SLAVE TO GRIND - 35 ANOS DO ÁLBUM QUE GANHOU PESO NAS GUITARRAS SEM PERDER A MELODIA
Por Sergiomar Menezes
Em 11 de junho de 1991, o SKID ROW disponibilizava ao mundo um trabalho que não apenas mexia com as expectativas da sua gravadora, mas também faria história na música pesada. Ao completar 35 anos, SLAVE TO THE GRIND permanece como um marco fundamental de transição e coragem, uma vez que o Hard mais festeiro e despojado do primeiro álbum, deu lugar a guitarras mais pesadas, vocais mais rasgados e uma atmosfera mais densa no que diz respeito às letras. Após estourarem mundialmente, impulsionados por megahits como "18 and Life" e "I Remember You", o caminho comercial mais seguro para o Skid Row seria repetir a fórmula. Havia uma pressão imensa para manter o visual perfeitamente alinhado e as baladas de rádio no topo.
No entanto, a banda liderada pelas guitarras de Dave "The Snake" Sabo e Scotti Hill, pelo baixo pulsante de Rachel Bolan e pela bateria de Rob Affuso decidiu endurecer o jogo. Eles recrutaram novamente o produtor Michael Wagener, mas deixaram claro: o novo som seria cru, agressivo e sem concessões. O resultado foi um soco na boca do estômago da indústria. As guitarras ganharam afinações mais baixas, flertando abertamente com o peso do heavy metal tradicional. Como citado anteriormente, as letras abandonaram os clichês festivos e de romance da Sunset Strip para focar em críticas sociais, isolamento, corrupção e saúde mental.

Mesmo sem o apelo comercial do primeiro disco, Slave to the Grind realizou um feito inédito: foi o primeiro álbum de heavy metal a estrear diretamente no número 1 da Billboard 200 na era SoundScan (o sistema informatizado que passou a computar com precisão as vendas reais de discos). O feito provou que o público estava sedento por uma sonoridade mais visceral exatamente no ano em que o cenário musical mudaria drasticamente com o estouro do grunge.
"Slave to the Grind" se destaca por não dar trégua ao ouvinte, equilibrando perfeitamente a velocidade com baladas densas e sombrias. A abertura com "Monkey Business" dita as regras com um riff icônico arrastado que explode em velocidade. Já a faixa-título, "Slave to the Grind", e a veloz "Riot Act" mostram uma banda tocando no limite da agressividade, com andamentos que lembram o som de bandas como Pantera e Anthrax (com quem o Skid Row dividiria palcos em turnê). No que diz respeito as baladas, longe de serem canções de amor açucaradas, neste disco elas lidam com temas complexos. "Quicksand Jesus" questiona a fé e a humanidade em momentos de crise. "In a Darkened Room" aborda o abuso e o trauma de forma profundamente melancólica e "Wasted Time", um dos pontos altos da carreira da banda, narra a dolorosa decadência de um amigo devido ao vício em drogas.
Mas é praticamente impossível falar de "Slave to the Grind" sem destacar a performance de Sebastian Bach. Se no primeiro disco ele já mostrava alcance, aqui ele entregou uma das interpretações vocais mais impressionantes da sua carreira. Bach transita entre vocais limpos e profundos nas partes melódicas e agudos rasgados nas faixas mais pesadas. O controle dinâmico e a raiva legítima que ele imprimiu em estúdio se tornaram o padrão de ouro para vocalistas do gênero, imortalizando canções que pouquíssimos cantores no mundo conseguem reproduzir com a mesma entrega.
SLAVE TO THE GRIND foi uma declaração de liberdade do grupo, provando que a banda era musicalmente muito mais robusta, pesada e madura do que os clichês visuais da Sunset Strip sugeriam. Para o Hard Rock em geral, o álbum quebrou barreiras ao se tornar o primeiro disco a estrear no topo da Billboard na era moderna de contagem de vendas, mostrando que era possível alcançar o sucesso comercial massivo sem abrir mão da agressividade. Ao adentrar no mundo das guitarras pesadas, o SKID ROW antecipou os rumos dos anos 1990, deixando como legado uma obra atemporal que serve de ponte perfeita entre o hard rock clássico e o metal moderno.
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