quarta-feira, 12 de agosto de 2026

METALLICA - METALLICA 35 ANOS


 

METALLICA (BLACK ALBUM) 35 ANOS - O DISCO QUE  MUDOU MINHA VIDA!

Eu tinha 13 anos quando ouvi o Black Album pela primeira vez. Foi meu pai quem colocou o disco pra tocar em um belo sábado de sol à tarde, e lembro exatamente do momento em que "The Unforgiven" rolou no som, eu parei de jogar videogame e fui até a sala perguntar a ele quem tocava aquela maravilha dos deuses, e então ele me mostrou um cd de capa totalmente preta, onde só se via a silhueta do nome da banda e uma serpente enrolada no canto inferior direito. Não sei explicar direito o que aconteceu comigo naquele momento, só sei que pirei e posso dizer com toda certeza que foi um divisor de águas em minha vida, pois o Fernando de antes do Black Album deixou de existir a partir daquele dia, não tinha mais volta, eu virei um fanático não só pela banda, mas pelo heavy metal em si.

E trinta e cinco anos depois do lançamento desse disco, em 12 de agosto de 1991, eu ainda sinto um pouco daquela sensação toda vez que escuto o disco até hoje.

Só depois, com o tempo, fui entender que essa reação não era exclusividade minha. O Black Album é o disco que rompeu a barreira do próprio gênero e chegou a gente que nunca tinha ouvido uma música pesada na vida. Não é exagero dizer, até porque os números dizem por si só: o disco estreou em primeiro lugar em dez países, ficou quatro semanas seguidas no topo da Billboard 200 nos Estados Unidos, e "Enter Sandman" chegou à 16ª posição da Hot 100, a parada pop mais importante do mundo, numa época em que praticamente nenhuma banda de metal flertava com esse território. Gente que nunca tinha comprado um disco de metal na vida comprou esse. Isso é raro. Isso é histórico.

Tem gente que fala mal desse disco até hoje, que xinga o Bob Rock, que diz que o Metallica vendeu a alma naquele ano pra virar banda de estádio. Eu entendo o argumento, conheço a história, sei que a produção mais limpa e as músicas mais curtas foram uma aposta calculada pra alcançar um público maior depois da tijolada (no bom sentido) que foi ...And Justice for All. Mas sinceramente, esse argumento nunca colou comigo. Porque sem esse disco, sem essa suposta "venda de alma", eu não estaria aqui hoje escrevendo sobre uma das coisas que mais amo na vida. Ele foi meu marco zero.

"The Unforgiven" tem aquele clima de faroeste, uma melancolia pesada que não é fácil de explicar pra quem não é fã do gênero. Acho que foi exatamente essa mistura de peso com um quê de tristeza que me pegou aos 13 anos. Já "Nothing Else Matters" é outra história. Nasceu quase por acidente, com Hetfield falando que era uma música feita para uma namorada na época, achando aquilo pessoal demais pra virar música da banda, até Ulrich ouvir a música e insistir que ela precisava ser gravada no disco e não deu outra, o “Anão” acertou (de novo). Não é à toa que até hoje ela segue sendo regravada e tocada em todo tipo de contexto, décadas depois de ter nascido de uma ligação particular.

Não preciso ficar comentando faixa por faixa aqui, até porque todo mundo já conhece esse disco de cor. Mas não posso deixar de admitir uma coisa: mesmo gostando de tudo sem exceção, e mesmo tendo sido "The Unforgiven" a minha porta de entrada, a melhor música do disco pra mim continua sendo "Wherever I May Roam". E não é pouca coisa dizer isso de um álbum que, de doze faixas, colocou seis como single ao longo de 2 anos de divulgação, contando o lançamento promocional de "Don't Tread on Me". Poucos discos de heavy metal conseguiram esse tipo de proporção entre faixa e hit.

E não é só questão de saudosismo, ou de eu ter ouvido isso aos 13 anos com os olhos brilhando. Pra mim, até hoje, é o disco mais bem produzido da história do heavy metal. Bob Rock levou o Metallica pra um patamar de produção que nenhuma banda do gênero tinha alcançado até então: guitarras enormes, mas ainda assim limpas, uma bateria que soa gigante sem perder o peso, arranjos que respiram, como a base de cordas discreta em "Nothing Else Matters" ou o clima quase cinematográfico de "The Unforgiven". Isso sem falar da composição, muito mais madura e econômica que qualquer coisa que a banda tinha feito antes. Não é à toa que até hoje engenheiros de som, produtores e bandas de heavy metal e hard rock citam esse disco como referência técnica, não só de som, mas de como compor e arranjar uma música pesada pra ela funcionar em qualquer contexto.

A partir dali, virei fanático. Corri atrás de tudo que existia de Metallica, descobri "Kill 'Em All", "Ride the Lightning", "Master of Puppets", e de lá fui pra Slayer, Exodus, Iron Maiden, Judas Priest, Black Sabbath, etc. O Black Album não foi só um disco bom que eu ouvi quando era moleque. Foi a porta de entrada pra tudo que eu sou hoje como fã e como alguém que escreve sobre heavy metal.

Trinta e cinco anos depois, o disco ainda segue batendo recordes. Em maio de 2025 a RIAA certificou o Black Album como Double Diamond, mais de 20 milhões de cópias vendidas só nos Estados Unidos, o primeiro álbum de heavy metal da história a chegar nessa marca. Segue sendo, até hoje, o marco zero de gente que nem tinha nascido quando ele saiu. E o Metallica sabe disso, pois em pleno M72 World Tour, as músicas do disco ainda continuam com presença garantida no repertório, show atrás de show. E assim será eternamente, até o dia em que a banda se aposentar.

Talvez essa seja a explicação mais simples do porquê esse disco importa tanto. Não é sobre thrash raiz contra Metallica "vendido". É sobre quanta gente, como eu, teve o próprio marco zero através dele. Trinta e cinco anos depois, Black Album ainda me faz sentir do mesmo jeito que aquele moleque de 13 anos ouvindo o pai colocar o disco pra tocar.

Long Live MetallicA!

Fernando Aguiar

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