quarta-feira, 10 de junho de 2026

DOGMA - 29/05/2026 - BAR OPINIÃO - PORTO ALEGRE/RS

 



DOGMA
Abertura: RITUALIST
29/05/2026
BAR OPINIÃO
PORTO ALEGRE/RS
Produção: Ablaze Productions

Texto e fotos: José Henrique Godoy

E as freiras do capiroto visitaram Porto Alegre pela segunda vez, num espaço de tempo menor que um ano. A primeira passagem foi ano passado, abrindo o show de Fabio Lione, no teatro da AMRIGS. Nesta ocasião, apesar de parecerem deslocadas em relação à atração principal daquela noite, roubaram a cena com um ótimo, porém curto show.

Agora com a oportunidade de tocar no palco tradicional do Bar Opinião e como atração principal, tivemos a amostra completa do Dogma ao vivo. A abertura ficou por conta da banda Ritualist, de Porto Alegre. Com uma apresentação segura, a banda manteve a atenção do público durante todo o seu set de 40 minutos aproximadamente, com destaque para faixas como “Evilution” e “Your Mask”. Uma pena que o público ainda chegava ao Opinião em meio a ótima apresentação do Ritualist.

Passavam um pouco das 21h quando o Dogma adentra o palco. Por trás dos seus “corpse paints”, era visível que afora a baixista “Nixe”, todas as freiras das sombras eram “noviças” no convento de Satã do Dogma. Se por um lado essa troca constante de musicistas pode incomodar um pouco, por outro lado, o conceito do grupo segue intacto.




“Forbidden Zone”, “Fell The Zeal” e “My Girst Peak” tocadas na sequência, bem como estão no seu álbum de estreia, são recebidas com entusiasmo pelos presentes no Opinião. Se não era em grande número, era um público entusiasmado, que cantou todas as músicas do início ao fim, bem como reagiam e interagiram com o Dogma por toda a apresentação, marcada por mistério e sensualidade, além óbvio, de ótima musicalidade, mesclando Heavy Metal, Power Metal e Hard Rock, afirmando mais uma vez que o Dogma não é apenas baseado em visual, mas em uma ótima sonoridade.

A “nova” Lilith, vocalista, se mostrou mais solta e com mais interatividade com a plateia, brincando e conversando bem mais que a sua antecessora, enquanto as guitarristas Lamia e Russalka se mostraram ótimas em solos e riffs, enquanto Nixe e Abrahel (bateria) também mostram destreza e peso nas suas performances. Inclusive a baixista Nixe, talvez por ser única remanescente parece ter tomado um ar de liderança no palco.


Outros destaques no set foram o cover de Madonna “Like a Prayer” e a nova “Mariachi”. Para o bis, a ótima “Father I Have Sinned” e o show finaliza com “Dark Messiah”, encerrando assim uma ótima apresentação do Dogma, superior a ocorrida no ano passado. A vocalista Lilith ainda desceu do palco e foi recepcionar os fãs na banca de merchandising da banda, para fotos e autógrafos. Nosso agradecimento à Ablaze pelo credenciamento e ao sempre cordial staff do Opinião.

CINDERELLA - NIGHT SONGS 40 ANOS

 



NIGHT SONGS - 40 ANOS DE UMA ESTREIA GRANDIOSA!

Por Sergiomar Menezes

Em 9 de junho de 1986, o CINDERELLA lançava seu álbum de estreia, NIGHT SONGS. Quatro décadas depois, o disco não apenas sobreviveu ao teste do tempo, mas se consolidou como uma obra-prima que equilibrava perfeitamente a estética comercial dos anos 80 com a alma suja do Blues-Rock clássico. Não podemos esquecer que 1986 foi o ano do marco absoluto do Glam Metal (Hair Metal, Hard Rock, como você preferir). Bandas com cabelos armados, maquiagem e riffs criativos dominavam a MTV e as rádios norte-americanas. Mas enquanto a Sunset Strip de Los Angeles gerava a maior parte desse tuema, foi na Filadélfia que surgiu um dos capítulos mais autênticos e pertinentes daquela era.

Tom Keifer – vocais principais, guitarra, piano, Jeff LaBar – guitarra, vocais, Eric Britingham – baixo, vocais e Fred Coury – bateria (que não gravou o álbum, que contou com as baquetas contratadas de Jody Cortez) tiveram a ajuda de um certo Jon Bon Jovi para que a coisa toda se concretizasse. Em 1985, o vocalista do Bon Jovi assistiu ao Cinderella tocar no Empire Rock Club, na Pensilvânia. Impressionado com a energia do quarteto e, principalmente, com o talento do líder Tom Keifer, Jon correu para a sua gravadora (Mercury Records) e garantiu que aqueles garotos fossem contratados.

O grande diferencial do Cinderella em relação aos seus contemporâneos sempre foi Keifer, que na opinião deste que voz escreve, é sem dúvidas, o melhor vocalista do Hard Rock americano. Dono de uma voz rasgada que canalizava Janis Joplin e Brian Johnson, além de ser um guitarrista formidável e o único compositor do álbum, ele deu à banda uma identidade muito mais pesada e enraizada no Rock de raiz do que a média das bandas de "Hair Metal".


Produzido por Andy Johns (que já havia trabalhado com Led Zeppelin e Rolling Stones), o álbum traz uma sonoridade polida para as rádios, mas que estoura nos alto-falantes com uma agressividade crua, cortesia das guitarras de Keifer e Labar. E isso já se evidencia com "Night Songs", a faixa-título que abre o disco com um clima sombrio, passos ecoando e o badalar de um sino de igreja. O riff arrastado e o vocal cavernoso de Keifer ditam o tom de um álbum que fala sobre a vida noturna, isolamento e a busca por libertação. Na sequência, "Shake Me", lançada como primeiro single do álbum. É o Rock de arena puríssimo, impulsionado pela cozinha precisa de Brittingham (baixo) e Cortez). O refrão grudento foi um passaporte direto para a rotação diária na MTV. Temos ainda "Nobody's Fool", a balada inquestionável. E ela não é apenas mais uma "power ballad" genérica dos anos 80: há uma melancolia e uma entrega vocal destruidora de Keifer. A transição das guitarras limpas para o refrão pesado e emocional definiu o padrão de baladas da década. E como não citar "Somebody Save Me"? Dona de um riff de guitarra totalmente AC/DC, a faixa é um dos grandes sucessos do álbum, destilando a frustração da juventude suburbana com muito deboche e energia.

Falando daquilo que realmente importa (para a indústria musical), NIGHT SONGS foi um monstro. O álbum escalou a Billboard 200 até atingir a impressionante 3ª posição, vendendo mais de 3 milhões de cópias apenas nos Estados Unidos e transformando o Cinderella em atração principal de arenas pelo mundo.

Musicalmente, o álbum entregou o visual andrógino e os ganchos pop que a indústria fonográfica de 1986 exigia, mas plantou as sementes do que o Cinderella se tornaria nos discos seguintes, "Long Cold Winter" (1988) e "Heartbreak Statio"n (1990) — uma banda de Blues-Rock visceral, profundamente influenciada por Aerosmith e Muddy Waters.

Quarenta anos depois, e mesmo com todos os revezes que a própria indústria musical criou ao longo desse período, as músicas de NIGHT SONGS continuam soando intensas, pesadas e, acima de tudo, honestas. É a trilha sonora definitiva de uma noite que se recusa a terminar. E disso, o CINDERELLA entende bem.









sexta-feira, 5 de junho de 2026

POWERWOLF - WILDLIVE (LIVE AT OLYMPIAHALLE - 2 CDs) (2026)

 


POWERWOLF
WILDLIVE (LIVE AT OLYMPIAHALLE)
Shinigami Records/Napalm Records - Nacional

Eis que, após 20 anos, podemos afirmar que o POWERWOLF se tornou um grande nome do metal mundial. E esse se torna ainda mais indiscutível com o lançamento de WILDLIVE (LIVE AT OLIMPIAHALLE), álbum que não é apenas um registro ao vivo: é uma verdadeira celebração ao Heavy Metal que desafia a imaginação. Gravado no emblemático show de encerramento da Wolfsnächte Tour 2024, em Munique, o álbum captura com perfeição a energia magnética e o brilhantismo teatral da maior turnê já realizada pelo quinteto. E jogar em casa, deixa tudo mais fácil, não é mesmo? E para os fãs, nada melhor do que saber que o trabalho sai por aqui num belo digifle sobressalente duplo, com capa e contracapa sobressalente, cortesia mais uma vez da parceria Shinigami Records/Napalm Record.

O grupo formado por Attila Dorn (vocal), Charles Greywolf (guitarra/baixo), Matthew Greywolf (guitarra), Falk Maria Schlegel (órgão) e Roel van Helden (bateria) entregaram aos fãs que estavam presentes no Olympiahalle um show repleto de energia, força e o mais puro power metal germânico capturando perfeitamente o amadurecimento sonoro e visual do grupo. O balanço impecável entre o peso das guitarras de Matthew e Charles Greywolf, as orquestrações do teclado/órgão de Falk Maria Schlegel e a cozinha precisa dão a base para que Attila Dorn tenha uma performance impecável, alcançando tons operísticos impressionantes sem perder o fôlego diante de uma plateia lotada e enérgica. A mixagem (assinada por Joost van den Broek) merece um destaque especial. Ela consegue equilibrar o peso da banda com a resposta ensurdecedora do público, fazendo com que o ouvinte se sinta no meio da pista.

Logo após a introdução, a banda emenda "Bless'em With the Blade" e "Incense & Iron", mostrando que não estavam ali para brincadeira. A execução de "1589" (faixa de "Wake Up The Wicked" - 2024) ganha contornos dramáticos no palco, carregada de corais épicos e uma atmosfera sombria sobre as caças às bruxas e lobisomens do século XVI.  Hinos obrigatórios como "Army Of The Night", "Amen & Attack", "Armata Strigoi" e "Demons Are a Girl's Best Friend" ganham maior intensidade nos arranjos, enquanto a emocionante "Alive or Undead" cria um dos momentos mais intensos da noite. Sob o comando da dinâmica impecável entre o vocalista Attila Dorn e o tecladista Falk Maria Schlegel, cada faixa se transforma em um ritual inesquecível. É impossível não se arrepiar com a trinca final do show: "Sanctified With Dynamite", "We Drink Your Blood" e o encerramento com "Werewolves of Armenia". 

WILDLIVE (LIVE AT OLYMPIAHALLE) não faz do POWERWOLF uma banda especial. Ele apenas reafirma sua posição já consolidada no cenário e abre  um novo capítulo na jornada do quinteto alemão. Um reconhecimento aos 20 anos de carreira e uma promessa do que está por vir. O grupo, há muito tempo, ultrapassou as fronteiras do gênero e, com este lançamento, prova mais uma vez que, para seu fãs (e não são poucos), sua arte vai além da música... é uma religião.

Sergiomar Menezes




METALLICA - LOAD 30 ANOS

 



OS 30 ANOS DO ÁLBUM MAIS CONTROVERSO DO METALLICA (ATÉ ENTÃO...)

Por William Ribas

Existe uma linha tênue entre o amor e o ódio. Durante a primeira década após seu lançamento, LOAD esteve sempre do lado mais sombrio dessa balança. O álbum ficava na prateleira apenas “por estar”. Em 1996, era surreal acreditar que o METALLICA tinha feito aquilo com o seu som. Aliás, com sua imagem também — aquelas fotos continuam grotescas.

Trinta anos depois, é justamente o álbum que mais escuto da banda (inclusive, estou ouvindo agora). É um trabalho tão abrangente que leva tempo para ser assimilado. Sim, eu sei que a gente quer agressividade. Mas e se eu te disser que o aniversariante do dia é o álbum mais honesto do Metallica?
Em sua última entrevista, Cliff Burton declarou que eles não ouviam thrash metal em casa. Falou sobre R.E.M., baladas e sobre apreciar outros estilos musicais. Dez anos depois, o Metallica fez exatamente o que seu ex-baixista já falava uma década antes: resolveu ser mais musical. Colocou todas as suas influências na mesa — hard rock, blues, country e stoner rock. O álbum passeia por diversos estilos sem perder o peso (sim, a agressividade foi embora).

Durante o processo de composição do álbum, o pai de James Hetfield faleceu. Outro fato importante que marcou a época foi o período de quase um ano em que o guitarrista e vocalista ficou longe do álcool. Tudo isso transpareceu nas letras de músicas como “Until It Sleeps”, “Bleeding Me”, “Mama Said” e “The Outlaw Torn”.

Um destaque particular é “2 x 4” — acho aquele início de bateria sensacional. Lars começa de maneira ímpar. Sim, eu sei que ele é limitado, ou que se tornou limitado com o passar dos anos. Mas a inteligência dele na forma de construir músicas e gerir o Metallica é o que o torna um gênio, ponto final.

Lembro muito de ver na MTV os clipes de “Until It Sleeps”, “King Nothing” e “Mama Said”. A cada novo Top 10, às 18 horas, eu odiava ver aqueles caras cheios de maquiagem passando na televisão. E “King Nothing”, com aquele finalzinho fazendo referência ao “Off to Never Never Land” de “Enter Sandman”?, Não tinham nada melhor pra encerrar a música e se auto copiaram?Dentro do álbum, a sequência de “Cure” e “Poor Twisted Me” era pavorosa. Eu, no auge da minha rebeldia aos 11 anos, pensava: “Cliff Burton deve estar muito puto com vocês”.


Mas tudo passa.

No fim de 1998, saí do último dia de aula e fui direto para uma loja de CDs. Lá estava o VHS Cunning Stunts. Comprei com o dinheiro que tinha guardado e assisti àquele vídeo feito um louco. Foi quando minha percepção começou a mudar. Pô, até que algumas músicas soavam ótimas ao vivo. “Ain't My Bitch” era rápida e dava para bater cabeça.

Mas a birra ainda existia e só foi embora de vez por volta de 2006.
Com a internet, comecei a acompanhar — de longe, infelizmente — as turnês do Metallica. Vídeos, atualizações e, a cada show, a banda lançando seus registros ao vivo, algo que segue acontecendo até hoje. E a cada turnê crescia aquela vontade de ouvir algo diferente, algo novo. Foi aí que o ódio virou amor.

Cada vez que uma música do Load aparecia no setlist, era como um gol de classificação do meu time. Três décadas depois, apenas quatro músicas do álbum nunca “subiram ao palco” em um show: “Cure”, “Thorn Within”, “Ronnie” e “The House Jack Built”. Um fato curioso, e que surpreendeu muitos fãs, foi a descoberta, através do box lançado no ano passado, de que esta última chegou a ser ensaiada durante uma passagem de som em Birmingham, em 1996.

Bem, e foi assim, com o passar dos que o álbum que odiei tanto desde o seu lançamento, em 4 de junho de 1996, acabou conquistando meu coração.

Hoje, todas as vezes que me refiro ao Load, digo a mesma coisa sempre:

“I Love This Shit”.





DIMMU BORGIR – GRAND SERPENT RISING (2026)


 

DIMMU BORGIR
GRAND SERPENT RISING
Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional

Foram longos oito anos de espera! O mundo era muito diferente do atual desde o lançamento de “Eonian” (2018). Messi ainda não tinha ganho uma Copa do Mundo, ainda não tínhamos enfrentado uma pandemia de tamanhas proporções, o Brasil ainda não era tão polarizado politicamente, o presidente ainda era Michel Temer, ou seja, o mundo capotou durante este longo período.

Cheguei a achar que o Dimmu Borgir nunca mais retornaria deste período sabático! A banda precisava se reciclar, se reencontrar com os seus áureos tempos e parece que eles estão de volta. De 2004 pra cá, não tenho dúvidas em afirmar que este é o trabalho que mais aproxima a banda do que ela mesma fez no início de sua carreira.

Grand Serpent Rising” já nasceu gigante em todos os sentidos. Primeiro, pela duração do álbum, com cerca de 69 minutos. Segundo, porque apesar do silêncio duradouro de anos sem algo inédito, o Dimmu ainda continua sendo inacreditavelmente grande e relevante na cena underground. Ao saber que o novo trabalho estava chegando, pude mais uma vez, revisitar toda a discografia da banda e percebi que a banda precisava, mais do que nunca, se reinventar para voltar a fazer jus ao tamanho que alcançou. E, para minha surpresa, conseguiram com larga margem!

O primeiro single divulgado antecipadamente, “Ulvgjeld & Blodsodel” já deu uma boa animada nos fãs. Dimmu Borgir clássico, mesclando passagens muito agressivas com passagens melódicas e orquestra a todo vapor. Tudo isso, já amplamente executado desde “Death Cult Armageddon” (2003). Mesmo com letra em norueguês, o saldo inicial foi ótimo, quase excelente.

Se o primeiro single não atingiu o status de “excelente”, o segundo o fez com sobras. “Ascent” é a mais pesada e furiosa faixa do Dimmu dos últimos 3 discos, feitos após as lamentáveis e quase irreparáveis saídas de Mustis (teclado) e ICS Vortex (baixo e vocal) em 2009. Ouvindo-a, tive a certeza de que o Dimmu Borgir estava realmente de volta e faminto pelo Metal. Que alívio ouvir e escrever isso!

E, finalmente, o dia 22/5 chegou e pude botar meu Spotify pra rodar e tive a chance de ouvir o disco completo nas primeiras horas deste dia, já que minha vida profissional tem ocorrido noites e madrugadas adentro.

Muito legal, a imensa intro “Tridentium” que dá aquele ar maquiavélico e arrepiante que remete aos tempos mais sombrios que os caras protagonizaram. “As Seen in the Unseen” poderia tranquilamente estar no já citado “Death Cult Armageddon”, com sua longa intro e o lado mais orquestral que aqui está mais afiado do que nunca. Candidata a clássica, apesar de não superar a faixa anterior, “Ascent”.

“The Qryptfarer” é a mais Old School do disco, dá até pra imaginá-la por exemplo, em “Enthrone Darkness Triumphant” (1997), com seu teclado melódico e os efeitos fantasmagóricos bem característicos daquela época. “Repository of Divine Transmutation” me lembrou em certos momentos, alguns petardos dos áureos tempos de “Puritanical...” (2001), uma faixa repleta de reviravoltas, mudanças bruscas de andamento, com andamento acelerado na maior parte do tempo, uma composição de gente grande. Mais uma candidata a clássica (essa merecia um videoclipe!).

A melódica “Slik Minnes en Alkymist” poderia estar em “Stormblast MMV” (2005), por ser cantada em norueguês e uma mixagem linda de se ouvir, o som das guitarras está soberbo em especial nos solos. Linda demais!

Após a também ótima “Phantom of the Nemesis”, veio “The Exonerated”, a minha favorita do disco. Essa merecia ser lançada como single. Ela tem absolutamente tudo o que um fã de Dimmu Borgir ama: lindos e melódicos riffs, refrão marcante, uma aula de bateria cadenciada e ao mesmo tempo soando como os bumbos do inferno, uma verdadeira aula de composição. Soberba!

“Recognizant” segue uma pegada mais moderna, que a faz ser o estilo de discos como “In Sorte Diaboli” (2007), o que a transforma em uma faixa coadjuvante do disco. Essa seria perfeita pra ICS Vortex brilhar com seu vocal operístico, mas isso, obviamente, ficará apenas em nossa imaginação.

“At the Precipice of Convergence” é a mais cadenciada do disco e “Shadows of a Thousand Perceptions” parece um filme de terror de tão assustadora, e a instrumental “Gjǫll” fecha o trabalho como um respiro após mais de uma hora de destruição, urros desesperadores, melodias sombrias e tudo aquilo que o fã de longa data do Dimmu mais ama.

Grand Serpent Rising” é grandioso, ousado e impactante desde o primeiro minuto ou segundo de audição. Nada nele é mais ou menos, poderia ser ainda mais perfeito se a mixagem fosse mais generosa com a bateria, mas nada que tire o brilho ou quaisquer um dos adjetivos já citados acima. Ouvi o disco umas 5 vezes e a cada vez, descubro mais detalhes, mais elementos que fazem com que o Dimmu Borgir seja tão especial como é. Ótimo, ouça o mais breve possível!

Mauro Antunes