quinta-feira, 5 de novembro de 2026

WIZARDS - GLORIOUS (2026)

 



WIZARDS
GLORIOUS
Metal Relics - Nacional

Se o retorno do WIZARDS à ativa com o álbum "Seven", lançado em 2022 foi uma espécie de recomeço, GLORIOUS, que saiu agora em outubro de 2026 é a volta à sonoridade mis clássica da banda, qual seja, o power metal melódico intenso, pesado e verdadeiro. Sim, ainda que o antecessor tenha sido um bom trabalho, aqui o Wizards mostrou que das bandas atuais do estilo, ela se mantém fiel e apresenta uma qualidade acima da média, com um álbum muito superior ao que alguns "medalhões" do estilo vem fazendo. Longe de tretas, reuniões caça-níqueis ou algo do gênero, a banda investiu na música, razão maior da existência de qualquer grupo e acertou em cheio: um trabalho que lembra em muitos momentos um dos maiores discos do estilo já lançados no metal nacional, o excelente "The Kingdom", de 2001, lançado por eles próprios.

Mantendo a formação do trabalho anterior e estabilizada com Christian Passos (vocal), Leo Mancini (guitarra), Mendel Waisberg (baixo), Charles Dalla (teclados) e Gabriel Triani (bateria), o grupo contou com a produção, mixagem e masterização de Tito Falaschi, que também gravou algumas guitarras e teclados no álbum. A bonita capa foi concebida e idealizada por Sammy Coral enquanto o belo trabalho gráfico ficou por conta de Alcides Burn. Dessa vez, as composições em sua maioria ficaram sob a responsabilidade de Christian, enquanto Charles ficou com apenas uma (a saber, "Grand and Bold"), e talvez por isso, a sonoridade tenha maior proximidade com o clássico de 2001. Composições fortes, com guitarras intensas e aquela linha power metal melódica que consagrou o grupo no início dos anos 2000. 

"Magic Moment" abre o álbum de forma consistente, e digo aqui sem nenhum medo: se ela estivesse em "The Kingdom", abrilhantaria ainda mais o trabalho. Mas por sorte, a faixa surge em 2026, o que reforça que o Wizards é e sempre foi uma das maiores do estilo, não só por aqui, mas mundialmente. Linhas melódicas sem abdicar do peso, vocais muito bem encaixados, backing vocals propositalmente alinhados à estrutura e uma base baixo/bateria coesa, transformam a faixa em uma das melhores já compostas pelo grupo. Só que na sequência, "Lady Wonder" vem para mostrar que o peso do metal também aflora na linha de composição, pois a faixa possui uma cadência e riffs que se encaixam mais no lado metal do grupo. O metal melódico retorno com "Midnight Dreamers", outro ótimo momento. Uma característica do trabalho é que todas as faixas ficam dentro dos três minutos, o que comprova que não é necessário fritar, quebrar, encher as composições com viradas e solos intermináveis pra mostrar classe. Um ótimo refrão deixa tudo ainda melhor. "Beggin' Eyes" é uma balada linda, com ótima performance de Christian, que não precisa exagerar em agudos pra mostrar sua técnica e talento. E assim, a música de verdade agradece. E tome mais metal melódico puro e natural em "The Rising King", outra faixa que poderia estar em "The Kingdom". A capacidade do grupo em criar ótimas composições dentro do estilo é algo a ser estudado!

Um teclado um tanto quanto melancólico introduz a pesada "Solitude Walker", que traz consigo alguns toques mais modernos (mas sem exageros), invocando a versatilidade dos músicos. Já "Grand and Bold", composta por Charles Dalla, é outra pérola melódica, com excelentes linhas de teclado e ótima base criada por Mendel (único remanescente da formação original ao lado de Christian) e Gabriel, que formam uma cozinha que além de técnica, senta a mão sem pena dos instrumentos. "Answer Your Call" é mais cadenciada, mas possui linhas vocais bem melódicas, com os backing vocals novamente colocados de forma correta na composição. "Riser Man" mantém a pegada power/melódica e antecede o final que vem com "RF", uma bonita peça ao teclado, que fecha o álbum de forma suave e tranquila.

Sem se importar com o que o mercado impõe, o WIZARDS decidiu mostrar ao mundo que o metal melódico, power metal, heavy metal... chame como quiser, continua vivo (e muito) em 2026. Se, como eu escrevi lá em cima, os medalhões do estilo não conseguem sair da bolha do passado, a banda consegue revisita-lo sem se prender ao próprio. Composições carregadas de feeling, capacidade técnica altíssima, mas acima de tudo, uma qualidade musical muito, mas muito acima da média, fazem de GLORIOUS um dos melhores álbuns deste ano. Ah... e passou da hora da banda ser chamada para os grandes festivais, hein???

Sergiomar Menezes





BENEDICITION - RAVAGE OF EMPIRES LATIN TOUR 2026 - 04/11/2026 - ESPAÇO MARIN - PORTO ALEGRE/RS


BENEDICITION - RAVAGE OF EMPIRES LATIN TOUR 2026
Banda convidada: DISTRAUGHT
04/11/2026
ESPAÇO MARIN
PORTO ALEGRE/RS
Produção: Caveira Velha/Xaninho Discos/Nevoeiro Produções

Texto e fotos: José Henrique Godoy

As noites de quarta-feira são tradicionalmente conhecidas como a noite do futebol na TV. Mas por sorte existe o Metal, no caso desta quarta, o Old School True Death Metal do Benediction, que se apresentou no Espaço Marin, e me fez “perder” mais um fiasco do meu Grêmio diante do Flamengo. Os veteranos britânicos se apresentaram pela primeira vez na capital gaúcha, e contaram com o lendário Kam Lee (Massacre), que veio substituir o vocalista Dave Ingram, que por motivos de saúde não pode fazer parte da atual turnê.

A abertura da noite ficou por conta da máquina de destruição conhecida como Distraught. Às 20h30 a clássica banda gaúcha subiu ao palco e despejou seu Thrash Metal altamente técnico para um público não muito numeroso, porém entusiasmado. Capitaneada pelo vocalista André Meyer, a Dstraught fez uma excelente apresentação, com destaques para as faixas “Extermination of Mother Earth” e “Truth Denied”, ambas do mais recente trabalho, o EP “Involution”, lançado em 2025, e também a clássica “The Human Negligence is Repugnant”, que fechou o ótimo set de quarenta e cinco minutos.



Por volta das 21h30, o Benediction entra no palco do Espaço Marin, para lecionar uma verdadeira aula de brutalidade metálica. Contando com os membros fundadores, os guitarristas Peter Rew e Darren Brookes, o baixista George Chick e o baterista Giovanni Durst, e o já citado Kam Lee, o Benediction demonstrou desde o primeiro segundo no palco, porque é uma das bandas mais emblemáticas e históricas do Death Metal Mundial. Kam Lee parece ter sempre feito parte da bana, pois estava muito a vontade no palco, sendo nos momentos de pura violência sonora, ou quando brincava quando os presentes gritavam “Benedito”, em alusão ao nome da banda. Lee respondia: “Meu português é muito bom, entendo o que vocês estão dizendo”.

“Engines Of War” (do magnifico e mais recente trabalho “Ravage Of Empires”) deu inicio ao massacre sonoro, seguidas por ”Unfold Mortality”, “The Croocked Man” e “A Carrion Harvest”. Então Kam Lee nos convidou a retornarmos a 1989, para ouvirmos “Artefacted Irreligious” e “Subconcious Terror”, uma sequência mais que clássica. As rodas se formaram na pista e não cessaram até o final do show. Kam Lee cita que ele nunca tinha vindo para o Brasil e agradeceu ao Benediction por ter lhe dado a oportunidade de conhecer nosso país.



“Dread Of The Night”, “Grotesque” e “Psychosister” seguem estremecendo as estruturas do Espaço Marin. O baterista Giovanni Durst é um monstro, e destrói seja nos andamentos mais cadenciados, ou seja na hora da pura sarrafeira. O guitarrista Darren era puro sorrisos, embalado por uma meia dúzia de latinhas de Heineken, não deixava de transparecer a felicidade de estar no palco, desenvolvendo o Death Metal Old School como se tivesse começado ontem. Vamos lembrar que a banda está prestes a completar quarenta anos. Um dos momentos mais icônicos da noite, foi quando os guitarristas iniciaram o riff inicial de “Biohazard”, clássico supremo do Massacre, banda original de Kam Lee. Ouvir esta música com o vocal original, entrelaçado com a brutalidade histórica do Benediction foi mais que um ponto alto, foi testemunhar um momento único, a união de lendas do “Metal da Morte”.


Kam Lee passa o microfone para Darren que agradece aos presentes e ao próprio Kam Lee, dizendo que só por causa de Lee, o Benediction conseguiu seguir a turnê. O final do show foi com “Crawling Over Corpses” e a faixa título do clássico álbum de 1995 “Dreams You Dread”, com as rodas se tornando ainda mais infernais. Que noite perfeita, protagonizadas por duas bandas clássicas, cada uma no seu estilo. O Benediction justifica a sua história e sua origem, lá no final dos anos oitenta, vindos da mesma cidade do Black Sabbath, Judas Priest e Napalm Death. Realmente a água desta cidade deve ser "benta". Que o Benediction não se arrependa e que volte mais vezes para Porto Alegre. Agradecemos a Nevoeiro Produções pelo credenciamento e ao staff gentil do Espaço Marin.