sexta-feira, 21 de agosto de 2026

LORNA SHORE - I FEEL THE EVERBLACK FESTERING WITHIN ME (2025)

 


LORNA SHORE
I FEEL THE EVERBLACK FESTERING WITHIN ME
Shinigami Records/Century Media - Nacional

Vamos lá... O deathcore não está no rol dos meus estilos preferidos. E também posso afirmar que não tenho por hábito ouvir algo que se encontre dentro dessa categoria. Mas os ossos do ofício, por vezes, acabam fazendo com que situações como essa aconteçam. Muitas vezes, acabo me surpreendendo positivamente. Outras tantas, confirmo o que já esperava. Porém, algumas vezes, o meio do caminho acaba acontecendo e por mais que a música se mostre um tanto repetitiva, é possível encontrar qualidade e momentos inspirados em alguns trabalhos. E esse é o caso de I FEEL THE EVERBLACK FESTERING WITHIN ME, mais recente trabalho do grupo norte-americano LORNA SHORE. Lançado em setembro de 2025, o trabalho teve a difícil missão de superar "Pain Remains" (2022), que elevou o grupo a um outro nível dentro do cenário. Se o objetivo foi atingido, fica a critério dos fãs. O que sei é que se trata de um álbum poderoso e intenso.

Will Ramos (vocal), Adam De Micco (guitarra solo), Andrew O'Connor (guitarra, sintetizadores, orquestrações), Michael Yager (baixo) e Austin Archey (bateria) nos trazem a fusão de deathcore com alguns arranjos orquestrados. As guitarras entregam riffs afiados e têm um cuidado maior em criar linhas melódicas que servem de contraponto ao peso da cozinha, que traz base técnica cirúrgica, alternando acelerações insanas com "breakdowns" ritmados que sustentam o clima tenso do álbum. Com relação às orquestrações, os arranjos de teclado se mostram presentes em abundância, funcionando como uma névoa sombria ao fundo de cada faixa, embora em instantes pontuais cheguem a disputar espaço com as guitarras.

O álbum abre com "Prison of Flesh", e de cara mostra o que o LORNA SHORE faz de melhor: um caos musical extremamente técnico com camadas densas, criando uma atmosfera sombria, quase opressiva, o que se mantém durante a execução de todo o álbum. Na sequência, com seus mais de 8 minutos, "Oblivion" traz uma grande variação de ritmos, quebradeiras e insanidade, e mostra a capacidade da banda em criar climas diferentes dentro de uma composição longa sem se tornar maçante. Já "In Darkness" aposta em um andamento mais cadenciado, mas ganha velocidade e camadas de teclado que transformam sua execução. "Unbreakable", também lançada como single (assim como "Oblivion"), é outro momento que as camadas de teclado ganham destaque, mesmo que o peso das guitarras perdurem durante o andamento caótico da composição. Por sua vez "Gleenwood" tem um toque bastante pessoal, pois fala do afastamento do vocalista Will Ramos de seu pai, e que segundo ele próprio, espera alcançar outras pessoas em situação semelhante. Carregada de uma carga emocional muito forte, a velocidade imposta aqui, transforma a faixa em um dos destaques do trabalho.

"Lionheart" retoma a atmosfera caótica, referendada pelos vocais urgentes e desesperados de Will, que se mostra um ótimo vocalista dentro da proposta musical do quinteto. Os teclados, mais uma vez, se mostram de forma imperativa, trazendo nuances quase psicóticas à composição. Sinos e corais iniciam "Death Can Take Me" traz os elementos do deathcore, quais sejam, guitarras insanas, velocidade da luz e vocais urrados quase desconexos. Ou seja, perfeita para os amantes do estilo! "War Machine" (nada a ver com a música do KISS), mantém a mesma linha, assim como " A Nameless Hymn". Já o encerramento vem com "Forevermore", com quase dez minutos, que sintetiza a jornada emocional e sonora do álbum. A faixa acumula camadas de teclados e arranjos de cordas sobre bateria veloz e caótica, criando um clima totalmente dramático. A transição para o trecho final traz uma sequência de desacelerações rítmicas e linhas vocais sem efeitos, terminando o disco em um estado de exaustão sonora e temática.

I FEEL THE EVERBLACK FESTERING WITHIN ME vai agradar os fãs da banda e do estilo. Se a missão era superar seu trabalho anterior, o LORNA SHORE fez aquilo que deveria: não ter medo de arriscar e agregar ainda mais insanidade à sua música. Não virei fã e nem irei comprar o disco. Mas recomendo aos amantes desse estilo pois a banda traz honestidade e personalidade naquilo que faz. E isso, seja o estilo que for, faz muita diferença.

Sergiomar Menezes




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