IMMOLATION
DESCENT
Shimigami Records/Nuclear Blast - Nacional
DESCENT
Shimigami Records/Nuclear Blast - Nacional
A grande lenda está de volta. São quase quatro décadas de velha escola, e desde seu debut álbum “Dawn of Possession” de 1991, os novaiorquinos sempre se mantiveram íntegros em sua discografia, nos brindando com gemas do estilo como poderia citar igualmente “Here in After” (1996), “Close to a World Below” (2000) e “Atonement” (2017), e nesse seu novo opus, denominado “Descent”, posso dizer que a banda reafirma que é uma das maiores e mais importantes do estilo, não só por manter a qualidade mas principalmente por não abdicar de sua essência.
Logo de cara com “These Vengeful Winds” já percebemos a sintonia perfeita entre riffs cortantes e harmonias dissonantes e sombrias, com a já conhecida precisão e técnica que dita o estilo peculiar da banda, e uma violência que ainda se assevera na segunda faixa, “The Ephemeral Curse”, onde blast beats rolam de forma natural e se moldam às composições que se alternam entre cadência e velocidade. “God’s Last Breath” é realmente desoladora, inicia mais lenta, obscura e tem uma crescente matadora de brutalidade, balizando um caminho mórbido até “Adversary”, uma faixa com cara de clássico onde é notável o nível de entrosamento dos caras, especialmente o belo trabalho de guitarras de Alex Bouks e o mentor Robert Vigna, contando com a produção de um clipe oficial caótico.
“Atrition”, outra faixa interessante, traz um destaque a precisão do baterista Steve Shalaty, viradas impressionantes e brutalidade sem firulas, firmando cada vez mais seu estilo inconfundível na história da banda. “Bend Towards the Dark” é outra que virou clip oficial (essa última trinca de faixas, na verdade) e é grande destaque, trazendo ao ouvinte uma boa dose de caos e harmonias insanas. O baixista e vocalista Ross Dolan, outro mentor fundamental da história da banda, soa agressivo e marcante. A sétima faixa, “Host”, apresenta uma levada inicial tribal bem interessante, e vai encontrando as harmonias perturbadoras ao longo do caminho, e conta com participação de Dany Lilker (S.O.D./ Anthrax/ Nuclear Assault), bem como na próxima e mais direta ao ponto “False Ascent”, mais agressiva e voltando à brutalidade em sua forma mais crua, um dos destaques. Finalizando, a perturbadora e bela instrumental “Banished” abre portas para o último lamento em “Descent”, uma faixa típica do que é o Immolation, caótico e brutal simplesmente, na melhor concepção do que é historicamente a identidade da banda.
As composições apresentadas em seus pouco mais de quarenta minutos levam ao ouvinte sensações de total inquietude, o conceito de “queda” é bastante explorado, mostrando uma humanidade absorvida em falsos dogmas e auto destruição, em um conceito apocalíptico em que os caras se provaram mestres, disco após disco, com sua atmosfera densa e sombria. A arte da capa traduz um pouco essa abordagem, de autoria de Eliran Kantor, responsável por ilustrar horror e beleza em bandas como Testament, My Dying Bride e Cavalera, traduz agonia e dor na figura de um anjo caindo e sendo despedaçado. Não há esperança.
Um grande marco para a banda e um dos melhores álbuns já feitos pelos caras, na minha opinião, mas só o tempo o ratificará como clássico. Saindo aqui pra nosso deleite pela Shinigami Records em uma parceria com a Nuclear Blast, e altamente recomendável pra quem curte o metal da morte.
Gustavo Jardim

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