sexta-feira, 3 de julho de 2026

DEEP PURPLE - SPLAT! (2026)

 


DEEP PURPLE
SPLAT!
earMusic - Nacional

Prestes a completar 60 anos de carreira (o grupo foi formado em 1968), o DEEP PURPLE segue fazendo a alegria, não apenas de seus fãs, mas de todos os apreciadores de boa música. Eu mesmo cheguei a dizer, tempos atrás que o grupo deveria encerrar a carreira, mas confesso (felizmente) que estava completamente errado. SPLAT! chega ao mercado carregando o peso de ser o 24º lançamento de estúdio do grupo. E a primeira coisa que se percebe, logo na primeira audição é que a banda não está nem aí para tendências de mercado, modismos, ou o que a "imprensa" especializada vai falar. O que temos são cinco senhores na mais sensível terceira idade se divertindo num álbum pra cima, com ótimos riffs, teclados cada vez melhores, baixo e bateria com a mesma classe de sempre e um vocal que, se não entrega o mesmo poderia de tempos atrás, se mostra digno de seguir cantando a frente de um dos principais grupos da história do Heavy/Hard Rock de todos os tempos.

Ian Gillan (vocal), Scott McBride (guitarra), Roger Glover (baixo), Don Airey (teclados) e Ian Paice (bateria), sob a produção de Bob Ezrin, nos trazem um álbum onde as guitarras de McBride tem destaque, assim como os teclados de Airey parecem ganhar uma densidade totalmente anos 70. E o Deep Purple parece ter decidido gravar um trabalho forte, intenso e porque não dizer, mais rocker que seus antecessores. Mais uma vez, ressalto aqui que, tirando McBride, a banda está praticamente na casa dos 80 anos, mas nem por isso resolveu tirar o pé do acelerador, nos entregando composições que exigem dos nossos "velhinos", um comprometimento técnico que muito garoto que pensa ser músico não consegue ter. Por falar no guitarrista, em seu segundo trabalho com o grupo, se mostra mais solto, mais à vontade e com aquelas "sombras" de Blackmore, Tommy Bolin e Steve Morse ainda pesando, mas tentando imprimir sua própria personalidade.

A faixa de abertura e primeiro single divulgado, "Arrogant Boy" é um clássico instantâneo! Vibrante e cheia de energia, ela explode das caixas de som com aquela pegada que lembra a era clássica da banda, mas longe de soar datada. Os riffs são fortes, a bateria de Ian Paice continua incrivelmente dinâmica enquanto os teclados de Don Airey se colocam facilmente numa mistura entre o clássico Hammond e texturas modernas. "Diablo" traz aquele groove característico d grupo, mostrando que se alguém duvida que o Deep Purple tenha lenha pra queimar, eles provam que a floresta passou um reflorestamento e garante algumas "boas" queimadas por aí... O Hard Rock clássico aparece de forma certeira em "The Rider" e "The Lunatic". Se a primeira traz uma atmosfera mais clássica e setentista, a segunda tem uma levada mais groove, com uma aula de Ian Paice de como soar relevante sem precisar ser "monstruosamente virtuoso". As guitarras de McBride s e detacam em "The Only Horse in Town". Gillan sabe de suas limitações e isso faz dele um craque, pois sabe que não se pode dar ao luxo de exageros vocais, mas dosa de forma sábia seu timbre, mostrando que "The Silver Voice" continua sendo um mestre.

"Sacred Land" traz peso e melodia, num dos grandes momentos do álbum! Cadenciada e dona de um belo duela entre McBride e Airey, a faixa tem tudo para agradar os mais antigos fãs e, porquê não, angariar novos. "The Beating of Wings" traz uma linha mais blues, clássica e emocionante. E se antes eu escrevi que Gillan se destacava por saber como usar a voz, em "Guilt Trippin'", o vocalista, prestes a completar 81 anos, dá uma aula de interpretação. E olha que eu não sou um grande fã... Mas impressiona como nessa idade, os velhinhos conseguem se manter relevantes e, mais do que isso, mostram que não são apenas sombras do passado. Por sua vez, "Scriblin' Gib'rish" mantém o peso da guitarra em evidência, numa levada Hard 70's cheia de groove. "Jessica's Bra" segue uma linha próxima, enquanto "Third Call" aposta em um encontro entre o Depp Puple dos anos 70 e 90, com Don Airey mais uma vez, esbanjando classe e categoria. "My New Movie" encaminha com classe o final do trabalho que vem com a faixa título. E o encerramento não poderia ser melhor: Depp Purple em sua essência, com guitarras clássicas, baixo e bateria em sincronia (apesar de pouco citado, Roger Glover é um grande baixista) e teclados que entregam à composição uma veia clássica.

SPLAT!, pelo que tudo indica, ainda não é o último álbum do DEEP PURPLE. Mas se por acaso assim lhe for determinado, será uma das maiores despedidas de uma banda clássica. Não à toa, estamos diante de um dos melhores álbuns de 2026. Da Santíssima Trindade do Hard/Heavy, nenhuma conseguiu se manter tanto tempo na ativa, pelos mais diferentes motivos. Mas aos trancos e barrancos, o Deep Purple sobreviveu. e nós, pobres mortais, de vemos ser eternamente gratos por isso. 

Sergiomar Menezes



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