS - ROLL WITH THE PUNCHES TOUR - 11/03/2026 - ARAÚJO VIANNA - PORTO ALEGRE/RS

 


BRYAN ADAMS
ROLL WITH THE PUNCHES TOUR
11/03/2026
ARAÚJO VIANNA
PORTO ALEGRE/RS
Produção: EntreLike/Mercury Concerts

Texto: José Henrique Godoy
Fotos: Carolina Capeletti Peres (capa)/ Edu Defferrari 

Bryan Adams dispensa apresentações, é um dos músicos mais bem sucedidos do Rock/Pop Rock de todos os tempos. Com uma carreira cheia de hits , o cantor e multi-instrumentista canadense também têm grande popularidade no Brasil, porém ao contrário de outros artistas internacionais, não são muito frequentes suas visitas por aqui.

Todos esses fatores justificaram um Auditório Araújo Vianna completamente lotado na noite de onze de março. Segundo relatos, quando as bilheterias abriram no inicio da noite havia apenas cerca de quarenta ingressos à venda, que por óbvio se esgotaram rapidamente. E nada melhor que casa cheia para celebrar uma noite de boa música.

O telão no palco exibia uma imagem de Bryan Adams com um roupão de boxeador, escrito “Roll With The Punches“ nome do seu ultimo lançamento e que também batiza a atual turnê. Conforme se aproxima o horário do inicio do show, algumas situações “inusitadas” começam a acontecer no telão, ao redor da imagem de Adams, como um idoso de cadeira de rodas arrastando um carro com uma corrente, uma judoca que desfere alguns golpes e um cachorro que surge dando um passeio aleatório pela tela,

Próximo das 21h30, Bryan Adams surge no meio da plateia apenas com seu violão no formato acústico: “Can´t Stop This Thing We Started”, “Straight From The Heart” e “Lets Make A Night To Remember” são tocadas. Este formato de início de show, vem sendo executado durante toda a turnê atual, porém mesmo assim boa parte do público se mostrou surpreso.


Após a trinca inicial, Brian se dirige ao palco onde se junta à Luke Doucet (guitarras), Pat Steward (bateria) e Gary Breit (teclados) e dão inicio a “Kick Ass”, do álbum de 2022 “So Happy It Hurts”. Começava então um desfile de canções clássicas e atemporais de um artista que não sabe o que é derrota. Bem humorado e brincalhão, Bryan Adams divertiu e se divertiu no palco do Araújo Vianna: brincou que aqui no Brasil, as pessoas pronunciam seu nome como se fosse uma palavra só: “Bryanadam”. Em outro momento pegou alguns cartazes dos fãs mais próximos e começou a ler e interagir com os mais próximos do palco.

Outro fator interessante era o contraste da simplicidade da banda no palco (apenas quatro caras com seus instrumentos) com a exuberância visual do telão de Led e suas projeções. Todos os presentes receberam também uma pulseira de Led, que reproduziam as luzes do palco ao som das músicas executadas.


Na parte musical, Bryan apostou em todos os seus clássicos, mas também incluiu músicas mais recentes no set, como “ So Happy It Hurts” (nesta uma réplica inflável do carro do vídeo da música sobrevoa o Araújo Vianna, com faróis acesos e tudo mais). Porém o momento mais hilário ocorreu durante “You Belong To me”, quando sob incentivo de Adams, vários fãs tiraram as camisetas e giraram sob a cabeça. Foi divertido ver vários tiozinhos mostrando suas barriguinhas não tão saradas e dançando. Mas como falam, o que vale é ser feliz e se divertir. Durante as baladas como “Please Forgive Me”, “Have You Ever Loved A Woman” e “Everything I Do - I Do it For You” foi possível assistir vários casais dançando como se estivessem em uma reunião dançante na garagem dos pais. Estes momentos mais românticos se alternavam com a hora do “Rock-Arena” de canções como “Run To You” e “Somebody” onde o público cantava as letras de ponta a ponta. Neste quesito a mais que clássica “Summer Of 69” foi a mais ovacionada e entoada.


E ao final de mais de duas horas de espetáculo, Bryan Adams que tocou guitarra, baixo, harmônica e cantou perfeitamente com sua potente e característica voz, finaliza o show como começou: violão e voz interpretando “All For Love”. Um show excelente em uma “noite para se recordar“, como diz a música do nosso protagonista, que prometeu voltar o mais rápido possível. Nós vamos aguardar Sr. Adams. Agradecimento especial à Mercury Concerts e Entrelike pelo credenciamento e gentileza e ao staff do Auditório Araújo Vianna.



quinta-feira, 12 de março de 2026

IRON SAVIOR - AWESOME ANTHEMS OF THE GALAXY (2026)

 


IRON SAVIOR
AWESOME ANTHEMS OF THE GALAXY
Reigning Phoenix Music - Importado

Uma coisa que não se pode falar de Piet Sielck é que ele é acomodado! Durante seus quase 30 anos de carreira, o Iron Savior gravou inúmeros covers, em especial, do Judas Priest, banda do coração do dono da porra toda! Porém, alguns covers fugiram do padrão tradicional e fugiram totalmente do gênero Rock e Heavy Metal. Exemplos, são vários: “Crazy” (Seal), “Underneath the Radar” (Underworld), “Run to You” (Bryan Adams) e “Sweet Dreams” (Eurythmics) são os que me recordo no momento.

O Iron Savior é uma máquina que não tem receio de fazer o que lhes derem na cabeça e resolveram expandir seus horizontes e se aventurar por uma arriscada empreitada de fazer um álbum de covers com hits grandiosos que nada tem a ver com o estilo que tanto amamos.

A experiência já começa a se tornar maluca ao vermos a capa e o título do trabalho. Aqui, é tudo nostalgia, tudo anos 80, temos clássica da música Pop, clássicos temas de trilhas sonoras, outras não tão clássicas assim, enfim, tudo aquilo que as pessoas que tiveram o privilégio de ser daquela geração ouviram a exaustão.

Boa parte das faixas nós já reconheceremos apenas pelo nome, como “Maniac” e “What a Feeling” (Michael Sembello e Irene Cara, respectivamente), presentes na trilha sonora do filme “Flashdance” (1983), clássicos absolutos dos anos 80. Quer mais? “Take on Me” (A-Ha) não poderia faltar, e aqui não faz feio (veja o clipe abaixo).

A faixa que mais se aproxima do bom e velho Rock & Roll, é a clássica “Separate Ways” (Journey), uma música que já recebeu tantos e tantos covers diferentes ao longo dos anos, que aqui não se transformou em algo tão especial, parecendo um mero tapa buracos. Não chega a destoar, mas fica aquém das demais.

Tudo é legal pra quem gosta de Power Metal, mas indiscutivelmente, onde os caras mais ousaram foi em transformar as baladas melosas dos bailinhos dos anos 80 em furiosos hits metálicos. Não acredita? Ouça, “She’s Like the Wind” (Patrick Swayze), aquela mesma do também clássico filme “Dirty Dancing” (1987), e principalmente, “Forever Young” (Alphaville), uma das mais melosas baladas da história da música. Sim, eles conseguiram deixa-la soando um estridente e poderoso Power Metal. Pra mim, a melhor do disco! Ouça e delire (ou não!).

Uma de minhas frustrações é nunca ter visto o Iron Savior ao vivo. Com tantas e tantas bandas em um festival como Bangers Open Air, por exemplo, será que realmente não há um lugarzinho pra eles? Na boa, acho que sim, a banda tem muitos fãs no Brasil.

Se a ideia de Piet Sielck era se divertir, ele o fez tão bem que transformou um disco de covers em algo realmente especial. “Awesome Anthems of the Galaxy” é pura diversão, nostalgia e até emoção. Um dos melhores álbuns de covers de todos os tempos, recomendado para fãs de Power Metal e Heavy Metal em geral. Ouça alto!

Mauro Antunes









quinta-feira, 5 de março de 2026

DEVIL'S CIGARETTE - MEET ME ON THE FLOOR TONIGHT (2026)



DEVIL'S CIGARETTE
MEET ME ON THE FLOOR TONIGHT
Wild Kingdom/Sound Pollution - Importado

Sabe aquele tipo de disco que, logo no primeiro acorde, você já sente vontade de abrir uma cerveja, aumentar o volume e esperar os vizinhos que só ouvem música boa graças a você, começarem a te agradecer novamente? Pois é, MEET ME ON THE FLOOR TONIGHT o novo trabalho do DEVIL'S CIGARETTE, é exatamente desse tipo. Desde que se formaram em Estocolmo em 2023, o grupo construiu rapidamente sua reputação como uma banda a ser observada, com seus shows explosivos, energia incessante e capacidade de se destacar no meio do barulho. Isso tudo os levou de lugares apertados no porão a se tornarem um dos nomes mais comentados na nova onda de rock da Suécia. Sim, de novo, da Suécia. 

Adam Berg (vocal), Alexander Bergfeldt (guitarra), Miles Martin (guitarra), Lucas Kinari (baixo) e Kasper Brättemark (bateria - que gravou o álbum mas depois foi substituído por Iggy Lindén), são cinco garotos que decidiram resgatar o rock n' roll na sua essência, com uma energia crua e muita rebeldia. Influenciado por ícones do rock como The Stooges, MC5, The Beatles, The Hives e, obviamente, The Hellacopters, o Devil’s Cigarette cria uma mistura única de rock ‘n’ roll enérgico, cru e acelerado. O som deles pode atrair tanto a geração mais jovem quanto os fãs experientes de rock, fazendo a ponte entre o rock clássico e o contemporâneo. cabe destacar que o álbum foi Gravado por Otto Perrin e mixado e masterizado por Robert Pehrsson, renomado por seu trabalho com The Hellacopters e Tribulation.

O trabalho abre com a faixa título, e de cara, percebemos nitidamente que poucos releases realmente entregam as influências de uma banda como a do caso em questão. Aquela urgência suja dos Stooges, o "descompromisso" do The Hives, A falta de preocupação do MC5, a simplicidade dos Beatles e a veia anos 70 do Hellacopters. Claro, não podemos esquecer que estamos falando de uma banda novata, em busca de uma maior identidade, mas isso já começa a aparecer de forma mais interessante em "I'm Bored". Com um andamento mais intenso e com "guitarras suecas" bem características, a faixa ganha o ouvinte pelo baixo "gordo", outro ponto em comum com seus conterrâneos. "Bright Red Eyes" tem um quê de Stones, mas a sujeira toma conta. No entanto, não tem a mesma energia que a s faixas anteriores. Já a celerada "Dirty Fingers", tem cara de pub esfumaçado, cheiro de palco no nível do público e amplificador dando problema. Ou seja, Rock 'n' Roll! "A A-A" (sim, esse é o título da faixa) é tão estranha quanto seu título, apesar dos bons momentos. E acreditem, eu encontrei algo de Pixies em alguns momentos de sua execução, o que fez com os pontos dela subissem no meu conceito...

"Radio Baby" é outro grande momento rocker do álbum, rápida, direta e certeira, ainda que me determinados momentos o "noise" apareça perdido por suas linhas. Agora, "This is a Hippie Killing Device" é tão legal quanto seu título, com uma energia intensa e vocais que soam extremamente desleixados. Se é proposital ou não, a verdade é que ficou bem legal dentro da execução. a veia "The Hives" surge imponente em "Come on to Me", com sua parede de guitarras e vai de encontro à urgência de "Ordinary Man", outro momento rocker sem frescuras. Pra fechar o álbum, "The Greyhound Grace",a faixa mais "acessível", por assim dizer. E na opinião deste que vos escreve, poderia tocar em qualquer rádio por aí, que passaria despercebida facilmente.

Já tendo protagonizado algumas situações bem típicas, como aprontar em um camarim que estava reservado a uma famosa banda punk sueca e, depois disso, terem sido proibidos de tocar no local, o DEVIL'S CIGARETTE dá mostras de que tem o tal de rock 'n' roll nas veias. MEET ME ON THE FLOOR TONIGHT é um álbum que não vai salvar o rock (até mesmo porque ele não precisa disso), mas te garante bons momentos tomando aquela cerveja bem gelada e esquecendo dos problemas cotidianos. E nos dias de hoje, isso já é algo mais do que louvável...

Sergiomar Menezes

SAXON - EAGLES OVER HELLFEST (2026)

 


SAXON
EAGLES OVER HELLFEST
Shinigami Records/Silver Lining Music - Nacional

Um álbum ao vivo do SAXON só pode significar uma coisa: HEAVY METAL! E é exatamente isso que temos em EAGLES OVER HELLFEST, que como o próprio título entrega, foi gravado no festival francês em 2024. A adrenalina que emana do álbum é intensa e quem já teve o privilégio de assistir o grupo ao vivo (sim, é um privilégio poder assistir a uma apresentação do quinteto), sabe do que estou falando. Divulgando seu mais recente trabalho, o ótimo "Hell, Fire and Damnation", lançado em no início de 2024, mesmo ano da apresentação no Hellfest, a banda traz 14 faixas onde podemos captar a energia, vibração e toda a atmosfera que que faz com que todo fã de Heavy Metal coloque o Saxon entre suas bandas preferidas. E o melhor de tudo: o álbum está saindo por aqui através da parceria da Shinigami Records com a Silver Lining Music.

Liderada pelo icônico vocalista Biff Byford, a banda conta com a precisão de Nigel Glockler (bateria), a solidez de Nibbs Carter (baixo) e a aclamada parceria de guitarras entre Doug Scarratt e o "recém-chegado" Brian Tatler (Diamond Head - outra lenda do metal britânico). A integração de Tatler marcou um novo capítulo na trajetória do grupo. Sua chegada trouxe uma vitalidade revigorante, traduzida em riffs intensos e uma química imediata com Scarratt, elevando o patamar das apresentações ao vivo.

Clássicos absolutos do metal mundial como "Denim & Leather", "Motorcycle Man", "Strong Arm of the Law", "Power and the Glory", "Heavy metal Thunder", "Dallas 1 P.M.", "The Eagle Has Landed", "Heavy Metal Thunder", "Wheels of Steel", "Crusader", "747 (Strangers in the Night)" (que música sensacional!) e a a mais do que espetacular "Princess of the Night", se unem a "Hell, Fire and Damnation" e "Madame Guillotine" num CD que quando você menos espera, acaba. E, automaticamente, você aperta o play novamente.

Não há muito oq ue dizer sobre EAGLES OVER HELLFEST. Clássicos do Heavy Metal, executados por uma das maiores bandas do estilo em um dos maiores festivais do planeta. Se tinha tudo pra dar certo, com certeza deu. Ouça alto. MUITO ALTO!

Sergiomar Menezes