terça-feira, 12 de setembro de 2023

TEN - SOMETHING WICKED THIS WAY COMES (2023)

 


TEN
SOMETHING WICKED THIS WAY COMES
Shinigami Records/ Frontiers Music srl

Gary Hughes, a mente por trás de toda a musicalidade do Ten, aproveitou os tempos nebulosos e incertos da pandemia para criar e recriar, e voltou a criar novamente. Neste período, compôs e produziu dois álbuns ao mesmo tempo, a saber: “Here Be The Monsters” lançado em 2022 e este novo, que vamos falar aqui neste texto, “Something Wicked This Way Comes” (2023).

Apesar de terem sido produzidos quase que sem intervalos, em hipótese alguma este álbum de 2023 soa como sobras do anterior, ao contrário, é superior ao seu antecessor. A sonoridade é o Hard Rock pomposo e cheio de classe que permeia a maior parte dos lançamentos do Ten. Músicas cheias de melodia e pesadas quando o peso se faz necessário, sem perder a imponência, talvez em alguma passagem aqui e acolá, com o nível mais abaixo das demais, impeçam que o álbum figure entre os grandes álbuns do Ten.

Gary Hughes nos vocais e produção é acompanhado aqui pelos guitarristas Dann Rosingana, Steve Grocott e John Halliwell , o baixista Steve McKenna, o tecladista Darrel Treece-Birch e o baterista Markus Kullman (Sinner, Glenn Hughes, Voodoo Circle). Essa formação teve a tarefa de conduzir as ideias de Hughes, e entregam um trabalho que atingirá positivamente os fãs da banda.

Destacando algumas faixas, como a abertura, “Look For The Rose”, com riffs melodiosos e empolgantes, a pesada “Brand New Life”, com riffs pesados escoltados pelo teclado proeminente de Darrel. “The Tidal Wave” com arpejos de teclados, juntamente a “Parabellum”, combinam muito bem o Hard Rock do Ten, com estilos mais leves como Aor/Pop Rock. Estes elementos também estão presentes na bela balada “New Found Hope”, e mais Aor também na excelente “The Only Way Out”.

Como citado anteriormente, por pouco mesmo o Ten não consegue colocar “Something Wicked This Way Comes” no “podium” dos melhores álbuns da banda, mas de qualquer forma, este novo lançamento agradará e muito fãs do grupo e dos estilos comentados aqui.

José Henrique Godoy







BURNING WICTHES – THE DARK TOWER (2023)

 


BURNING WICTHES 
THE DARK TOWER
Shinigami Records/Napalm Records

Vamos sair do lugar comum: escrever sobre o novo álbum da banda suíça Burning Witches não é uma tarefa fácil. Na realidade, existia sim a possibilidade de percorrer um caminho mais seguro e simplesmente ater minha atenção à sonoridade, à composição e à produção da quinta obra das Bruxas Suíças, entretanto, não é o que pretendo, ao menos, incidentalmente nesta resenha-crítica.

O fato é que falar sobre bandas compostas integralmente de mulheres em um universo tradicionalmente dominado por grupos formados essencialmente por homens provoca, em alguma medida, uma inquietação e uma necessidade de reflexão em virtude do contexto traçado. Afinal, não sejamos hipócritas: mas podemos imaginar quantas vezes essas garotas foram julgadas antes por suas aparências e atributos físicos em vez de serem apenas apreciadas pela arte a qual se propõem a fazer? Ora, apenas um inconsciente fã do estilo que passou a última década isolado e incomunicável em uma ilha no Pacífico poderia afirmar que sequer ouviu falar no nome desse grupo por aí. A factual realidade é que as moças vêm galgando gradativamente mais espaços desse gênero musical, tornando-se rapidamente um dos nomes mais destacáveis do estilo – aquele heavy tradicional com doses generosas de power metal – e uma das presenças mais frequentes nos maiores festivais de metal do mundo – como ocorreu recentemente no Wacken 2023.

Assim, não posso recair no buraco de apenas dizer se o álbum é bom ou não; há muito mais a se considerar. É conveniente, acima de tudo, enfatizar que a o caminho aberto por essas Bruxas até o patamar em que estão não deve ter sido uma coisa fácil. Quando surgiram, lá em 2017 em seu álbum de debut, intitulado homonimamente de “Burning Wicthes”, quando enfim chamaram a atenção da indústria, seu primeiro rótulo foi o “Judas Priest feminino”. Sim, exatamente isso! Ainda que saibamos a honraria que é ostentar uma comparação com os Metal Gods, notem que elas vivem de validação e de analogias verbais sempre correlacionadas ao viés e ao escrutínio masculino. Sim, eu sei, elas entraram em um campo de batalha forjado por nomes como Iron Maiden, Helloween e o próprio Judas Priest, mas não sejamos tolos a achar que o fato delas serem mulheres não altera as condições de produção de qualquer espécie de enunciado. Logo, é chegada a hora de entendermos e pensarmos no grupo como um grupo de heavy metal, mais uma trupe de artistas buscando a árdua tarefa do reconhecimento nesse mundo. Como se isso fosse fácil, ainda precisam lidar com as coercitivas imposições de gênero, as quais, tradicionalmente, subjugam o espaço feminino.

Logo, após essa indagação – necessária – é o momento de finalmente falar do novo álbum do quinteto suíço. Formado por Laura Guldemond (vocais), Larissa Ernst (guitarra), Romana Kalkuhl (guitarra), Jeanine Grob (baixo) e Lala Frischknecht (bateria), “The Dark Tower” foi lançado pela Napalm Records e produzido por ninguém menos que Marcel Schmier - baixista e o vocalista da lendária Destruction – e segue a linha estética dos trabalhos anteriores.

Na verdade, ainda que o disco imprima a gana e a energia de uma banda de heavy metal em plena ascensão e sedenta por apresentar o melhor que sabem fazer – e sabem mesmo, pois o grupo conta com instrumentistas de alto calibre – “The Dark Tower” não é um álbum cuja audição será memorável em muito momentos. Na maioria, na verdade.

Com uma não tão longeva carreira, as meninas possuem uma considerável e proeminente produção. Vindas de dois excelentes trabalhos - “Hexenhammer” (2018) e “The Witch of The North” (2021) – era evidente que as expectativas em um novo fruto subsequente estariam em alta. Todavia, quando entramos em uma viagem auditiva pelas 13 faixas do disco, percebe-se que espera não foi tão compensatória quanto se supunha. Como eu disse anteriormente: a energia, a vontade e a qualidade impressas pelas moças estão ali, contudo, o álbum peca na criatividade.

O disco abre com uma faixa introdutória chamada “Rise of Darkness” e, quando essa termina, “Unleash de Beast” surge e faz jus ao seu título (em livre tradução: “Liberem a Fera”), apresentando toda a ferocidade e voracidade dignas de um excelente heavy/power metal. Um dos momentos mais altos do trabalho, tanto que virou carro-chefe, conforme visto no videoclipe divulgado pelas mídias.

Na sequência, “Renegade” mantém a audição aquecida com um trabalho incrível de guitarras da dupla Larissa Ernst e Romana Kalhul, as quais vão fazer o ouvinte quebrar tudo em uma pegada oitentista do traditional heavy metal. Porém, em “Evil Witch” – embora conte com um primoroso trabalho de bateria de Lala Frischknecht – já `há sinais de falta de inspiração, trazendo a clássica levada “cavalgada” como condutora, mas que, para todos efeitos, faz um bom feijão com arroz.

Entretanto, a anunciada monocórdia aparece na faixa seguinte: “World On Fire”. Vemos aqui o clássico caso da excelência acomodada a qual ficou em terreno seguro e inerte. Os vocais de Laura no pre-chorus e no próprio refrão, assim como as linhas de guitarras, soam desinteressantes e desinteressadas. Os clichês são jogados aleatoriamente ao longo da faixa sem uma visível clareza de objetivo. Para ouvidos mais atentos e treinados no estilo, é o típico caso da faixa a qual se escuta os primeiros minutos e se pula antes de terminar.

A próxima música é a balada “Tomorrow”, em que vemos a versatilidade vocal de Laura Guldemond em um ritmo menos acelerado e energético. Funciona bem ao contexto geral de “The Dark Tower”, mas também não se trata de um momento tão relevante da audição. A próxima, “House of Blood” é feita com efeitos sonoros atmosféricos (portas rangendo, caixinha de música, risadas e gritos de lamúria) servindo como ponte para a faixa nome do título: “The Dark Tower”. Essa começa com os tambores de Lala rompendo o clima, dando a impressão que estamos sendo introduzidos a um mundo sombrio de um bom filme de terror. A letra da composição também aposta nisso, com alusões diabólicas e à rituais macabros. Porém, não demora muito para a adrenalina cair e estarmos preso em mais um roteiro monótono e previsível. Seguindo a analogia do cinema, é o caso em que o cartaz é melhor do que o próprio filme.
Então, quando você começa a perder o ânimo, as meninas lançam “Heart of Ice”, nona e talvez melhor faixa. Os vocais de Laura atingem um tom emocional que condizem com o refrão melancólico que lamenta “estar perdida em um coração de gelo” e o duo de guitarras de Romana e Larissa tematizam esplendidamente o desconsolo, alterando em solos cheios de sensibilidade e riffs poderosos. Aliás, os solos dessa música podem ser, indubitavelmente, expostos orgulhosamente na galeria de preciosidades das Bruxas Suíças. Perfeitos no sentido estrito da palavra.

Depois do provável ápice da obra, somos arremessados novamente ao marasmo nas próximas quatro canções conseguintes. Sem grandes arroubos adjetivos ou predicativos, serei prático – para não dizer “taxativo” – ao mencioná-las na sequência. Assim, “Arrow of Time” é chata e sem graça, possivelmente sendo prejudicada por vir depois de “Heart of Ice”. “Doomed to Die” é pretenciosa e forçada em certas passagens, mas o refrão e os solos salvam. “Into de Unknown” é a expressão do cansaço criativo do grupo, arrastando-se em riffs previsíveis e cadência senso comum. Por fim, “The Lost Souls”, última faixa do álbum, é literalmente a tentativa final em dar conseguir mais um fôlego para uma estratégica retirada de cena. A música é um tanto desorganizada, joga em variâncias rítmicas e sonoras, momentos menos e mais cadenciados, solos que alternam de velocidades... até um derradeiro final desestruturado, simbolicamente performado por um grito de uma mulher – uma bruxa(?) – agonizando ou morrendo. Agourento, não?

O álbum ainda traz de presente duas faixas extras como bônus. E podem ficar calmos: são os covers de “Shot In The Dark” do Ozzy Osbourne e “I Wanna Be Somebody” do WASP, feitas com a excelência técnica e interpretativa das moças.

“The Dark Tower” é um trabalho que talvez não elabore o melhor significante do que a Burning Witches pode fazer. Tem pontos altos, mas permanece em uma linha constante e mediana que não empolga como deveria. Como disse ao início desse texto, busquei analisar o grupo pela sua arte, sem nenhum julgamento ou desconsideração relativas a discursos construídos de gênero como muitos fazem, ou evitam ou não sabem como conduzir. Por fim, vamos esperar o próximo degrau a ser alcançado por essa crescente banda, contando, certamente, com o momento em que suas identidades artísticas irão sobrepor quaisquer apontamentos genéricos e insensatos que tantas mulheres no mundo do heavy metal precisam enfrentar corriqueiramente.

Gregory Weiss Costa




quarta-feira, 6 de setembro de 2023

PRIMAL FEAR - CODE RED (2023)



PRIMAL FEAR
CODE RED
Atomic Fire / Shinigami Records

Quem acompanha a cena Power Metal alemã sabe do tamanho e da relevância do Primal Fear para a cena não só daquele país, como do Heavy Metal como um todo. O tempo passou, Ralf Scheepers parece ter definitivamente superado a sua não bem sucedida audição para entrar no Judas Priest, Mat Sinner segue com sua banda solo e comandando o Primal Fear com mãos de ferro há quase 30 anos, enfim tratamos aqui do novo lançamento de um gigante de Metal mundial.

Formalidades a parte vamos ao que interessa: que disco excepcional temos aqui senhores! Analisando friamente os trabalhos mais recentes, “Apocalypse” (2018) foi onde a banda tirou um pouco (ou muito!) o pé do acelerador, o que já foi um pouco alterado em “Metal Commando” (2020), e aqui a banda parece voltar aos seus melhores dias e lança um álbum que fará a alegria de seus fãs mais antigos e ávidos por aquilo que os caras fazem de melhor: refrãos épicos, riffs poderosos onde podemos sim perceber aqui e ali, as 3 guitarras que formam o line up do Primal Fear já há algum tempo.

“Another Hero” abre o trabalho como uma banda tipicamente Heavy Metal e em “Bring the Noise” temos um destaque absoluto: refrão espetacular, lindos solos e riffs e uma cozinha que faz o arroz com feijão. Que refrão meus amigos! Em “Deep in the Night” chama a atenção a linha de baixo feroz de Mat Sinner o que não chega a ser novidade nenhuma em sua longa discografia, e a interpretação de Scheepers faz jus a transformar essa em outro destaque do trabalho. O que dizer de “Cancel Culture”, além de que sua letra é muito (e bota muito nisso!) atual e relevante para os dias de hoje em que muita gente se acha no direito de querer lacrar fazendo o cancelamento de alguém por algum lapso ou erro cometido. Não apenas a letra, a faixa como um todo é um arregaço. A melhor do disco!

O tracklist segue com as tipicamente Primal Fear “Play a Song” e “This World on Fire” esta última com uma avalanche de riffs que só ouvindo pra crer. “Their Gods Have Failed” segue a linha mais longa e épica com faixas mais elaboradas como por exemplo “Fighting the Darkness”, “When Death Comes Knocking” ou “We Walk without Fear”. O ponto mais marcante dessa faixa é, como não poderia deixar de ser, o refrão daqueles bem grudentos e de fácil assimilação.

A pesadíssima “Steelmelter” abre alas para “Raged by Pain” a mais rápida faixa do Primal Fear em anos, a própria duração de pouco mais de 3 minutos já entrega isso. E como não poderia faltar há a mega balada “Forever” feita com a classe de sempre, e a melódica “Fearless” fecha com chave de ouro este grande trabalho que intimamos você caro leitor, a ouvi-lo sem nenhuma moderação.

Em um cenário tão vasto de bons lançamentos, em especial de bandas com esse jeitão, não é tão fácil assim separar o joio do trigo; aqui a mais pura adrenalina é despejada sem dó nem piedade no ouvido de quem ousar dar o play neste grandioso trabalho. Que bom vê-los sedentos por Metal de verdade e sem firulas excessivas a essa altura de sua carreira. Que mais bandas por aí façam isso, por favor!

Mauro Antunes






segunda-feira, 4 de setembro de 2023

XFEARS - REASONS FOR CHANGE (2023)

 


XFEARS
REASONS FOR CHANGE
Metal Relics - Nacional

Não é novidade pra ninguém que este redator que vos escreve não é um grande apreciador do denominado PROG METAL. O simples uso do termo já me causa uma certa ojeriza, muito pelo que bandas como Dream Theater acabaram por proporcionar a este pobre ouvinte: notas e notas e notas, quebradeiras desconexas e um malabarismo musical que cansava nos primeiros 30 segundos de audição. No entanto, muitas bandas vem quebrando esse paradigma estabelecido por mim por apresentarem trabalhos voltados ao feeling e à musicalidade, colocando sempre a música em primeiro lugar. E a XFEARS, formada em 2002, é uma dessa bandas! Uma mistura perfeita entre o metal tradicional, o já citado prog metal, mas com pitadas de thrash metal em alguns momentos, faz de REASONS FOR CHANGE, segundo álbum do trabalho do grupo, lançado pela Metal Relics, um álbum fácil de ouvir, que cativa desde os primeiros momentos de sua audição. 

Gabriel Carvalho (voz e teclados), Nando Cavaccini (guitarras), Murilo Barim (baixo) e Douglas Polents (bateria), apresentam um trabalho coeso, maduro e muito bem estruturado, tanto tecnicamente quanto qualificado. Gabriel possui um timbre que foge um pouco dos vocalistas do estilo, pois traz melodia e agressividade ao mesmo tempo em sua voz, navegando facilmente pelos dois extremos. Além disso, oferece linhas de teclados que não cansam o ouvinte, mostrando classe e bom gosto. A guitarra de Nando, por sua vez, se mostra pesada, com rifs inspirados pelo que de melhor o heavy metal nos proporciona. Já a cozinha composta por Mutilo e Douglas, criam bases muito interessantes, por vezes intrincadas, mas nem por isso, deixar de prestar serviço à musicalidade da banda. Muito bem produzido, fato que deve ser creditado ao vocalista Gabriel, o álbum foi mixado e masterizado por Benhur Lima (ex-baixista da Hibria). Sonoridade na medida, sem exageros, mostrando uma banda que vem se firmando como uma das grandes representantes do estilo, liberando espaço para criatividade e versatilidade, algo bastante raro hoje em dia. 

"Overture" é muito mais do que uma introdução, pois de cara mostra toda a técnica e dinâmica da banda, com passagens climáticas e pesadas num casamento equilibrado entre guitarra e teclado, deixando baixo e bateria livres para desfilar suas estruturas bem trabalhadas. Logo na sequência, "When We Die", ótima composição, que navega com facilidade pelo metal e pelo prog, dosando de forma consistente essas duas vertentes. A voz de Gabriel, com seu timbre característico, se encaixa com consistência, agregando um diferencial à banda, ainda que isso não seja o maior destaque do trabalho, uma vez que, como citado anteriormente, a coesão e entrosamento do grupo se mostram bastante evidentes. Fato esse que vem a se firmar ainda mais em "Don't Wait", onde Nando cria linhas de guitarras muito bonitas, e a banda cria uma singela aproximação com a música pop (mas não pense na música pop que toca nas rádios hoje em dia), o que em outros tempo, levaria um clipe dessa faixa a ser exibido na programação da MTV (vejam  bem, na "falecida" MTV). O que não é demérito algum, ou esqueceram que "Symphony of Destruction", "Enter Sandman", "Heaven's a Lie", entre outras faziam parte da grade b=normal da extinta emissora?

No entanto, "Fix it All" traz um dose extra de peso, num andamento mais cadenciado e carregado de energia e emoção. A interpretação de Gabriel ganha ares de sentimentos mais intensos, onde as passagens mais limpas trazem à tona a musicalidade do excelente cantor. "Redemption", é uma bela balada, e se na faixa anterior tínhamos sentimento e energia, aqui essa dupla aparece em maior dose, carregando em sua melodia um clima de suavidade paz. Que bela composição! "Changes", em seguida, põe o metal tradicional em sua essência, ainda que o prog metal se faça presente, muito pelas linhas de teclado de Gabriel. Há momentos em que a guitarra se aproxima de riffs thrash, mas nada que soe forçado ou deslocado dentro da criatividade do grupo. O peso continua dominando o cenário em "Reason to Stay", faixa que antecede "The Show Must Go On", uma das mais belas músicas compostas pelo Queen. Fiquei curioso, muito pela voz de Gabriel ser muito diferente da voz de Freddie Mercury. Mas o resultado final ficou muito bom, pois a banda soube imprimir sua personalidade na faixa, dando uma cara toda própria. Parabéns ao grupo pela escolha e pela excelente execução! Pra fechar o álbum, "Peace Within", a mais longa faixa do trabalho, com seus mais de 7 minutos, onde o grupo desfila suas mais diversas influências, tendo por base o peso e a melodia.

REASONS FOR CHANGE é um trabalho maduro, coeso e verdadeiro. Um álbum que servirá para que a XFEARS venha a consolidar sua posição dentro do concorrido cenário nacional, de forma firme e consistente. Qualidade e técnica o grupo possui de sobra. Só falta os fãs de heavy metal no Brasil (e no mundo) dispensarem maior atenção à banda! 

Sergiomar Menezes




sexta-feira, 1 de setembro de 2023

REBEL ROCK RESEARCH - GUNS N' ROSES

 

Por Sergiomar Menezes

Falar sobre a discografia do GUNS N' ROSES não é uma tarefa tão árdua assim afinal, o grupo possui trabalhos bastante distintos em sua carreira, passando por bobagens irremediáveis assim como tendo lançado um dos maiores álbuns da história do Rock. O temperamento (ou seria birra) explosivo de Axl Rose, a técnica de Slash, o talento de Izzy Stradlin, a postura e atitude de Duff McKagan e  apegada visceral de Steven Adler, colocaram a banda num patamar altíssimo logo em sua estreia. Mas a carreira do grupo foi cercada de polêmicas, troca de integrantes, brigas intermináveis, shows medonhos, turnês bem sucedidas, discos de platina, mais escândalos, 15 anos de espera por um trabalho que... Uma verdadeira montanha russa! Mas aqui, no REBEL ROCK RESEARCH, coube a mim ranquear os álbuns de estúdio do grupo (exceção feita aos EPs e Greatest Hits lançados). Sem muito mais a dizer, ou melhor, a escrever, segue minha lista do pior ao melhor álbum da banda que mudou minha vida!


CHINESE DEMOCRACY - 2008


Não é preciso muito esforço para colocar esse trabalho do Guns n' Roses como o pior de sua curta discografia. Por mais fã que alguém seja do grupo, é impossível alguem relatar, ainda que esteja longe de sua sanidade mental, que este álbum seja o seu preferido ou que ocupe uma posição que não seja a de sexto lugar nesse imaginário ranking. Se não, vejamos: mais de 15 anos para ficar pronto; um entra e sai infinito de músicos, apresentações abaixo da média (isso quando aconteciam) e muito pouca imspiração. O resultado não poderia ser outro. Faixas bastante desprezíveis como "If The World" (uma das maiores atrocidades cometidas por Axl Rose), "Scraped" (um verdadeiro disparate musical), "Riad and the Bedouins" (era pra tentar soar como o Mötley Crue do Generation Swine?), "Sorry" (título auto explicativo), "Madagascar" (vai por mim, assista a animação da DreamWorks que é um milhão de vezes mais divertida) , "This I Love" (impossível ouvir mais que 20 segundos ) e "Prostitute" (eu ainda não consigo acreditar que essa música saiu sob o nome do GN'R). Mas, é possível salvar quatro faixas. "Chinese Democracy", "Shackler's Revenge" (muito mais pelo refrão), "Better" (uma das melhores músicas do grupo, digna de figurar em qualquer "best of") e "Street of Dreams" (que chegou a se chamar "The Blues" durante um tempo e que ganhou aqui uma interpretação cheia de emoção por parte de Axl). Ou seja, se você um EP, ainda que tivesse demorado essa infinidade de tempo, seria algo bem mais interessante pra levar a chancela Guns n' Roses.

THE SPAGHETTI INCIDENT ? - 1993


Você deve estar se perguntando: o quê um álbum de covers faz aqui? Simples: apesar de ser um trabalho nesse formato, o CD foi durante muito tempo, o último álbum oficial do grupo. E, afinal de contas, ele consta na discografia oficial da banda, então vamos a ele... Obviamente que um álbum de cover nem sempre agrada, uma vez que ou a banda faz por pressão da gravadora (musicando faixas mais comerciais) e outras faz por vontade própria (criando versões de músicas que realmente fizeram parte das influências do grupo). Aqui podemos ver que o disco foi muito mais focado mais nas influências punk do quinteto. Apesar disso, trabalho apresenta versões bem interessantes como "Since I Don't Have You" (The Skyliners - grupo vocal norte americano do final dos anos 50) e "Hair of the Dog" (Nazareth), onde a voz de Axl casou muito bem, e "Buick Makane (Big Dumb Sex)" , um mix de T.Rex e Soundgarden. Indo pro lado mais "vagabundo" da coisa, "Attitude" (Misfits), "New Rose" (The Damned), "Down on the Farm" (Uk Subs), "Raw Power" (Stooges), "Ain't it Fun" (Dead Boys) , numa versão sensacional - talvez a melhor música do álbum, "You Can't Put Your Arms Around a Memory" (Johnny Thunders) e "I Don't Care About You" (Fear). Albuns pontos importantes sobre o CD: a maioria das faixas foi cantada por Duff; é o único trabalho de estúdio do guitarrista Cilby Clarke com o grupo; e após a última faixa, temos "Look at Your Game Girl", composição de Charles Manson. Não acrescentou nada a banda musicalmente, mas rendeu uma boa polêmica...

USE YOUR ILLUSION II - 1991


Você pode pensar: como assim? O Illusion II em quarto lugar? Sim, na minha opinião, que é o que está sendo escrito aqui, Use You Illusion II, não figura no pódio dos três melhores álbuns do grupo. Apesar de contar com faixas espetaculares como "Civil War", "14 Years" (cantada por Izzy Stradlin - que deixou a banda pouco tempo depois), "Breakdown", um belo exemplo de como soar comercial e verdadeiro numa canção, "Pretty Tied Up", uma das melhores músicas do grupo (e como esquecer da abertura do show no Rock in Rio II em 1991?), "Locomotive" , nervosa e um tanto quanto ledzeppeliana, "Estranged", uma das mais belas músicas da história, top 10 da carreira do grupo e "You Could be Mine", um Hard Rock visceral, que tempos depois veio a ser assassinada pelo atual baterista do grupo, o horrendo Frank Ferrer, o álbum traz faixas um tanto quando desnecessárias como "Yesterdays", "Knockin1 on Heaven's Door" (cover de Bob Dylan), "Shotgun Blues" (bem chatinha), "Get in the Ring" (ao vivo que ganhou mais notoriedade pela letra do que pela estrutura em si), a versão com letra alterada de "Don't Cry" e a mais medonha de todas as composições do GN'R: " My World", que deveria ter sido guardada para o Chinese Democracy. Um bom álbum, mas que à época, poderia ter sido um álbum simples e não duplo.

GN'R LIES - 1998


Aproveitando a boa onda e receptividade que o quinteto vinha recebendo da mídia e do público, a gravadora (Geffen) decidiu relanças o EP "Live!?* LIke a Suicide!" (que continha 04 faixas ao vivo - sendo 2 covers e duas faixas autorais) somado À mais 04 faixas acústicas gravadas pelo grupo e que figuram, ainda que nesse formato, com a crueza e capacidade de polemizar que o grupo veio a perder com o passar dos tempos. Iniciando o lado A (Ô saudade desse tempo) tínhamos as faixas ao vivo. "Reckless Life" E "Move to the City", autorais. Enquanto a primeira caminhava prum lado mais sleaze da coisa, a segunda tinha uma pegada mais Hard tradicional. Já "Nice Boys" e "Mamma Kin", eram as covers, do Rose tattoo e Aerosmith, respectivamente. Se não acrescentam muito, ao menos servem para mostrar as influências mais antigas da banda. Mas o grande destaque fica com o lado B, onde as faixas acústicas aparecem. "Patience", que ficou conhecida por ser a "música do assobio", é uma bela canção, onde podemos notar um Axl bom vocalista, sem exageros ou buscando algo que não consiga executar, "Used to Love Her", que hoje, muito provavelmente não seria lançada, tamanha a babaquice e demência que atingiram não apenas a indústria musical, como também a capacidade cognitiva de boa parte do público. Uma música divertida e irônica, dificil de entender pra quem possui menos de dois neurônios funcionando. "You're Crazy", faixa do magnânimo Appetite for Destruction, que ganhou uma bela versão acústica, com letra um pouco alterada, o que também ofenderia áqueles que querem mudar u mundo mas que não se prestam a rrumarem suas próprias camas, e a cereja do bolo: "One in a Million". "Police and niggers That's right Get out of my way Don't need to buy none of your Goldchains today I don't need no bracelets Clamped in front of my back" "Immigrants and faggots They make no sense to me They come to our country And think they'll do as they please Like start some mini Iran Or spread some fucking disease"... Acho que não preciso dizer mais nada, não é mesmo? Mas pau que bate em Chico, bate em Francisco: "Radicals and racists Don't point your finger at me I'm a small town white boy Just tryin' to make ends meet Don't need your religion Don't watch that much TV Just makin' my livin', baby, Well that's enough for me". A estrutura musical beira a perfeição, mostrando uma banda pura em sua essência. Uma pena que hoje, a música seja renegada pelo próprio grupo...

USE YOUR ILLUSION I - 1991


E chegamos ao segundo lugar desse ranking do GN'R baseado apenas no meu gosto pessoal. E Use Your Illusion I, figura como o vice-campeão dessa "competição". Um álbum mais voltado às raízes cruas da banda, com músicas mais viscerais, com toques de sleaze e uma pegada bastante próxima (não igual) ao do trabalho de estréia. Apesar de conter faixas mais antigas do grupo, o disco soa bastante homogêneo se comparado ao UYI II, criando uma maior identidade e personalidade no álbum. O que dizer da faixa de abertura, a seminal "Right Next Door to Hell"? Uma porarda direta e seca na cara dos detratores do grupo, que diziam que a banda estava deslocada do contexto. Um Hard/Sleaze cheio de energia e visceral como só os gunners sabiam fazer. "Dust and Bones", a segunda faixa que, assim como em UYI II, foi cantado por Izzy, com uma peda meio bluesy. Faixas como "Perfect Crime", Back off Bitch" (composição bem antiga), "Double Talkin' Jive", "The Garden of Eden", "Don't Damn Me" e "Dead Horse" (que contém o melhor solo de Slash em toda sua carreira no grupo), mostram a essência Hard Rock do grupo, de uma forma consistente ebastante objetiva. Mas também temos algumas experimentações que surtiram efeitos positivos como "Bad Obssession" trazendo metais, numa linha quase Rolling Stones (cabe lembrar que o grupo serviu de opening act para os ingleses durante um bom tempo), "You Ain't the First", também cantada por Izzy e com um refrão pra galera cantar junto, bêbada e feliz, "The Garden", que traz a participação de ninguém mais ninguém menos que Alice Cooper (ídolo de Axl e  Slash), "Bad Apples", e sua levada guiada pelo piano de Dizzy Reed e a espetacular "Coma", que segundo o próprio Izzy, era muito difícil de ser tocada ao vivo, tamanha a troca de andamentos. pesada e densa, a música é um dos grandes destaques do álbum. Infelizmente, nem tudo são flores. A versão de "Live and Let Die", de Paul McCartney não traz nada de diferente, sem acrescentar nada ao trabalho, enquanto "November Rain" consegue ser irritante com sua pretensão de se tornar clássica, conseguindo no máximo, matar as lombrigas de Axl com um clipe tão sem fundamento quanto a faixa em questão. Tirando isso, é um álbum verdadeiro de uma banda verdadeira!

APPETITE FOR DESTRUCTION - 1987


Surpreendendo 0 pessoas, o primeiro lugar fica, com uma ótima vantagem sobre o segundo colocado, com a obra prima chamada APPETITE FOR DESTRUCTION. Não existem muitas palavras para expressar toda a grandiosidade desse trabalho. Estupendo, magnífico, sensacional, sublime, de outro mundo. Um dos melhores álbuns de estréia de todos os tempos. Uma banda com sangue no zóio, querendo seu lugar ao sol de qualquer jeito, mas com um talento para a música, como para a ´destruição (como o nome do álbum entrega), poucas vezes visto antes. A banda que estava no lugar certo, na hora certa. Um disco perfeito? Para muitos sim, ainda que eu tenha apenas uma pequena, para não dizer quase inexistente, ressalva. Axl, Slash, Izzy, Duff e Adler conseguiram sintetizar a fúria do hard/metal/punk/sleaze em um trabalho único, seminal e verdadeiro. Como não simpatizar com esses cinco desordeiros que queriam ganhar dinheiro, beber, fazer sucesso e pegar muita mulher? Bom, essa era a essência do hard Rock, só que o Guns n' Roses conseguiu elevar isso à décima potência trazendo cla´ssicos atrás de clássicos num álbum que beira a perfeição. "Welcome to the Jungçle" dá as boas vindas à selva, trazendo toda a fúria do grupo, numa interpretação visceral de Axl, numa das faixas mais icônicas da banda. Não á toa, a faixa foi a escolhida para a minha formatura no curso de Direito (If you got the money, honey...)... "It's So Easy", um soco na boca do estômago, com Slash e Izzy mostrando que foram, uma das duplas mais fodas do hard Rock americano. Adler, que teve sério problemas com drogas tempos depois (à época ela já tinha um relacionamento com elas), tinha a pegada certa pra bateria, enquanto Duff trazia seu jeito punk de ser. "Nightrain" um vinho dos mais vagabundos, ganhou fama e se tornou um clássico do grupo, tocada até hoje pela banda em suas apresentações.

"Outta Get Me". Que riff! Que riff! que timbre de guitarra! Que música desgraçada de boa! Mais uma vez, Slash e Izzy destruíram tudo num entrosamento digno de nota máxima. Mais uma vez, que puta timbre fudido nessas guitarras! A heroína, tão cara aos membros da banda nessa ´poca, surge sendo "homenageada" em "Mr. Brownstone", onde são narradas as peripécias da banda da hora de acordar até o momento em que ninguém sabe a hora que vai voltar a dormir. Um clássico indiscutível que retrata um momento bem complicado vivido por todos naquele período. E então, temos uma daquelas músicas em que os compositores são iluminados por uma luz de outro mundo na hora de criá-la: "Paradise City". Incrível o poder que essa música emana quando é executada. É impossível passar despercebida ou alguém se mostrar indiferente perante ela. Riffs, solos, mudanças de andamento. Peso, energia e um refrão que até minha falecida vó cantaria se estivesse por aqui hoje em dia. Guardadas as devidas proporções, é a "Rock n' Roll All Nite" do grupo. Em seguida, outra faixa que relata um lado mais sombrio e pesado do grupo é "My Michelle". Uma letra forte e um instrumental carregada de peso, fazem dela um momento único no álbum, que antecede uma das faixas mais injustiçadas da banda "Think About You". Música espetacular, um Hard revigorante, cheio de nuances sexuais (algo bem corriqueiro durante o decorrer do disco), e com guitarras sensacionais, a composição também consegue passar todo um cliam de diversão no refrão enquanto Axl conta que "pensa na garota" e que bem no fundo, ele é aquele que a "ama" melhor... Ah, que saudade dessa banda sacana e sem pudor! "Sweet Child O'Mine" foi durante muito tempo, uma faixa que eu "esqueci" de tanto que insistiam com essa música, seja nas rádios, seja na TV, seja nas propagandas. Mas hoje, ouvindo com atenção, redescobri uma bela canção de amor e que trouxe à banda uma popularidade incrível. Além de conter um riff que todo mundo sabe qual é. Aquela ressalva, que eu citei lá atrás, vem com "You're Crazy". Apesar de ser aquele Sleaze sujo, visceral e direto, prefiro a versão presente em GN'R Lies, ams ainda assim, a faixa é um petardo! "Anything Goes" uma das primeiras composições do grupo é outra verdadeira ode à putaria, num linha instrumental totalemente insana. "Rocket Queen" encerra esse trabalho esplêndido, com uma música mais uma vez polêmica, seja pela letra, seja pelas incursões (gemidos) presentes em determinados momentos. Incursões essas que causaram mal estar entre os membros da banda...

Bom, era isso. APPETITE FOR DESTRUCTION não é apenas o melhor álbum do GUNS N' ROSES, mas também, um dos melhores álbuns já lançados neste planeta. Se você ainda não conhece (é mais fácil eu começar a falar TODES do que isso ser verdade), procure conhecer. Tenho a mais absoluta certeza que você não vai se arrepender!