NIGHT SONGS - 40 ANOS DE UMA ESTREIA GRANDIOSA!
Por Sergiomar Menezes
Em 9 de junho de 1986, o CINDERELLA lançava seu álbum de estreia, NIGHT SONGS. Quatro décadas depois, o disco não apenas sobreviveu ao teste do tempo, mas se consolidou como uma obra-prima que equilibrava perfeitamente a estética comercial dos anos 80 com a alma suja do Blues-Rock clássico. Não podemos esquecer que 1986 foi o ano do marco absoluto do Glam Metal (Hair Metal, Hard Rock, como você preferir). Bandas com cabelos armados, maquiagem e riffs criativos dominavam a MTV e as rádios norte-americanas. Mas enquanto a Sunset Strip de Los Angeles gerava a maior parte desse tuema, foi na Filadélfia que surgiu um dos capítulos mais autênticos e pertinentes daquela era.
Tom Keifer
– vocais principais, guitarra, piano,
Jeff LaBar
– guitarra, vocais, Eric Britingham – baixo, vocais e
Fred Coury
– bateria (que não gravou o álbum, que contou com as baquetas contratadas de Jody Cortez) tiveram a ajuda de um certo Jon Bon Jovi para que a coisa toda se concretizasse. Em 1985, o vocalista do Bon Jovi assistiu ao Cinderella tocar no Empire Rock Club, na Pensilvânia. Impressionado com a energia do quarteto e, principalmente, com o talento do líder Tom Keifer, Jon correu para a sua gravadora (Mercury Records) e garantiu que aqueles garotos fossem contratados.
O grande diferencial do Cinderella em relação aos seus contemporâneos sempre foi Keifer, que na opinião deste que voz escreve, é sem dúvidas, o melhor vocalista do Hard Rock americano. Dono de uma voz rasgada que canalizava Janis Joplin e Brian Johnson, além de ser um guitarrista formidável e o único compositor do álbum, ele deu à banda uma identidade muito mais pesada e enraizada no Rock de raiz do que a média das bandas de "Hair Metal".

Produzido por Andy Johns (que já havia trabalhado com Led Zeppelin e Rolling Stones), o álbum traz uma sonoridade polida para as rádios, mas que estoura nos alto-falantes com uma agressividade crua, cortesia das guitarras de Keifer e Labar. E isso já se evidencia com "Night Songs", a faixa-título que abre o disco com um clima sombrio, passos ecoando e o badalar de um sino de igreja. O riff arrastado e o vocal cavernoso de Keifer ditam o tom de um álbum que fala sobre a vida noturna, isolamento e a busca por libertação. Na sequência, "Shake Me", lançada como primeiro single do álbum. É o Rock de arena puríssimo, impulsionado pela cozinha precisa de Brittingham (baixo) e Cortez). O refrão grudento foi um passaporte direto para a rotação diária na MTV. Temos ainda "Nobody's Fool", a balada inquestionável. E ela não é apenas mais uma "power ballad" genérica dos anos 80: há uma melancolia e uma entrega vocal destruidora de Keifer. A transição das guitarras limpas para o refrão pesado e emocional definiu o padrão de baladas da década. E como não citar "Somebody Save Me"? Dona de um riff de guitarra totalmente AC/DC, a faixa é um dos grandes sucessos do álbum, destilando a frustração da juventude suburbana com muito deboche e energia.
Falando daquilo que realmente importa (para a indústria musical), NIGHT SONGS foi um monstro. O álbum escalou a Billboard 200 até atingir a impressionante 3ª posição, vendendo mais de 3 milhões de cópias apenas nos Estados Unidos e transformando o Cinderella em atração principal de arenas pelo mundo.
Musicalmente, o álbum entregou o visual andrógino e os ganchos pop que a indústria fonográfica de 1986 exigia, mas plantou as sementes do que o Cinderella se tornaria nos discos seguintes, "Long Cold Winter" (1988) e "Heartbreak Statio"n (1990) — uma banda de Blues-Rock visceral, profundamente influenciada por Aerosmith e Muddy Waters.
Quarenta anos depois, e mesmo com todos os revezes que a própria indústria musical criou ao longo desse período, as músicas de NIGHT SONGS continuam soando intensas, pesadas e, acima de tudo, honestas. É a trilha sonora definitiva de uma noite que se recusa a terminar. E disso, o CINDERELLA entende bem.
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