sexta-feira, 5 de junho de 2026

DIMMU BORGIR – GRAND SERPENT RISING (2026)


 

DIMMU BORGIR
GRAND SERPENT RISING
Shinigami Records/Nuclear Blast - Nacional

Foram longos oito anos de espera! O mundo era muito diferente do atual desde o lançamento de “Eonian” (2018). Messi ainda não tinha ganho uma Copa do Mundo, ainda não tínhamos enfrentado uma pandemia de tamanhas proporções, o Brasil ainda não era tão polarizado politicamente, o presidente ainda era Michel Temer, ou seja, o mundo capotou durante este longo período.

Cheguei a achar que o Dimmu Borgir nunca mais retornaria deste período sabático! A banda precisava se reciclar, se reencontrar com os seus áureos tempos e parece que eles estão de volta. De 2004 pra cá, não tenho dúvidas em afirmar que este é o trabalho que mais aproxima a banda do que ela mesma fez no início de sua carreira.

Grand Serpent Rising” já nasceu gigante em todos os sentidos. Primeiro, pela duração do álbum, com cerca de 69 minutos. Segundo, porque apesar do silêncio duradouro de anos sem algo inédito, o Dimmu ainda continua sendo inacreditavelmente grande e relevante na cena underground. Ao saber que o novo trabalho estava chegando, pude mais uma vez, revisitar toda a discografia da banda e percebi que a banda precisava, mais do que nunca, se reinventar para voltar a fazer jus ao tamanho que alcançou. E, para minha surpresa, conseguiram com larga margem!

O primeiro single divulgado antecipadamente, “Ulvgjeld & Blodsodel” já deu uma boa animada nos fãs. Dimmu Borgir clássico, mesclando passagens muito agressivas com passagens melódicas e orquestra a todo vapor. Tudo isso, já amplamente executado desde “Death Cult Armageddon” (2003). Mesmo com letra em norueguês, o saldo inicial foi ótimo, quase excelente.

Se o primeiro single não atingiu o status de “excelente”, o segundo o fez com sobras. “Ascent” é a mais pesada e furiosa faixa do Dimmu dos últimos 3 discos, feitos após as lamentáveis e quase irreparáveis saídas de Mustis (teclado) e ICS Vortex (baixo e vocal) em 2009. Ouvindo-a, tive a certeza de que o Dimmu Borgir estava realmente de volta e faminto pelo Metal. Que alívio ouvir e escrever isso!

E, finalmente, o dia 22/5 chegou e pude botar meu Spotify pra rodar e tive a chance de ouvir o disco completo nas primeiras horas deste dia, já que minha vida profissional tem ocorrido noites e madrugadas adentro.

Muito legal, a imensa intro “Tridentium” que dá aquele ar maquiavélico e arrepiante que remete aos tempos mais sombrios que os caras protagonizaram. “As Seen in the Unseen” poderia tranquilamente estar no já citado “Death Cult Armageddon”, com sua longa intro e o lado mais orquestral que aqui está mais afiado do que nunca. Candidata a clássica, apesar de não superar a faixa anterior, “Ascent”.

“The Qryptfarer” é a mais Old School do disco, dá até pra imaginá-la por exemplo, em “Enthrone Darkness Triumphant” (1997), com seu teclado melódico e os efeitos fantasmagóricos bem característicos daquela época. “Repository of Divine Transmutation” me lembrou em certos momentos, alguns petardos dos áureos tempos de “Puritanical...” (2001), uma faixa repleta de reviravoltas, mudanças bruscas de andamento, com andamento acelerado na maior parte do tempo, uma composição de gente grande. Mais uma candidata a clássica (essa merecia um videoclipe!).

A melódica “Slik Minnes en Alkymist” poderia estar em “Stormblast MMV” (2005), por ser cantada em norueguês e uma mixagem linda de se ouvir, o som das guitarras está soberbo em especial nos solos. Linda demais!

Após a também ótima “Phantom of the Nemesis”, veio “The Exonerated”, a minha favorita do disco. Essa merecia ser lançada como single. Ela tem absolutamente tudo o que um fã de Dimmu Borgir ama: lindos e melódicos riffs, refrão marcante, uma aula de bateria cadenciada e ao mesmo tempo soando como os bumbos do inferno, uma verdadeira aula de composição. Soberba!

“Recognizant” segue uma pegada mais moderna, que a faz ser o estilo de discos como “In Sorte Diaboli” (2007), o que a transforma em uma faixa coadjuvante do disco. Essa seria perfeita pra ICS Vortex brilhar com seu vocal operístico, mas isso, obviamente, ficará apenas em nossa imaginação.

“At the Precipice of Convergence” é a mais cadenciada do disco e “Shadows of a Thousand Perceptions” parece um filme de terror de tão assustadora, e a instrumental “Gjǫll” fecha o trabalho como um respiro após mais de uma hora de destruição, urros desesperadores, melodias sombrias e tudo aquilo que o fã de longa data do Dimmu mais ama.

Grand Serpent Rising” é grandioso, ousado e impactante desde o primeiro minuto ou segundo de audição. Nada nele é mais ou menos, poderia ser ainda mais perfeito se a mixagem fosse mais generosa com a bateria, mas nada que tire o brilho ou quaisquer um dos adjetivos já citados acima. Ouvi o disco umas 5 vezes e a cada vez, descubro mais detalhes, mais elementos que fazem com que o Dimmu Borgir seja tão especial como é. Ótimo, ouça o mais breve possível!

Mauro Antunes



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