sexta-feira, 5 de junho de 2026

METALLICA - LOAD 30 ANOS

 



OS 30 ANOS DO ÁLBUM MAIS CONTROVERSO DO METALLICA (ATÉ ENTÃO...)

Por William Ribas

Existe uma linha tênue entre o amor e o ódio. Durante a primeira década após seu lançamento, LOAD esteve sempre do lado mais sombrio dessa balança. O álbum ficava na prateleira apenas “por estar”. Em 1996, era surreal acreditar que o METALLICA tinha feito aquilo com o seu som. Aliás, com sua imagem também — aquelas fotos continuam grotescas.

Trinta anos depois, é justamente o álbum que mais escuto da banda (inclusive, estou ouvindo agora). É um trabalho tão abrangente que leva tempo para ser assimilado. Sim, eu sei que a gente quer agressividade. Mas e se eu te disser que o aniversariante do dia é o álbum mais honesto do Metallica?
Em sua última entrevista, Cliff Burton declarou que eles não ouviam thrash metal em casa. Falou sobre R.E.M., baladas e sobre apreciar outros estilos musicais. Dez anos depois, o Metallica fez exatamente o que seu ex-baixista já falava uma década antes: resolveu ser mais musical. Colocou todas as suas influências na mesa — hard rock, blues, country e stoner rock. O álbum passeia por diversos estilos sem perder o peso (sim, a agressividade foi embora).

Durante o processo de composição do álbum, o pai de James Hetfield faleceu. Outro fato importante que marcou a época foi o período de quase um ano em que o guitarrista e vocalista ficou longe do álcool. Tudo isso transpareceu nas letras de músicas como “Until It Sleeps”, “Bleeding Me”, “Mama Said” e “The Outlaw Torn”.

Um destaque particular é “2 x 4” — acho aquele início de bateria sensacional. Lars começa de maneira ímpar. Sim, eu sei que ele é limitado, ou que se tornou limitado com o passar dos anos. Mas a inteligência dele na forma de construir músicas e gerir o Metallica é o que o torna um gênio, ponto final.

Lembro muito de ver na MTV os clipes de “Until It Sleeps”, “King Nothing” e “Mama Said”. A cada novo Top 10, às 18 horas, eu odiava ver aqueles caras cheios de maquiagem passando na televisão. E “King Nothing”, com aquele finalzinho fazendo referência ao “Off to Never Never Land” de “Enter Sandman”?, Não tinham nada melhor pra encerrar a música e se auto copiaram?Dentro do álbum, a sequência de “Cure” e “Poor Twisted Me” era pavorosa. Eu, no auge da minha rebeldia aos 11 anos, pensava: “Cliff Burton deve estar muito puto com vocês”.


Mas tudo passa.

No fim de 1998, saí do último dia de aula e fui direto para uma loja de CDs. Lá estava o VHS Cunning Stunts. Comprei com o dinheiro que tinha guardado e assisti àquele vídeo feito um louco. Foi quando minha percepção começou a mudar. Pô, até que algumas músicas soavam ótimas ao vivo. “Ain't My Bitch” era rápida e dava para bater cabeça.

Mas a birra ainda existia e só foi embora de vez por volta de 2006.
Com a internet, comecei a acompanhar — de longe, infelizmente — as turnês do Metallica. Vídeos, atualizações e, a cada show, a banda lançando seus registros ao vivo, algo que segue acontecendo até hoje. E a cada turnê crescia aquela vontade de ouvir algo diferente, algo novo. Foi aí que o ódio virou amor.

Cada vez que uma música do Load aparecia no setlist, era como um gol de classificação do meu time. Três décadas depois, apenas quatro músicas do álbum nunca “subiram ao palco” em um show: “Cure”, “Thorn Within”, “Ronnie” e “The House Jack Built”. Um fato curioso, e que surpreendeu muitos fãs, foi a descoberta, através do box lançado no ano passado, de que esta última chegou a ser ensaiada durante uma passagem de som em Birmingham, em 1996.

Bem, e foi assim, com o passar dos que o álbum que odiei tanto desde o seu lançamento, em 4 de junho de 1996, acabou conquistando meu coração.

Hoje, todas as vezes que me refiro ao Load, digo a mesma coisa sempre:

“I Love This Shit”.





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