sábado, 26 de setembro de 2015

3° UNIÃO EXTREMA FEST - A UNIÃO DA CENA UNDERGROUND



                     Sábado, 15 de agosto de 2015. A tradicional casa underground, Embaixada do Rock, em São Leopoldo, foi sede da terceira edição do já consolidado União Extrema Fest. Uma parceria entre a Heavy & Hell Press e o All That Metal, dessa vez, também celebrava os 7 anos de atividades de um dos melhores sites dedicados á música pesada, o Road to Metal. E, poucas vezes, um nome de um festival caiu também bem ao evento como esse. Afinal subiriam ao palco bandas de estilos bem variados, mas que em sua essência celebram o Heavy Metal!

                     Sin Avenue (Hard Rock), Astaria (Heavy Metal), Bloody Violence (Brutal Death Metal) e Carniça (Thrash Metal) subiram ao palco e deram prova, mais uma vez, que a nossa cena underground possui grandes bandas. E que mereciam um público maior. Tá certo que haviam na região, mais cinco eventos. E isso por um lado é louvável, afinal, quanto mais o heavy metal for divulgado, melhor. Mas é aquela história, com mais eventos, o público acaba se dividindo e dessa forma, dá uma "esvaziada" em ambos. E além de ter um ingresso barato, o União ainda arrecadou alimentos pra a população de Esteio que foi atingida recentemente por uma forte enchente. Belo gesto dos organizadores e do público que atendeu ao pedido e fez sua parte. Dito isto, vamos aos shows.

SIN AVENUE

                     Com cerca de meia hora de atraso (algo normal), sobe ao palco a primeira banda, a representante do Hard Rock no festival, SIN AVENUE. E a escolha não poderia ter sido melhor. Formada por CJ Rebel Son (vocal e guitarra), Lucas Queiroz (Baixo e backing vocal) e Z. Ace (bateria), a banda entro detonando um hard com uma pegada heavy que só quem tem a manha do estilo pode (e sabe) fazer. Contando com músicos experientes na cena, o grupo mostra muita qualidade nas composições, além da técnica dos integrantes, com destaque para o guitarrista CJ rebel Son. Com um vocal bem característico e uma guitarra afiada, ele se junta ao peso de Lucas e a pegada hard rocker de Z. Ace ( que por vezes lembrou os grandes bateras da cena hard americana tocando de pé) e nos entregam uma música cheia de malícia e inspirada nos grandes nomes da cena ( Whitesnake e Kiss á frente). Destaque para Love Hunter, In The Name of Glory, Say Goodbye to Yesterday, Crime e o medley/cover do WASP Wild Child/Babylon's Burning, que ficou sensacional! A banda se encontra em processo de gravação de seu álbum de estréia. E pelo que se pode conferir, vem coisa boa por aí. A cena Hard agradece!

Setlist SIN AVENUE:

01 - You're Not Only One
02 - Love Hunter
03 - In The Name of Glory
04 - Alone
05 - Say Goodbye To Yesterday
06 - I'll Gonna Make You Mine
07 - Crime
08 - Wild child/Babylon's Burning (WASP cover)


                  

ASTARIA

                       A segunda banda a se apresentar foi a ASTARIA. Praticando um heavy metal muito bem tocado, o grupo agradou bastante o público. Com dez anos de estrada, o grupo formado por  Marcelo Laserra (vocal), Ian Caiê (guitarra) Maurício Zimmermann (guitarra), Leandro Mantelli (baixo) e Giovani Lazzari (bateria), trouxe o peso do heavy metal ao palco do União Extrema. Com destaque para a dupla de guitarristas, que "pesou" a mão, a apresentação mostrou um grupo entrosado e que tem grandes músicas. Com um set baseado no seu primeiro trabalho (Closed Eyes - 2012), os destaques ficaram com Raven's Eye e Fire That Cannot Burn, com um refrão daqueles pra cantar com a banda! O batera Giovani Lazzari carrega no peso, criando um belo trabalho em conjunto com o baixista Leandro Mantelli. O grupo apresentou também um medley muito bem executado com músicas do Metallica e encerrou a apresentação com o cover de Children of the Grave dos mestres do Black Sabbath. 

Setlist ASTARIA:

01 - Horizon Seeker
02 - Raven's Eye
03 - For Whom The Bell Tolls/Sad But True/Seek & Destroy (Metallica medley)
04 - Fire That Cannot Burn
05 - Chain of Lies
06 - Into the Maze
07 - Children of the Grave (Black Sabbath Cover)


                                                             BLOODY VIOLENCE

                    Era chegada a hora, então, da brutalidade sonora! O BLOODY VIOLENCE subia ao palco após uma bem sucedida turnê européia ao lado dos também gaúchos In Torment e dos italianos do Vulvectomy (intitulada Abusing Europe 2015). A apresentação teve início com alguns problemas técnicos no som, mas que logo foram sanados e proporcionaram ao público presente uma aula de brutalidade e violência! Israel Savaris (vocal e baixo), Igor Dorneles (guitarra) e Eduardo Polidori (bateria) formam um trio que produz um apocalipse sonora, que muitas bandas com mais integrantes não consegue concretizar. Com uma fúria e garra impressionantes, o grupo vem divulgando Divine Vermifuge, lançado agora em 2015 e executou petardos como Mother of  Dying, Colares UFO Flap e Overseers. Destaque para a performance do guitarrista Igor Dorneles. Mais um grande show!

Setlist BLOODY VIOLENCE:

01 - Lethal Nuclear Evil I
02 - Mother of Dying
03 - Born to Squirm
04 - Piece of Shit
05 - Overseers
06 - Colares UFO Flap
07 - Lethal Nuclear Evil II


            
                                                                        CARNIÇA

                     E no encerramento do festival, sobe ao palco da Embaixada, uma das melhores bandas do RS. Praticando seu Heavy Rotten Metal, a CARNIÇA proporcionou uma aula de thrash metal aos que ali estavam presentes. A experiência conta muito e não á toa que, Mauriano Lustosa (vocal e baixo), Parahim Neto (guitarra e backing vocal) e Marlo Lustosa (bateria) tem o reconhecimento do público por onde passam. Com uma garra e pegada totalmente thrash e com "sangue no zóio", o grupo trouxe músicas de todos seus trabalhos. Ainda em divulgação de seu mais recente trabalho (Nations of Few - 2012) e com o Projeto Crowdfunding de relançamento de Rotten Flesh (seu primeiro álbum) em vinil, o grupo fez um show memorável! Pauladas como Rotten Flesh, Oil War, Nations of Few, Prayers Before the Death e o cover insano de Angel of Death do Slayer (que infelizmente, foi o pano de fundo para um acidente, onde alguém do público acabou por quebrar o pé no mosh, mas que teve o atendimento necessário por parte da produção) foram os grandes destaques. O trio tem estrada e sabe muito bem como fazer thrash metal. E proporcionou ao festival um encerramento em alto estilo, provando que aqui se faz metal de qualidade, mesmo sem o apoio da grande mídia!

Setlist CARNIÇA:

01- Intro/Liars
02 - The Prothester
03 - Nations of few
04 - Rotten Flesh
05 - No Love Hate and Death/ Lethal Agression
06 - Oil War
07 - Prayer Before the Death
08 - Surrender
09 - Angel of Death (Slayer cover)


                  Fica aqui os parabéns e também ao agradecimento ao Renato (Heavy & Hell Press)e ao Tiago (All That Metal ) pela atenção e credenciamento, ao Fábio (Embaixada do Rock) pela parceria, ao Uiliam Vargas e ao Diogo Nunes (Road to Metal) pelas fotos e as bandas que proporcionaram grandes shows! Que venham mais edições! Hail to underground!



Sergiomar Menezes


                    

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

IRON MAIDEN - THE BOOK OF SOULS


                   A maior banda de todos os tempos está de volta! E com um trabalho muito superior aos seus recentes antecessores. The Book of Souls chegou cheio de expectativas (como todo trabalho da Donzela). Desde Brave New World (2000), o grupo não apresentava um trabalho tão consistente como esse. Após o fraco Dance of  Death (2003), o regular A Matter of Life and Death (2006) e o fraquíssimo The Final Frontier (2010), o grupo chega com seu trabalho de maior duração (cerca de 90 minutos), recheado de belos solos (o trio de guitarristas está afiadíssimo, Dave Murray é  a cara da banda, Janick Gears se supera, mas o grande destaque é Adrian Smith), riffs tipicamente “maidenianos”, aquele baixo cavalgado que só mestre Steve Harris pode nos proporcionar, a bateria pegada e certeira de um dos bateristas menos lembrados quando se fala nos melhores, mas que de coadjuvante não tem nada, afinal, Nicko McBrain toca muito e, Bruce Dickinson... Sem  sombra de dúvida está cantando muito! Além de cantar de forma espetacular, Bruce compôs grandes músicas em parceria com Adrian Smith, algo que por si só, já garantiria qualidade suficiente ao trabalho. Mas os arranjos, o peso (tratando-se  de Iron Maiden) nos trazem uma banda que, apesar da passagem do tempo, mostra que tem muita lenha pra queimar. 


                  Muitos dizem que o álbum é uma volta ás origens. Não concordo. O Iron Maiden não precisa disso. Mas quando se compara aos mais recentes trabalhos, podemos afirmar que a velha Donzela de Ferro está de volta! O único ponto que deixa um pouco a desejar é a produção. Kevin Shirley é um renomado produtor e já vem produzindo a banda há algum tempo. Apesar de ter grandes bandas em seu currículo ( Rush, Aerosmith, Journey), a produção não fica á altura da banda. Como eu gostaria de um dia poder ouvir um álbum do Iron produzido por Andy Sneap (Exodus, Kreator, Arch Enemy), que além de produzir bandas mais pesadas, fez um trabalho fantástico com o Accept! Mas de forma alguma esse detalhe retira brilho do trabalho. Uma banda em plena forma e inspirada é o que podemos ouvir nas 11 composições que integram o trabalho.

                 O álbum começa com If  Eternity Should Fail. Uma grande composição. Iniciando com um Bruce inspirado e de forma lenta até a entrada da banda, com uma pegada pesada e cadenciada. Com um belo refrão e guitarras na linha NWOBHM, é um belo início de trabalho. Speed of Light, faixa que foi divulgada como single e teve um clipe sensacional, vem na seqüência. Rápida, com grandes riffs, um refrão pra cantar junto no show de punhos cerrados e um Bruce lembrando os tempos de No Prayer for the Dying (1990), tem tudo para ser uma das composições a integrarem o set list da próxima turnê. Quanto ao vídeo... Bom, a banda teve a perspicácia em unir o mundo dos games e o heavy metal. Mostrando a evolução dos jogos e da discografia do grupo, o clipe, como dito antes, é sensacional!                 




                   The Great Unknow tem como destaque Nicko Mcbrain. Um trabalho de bateria técnico e eficiente. Com um andamento diferente, talvez seja a faixa, onde a veia “prog” da banda tem mais destaque. Com solos muito bem elaborados e tendo em Bruce novamente sua referência, a faixa fica melhor a cada audição. A longa The Red and the Black, nos remete a clássica The Rime of Ancient Mariner. Aqui, as três guitarras da banda trabalham de forma harmoniosa. Refrão forte e a categoria de Bruce complementam a composição. When The Rivers Run Deep é a faixa mais rápida do trabalho. Com aquela veia rocker dos antigos trabalhos, bons riffs e solos inspirados, Adrian Smith mostra que além de grande guitarrista, é um excelente compositor. The Book of Souls, faixa título, também está no rol das faixas longas do álbum. Começando com um dedilhado ao violão, a faixa traz uma grande variação durante sua execução. Por vezes pesada e cadenciada, não percebemos o tempo passar. Bruce Dickinson dando show novamente. Um clima épico com toques progressivos se fazem presentes. Assim, se encerra o CD 1.

                  O CD 2 começa com a fantástica Death or Glory. Que música meus amigos! Direta e pesada, a parceria entre Bruce e Adrian aqui mostra que a dupla quando quer, se supera. Uma faixa sem grande variações mas com aquela pegada característica da Donzela que todos nós tanto curtimos! Wasted Years... Ops... Shadows of The Valley vem na seqüência. E não errei ao escrever não. Escutem a introdução desta música e me digam se não vem a mente a música presente me Somewhere in Time (1986). Apesar disso, mais uma bela composição com grande trabalho de guitarra. Tears of a Clown, que homenageia o falecido ator Robbin Willians, e é a faixa preferida de Bruce Dickinson no álbum. Uma bela melodia e com uma interpretação emocionante do vocalista, a faixa composta por Adrian Smith e Steve Harris é um dos destaques. The Man of Sorrows, começa com Dave Murray dedilhando uma bela melodia. Dá pra imaginar que teremos uma balada, mas há uma mudança de direcionamento e a música ganha um contorno diferente. Empire of the Clouds encerra o álbum com seus 18 minutos. A faixa é a mais longa da carreira da banda. Um piano na introdução e vai crescendo de tal forma que se transforma em um dos destaques do cd. Uma composição com variações, arranjos fantásticos e um show de cada integrante durante sua execução.

                  Já escrevi em uma rede social que apesar da empolgação de muitos fãs, esse álbum não é a oitava maravilha do mundo. Afinal, o Iron já tem em seu currículo as outras sete. Mas é um álbum MUITO BOM. E fica melhor a cada audição. E pelo que andei lendo, em Março de 2016, a banda deve vir ao Brasil e muito provavelmente se apresentará em Porto Alegre. Não perca! A maior banda mundo divulgando um grande álbum merece ser vista por todo aquele que diz ter o rock em suas veias. Lá em 1981, um jovem e rebelde Paul DI’Anno bradava: “ IRON MAIDEN CAN’T BE FOUGHT!”  E essa frase continua atual... UP THE IRONS!



* Publicado originalmente no site da Agência Yaih (www.agenciayaih.com.br)


Sergiomar Menezes

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

SACRÁRIO - CIRCLE OF PSYCHOPATHS


               Thrash Metal old school mas com uma pegada atual. Riffs cortantes e cozinha destruidora. Assim o grupo gaúcho SACRÁRIO se apresenta com o petardo CIRCLE OF PSYCHOPATHS. Lançado pela Voice Music, o trabalho foi mixado e masterizado pelo baterista Everson Krentz. E que por sinal, deixou a sonoridade da banda exatamente como uma banda de thrash deve soar: crua mas sem excessos. Gravado no Weeber Home Studio, o cd mostra que não basta querer fazer thrash metal. Tem que SABER fazer!  Formado por Fabio Webber (vocal e guitarra), Everson Krentz (bateria), Ricardo Lemos (guitarra - que deixou a banda recentemente) e Cristiano Kappaun (baixo), o grupo traz um trabalho que agradará aos fãs do estilo.

               A faixa de abertura, Let Them Die, começa com uma pequena introdução para na seqüência, enfiar o pé no acelerador com riffs certeiros, bateria pesada, vocal rasgado e solos cortantes. Bem composta , a faixa dá uma amostra das características e influências da banda. Já Circle of Psychopaths, mais cadenciada, mostra a variação nas composições, pois o grupo não se apega apenas na velocidade e carrega no peso. Grande trabalho de baixo e bateria, onde os riffs se encarregam de nos proporcionar a famosa "air guitar". Mais riffs thrash é o que encontramos em Killing For A Living. O batera Everson Krentz tem a pegada que os grandes bateristas do estilo possuem, pois alia o peso com variações sem tornar a condução monótona. O peso de Ashes and Dust continua e dá destaque as guitarras, e comprova que além do vocal correto, Fabio também manda bem nas seis cordas, além de ser o principal compositor da banda. As The World Falls Down mete o pé na porta e podemos perceber as influências do thrash alemão no som da banda.

               Time of Pestilence é uma das melhores faixas, com grande variação e excelentes riffs. Peso proporcionado pela cozinha da banda onde o baixista Cristiano ganha destaque. Vocais na linha do thrash old school. Sem dúvida um dos destaques! Blackened Future também se destaca, pois é uma faixa mais densa e porque não dizer, sombria. Cadenciada e com riffs carregados, tem em sua composição uma variação de andamentos que entregam dinamismo á música. The Evil is Never Far mantém a boa sequência do álbum. Nether God Nor Devil, traz a velocidade de volta e a pancadaria corre solta. Mosh garantido! Após um breve dedilhado, Relish The Bloodshed vem carregada de peso com uma levada de bateria bem interessante. Bloody Night, é uma faixa tributo á primeira formação da banda que gravou a demo Wasted Land ( Alexandre Colletti, Carlos lots, Marcelo Cougo, Alvaro Balaca e Marco Fregapani). Muito legal essa iniciativa da banda! Aqui, a guitarra solo ficou á cargo de Carlos Lots, o baixo com Marcelo Cougo e o vocal com Alvaro Balaca. O trabalho se encerra com o cover de Living Monstrosity do Death. Presente em Spiritual Healing (1990), a Sacrário consegui imprimir sua personalidade com maestria.

               Um grande trabalho feito por quem tem conhecimento de causa. Talvez, o único ponto que poderia ter ficado melhor, seriam os solos. Não ficaram ruins, pelo contrário. Mas poderiam ter sido mais explorados. Se você curte aquele thrash metal old school, mas com uma pegada e roupagem mais atual, vá sem medo de encontro de Circle of Psychopaths. O torcicolo é garantido!



               Sergiomar Menezes

segunda-feira, 7 de setembro de 2015

SAVE OUR SOULS - THE OTHERSIDE


                    Metal Sinfônico elaborado, técnico e de bom gosto. Talvez seja um tanto simplificado chamar assim a música executada pelo quarteto gaúcho SAVE OUR SOULS. Mas também, resume de forma correta o som praticado pelo grupo. Lançando seu primeiro trabalho, THE OTHERSIDE,via SHINIGAMI RECORDS, o grupo formado por Melissa Ironn (Vocal e teclado), Marlon Lago (Guitarra), Jackson Harvelle (baixo) e Andréss Fontanella (bateria), apresenta um trabalho consistente e bem elaborado, algo bastante raro hoje em dia, no saturado mundo do estilo escolhido pelo quarteto. Gravado no UFO Studio em Capão da Canoa, RS e produzido por Diego Voges e pela própria banda, o álbum traz belos arranjos e composições que mostram que, apesar de se tratar do primeiro trabalho da banda ( em 2010 o grupo lançou de forma independente o EP FIND THE WAY), personalidade e talento, permeiam de forma uniforme o trabalho.

                    Contando com um trabalho gráfico muito bem elaborado, a produção soube explorar as nuances que o som trabalhado do grupo propõe, sendo que os arranjos ficaram muito bem feitos. Iniciando com Another Life, uma canção bem variada, onde os vocais de Melissa já demonstram uma bom alcance e que se desenvolvem de forma bem peculiar durante a execução da faixa. Com uma introdução bem suave e melódica, a faixa cresce e ganha peso. All  The Lost Souls tem as guitarras como de destaque, além do belo trabalho vocal. The Judgement Day, terceira faixa, apresenta como principal ponto, o bom trabalho desenvolvido pela "cozinha" da banda. Pesada mas sem soar forçada, a música figura entre os destaques do trabalho. The Sound of  Heart, uma balada com belos arranjos e uma bela interpretação de Melissa. O grupo mostra uma boa variação nas composições, o que faz muita diferença. Web of Lies vem na seqüência traz uma boa dose de peso, onde os bumbos de Andréss se fazem presentes, imprimindo á música uma pegada com toques de heavy.

                     Mais peso é o que temos em Soul Domination. Grande trabalho de baixo e bateria com um teclado bem encaixado, A guitarra de Marlon Lago capricha no timbre pesado e por alguns momentos, entram de vez em um heavy metal que só nos remetam ao sinfônico pelos vocais de Melissa. Uma faixa que merece destaque. Já Find The Way traz vocais característicos ao estilo. Pesada e sinfônica, a faixa ganha e muito nos arranjos que ressaltam a capacidade da banda nas composições e que entregam ás canções, a personalidade inerente ao estilo. Leave Me Alone é uma surpresa, pois é uma faixa curta. Porém, na seqüência temos You (Leave Me Alone Part.2) que segue o peso de sua antecessora e possui um belo andamento. Dark Enigma, a última faiixa regular, começa com um belo piano, para em seguida, mostrar a técnica do baixista Jackson Harvelle. Com variações e arranjos complexos, a faixa encerra oi trabalho de forma que, podemos afirmar, coloca o Save Our Souls entre as promessas do cenário nacional. Com vocais guturais á cargo do produtor Diego Voges, e mais uma bela interpretação de Melissa, a música sintetiza o trabalho do grupo. Há ainda, uma faixa bônus. A versão acústica para The Sound of Heart, que ficou muito bem executada e podemos ouvir, de forma mais direta, o talento vocal de Melissa.

                     O trabalho do SAVE OUR SOULS surge como um sopro de renovação no mercado um tanto quanto desgastado do metal melódico/sinfônico. Talento nas composições aliado á técnica dos músicos devem garantir um futuro promissor ao grupo. Se mantiverem a classe apresentada em THE OTHERSIDE, seu nome logo logo, figurará entre os grandes do metal nacional.

SAVE OUR SOULS

         Sergiomar Menezes


terça-feira, 25 de agosto de 2015

HELLSAKURA - VENÖMRIZER


                Rock n' roll sujo, pesado e nervoso. Com essa afirmação, podemos definir VENÖMRIZER, segundo trabalho do HELLSAKURA, que chega ao mercado via Shinigami Records. Com uma mistura entre os elementos do punk/hardcore e do heavy metal, o grupo formado por Cherry (guitarra e vocal, ex- Okotô), Donida (Guitarra, Matanza), Napalm (baixo) e St. Denis (bateria), traz uma pegada que se torna impossível ficar indiferente ao seu talento. Com vocais rasgados e sem soarem forçados, riffs certeiros (característica que se faz presente em todo o álbum), e uma cozinha que soa rápida quando necessário e pesada na medida certa, o cd nos mostra uma banda que tem muito a oferecer.

                Um riff "sujo" dá início a faixa de abertura. Emergency, tem uma levada pesada e vocais nervosos. Uma faixa que traz a energia da banda logo de cara. A "motorheadiana" Venom, vem na seqüência. Rápida e com riffs diretos, traz o vocal de Cherry um pouco mais contido, mas que se encaixa perfeitamente na proposta da música. Lethal, a terceira faixa, começa pesada. Cadenciada e muito bem arranjada, a faixa é um dos destaques do trabalho. Bateria e baixo pesados e a guitarra ditando o ritmo. Mark of the Witch, também cadenciada mas que durante sua execução tem variações, é uma faixa cheia de solos cortantes, além de possuir um trabalho muito bem desenvolvido pela banda. Já Blood Hell, é a faixa mais "rock" do trabalho e que poderia muito bem tocar nas rádios. Com solos muito bem inseridos e vocal rasgado, também é um dos destaques.

              Toxic, talvez seja a faixa que melhor define as características punk/hardcore do grupo. Veloz e com vocais acelerados, além de backing vocals encaixados de forma correta, a faixa mostra o perfeito entrosamento entre Napalm e St. Denis. No Serum, serve de introdução para uma das melhores músicas do trabalho. Gory. Pesada, agressiva e com grandes solos, a faixa possui vocais bem variados, por vezes guturais. Aqui as características mais pesadas da banda (leia-se Heavy Metal) ganham maior notoriedade. You Got The Metal traz de volta aquela pegada mais rocker da banda, com destaque para o trabalho do batera St. Denis. Death Row (faixa bônus), contou com as baquetas de Pitchu Ferraz (Nervosa). Acelerada e com guitarras cortantes, a faixa encerra o trabalho da maneira omo começou. Pesado e agressivo.

              A produção do álbum ficou muito boa. Bem "na cara", sem exageros, evidencia a pegada punk/metal da banda. O trabalho também teve várias participações especiais. Além da bateria de Pitchu Ferraz, houve as presenças de Bob Vigna (solo em Mark of the Witch), Serpenth (solo em Venom e Lethal), Guiller Cruz (ex- Nervochaos, vocal em Gory), Felipe Freitas e Edu Lane (baixista e baterista do Nervochaos, respectivamente nos backing vocals em Toxic), e João (intro vocal em Toxic).

               Com uma música sem invencionices, mas muito bem elaborada e executada, o HELLSAKURA tem tudo para se firmar entre os grandes nomes da cena nacional. Sem nenhuma dúvida, VENÖMRIZER é um dos destaques do ano!



Sergiomar Menezes