sexta-feira, 21 de outubro de 2016

GAMMA RAY - SIGH NO MORE - ANNIVERSARY EDITION (2015)


                 
              E a série de relançamentos de aniversários do GAMMA RAY chega agora ao seu segundo álbum. Originalmente lançado em 1991, SIGH NO MORE ganha, nessa reedição, que chega por aqui através da Shinigami Records,  o mesmo que vem acontecendo nos outros álbuns dessa série. Além da remasterização, um belo encarte com fotos, depoimentos e um cd bônus que fazem valer o investimento. E mesmo que não houvessem esses "detalhes", o álbum por si só, já valeria, pois o que temos aqui é uma banda fugindo dos padrões do melódico e buscando inspiração em uma das maiores influências do mestre Kai Hansen, o Judas Priest.

             Formada na época de seu lançamento por Ralph Scheepers (vocal), Kai Hansen (guitarra), Dirk Schlächter (guitarra), Uwe Wessel (baixo) e Uli Kusch (bateria), o Gamma Ray trazia em line up músicos de extrema categoria. Algo que sempre se manteve constante na carreira do grupo. Dessa forma, toda a genialidade de Kai Hansen podia ( e ainda pode) ser colocada em prática sem problemas. A produção do trabalho ficou sob a responsabilidade de Tommy Newton, mas para essa reedição, o álbum foi "requintadamente" remasterizado por Eike Freese, que vem se encarregando de todos os volumes dessa série e que deixa tudo ainda melhor.

                Changes abre o cd de forma pouco convencional, pois normalmente, cds de metal melódico iniciam com faixas rápidas, mas aqui, o negócio mudou de figura. Mais cadenciada e bem pesada, a faixa mostra um grupo disposto a inovar sem medo. E as guitarras da dupla Kai e Dirk se destacam. Rich and Famous traz uma mistura entre o metal mais tradicional e o melódico, algo que o grupo sempre fez com maestria. Ralph Scheepers é um excelente vocalista e isso comprova-se aqui. Em As Time Goes By o grupo mostra uma faixa rápida, melódica, intensa e com um refrão típicos da banda. E Scheepers se destaca pela interpretação cheia de felling. (We Won't) Stop The War é uma faixa um pouco diferente. Pesada, com uma linha mais moderna e que foge bem da estrutura de composição do grupo. Uma faixa mais introspectiva é o que temos em Father And Son. Totalmente diferente do que se apresenta em One With The World. Também com uma pegada "moderna", mas mantendo o peso do metal alemão, a faixa é um dos destaques do trabalho. Kai HAnsen e Dirk Schlächter formavam uma bela dupla de guitarristas.

             Start Running tem uma levada mais power metal, com linhas que se tornariam características marcantes para a banda. Countdown se difere um pouco, pois apresenta uma influência de hard rock e que mostram a criatividade e versatilidade de Hansen. E não é novidade pra ninguém o músico sempre foi fã desse estilo. Na seqüência, uma as grandes composições da carreira do grupo. Dream Healer, onde a veia do metal tradicional se faz presente de forma latente. Basta ouvir com atenção os riffs, melodias e peso das guitarras e você entenderá o que quero dizer. The Spirit, melódica e que também traz algo de tradicional e encerra o track list regular. Temos ainda, duas faixas bônus ao vivo, A primeira é Sail On, que havia sido lançada como bônus apenas no lançamento japonês e também a faixa Changes.

          O cd que vem como bônus é um presente aos fãs do grupo. Desde faixas bônus, versões demo, versões alternativas e faixas ao vivo, o cd é muito mais do que apenas um "extra", e como dito lá no começo, valoriza ainda mais esse relançamento.

               SIGH NO MORE trouxe um GAMMA RAY que estava disposto a não ser apenas mais uma banda de metal melódico de um ex-integrante do Helloween. O álbum mostrou uma banda com identidade e que queria consolidar seu nome seu se prender ao passado. E hoje, passados 25 anos de seu lançamento, podemos afirmar que o objetivo foi atingido.

           

                


             Sergiomar Menezes

quarta-feira, 19 de outubro de 2016

MELANIE KLAIN - ANÁLISE DO CAOS (2016)



                   A banda MELANIE KLAIN, formada em 2007, chega ao seu primeiro trabalho. Pesado, intenso e com uma pegada bem atual, o grupo de Mococa (SP), traz em sua sonoridade uma vasta gama de influências. Numa primeira audição, percebemos que a banda não se prende a nenhum tipo de rótulo ou estereótipo, o que lhes garante credibilidade e personalidade. Thrash, New Metal, Groove, Metal tradicional e muito mais é o que encontramos em ANÁLISE DO CAOS, lançado de forma independente e que nos mostra que o quinteto procura em suas letras, passar toda a indignação com a atual situação pela que passamos. E não poderia ser diferente. Um país como o Brasil serve de inspiração para esse tipo de temática, não é mesmo?

                Formada por Duzinho (vocal), Violla (guitarra), Chapolim (guitarra/vocal), Vic Escudero (baixista) e Pedro Bertti (bateria), a banda traz em sua estréia 12 faixas que deixam nítidas as influências do grupo. Podemos ouvir ecos de System of a Down, Slayer, Slipknot, Korn, Sepultura, entre outros. E essa salada deu ao grupo uma cara própria, algo raro nos dias de hoje. O álbum foi gravado no Sete Studio em Guaxupé (MG) e foi produzido pela própria banda em conjunto com Fábio Dias. E o resultado ficou de acordo com a proposta, pois a sujeira das guitarras dão aquele peso extra ás composições. A capa, que reflete bem uma situação diária das grandes ( e por que não dizer, das pequenas também) cidades brasileiras e foi um trabalho de Carol Melo Navarro. 

              A Intro (Desrespeitável Público) faz uma rápida "análise do caos" e nos prepara para a paulada Abençoados por Deus. Pesada, carregada de intensidade e com uma pegada bem atual, a faixa mostra a criatividade do grupo, trazendo um pouco daquilo que System of a Down trouxe para o Metal. O vocal de Duzinho aqui nos remete ao de Serj Tankian, mas é mais agressivo. As guitarras trazem uma sujeira explícita, enquanto a cozinha composta por Vic e Pedro Bertti (baixo e bateria, respectivamente), se encarrega de caprichar no peso. Diálogo traz uma interessante divisão nos vocais entre Duzinho e Chapolim, o que dá uma mostra da versatilidade do grupo na hora de estruturar suas composições. Fé Cega, com uma letra forte, é mais cadenciada e traz a veia mais metal tradicional do grupo, mesmo com passagens mais introspectivas. Guerra possui riffs diretos, cortesia dos guitarristas Chapolim e Violla, que mostram afinidade e entrosamento. Uma coisa que é comum nas músicas do grupo é que ao lado de passagens pesadas e mais rápidas, sempre há momentos mais amenos, por vezes até mesmo sombrios, o que cria um clima denso. Marcas do Abandono é uma prova disso. A faixa é guiada por linha praticamente acústica e ganha peso  do meio pro fim.

                  Lavagem Cerebral tem na bateria seu destaque. Bem trabalhada, a faixa também tem um ótimo trabalho de guitarras, que não deixa dúvidas sobre a qualidade técnica dos músicos do grupo. Peso, velocidade e uma dose extra de agressividade fazem desta, um dos destaques do álbum. Já Cartas de um Suicida traz uma letra, de certa forma triste, expondo a realidade do pensamento de quem pretende tomar este tipo de atitude e que escancara um problema que é bastante comum mas que não é levado muito á sério pela maioria das pessoas. Cólera/Nação tem um clima intimista e me fez lembrar um pouco das bandas de "rock alternativo" do início dos anos 90. Rede Social é uma faixa que, sem medo de dizer, poderia estar em qualquer disco do SOAD, pois as linhas adotadas pela banda aqui tem todas as características do quarteto comandado por Serj Tankian e Daron Malakian. E uma das frases da ácida letra é sensacional: Me adicione e confie em mim! A faixa título é bem direta e possui algo de hardcore em sua estrutura. O encerramento vem com Reflexão, uma espécie de Outro que dá um fechamento bacana ao trabalho.

          Neste seu primeiro trabalho, o quinteto MELANIE KLAIN mostra personalidade e composições fortes, cheias de variações e muito peso. ANÁLISE DO CAOS tem tudo para estabelecer o nome do grupo no disputado cenário do metal nacional, pois traz uma banda que sabe o que quer e busca isso de forma correta. Sem se prender á rótulos, o grupo deve trilhar um caminho onde o reconhecimento virá de forma certeira!





                  
                  
                    Sergiomar Menezes


sexta-feira, 14 de outubro de 2016

GAMMA RAY - HEADING FOR THE EAST ANNIVERSARY EDITION (2015)



                  E a série de relançamentos do GAMMA RAY chega agora á mais um trabalho ao vivo. Agora é a vez de HEADING FOR THE EAST, originalmente lançado apenas em VHS e DVD e que chega por aqui através de mais uma grande iniciativa da Shinigami Records. E como todo trabalho dessa categoria, temos não apenas um resgate histórico, mas também uma chance de quem não teve a oportunidade de assistir a essa apresentação no formato original, poder agora ouvi-la e de certa forma, com uma sonoridade melhor.

                   Na época de seu lançamento, a formação do Gamma Ray era um verdadeiro Dream Team do Power Metal. Ralph Scheepers (vocal), Kai Hansen (guitarra e vocal), Dirk Schlächter (guitarra), Uwe Wessel (baixo) e Uli Kusch (bateria). É u não um time espetacular? Divulgando á epoca o lançamento de Heading For Tomorrow, o show foi gravado em Tóquio em novembro de 1990 e aqui recebeu uma excelente remasterização, que como nos trabalhos anteriores dessa série de relançamentos, ficou sob a responsabilidade de Eike Freese. 

                 Duplo, o álbum traz um repertório que dá maio ênfase ao já citado Heading For Tomorrow. Com isso músicas como Lust For Life, Heaven Can Wait, Space Eater, Free Time, The Silence, Hold Your Ground, Money e Heading For Tomorrow ganham a companhia de clássicos imortais do Helloween, como Save Us, Ride The Sky e I Want Out. Ou seja, uma verdadeira aula de heavy/power metal. Não fosse o excelente repertório, o encarte do trabalho é muito bem feito. Fotos da época, informações detalhadas e tudo aquilo que esse tipo de relançamento deve ter. O que não é nenhuma novidade, tendo em vista o que já foi relançado neste formato.

             HEADING FOR TOMORROW é um trabalho essencial para todo fã, não apenas do GAMMA RAY, mas para todo fã de heavy metal. Uma banda afiada, um público na mão e um faixas espetaculares. Resumindo tudo isso em uma única palavra: ESSENCIAL!



  

                      
                    Sergiomar Menezes

segunda-feira, 10 de outubro de 2016

NAILS - YOU WILL NEVER BE ONE OF US (2016)



                O trio norte-americano NAILS chega ao seu terceiro álbum, intitulado YOU WILL NEVER BE ONE OF US de forma destruidora! Que porrada! Praticando um som extremamente violento e brutal, o grupo despeja doses cavalares de peso e agressividade num grindcore cheio de personalidade e que incorpora elementos de hardcore e death metal em sua sonoridade. Lançado por aqui pela parceria Shinigami Records/Nuclear Blast, o trabalho vem como um soco seco e direto na boca do estômago, em dez faixas diretas e sem concessões.  

                  O grupo é formado por Todd Jones (vocal e guitarra), John Gianelli (baixo) e Taylor Young (bateria) e foi formado em 2009. Nesse intervalo de tempo, dois álbuns e um EP foram lançados de forma independente e que chamaram a atenção da Nuclear Blast, que assinou com a banda em 2014. E a gravadora estava com toda a razão! As composições do grupo transbordam raiva e ódio, mas de forma técnica, sem perder o sentido. Gravado, produzido e mixado por Kurt Ballou, o álbum recebeu a masterização de Brad Boatright, e essa dupla, deixou a sujeira na medida certa. 

                        A faixa título, You Will Never Be One Of Us, dá início á porradaria. Rachando a cabeça em mil pedaços, a guitarra de Todd Jones carrega em riffs pesados enquanto a cozinha senta a mão sem piedade. Na seqüência, sem tempo para respirar, Friend To All, tem o baixo de John Gianelli se destacando, mas dentro da proposta, sem  nenhum tipo de gratuidade. Made To Make You Fail, tem um começo mais cadenciado, mas ganha velocidade e um solo afiado e é um dos destaques do cd. Life Is a Death Sentence segue a mesma linha, buscando transformar nosso cérebro em uma espécie de sopa de neurônios, tamanha a intensidade e violência que saltam aos nossos ouvidos. E o que dizer de Violence is Forever? Com uma pegada thrash, a faixa tem uma linha de guitarra que nos remete aos grandes nomes da Bay Area, mas que também incorpora elementos da cena alemã.

                   Savage Intolerance segue a aula de pancadaria. O vocal, que foge daquele padrão pré concebido e adotado por grande parte das bandas do estilo, acaba se situando entre o death e o thrash. In Pain carrega consigo uma atmosfera própria do hardcore. Preste atenção no solo que você vai entender o que quero dizer. além, é claro, da velocidade e curta duração da faixa. Parasite não deixa pedra sobre pedra. Ou melhor, tímpano sobre tímpano. Into Quietus possui passagens mais "arrastadas", com a guitarra sendo o destaque, pois guia a faixa de uma forma bem interessante. O encerramento vem com They Coming Crawling Back, uma faixa bem trabalhada, com passagens mais lentas e que envolvem o ouvinte do início ao fim.

                       Neste terceiro trabalho, o NAILS prova que merece um maior reconheciemnto no cenário. Talento e capacidade o gruo possui. E de sobra. Basta conferir YOU WILL NEVER BE ONE OF US e isso ficara claro para quem ouvir. Agora, se seu ouvido não suportar...





                      Sergiomar Menezes

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

TARJA - THE BRIGHTEST VOID (2016)



                     Nunca fui um grande fã de TARJA TURUNEN. Isso não quer dizer que não reconhecia nela, uma excepcional vocalista. O problema é que nunca a vi/ouvi como uma vocalista de rock/metal. Podem até mesmo discordar de mim, mas a saída dela do Nightwish foi benéfica para a banda. Assim como acabou sendo benéfica para ela também. Mais solta e livre do estigma "metal" que a perseguia, a finlandesa chega agora ao seu sexto trabalho solo (contando como primeiro, My Winter Storm, lançado em 2007) e surpreende pela variedade apresentada aqui. THE BRIGHTEST VOID, que chega por aqui via Shinigami Records, traz nove composições que mostram toda a versatilidade da cantora, sem se prender a rótulos. E diga-se, com resultados mais que positivos.

                      Tarja se cercou de diversos e excelentes músicos para a gravação deste trabalho. Nomes como Chad Smith, Mike Terrana, Fernano Scarcella e Nicolas Polo (bateria), Alex Scholpp, Tim Palmer, Julian Barret e Michael Monroe (guitarras), Doug Wimbish, Kevin Chown, Peter Barret e Julian Barret (baixo), além de muitos outros músicos e participações mais que especiais como o próprio Michael Monroe (ex vocal da lenda Hanoi Rocks e colega de bancada de jurados no The Voice finlandês da vocalista, em uma faixa), Toni Turunen, e uma música em parceria com a banda Within Temptation. De um modo geral, podemos dizer que THE BRIGHTEST VOID é um misto de músicas inéditas e algumas versões. Mas que de forma alguma diminui o brilho presente aqui.

              O trabalho inicia com uma versão mais pesada para a já conhecida No Bitter End, apresentada aqui como a versão do video clip. Com guitarras com uma pegada mais hard, a faixa é muito boa e se destaca pela linha vocal adotada por Tarja. Uma voz bem suave sem soar "melosa", algo que só o talento consegue fazer sem soar piegas. Na seqüência, temos Your Heaven And Your Hell, que conta com a participação da lenda Michael Monroe, e que na opinião deste que vos escreve, é o grande destaque do álbum. Uma faixa com a cara do vocalista e que fez Tarja explorar linhas mais diretas e com uma veia bem hard, como manda a cartilha do estilo. Apesar das variações na composição, o arranjo final ficou muito bom! Eagle Eye, a terceira faixa, traz Toni Turunen, irmão de Tarja, e também merece destaque. Seguindo a linha adotada pela vocalista em sua carreira solo, a composição possui uma bela melodia, além do contraponto entre os vocais dos "irmãos Turunen". An Empty Dream, presente na trilha sonora do filme "Corazon Muerto" dá uma quebrada no bom ritmo apresentado no início. Assim como Witch Hunt, faixa bastante introspectiva, presente no álbum que Tarja gravou com o baterista Mike Terrana (Beauty and the Beat, 2014).

                       Shameless vem na seqüência e eleva a dose de peso. Uma faixa com uma pegada bem atual e até mesmo "moderna", fugindo dos padrões aos quais a vocalista estava acostumada. Mais uma bela interpretação vocal e um grande trabalho de guitarras, á cargo de Julian Barret. Depois disso, temos o cover de House of Wax, de Paul McCartney que ficou muito bem arranjada e também Goldfinger, presente na trilha sonora de "007 contra Goldfinger" que ganhou uma interpretação cheia de personalidade de Tarja. No encerramento, Paradise (What About Us), faixa que a vocalista gravou com o Within Temptation e que está presente no álbum Hydra, lançado pelo grupo em 2014 e que traz um belo dueto entre Tarja e Sharon den Adel. 

                       Se não é um álbum "novo", THE BRIGHTEST VOID traz em seu conteúdo, o talento inigualável de TARJA. Apesar de trazer versões, covers e algumas faixas inéditas, o trabalho possui qualidade e nos mantém na expectativa do que teremos em THE SHADOW SELF. 






 
             Sergiomar Menezes