segunda-feira, 31 de agosto de 2026

BEHEMOTH - THE APOSTASY (2007/2026) RELANÇAMENTO

 


BEHEMOTH
THE APOSTASY
Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional

The Apostasy” é o oitavo álbum da besta-fera polonesa que atende pelo nome de Behemoth. Lançado no já distante ano de 2007, o álbum é um dos clássicos da discografia do Behemoth. pois trata-se de um marco técnico e intenso no estilo “Blackned-Death Metal".

Sendo o lançamento seguinte a outro clássico, “Demigod” (2004), “The Apostasy” é pura fúria. Uma enxurrada de blast beats ultra-rápidos providos pelo batera Inferno e riffs de Thrash Metal, junto a temática sombria criam camadas infernais de pura blasfêmia e brutalidade.

Os vocais de Nergal estão perfeitos aqui, bem como riffs e solos dele e de Seth, tornando todas as faixas, poderosas. Garra, poder e técnica, dominam todas as faixas, do início ao fim, não dando trégua e nem descanso ao ouvinte. Não há a mínima chance de ficar entediado durante a audição de “The Apostasy”. Em um trabalho tão acima da média, fica difícil destacar alguma música, pois o álbum é irrepreensível do inicio ao fim, porém deixo destacado aqui “Inner Sanctum”, por suas variações e climas, incluindo pianos e coros, mas também por contar com a participação do saudoso Warrel Dane (Nevermore/Sanctuary), nos backing vocals.

The Apostasy” é um clássico indiscutível, e um dos pontos mais brilhantes da carreira do Behemoth. Relançamento nacional pela Shinigami Records.

José Henrique Godoy




IMMOLATION - DESCENT (2026)



IMMOLATION
DESCENT
Shimigami Records/Nuclear Blast - Nacional

A grande lenda está de volta. São quase quatro décadas de velha escola, e desde seu debut álbum “Dawn of Possession” de 1991, os novaiorquinos sempre se mantiveram íntegros em sua discografia, nos brindando com gemas do estilo como poderia citar igualmente “Here in After” (1996), “Close to a World Below” (2000) e “Atonement” (2017), e nesse seu novo opus, denominado “Descent”, posso dizer que a banda reafirma que é uma das maiores e mais importantes do estilo, não só por manter a qualidade mas principalmente por não abdicar de sua essência.

Logo de cara com “These Vengeful Winds” já percebemos a sintonia perfeita entre riffs cortantes e harmonias dissonantes e sombrias, com a já conhecida precisão e técnica que dita o estilo peculiar da banda, e uma violência que ainda se assevera na segunda faixa, “The Ephemeral Curse”, onde blast beats rolam de forma natural e se moldam às composições que se alternam entre cadência e velocidade. “God’s Last Breath” é realmente desoladora, inicia mais lenta, obscura e tem uma crescente matadora de brutalidade, balizando um caminho mórbido até “Adversary”, uma faixa com cara de clássico onde é notável o nível de entrosamento dos caras, especialmente o belo trabalho de guitarras de Alex Bouks e o mentor Robert Vigna, contando com a produção de um clipe oficial caótico.

“Atrition”, outra faixa interessante, traz um destaque a precisão do baterista Steve Shalaty, viradas impressionantes e brutalidade sem firulas, firmando cada vez mais seu estilo inconfundível na história da banda. “Bend Towards the Dark” é outra que virou clip oficial (essa última trinca de faixas, na verdade) e é grande destaque, trazendo ao ouvinte uma boa dose de caos e harmonias insanas. O baixista e vocalista Ross Dolan, outro mentor fundamental da história da banda, soa agressivo e marcante. A sétima faixa, “Host”, apresenta uma levada inicial tribal bem interessante, e vai encontrando as harmonias perturbadoras ao longo do caminho, e conta com participação de Dany Lilker (S.O.D./ Anthrax/ Nuclear Assault), bem como na próxima e mais direta ao ponto “False Ascent”, mais agressiva e voltando à brutalidade em sua forma mais crua, um dos destaques. Finalizando, a perturbadora e bela instrumental “Banished” abre portas para o último lamento em “Descent”, uma faixa típica do que é o Immolation, caótico e brutal simplesmente, na melhor concepção do que é historicamente a identidade da banda.

As composições apresentadas em seus pouco mais de quarenta minutos levam ao ouvinte sensações de total inquietude, o conceito de “queda” é bastante explorado, mostrando uma humanidade absorvida em falsos dogmas e auto destruição, em um conceito apocalíptico em que os caras se provaram mestres, disco após disco, com sua atmosfera densa e sombria. A arte da capa traduz um pouco essa abordagem, de autoria de Eliran Kantor, responsável por ilustrar horror e beleza em bandas como Testament, My Dying Bride e Cavalera, traduz agonia e dor na figura de um anjo caindo e sendo despedaçado. Não há esperança.

Um grande marco para a banda e um dos melhores álbuns já feitos pelos caras, na minha opinião, mas só o tempo o ratificará como clássico. Saindo aqui pra nosso deleite pela Shinigami Records em uma parceria com a Nuclear Blast, e altamente recomendável pra quem curte o metal da morte.

Gustavo Jardim




BIG BIG TRAIN - WOODCUT (2026)

 


BIG BIG TRAIN
WOODCUT
Shinigami Records/Inside Out Music - Nacional

O grupo inglês de Rock Progressivo Big Big Train chega a 2026, lançando seu décimo sexto álbum de estúdio, o já aclamado “Woodcut”. Para quem não conhece o Big Big Train, a banda executa o progressivo clássico, com muita influência dos dinossauros setentistas do estilo Prog. “Woodcut” é um álbum conceitual, e nos seus setenta minutos de duração, conta a trajetória de um entalhador desiludido, personagem batizado apenas como “O Artista” que enfrenta dificuldades criativas antes de produzir uma xilogravura que parece ganhar vida. Liricamente a estória é bastante interessante.

“Woodcut” é o segundo álbum a contar com o vocalista Alberto Bravin, que também toma conta da produção do álbum. Aliás, produção essa que é destaque, pois é cristalina, como sempre se espera de um álbum de Rock Progressivo. Musicalmente todos os músicos são excelentes, com destaque para o batera Nick D´Virgillio, na banda desde 2009, e que gravou o último álbum do Mr. Big, “Ten (2024). Como “highlights” em “Woodcut”, cito a abertura instrumental “Inkwell Black”, "The Artist", cheia de nuances e camadas, a faixa de sonoridade mais sombria "The Sharpest Blade" e o grandioso épico de encerramento "Last Stand".

Woodcut” é um ótimo álbum para os apreciadores do Rock Progressivo clássico. Fãs de Yes, Jethro Tull, Genesis, e Van Der Graff Generator se sentirão representados e muito satisfeitos com este álbum. E o melhor, lançamento nacional pela Shinigami Records.

José Henrique Godoy




sexta-feira, 28 de agosto de 2026

METAL CHURCH - GENERATION NOTHING (2013/2025) RELANÇAMENTO

 


METAL CHURCH
GENERATION NOTHING
Shinigami Records/Reaper Entertainment - Nacional

Lançado em 2013, GENERATION NOTHING chegou em um momento curioso da trajetória do METAL CHURCH. Após anunciarem o fim das atividades em 2009, a instituição do heavy/thrash americano liderada pelo por Kurdt Vanderhoof retornou da breve aposentadoria movida por uma urgência renovada. Este décimo álbum de estúdio consolida a última fase do vocalista Ronny Munroe à frente da banda, apostando em uma sonoridade que tenta equilibrar o peso tradicional da velha guarda com texturas um pouco mais diretas.

Ainda que a banda tenha se dissolvido em 2009, a formação que se reuniu para gravar o presente tranbalho foi a mesma de "This Present Wasteland": Ronny Munroe (vocal), o mastermind Kurdt Vanderhoof (guitarra), Rick Van Zandt (guitarra), Steve Unger (baixo) e Jeff Plate (bateria), e assim, se criou uma atmosfera intencionalmente crua que remete aos anos 80, funcionando como um esforço consciente de Vanderhoof para reconectar a banda às suas origens em álbuns como o homônimo de 1984 e "The Dark".

O disco abre com a combustão de “Bullet Proof” e “Dead City”, duas faixas que exibem o DNA clássico do grupo: riffs funcionais, uma cozinha pesada e entrosada — impulsionada pela bateria precisa de Jeff Plate — e o timbre rasgado de Munroe. Músicas como “Scream” entregam momentos de puro thrash metal enérgico, enquanto faixas do miolo do disco, a exemplo de “Suiciety” e “Hits Keep Comin’”, dialogam diretamente com a herança técnica e grooveada que o grupo lapidou nos anos 90 com "The Human Factor".

O grande "senão" do ábum" reside em suas ambições um tanto quanto progressivas. É o caso de “Noises in the Wall”, uma faixa de nove minutos que se desenvolve através de escalas e uma forte densidade instrumental, exigindo mais do ouvinte. O encerramento com “The Media Horse” reforça essa postura analítica, trazendo críticas sociais ácidas embaladas em um heavy metal cadenciado.

Embora divida opiniões entre os fãs mais saudosistas, GENERATION NOTHING se sustenta como um manifesto de sobrevivência criativa. É um trabalho honesto que prova que, mesmo diante das intempéries da indústria e das idas e vindas, o METAL CHURCH continuava sua saga em prol do Heavy Metal.

Sergiomar Menezes




METAL CHURCH - THIS PRESENT WASTELAND (2008/2025) RELANÇAMENTO


 

METAL CHURCH
THIS PRESENT WASTELAND
Shinigami Records/Reaper Entertainment - Nacional

Dois anos após "A Light in the Dark", THIS PRESENT WASTELAND, nono álbum de estúdio do METAL CHUERCH, veio para ocupar um lugar de interessante transição na discografia do grupo. Carregando a responsabilidade de manter a chama acesa para um dos pilares mais consistentes do cruzamento entre o heavy e o thrash metal americano, o álbum trouxe a estreia de um novo guitarrista e mostrou ao mundo que a banda seguia firme em sua trajetória.

Mantendo praticamente a mesma formação do trabalho anterior, qual seja, Ronny Munroe (vocal), Kurdt Vanderhoof (guitarra) Rick Van Zandt, Steve Unger (baixo) e Jeff Plate (bateria), fica evidente que a banda não está tentando reinventar a roda, mas sim dominar o território que construiu ao longo de décadas. Gravado no The English Channel Studio, o álbum apresenta uma banda madura, afiada e profundamente conectada às suas raízes, com Vanderhoof conduzindo a produção. Como escrito lá atrás, o disco também introduziu o guitarrista Rick Van Zandt, que trouxe nova energia ao grupo.

O álbum abre com The Company of Sorrows, uma faixa que já entrega o cartão de visitas clássico do grupo: riffs encorpados de Kurdt Vanderhoof, uma cozinha rítmica intensa e a interpretação agressiva de Munroe. O peso ganha texturas robustas em momentos como “Perfect Crime” e “Deeds of a Dead Soul”, onde a urgência do thrash tradicional se funde com a robustez melódica do heavy metal dos anos 80. "Monster" e a "Crawling to Extinction"” revelam uma faceta quase soturna do Metal Church, apostando em arranjos e atmosferas mais densos que dão profundidade ao disco, quebrando o ritmo puramente acelerado e exigindo uma audição mais atenta.

Embora muitas vezes fique na sombra de clássicos intocáveis dos anos 80 ou do peso da era Mike Howe, THIS PRESENT WASTELAND é um retrato sólido de uma banda que se recusava a soar obsoleta. É um trabalho honesto, tecnicamente afiado e que reafirma a habilidade de Kurdt Vanderhoof em manter a relevância do METAL CHURCH entregando riffs marcantes e uma atmosfera implacável de heavy metal sem concessões.

Sergiomar Menezes




METAL CHURCH - A LIGHT IN THE DARK (2006/2025) RELANÇAMENTO


 

METAL CHURCH
A LIGHT IN THE DARK 
Shinigami Records/Reaper Entertainment - Nacional

A LIGHT IN THE DARK, o oitavo álbum de estúdio do METAL CHURCH, foi lançado em 2006 e representa um momento de resiliência na carreira de uma das bandas mais injustiçadas do cruzamento entre o heavy, o power e o thrash metal. Em uma época em que o mercado muitas vezes cobrava reinvenções forçadas, o grupo liderado pelo guitarrista Kurdt Vanderhoof optou por fazer o que faz de melhor: reafirmar as suas raízes com uma produção orgânica, peso na medida certa e uma sensação palpável de urgência.

Neste álbum, Vanderhoof esteve acompanhado de Ronny Munroe (vocal), Jay renolds (guitarrista, que deixou a banda logo em seguida), Steve Unger (baixo) e marcou a estreia do baterista Jeff Plate (ex-Savatage) e consolidando a fase vigorosa do vocalista Ronny Munroe. Gravado no The English Channel Studio, em Olympia, Washington, o álbum apresenta a banda em plena forma criativa, equilibrando peso, melodia e a assinatura sonora que sempre diferenciou o METAL CHURCH. O disco marca um momento de renovação e homenagem, mantendo viva a chama que consagrou o grupo desde os anos 80.

A faixa-título abre os trabalhos com uma atmosfera sombria e encorpada, preparando o terreno para momentos de pura adrenalina thrash/heavy como “Beyond All Reason” e “Mirror of Lies”. Há uma densidade nos timbres de guitarra que remete diretamente aos clássicos dos anos 80, mas com a maturidade de músicos que entendem o peso do próprio legado. Um dos pontos altos do álbum é a monumental “Temples of the Sea”, uma jornada épica de quase dez minutos que foge dos padrões comerciais e mostra a capacidade do Metal Church de criar texturas progressivas e climas verdadeiramente soturnos sem perder a agressividade.

No entanto, o grande marco emocional de "A Light in the Dark" reside em seu encerramento. O álbum traz como faixa bônus uma regravação emocionante de “Watch the Children Pray” (originalmente do clássico álbum The Dark, de 1986), dedicada à memória do saudoso vocalista David Wayne, falecido pouco antes do lançamento deste trabalho. Essa homenagem funciona não apenas como um fechamento melancólico, mas como uma ponte entre o passado trágico e o presente combativo da banda.

A LIGHT IN THE DARK cumpre com louvor o seu papel: é um disco honesto, robusto e que prova que o METAL CHURCH sempre soube encontrar a luz mesmo nos territórios mais pesados e escuros do metal tradicional.

Sergiomar Menezes




sexta-feira, 21 de agosto de 2026

LORNA SHORE - I FEEL THE EVERBLACK FESTERING WITHIN ME (2025)

 


LORNA SHORE
I FEEL THE EVERBLACK FESTERING WITHIN ME
Shinigami Records/Century Media - Nacional

Vamos lá... O deathcore não está no rol dos meus estilos preferidos. E também posso afirmar que não tenho por hábito ouvir algo que se encontre dentro dessa categoria. Mas os ossos do ofício, por vezes, acabam fazendo com que situações como essa aconteçam. Muitas vezes, acabo me surpreendendo positivamente. Outras tantas, confirmo o que já esperava. Porém, algumas vezes, o meio do caminho acaba acontecendo e por mais que a música se mostre um tanto repetitiva, é possível encontrar qualidade e momentos inspirados em alguns trabalhos. E esse é o caso de I FEEL THE EVERBLACK FESTERING WITHIN ME, mais recente trabalho do grupo norte-americano LORNA SHORE. Lançado em setembro de 2025, o trabalho teve a difícil missão de superar "Pain Remains" (2022), que elevou o grupo a um outro nível dentro do cenário. Se o objetivo foi atingido, fica a critério dos fãs. O que sei é que se trata de um álbum poderoso e intenso.

Will Ramos (vocal), Adam De Micco (guitarra solo), Andrew O'Connor (guitarra, sintetizadores, orquestrações), Michael Yager (baixo) e Austin Archey (bateria) nos trazem a fusão de deathcore com alguns arranjos orquestrados. As guitarras entregam riffs afiados e têm um cuidado maior em criar linhas melódicas que servem de contraponto ao peso da cozinha, que traz base técnica cirúrgica, alternando acelerações insanas com "breakdowns" ritmados que sustentam o clima tenso do álbum. Com relação às orquestrações, os arranjos de teclado se mostram presentes em abundância, funcionando como uma névoa sombria ao fundo de cada faixa, embora em instantes pontuais cheguem a disputar espaço com as guitarras.

O álbum abre com "Prison of Flesh", e de cara mostra o que o LORNA SHORE faz de melhor: um caos musical extremamente técnico com camadas densas, criando uma atmosfera sombria, quase opressiva, o que se mantém durante a execução de todo o álbum. Na sequência, com seus mais de 8 minutos, "Oblivion" traz uma grande variação de ritmos, quebradeiras e insanidade, e mostra a capacidade da banda em criar climas diferentes dentro de uma composição longa sem se tornar maçante. Já "In Darkness" aposta em um andamento mais cadenciado, mas ganha velocidade e camadas de teclado que transformam sua execução. "Unbreakable", também lançada como single (assim como "Oblivion"), é outro momento que as camadas de teclado ganham destaque, mesmo que o peso das guitarras perdurem durante o andamento caótico da composição. Por sua vez "Gleenwood" tem um toque bastante pessoal, pois fala do afastamento do vocalista Will Ramos de seu pai, e que segundo ele próprio, espera alcançar outras pessoas em situação semelhante. Carregada de uma carga emocional muito forte, a velocidade imposta aqui, transforma a faixa em um dos destaques do trabalho.

"Lionheart" retoma a atmosfera caótica, referendada pelos vocais urgentes e desesperados de Will, que se mostra um ótimo vocalista dentro da proposta musical do quinteto. Os teclados, mais uma vez, se mostram de forma imperativa, trazendo nuances quase psicóticas à composição. Sinos e corais iniciam "Death Can Take Me" traz os elementos do deathcore, quais sejam, guitarras insanas, velocidade da luz e vocais urrados quase desconexos. Ou seja, perfeita para os amantes do estilo! "War Machine" (nada a ver com a música do KISS), mantém a mesma linha, assim como " A Nameless Hymn". Já o encerramento vem com "Forevermore", com quase dez minutos, que sintetiza a jornada emocional e sonora do álbum. A faixa acumula camadas de teclados e arranjos de cordas sobre bateria veloz e caótica, criando um clima totalmente dramático. A transição para o trecho final traz uma sequência de desacelerações rítmicas e linhas vocais sem efeitos, terminando o disco em um estado de exaustão sonora e temática.

I FEEL THE EVERBLACK FESTERING WITHIN ME vai agradar os fãs da banda e do estilo. Se a missão era superar seu trabalho anterior, o LORNA SHORE fez aquilo que deveria: não ter medo de arriscar e agregar ainda mais insanidade à sua música. Não virei fã e nem irei comprar o disco. Mas recomendo aos amantes desse estilo pois a banda traz honestidade e personalidade naquilo que faz. E isso, seja o estilo que for, faz muita diferença.

Sergiomar Menezes




quinta-feira, 20 de agosto de 2026

HEADSPAWN - SAMSARA (EP) (2026)


 

HEADSPAWN
SAMSARA
Independente - Nacional

Poucas vezes a definição de power trio foram tão literais como no caso dos paraibanos do HEADSPAWN. A sonoridade criada pelo grupo é de um peso e potência que parece que os alto-falantes não vão aguentar! Formada em 2019, a banda nos traz seu mais novo trabalho, o EP SAMSARA, uma pequena mudança de direcionamento, muito mais pela velocidade do que pela qualidade, que diga-se de passagem, se não está mais compacta, mantêm-se no mesmo nível anterior. Guitarras densas e intensas, flertando ora com o doom, ora com o sludge, mas acima de tudo, mantendo o peso do heavy metal. Se em "Parasites", seu trabalho anterior, o grupo buscava a agressividade trazendo consigo melodias marcantes e uma forte carga emocional, neste seu mais novo EP, o trio optou por manter essas características mas adicionou elementos mais obscuros e introspectivos, nos proporcionando um trabalho que além de qualidade, nos entrega sentimento e energia.

Alf Cantalice (vocal/guitarra), J.P. Cordeiro (baixo) e Marconi Jr (bateria), contaram com a produção, mixagem e masterização de Victor Hugo Targino (Cangaço, Omago, Forahneo) e nos trazem 5 faixas onde as guitarras dão o norte de um trabalho coeso e muito bem estruturado. Com novas referências em sua sonoridade, o trio não esqueceu de seu passado, mas soube agregar novos elementos e deixar sua música ainda mais densa e cheio de energia. No EP, podemos ouvir referências à Black Sabbath, Pantera, Alice in Chains, Machine Head, mas sem que a identidade do grupo sofra algum tipo de arranhão. 

E isso já fico exposto de forma direta na abertura com "Dura Mater". Com um instrumental forte, a faixa se prolonga de forma intensa, com a guitarra de Alf guiando a linha da composição, mas deixando um espaço generoso para que J.P. Cordeiro e Marcono Jr entreguem o peso necessário à estrutura da faixa. De leve, mas de leve, percebe uma pequena passagem de música brasileira, mais especificamente nordestina, em algumas passagens. A letra narra a concepção biológica, desde o encontro dos gametas até o surgimento da consciência, ressaltando o conceito do EP. "Creature" vem na sequência e, sem dúvida, deixará o mestre Tony Iommi orgulhoso! Riff arrastado, peso e uma melancolia que se estendem pela faixa com uma performance carrega de sentimento por parte de Alf. Na opinião desde que vos escreve, o grande destaque do trabalho! . A letra descreve um personagem abandonado não apenas pelos pais, mas também por uma sociedade hostil e por Deus. Já "Hive of Ghouls", possuiu uma atmosfera mais "alternativa", se assim podemos dizer. Com uma pegada próxima do Pantera, mas mantendo as nuances do doom e sludge, o peso (sei que estou soando repetitivo, mas é importante que se destaque) dita as regras. Sua letra é uma reflexão da desumanização. "Martyrdoom" começa de forma mais suave e fala sobre como a sociedade, por vezes, fica do lado de opressor, mais especificamente, no caso de feminicídio, um dos maiores problemas do Brasil nos dias atuais. Parabéns a banda pela abordagem séria e forte. Por fim, "Sleep", traz as reflexões do personagem central, analisando que deixou de viver o que gostaria, onde a dor acabou por retirar sua alegria de viver. Mais introspectiva, a faixa encerra de forma firme e intenso o trabalho.

SAMSARA é um trabalho que vem para reafirmar a posição do HEADSPAWN como um dos destaques do cenário nacional dentro do seu estilo. Um trabalho intenso, coeso e cheio de sentimento que mostra um grupo preocupado não apenas com a música, mas com todo o conceito de um trabalho. Numa "cena" tão competitiva e por vezes desonesta, isso faz diferença. E uma BAITA diferença!

Sergiomar Menezes

Foto: Renata Luna




quarta-feira, 19 de agosto de 2026

HIBRIA - ON THE SHORTNESS OF LIFE (2026)

 



HIBRIA
ON THE SHORTNESS OF LIFE
Marquee Avalon - Importado

Ao celebrar 30 anos de história, o HIBRIA comemora essa data de forma sincera e direta, lançando seu novo trabalho: ON THE SHORTNESS OF LIFE. O lançamento chega em um momento crucial da discografia da banda, após trocas de formação e até mesmo de direcionamento. Se os mais recentes álbuns trouxeram experimentações e um lado mais voltado para o groove, ("Moving Ground" e "Me7amorphosis"), o grupo entendeu que apesar da sua identidade permanecer intacta, uma correção de rota se fez necessária.  Mais do que resgatar o passado, o álbum consegue aliar a identidade clássica do power/heavy metal técnico da banda a uma maturidade artística impressionante.

Formado por Angelo Parisotto (vocal), Abel Camargo (guitarra, co-fundador e único remanescente da formação original) Velles (guitarra), Benhur Lima (baixo) e William Schuck (bateria), o grupo buscou inspiração em “Sobre a Brevidade da Vida”, de Sêneca, um dos principais representantes do estoicismo, que parte da ideia de que a vida não é curta por natureza, mas frequentemente desperdiçada em distrações, medos, ambições e escolhas que afastam o indivíduo do presente. Para o filósofo, a liberdade está em reconhecer a finitude, concentrar-se naquilo que depende de nossas decisões e viver com consciência, virtude e propósito. Essa carga filosófica dá o tom de uma obra conceitual que foge do piloto automático comum a muitos lançamentos do gênero. Produzido por Renato Osorio (ex-Hibria, Atomic Elephant), o ábum traz a estreia oficial do vocalista Ângelo Parisotto, que entrega uma performance visceral, agressiva e técnica, criando uma identidade própria em vez de apenas imitar o passado. Dividindo o protagonismo, o guitarrista e fundador Abel Camargo comanda as guitarras com riffs intensos e harmonias que remetem à fase áurea do grupo. E aqui cabe um comentário extra: Abel mostra resiliência e persistência, ao enfrentar todas as dificuldades e não desistir, nos trazendo um trabalho técnico, mas acima de tudo, carregado de sentimento.

O álbum com "Undying", uma pedrada heavy/power como só o Hibria sabe fazer. Excelente escolha pra abertura e, na minha opinião, essa deveria ter sido escolhida como video de divulgação, pois traz aquilo que sempre fez parte das características do grupo: guitarras pesadas, baixo e bateria em sintonia e vocal alto mas intenso. Uma faixa tipicamente Hibria. Em seguida "Fire Away", que trata do enfrentamento dos seus próprios demônios, segue uma linha ainda mais agressiva, mostrando a versatilidade de Parisotto, que além de tudo, mostra personalidade ao não buscar apenas repetir o que os vocalistas anteriores fizeram, mas impõe sua identidade com vigor. "Pulse", escolhida como vídeo, é a faixa que ainda guarda semelhança com os trabalhos mais recentes, pois traz traços "modernos" em sua linha de composição. Ainda assim, incorpora peso e melodia em seu andamento. Já "Persist", é aquela faixa veloz e insana, com uma pegada quase thrash em seu andamento. Abel e Velles mostram sintonia e entrosamento, enquanto Parisotto demonstra, mais uma vez, capacidade técnica versátil e enérgica.

"Melting Alive" traz o peso e a melodia lado a lado, com momentos mais tradicionais em sua execução. É possível afirmar que essa seja a faixa "mais Hibria" do trabalho, mais por resgatar passagens do passado da banda do que por se diferenciar do restante do tracklist. "Against the Wall", começa de forma mais intimista, introspectiva, mas recebe uma dose generosa de peso e se transforma em um dos grandes momentos do trabalho. É daqueles momentos que unem o passado e o presente da banda com maestria, pois os toques mais atuais e o metal tradicional se encontram de forma precisa. Peso e intensidade definem "Animus", faixa que antecede "On the Shortness of Life", a faixa-título. Com seus 17 minutos, a composição se divide em 5 capítulos: "Adiaphora", "Prohairesis", "Apatheia", "Ataraxia" e "Eudaimonia". Arranjos ambiciosos, passagens teatrais, peso na medida certa e uma construção lírica densa encerram o álbum testando os limites técnicos da banda e provando que eles não têm medo de arriscar dentro de sua própria essência. Um encerramento que resume a sonoridade da banda: técnica, peso, melodia e sentimento.

ON THE SHORTNESS OF LIFE é um disco maduro, inteligente e revigorante para quem já estava com saudades do verdadeiro som do HIBRIA. O álbum é a prova de que uma banda com 30 anos de história pode olhar para trás para entender quem é, mas sem deixar de caminhar para frente. Este trabalho devolve ao grupo o vigor, a relevância e o respeito técnico que o colocam novamente na prateleira de cima do metal nacional. Lugar, aliás, que sempre foi dela.

Sergiomar Menezes




quinta-feira, 13 de agosto de 2026

MOB RULES - STORIES FROM A VERDANT VALE (EP - 2026)

 


MOB RULES 
STORIES FROM A VERDANT VALE (EP)
ROAR/Reigning Phoenix Music - Importado

STORIES FROM A VERDANT VALE surgiu durante as gravações de "Rise of the Ruler" (2025), lançado pelo grupo MOB RULES. E o EP acaba se tornando uma verdadeira espécie de complemento ao que o sexteto alemão disponibilizou no ano passado. E após sua audição, fica explícito que o trabalho não serve apenas como um complemento ao full lenght, mas tem vida e características próprias. E a versão em vinil, disponibilizada pela ROAR/Reigning Phoenix Music, traz ainda mais cinco faixas gravadas em 2014.

Formada por Klaus Dirks (vocal), Sven Lüdke (guitarra), Florian Dyszbalis (guitarra), Markus Brinkmann (baixo), Jan Christian Halfbrodt (teclados) e Sebastian Schmidt (bateria), a banda tinha como ideia inicial, utilizar algumas composições como material adicional na edição especial do álbum. Entretanto, em vez de recorrer a demos, sobras ou versões alternativas, a banda alemã resolveu fazer algo muito mais interessante: compor músicas novas. O resultado agora ganha vida própria. A produção de Markus Teske merece uma citação especial, pois deixou a sonoridade do EP com a clareza necessária para que cada elemento seja percebido sem retirar da música sua característica pesada. As guitarras permanecem protagonistas e pesadas (dentro do estilo proposto pela banda), mas os teclados não são relegados a um papel meramente decorativo.

Em aproximadamente dezessete minutos, o MOB RULES apresenta cinco músicas que atravessam diferentes atmosferas: a introdução narrativa de “Savage Land Reprise”, que remete diretamente a "Savage Land", trabalho lançado pelo grupo em 1999, a agressividade direta de “Master Of The Black Crow”,  curta, agressiva e objetiva,  a teatralidade de “Masquerade Ball”, com suas guitarras melódicas, teclados acrescentando profundidade e uma cozinha que mantém tudo pesado sem transformar a música em um exercício de velocidade,“Above The Maelstrom”, uma balada melancólica e atmosférica e a força de “Balance Of Power”, onde as guitarras de Sven Lüdke e Florian Dyszbalis fornecem o peso, os teclados de Halfbrodt acrescentam dimensão atmosférica e Sebastian Schmidt mantém a música numa pegada intensa. 

Já a versão em vinil reúne reúne cinco gravações originalmente associadas ao material de 2014: “Celebration Day”, com Bernhard Weiß; “Insurgeria”, com Udo Dirkschneider; “Coast To Coast”, com Chity Somapala; “End Of All Days”, com Amanda Somerville; e “Broken”. Essas gravações ajudam a estabelecer uma ponte entre diferentes períodos da trajetória do sexteto.

STORIES FROM A VERDANT VALE nasceu como material complementar. Mas graças ao empenho e capacidade criativa dos alemães, acabou virando mais um capítulo na trajetória do MOB RULES.

Sergiomar Menezes






SINNER - BOOM BANG GOODBYE (2026)

 


SINNER
BOOM BANG GOODBYE
Reigning Phoenix Music - Importado

Existem discos que chegam ao mundo para dar início a alguma coisa. Outros chegam para provar que uma banda ainda tem muito a dizer. E existem aqueles que carregam sobre os ombros uma tarefa muito mais difícil: dizer adeus. BOOM BANG GOODBYE, o mais recente trabalho do SINNER, lançado lá fora pela Reigning Phoenix Music, pertence a essa última categoria. E diferentemente de outras audições, existe uma história inteira escondida atrás dessas onze faixas. Mat Sinner, o mastermind por trás da "banda", construiu sua trajetória desde o início dos anos 1980, atravessando décadas, mudanças de formação, tendências, crises da indústria e transformações profundas no heavy metal. Agora, ao colocar um ponto final nessa história, o baixista e produtor poderia ter reciclado velhas fórmulas, chamado meia dúzia de amigos e encerrado a carreira de maneira protocolar. Felizmente, não foi isso que aconteceu. Seu último trabalho soa como uma despedida feita por alguém que ainda ama profundamente aquilo que está deixando para trás.

Para este encerramento de carreira, Mat Sinner mais uma vez reuniu um elenco de companheiros de longa data e músicos excepcionais. Alex Scholpp (guitarra), Mathias “Don” Dieth (guitarra, retornando ao SINNER)  e Moritz Müller (bateria) são a base do álbum, acompanhados por Jim Müller (KISSIN’ DYNAMITE), Lisa Müller e Magnus Karlsson, que trabalhacom Mat Sinner há muitos anos. Nos vocais, o álbum também traz um encontro de grandes vozes. Ronnie Romero, Michael Bormann, Michael Sadler (Saga), Björn “Speed” Strid (Soilwork), Erik Mårtensson (Eclipse), Renan Zonta (Electric Mob) e Sascha Krebs trazem sua própria identidade às músicas, tornando o álbum uma despedida digna e cheia de performances vocais cheias de sentimento e técnica.

O álbum abre com "Dreams Come True",  e a escolha de Renan Zonta nos vocais foi excelente. Sua voz traz potência, personalidade e uma energia que impede a música de cair naquela mesmice que muitos vocalistas acabam por se deixar levar. Existe emoção e força em seus vocais. O título parece quase uma mensagem que Mat Sinner poderia estar dirigindo ao próprio passado: sonhos podem se realizar, desde que alguém esteja disposto a persegui-los durante décadas. A faixa traz melodia, peso e uma dose generosa de otimismo. “Wait”, cantada por Michael Bormann, é uma música que mergulha mais profundamente no hard rock melódico e apresenta uma estrutura extremamente acessível, mas sem cair na repetição desnecessária. É uma das faixas que imediatamente faz pensar no grande hard rock melódico europeu dos anos 1980, mas com produção contemporânea. Já em “Leave It All Behind”, o SINNER reduz um pouco a velocidade e aposta em uma atmosfera mais reflexiva. E a voz de Ronnie Romero (que aparece em mais duas faixas) se encaixa perfeitamente na proposta apresentada. “All Night Long” traz o hard rock de estrada: guitarras abertas, groove contagiante e refrão feito para ser cantado em coro. Ronnie Romero novamente demonstra por que se tornou uma das vozes mais requisitadas do hard rock e do heavy metal contemporâneo. “Are You Ready” aproxima o hard rock melódico da sensibilidade mais moderna de  Björn Strid (Soilwork) sem destruir a identidade da composição. E a escolha de Strid mostra que o passado está presente, e músicos de diferentes gerações ajudam a contar essa história.

“Born To Run” traz riffs diretos, melodias fortes e aquele sentimento de que a música foi feita para ser tocada em no volume mais alto possível. Enquanto isso, “Hellbreaker” está entre os momentos mais pesados do álbum e lembra que, apesar de toda a ênfase nas melodias, estamos diante de uma banda cuja história também passa pelo heavy metal. Com Michael Sadler nos vocais, “Turn The Page” ganha uma atmosfera diferente. O vocalista do Saga acrescenta uma dimensão mais sofisticada à música, e o resultado é um dos momentos mais interessantes do álbum. E o próprio título entrega: chegou a hora de virar a página... Michael Bormann retorna e entrega outro dos momentos mais emocionantes do disco. “Road To Remember” se volta ao caminho percorrido. E esse talvez seja um dos pontos em que o trabalho e ultrapassar a condição de simples álbum de hard rock/heavy metal. Porque, em determinado momento, você deixa de pensar apenas em riffs e refrões e começa a pensar na quantidade de anos, palcos, músicos, viagens e histórias que estão por trás daquele som e tudo vivido por Matt Sinner e sua banda. “Under The Moonlight” traz novamente uma atmosfera mais pesada e ajuda a preparar o terreno para o encerramento. É uma música forte e intensa, que mostra como o SINNER consegue alternar entre o hard rock melódico e o heavy metal sem parecer estar mudando de personalidade. O encerramento, não apenas do álbum, mas da carreira da banda vem com "Power". Magnus Karlsson assume os vocais e também participa da composição, e a música funciona como uma espécie de último grito de força. Não é um encerramento melancólico. É quase uma declaração: enquanto houver rock/hard/heavy, a música terá força!

BOOM BANG GOODBYE não é um álbum revolucionário. Muito pelo contrário. É um disco honesto, competente, melódico e carregado de significado, que reúne diferentes gerações do hard rock europeu para acompanhar Mat Sinner em sua despedida. Ele lembra por que o SINNER conseguiu atravessar tantas décadas sem perder sua identidade. Ao término da audição, fica aquela sensação estranha que discos de despedida conseguem provocar: a certeza de que a história acabou — e, ao mesmo tempo, a sensação de que aquelas músicas continuarão tocando muito depois, já que todos nós sabemos que a música é eterna. Obrigado Matt Sinner

Sergiomar Menezes










TESLA - HOMAGE (2026)

 


TESLA
HOMAGE
Frontiers Music Srl. - Importado

Se você tem familiaridade com a carreira do Tesla, sabe que desde o princípio o quinteto originário da cidade californiana de Sacramento se diferenciou dos seus pares do Hard Rock oitentista. Tanto no visual, como na sonoridade, o Tesla se aproximava mais das bandas setentistas que os influenciaram, como Led Zepellin, Ufo e Humble Pie, citando alguns exemplos. E da mesma forma, sempre pagaram tributo às suas influências.

E a gravação de covers sempre fez parte da carreira do Tesla. Já no seu álbum de estreia, “Mechanical Resonance” (1986) um dos maiores hits, “Little Suzie” é canção de uma grupo de “British Pop”, chamado PH.d, enquanto “Signs” que consta no multiplatinado álbum acústico  “Five Man Acoustical Jam” é da banda de Rock canadense Five Man Eletrical Band. Convenhamos que ambas as faixas são lembradas e conhecidas por causa do Tesla.

Em 2007, o Tesla lançou “Real To Reel” volumes 1 e 2, onde a banda repassa covers do Rock e Hard Rock dos anos 1960 e 1970, e Lynyrd Skynyrd, Aerosmith, Ufo, Alice Cooper, todos são revisitados em versões vigorosas de alguns de seus clássicos. Agora em 2026, o grupo retorna a este formato, com “Homage”. A diferença aqui em “Homage” é que o desafio é um pouco diferente, e as versões são focadas em alguns dos melhores vocalistras de todos os tempos, De Freddie Mercury a Etta James, passando por James Brown, e até o Rei do Rock n' Roll, Elvis Presley.

Todas as faixas parecem ter sido escolhidas sob medida para a voz de Jeff Keith, blueseira e cheia de sentimento. “Homage” é repleto de grandes canções, “Spread Your Wings” (Queen), “Ballad Of Curties Loew” (Lynyrd Skynyrd), “If I  Could Dream” (Elvis Presley), "I´d Rather Go Blind“ (Etta James), todas com o enfoque do Tesla, que deixam todas as faixas do álbum com um novo frescor e torna o álbum extremamente agradável de se ouvir. A abertura do álbum é com a faixa “Never Alone”, uma faixa inédita da banda, e é uma puta balada com o selo de qualidade do quinteto. Enfim, o Tesla dá sequência a sua carreira com um ótimo álbum saudando suas influências e nos brindando com mais um trabalho de muito bom gosto.

José Henrique Godoy





quarta-feira, 12 de agosto de 2026

METALLICA - METALLICA 35 ANOS


 

METALLICA (BLACK ALBUM) 35 ANOS - O DISCO QUE  MUDOU MINHA VIDA!

Eu tinha 13 anos quando ouvi o Black Album pela primeira vez. Foi meu pai quem colocou o disco pra tocar em um belo sábado de sol à tarde, e lembro exatamente do momento em que "The Unforgiven" rolou no som, eu parei de jogar videogame e fui até a sala perguntar a ele quem tocava aquela maravilha dos deuses, e então ele me mostrou um cd de capa totalmente preta, onde só se via a silhueta do nome da banda e uma serpente enrolada no canto inferior direito. Não sei explicar direito o que aconteceu comigo naquele momento, só sei que pirei e posso dizer com toda certeza que foi um divisor de águas em minha vida, pois o Fernando de antes do Black Album deixou de existir a partir daquele dia, não tinha mais volta, eu virei um fanático não só pela banda, mas pelo heavy metal em si.

E trinta e cinco anos depois do lançamento desse disco, em 12 de agosto de 1991, eu ainda sinto um pouco daquela sensação toda vez que escuto o disco até hoje.

Só depois, com o tempo, fui entender que essa reação não era exclusividade minha. O Black Album é o disco que rompeu a barreira do próprio gênero e chegou a gente que nunca tinha ouvido uma música pesada na vida. Não é exagero dizer, até porque os números dizem por si só: o disco estreou em primeiro lugar em dez países, ficou quatro semanas seguidas no topo da Billboard 200 nos Estados Unidos, e "Enter Sandman" chegou à 16ª posição da Hot 100, a parada pop mais importante do mundo, numa época em que praticamente nenhuma banda de metal flertava com esse território. Gente que nunca tinha comprado um disco de metal na vida comprou esse. Isso é raro. Isso é histórico.

Tem gente que fala mal desse disco até hoje, que xinga o Bob Rock, que diz que o Metallica vendeu a alma naquele ano pra virar banda de estádio. Eu entendo o argumento, conheço a história, sei que a produção mais limpa e as músicas mais curtas foram uma aposta calculada pra alcançar um público maior depois da tijolada (no bom sentido) que foi ...And Justice for All. Mas sinceramente, esse argumento nunca colou comigo. Porque sem esse disco, sem essa suposta "venda de alma", eu não estaria aqui hoje escrevendo sobre uma das coisas que mais amo na vida. Ele foi meu marco zero.

"The Unforgiven" tem aquele clima de faroeste, uma melancolia pesada que não é fácil de explicar pra quem não é fã do gênero. Acho que foi exatamente essa mistura de peso com um quê de tristeza que me pegou aos 13 anos. Já "Nothing Else Matters" é outra história. Nasceu quase por acidente, com Hetfield falando que era uma música feita para uma namorada na época, achando aquilo pessoal demais pra virar música da banda, até Ulrich ouvir a música e insistir que ela precisava ser gravada no disco e não deu outra, o “Anão” acertou (de novo). Não é à toa que até hoje ela segue sendo regravada e tocada em todo tipo de contexto, décadas depois de ter nascido de uma ligação particular.

Não preciso ficar comentando faixa por faixa aqui, até porque todo mundo já conhece esse disco de cor. Mas não posso deixar de admitir uma coisa: mesmo gostando de tudo sem exceção, e mesmo tendo sido "The Unforgiven" a minha porta de entrada, a melhor música do disco pra mim continua sendo "Wherever I May Roam". E não é pouca coisa dizer isso de um álbum que, de doze faixas, colocou seis como single ao longo de 2 anos de divulgação, contando o lançamento promocional de "Don't Tread on Me". Poucos discos de heavy metal conseguiram esse tipo de proporção entre faixa e hit.

E não é só questão de saudosismo, ou de eu ter ouvido isso aos 13 anos com os olhos brilhando. Pra mim, até hoje, é o disco mais bem produzido da história do heavy metal. Bob Rock levou o Metallica pra um patamar de produção que nenhuma banda do gênero tinha alcançado até então: guitarras enormes, mas ainda assim limpas, uma bateria que soa gigante sem perder o peso, arranjos que respiram, como a base de cordas discreta em "Nothing Else Matters" ou o clima quase cinematográfico de "The Unforgiven". Isso sem falar da composição, muito mais madura e econômica que qualquer coisa que a banda tinha feito antes. Não é à toa que até hoje engenheiros de som, produtores e bandas de heavy metal e hard rock citam esse disco como referência técnica, não só de som, mas de como compor e arranjar uma música pesada pra ela funcionar em qualquer contexto.

A partir dali, virei fanático. Corri atrás de tudo que existia de Metallica, descobri "Kill 'Em All", "Ride the Lightning", "Master of Puppets", e de lá fui pra Slayer, Exodus, Iron Maiden, Judas Priest, Black Sabbath, etc. O Black Album não foi só um disco bom que eu ouvi quando era moleque. Foi a porta de entrada pra tudo que eu sou hoje como fã e como alguém que escreve sobre heavy metal.

Trinta e cinco anos depois, o disco ainda segue batendo recordes. Em maio de 2025 a RIAA certificou o Black Album como Double Diamond, mais de 20 milhões de cópias vendidas só nos Estados Unidos, o primeiro álbum de heavy metal da história a chegar nessa marca. Segue sendo, até hoje, o marco zero de gente que nem tinha nascido quando ele saiu. E o Metallica sabe disso, pois em pleno M72 World Tour, as músicas do disco ainda continuam com presença garantida no repertório, show atrás de show. E assim será eternamente, até o dia em que a banda se aposentar.

Talvez essa seja a explicação mais simples do porquê esse disco importa tanto. Não é sobre thrash raiz contra Metallica "vendido". É sobre quanta gente, como eu, teve o próprio marco zero através dele. Trinta e cinco anos depois, Black Album ainda me faz sentir do mesmo jeito que aquele moleque de 13 anos ouvindo o pai colocar o disco pra tocar.

Long Live MetallicA!

Fernando Aguiar

terça-feira, 11 de agosto de 2026

NAZARETH - LATIN AMERICA HITS TOUR - 26/07/2026 - BAR OPINIÃO - PORTO ALEGRE/RS

 


NAZARETH
Abertura: PHORNAX
LATIN AMERICA HITS TOUR
26/07/2026
BAR OPINIÃO
PORTO ALEGRE/RS
Produção: Opinião Produtora/Top Link Music

Texto e fotos: José Henrique Godoy

Nazareth não é banda que só se escuta em fuscas”... Eu li esta frase, ao mesmo tempo pitoresca, confusa e meio sem sentido, naquele site que era o maior portal de noticias sobre Rock e Metal, há uns vinte anos... Lembro que na ocasião eu ri bastante ao ler a tal sentença, mas depois refleti sobre ela: Era um fã tresloucado defendendo a seminal banda escocesa da “acusação” de serem “bregas” pela quantidade de baladas constantes nas sua discografia, ou algo que o valha... Nada contra fuscas, pois ainda quero ter um, mas depois de pensar a frase fazia sentido, e era justa. O Nazareth é, foi e sempre será uma puta banda de HARD ROCK/ROCK N' ROLL!!!

Resolvi fazer essa introdução, pois toda a vez que penso no Nazareth, essa frase me vem a cabeça. Mas vamos ao que interessa, e relatar sobre esta nova visita dos escoceses ao Brasil, banda que tem muito carinho por eles, e vice-versa, tendo em vista a quantidade de tours que eles fizeram por aqui ao longo das décadas. Desta vez, com um novo vocalista: o suiço Gianni Pontillo. E aqui era o foco principal da atenção de todos os fãs: seria capaz o “cara novo” substituir minimamente o insubstituível Dan McCafferty?

A abertura da noite ficou com a banda gaúcha Phornax, que entrou no palco as 19h55 e entregou um show vigoroso e forte, com seu Power/Heavy Metal que vem se destacando no cenário nacional. O Phornax foi responsável por todos os shows de abertura da Tour do Nazareth no Brasil. Após 40 minutos, a banda se despede e agradece a ótima recepção do excelente público que tomava quase a totalidade dos espaços do Opinião.


Às 21h10, as luzes se apagam, e a intro com sons de gaitas de fole tradicionais da Escócia são ouvidas. Aos poucos os integrantes adentram o palco com a clássica faixa de abertura dos shows do Nazareth, na maioria das suas tours de 1976 para cá: “Telegram” inicia o espetáculo. Do lado esquerdo do palco, Pete Agnew, o baixista e único membro original, com seu baixo poderoso, óculos escuros e um sorriso que permaneceu no seu rosto do primeiro ao último acorde. Ao lado direito, Jimmy Murrison, o guitarrista do Nazareth desde 1994, e a sua postura “rocker-até-o-talo” . Ao fundo Lee Agnew, o baterista e filho de Pete, firme, pesado e seguro, dando a cadência do Nazareth. E lembram do cara novo, o tal Gianni? Pois bem, se havia dúvidas se ele era capaz de liderar a voz do Nazareth, após alguns minutos a dúvida se transformou em certeza absoluta.

O grande Dan McCafferty deixou o Nazareth em 2013, por motivos de saúde e ele foi substituído por Carl Sentance, até 2025. Carl era um bom vocalista, gravou discos e fez várias tours, porém sempre quis deixar a sua marca própria na banda. Já Gianni parece não querer nada além de manter o legado de Dan intacto e trazer o velho espírito do Nazareth de volta. E conseguiu!




O som estava perfeito, se ouvia perfeitamente todos os instrumentos, todos os clássicos foram executados com suprema perfeição: “Miss Misery”, “Razamanaz”, “Dream On”, “Holyday”, ”Changin Times”, do mais que clássico “Hair Of The Dog” (este álbum teve cinco faixas executadas, no total de dezessete, é verdadeiramente a Obra-Prima do Naz) teve uma versão extendida, onde Jimmy exibiu toda a sua técnica e habilidade com a guitarra. Sim, “Hair Of The Dog” e “Love Hurts” foram executadas e cantadas a plenos pulmões por todo Opinião, comandado por Gianni, que além de excelente vocalista, é um ótimo frontman. Inacreditável pensar que ele está na banda há apenas cinco meses.

Após noventa minutos, o Nazareth encerra seu excelente show com “Go Down Fighting”, do também clássico álbum de 1973, "Loud n' Proud". Uma sensação incrível ver o sorriso e as caras felizes de todos saindo do Opinião, fossem eles senhores na casa dos setenta anos, ou a garotada nova que vai atrás pesquisar sobre os grandes do Rock e ainda tem a sorte de poder ver alguns deles na ativa, como o Nazareth. Lembram da frase que abri esse texto? Ela é correta, mas eu me permito ajustá-la: “Nazareth não é banda só para se ouvir em fuscas. É pra se ouvir em qualquer lugar, pois sua obra é eterna!” Longa vida ao Nazareth, e que retornem ano que vem, como prometeram!





segunda-feira, 10 de agosto de 2026

RATT - DANCING UNDERCOVER 40 ANOS


 

OS 40 ANOS DE "DANCING UNDERCOVER", O CLÁSSICO SUBESTIMADO DO RATT


Lançado em agosto de 1986, Dancing Undercover, o terceiro álbum de estúdio do Ratt, chegou às prateleiras em um momento em que o glam metal e o hard rock viviam sua era de ouro. Naquele ano, nomes como Bon Jovi (Slippery When Wet), Europe (The Final Countdown) e Poison (Look What the Cat Dragged In) disputavam o topo das paradas e a veiculação direta de seus clipes na MTV.

Seguir o sucesso colossal de "Out of the Cellar" (1984) e "Invasion of Your Privacy" (1985) — ambos venderam milhões e foram alguns dos pilares estéticos do movimento de Los Angeles, e se pararmos pra pensar, lançados de forma regular — não era uma tarefa simples. O Ratt estava no olho do furacão, sob pressão extrema da gravadora Atlantic Records e de seu management para repetir a dose de hits instantâneos como "Round and Round" e "You Think You're Tough".

Quatro décadas após sua chegada, Dancing Undercover ressurge não apenas como um retrato fiel da Sunset Strip nos anos 80, mas como um trabalho fascinante de transição: um disco que trocou parte do apelo comercial óbvio por uma abordagem mais rítmica, crua e melancólica, consolidando-se como um dos tesouros mais injustiçados da discografia da banda.


Para a gravação do álbum, que ocorreu nos lendários estúdios Village Recorders, em Los Angeles, o Ratt manteve a fórmula vencedora ao lado do produtor Beau Hill. No entanto, os bastidores escondiam turbulências.

Conforme relatado posteriormente pelo baterista Bobby Blotzer, a banda foi jogada no estúdio sob forte pressão contratual e de agenda antes mesmo de o material estar totalmente lapidado. Havia depósitos financeiros não reembolsáveis em estúdios caríssimos, o que obrigou o quinteto — formado por Stephen Pearcy (vocais), Robbin Crosby (guitarra), Warren DeMartini (guitarra), Juan Croucier (baixo) e Bobby Blotzer (bateria) — a compor e arranjar sob o cronômetro.

Ironicamente, essa urgência e tensão criativa forçaram o grupo a explorar novos caminhos. Enquanto os dois primeiros álbuns focavam em refrãos explosivos e riffs diretos, "Dancing Undercover" revelou um foco maior na melodia e "seriedade". A cozinha formada por Blotzer e Croucier ganhou um destaque impressionante, injetando um balanço quase "dançante" (daí o irônico título do álbum) à base pesada de guitarras.

O álbum abre com "Dance", escolhida como o primeiro single e cartão de visitas da era. Com um riff marcante de DeMartini e Crosby e um videoclipe de forte presença na MTV (que garantiu aparições até na cultuada série Miami Vice), a faixa estabelece o tom rítmico do disco. Ela não tem a audácia imediata de "Round and Round", mas compensa com um refrão astuto e uma batida contagiante.

Em seguida, "One Good Lover" e "Drive Me Crazy" mantêm a energia alta. A primeira destaca a assinatura vocal rouca e arrastada de Stephen Pearcy, enquanto a segunda acelera o tempo, mostrando a habilidade de Blotzer na bateria e solos cortantes que lembram o melhor do heavy metal tradicional fundido à atitude de rua de Hollywood. Nunca é demais lembrar que uma das principais influências do quinteto era o Judas Priest...

Um dos pontos altos do disco é "Slip of the Lip", uma faixa cheia de malícia que exibe a perfeita simbiose entre as guitarras gêmeas de DeMartini e Crosby — uma dinâmica que rivalizava diretamente com a de duplas lendárias do rock. Logo depois vem "Body Talk", uma das músicas mais pesadas e viscerais gravadas pelo Ratt, escolhida para a trilha sonora do filme "The Golden Child", no Brasil, " O Rapto do Menino Dourado", (1986), estrelado por Eddie Murphy.

Já a segunda metade do álbum mergulha em cortes profundos que os fãs mais dedicados consideram o verdadeiro coração do disco: "Looking for Love" e "7th Avenue" trazem uma atmosfera urbana e noturna, onde a técnica refinada de Warren DeMartini nos solos ganha espaço de destaque sem perder a pegada pop. "It Doesn't Matter" e "Take a Chance" mantêm a consistência da parceria de composições entre Croucier, Pearcy e DeMartini. O encerramento fica por conta de "Enough Is Enough", fechando o alinhamento de 34 minutos de duração com uma descarga direta de hard rock.


Uma curiosidade interessante sobre "Dancing Undercover" é a ausência intencional de uma power ballad tradicional. Na metade dos anos 80, o mercado era fortemente impulsionado por baladas que tocavam nas rádios FM e atraíam o público geral (como "Home Sweet Home" do Mötley Crüe ou "Alone" do Heart). O Ratt havia flutuado com baladas melancólicas antes, mas optou por manter "Dancing Undercover" inteiramente calcado em faixas de andamento médio e rápido, com foco na eletricidade do "rock street".

Essa decisão artística, somada a um leve cansaço do público com o excesso de bandas similares no mercado em 1986, fez com que o álbum não alcançasse os mesmos patamares estratosféricos de vendas imediatas de seus antecessores. Embora tenha estreado bem, alcançado o Top 30 da Billboard 200 e garantido mais um disco de Platina pela RIAA, representou o primeiro sinal de estabilização comercial para o grupo.

Outro ponto curioso e interessante de "Dancing Undercover" é sua capa. Na foto, os integrantes estão separados por linhas brancas. A vida inteira eu sempre vi isso como realmente linhas. No entanto, meu amigo Tarcísio Chagas me atentou para o simples fato de que as tais linhas, seriam carreiras de cocaína, numa clara alusão ao que acontecia internamente com o grupo.

Com o passar das décadas, a percepção sobre Dancing Undercover mudou drasticamente entre críticos e entusiastas do gênero. Se na época alguns torceram o nariz por achá-lo linear, hoje ele é frequentemente reavaliado como o álbum mais coeso e tecnicamente afiado do Ratt.

Envolvidos por uma produção cristalina típica da época, os arranjos de guitarra de Robbin Crosby e Warren DeMartini soam impecáveis, servindo de referência e influência para guitarristas de hard rock. Além disso, a sonoridade do álbum evitou cair na pieguice que arruinou comercialmente muitas bandas do gênero no final daquela década.

Completar 40 anos é celebrar a resiliência de um momento em que o Ratt, mesmo sob intensa pressão da indústria, recusou-se a soar genérico e entregou um disco intenso, cheio de atitude e eletricidade. Dancing Undercover permanece eternizado como um monumento à era de ouro de Los Angeles — um clássico atemporal que continua a convidar o ouvinte para a atmosfera, por vezes, sombria e magnética do hard  oitentista.

Sergiomar Menezes